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quarta-feira, 15 de março de 2017
Marinalva Das Dores
Fazia um calor infernal na pequena casa sem forração, e o mormaço do fogão com as quatro bocas acesas provocavam suores que escorriam pelo rosto de Marinalva. Vez em quando enxugava as gotas com a manga da blusa, mas mesmo assim não parava de pingar suor em seu colo murcho. Depois de quatro filhos era impossível manter um corpo apresentável, e ainda mais com uma frágil saúde que obrigava Marinalva a se arrastar pelos cantos tentando deixar a casa em ordem.
Aflita, olhava o relógio várias vezes. Não queria atrasar o almoço de Pedro José, o marido, sisudo, tímido, quase não falava e dificilmente sorria. Brincava com as crianças quando estava disposto, o que acontecia raramente. Não tinham diálogo íntimo. Marinalva não tinha disposição para nada a não ser cuidar da casa, dos filhos e reclamar de dores pelo corpo. Era dor que não acabava mais... Dia e noite dolorida... Virava na cama e, dormindo, reclamava. Pedro José nem dava mais ouvidos a ela. Cansou. Cumpria suas obrigações e nada mais. Marinalva ganhou, no último aniversário de casamento, um vestido florido, lindo, um par de sandálias com cristais, um botão de rosa, um perfume adocicado e duzentos reais, que era para ela comprar o que quisesse. Dedicada à família, preferiu comprar coisas para a casa. Isso irritou Pedro José, mas mesmo assim não reclamou. Já havia se acostumado com ela. Quando estava um pouco melhor, Marinalva até procurava por ele debaixo dos lençóis. Ele respondia aos seus carinhos, depois virava para o lado e dormia. Ela dormia tranquila quando tinham intimidade, acordava disposta, sorridente e ele tinha a certeza dela caprichar no almoço.
Marinalva olhou o relógio e já havia passado dez minutos sem que Pedro José chegasse. Estranhou porque ele nunca se atrasava. Foi até a janela, respirou a brisa fresca, fechou os olhos e ouviu, ao longe, um casal de maritacas no topo de uma árvore, e no fim da rua crianças brincavam na maior gritaria. Se lembrou que seu marido sempre brincava um pouco com esses meninos antes de entrar em sua casa. Ela olhou para um lado, para o outro e nada de Pedro José.
Serviu seus filhos, todos pequenos, e olhava sem parar as horas que passavam rápido demais. E nada de Pedro José. Não almoçou. Perdeu a fome e começou a ficar preocupada. Nem um recado nem nada!
À tarde, no costumeiro horário de voltar para casa, Pedro José chegou, olhos vermelhos, cheirando a álcool e cigarro, cabeça baixa e sem falar nada. Marinalva segurou-o pelo braço e insistentemente perguntou o que estava acontecendo. Ele virou a ela e simplesmente disse que estava indo embora de casa. Não tinha explicação, só isso, ia se separar dela. O choque foi tão grande que ela caiu sentada no chão. Ele olhou para aquela cena que para ele era patética, foi para o quarto, arrumou algumas poucas coisas numa sacola velha, deu um beijo em cada filho e saiu pela porta sem olhar para trás. Depois voltou e disse a ela que não a deixaria sem dinheiro para cuidar dos meninos.
Marinalva não conseguia reagir. Permaneceu sentada por um bom tempo... "Aposto que encontrou outra mulher, só pode, aquele fiii du'a égua!", cochichava, com cuidado para os filhos não ouvirem. Despencou num choro incontrolável... Os meninos, sem entender nada, mas acostumados a ver a mãe choramingar, sentaram ao lado dela e ali permaneceram. Marinalva, que geralmente não tinha forças para se levantar, se arrastou até a cama, apoiou-se na madeira e ficou em pé. Ainda chorando, se arrastou até a janela e soltou um grito.
A vizinha Zuza, que varria a calçada, correu para acudi-la. Preocupada, entrou na casa dela para saber os detalhes de tanto choro e sofrimento. Marinalva, entre soluços e lamentações, contou o acontecido. Zuza, inconformada, começou a xingar Pedro José de todos os nomes possíveis, rogando-lhe praga e mais praga. Também deu sua opinião dizendo certeza ter sido alguma quenga que virou a cabeça dele. Marinalva ouvia e chorava aos soluços.
Zuza se prontificou a ajudá-la no que fosse preciso, afinal tinha quatro filhos pequenos para cuidar e agora estava sozinha e tal. Já era noite, Zuza arrumou o que comer para os meninos, arrumou um prato para Marinalva e outro para si, e comeram em silêncio. Depois se despediu dela e foi tomar conta de sua casa.
Zuza passou pelo seu portão e não entrou na sua casa. Foi para a casa da outra vizinha. Renata, que era um pouco mais velha e que não tinha filhos. Era só ela e o marido, outro com fama de mulherengo da vila. Pediu para entrar para conversarem e imediatamente contou tudo o que aconteceu com Marinalva. E emendou dizendo que foi bem feito, mulher que não se cuida, que vive reclamando, choramingando pelos cantos, que não penteava nem os cabelos, imagina que um homem iria aguentar uma vida dessa? Repetia várias vezes até espumar o canto da boca. Renata concordava e aumentava mais um conto, lembrando de algum causo em que viram o marido de Marinalva entrando em uma casa na rua de baixo de onde morava, onde sabiam que morava uma mulher que não era bem vista pelo bairro. "Aposto que ele foi morar lá!". Repetia. As horas passavam e Renata convidou Zuza a ir embora, pois já estava tarde e o marido dela já devia estar preocupado com sua ausência. "Que nada, aquele lá só sabe dormir quando chega de tarde!".
Marinalva, com todos os problemas enfrentados e tendo que conviver com a fibromialgia, teve ajuda de parentes e alguns amigos para seguir em frente. Cada um ajudava um pouco e nada lhe faltava em casa. Pedro José visitava os filhos de vez em quando e sempre levava um pouco de dinheiro e mais algumas coisas para a casa. Nunca disse onde estava vivendo e nem com quem. Desconversava, e se Marinalva insistisse, dava um jeito de ir embora na mesma hora.
E assim Marinalva foi vivendo, com a mesma feição de coitada, cabeça meio baixa, triste e insatisfeita, como Deus quisesse, ela repetia a quem perguntasse como estava.
Zuza e Renata eram as vizinhas que mais ajudavam com a limpeza da casa e algum outro trabalho pesado que ela precisasse, mas a língua corria solta quando viravam as costas.
Coisas da vida.
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Escrevo sobre a vida e os momentos específicos emocionais.
Assuntos relacionados sobre a mente humana e como conviver com o outro sem a necessidade de mudá-lo.
O conhecimento é primeiro processo de cura.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Perfume Adocicado
Contados exatos dois meses, Ariela finalmente alcançou a coragem em entrar no quarto que era de sua mãe, Dona Hortência, que nos últimos meses, por falta de opção, viveu seus últimos dias no asilo São Tomé de Deus. Eram somente mãe e filha morando numa cidade pacata. Todos os parentes estavam muito longe, na cidade grande. Ariela, por ser concursada em Pedagogia, escolheu a tranquilidade de ter ar puro e silêncio para viver com sua mãe. Mas nem tudo saiu como o esperado. Dona Hortência não podia mais viver sem acompanhamento constante, obrigando assim Ariela a deixá-la sob os cuidados de pessoas estranhas no único asilo daquela cidade.
Ariela visitava a mãe todos os fins de semana, e vez ou outra levava-a para sua casa, para rever seus pertences e matar a saudade de uma comida caseira e especial. Eram como irmãs e Ariela sofria por ter que deixar Dona Hortência com estranhos. A mãe dizia que era feliz no novo lar e que a filha não precisava se preocupar com nada. Às tardes jogava bingo e tomava chá com amigos. Riam e dançavam, depois se recolhiam aos quartos coletivos. Era tudo limpo, mas na verdade Dona Hortência não era mulher de ficar reclamando. Sentia solidão, muita solidão todos os dias. Não queria ter seus objetos por perto por medo de ser roubada. Não confiava nas pessoas tanto assim.
Naquele quarto vazio Ariela sentiu o cheiro de mofo, de roupa guardada há anos, de pó nos móveis que a fez espirrar seguidamente. Por fim amarrou um lenço tapando as narinas para, enfim, retirar as roupas e doar a quem precisasse. Isso era uma ordem de Dona Hortência para quando ela morresse.
Ariela não sentiu vontade de chorar, mesmo quando apertava algum vestido de sua mãe em seu peito. Ela pensou que sofreria mais, mas estava tranquila e até conformada com a ausência da mãe. Tinha saudades, e teria para sempre, mas não doía tanto quanto imaginava. Por momentos pensou ser fria como uma pedra de gelo, mas talvez pela vida solitária em que sua mãe passou os últimos momentos, sabia que agora Dona Hortência poderia estar num bom lugar, junto com os seus já falecidos.
Certamente doaria tudo para o asilo de sua mãe, era assim que o chamava.. Ariela pegou roupas, sapatos, perfumes, talcos, maquiagens, esmaltes, bijuterias, tudo que sua mãe usava. Antes, claro, teve o cuidado de deixar tudo limpo e perfumado. Chegando lá, a primeira cena que viu foi uma senhorinha encostada no portão. Cumprimentou-a e perguntou se ela estava esperando alguém. Ela respondeu que sim, que seu filho logo chegaria. Ela usava batom cor-de-rosa e um perfume adocicado e enjoativo. Ariela sorriu, fechou os olhos e foi como se sentisse sua mãe por perto, devido ao perfume doce. Parecia ser o mesmo que estava na mala, o mesmo que sua mãe usava. "O perfume acabou de encontrar sua dona...", pensou Ariela. Ela entrou carregando com dificuldade a mala cheia com os pertences de sua mãe.
As voluntárias que lá estavam receberam Ariela com alegria e, num abraço apertado, agradeceu pela gentileza em levar os objetos de Dona Hortência para lá.
