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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Eu e minhas dores

 


Muito se tem falado dessa geração mimizenta, que não suporta nenhum tipo de contrariedade. Porém, nos tempos passados, não era tão diferente.

Meus avós sofreram muito, pois tudo que precisavam era sofrido. Tudo era dificultoso, longínquo, dolorido, escasso... E essa situação fez com que na mente deles e de seus descendentes ficasse registrado que a vida é dura, sofrida, escassa, que pra ter uma suposta estabilidade tinha que trabalhar muito duro e ter a garantia de um emprego fixo.

Hoje, essa geração é assim também, só que, em vez de achar que tudo tem que ser sofrido, prefere achar que tudo tem que ser fácil, sem o mínimo esforço e que seja feita sua vontade. Além de ser cheia de dores e vitimistas. Nenhuma das duas gerações estão certas ou erradas. Apenas fases vividas, épocas diferentes, que seguem tradições impostas.

 A internet facilitou muito a vida de todos, e, sendo muito bem usada, é um veículo fabuloso pra ser navegado.

Por falar nisso, vocês tem consciência de que estamos em plena Revolução Digital?

Voltando a esse tempo de gente dolorida...

Pra fazer parte da vida, muitos se juntam a grupos ou gangues, ou seja lá o que for. O pior é esperar desses agrupadores a salvação coletiva. Não terá. Nem do governo, nem da religião, nem do guru, nem do ator famoso que prega a salvação da Amazônia e não tem noção de que lá há interesses mundiais do que está abaixo da terra. Mas esse é um outro assunto.

Quando sentimos algum incômodo, algum tipo de dor ou sofrimento, não há como transferi-lo para outras pessoas. Somente nós passamos com o que acontece conosco. Pra você, isso não quer dizer nada? Ou será que chegou à conclusão de que somos nós por nós mesmos? Nós e nosso poder sobre nós e sobre tudo que há na Terra? Nós e nossa mente poderosa capaz de decidir como será nossa vida e nosso entorno?

Qual o motivo de pensarmos que não devemos sofrer anulando algum incômodo?

Se temos sentimentos, qual é a lógica de camuflarmos só para não nos chatearmos ou sofrermos? 

Alguém já disse que a dor nos faz crescer. Bem, de todo jeito cresceremos, com dor ou sem dor. Ninguém fica estacionado ou evoluído por sentir dor ou alegria. Crescer é uma lei da natureza.

Vejam bem, quando existe alguém (sempre existe e sempre existirá) que nos incomoda, que entra dentro de nosso ser e nos faz colocar pra fora o que temos de mais dolorido, certamente não foi esse alguém que nos colocou naquela situação. Fomos nós mesmos. O que tem na pessoa que ressoa em nós e que dói tanto? Será o espelhamento? Nos vemos na outra pessoa e isso nos machuca? Ou será que a outra pessoa faz exatamente o que gostaríamos de fazer ou tem a coragem de agir de uma certo modo e nós não temos essa coragem, portanto nos incomoda?

Até os seis anos é nossa fase de aprendizado, de captar absolutamente tudo que vai definir nossos próximos anos. E o que acontece, e que também faz parte da natureza humana, é absorvermos medo, angústia, crença (lá vem falar de crença de novo. Sim, se é crença, não tem outra denominação que a substitua), paradigmas, céu, inferno etc.

E assim nosso mundo gira em torno de nós mesmos. O que vivemos é o que acreditamos que exista. Se não temos acesso, não existe. É simples. E esse mundo é povoado pelas pessoas próximas que vivem conosco. Todos na mesma sintonia. E assim são criados e nomeados os grupos: os pobres, os ricos, os empresários, os atores, os advogados, os médicos enfim. E geralmente não se misturam. 

Por que falo sobre esse assunto? 

Em plena Revolução Digital nunca em todos os tempos tivemos tanto acesso à informações, à sabedoria, às notícias, os mundos, tudo!

E aquela bolha que nos limitava a viver somente o entorno, estourou. O acesso a tudo é para todos a qualquer momento, e o que você consegue acessar, acredite, você pode alcançar. Como? 

Imagine uma pessoa humilde que, em vez de ficar dentro da bolha, resolveu desbravar as mentes diferentes e seguir o mesmo caminho daqueles que vivem num outro mundo. E chegou ao outro mundo. Por que somente alguns chegam a lugares que fogem de seu padrão de vida e outros ficam estacionados?

Pelo medo.

Medo de não dar certo, medo de arriscar, medo de decepcionar pai e mãe, medo de pensar diferente, medo de fracassar, medo de ser julgado, medo da instabilidade, medo de passar fome, medo de se machucar, principalmente machucar as emoções, medo do castigo de Deus, medo de ficar doente, medo de ficar sozinho, medo de assalto, medo de sofrer, medo de prosperar, medo de ficar rico, pois rico "não presta", medo de aparecer, medo de ficar famoso, medo de ser criticado, medo de perder pessoas amadas, medo de morrer.

Se juntar todos os medos, chegamos ao medo de morrer. Medo do desconhecido que é a morte. Medo de ficar doente e morrer, medo de ficar sozinho e morrer e não ter ninguém por perto, medo da instabilidade e passar fome e morrer, medo do castigo de Deus e ir pro inferno quando morrer, medo de ser criticado e não suportar a dor e morrer, ou se matar, medo de ser assaltado e morrer, medo de fracassar, ser a chacota da família, não ter apoio de ninguém e nem como se sustentar, e morrer, medo de ficar rico e morrer assassinado, medo de se machucar e ter alguma complicação e morrer, medo de perder pai e mãe e não ter mais ninguém no mundo, e morrer, enfim.

O medo faz parte da vida, só não podemos ficar travados por causa dele. O amor é capaz de anular o medo. Qual o amor? O amor que Deus sente por nós! Nos sentirmos amados por Ele e nos entregarmos, assim como uma criança pula de um lugar alto para os braços de seu pai...

A morte é natural na vida humana.

Uma vez ouvi um amigo dizer que tinha medo de morrer e deixar a filha sozinha... Eu perguntei por qual motivo ele imaginava que a filha iria ficar de braços cruzados, definhando, até morrer? Ele se assustou e concordou comigo.

Eu já tive depressão e síndrome do pânico e sei muito bem qual é a etapa da dor e do medo. É insuportável! Mas depois de superado, percebi que tudo dependia de mim. Eu decidi alimentar minha dor, e queria alimentar mesmo, inconscientemente. Me torne vítima de meus pensamentos e de minhas atitudes. E confesso que há pouco tempo que realmente aceitei que tinha atitudes de vítima e não de protagonista. Quando entendemos o processo, é bem mais fácil retomar o poder a nós destinado por Deus.

Escrevi tudo isso pra falar pra você que esse medo que você tem, esse sofrimento que não acaba mais, e até essa alegria inabalável é a cura de várias outras pessoas, e através dessas outras pessoas, é sua cura também.

Quantas pessoas você teve notícia de que perdeu filho, pai, mãe, emprego, e a partir de então desenvolveu uma maneira de ajudar quem sofre pelo mesmo motivo? É esse o sentido de todos nós.

É esse o propósito. Se curar através da cura do outro. Ou seja, tudo está em você. Tudo começa e termina em você.

- Clara, por que tenho que ajudar os outros, se ninguém nunca me ajudou?

Porque estamos todos interligados e somente nos curamos através da cura do outro. Porque o outro que está bem próximo a nós é nosso espelho a refletir o que devemos enxergar e canalizar a energia em atitudes de ajuda ao próximo. Nós sabemos o caminho de entrada e saída. Nem todos sabem esse caminho.

VAMOS, RAPAZ, GAROTA, SAIA DA BOLHA E DESBRAVE O MUNDO!

Basta um clique pra conhecer milhares e milhões de situações nunca imaginadas, mas que existem! E você aí preocupado em não magoar o outro, se magoando e dizendo sim a todo momento. É sua autotraição. Certamente conviverá com pessoas traidoras... Você se trai... E atrai exatamente o que você é.

"Ah, mas eu nunca fiz mal a ninguém". MAS FAZ MAL A VOCÊ MESMA! Se trai, boicota suas vontades, faz o que os outros determinam pra você e se pune por não ter obedecido!

Meu Deus do céu!

Meus queridos, somos únicos e essenciais nessa vida, podemos dizer sim e não quando queremos dizer sim e não. Que importa o que dizem de nós? A crítica é única e exclusiva pra quem solta a crítica. E pegamos, sem ser nossa... E ficamos doentes, e com medo, e morremos. 

- Clara, porque tenho que dar um clique, se estou bem como estou?

Porque o mundo é maravilhoso, a natureza é exuberante, as pessoas são essenciais, e a vida é muito curta pra deixar tudo isso encoberto. Tudo é perfeito e está exatamente como deveria estar. E você merece toda a abundância e prosperidade que existe na Terra!

Conhecer a si mesmo é o grande segredo da humanidade.

"O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus".

Você é livre! Inclusive pra continuar do jeito que está!


Clara Lúcia


sábado, 9 de novembro de 2019

Eu, minha criança



"A criança interior é responsável pela nossa conexão com o nosso processo criativo, com o nosso poder de atrair o que queremos através da vibração de alegria que emanamos. Em desequilíbrio não criamos, viramos reféns das frequências que vibram de forma inconsciente, que traz para a nossa realidade todos os processos de espelhamento."
Texto de Renata Pereira.