Ariela parou no corredor e, pela janela, ficou olhando o jardim. Não era dia de visitas e os idosos estavam sentados, cada um em um canto, olhando para o nada e sem se comunicarem uns com os outros. Ariela estranhou não encontrar aquela alegria descrita por sua mãe, dos jogos, brincadeiras, risadas e tudo o mais. Resolveu caminhar por eles e conversar um pouco com cada um.
Um senhor que estava na cadeira de rodas, ficava o tempo todo com a boca aberta e vez ou outra, limpava a baba que escorria. Tinha os olhos lacrimejantes que pareciam olhar para o horizonte avistando a morte. Apenas esperava por ela. Não muito adiante, um outro senhor se entretinha com um livro. Ariela percebeu que ele passava as páginas rapidamente, impossível de terem sido lidas. Nesse instante uma enfermeira chegou até ela para acompanhá-la no passeio. Sem que Ariela perguntasse nada, Fabiana, a enfermeira, começou a contar sobre cada um. O senhor do livro não sabia ler, mas sempre foi tão encantado por livros que não se importava com esse detalhe; gostava de folhear as páginas e depois repetia todo o processo. Ariela pensou que poderia, de vez quando, voltar para ler para ele. Perguntou sobre o senhor da cadeira de rodas. Fabiana disse que ele tinha Alzheimer e que se lembrava apenas de sua infância, cada vez mais remota. Ninguém o visitava há anos... Depositavam o valor da mensalidade e pronto. Ariela perguntou sobre a mulher no portão. Fabiana disse que o filho morava há três quadras dali e que dificilmente ele vinha visitar a mãe. Mesmo assim ela ficava esperando por ele todos os dias e quando começava a escurecer, ela entrava, jantava e se recolhia para dormir. Balbuciava algumas palavras lamentando o filho não ter vindo naquele dia e logo dormia. No outro dia tudo se repetia.
Ariela sentou ao lado de uma senhora que calmamente crochetava, sem saber definir o que seria. Era uma capa para bule de café, dizia ela, sorrindo para Ariela. Mostrou os detalhes e disse que todos os dias fazia a metade de um, que depois eram vendidas no bazar que faziam no asilo. Ficava feliz em poder ajudar de alguma maneira. Dona Antonieta, o nome dela, não tinha família e resolveu esperar pela hora da morte junto a pessoas. "Que triste morrer e ninguém saber", dizia ela, que imaginava seu corpo apodrecer até acabar o último resquício de carne e só depois algum vizinho sentir sua falta. Ariela pegou suas mãos e as beijou. Dona Antonieta acariciou seu rosto e disse que se sua filha estivesse viva seria assim, como ela.
"Truco!", Ariela voltou-se para ver quem gritava quebrando aquele silêncio. Era Gumercindo e Antunes, que jogavam baralho o dia todo. Eram os únicos que se enturmavam nos dias comuns. Eram amigos de longa data e se reencontraram no asilo. Haviam feito o Tiro de Guerra na juventude e guardavam lembranças preciosas. Para Fabiana, esse reencontro foi a melhor coisa que havia acontecido no asilo nos últimos anos. Eram eles que animavam a turma nas festas. Mas o que animava mesmo os idosos eram os familiares que apareciam em dias de visita. Todos os dias poderiam ter visitas, mas se compreendia que a família precisaria trabalhar para sobreviver.
Ariela perguntou para Fabiana se ela teria coragem de internar sua mãe num asilo. Ela apertou os lábios, abaixou os olhos e disse que se precisasse, sim, internaria. Mas sabia que dizia isso por não ter mais a mãe por perto, que havia falecido quando ela era bem pequena. Aquele amor de mãe ela não sabia como era. Talvez por isso respondeu tão rápido a pergunta.
Ariela passou a tarde toda com os idosos e se sentiu muito bem. Poucos se lembravam de Dona Hortência.
À noite, quando colocou a cabeça no travesseiro, orou, chorou e pediu perdão à mãe. Arrependeu por não ter criado uma outra alternativa para manter Dona Hortência por perto até seu último dia. Mentalmente começou a calcular quanto seria contratar uma cuidadora. Não, não seria possível com o salário de Pedagoga. Chorou durante algumas horas e depois adormeceu.
Escrevo sobre a vida e os momentos específicos emocionais.
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quarta-feira, 15 de abril de 2015
Mãe Bruxa
"Ser mãe é padecer no paraíso".
A sensação de ser mãe, de parir, criar, educar, amar, não tem como descrever, é maravilhosa!
Mas nem toda mãe é boazinha aos olhos dos filhos. Isso é ótimo, pois nos tira do pedestal, do trono e nos coloca como mãe de carne e osso.
Não somos heroínas e nem mágicas, mas somos ninjas em dar conta de tudo e ainda sobrar um tempo pra sermos simplesmente mulher.
Nossa obrigação não é de poupar os filhos, de passar a mão na cabeça ou fazer vistas grossas pras besteiras que eles fazem. Também fomos e somos filhos e sabemos como funciona a coisa.
É doloroso demais esse papel de ensinar, de educar, com toda a sabedoria que nos cabe, que o tempo nos deu, que as dores nos tatuou, que as lágrimas nos enrugou e que os anos não nos deixa esconder a maturidade.
Às vezes (mentira, nunca entendem) não entendem que, por termos opiniões contrárias, por tentarmos mostrar um outro caminho, uma outra porta ou janela, não estamos indo contra e sim a favor. No momento de conflito geralmente não enxergam outras saídas e a reclamação é predominante em todo o diálogo. Pra eles somos mães, e como mães devemos apenas ouvir, ou então aceitarmos que o drama que eles têm no momento é imenso e não cabe na vidinha deles. Nesse momento nos tornamos a mais perversa das bruxas.
É muito bom ouvir, saber com quem andam, o que comem por aí, o que falam, o que acham da gente... Mas gostamos de falar também, de cumprir esse nosso papel de mãe inteligente, madura, que já viveu tanto que adivinha o que deve ser feito. No fundo não queremos que nossos rebentos sofram...
E sofrem... E sofremos juntos, caladinhas, quietinhas, no nosso canto, no nosso íntimo...
Íntimo que filhos não têm ideia que temos. Somos mães e ponto.
Pra eles devemos estar atentas a tudo, saber de tudo, achar tudo, fazer tudo, aceitar tudo, compreender tudo, gostar de tudo deles... E eles, ainda na ilusão de que somos rainhas, não se dão conta de que queremos muitas coisas que não temos, que abrimos mão de outras tantas coisas por causa deles, que não ousamos comer o bife maior pra deixar pra eles, que não podemos ter vontade de sair, passear, pois o dinheiro gasto pode faltar algo que eles estão acostumados a ter.... Não podemos nem gostar de sexo, de beijo na boca ou de namorar... Nem de se olhar no espelho e se sentir mais magra, mais jovem, bonita... Isso é sempre um exagero de mãe. Não podemos sentir dor e nem indisposição. Dor de cabeça, cansaço? Nunca! Mãe não sente nada disso. Preocupação? Imagina, jovens são todos imortais. Contar moedinhas pra pagar um conta? Que isso, só fazer as contas direito que tudo dá certo. Passar vontade de comer alguma coisa? Imagina, mãe já tá criada e forte, não precisa disso mais não.
E quando a mãe é separada, ou viúva, ou solteira? E fica em casa o tempo todo, cuidando de tudo? Sair pra quê, se já tá acostumada a ficar em casa? Ir aonde? Não suporta nem ouvir uma música num volume mais alto! Não conseguem ler nos nossos olhos que talvez a solidão tenha nos corroído a alegria de vivermos em sociedade. Que é difícil sim, pra algumas mães, recomeçar tudo... Talvez nem saibamos qual o momento de recomeçar, ou se sentimos medo... Medo? Como assim, mãe? Então...
E num dia de abandono, de carência (carência, o que é isso?), espera ansiosa pela volta dos bebês quase adultos, sãos e salvos, sadios e felizes.
A tristeza que ontem atormentava um deles, hoje nem existe mais. Só encheu a mãe de preocupação, mas uma conversa com um amigo ou dois, já resolveu tudo e realmente nem era tão estrondoso assim.
Mãe rainha, mãe princesa, mãe de muitos, de poucos, mãe jovem, mãe madura, mãe velha, enrugada, gordinha, sem sonhos realizados, com várias noites em claro, mãe forte, guerreira, domadora e dominada... Mãe perfeita e chata, meiga e estúpida, linda e grisalha, mãe feliz e realizada (????), sim, mãe feliz e realizada por saber que cumpriu a lição de casa, pois filhos não são nossas vidas, mas são nossos corações...
Daqui a pouco todos chegam com um sorriso que já nos derrete, uma palavrinha que já nos enche de orgulho, um abraço e um beijo então... Meu Deus, muito obrigada!
Mãe é um turbilhão de emoções, mas às vezes dá vontade de sumir... Pra casa da vizinha, que é mais perto da gente voltar correndo e começar tudo de novo.
Fim.
Apenas um texto, sem conotação com a autora.
Clara Lúcia
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quinta-feira, 26 de março de 2015
Fazer o Bem
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| Zilda Arns, com um dos seus cuidados |
Dia desses, encontrei uma vizinha no ponto de ônibus. Ela estava sozinha, o que pra mim era novidade, pois sempre a vi com alguma criança.
Perguntei sobre as crianças e ela disse que estavam com seu marido e que iria pagar umas contas e voltaria logo. As crianças ao qual eu queria saber não eram os seus filhos, que estão adultos e casados, mas outros, que ela cria, com amor, carinho, atenção, alimento etc.
Perguntei sobre um menino que ela ajudou a criar, de uma conhecida, que na época era vizinha da comunidade católica em que ela faz parte. "Ele está um moço lindo, e sempre fica lá em casa". E perguntei pela mãe do menino.
A mãe do menino: uma jovem, com nove filhos, divididos entre três pais. É o tipo de mulher sem estrutura nenhuma, ignorante de não saber, que tem problemas cardíacos e por esse motivo não podia tomar anticoncepcional para evitar filhos. E vivia como Deus queria, me contava essa minha vizinha na época. É difícil "mudar" as atitudes de uma pessoa, uma mulher, nesse caso, que nunca teve nenhuma instrução e não tem nenhuma ideia de que ela poderia trabalhar e não ficar tão dependente das pessoas. Talvez nunca tenha sonhado com uma vida diferente. Famílias desestruturadas que não conseguem enxergar uma luz no fim do túnel e nem na própria capacidade de se autossustentar.
Pegou um dos filhos dela, ainda bebê, para criar, mas não com a intenção de adotá-lo ou coisa parecida. Apenas alimentar, cuidar de sua higiene, dar carinho etc. A mãe poderia pegá-lo quando bem entendesse. Aliás essa minha vizinha ajudava muito essa mulher, com mantimentos, medicamentos e algo mais que precisasse. A comunidade em que faz parte oferece essa ajuda a quem precisa, todos os meses.
Perguntei a ela se já havia recebido alguma crítica por isso. "Sempre, o tempo todo, todo mundo me chamando de doida, que eu não deveria fazer isso, porque incentivava a mulher a ter um filho atrás do outro. cada hora com um pai diferente... Mas como eu posso julgar a mulher? Não posso é ficar vendo criança passar fome e se ela está perto, eu ajudo mesmo!".
Depois desse menino que ela ajudou a criar, ainda ajudou mais dois, todos dessa mesma mulher.
Acho que é bem por aí mesmo. Se cada um enxergasse os seus próximos, bem próximos, e os ajudasse, caso precisasse, muito sofrimento seria evitado. Não precisa andar muito pra encontrar quem precise de alguma ajuda. E nem precisa ser uma ajuda gigantesca... O que mais as pessoas precisam é de atenção, de quem as ouça sem julgar, enfim, muitas se acham invisíveis, é isso.
Nesse final de quaresma, tempo de reflexão, de jejum, é bom lembrar que o amor é pra ser amado, não importa a quem.
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quarta-feira, 18 de março de 2015
Trauma de Infância
Coisas que os pais fazem e que nos marcam pra sempre. Talvez pela inocência deles em pensar que somos pequenos demais e nos esquecemos fácil, mas não, um simples gesto que nos constranja nos marca eternamente.
Quando era criança, acho que uns cinco anos, no meu aniversário, a família toda, primos pequenos, amiguinhos vizinhos, enfim, não podia dar nada errado.
E a hora que todos esperam é a hora dos parabéns.
Sou tímida e quando criança era mais ainda, pois muitas vezes era repreendida por nada. Então era mais calada que falante. Aliás nunca fui falante.
Cantaram os parabéns (nunca sabemos o que fazer na hora dos parabéns, se cantamos junto, se abaixamos a cabeça ou se olhamos na cara de todos), e quando soprei a velinha (outro parêntese, naquela época, aquela velinha teimosa que a gente assopra e ela volta a acender era novidade) ela acendeu de novo. Soprei de novo e tudo se repetiu. Olha, não sei o que aconteceu, mas algo me deixou muito, mas muito envergonhada mesmo. E meu pai, lá do outro lado, começou a zoar comigo. Imagina eu, morrendo de vergonha e ainda ter que ouvir o pai me zoando?
Chorei compulsivamente. Aí que ele zoou mesmo. Naquele tempo não existia essa palavra "zoar", digamos que foi um deboche.
Sai dali, fui pro meu quarto e, claro, todos foram atrás me pegar no colo, me abraçar, enfim, a festa ficou muito sem graça. Por bem, não sei se hoje ainda é assim, quando se cantava os parabéns, logo em seguida todos foram embora.
Esse dia nunca mais na minha vida vou me esquecer.
E dia desses eu vi esse vídeo e fiquei até revoltada. Por que fazer isso? Há crianças que aceitam, que riem junto e até provocam uma situação constrangedora, mas, gente, não façam isso, por favor!
Um dos maiores traumas de infância de quem é tímido é o constrangimento em público. Um horror!
É isso.
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terça-feira, 18 de novembro de 2014
Milagre Divino
O milagre da vida!
Primeiro uma "sementinha" que cresce rapidamente, depois vem o bebê e nos enche de sentimentos jamais experimentados até então. Nasce um filho e nasce uma mãe.
É como se o mundo parasse e Deus estivesse ao nosso lado, sorrindo, passando a mão na nossa cabeça e dizendo no nosso ouvido: "cuide bem dele".
O amor é tão intenso que não cabe dentro da gente. Eu sempre disse que mãe deveria ter vários corações espalhados pelo corpo, pra dar conta de tanto amor e tanto cuidado.
Se eu tivesse poderes, concederia ao homem uma única oportunidade de gerar uma vida. Não com todas aquelas dores, isso não. Mas sentir no ventre um ser crescendo, se fazendo, coração pulsando e depois a maior mágica de todos os tempos, o nascimento. Ficariam loucos, tenho certeza!
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| Eu e meus filhotes |
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Marlon Guido
Meu nome é Marlon Guido, sou filho de dona Marta e até hoje me lembro de coisas e fatos que se deram em minha vida, ocorridos quando eu ainda era bebê. Um deles, me lembro nitidamente, ainda ia fazer dois anos de idade, minha mãe confraternizava com amigos, sentados numa mesa às margens do Rio Paraíba do Sul, em São João da Barra, quando ela me pegou no colo e em fração de segundos me atirou lá dentro do rio. Caí próximo ao dique e logo a fadiga de estar bebendo água e tê-la entrando no meu nariz já tinha tomado conta de mim.
Minha mãe foi mãe solteira, me teve aos 18 anos e, expurgada de casa, foi para o Rio de Janeiro comigo nos braços, e só voltou a ter contato com a família quase dois anos depois. Até um ano e meio de idade eu não tinha nome. Passeando comigo no carrinho, na rua, as pessoas brincavam com o filhinho de Marta e perguntavam: "qual o nome dele"? "Sorvete. Ele ainda não tem nome", dizia minha mãe. Pois bem, o tempo passou, minha mãe prosperava dia após dia, como vendedora, galgava postos cada vez mais altos nas empresas à nível nacional, como o grupo Garavelo na época, Golden Cross, foi gerente de banco e aparentemente era muito requisitada. Também, foi "Garota Alternativa", "Garota Objetiva", garota isso, garota aquilo, era um monte de concursos de beleza que hoje correspondem a esses novos que lançaram aí. Mamãe era de fato uma mulher muito bonita, eu a amava e passava horas olhando-a como se o tempo parasse.
No decorrer de toda sua vida, todas as suas atitudes comigo foram no sentido de me fazer virar homem o quanto mais rápido possível. Era como se ela quisesse que eu fosse precoce em tudo, até na natação, como já relatei. Seu desejo era, que meu nível de entendimento, visão de mundo e defesas, fossem aguçados ainda que totalmente fora da minha capacidade.
Depois de termos a vida que pedimos a Deus, de obtermos tudo aquilo que sempre queríamos, numa fração de pouquíssimo tempo minha mãe já havia se tornado totalmente dependente do álcool A rapidez com que aquela mulher obteve a ascensão foi a mesma do fracasso. Das reuniões nos restaurantes chiques no Rio de Janeiro pros pedaços de pedra embaixo da ponte da Lapa, acompanhada de outros alcoólatras e que muitos deles moravam ali mesmo. Foram quase quinze anos, onde ela parecia ter como objetivo o suicídio lento, regado pela bebida e pelo cigarro.
Algumas manias ela nunca perdeu, como a de viajar por exemplo, só que agora nós não andávamos mais nos leitos dos ônibus e nem nos carros, mas nos caminhões de carona, onde eu passava noites em claro vigiando-a, a fim de coibir aquele momento em que o motorista mudaria a marcha e levemente se aproveitaria pra tentar alisar sua perna. Era quando eu sempre simulava uma tosse pra que ele percebesse que eu estava acordado e vendo, a fim de quebrar o clima e ele interromper a empreitada.
Eu tinha um ciúme da minha mãe que não gosto nem de me lembrar. Eu tinha um cuidado com ela que minha disposição de levar dias acordado e sem me alimentar direito era abastecida pelo simples fato de saber que alguma coisa poderia lhe acontecer no momento em que eu dormisse, ou que me enfraquecesse por falta de comida. Minha saliva era suficiente e me manter longos minutos sem piscar era uma estratégia para espantar o sono.
Ruas, becos, vielas, favelas, prédios abandonados, obras inacabadas, terrenos, rodoviárias e ate beiras de praias eram lugares comuns onde passávamos horas, dias e até meses.
Muita coisa não dá pra ser explicada por aqui, mas o que eu quero trazer à tona, sem o mínimo constrangimento, é que eu amo minha mãe cada vez mais a cada dia, ainda que ela já não esteja mais aqui na terra há mais de dez anos. pois a cada momento em que me lembro dela, me lembro também de cada ato dela comigo durante o tempo em que passamos juntos. Parecia que ela já sabia que me deixaria cedo demais e talvez eu não estivesse ainda preparado pra enfrentar o mundo sem ela, sozinho. Mas sobrevivi, e tenho certeza que tudo que ela fez me ajudou, me preparou, me fortaleceu, até os atos mais loucos. Agradeceria a ela desde o dia em que me jogou naquele rio, onde alguns longos segundos depois, um cara que provavelmente estava sentado naquela mesa com ela, pulou e parece que posso sentir ate hoje suas mãos nas minhas costelinhas, me subindo de volta à superfície. Não sei quem ele é, mas tenho certeza que conta isso ate hoje, se estiver vivo.
Agradeceria também a todas as noites nas rodoviárias, testemunhando aquelas cenas e fazendo feições de quem poderia fazer mal a qualquer um que se aproximasse dela, mesmo estando totalmente temeroso e indefeso, mas sabendo que havia um Deus que nos protegia e nos guardava, senão Ele sabia que pra mim não tinha sentido Ele não proteger nós dois, então que eu ficasse desprotegido, e não ela.