"Vinde a mim as criancinhas, pois delas serão o Reino dos Céus";  Jesus.
Por que será que Jesus disse isso e ninguém entendeu, ou entendeu que somente as crianças que teriam condições de entrar no Reino dos Céus?
Para o Universo somos crianças em fase de aprendizado.
Infelizmente, e isso faz parte da evolução, ao longo da vida somos inundados com crenças e limitações infundadas. Mas isso também tem um propósito, essas crenças são para que possamos vivenciá-las e aprendermos a lidar com elas.
Todo tipo de processo não deve ser evitado e sim vivenciado, sem deixar que nos limite ao processo evolutivo.
Vamos nos lembrar da infância. A minha foi solitária, porém não sabia o que era ser solitária. Brincava sozinha e amava tudo! Criava meus próprios brinquedos: vaquinha de chuchu, boneca de espiga de milho, bolo de barro, cabana de folhagens, floresta imensa no meu quintal, enfim, eu era o brinquedo. E amava tudo isso. Toda criança tem esse processo criativo e que com o tempo se acaba. Ou então na infância mesmo, a criança é privada de brincar como deve ser, explorando sua imaginação.
Hoje é tecnologia, que também não é ruim, pois a criatividade pode ser desenvolvida na criação de infinitas ferramentas facilitadoras para o trabalho humano.
E mesmo assim ainda são privadas de exercer a criatividade. Talvez pela falta de incentivo,  não sei, e também por ouvir muitos "ditados", isso é pecado, tem que... para que... para ser... isso não dá dinheiro... moça de família... pai de família... ou seja, costumes impostos sem nenhum fundamento. (eu acho que não tem nenhum fundamento qualquer tipo de tradição).
Quando Jesus diz que o Reino dos Céus são das crianças, creio eu, é o modo como elas convivem com todos.
Não guardam mágoa, amam incondicionalmente, não têm preconceito, nem racismo, não sabem o valor do dinheiro e nem o valor das coisas, mas prezam e procuram muito o valor do coleguinha. Não são vingativos, riem de tudo, brincam, se divertem, criam, choram...
Tudo isso é a base para a vida adulta fluir... Já nascemos sabendo e não usamos essa sabedoria na idade adulta.
O que é preciso para ser próspero e abundante?
Tudo o que criança faz! Na inocência, sabe-se viver como adulto e adulto se esquece de sua criança interior.
Um detalhe sobre como não cultivar a ansiedade na primeira fase da vida. O soltar...
O soltar significa não ficar ansioso e nem duvidar que algo chegará até você. Essa é uma Lei poderosa do Universo para realizarmos nossos desejos. Você deseja algo, imagina-se na situação de já ter esse algo, com gosto, cheiro, tato, cores e depois solta, na certeza de que tudo é real e que já tem o desejo realizado. O Universo trará a você exatamente a sua imaginação. O Universo não sabe o que é real ou imaginário, não sabe se é bom ou ruim, se pode ou não pode. É o foco, a fé.
Onde entra a criança nisso? Criança já sabe o dom que tem, brinca, imagina, conversa com o brinquedo e... Depois vai dormir. Solta... E no outro dia começa tudo de novo, imagina tudo de novo e a imagem holográfica (como o Universo lê) fica em sua mente. Dependendo do que a criança mais gosta de brincar, esse é o projeto de vida dela. E daí vem o adulto e priva-a de todo o dom despertado, porque não é bom, não dá dinheiro blá blá blá.
E cria-se um adulto infeliz, com vida conjugal infeliz, trabalho infeliz, sem prosperidade e sem sonho nenhum.
Outro fato interessante, sobre os bebês e crianças menores. Por que são tão adoráveis? Acho que se não fossem, não teriam satisfeitos seus desejos, já que não sabem se comunicar direito. Tudo em bebê e em criança pequena é fofinho, é lindinho e quando aprendem algo são aplaudidos, abraçados, amados! Tudo que todo mundo precisa para prosperar.
Amor. Somente amor. Amor é a base de tudo e criança sabe disso como ninguém.
Elas emanam vibração de amor para nos atrair. Depois começam as chantagens e os famosos testes de nossa paciência. Mas basta um sorriso e pronto, tudo por água abaixo.
Dia desses, fui num evento e eu brinquei de jogar bexiga com o filho de uma amiga, no meio do povo lá. Todo mundo esperando e ele e eu jogando bexiga. Eu amava jogar bexiga quando era criança. Brincava sozinha, claro...
Por que perdemos todo esse encanto?
Podemos fazer um teste.
Quando tiver algo a ser resolvido e não encontrar solução e não ter a mínima criatividade pra isso, pergunte a sua criança interior o que ela faria pra resolver. Acho que você vai se surpreender.
Lembro quando meus filhos eram pequenos e eles viam algo e perguntavam o que era. Talvez um brinquedo diferente... E eu respondia apenas "é um brinquedo". Simples assim e eles se contentavam com a minha resposta. Até hoje eu dou respostas assim quando perguntam, por exemplo. o que vou fazer para almoçar? Eu só respondo "comida". E eles riem.
Por onde anda sua criança interior?

Clara Lúcia

terça-feira, 10 de julho de 2018

AS PANTUFAS DE NONNA


O tempo era meio esquisito no inverno, num dia um calor seco, no outro um frio cortante, daqueles de soltar fumaça pela boca. Ana Vitória nem podia sair de dentro de casa para brincar, devido a sua sensibilidade com o clima seco. Sofria no inverno a pequena. Mas invenções para brincadeiras é que não faltavam para entretê-la.
Ana Vitória, uma menina de cabelos encaracolados, olhos grandes e verdes, sardas no nariz e, no auge dos seus cinco anos, as janelas na boca eram inevitáveis. Os quatro dentes de leite da frente já não faziam mais parte de sua figura. Era uma criança doce, meiga, porém teimosa como uma mulinha em crescimento. Adorável quando queria alguma coisa, cativante para evitar broncas por alguma travessura, mas educada, que era o que mais importava.
Em sua casa, além dela e seus pais, sua bisavó vivia com eles em harmonia perfeita. Afinal que família não vive em harmonia quando se tem uma bisneta a querer brincar com a bisavó fazendo-a sentar no chão e cruzar as pernas? Ana fazia isso e depois gritava pela mãe para ajudar a nonna a se levantar. E ria da situação. Nonna se divertia demais! Fazia de propósito só para ouvir as gargalhadas da bisneta. E ficava mole quando sua neta, mãe de Ana Vitória, ia acudi-la para se levantar. Percy, mãe da pequena, tinha medo de nonna se machucar ou quebrar algum osso. "Que nada", dizia nonna, "aguento muita coisa ainda, fia".
E nesse tempo frio, Percy fez pantufas para nonna, toda colorida em crochê. Ela adorou! Qualquer ventinho mais frio que dava, lá estavam as pantufas a esquentar os pés da nonna.
Ana Vitória também ganhou pantufas, mas as dela eram de ursinho bem peludo. Tinham a sola antiderrapante e eram bem macias. Já as da nonna eram somente em crochê, sem sola antiderrapante nem nada. Mas  eram quentinhas e confortáveis. Nonna calçava-as e ficava sentada no sofá cobrindo as pernas com uma manta leve.
Ana Vitória ficava observando as suas pantufas e comparando com as da nonna. Eram diferentes uma da outra, apesar de terem o mesmo nome, deduzia a pequena. Ana indagava a bisavó sobre a sola não ter aquelas bolinhas, as antiderrapantes, e nonna apenas dizia que as pantufas que tinham bolinhas eram somente para crianças felizes poderem correr, brincar e não cair. Ana abria uma sorriso, colocava seu pé do lado do pé de nonna e comparava o tamanho, depois dava um beijo na bochecha dela e voltava aos seus brinquedos.
Num dia frio nonna preferia não se aventurar no chão com a bisneta. Mas engana-se quem imaginava que Ana Vitória ficasse quieta perto da nonna! Fazia questão de trazer seus brinquedos para perto dela, arrumava tudo em volta dos pés da nonna formando um círculo, e ali cantarolava com as bonecas e fazia chá para servir à nonna.
Percy ficava observando a criatividade da filha com a bisavó e sentia paz. A diferença de idade era de oitenta anos, porém não fazia a menor diferença. Nonna, encurvada e com os cotovelos apoiados nos joelhos, entrava na brincadeira e fazia tudo que Ana Vitória pedia. E riam descontroladamente das caretas que nonna fazia quando tomava o chá.
Percy, que ficava observando da porta da sala, ria também e se lembrava de quando era criança e nonna fazia chá para os netos. Era o chá de cheiro, saboroso e perfumado. Sempre era acompanhado por pão caseiro, bolinho de chuva ou bolo de fubá. Os netos se fartavam com as delícias de nonna! Depois de moça é que Percy descobriu o segredo do chá, apenas água com açúcar. E pensava que além desses dois ingredientes, havia também muito amor envolvido, muito capricho e bom humor. Percy fechava os olhos e imaginava o aroma do chá de cheiro com o pão caseiro invadir a casa... E olhava para a filha que brincava com nonna e se emocionava pela falta de seu bisavô e de seus pais, todos falecidos. A família havia diminuído, mas a energia do amor enchia a casa de Ana Vitória!
Não sabia por mais quanto tempo nonna estaria entre eles, mas fazia questão de proporcionar o maior conforto possível para ela. E fazia questão de Ana Vitória participar de tudo e ter uma lembrança maravilhosa da infância ao lado de nona por toda a vida.