Agradeceria também pelo nível de realidade que ela me ensinou a viver, por me ensinar a analisar as pessoas, as coisas, os ambientes, o "feeling" pra detectar os mínimos detalhes e fatos que se dão num curto espaço de tempo entre pessoas, sem que elas percebam que foram vistas e "lidas", me facilitando reações e me permitindo elaborar situações pra me safar do que quer que seja e progredir em qualquer necessidade.
Eu ficaria aqui por horas, até dias, contando coisas que provavelmente você só verá em filmes, alguns até baseados em fatos reais, mas sem o teor e a veracidade do relato sendo contado pelo próprio autor da história real. Se valorize mais, vencer na vida é uma questão de visão, talvez você já seja um vencedor e não reconhece isso... #Amor
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Este é Marlon Guido, de Campos de Goytacazes, RJ, amigo virtual querido, desses que a gente esbarra por aí e nem imagina que teve uma história dolorida. Rapaz sério de olhos brilhantes, olhos que falam e sentem, ternura que esbanja por onde passa, rapaz que sentiu as muitas dores na carne, na alma, e nunca se deixou abater. Vive como tem que viver, com Deus no coração sempre, valorizando o que é de valor e agregando o que lhe convém. Simples, como tem que ser. Um vencedor, produtor rural, que vive e faz a diferença por onde passa. Respira com vontade, com garra e nunca, jamais, desiste de seus sonhos e objetivos. Teve um anjo cuidador, sua mãe, mesmo, às vezes, com atitudes duras, e foi um anjo pra ela, cuidando-a com tanto cuidado como se tivesse a impressão que se quebraria caso alguém lhe encostasse um dedo. Ainda vamos ouvir falar muito dele. Guardem seu nome!
Obrigada, Marlon, por me permitir compartilhar sua vida.
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segunda-feira, 9 de junho de 2014
Nem Tudo é Por Acaso
Ainda estava chuviscando quando Helena saiu de casa, batendo a porta de casa, sem rumo. Estava cansada da vida e não queria mais voltar para aquele lugar onde simplesmente a maltratavam. Eram cobranças e mais cobranças, humilhações, palavras grosseiras, xingamentos...
Sentada na calçada e arrepiada de frio várias lembranças lhe vieram à mente. Como no dia em que sua mãe trancara-a no galinheiro, quando passavam o fim de semana na chácara, com o Sol do meio-dia a queimar-lhe a pele branca, sem água, por um longo período. Helena ficava sentada num canto observando a vida das galinhas. Ciscavam, olhando para os lados e depois bicavam algo que achavam no chão. Depois se ajuntavam num canto com sombra fresca e ficavam cochilando. E como um relógio londrino pontualmente se empoleiravam em seus devidos paus para passarem a noite. As lágrimas lhe escorriam pelo rosto quando a mãe finalmente lhe permitiu voltar para casa. De cabeça baixa andava sem pronunciar nenhuma palavra. Entrava no quarto e se jogava na cama. Mas sabia que era tempo suficiente para sua mãe entrar e lhe mandar tomar banho, pois onde já se viu deitar na cama fedendo a galinheiro? Mais uma vez obedecia, calada.
Sem saber que aquele lugar era perigoso, Helena continuava, chorando, de cabeça baixa. Carros passavam, buzinavam, mexiam com a garota e até ensaiavam uma parada para conversar com ela. Sorte que nunca acontecera nada com a jovem. Como dizia sua mãe, apesar de todas as agressões, que seu santo protetor era forte e estava sempre de prontidão porque por ela já estaria morta e enterrada.
Helena não entendia o motivo de tanta agressividade. Ainda distraída sentiu um arrepio quando uma mão tocou-lhe o ombro. Olhou e não viu ninguém. Levantou-se e começou a caminhar, ainda de cabeça baixa e olhando para trás o tempo todo. Sentia que estava sendo seguida. Acelerou os passos. Começou a correr e atravessou a rua sem olhar para os lados. Não percebeu que um carro vinha em alta velocidade. Antes de chegar na metade da rua, tropeçou e caiu. As rodas passaram rente a sua cabeça arrancando-lhe alguns fios de cabelos. Helena levantou-se assustada, ofegante e começou a chorar compulsivamente. Um vulto, uma luz clara estava a sua frente e lentamente foi sumindo. Chorou...
Na calçada olhava para os lados sem entender o que acabava de acontecer e correndo voltou para casa. Antes de entrar ouviu sua mãe desesperada ligando para a delegacia dizendo que sua filha havia sumido, que era sozinha e que não podia perder a única coisa preciosa que tinha no mundo. Helena se escondeu e chorou mais ainda. Viu a mãe sair aflita no portão e gritar seu nome. Limpou as bochechas encharcadas de lágrimas, saiu do esconderijo e se colocou frente a sua mãe.
Compulsivamente a mãe correu e lhe abraçou, mas em questão de segundos empurrou-a e começou a lhe dar tapas na cabeça, xingando-a de vários nomes, alguns novos, outros antigos, outros tão ofensivos que Helena tapou os ouvidos, entrou e se trancou em seu quarto. Um sussurro lhe fez arrepiar, dizendo-lhe: "Aguente firme, falta pouco...". Helena levantou-se e ficou encostada na parede, num canto, olhando cada canto daquele pequeno cômodo úmido e bagunçado. Apenas uma cama velha e um guarda-roupas sem uma das portas mobiliavam seu quarto. A luz era fraca para evitar o desperdício, como dizia sua mãe. Uma pequena janela mal ventilava e mal dava para entrar os raios de Sol.
Helena se assustou com os murros que sua mãe dava na porta, mandando-a abrir pois merecia uma surra maior. Amedrontada, Helena escorregou o corpo na parede e sentou-se, abraçando as pernas. Deitou a cabeça nos joelhos e chorou como uma criança indefesa. Sentiu uma mão acariciar-lhe a cabeça. Arrepiou, se levantou assustada e abriu a porta. Preferia enfrentar a surra da mãe do que lidar com o desconhecido. Abraçou-a, dizendo que amava-a, e que não faria mais isso, que não mais fugiria. Clotilde, a mãe, ainda tentando se desvencilhar do abraço inesperado da filha, cedeu ao apelo indefeso e chorou também. A impressão que Clotilde tinha era que a pequena Helena não havia crescido, que ainda era aquela pequena gorduchinha de cabelos cacheados, amorosa, querida, indefesa, que num certo momento de fúria de seu falecido marido, ficou no meio dos dois numa briga. O pai estava armado e ela, calmamente, mesmo com pouca idade, conseguira tirar-lhe o revólver e este, sem querer, disparou direto em seu coração. Morte instantânea. Apesar das constantes ameaças e das surras, Clotilde defendia o marido. Era um homem bom quando estava sóbrio, dizia para todos. Um dia ele para de beber e tudo fica na paz, repetia incansavelmente, como um mantra, na esperança dos céus ouvirem e lhe concederem essa graça.
Por uma bênção de Deus Helena não se lembrava desse dia. Clotilde se sentia perturbada até então, pois o grande amor de sua vida, mesmo que agressivo, lhe fora arrancado assim, por uma criaturinha tão indefesa.
Clotilde se rendeu ao abraço carinhoso da filha e chorou... Pediu perdão a Deus, e a ela. Mentalmente, pois ainda não se sentia capaz de dizer palavras doces naquele momento. Era um começo, uma redenção, uma libertação. Questão de tempo para viverem bem a partir daquele dia.
Clotilde se tornou mais serena, mais tranquila e casou-se novamente, com o dono da barbearia em que seu marido frequentava. Não o amava, mas era uma pessoa decente, calma, metódica e respeitadora. Uma vida tranquila e sem novidades para as duas. Helena ainda tinha crises de choro, ainda se assustava com clarões, com barulhos estranhos, com mãos geladas, com arrepios, mas sabia que com o tempo tudo sumiria, ou então aprenderia a lidar com seus pavores mesmo nunca mais ter sentido a presença do desconhecido, da mão no ombro, do afago na cabeça e nem dos sussurros.
Fim.
P.S. Eu não terminaria o texto dessa forma, decifrando tudo, mas sei que muitos ficariam indignados e curiosos, então aí está o final, redondinho.
Escrevo sobre a vida e os momentos específicos emocionais.
Assuntos relacionados sobre a mente humana e como conviver com o outro sem a necessidade de mudá-lo.
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domingo, 11 de maio de 2014
Mães, Pães e Afins
Ser mãe é ter a certeza de um amor incondicional, a certeza de que não podemos adoecer nunca, a certeza de que temos que morrer bem velhinhas, a certeza de sentir paz enquanto o filho dorme, a certeza de que o choro fica mais fácil de se mostrar em nossos olhos, a certeza de que somos privilegiadas por Deus pra tomar conta de seres que um dia ganharão o mundo, a certeza de que somos responsáveis e que temos que fazer por merecer.
Não importa como o filho chegue, que chegue e seja feliz ao nosso lado!
Feliz Dia das Mães, Pães e Afins!
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sexta-feira, 10 de maio de 2013
Ser Mãe
É nunca mais dormir um sono profundo, a noite toda...
É abrir mão de várias coisas e pegar outras tantas mãos para dar conta de tudo...
É chegar perto do pimpolho dormindo só para ver se ele está respirando...
É ter um sexto, um sétimo, um oitavo e todos os sentidos possíveis para poder entender o que diz uma coisinha fofa que só chora, mama, faz cocô e xixi e lhe faz derreter toda com um sorriso banguela...
É prever um possível tombo, uma dor, uma chuva, um frio, um calor, uma gripe, uma dor de barriga e mesmo assim não ser vidente...
É chorar quando sua cria dança quadrilha pela primeira vez na escola e a filmagem que teria que ficar perfeita, fica toda tremida...
É ter um beijo com poder de curar qualquer dor. E um sopro capaz de levar para bem longe o machucadinho sangrando...
É ter uma caixa repleta de bilhetinhos, cartinhas, papeizinhos de bala e chocolate, guardada como um tesouro intocável...
É se tornar um gravador e repetir tudo todos os dias, para aquela coisinha pequena e já tão dona de si...
É levar, buscar, levar de novo, buscar de novo, e tudo se repetir todos os dias...
É presenciar o primeiro beijo na boca, e ficar estática pensando como o tempo voou tão rápido...
É ver as asinhas do rebento crescerem, e começarem a esboçar um voo solo...
É chorar de alegria, de arrependimento, de dor, de preocupação, de saudade, de satisfação, de orgulho, de amor que transborda e não dá conta de caber dentro do peito...
É se sentir culpada por achar que talvez não tenha feito a coisa certa...
É sentir seu coração pulsar fora de seu peito...
É amar incondicionalmente, não importando se o parto foi normal, cesárea ou do coração...
Ser mãe é jamais deixar de sentir amor...
Feliz Dia das Mães!!!
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sexta-feira, 26 de abril de 2013
Celular no Banheiro
Dia desses, à noite, minha filha se arrumou e me disse: "mãe, já volto, tá?". Tá bom, filha. E saiu.
As horas foram passando, passando e essa menina não chegava nunca. Meia noite, meia noite e pouco e nada. Liguei pro celular. Tocou, tocou e nada! Esperei um pouco, chamei de novo, tocou, tocou e nada!
Quem é mãe sabe como funciona cabeça de mãe, não é? Desespero total! A gente já imagina um sequestro relâmpago, um acidente de moto (vai que ela inventou de andar de moto com alguém), um acidente de carro em que ela foi lançada pra fora do carro e ficou desmaiada ou em coma sem ninguém pra acudí-la; vai que ela resolveu ir embora sem contar pra ninguém (sem motivos, claro); vai que pegou um ônibus errado e foi parar num lugar desconhecido e não tem como voltar pra casa; vai que um cachorro mordeu suas pernas e ela está no hospital; vai que... vai que.... Gente, mãe pensa tudo isso e muito mais!
Respirei fundo, chamei de novo e... Celular desligado... Caixa Postal. Meu Deus, será que alguém roubou o celular dela? Chamei de novo, caixa postal de novo...
As horas passavam e eu agoniada quase que chamando a polícia pra dar um jeito nessa menina.
Com um fiozinho de esperança liguei de novo: "Alô, mãe?". Respirei fundo... "Amanda, onde você está, criatura?", "Tô aqui na casa de minha amiga, perto da faculdade, esperando carona pra voltar pra casa...", "Você sabe que horas são?", "Sei, mãe, já toinu...", "Por que não atendeu o celular?", "Não ouvi porque o celular tava no banheiro..."
Oi? Alguém me explica essa nova tecnologia em que o celular tem que ir ao banheiro?
Noite perdida, filha chegou inteira sem nenhum arranhão, deitou e dormiu como um anjo... E eu, a mãe, tentei recolocar meu coração no lugar e dormir um pouco. Ai, Jesus, me abana?
Um ótimo fim de semana pra todos!!!
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
É Difícil Acreditar Mesmo Enxergando
- Dona Guilhermina, sente-se aqui e vamos conversar um pouco - disse a enfermeira que também era amiga de Adriana, que havia levado o marido Pedro ao hospital, depois que este passou mal e ficou imóvel na cama.
- O que foi? Como está Pedro? - Perguntou calmamente Guilhermina sobre seu filho.
A enfermeira pegou nas mãos enrugadas de Guilhermina, acariciando-as e começou a dizer que estava do lado dele esse tempo todo em que estavam no hospital e que os médicos fizeram de tudo, mas não teve jeito. Ela teria que ser forte naquele momento.
- Você já disse isso, filha, eu quero saber como está meu filho... como ele está? - continuou perguntando, mas ainda muito calma.
Mais uma vez a enfermeira repetiu tudo o que havia dito e completou dizendo que Pedro não havia resistido...
- Ele morreu? É isso? - perguntou dona Guilhermina.
A enfermeira apenas respondeu que sim com um movimento com a cabeça. Dona Guilhermina ficou paralisada, sem atitude nenhuma. Depois de um tempo, se levantou e foi até o portão, de onde se ouvia do lado de fora, conversas dos vizinhos. Uma das vizinhas, vendo-a, veio abraçá-la dizendo que sentia muito. Mesmo assim dona Guilhermina estava paralisada em seus pensamentos.
Pedro era um homem forte, nos seus quarenta anos, casado há pouco e com um filho pequeno para criar, mas que não se cuidava como deveria. Não era de bebedeiras, nem badalações, nem cigarro, mas se alimentava muito errado e tinha vida sedentária. AVC foi o que o levou ao hospital, imobilizado. Não resistiu e morreu.
Aos poucos os parentes foram chegando à casa de dona Guilhermina que, por estar em estado de choque, tomara um calmante dado pela enfermeira, pois não conseguia ter nenhum sentimento e nem se expressar de nenhuma forma com a notícia trágica da morte do filho. Dormiu até a hora do velório.
Mesmo assim, quando chegou ao local onde seria velado o corpo do filho, não havia soltado nenhuma lágrima e não conseguia dizer coisa com coisa. Apenas se sentou em um dos bancos e ficou em silêncio, aguardando. De repente se levantou e foi até a porta de vidro por onde todos entrariam, mas que estava fechada. No fundo da sala havia uma outra porta por onde entraria o caixão. Viu o carro chegar. Se afastou e ficou encostada na parede, em silêncio. O rapaz responsável pela funerária, depois de colocar o corpo no lugar devido, abriu a porta e se retirou. Ninguém se levantou para entrar. Dona Guilhermina então, lentamente caminhou até a porta e viu o caixão com o filho dentro. Soltou um grito de dor, mas ficou imóvel. Ninguém foi ampará-la. Lentamente ela caminhou até o caixão, aos soluços, com uma dor estampada na cara, que só mãe consegue ter. Tocou as mãos geladas do filho e balbuciou, entre um soluço e outro, que não estava acreditando no que estava acontecendo. Depois disso, as pessoas começaram a entrar e finalmente ampararam dona Guilhermina, sentando-a numa cadeira propositalmente posta do lado do caixão. Dali não saiu mais. Mesmo sentada, manteve seus braços abertos, em cruz, com uma mão nas mãos e outra na cabeça do filho. E chorava, lamentava, indignava e questionava Deus o porquê daquele castigo, o porquê de levar um homem forte, com tão pouca idade, tão cedo, antes dela. Que levasse ela no lugar dele!
As pessoas se aproximavam, confortando-a, mas ela não se importava e nem queria saber quem estava por ali. Queria ficar perto do filho até o último segundo. Mesmo seu marido, que foi atrás de toda a papelada para o enterro, não teve tanto tempo para velar o corpo do filho. E pedia para os parentes ficarem de olho na mulher, para não deixarem-na nenhum minuto sozinha. E assim foi feito.
Depois de uma noite longa, quente de verão, e com a sala cheia de amigos e parentes, ao amanhecer, fizeram uma oração; disseram umas palavras bonitas, e mesmo assim, dona Guilhermina não desgrudou suas mãos do filho. À essa hora ela já havia levantado o véu que lhe cobria, mexia em seus cabelos o tempo todo, querendo ajeitá-lo da melhor forma, encostava seu rosto no dele e teve um surto antes de fecharem o caixão. Começou a arrancar as flores que estavam à sua volta e a desabotoar sua camisa. - "Pra quê a senhora tá fazendo isso?" - perguntou uma irmã de dona Guilhermina. - "Ele não gosta de nada pegando no pescoço dele." - respondia, aos prantos e aflita em satisfazer as vontades do filho, se lembrando do que ele gostava ou não, quando era vivo. Por fim começou a puxar as mãos dele, como se quisesse que o filho separasse as mãos duras e geladas, para poder abraçá-la pela última vez. Foi preciso a intervenção de algumas pessoas, afastando-a e conversando com paciência, explicando que ela não poderia fazer aquilo, que ele tinha que ficar como estava e que já estava na hora de fechar o caixão. Ela parou, olhou para o filho, acariciou seu rosto, deu-lhe um beijo, recolocou as flores no lugar, ajeitou seus cabelos, arrumou o véu e se afastou. Séria, sem uma lágrima. E assim permaneceu até chegarem ao cemitério.
Lá dentro, o carro funerária esperou que todos chegassem para retirar o caixão e colocou-o no suporte de aço, com rodinhas, para poder levá-lo até o túmulo. Todos seguiram em silêncio. Mais uma vez abriram o caixão e dona Guilhermina preferiu não ficar perto da cova, e estando amparada o tempo todo pela irmã também idosa, não chorou. Ficou observando as pessoas que ali estavam e demorou um tempo olhando seu marido, que parecia ter envelhecido uns trinta anos, segurar um lado do caixão para posicioná-lo na cova. Sentiu o sofrimento dele, as lágrimas inundando seu rosto e percebeu o quanto ele era frágil, mesmo demonstrando esses anos todos, ser um homem forte, rígido, com um coração de pedra e uma saúde intocável. Viu seu marido definhar naquele momento, se curvar perante a força maior de Deus em lhe arrancar de forma estúpida, um filho que tinha muito o que viver ainda. "A vida não vale nada", pensou alto, ainda sem chorar. E continuou observando as pessoas e ficou admirada de ver tantos parentes, amigos, conhecidos, antigos vizinhos, amigos de infância, todos ali compartilhando uma dor, inconformados com a crueldade da morte precoce de um homem querido e amado.
Sentiu falta de sua nora Adriana, mulher de Pedro e perguntou onde ela estaria. "Está internada em estado de choque. Está sedada". Respondeu a irmã que lhe amparava o tempo todo. Esperou os coveiros jogarem até o último grão de terra sobre o caixão para só depois sair dali. Ainda sem chorar.
Depois de anos do ocorrido, o coração de dona Guilhermina se transformou num coração sem sentimentos, e a impressão que ela sempre tinha era que o filho Pedro entraria pela porta, com aquele sorriso largo, fazendo uma piada, como sempre fazia, e abrindo a geladeira para ver o que tinha de bom. "A vida não vale nada, e eu ainda estou aqui aguentando ela", sempre repetia em pensamentos, inconformada com essa perda. Deixou de viver a passou a sobreviver, sem sorrisos, sem emoções, sem lágrimas, sem sentimentos. Apenas vivendo até o último suspiro, a dor de uma eterna despedida.