Clara Lúcia

quinta-feira, 12 de abril de 2018

ME DIGAS COM QUEM ANDAS




Para quem usa as redes sociais, ou mesmo só a internet para pesquisas, sabe do gatilho ligado as nossas escolhas que impulsionam a nós vários links que poderiam nos interessar, de acordo com nosso gostos.
Chega a ser cansativo quando clicamos em algum link e logo depois um turbilhão de informações referentes ao assunto em questão nos aparece como sendo de nosso interesse também.
Às vezes pode ser que sim, mas na maioria das vezes foi só uma consulta que fizemos, nada além disso.
Vamos supor que você tenha um sonho, um plano, uma vontade de fazer algo, mas que acha difícil, mesmo antes de começar.
Qual o problema em ser difícil? Será que as coisas difíceis nunca deverão ser realizadas? Será que é difícil mesmo ou você já criou o hábito de rotular tudo que não faz parte de sua rotina?
Pela lógica, o mais difícil é fazer algo que nosso corpo não consegue fazer. De resto, tudo é possível. É difícil, fácil, tudo depende da intensidade ou do obstáculo que você coloca à frente de tudo que está por vir.
Se você tem, desde criança, um dom, mas que ao longo da vida não deu valor a ele e seguiu uma estrada que desvia desse dom, digo-lhe que mais cedo ou mais tarde esse dom vai bater forte na sua porta, e talvez seja sua segunda chance de ter o sucesso tão almejado.
Lembre-se que sucesso não quer dizer fortuna.
Então, caso esteja disposto a tentar fazer o que realmente sempre quis fazer, então tente!
Se é dom, então terá toda a facilidade em lidar com qualquer coisa, e além disso, acredite, tudo relacionado ao assunto virá até você.
Aquele ditado que diz que "tudo que queremos o Universo conspira a nosso favor" é verdadeiro...
O segredo disso tudo é o foco que você terá em realizar algo na vida. Se há o foco, há o ímã que impulsionará você a conquistar o que almeja.
Nós temos o livre arbítrio, e isso pode ser ótimo e pode ser um desastre também.
Lembre-se de sua infância, das facilidades que você tinha em desempenhar alguma tarefa... E que por influência do meio em que você vivia, deixou de lado, por motivos variados que já conhecemos. O maior motivo sempre foi "isso não dá dinheiro". E talvez tenha dado se você tivesse insistido e persistido no que realmente sabe fazer com facilidade.
Quando sabemos de nosso dom, certamente temos um diferencial de quem não tem o dom para o mesmo quesito. Então, não importa se metade da população já faz o que você sabe fazer com facilidade, seu dom, pois só por você tê-lo, já terá um diferencial, uma pitadinha mágica, uma cerejinha do bolo, e isso fará toda a diferença para seu sucesso.
Acredite nisso, acredite no seu potencial!
Outro ditado que é verdadeiro, "faça o que goste e nunca mais precisará trabalhar".
Quando temos um dom e trabalhamos nele, a satisfação em fazer sempre melhor, em executar com mais capricho e ser diferenciado no mercado, é visível. E isso pode lhe render além do que imaginava, além do que tantas pessoas lhe tiraram de cabeça em seguir seu instinto e vocação. Dependendo da estratégia que você usará, será bem-sucedido também.
Não importa o que seja, se há amor, dedicação, se for sua vocação e tiver uma boa estratégia, olha, o sucesso será garantido.
O mesmo acontece com as pessoas que vivem conosco no dia a dia. Se prestarmos atenção, todas têm um objetivo e muitas vezes são parecidos com os seus. Se você mudar os contatos, talvez seu objetivo também mude, e até seu modo de enxergar o mundo também mude.
Por essa lógica, me diga, qual seu objetivo? Você tem contato com pessoas que têm o mesmo objetivo que você? Não necessariamente o mesmo dom, mas pelo menos o mesmo tipo de conversa, os mesmos lugares frequentados, o mesmo modo de enxergar o mundo e os mesmos valores. Já pensou sobre isso?
Se forem pessoas que têm a curiosidade em aprender, seguir caminhos diferentes do seu, não há problema nenhum, mas quando você opta por seguir uma estrada e quer ter o foco absoluto para que seu objetivo seja alcançado, talvez seja necessário mudar os ares de sua vivência. E é normal isso. Ninguém vai abandonar ninguém, apenas irão seguir estradas diferentes.
Se você passar a ter contato com pessoas que têm a mesma vocação que a sua, certamente alguns deles já passaram por dificuldades e não terão problemas em compartilhar as pedras que encontraram pelo caminho. Quem já atravessou uma estrada e venceu o desafio, sente orgulho em compartilhar a batalha e mostrar a guerra vencida. Isso seria meio caminho andado para quem está no início da trajetória.
Portanto, se você perceber que está fora do contexto com algumas amizades e pretende se aprofundar no que realmente lhe importar, faça isso! Você obterá respostas das pessoas que já trilharam o caminho que você deseja percorrer, e como tem a vocação, você não terá dificuldades em aperfeiçoar o proposto objetivo. Tudo surgirá para você com a maior facilidade, creia, meu querido!
E, vamos pensar, a vida é tão curta e o mundo tão imenso de oportunidades, que não dá para abrir mão de nossos objetivos por essa ou aquela pessoa, afinal qual vida tem maior valor, a sua ou a de quem está com você lhe impedindo de prosseguir para o que você realmente quer? Todas as vidas são importantes. Cada uma deve ter um propósito a seguir, só isso.
Siga o seu, sem remorso!
Isso não é egoísmo... 
O que você acha?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Picuinhas De Casal


Alguns e-mails que recebo sobre relacionamentos abusivos, nem sempre são abusivos. Às vezes as pessoas são complicadas, difíceis e não conseguem enxergar o outro como uma outra pessoa, um outro universo, um outro ser independente e pensante.
A maior dificuldade é essa mesma, de se colocar no lugar do outro, entender o que se passa com o outro, saber o que pensa, o que gosta, como age, como quer viver, como quer compartilhar. Em vez disso instala-se uma enxurrada de acusações e cobranças, muitas vezes infundadas.
O que eu percebo é a falta de comunicação, como sempre.
A mulher gosta de falar, gesticular, discutir (nem todas), e o homem foge de discutir alguma coisa (nem todos). Ou seja, há quem goste de discutir e há quem não goste de discutir nada, independente quem seja.
Conviver com outro ser humano é muito complicado.
Aí pode aparecer alguém e dizer: "Ah, mas você nem é casada, como pode dar palpite e saber se é assim ou assado?".
Eu fui casada, sei como é difícil, e a questão nem é sobre casamento, mas sobre o ser humano e sua individualidade.
Quantas vezes você chegou pra a pessoa que vive com você e perguntou se ela estava bem, se queria que fizesse de uma outra maneira, se estava confortável assim, se gostaria de alguma ajuda, enfim?
E quantas vezes você reclamou pra a pessoa, essa mesma que vive com você, que não aguenta mais, que só você faz as coisas, que não há colaboração de nada, ou então que só sabe reclamar e não tem a dignidade em ajudar ou tomar a iniciativa de nada?
Fatos corriqueiros em todo casamento.
O que falta é o diálogo E a aceitação do outro como sendo diferente de você.
Há os costumes que carregamos de casa, do seio da família, de pai, mãe, avós, irmãos e afins. E esses costumes estão entranhados em nós e definimos eles como se fossem a verdade absoluta a ser seguida. Essa atitude é inconsciente. E não é errado seguir regras e costumes que aprendemos dos pais. Errado é pensar e querer que nossos costumes se prevaleçam sobre os costumes da pessoa que vive com a gente.
Talvez o motivo de hoje em dia haver tanta separação, sem ao menos tentar superar os problemas é esse, não ter a tolerância em seguir os costumes impostos pelo(a) parceiro. Hoje a maioria é independente financeiramente, o que faz pensar que não é necessário passar por situações de incômodo com a outra pessoa, se se pode viver sozinho ou então ir procurando, procurando, até encontrar alguém que se encaixe em nossa vida como queremos que ela seja.
Isso também não é errado, isso é liberdade, é livre arbítrio.
O erro é não tentar entrar em um acordo, aceitar o outro como ele é, sem querer moldá-lo ao seu jeito, e também se encaixar na vida do outro, aprendendo a viver de uma maneira diferente da sua, mas que seja tão boa quanto.
Quando há o conflito, o que se imaginou na preparação para o casamento, acaba pouco tempo depois. Por falta de diálogo, a vida se torna um inferno! E conversas não existirão, nem acordos, nem respeito, nem vida individual.
Vocês acreditam mesmo que quando há o casamento os dois se tornam uma só pessoa? E a individualidade fica aonde? Talvez fique com um soberano reinando e o outro apenas se calando e aceitando tudo que lhe é imposto. Aí sim, apenas um vive, o outro se conforma com o que tem e passa a viver uma vida que não é sua.
Um exemplo bem clássico, mas que existe: a mulher, em vez de falar claramente o que lhe incomoda, prefere comentar sobre a relação com as amigas, a mãe, a tia... E como mulher é um ser pensante e que tem várias terminações nervosas no cérebro, embaralha tudo e chega a sua própria conclusão de que está certa e que o homem que ela escolheu não deveria agir de tal maneira. Isso sem que ele saiba o que se passa na cabeça linda dela. E ela começa a investigar, fuxicar, cheirar, perseguir, e transformar a vida dele, e dela também, claro, num inferno.
Com isso, o que o homem faz? Vai se afastando, aquele carinho que sentia quando namoravam vai se acabando, não há o entusiasmo de antes, não entende porque ela mudou tanto da noite pro dia, não quer conversar sobre o assunto pra não piorar... E os dias vão passando.
E a mulher, pressentindo o homem distante, sem aquele interesse que antes sentia por ela, fica mais encabulada e o acusa de ter mudado tanto do dia pra noite.
E a vida continua aquele inferno, cada um pro seu lado, sem conversa, sem carinho, sem sexo, apenas fazendo as vezes do casamento perfeito e esperando só uma oportunidade pra jogar tudo pro alto e se separarem.
Outra situação: o homem percebe que a mulher está se dando bem, está evoluindo no trabalho, anda bem arrumada, tem amigos, tem vida própria, e começa a perseguição, o ciúme infundado. Confisca celular, quer senha disso, daquilo, proíbe de usar certas roupas, afinal agora ela é casada e tem que se dar o respeito, não quer saber de amigas por perto, enfim...
Então nessa situação, a mulher, em vez de conversar, prefere contar com a ajuda da amiga, aquela que tudo entende e que sabe como ninguém dar conselhos. Ela volta diferente pra casa, cada vez mais. O homem continua com cenas de ciúme, não elogia mais, não colabora com a casa nem com nada, vive de mau humor... Então ele prefere sair e beber com os amigos, desabafar, esquecer um pouco, ou seja, ele se proporciona sair e espairecer com os amigos, mas a mulher dele, por ser casada, tem que se dar o respeito e ficar confiscada em casa.
E a vida vai se tornando um inferno.
Não há o diálogo, não há a paciência e a admiração acaba. O homem não consegue entender nada, e a mulher, que pensa muito, não consegue perceber que o homem é diferente dela. Não existe ela querer impor sua rotina, seu raciocínio. O homem não percebe que a mulher tem hormônios com vida própria e isso é involuntário a sua vontade.
Um gesto busca uma consequência, e outra, e outra. Tudo por falta de diálogo e entendimento.
Falta de conhecer e respeitar a individualidade do outro.
Falta de aceitar que cada um é cada um e que a casa, agora deles, é deles, e não de um só que vai impor regras.
Talvez a vida íntima do outro seja até mais interessante que a sua. Talvez o que você poderia aprender com o outro, seja de grande valia pra sua vida. Talvez o modo complicado ou então a facilidade com que o outro encara as dificuldades seja a resposta pra superar qualquer pendenga do casal. Gentilezas não significam submissão. Gentilezas são gentilezas mesmo. E feitas com vontade, certamente serão retribuídas.
Aceitação.
Respeito.
Admiração.
Companheirismo.
Amor.
Um não vive sem o outro.
Simples.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Quando Eu Morrer, Não Tenha Medo De Mim


Quando eu morrer, não tenha medo de mim...
Continuarei a ser a mesma pessoa, que estará em outra dimensão. Você acredita na outra dimensão?
Eu sim. Acho um desperdício a gente viver somente aqui, num corpo perfeito, numa alma inexplicável, depois morrer e acabou. Muito pouco, não acha?
No começo sei que vai ser difícil, haverá choros e sofrimentos. Mas passa... Eu sei que passa... Você tem sua vida e deverá cuidar dela até chegar sua hora de partir, assim como eu partirei.
Talvez você sinta calafrios, tremores, arrepios e medo. Pode ser eu, ainda inexperiente, nessa minha nova morada, tentando me aproximar para matar a saudade. Mas nem todas as vezes que sentir essas coisas serei eu. 
Às vezes eu fico pensando na morte, em como ela chegará para mim, se de modo inesperado ou em conta-gotas. Pena não poder escolher, mas é melhor assim. Imagina a angústia ficar em contagem regressiva para o adeus terreno? Eu morreria! Hahaha, foi uma péssima piada!
Talvez você sinta uma brisa suave a movimentar seus cabelos, e se sentir vontade de fechar os olhos, suspirar e se lembrar de mim, saiba que, mesmo não sendo eu, de alguma forma saberei que me imaginou nesse instante. E ficarei feliz.
Acredito que depois da morte alguns sentimentos acabarão. Só o amor sobreviverá...
Talvez você sinta cheiro de rosas... Pode ser eu sentada num lindo jardim a lhe observar de longe... E sorrirei... 
Sinto saudades de muitos que já partiram. Quem será que verei primeiro? Será que vou poder abraçar, beijar? 
Talvez você sonhe comigo, um sonho leve, com luzes, brisas e crianças correndo. Bem, não entendo esse negócio de sonhos, mas sei que não ficarei nesse lugar lindo de imediato. Há todo um aprendizado a percorrer, até subir os degraus da evolução e sentir aquela paz tão recomendada durante o velório.
Por falar nisso, quem irá se despedir de mim?
Talvez você acorde no meio da noite e chore... Certamente chegarei correndo para lhe confortar... Choro a gente não deixa passar. Tentarei lhe tocar, lhe beijar, lhe abraçar, mas não conseguirei, e você não sentirá minha presença. Mas ficará sofrendo até adormecer novamente... E a vida seguirá, sem mim... E eu sem você. Eu lhe verei, você só terá lembranças...
Você estará perto de pessoas que lhe ama, que saberão lhe acolher, lhe confortar, abraçar quando precisar...
Eu estarei sozinha, pois terei uma caminhada até chegar ao plano dos que já se foram. 
Lembra quando eu dizia que nascemos só e morremos só? É isso.
Claro que não estarei sozinha isolada, haverá gente, quer dizer, almas por perto. Você seguirá sua vida, sua família estará por perto, por longos anos, eu espero. Aproveite a vida! Ela é muito preciosa para ser desperdiçada com sofrimento fútil. 
Lembra quando eu falava que a maioria dos sofrimentos nós mesmos que provocamos? Então, ainda acredito nisso. Mas são atitudes que só com o amadurecimento adquirimos. Quanta bobagem nós provocamos, em troco de nada... Quanta dor inútil... Quanto choro em vão... Quando na verdade o que vale a pena é nosso bem-estar, nossa saúde, nosso prazer na vida. 
Ainda acredito que a vida é única, no sentido de ser preciosa, de ser absolutamente divina e que jamais deve ser deixada para lá por causa de uma outra pessoa. Cada vida um valor. Nem mais, nem menos.
Talvez você não consiga entrar no meu quarto, mexer nas minhas coisas, sentir meu cheiro... Talvez você veja vultos...
Olha, lembra do amor que você declarou a mim por esses longos anos? Então peço-lhe que não sinta medo... Sou eu! Não tenha medo!
Vou olhar por você de onde eu estiver, isso eu tenho certeza! E se eu puder fazer com que você saiba disso, farei. Mas talvez não... O medo é traiçoeiro... Talvez demore alguns anos para que isso aconteça... Lembre-se que a alma é eterna, e no plano que estarei, não morrerei mais. 
Como será a contagem do tempo no céu? Podemos chamar de céu o lugar para onde vamos? Sei também que antes de chegar lá há uma longa caminhada, mas sempre fui disciplinada, então chegarei com tranquilidade.
E esperarei até o dia em que poderei lhe abraçar e matar a saudade...
Hoje já sinto saudade, mesmo estando assim, grudadinha em você...
Não se esqueça, nem hoje, nem nunca: eu te amo!

Clara Lúcia


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Perfume Adocicado


      Contados exatos dois meses, Ariela finalmente alcançou a coragem em entrar no quarto que era de sua mãe, Dona Hortência, que nos últimos meses, por falta de opção, viveu seus últimos dias no asilo São Tomé de Deus. Eram somente mãe e filha morando numa cidade pacata. Todos os parentes estavam muito longe, na cidade grande. Ariela, por ser concursada em Pedagogia, escolheu a tranquilidade de ter ar puro e silêncio para viver com sua mãe. Mas nem tudo saiu como o esperado. Dona Hortência não podia mais viver sem acompanhamento constante, obrigando assim Ariela a deixá-la sob os cuidados de pessoas estranhas no único asilo daquela cidade.

      Ariela visitava a mãe todos os fins de semana, e vez ou outra levava-a para sua casa, para rever seus pertences e matar a saudade de uma comida caseira e especial. Eram como irmãs e Ariela sofria por ter que deixar Dona Hortência com estranhos. A mãe dizia que era feliz no novo lar e que a filha não precisava se preocupar com nada. Às tardes jogava bingo e tomava chá com amigos. Riam e dançavam, depois se recolhiam aos quartos coletivos. Era tudo limpo, mas na verdade Dona Hortência não era mulher de ficar reclamando. Sentia solidão, muita solidão todos os dias. Não queria ter seus objetos por perto por medo de ser roubada. Não confiava nas pessoas tanto assim.

      Naquele quarto vazio Ariela sentiu o cheiro de mofo, de roupa guardada há anos, de pó nos móveis que a fez espirrar seguidamente. Por fim amarrou um lenço tapando as narinas para, enfim, retirar as roupas e doar a quem precisasse. Isso era uma ordem de Dona Hortência para quando ela morresse.

      Ariela não sentiu vontade de chorar, mesmo quando apertava algum vestido de sua mãe em seu peito. Ela pensou que sofreria mais, mas estava tranquila e até conformada com a ausência da mãe. Tinha saudades, e teria para sempre, mas não doía tanto quanto imaginava. Por momentos pensou ser fria como uma pedra de gelo, mas talvez pela vida solitária em que sua mãe passou os últimos momentos, sabia que agora Dona Hortência poderia estar num bom lugar, junto com os seus já falecidos.

      Certamente doaria tudo para o asilo de sua mãe, era assim que o chamava.. Ariela pegou roupas, sapatos, perfumes, talcos, maquiagens, esmaltes, bijuterias, tudo que sua mãe usava. Antes, claro, teve o cuidado de deixar tudo limpo e perfumado. Chegando lá, a primeira cena que viu foi uma senhorinha encostada no portão. Cumprimentou-a e perguntou se ela estava esperando alguém. Ela respondeu que sim, que seu filho logo chegaria. Ela usava batom cor-de-rosa e um perfume adocicado e enjoativo. Ariela sorriu, fechou os olhos e foi como se sentisse sua mãe por perto, devido ao perfume doce. Parecia ser o mesmo que estava na mala, o mesmo que sua mãe usava. "O perfume acabou de encontrar sua dona...", pensou Ariela. Ela entrou carregando com dificuldade a mala cheia com os pertences de sua mãe.

      As voluntárias que lá estavam receberam Ariela com alegria e, num abraço apertado, agradeceu pela gentileza em levar os objetos de Dona Hortência para lá.

      Ariela parou no corredor e, pela janela, ficou olhando o jardim. Não era dia de visitas e os idosos estavam sentados, cada um em um canto, olhando para o nada e sem se comunicarem uns com os outros. Ariela estranhou não encontrar aquela alegria descrita por sua mãe, dos jogos, brincadeiras, risadas e tudo o mais. Resolveu caminhar por eles e conversar um pouco com cada um.