Fim.
Com este conto também participo do projeto Bloínques - 6ª Edição - Solte o Verbo - A dor de uma eterna despedida (este link é para a página do facebook).
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
O milagre da vida
E não é que estou me sentindo avó? Ai, Jesus!
Minha cachorrinha, Mia, deu à luz a cinco bebezinhos. Coisa mais linda do mundo!
Como é a natureza... Mia amanheceu carente, querendo se encostar em alguém e ficou rodeando minha filha Amanda. Ficou grudada nela a manhã inteira até que começaram as contrações. Fiquei apavorada! O que fazer agora? Minha filha, calmamente disse que já sabia que era ela que ajudaria Mia no parto. E fez tudo na maior tranquilidade, enquanto eu ficava de um lugar para outro, sem rumo, sem saber o que dizer, agoniada.
Nasceu o primeiro... tudo certo! Mas e aí? Cortar ou não o cordão umbilical? Amanda teve que cortar, porque estava demorando muito. Corre para o computador dar uma pesquisada... e seguir tudo o que alguns sites diziam. Nasceu o segundo. Não fiquei perto porque não tenho estômago para essas coisas e fiquei com medo de desmaiar de ver tudo aquilo. Mia, seguindo a natureza, fez tudo sozinha. Daí pra frente Amanda só acompanhou e ficou babando pelos bebezinhos.
Nasceu o quarto! Pronto! Acho que acabou porque a barriga dela estava murcha. Amanda foi contar a novidade para uma vizinha, eu fui cuidar da vida e.... quando fomos dar uma olhada.... nasceu o quinto!
Natureza perfeita!
Total da ninhada? Três machos e duas fêmeas.
Coisas mais lindas do mundo!!!!
Minha cachorrinha, Mia, deu à luz a cinco bebezinhos. Coisa mais linda do mundo!
Na foto eles saíram da toalha... deve ser por causa do calor enorme que tá aqui, mas eu sempre dou uma olhada e estão todos quentinhos.
Como é a natureza... Mia amanheceu carente, querendo se encostar em alguém e ficou rodeando minha filha Amanda. Ficou grudada nela a manhã inteira até que começaram as contrações. Fiquei apavorada! O que fazer agora? Minha filha, calmamente disse que já sabia que era ela que ajudaria Mia no parto. E fez tudo na maior tranquilidade, enquanto eu ficava de um lugar para outro, sem rumo, sem saber o que dizer, agoniada.
Nasceu o primeiro... tudo certo! Mas e aí? Cortar ou não o cordão umbilical? Amanda teve que cortar, porque estava demorando muito. Corre para o computador dar uma pesquisada... e seguir tudo o que alguns sites diziam. Nasceu o segundo. Não fiquei perto porque não tenho estômago para essas coisas e fiquei com medo de desmaiar de ver tudo aquilo. Mia, seguindo a natureza, fez tudo sozinha. Daí pra frente Amanda só acompanhou e ficou babando pelos bebezinhos.
Nasceu o quarto! Pronto! Acho que acabou porque a barriga dela estava murcha. Amanda foi contar a novidade para uma vizinha, eu fui cuidar da vida e.... quando fomos dar uma olhada.... nasceu o quinto!
Natureza perfeita!
Total da ninhada? Três machos e duas fêmeas.
Coisas mais lindas do mundo!!!!
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
Uma dor que não é nossa, mas é nossa!
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| imagem Google |
Para mim, não há paz maior do que ver meus filhos dormindo. Me dá uma sensação de dever cumprido, que mais um dia se foi e que eles estão bem e dormem tranquilos.
Como toda mãe, fico agoniada quando sei que estão com problemas e tenho que deixar que eles tomem a decisão sozinhos. Não posso ficar interferindo, por isso, converso e ouço muito. Posso até dar minha opinião, mas prefiro fazer perguntas, para que eles pensem na resposta e cheguem a alguma conclusão. Cabe a nós mostrarmos os caminhos e as opções, deixando o resto por conta deles.
Educar um filho é difícil demais, porque o mundo está todo aí, de braços abertos para eles desbravarem, e se não tomamos conta, o mundo toma!
Mas também uma dor imensa que sentimos é quando vemos nossos filhos sofrendo, chorando... e realmente não podemos fazer nada.
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| imagem Google |
Adolescentes então, parece que tudo é imenso, vida ou morte, para sempre, sim ou não, tudo grandioso e dramático.
Época de namoros, paixões, posses, namoro chiclete, grudento. E às vezes o namoro termina... e lá vem choro, choro, choro e choro....
Sabemos que é passageiro, porque já passamos por isso, mas dói ver um filho chorar por nada... ou por tudo... E mais uma vez, a paciência de ouvir os lamentos, as ladainhas e procurar dar os melhores conselhos, sem interferir na decisão deles. Que difícil isso! Mas o sentimento é deles e quem tem que decidir são eles.
Faz parte do amadurecimento.
Filhos sofrem, mães sofrem junto...
Um ótimo fim de semana para todos!!!
Volto só semana que vem!!!
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segunda-feira, 2 de julho de 2012
Viver de brisas
Amanheceu e Cristina despertou com o cantar dos pássaros e maritacas, que todas as manhãs ficam nos fios de eletricidade da rua, em frente à sua casa, dando um bom dia a todos que por ali passam e despertando quem ainda dorme em suas casas. Abriu os olhos e em oração, pediu a Deus que mais um dia ela tenha forças e condições de chegar até à noite, tranquilamente.
Acabara de se separar e, como toda separação, foi uma situação difícil que deixou muitos traumas e lembranças ruins. Agora era ela e as filhas, duas meninas, dois e quatro anos, a sobreviverem praticamente sozinhas. Cristina já trabalhava em casa desde que as filhas nasceram, mas o que ganhava mal dava para pagar as contas de casa. A alimentação, como era o ítem mais necessário, sempre ficava por último, e nem sempre sobrava o suficiente para alimentar as meninas com dignidade.
Se levantou, arrumou o quarto, foi para a cozinha achar uma solução para aquele dia. Abriu a geladeira que tinha somente um pouco do arroz que sobrara do dia anterior, três cenouras e um ovo. E água gelada, claro. Pegou a água, encheu um copão e bebeu. Esse era seu café da manhã. Para as crianças, preparou um mingau com o que sobrara da farinha de trigo, com um pouco de água e açucar. Colocou em duas tigelinhas decoradas com joaninhas, salpicou canela em pó, preparou uma mesa com jogo americano, colheres pequenas e um copo de água para cada uma. No centro da mesa, colocou um vaso com flores naturais. Esperou que as meninas acordassem, e ficou imaginando o que faria para o almoço, com lágrimas nos olhos.
Após a separação, quem ela considerava como sendo amigas, espalharam mentiras a seu respeito, fofocas, intrigas, e as pessoas foram se afastando aos poucos, inclusive sua família que tanto a paparicava. Mas Cristina sabia que isso acontecia por conta de sua situação financeira. E com a separação, foi perdendo tudo aos poucos, vendendo outras, só para poder pagar contas e colocar alimento em casa. Estava sem nada e sozinha. Mesmo assim não deixava que suas filhas percebessem qualquer coisa, qualquer dificuldade, e o que as meninas pediam, ela sempre dava um jeito de conseguir. E conseguia!
Na hora do almoço, esquentou o arroz, ralou a cenoura e refogou com o ovo. Bom tempero, apesar das meninas não gostarem de cenoura. Arrumou a mesa como sempre fez, preparou o prato de cada uma, arrumando uma porção do arroz, usando uma xícara para dar forma, e ao redor, a cenoura com o ovo. Em cima, colocou um galho de salsinha. Enquanto as meninas perguntavam o que era aquilo, já fazendo cara de "não gosto", Cristina ia contando uma história, às vezes de princesa que estava de dieta, às vezes de crianças que estavam viajando para outro planeta e as meninas prestavam atenção e comiam sem reclamar.
Nesse dia, Cristina não comeu nada; preferiu deixar o pouco que tinha para as filhas. Aliás, na noite passada, já havia resolvido que não comeria mais nada até conseguir pagar tudo o que devia e o alimento não fizesse falta para as filhas.
Quando as meninas não estavam por perto, Cristina chorava, se ajoelhava no chão e agradecia a Deus por suas filhas não desconfiarem de nada, mas que lhe desse forças para passar os dias sem alimento, até que tudo estivesse regularizado. Enquanto estava de joelhos, toda sua vida lhe vinha à mente; todas as desavenças com o ex-marido, as intrigas da família, as dores das humilhações e agressões e isso sim, a fazia sofrer. Mas mesmo assim não reclamava, pois sabia que era uma questão de tempo para ela se ajeitar e viver com paz em sua casa. Mas a dor maior foi saber que sua família a condenou por essa separação, pois sempre acharam que eram o casal perfeito, que por terem uma vida confortável e farta, eram felizes juntos. O espanto de todos foi uma surpresa para Cristina, quando esta anunciou que estava se separando. Foi nesse momento em que percebeu que não era tão querida e respeitada como achava que era e resolveu enfrentar tudo sozinha, e começar tudo de novo, longe de todos. A família não mais a procurou e os amigos, aqueles que frequentavam as festas em sua casa, sumiram todos.
Cristina olhava para as filhas e lhe doía o coração. As meninas tão pequenas, que só sabiam sorrir e brincar, saudáveis, carinhosas e espertas, nem imaginavam o que estava acontecendo em sua casa e pelo o que a mãe estava passando. Não comeria mais nada a partir daquele dia! Já era decidido. Na hora da fome, da fraqueza, Cristina ajoelhava e pedia forças a Deus, que não a deixasse cair, que a mantivesse de pé e que suas princesas não percebessem nada.