      Um senhor que estava na cadeira de rodas, ficava o tempo todo com a boca aberta e vez ou outra, limpava a baba que escorria. Tinha os olhos lacrimejantes que pareciam olhar para o horizonte avistando a morte. Apenas esperava por ela. Não muito adiante, um outro senhor se entretinha com um livro. Ariela percebeu que ele passava as páginas rapidamente, impossível de terem sido lidas. Nesse instante uma enfermeira chegou até ela para acompanhá-la no passeio. Sem que Ariela perguntasse nada, Fabiana, a enfermeira, começou a contar sobre cada um. O senhor do livro não sabia ler, mas sempre foi tão encantado por livros que não se importava com esse detalhe; gostava de folhear as páginas e depois repetia todo o processo. Ariela pensou que poderia, de vez quando, voltar para ler para ele. Perguntou sobre o senhor da cadeira de rodas. Fabiana disse que ele tinha Alzheimer e que se lembrava apenas de sua infância, cada vez mais remota. Ninguém o visitava há anos... Depositavam o valor da mensalidade e pronto. Ariela perguntou sobre a mulher no portão. Fabiana disse que o filho morava há três quadras dali e que dificilmente ele vinha visitar a mãe. Mesmo assim ela ficava esperando por ele todos os dias e quando começava a escurecer, ela entrava, jantava e se recolhia para dormir. Balbuciava algumas palavras lamentando o filho não ter vindo naquele dia e logo dormia. No outro dia tudo se repetia.

      Ariela sentou ao lado de uma senhora que calmamente crochetava, sem saber definir o que seria. Era uma capa para bule de café, dizia ela, sorrindo para Ariela. Mostrou os detalhes e disse que todos os dias fazia a metade de um, que depois eram vendidas no bazar que faziam no asilo. Ficava feliz em poder ajudar de alguma maneira. Dona Antonieta, o nome dela, não tinha família e resolveu esperar pela hora da morte junto a pessoas. "Que triste morrer e ninguém saber", dizia ela, que imaginava seu corpo apodrecer até acabar o último resquício de carne e só depois algum vizinho sentir sua falta. Ariela pegou suas mãos e as beijou. Dona Antonieta acariciou seu rosto e disse que se sua filha estivesse viva seria assim, como ela.

      "Truco!", Ariela voltou-se para ver quem gritava quebrando aquele silêncio. Era Gumercindo e Antunes, que jogavam baralho o dia todo. Eram os únicos que se enturmavam nos dias comuns. Eram amigos de longa data e se reencontraram no asilo. Haviam feito o Tiro de Guerra na juventude e guardavam lembranças preciosas. Para Fabiana, esse reencontro foi a melhor coisa que havia acontecido no asilo nos últimos anos. Eram eles que animavam a turma nas festas. Mas o que animava mesmo os idosos eram os familiares que apareciam em dias de visita. Todos os dias poderiam ter visitas, mas se compreendia que a família precisaria trabalhar para sobreviver.

      Ariela perguntou para Fabiana se ela teria coragem de internar sua mãe num asilo. Ela apertou os lábios, abaixou os olhos e disse que se precisasse, sim, internaria. Mas sabia que dizia isso por não ter mais a mãe por perto, que havia falecido quando ela era bem pequena. Aquele amor de mãe ela não sabia como era. Talvez por isso respondeu tão rápido a pergunta.

      Ariela passou a tarde toda com os idosos e se sentiu muito bem. Poucos se lembravam de Dona Hortência.

      À noite, quando colocou a cabeça no travesseiro, orou, chorou e pediu perdão à mãe. Arrependeu por não ter criado uma outra alternativa para manter Dona Hortência por perto até seu último dia. Mentalmente começou a calcular quanto seria contratar uma cuidadora. Não, não seria possível com o salário de Pedagoga. Chorou durante algumas horas e depois adormeceu.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Quando Chega a Maturidade?

Imagem pertence ao blog Simples e Clara
1 ano

Saudades de quando apenas me preocupava em chegar rápido em casa, ligar a TV e assistir Speed Racer.

Parece que foi ontem, mas estou em contagem regressiva. Não tenho um dia a mais, e sim um dia a menos de vida. Cinquenta e um já, dia 06 de outubro.

Não tem como não se questionar sobre a vida, as coisas, as pessoas, a saúde, o meio em que vive, as dores, as lembranças, as alegrias...

No pacote todo só tenho a agradecer. Apesar de todas as dores, sofrimentos e perdas, estou viva e muito bem, obrigada! Quando olhamos para trás e enxergamos superações, batalhas acabadas, pesos descarregados, sonhos realizados, ou não, o melhor que podemos fazer é agradecer pela dádiva de ter saúde e poder fazer agora, com filhos adultos e muito bem também, o que se tem vontade.

É certo que muitos vão nos achar egoístas, metidos, arrogantes, assim como achavam como éramos jovens, mas a diferença é que isso é tudo uma bobagem... O que tem de mais em sermos egoístas, metidos e arrogantes? Se realmente nos consideramos ser assim, os únicos atingidos somos nós mesmos.

Hoje me dou o luxo de escolher e, principalmente, usar o não como ponto final. Como é poderoso o não na vida da gente!

E o melhor de tudo, usar o sim como a consciência tranquila, sem medo da entrega, do momento desejado, seja ele qual for.

Esta imagem pertence ao blog Simples e Clara
22 anos

Na juventude somos imortais, mas na maturidade somos saudosistas, cuidadosos e medrosos. Sim, costumamos ter medo do desconhecido. Quem nesse mundo não tem uma pontinha de receio da morte? Acho mais medonho o momento dela, e não depois que acontece. Como será a passagem dessa pra melhor? O que sentimos? Dói? O que há do outro lado?

Agora, não é ruim fazer cinquenta. Também não é bom. Eu sendo uma pessoa hiperativa, o corpo nunca acompanha meu raciocínio. Acompanha, mas poderia ser melhor. Acho que faço coisas além do que imaginava fazer quando tinha vinte e dois, como nessa foto acima. Esse foi o dia de minha formatura. Educação Física, que tanto amava. Mas não exerci. Por culpa minha que fui permitindo me podarem as asas pra não voar pra onde sempre quis. Acontece.

Hoje sei, como disse acima, o poder supremo de usar o não. Aos vinte e dois, antes dos vinte e dois, e depois dos vinte dois, eu não sabia que podia o usar o não. É tão mais fácil se calar e fazer o outro sorrir, não é? O que é a vida da gente perante a do outro que tanto amamos? Enfim, depois dos quarenta tive essa resposta. Sim, a minha vida é tão importante quanto a do outro que amamos. Não posso me privar de nada e nem me calar quando algo me perturba ou me faz sofrer, pois isso é prejudicial a mim. Por consequência não serei feliz o suficiente para transmitir essa felicidade a quem está ao meu lado.

O tempo passa, a maturidade vem... Quando chega a maturidade?

Posso voltar a sonhar em lecionar Educação Física? Sim, claro, mas hoje existem outros sonhos, outros planos, outras conquistas, outros valores, outros desejos... Sim, podemos fazer o que quisermos, sempre, a qualquer hora, desde que não interfira na vida do outro. Podemos sim mudar de ideia e começar tudo de novo.

Acho que a maturidade é isso. Viver a vida com leveza, bom humor, rir de si, ter alegrias, satisfações, e saber enfrentar problemas com a mesma garra dos vinte e dois, agora com sabedoria. Sabedoria não só dos livros, mas da vida, repeitar o outro em sua essência. Saber deixar partir e querer que fique por livre e espontânea vontade.

Eu gostaria de voltar aos meus vinte e dois anos, mas com a imaturidade dos vinte e dois. Imagina uma jovem com cabeça saudosista e sabendo de muita coisa que só os maduros sabem? Insuportável! Cada idade tem seu encanto e esse é o segredo da vida, cada fase a seu tempo, cada tempo sua história, cada história um aprendizado...

É isso.

Parabéns pra mim!
Imagem pertence ao blog Simples e Clara
50 anos
Muito obrigada a você leitor, comentarista ou não, que sempre está por aqui! É sempre bem-vindo!

domingo, 6 de dezembro de 2015

Até Ano Que Vem!


Que todos tenham um ótimo natal e um maravilhoso começo de ano!

Mesmo que não tenhamos o hábito de estar com pessoas várias vezes ao ano, vale estar no natal, ano novo, aniversário e até em outras datas. O importante é estar.

Não importa a quantidade de dias e sim a qualidade das horas vividas junto com quem se tem apreço ou carinho, amizade, amor...  Sentimentos bons não morrem e nem ficam adormecidos, então, meus queridos, não se culpem por ficarem tanto tempo logo dessa ou daquela pessoa. A vida é assim mesmo.

É pra isso que servem datas comemorativas, pra reunir, conversar, compartilhar, vivenciar momentos bons, colocar o papo em dia, abraçar mais apertado, beijar mais estalado, chorar de emoção...

E que Deus nos abençoe a todos!

Ano que vem eu volto!

Beijos!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Domênica


      Pontualmente às sete horas, dona Clotilde carinhosamente acordou Domênica. Passou a mão em seu rosto fino e rosado, apertando-lhe o nariz levemente até que a pequena abrisse os olhos negros. Sorriu desejando-lhe bom dia e para que se levantasse, pois era domingo e iriam à missa.

      Domênica espreguiçou na cama, como um gato manhoso, bocejou, piscou os olhos várias vezes e com os pés jogou as cobertas para o lado e se levantou.

      Não gostava de ir à missa, mas como não tinha outra opção iria sem reclamar. O pai era muito rígido e não perguntava se queria ir ou não. Apenas intimava toda a família e pronto. Uma olhada do pai e o mundo caía. Uma franzida de testa e já sabia que tinha feito algo errado. A bronca era certeza de vir a qualquer momento. De certa forma já estava acostumada, mesmo sendo uma menina comportada e obediente.