No final do dia, uma amiga lhe telefonou e disse que a visitaria naquela noite. Sem ter como despistar a visita, pois sabia que passaria vergonha, pois não tinha como servir um simples café, mais uma vez rogou a Deus que ela ficasse pouco tempo e que dispensasse qualquer agrado.
Na hora combinada, Leonor chega de carro, abraça a amiga que não via há anos, e Cristina não aguentando, chorou em seu ombro, soluçando, mas feliz em ver a amiga querida, amiga de infância. Não se recordava o motivo do afastamento das duas, mas isso nem importava agora; a amiga estava de volta e agora tinha com quem desabafar. Convidou-a a entrar. Leonor pediu sua ajuda, abriu o porta-malas e Cristina quase teve um surto quando viu vários mantimentos ali dentro, e quase desmontou quando Leonor disse que trouxera aquela ajuda para ela. Na mesma hora, Cristina não se conteve e caiu de joelhos, e chorando e orando em silêncio, agradeceu a Deus mais uma vez.
Leonor, sem entender nada, ajudou a amiga a se levantar e disse que poderia contar com ela para qualquer emergência, pois soube de sua separação e do que estavam falando a seu respeito. Como a conhecia desde a infância, não acreditou em nada e pressentiu que a amiga estivesse passando por dificuldades. Sem antes perguntar se estava realmente bem, passou no mercado e encheu o carro e foi se encontrar com Cristina.
A partir daí, Cristina ficou mais sossegada, conseguiu equilibrar o orçamento doméstico, colocou as filhas em uma creche próxima à sua casa, arrumou um trabalho e hoje vive feliz, ainda sozinha, mas cuidando das filhas e esperando o momento certo de toda a verdade aparecer e mostrar às pessoas, o quanto foram injustas com ela, o quanto a julgaram e condenaram. Pode demorar, pensava ela, mas um dia tudo vai se esclarecer; mas será tarde demais, pois aquele cristal que lhe unia à família e aos amigos, se quebrou e nunca mais voltará a ser o mesmo.
Acabara de se separar e, como toda separação, foi uma situação difícil que deixou muitos traumas e lembranças ruins. Agora era ela e as filhas, duas meninas, dois e quatro anos, a sobreviverem praticamente sozinhas. Cristina já trabalhava em casa desde que as filhas nasceram, mas o que ganhava mal dava para pagar as contas de casa. A alimentação, como era o ítem mais necessário, sempre ficava por último, e nem sempre sobrava o suficiente para alimentar as meninas com dignidade.
Se levantou, arrumou o quarto, foi para a cozinha achar uma solução para aquele dia. Abriu a geladeira que tinha somente um pouco do arroz que sobrara do dia anterior, três cenouras e um ovo. E água gelada, claro. Pegou a água, encheu um copão e bebeu. Esse era seu café da manhã. Para as crianças, preparou um mingau com o que sobrara da farinha de trigo, com um pouco de água e açucar. Colocou em duas tigelinhas decoradas com joaninhas, salpicou canela em pó, preparou uma mesa com jogo americano, colheres pequenas e um copo de água para cada uma. No centro da mesa, colocou um vaso com flores naturais. Esperou que as meninas acordassem, e ficou imaginando o que faria para o almoço, com lágrimas nos olhos.
Após a separação, quem ela considerava como sendo amigas, espalharam mentiras a seu respeito, fofocas, intrigas, e as pessoas foram se afastando aos poucos, inclusive sua família que tanto a paparicava. Mas Cristina sabia que isso acontecia por conta de sua situação financeira. E com a separação, foi perdendo tudo aos poucos, vendendo outras, só para poder pagar contas e colocar alimento em casa. Estava sem nada e sozinha. Mesmo assim não deixava que suas filhas percebessem qualquer coisa, qualquer dificuldade, e o que as meninas pediam, ela sempre dava um jeito de conseguir. E conseguia!
Na hora do almoço, esquentou o arroz, ralou a cenoura e refogou com o ovo. Bom tempero, apesar das meninas não gostarem de cenoura. Arrumou a mesa como sempre fez, preparou o prato de cada uma, arrumando uma porção do arroz, usando uma xícara para dar forma, e ao redor, a cenoura com o ovo. Em cima, colocou um galho de salsinha. Enquanto as meninas perguntavam o que era aquilo, já fazendo cara de "não gosto", Cristina ia contando uma história, às vezes de princesa que estava de dieta, às vezes de crianças que estavam viajando para outro planeta e as meninas prestavam atenção e comiam sem reclamar.
Nesse dia, Cristina não comeu nada; preferiu deixar o pouco que tinha para as filhas. Aliás, na noite passada, já havia resolvido que não comeria mais nada até conseguir pagar tudo o que devia e o alimento não fizesse falta para as filhas.
Quando as meninas não estavam por perto, Cristina chorava, se ajoelhava no chão e agradecia a Deus por suas filhas não desconfiarem de nada, mas que lhe desse forças para passar os dias sem alimento, até que tudo estivesse regularizado. Enquanto estava de joelhos, toda sua vida lhe vinha à mente; todas as desavenças com o ex-marido, as intrigas da família, as dores das humilhações e agressões e isso sim, a fazia sofrer. Mas mesmo assim não reclamava, pois sabia que era uma questão de tempo para ela se ajeitar e viver com paz em sua casa. Mas a dor maior foi saber que sua família a condenou por essa separação, pois sempre acharam que eram o casal perfeito, que por terem uma vida confortável e farta, eram felizes juntos. O espanto de todos foi uma surpresa para Cristina, quando esta anunciou que estava se separando. Foi nesse momento em que percebeu que não era tão querida e respeitada como achava que era e resolveu enfrentar tudo sozinha, e começar tudo de novo, longe de todos. A família não mais a procurou e os amigos, aqueles que frequentavam as festas em sua casa, sumiram todos.
Cristina olhava para as filhas e lhe doía o coração. As meninas tão pequenas, que só sabiam sorrir e brincar, saudáveis, carinhosas e espertas, nem imaginavam o que estava acontecendo em sua casa e pelo o que a mãe estava passando. Não comeria mais nada a partir daquele dia! Já era decidido. Na hora da fome, da fraqueza, Cristina ajoelhava e pedia forças a Deus, que não a deixasse cair, que a mantivesse de pé e que suas princesas não percebessem nada.
No final do dia, uma amiga lhe telefonou e disse que a visitaria naquela noite. Sem ter como despistar a visita, pois sabia que passaria vergonha, pois não tinha como servir um simples café, mais uma vez rogou a Deus que ela ficasse pouco tempo e que dispensasse qualquer agrado.
Na hora combinada, Leonor chega de carro, abraça a amiga que não via há anos, e Cristina não aguentando, chorou em seu ombro, soluçando, mas feliz em ver a amiga querida, amiga de infância. Não se recordava o motivo do afastamento das duas, mas isso nem importava agora; a amiga estava de volta e agora tinha com quem desabafar. Convidou-a a entrar. Leonor pediu sua ajuda, abriu o porta-malas e Cristina quase teve um surto quando viu vários mantimentos ali dentro, e quase desmontou quando Leonor disse que trouxera aquela ajuda para ela. Na mesma hora, Cristina não se conteve e caiu de joelhos, e chorando e orando em silêncio, agradeceu a Deus mais uma vez.
Leonor, sem entender nada, ajudou a amiga a se levantar e disse que poderia contar com ela para qualquer emergência, pois soube de sua separação e do que estavam falando a seu respeito. Como a conhecia desde a infância, não acreditou em nada e pressentiu que a amiga estivesse passando por dificuldades. Sem antes perguntar se estava realmente bem, passou no mercado e encheu o carro e foi se encontrar com Cristina.
A partir daí, Cristina ficou mais sossegada, conseguiu equilibrar o orçamento doméstico, colocou as filhas em uma creche próxima à sua casa, arrumou um trabalho e hoje vive feliz, ainda sozinha, mas cuidando das filhas e esperando o momento certo de toda a verdade aparecer e mostrar às pessoas, o quanto foram injustas com ela, o quanto a julgaram e condenaram. Pode demorar, pensava ela, mas um dia tudo vai se esclarecer; mas será tarde demais, pois aquele cristal que lhe unia à família e aos amigos, se quebrou e nunca mais voltará a ser o mesmo.
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sexta-feira, 22 de junho de 2012
Filhos
![]() |
| Essa imagem é do Google, mas o quarto de minha filha é bagunçado... um pouco menos, mas é ! |
Positivo! É nessa hora, com a certeza do positivo do exame de gravidez, que já nos tornamos mães...
Esperamos ansiosas pelos nove meses, com enjoos, mal estar, boca amarga, fome excessiva, sono exagerado....
Até que finalmente parimos e conhecemos nosso rebento. Ou nossos rebentos. O amor é incondicional, a entrega é total, modificamos tudo em função dos pequenos, noites de sono já não sabemos mais o que é, e uma coisa agoniante: o choro do bebê. Isso até conhecermos o seu significado, aí tiramos de letra.
Aí eles vão crescendo, sendo amados, cuidados, educados e acham que podem tudo.
Mas sei que grande parte dessa culpa é nossa: os pais. Explico: eles se acostumam com uma rotina em nos ver trabalhando, limpando, passando, cozinhando etc, e quando alguma coisa não é realizada nessa sequência, começam a reclamar.
Um dia, numa conversa com minha filha, eu como sempre falando e falando para ela pelo amor de Deus arrumar a bagunça do quarto dela, ela simplesmente disse como sempre diz, que o quarto era dela e que ela o deixava como quisesse. Eu disse que o quarto fazia parte da casa, portanto tem que ser como eu quero. E que quando ela tivesse a casa dela, ela deixaria como bem entendesse.
A resposta da lindinha da mamãe: "essa casa aqui é minha, e eu deixo meu quarto como quiser agora!".
Pronto! Mais essa agora que tenho que ouvir. Além de ser chamada de chata, agora tenho que escutar nas entrelinhas que essa casa aqui não é minha. Isso doeu.... e muito.
É claro que a casa é dela "também", mas não precisava me responder nesse tom.