      Nos seus sete anos de inocência, Domênica tinha o hábito de acordar cedo todos os dias. Iam à missa aos domingos e depois almoçavam na casa dos avós, que amava. Sempre tinha aquelas gostosuras caseiras como goiabada cascão com queijo mineiro, doce de abóbora com coco, pão caseiro e mexerica. Era tão detalhista que não comia mexerica sem antes retirar todos os fiapos brancos. Demorava horas, mas a satisfação em se deliciar com uma grandona apanhada do pé era indescritível. Não tinha hora para terminar com as guloseimas, mas poderia começar somente após o almoço.

      Colocava uma roupa melhor, sapatos novos e estava pronta. O pai já aguardava na calçada, ansioso pela demora de todos. Sempre com a cara amarrada, mau humorado e ranzinza, reclamava durante todo o trajeto até a igreja. Cinco quadras ouvindo reclamações e ofensas para sua mãe, que se calava e ouvia. Só um doce de pessoa como dona Clotilde para aturar um homem grotesco e fedorento como seu pai. Quase não se falavam e quando acontecia era para dar-lhe alguma bronca ou colocá-la de castigo. Mas, como toda criança sempre dá um jeito de ser feliz, Domênica evitava atormentar seu pai com sua presença ou simplesmente com o som de sua voz. Era tímida e isto ajudava-a a ficar quieta quando estava perto de seu pai.

      A igreja estava lotada, com gente em pé pelos lados e até do lado de fora, com os panfletos em punho, já aguardando o início da missa. Roberto, pai de Domênica, segurando a mão de sua mãe e a de Domênica, entrou apressado e deu um jeito de arrumar um lugar, apertando todos, bem na frente, perto do altar. Não enxergava direito e por isso queria ficar bem perto do padre. Às vezes ele ficava em pé, cedendo seu lugar para a esposa e Domênica, outras vezes colocava a pequena em seu colo e ela ficava inquieta e nervosa, mas se comportava como uma mocinha, como ele cansava de repetir.

      Domênica olhava cada detalhe da igreja, desde os santos, colocados em nichos por toda a lateral, todos eles com a cabeça baixa e olhar triste, o que deixava-a indignada e sem entender nada, e o teto que deixava-a de boca aberta por tanta beleza dos desenhos e das cores. Anjos nus, apenas cobertos com um tecido branco ou com as mãos, com asas enormes e cabelos encaracolados, homens truculentos e barbudos, moças singelas, magras e com a cabeça coberta com tecidos coloridos e um homem barbudo, com os braços abertos, iluminado. Jesus, ensinou-lhe sua mãe. Era Jesus que abria os braços para todos seus filhos.

      Não se atrevia a fazer nenhuma pergunta, por medo da represália de seu pai, que sempre mandava-a ficar quieta e calada. Vez ou outra tinha que se levantar, fazer o nome do pai, ficar de joelhos, e depois se sentar novamente. Olhava para seu pai e via-o apenas mexendo os lábios e com o olhar fixo em algum ponto. Seguiu seu olhar e viu que o ponto fixo era um outro Jesus crucificado, que ficava atrás do altar, bem ao alto, com sangue a correr-lhe a face por causa da coroa espinhenta. Por impulso, perguntou se poderia ir até lá e imediatamente foi repreendida e ordenada a ficar calada. Continuou olhando aquele Jesus triste, com dores na cabeça, nas mãos e nos pés. Por que fizeram isso com Ele? Pensava, sem obter nenhuma resposta. Uma dor lhe invadiu o pequeno coração e se compadeceu. Olhou para o lado onde estava Jesus crucificado e uma outra imagem lhe chamou a atenção.

      Uma mulher com um homem nos braços. "Quem é, mamãe?", cochichou no ouvido da mãe. Nesse momento seu pai estava na filha para receber a hóstia. "É Nossa Senhora, mãe de Jesus, segurando-o, depois que ele foi crucificado e morto, filha". Domênica voltou os olhos para o Jesus crucificado e não entendeu. Quantos Jesus existiam, afinal? Mas não perguntou nada à mãe, apenas deduziu que era uma historinha, como nos quadrinhos que via, que Ele estava no teto, depois crucificado e depois no colo de sua mãe. Suspirou e seu pai já lhe pegava no colo novamente. Depois se lembrou que tinha que ficar de joelhos, colocou a filha sentada e se pôs de joelhos, por dois minutos, com a cabeça baixa e mão na testa, apenas mexendo os lábios, em oração.

      Domênica, apesar de ter o costume de ir à missa, nunca havia prestado tanta atenção aos detalhes da igreja. Logo a missa terminou e foram para a casa da avó. Mas antes passaram no pipoqueiro que ficava na pracinha em frente à igreja, de plantão, todos os dias em que havia missa. Domênica, então, se esqueceu temporariamente de Jesus e foi caminhando, junto com seus pais, até a casa de seus avós, segurando o saco de pipocas cor de rosa, docinhas e saborosas.

      Fim.

domingo, 14 de setembro de 2014

Desejo de Vingança


Em tempos de vinganças virtuais que atingem o real, Mário Sergio Cortella e suas palavras necessárias.


Hoje em dia tudo é muito rápido e a maioria sabe que o melhor a fazer quando se sente raiva ou se é injustiçado é se afastar e refletir, até que a raiva passe. Mas todos, contaminados pela rapidez do imediato, fazem justiça com a boca e com as mãos. Pra que isso, meu Deus?

Mas, por outro lado, vemos uma justiça lenta, lerda e nada eficaz no Brasil. O que fazer então?

Eu sempre vou pelo bom senso, mesmo algumas vezes pecando e me sentindo feliz ao saber de um vingança que deu certo. Mas é só isso. Imediatamente depois não vejo benefício nenhum. Na maioria das vezes sinto compaixão por quem é atingido por justiça de quem não tem competência pra julgar.

Que Deus nos proteja de nós mesmos. Amém!

Uma ótima semana pra todos!


quarta-feira, 2 de julho de 2014

A Primeira Vez...


"A primeira vez a gente nunca esquece" foi o que alguém disse. Hoje estava me lembrando, ou tentando me lembrar quando foi a primeira vez que me senti feliz... Sabe aquela felicidade plena, um estado de graça, de paz, de satisfação? Não sei.

Talvez na infância tive a primeira sensação de felicidade. Me lembro quando ganhei uma boneca que queria muito, a Susi. Fiquei muito, mas muito feliz mesmo! Geralmente criança é feliz. Sofre também, mas pela inocência é feliz. Sem maldade, sem rancor, é feliz.

Na adolescência também tive meus momentos felizes, claro, quando descobri como é bom ter o próprio dinheiro. Naquele tempo começávamos a trabalhar bem jovens, com treze, quatorze anos, e ter um salário para quem não tinha nada era o máximo do máximo. Podia comprar o mundo, podia ter, ter, ter...

Dinheiro é importante sim; não que seja a razão de tudo, mas ajuda muito. Não é essencial, mas é necessário. Não é felicidade, mas nos deixa feliz com o que ele nos proporciona.

Sonhos... Tinha muitos, todos ao meu alcance. Sonhei com bom trabalho, com estudo, com casamento, com casa própria, com filhos, com família, com felicidade. A gente sonha em ser feliz, né? Mas como ser feliz? O que é ser feliz? Qual a sensação de ser feliz e não somente estar feliz?

Posso dizer sem medo que o momento mais feliz da minha vida foi quando presenciei o milagre de Deus, da vida, quando tive meus filhos... Não existe explicação, não existe sensação mais maravilhosa do mundo do que gerar um ser, de vê-lo nascer... A primeira olhada, o primeiro choro, o primeiro toque, e ao mesmo tempo sentindo seu coração se partir em dois, depois em três e assim sucessivamente quantas vezes forem os filhos nascidos.

Mas essa é uma felicidade compartilhada. É claro que de coração, de alma... Mas não é nossa, somente nossa, entendem? São nossos filhos mas estão por aí, hoje aqui, amanhã lá, depois de amanhã quem sabe?

Agora, o momento mais feliz que tenho em mente não faz muito tempo assim. Foi depois de um processo doloroso da minha vida que durou alguns anos e que um dia, não me recordo qual dia, percebi que não podia fazer nada para mudar tudo, mas podia fazer tudo para mudar meu mundo. E mudei.

As pessoas são como são, o tempo é como é, os lugares são os mesmos, as palavras vêm e vão, o amor começa e acaba... A vida continua... Nós dominamos nosso mundo, nosso interior. Aprendi a dizer não quando queria dizer não. Aprendi a ver as pessoas como seres únicos e não como gostaria de vê-los. Aprendi a ter o tempo a meu favor, aprendi a dar valor nas coisas que não têm preço, a pedir ajuda quando precisasse, a ajudar sem esperar retorno, a não me importar com o que acham ou o que falam de mim, a elogiar, a rir, a não me preocupar tanto, a perdoar, a me perdoar, a orar... a agradecer, a agradecer, a agradecer... a agradecer...

Foi libertador descobrir tudo!

Foi nesse momento que senti a felicidade perto de mim, peguei-a nas mãos e não deixei mais escapar. Me dou o direito de tê-la todos os dias, apesar dos pesares. Aconteça o que acontecer, eu mereço ser feliz, por nada e por tudo.

Tão simples e tão complexo. Tudo é muito simples e nós complicamos demais. Já tentaram descomplicar a vida? Já resolveram os problemas sem ficar reclamando? Já sorriram hoje? Já riram de suas trapalhadas?

Falando em primeira vez, me digam, qual a lembrança mais remota que vocês têm da vida? Quantos anos tinham quando a primeira imagem lhes vêm à mente? Me lembro de uma casa com escada, eu brincava de noiva, onde prendia panos na cabeça com pregadores de roupa e subia as escadas segurando uma florzinha bem pequenininha. Eu era a noiva. Acho que tinha uns quatro anos. Foi nesta casa que ganhei a Susi...

Fim.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

(Des)família


Faz um ano e quatro meses que meu irmão se foi. Até hoje não nos acostumamos com essa notícia. Temos a impressão de que ele vai entrar pela porta a qualquer momento com aquele sorriso de orelha a orelha...

Ontem fui à casa de meus pais e meu irmão morava na casa em frente. Cheguei e antes de entrar fiquei olhando a casa... Tão estranho ele não estar lá. Outras pessoas morando, a casa de uma outra cor, o fusca não estando na garagem... Triste. E na casa de meus pais ainda tem o quarto que era dele, com todas suas coisas, intactas. Respirei fundo e fui pensar, na varanda, nos fundos da casa.

Depois almoçamos e minha mãe colocou um vídeo antigo pra assistirmos. Da família. Um vídeo de mais de vinte anos.

Meu avô, minha avó... Que saudade de minha avó, parecia que estava vendo-a por perto. A família toda reunida, mesa farta com panelões, tigelões e uma baciada de macarronada, que delicia que era! Crianças correndo, hoje todos adultos e com suas crianças, Uma oração antes da refeição, votos de felicidades, de união, de amizade, de fartura... E tudo acabou!

Passou o tempo e cada um foi cuidar de sua vida. Meus avós faleceram e a base desmoronou. Não existem mais essas reuniões. Agora cada um faz sua reunião; os filhos de meus avós que agora são avós é que são a base de suas famílias.

Me vi no vídeo, tão novinha, magrinha... Ui!

Vi meu irmão, ainda moleque...

E me deu mais agonia ainda... Passou tão rápido e tudo se modificou. Daqui a pouco e tomara que não seja tão daqui a pouco serei eu a avó com meus filhos e netos, e serei a base deles...

Passa tudo muito rápido, dá até medo...

A gente fica pensando que vida é essa que começa e termina sem anunciar? Modifica, regride, progride... Briga, chora, reza... Abraça, compartilha o alimento... E acaba.

E Jesus renascendo na Páscoa, em todos os lares, em todos os corações, levando esperanças, harmonia, caridade, carinho, atenção...

Não foi um dia fácil... Mas foi. Isso é o que importa.

Uma ótima semana pra todos!





sexta-feira, 4 de abril de 2014

E Assim A Vida Continua


Uma imagem que fala mais que palavras... Belíssimo!

E tanta gente ainda insiste em cultivar o mau humor, a irritação, a não conseguir enxergar a beleza da vida e o que realmente vale a pena... A simplicidade...

Você acordando mal, ficando irritado, nervoso, agredindo o outro, provocando ou não, a vida vai continuar exatamente como é, belíssima! A escolha é sua, sempre!

Agradeçam sempre, por tudo!

Sem ficar prologando muito a lição de moral, que todos tenham um maravilhoso fim de semana, repleto de belezas que nascem, crescem, reproduzem e morrem!


quinta-feira, 27 de março de 2014

Se Deixar Ela Volta


Participando da Blogagem Coletiva da M@myrene. Um pequeno desabafo. Vamos?


      Às vezes acordamos com total falta de esperanças, sem ânimo para se levantar da cama, sem vontade de conversar, sem vontade de pensar... Só a música, a única capaz de nos fazer sentir que ainda há vida, pelo tempo que não sabemos.

      Um turbilhão de pensamentos nos invade e tudo perde o sentido. Lutamos e não chegamos a lugar nenhum. É assim que enxergamos, indo a lugar nenhum. E ficamos estáticos, cultivando pensamentos depressivos, uma lágrima pronta pra saltar de dentro de nós e, quem sabe, nos aliviar de um conflito interno, uma dor que não sabemos de onde vem, um desânimo...

      Fechamos os olhos e nos entregamos ao som suave, sem entender a letra, mas já nos invade de tal forma que viajamos pelo tempo e nos lembramos do que tanto queríamos nos esquecer. Mais uma vez o passado nos bate à porta e espera um convite para entrar, puxar uma cadeira e aceitar um café e um dedo de prosa. Quem sabe um pedaço de bolo de fubá e alguns sequilos de coco também.

      O passado já teve seu presente, então que fique no passado sem nos torturar vez ou outra. Simples.

      Com uma lábia poderosa e já conhecedora do nosso íntimo, aquele que só Deus conhece e cuida, vai chegando bem perto, com toda sensualidade irresistível e se aloja de novo, dentro de nós.

      Depressão. Esta sim sabe muito bem o caminho de volta. Era um lugar tão quentinho, aconchegante, com tanto carinho cultivada e idolatrada. Voltar é muito fácil, mas nem sempre esse convite deve ser feito. Só devemos convidar quem nos enche o coração de alegrias, de tranquilidade, de aconchego... Mas não aquele aconchego que reprime nossas vontades, mas o aconchego que nos enche de esperança de que tudo é bom quando focamos no que é bom para nós.

      Somos seres solitários em nosso mais íntimo viver. Tudo depende de nós. Um instante de vacilo e tudo vai por água abaixo. Não pode!

      Mais uma vez arregaçar as mangas e seguir em frente, distraindo a mente com alegrias vividas. Ou fúteis só para gargalharmos até doer a barriga. Uma boa gargalhada e um abraço são um dos melhores remédios para muitas curas.

      E quando somos carregados no colo então? Uma sensação de cuidado, de carinho, de atenção, de amor... Deus sempre faz isso. Nós é que não percebemos a simplicidade que a vida é e sempre exageramos nas tristezas mesmo com tantas vitórias todos os dias.

      Mas temos todo o direito de ficarmos tristes por um tempo... Mas só por um tempo, sem se alongar nas delongas e nas lamúrias enjoativas que usamos para chamar a atenção. Um, dois dias no máximo! Depois voltar à rotina com algumas melhoras e muito aprendizado como sempre tem que ser.

      E bom humor, sempre! Amor com bom humor!

      Um ótimo fim de semana para todos!

  

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Dia Em Que Eu Venci A Depressão


Um dia eu encontrei um buraco... E caí dentro dele. Um buraco escuro, mesmo iluminado; um lugar colorido, mesmo só enxergando o cinza; um lugar povoado, mas que não conhecia ninguém; um lugar cheio de espelhos, mas que não refletiam minha imagem...

Esse buraco se tornou meu refúgio, meu esconderijo, minha fortaleza e meu porto seguro. Não havia o porquê querer sair de dentro dele, pois não queria me sentir vulnerável diante do mundo. Não queria o mundo, queria meu mundo dentro daquele buraco. Eu me bastava!

Meu filhos me alimentavam com seus sorrisos, suas brincadeiras, seus carinhos... E me mostravam pelas frestas daquele buraco que um mundo colorido existia lá fora. Me puxavam pelas mãos, eu ia junto, mas o buraco sempre ia comigo. Voltava para meu refúgio e toda a rotina continuava.

Noites de insônia, desejos de morte, de vingança, de incompreensão... Por que comigo? Que fiz eu para merecer somente um buraco? Nada mais o que esperar senão a passagem para uma outra vida.

As pessoas me falavam, eu não as ouvia, me davam as mãos e me puxavam para fora do buraco, eu soltava e caía mais fundo, as pessoas não voltavam mais... Eu achava que era assim mesmo, que nasci para viver num buraco escuro.

Por que sairia do buraco e correr o risco de morrer na rua, ficar imóvel numa sarjeta e as pessoas passarem por mim e me deixarem lá, apodrecendo, por não me conhecerem? E por que eu iria entrar em uma loja ou em um banco e tudo desabar na minha cabeça? Onde está a saída de emergência? E eu sozinha, soterrada nos escombros, quem se lembraria que um dia eu existi? Quem sentiria minha falta? Não, se for para morrer, quero morrer em casa, junto as minhas coisas, meus filhos...

Um dia acordei e um arco-iris invadiu meu quarto. Sorri. Meus filhos entraram gritando e rindo, brincando e cantando... Eu cantei com eles, pulei com eles, ri com eles... Rolei no chão e me olhei no espelho. Ainda não me reconhecia. Não era eu, não, essa mulher do espelho não era eu.

Numa conversa com Deus fiz um trato: que tirasse de minha cabeça todos os pensamentos ruins, todas as dores e tristezas e que todos que me fizeram algum mal que sejam abençoados e felizes, cada um com sua vida. Em troca eu seguiria minha vida cuidando de minhas preciosidades que eram meus filhos. Seria muito egoísmo deixá-los à deriva da vida...

No outro dia olhei no espelho e penteei os cabelos... Passei um perfume e coloquei uma roupa menos velha e feia. Agradeci a Deus.

Dia a dia fui agradecendo a Deus... Andava pela casa e cada objeto que eu via agradecia. Meus filhos já haviam crescido. Saí no portão e vi um sol radiante... Ele brilhou para mim... Procurei nas gavetas meus óculos de sol e voltei para o portão. Mas a roupa não combinava com os óculos. Troquei de roupa, passei um batom, penteei os cabelos e coloquei um sapato mais novo. Fui até à esquina.

No outro dia olhei no espelho. Não, não reconhecia a imagem que me mostrava. Horrível!

Conheci a internet... Que sonho, que viagem fantástica, músicas dos bons tempos, vídeos engraçados, blogs, rede social, amigos, muitos amigos.

De repente vi que havia me esquecido de pessoas que deveria ter esquecido há anos, que não mais desejei o mal a ninguém e nem fiquei lamentando por nada! Se não for para agradecer que eu permaneça calada. Deus atendeu meus pedidos, agradeci!

Simplesmente mudei o foco.

As pessoas são como são, vivem suas vidas, são imperfeitas assim como eu sou. Nos magoam, assim como eu já magoei algumas, nos agridem, assim como eu já agredi algumas, nos querem o mal assim como eu também já quis o mal de algumas... Não mudam porque achamos ruim. Não mudam porque as julgamos. Não mudam porque não têm que mudar nada! Quem tem que mudar sou eu. E eu mudei!

Vi um mundo novo, mais colorido, mais iluminado, mais engraçado, com gente feliz, gente triste, gente boa, gente nem tão boa, riquezas, pobrezas, fofocas e verdades... Bem, então cada um que escolha o que for melhor para si.

Passou... E eu me olhei no espelho e sorri. Aqueles olhos não me eram estranhos... "Bom dia, dona Clara, está por aí?"

E os dias foram passando, passando, a tristeza foi dando lugar ao bom humor, às palhaçadas, às besteiras ditas, às gargalhadas... Voltei a fazer o que me dava prazer e gostei disso, de poder escolher o que me faz bem. Passei, então, a fazer só o que me fazia bem. Falar não quando queria falar não, falar sim sem medo de ser feliz e no dia seguinte perder essa felicidade. Quem é feliz o tempo todo?

Um dia de cada vez, agradecendo, sendo feliz, sendo triste, respeitando o ser humano como ele é, sem julgar, sem criticar, sem tentar mudá-lo... Apenas conviver da melhor forma possível. Me respeitar...

Quando me dei conta não encontrei mais o buraco escuro. Cadê ele? E os lugares fechados, com pessoas dentro, me pareceram seguras, sem aquela sensação de desmoronar tudo sobre mim.

Não sei... Mas sei onde está a luz, sei onde está minha alegria, sei onde está o que gosto e sei o que eu quero. Tudo sim, tudo sim, tudo sim... O não fica para de vez em quando... Só quando alguém não entender que eu prefiro ser positiva, sempre, do que negativa. Luto pela minha paz e nunca contra meus tormentos. A favor, sempre!

Dar valor ao que tem valor, amar ao que merece ser amado, ouvir a quem quer ser ouvido, conviver com quem quer convivência... E o resto? O resto acha seu lugar sem ajuda de ninguém...

Hoje me olho no espelho, me enxergo. Sorrio... Sim, esta sou eu!

Quem quiser seguir comigo que seja assim, sempre sim, compartilhando... Aprendendo... Amando...

Amém!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Papa Francisco


Em pouco tempo ele já causou praticamente uma revolução na igreja. Ontem, na entrevista, disse que a igreja tem que ser viva, que tem que acompanhar as mudanças no mundo, que antes as regras impostas eram adequadas mas que agora o mundo é outro e é necessário rever conceitos.

Olha, eu confesso que antes, quando eu era pequena, tinha medo de padre, não digo medo, mas não entendia direito qual o significado da igreja. Só sei que quando ia às missas com meus pais não podia falar nada, nem olhar para os lados, não podia perguntar nada e não sabia a hora de sentar, levantar, sentar, levantar. Apenas tinha que ir, ficar sentada e calada. Cresci e não fui mais à missa nenhuma. Não entendia nada e não sentia necessidade de estar num lugar que, para mim, não fazia diferença nenhuma.

Mas mesmo assim, me casei na igreja católica. Mas ainda não me importava com os sacramentos e nem nada. Queria era entrar na igreja, vestida de noiva. Ainda não tinha feito a primeira comunhão. Naquela época, de minha infância, os pais batizavam e logo a seguir crismavam os filhos. E a primeira comunhão meus pais não me conduziram a fazer. E eu nem tinha ideia do que seria primeira comunhão. Só via fotos de meus tios, primos, com aquela roupa branca, uma vela nas mãos e me diziam que era a primeira comunhão. Mas como não podia perguntar nada para meus pais, ficava por isso mesmo.

Bem, me casei, separei e aí o sofrimento aumentou. Sem saída, sem ninguém para perguntar, para lamentar, para chorar junto comigo, procurei a igreja. Aliás, foi ouvindo Padre Marcelo e depois Padre Fábio de Melo que reencontrei a igreja católica. Me entreguei! Minha vida mudou num giro de 360º. Nunca mais fui a mesma pessoa. Estava me tornando até meio "carola" de tanto que sentia necessidade de estar na casa de Deus, orando, lamentando, buscando soluções e respostas.

Com o tempo fui percebendo que não adiantava estar somente na casa de Deus, tinha que ter Deus junto comigo sempre. Ele não estava só lá onde O procurávamos, Ele está em tudo o que fazemos, desde que O coloquemos em todos nossos atos. Fiz a primeira comunhão! E fui enxergando como era a vida de fiéis que comandavam a igreja, o que falavam, etc. Quer dizer, fui observando à minha volta o que acontecia. Sim, tinha o dízimo, mas não era obrigatório. Eu pagava sim, mas um valor tão mínimo que o retorno que tive por estar na casa de Deus, foi infinitamente maior do que o valor que eu pagava. E algumas frases que eu ouvia dos missionários, me deixavam intrigada.

Aqui perto de minha casa tem as comunidades, que fazem parte da Igreja que fica longe daqui. Então era numa dessas comunidades que eu frequentava. E sempre chamavam os fiéis para participarem da celebração. Eu sou tímida, tenho voz baixa, não gosto de andar no meio da multidão com todos me olhando. Não me sinto bem. Eu sou assim. E sempre me chamavam para participar da celebração e eu dizia que não, que preferia só assistir de onde estava. E sempre ouvia "você ainda não aceitou Jesus". E isso me deixava revoltada. Como assim não aceitei Jesus? Quer dizer que para aceitar Jesus eu tenho que fazer tudo o que me pedem? Bem...

Numa outra ocasião, a presidente (sim, tinha essa hierarquia também), começou a nos falar, antes da celebração, que o "povo" não participava de nada, não colaborava em nada, que ninguém fazia nada naquela comunidade. Achei isso um horror e vi muitos indignados pela forma com que nos tratavam, sem ao menos saber o que se passava com cada um.

Outra coisa que eu não gostava: tinha festa das crianças, então o dinheiro arrecadado, parte dele era usado para fazer festas comemorativas para a comunidade. Tinha bolo, balas, salgadinhos, tudo que criança gosta. E numa dessas festas, fui com meus filhos, que eram pequenos e que faziam o catecismo. Então, a pessoa que organizava tudo começava a servir (claro que todos ajudavam a servir, inclusive eu), cortava o bolo, um pedaço para cada um e depois ela escondia tudo dentro de um cômodo. Tinham crianças que não haviam ganhado nem bolo nem bala nem nada, então eu, inconformada, fui perguntar onde estava o bolo. A moça grosseiramente me disse que eles já estavam cheios que podiam ir embora e que a festa havia terminado. E lá dentro da mesa estava o bolo, com menos da metade cortado. Fui até  lá e cortei o bolo e entreguei para as crianças que ainda não haviam ganhado o bolo. Depois ajudei a limpar tudo e no final, vi cada missionário com um pacote com bolo, salgado, bala, refrigerante, levando embora para suas casas. Aí fiquei indignada de vez.

E assim fui abandonando a comunidade porque na casa de Deus é tudo compartilhado e acolhido. Se tem essa hierarquia e essa discriminação, eu não faço parte.

E agora ouvindo o Papa Francisco falando de humildade, acolhimento e compaixão, fiquei com esperanças de que a igreja mude de alguma forma e acolha melhor a quem procura uma palavra, um carinho, um abraço ou seja, que sinta Jesus dentro do coração, bem lá no íntimo, e O leve para todo lugar onde estiver.

Que Deus proteja nosso Papa, que Nossa Senhora o cubra com seu manto sagrado e lhe abençoe. Amém!

Para quem não viu a entrevista ontem, no Fantástico, clique AQUI!


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Palavras de Autoajuda


Até que ponto essas frases de autoajuda influenciam nossa vida?

Sinceramente, apesar de gostar muito e de espalhar por aí de vez em quando, tem horas que enche o saco!

A realidade de cada um é bem outra.


Eu digo que é uma esperança momentânea, um aviso que as coisas podem estar ruins, mas que vão melhorar porque nem tudo dura para sempre, nem o ruim, nem o bom.


Eu acredito na lei da atração e que atraímos para nós o que queremos muito. Mas e as coisas ruins, os desastres, as doenças, as tragédias? Ninguém atraí coisa ruim. Ou atrai? Acho que sim, tem tantas pessoas pessimistas.


Essas frases são ótimas e que nos faz pensar, mas e no dia a dia, como ficamos? Na hora do sofrimento, da solidão, da depressão, como vou me lembrar dessas frases? Vou cuidar para achar uma solução para o problema e não ficar esperançosa com frases feitas.


Por outro lado, quando estamos muito para baixo, sempre aparece um anjo que nos sopra palavras lindas no ouvido e muda nosso foco. São palavras de autoajuda que nos faz esquecer por um momento que a vida não tá fácil e que é preciso reagir e ir por outro caminho. Já passei por isso e se não fosse anjo que consegue enxergar nossa alma, talvez não teria conseguido sair do fundo do poço. Mas essa saída do fundo do poço depende unicamente de cada um. Mesmo que o anjo nos dê a mão, os passos são nossos, as atitudes e decisões são nossas, a vida é nossa e também as escolhas e consequências.

Gente que tem o dom de levantar o outro, de acolher, cativar, abraçar, doar amor, carinho, atenção, ouvidos... Tempo disponível... Fé.

Gente iluminada que, acredito eu, que são enviados especiais de Deus para tornar nossa vida aqui na Terra  menos doloridal, menos difícil, mais leve e transbordando de amor.

Gente que nasceu para amar e espalhar o amor...

Gente que é um verdadeiro livro de autoajuda e que reconhece de longe uma alma sofredora precisando de umas palavras ou mesmo um gesto ou um olhar e principalmente os ouvidos para simplesmente ouvir o que o outro tem para falar.


Como eu disse e várias pessoas dizem, nada dura para sempre, tudo passa... É só deixar passar e esperar o novo.