Outro dia, meu filho conversando com um amigo, e esse amigo me olhou e perguntou se eu era uma mãe difícil. Ele me olhou, deu uma risadinha, bufou e respondeu que sim, que sempre sou chata. Não pensei duas vezes e respondi que estava farta de filhos que me tratam como empregada. Ele se calou.
Nos damos muito bem aqui, com muito bom humor; e é assim mesmo, os pais sempre são os chatos, porque cabe a nós a educação. Mas custa aos filhos serem um pouco mais tolerantes com nós?
Se algo deixa de ser feito para o conforto deles, a obrigação e a casa é minha, mas quando eles bagunçam e não se incomodam com isso, a casa é deles....
Eu não cobro nada por todo esse tempo de amor incondicional que tenho, por todo o cuidado com eles e tudo o mais, pois isso é obrigação. Mas será que eles, os meus filhos, ou todos os filhos, pensam que sou um robô, que não me canso, que não fico esgotada, nervosa? Será que não entendem que quero colo de vez em quando? Que gosto de carinho também? E de atenção? E que não sou empregada deles? E que eu como tantas outras, tiro de minha boca para poder dar o melhor para eles?
Quando parimos, o amor incondicional entra em nós para sempre. Mas e o amor deles? Até onde vai esse amor? Falando num todo agora: quantos e quantos filhos cuidam dos pais com todo o descaso do mundo? Uma mãe com cinco, seis, muitos filhos, quantos cuidam dela quando ela precisa, assim como foram cuidados desde sempre?
Como sempre ouvi minha avó dizer: "uma mãe cuida de cem filhos, mas cem filhos não cuidam de uma mãe"; e que só vão saber o que é cuidar de um filho, quando forem pais. Eu devo ter sido assim também com meus pais, não nesse exagero porque na minha época não tinha todo esse diálogo, e eu ficava calada, por respeito ou então por medo mesmo. Mais por medo de meu pai do que por respeito. Pai era pai e filho era filho, sem muitas conversas.
Será que estou muito amarga hoje?
Isso porque não disse que agora sou sempre chamada de viciada em internet. Sou mesmo! E daí? Será que nem me divertir eu posso mais? Eu trabalho o dia todo, em casa, e fico na internet somente à noite quando eles estão por aqui. Então acham que fico o dia todo à toa, somente teclando, ou o que quer que seja. Até que agora pararam um pouco de implicância comigo, depois que eu, ironicamente, pedi desculpas e disse que não sabia que não podia me divertir, que tinha que ficar o tempo todo por conta de casa e de filhos.
Aqui temos um diálogo aberto, se não gosto eu falo e se eles não gostam, falam também. Mas tem dias que fico cansada. Não deles, isso jamais.... Mas da situação de mãe/empregada o tempo todo. Mesmo eu tendo educado os dois para serem independentes, para o mundo, para nunca passarem dificuldades e nem vergonha em nenhum lugar, mesmo assim eu canso de toda hora ter que responder perguntas que bastariam eles espicharem o pescoço e procurar. Aí respondo com má vontade, peço para eles se virarem, e o que eu escuto é que sou chata, que não custa nada dizer onde se encontra tal coisa. Isto cansa... e muito!
Pronto! Outro desabafo de uma mãe cansada....
Alguém passa por isto também? Ou só eu? Os filhos são realmente todos iguais? E os pais, são sempre os chatos, os carrascos?
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segunda-feira, 14 de maio de 2012
Meu dia de Dia das Mães
Como trabalho em casa, trabalho quando preciso, não importa se é feriado ou fim de semana. E hoje era um dia em que tinha muito trabalho. Estava feliz porque gosto de trabalhar, e os planos eram: me levantar cedo e mandar ver.... Mas..... Mudanças de planos: um piripaque se alojou nesse meu corpo e não consegui fazer nada!
Fiquei praticamente o dia todo deitada....
Definitivamente, não nasci para repouso, nem ficar doente, nem tomar remédios, nem nada....
Mas não sou eu que decido; essas coisas acontecem... Então, como não tinha jeito, fiquei deitada, dormindo, acordando, dormindo, acordando....
E meus lindinhos, minhas preciosidades, fazendo o almoço!
Eles demoraram umas cinco horas para preparar um escondidinho de frango e.... só!
Também teve sobremesa: mousse de limão e de chocolate, desses comprados prontos, que é só bater e colocar na geladeira.
Minha filha disse que teve que ficar pesquisando no tio Google, como fazia isso ou aquilo.... "por isso demorou, mãe!".
Mas que besteira.... Não importa! Estava ótimo, de verdade! Um capricho!
Na hora que me levantei, para dar uma espiada no que estava acontecendo, os dois, aliás, os quatro: Amanda e Leo, sentados no chão, em frente ao forno, e este de luz acesa, para verem se iria demorar grelhar o queijo. Achei tão engraçado! Eles sentados, e os cachorros atrás, deitados, olhando também! Pena que nem me dei conta de tirar uma foto e mostrar....
Coisas da vida, simples, mas que dinheiro nenhum paga!
Ah, e depois lavaram tudo, arrumaram tudo!
Filhos, minhas jóias preciosas, que amo tanto!
Fiquei praticamente o dia todo deitada....
Definitivamente, não nasci para repouso, nem ficar doente, nem tomar remédios, nem nada....
Mas não sou eu que decido; essas coisas acontecem... Então, como não tinha jeito, fiquei deitada, dormindo, acordando, dormindo, acordando....
E meus lindinhos, minhas preciosidades, fazendo o almoço!
Eles demoraram umas cinco horas para preparar um escondidinho de frango e.... só!
Também teve sobremesa: mousse de limão e de chocolate, desses comprados prontos, que é só bater e colocar na geladeira.
Minha filha disse que teve que ficar pesquisando no tio Google, como fazia isso ou aquilo.... "por isso demorou, mãe!".
Mas que besteira.... Não importa! Estava ótimo, de verdade! Um capricho!
Na hora que me levantei, para dar uma espiada no que estava acontecendo, os dois, aliás, os quatro: Amanda e Leo, sentados no chão, em frente ao forno, e este de luz acesa, para verem se iria demorar grelhar o queijo. Achei tão engraçado! Eles sentados, e os cachorros atrás, deitados, olhando também! Pena que nem me dei conta de tirar uma foto e mostrar....
Coisas da vida, simples, mas que dinheiro nenhum paga!
Ah, e depois lavaram tudo, arrumaram tudo!
Filhos, minhas jóias preciosas, que amo tanto!
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sexta-feira, 4 de maio de 2012
Por que os bebês são tão fofos?
Quais os poderes dos bebês?
Simplesmente eles tomam conta, mudam toda a rotina de uma casa, têm toda a atenção de todos e reinam absolutos. Mas não são fofos mesmo?
Um ser tão frágil, que é tão forte a ponto de nascer, seja qual for o método, se adaptar nesse mundo em questão de segundos, organismo ainda em formação com efeitos colaterais, como: cólicas, otites, febres.... e fome! Bateu a fome, chorou, ganhou! Não tem o que discutir!
Um verdadeiro elo de ligação entre as pessoas: são mães que nascem junto com ele; são pais que aprendem a cuidar, sem deixar "quebrar"; são avós babões; madrinhas disputando o posto de melhor "dinda" do planeta; são tias corujas que querem levar para passear... enfim....
Além disso, esse elo aproxima as pessoas afastadas. Quantas histórias sabemos de um simples bebê que uniu pai e filho?
E citando um fato hoje não muito comum, mas que ainda existe: pais que expulsam filhas de casa por elas ficarem grávidas, solteiras.
Mas bastou olhar aquela carinha rechonchuda e a paixão é imediata... Ninguém resiste!
Deus realmente é perfeito em tudo! Todos nós já fomos uns fofos assim, fomos amados, cuidados, educados, paparicados... e crescemos.... como o tempo passa rápido demais, não é mesmo?
Crescemos, e nem sempre a convivência com a família é fácil. Às vezes nos afastamos, nos magoamos, vamos cuidar da vida, bem longe de todos... mas até gerarmos uma criaturinha fofa dessa.
Isto está acontecendo com uma amiga minha, cujo pai de seu filho, quando se separou dela, se separou do filho também. Este foi criado pelos avós, porque ela trabalhava em outra cidade e via o filho só nos finais de semana. Hoje ele está casado e é pai de uma belezinha dessa, bochechuda, linda.... e adivinhem?
O pai dele apareceu e está babando pela neta. Muitos devem achar estranho eles aceitarem o pai, depois de tanto tempo sem sequer querer saber se o filho está vivo ou não.
A mágoa do filho abandonado deve ser grande, eu entendo; mas creio eu que estamos nesta vida para aprendermos e também para perdoarmos. Por que não então? Esquecer um passado ninguém esquece; mas ainda dá para tentar conviver, começar de novo, conversar, se entender, pedir desculpas e claro, perdoar. Carregar uma dor, uma mágoa pela vida toda é a pior coisa que existe dentro da gente.
Se quem cometeu o erro, reconhece que errou e está disposto a recomeçar, por que não tentar? Afinal é pai e filho... e agora uma neta, uma fofa bochechuda, que está mandando no ambiente, mudando toda a rotina de uma família, reinando absoluta, querendo suas vontades a hora que bem entende, querendo atenção e principalmente: necessitando de amor, gritando por amor.
Deus e toda Sua sabedoria, agindo através de nós, homens de bem, que somos carregados de defeitos, mas sempre olhamos primeiro os defeitos e os erros dos outros.
Agora vamos cuidar da vida porque hoje é sexta-feira, e quem trabalha são os adultos, e o bebê faz o que bem entender, a hora que quiser e como quiser.... pelo menos enquanto é bebê, né?
Ótimo Fim de Semana!!!
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sexta-feira, 13 de abril de 2012
Que venha com saúde
Uma frase que nunca concordei e que sempre "corrigi" quem me recomendava:
- Que você tenha uma boa hora e que o bebê venha com saúde!
- Não! Que eu tenha uma boa hora e que o bebê venha! Não importa se é com saúde ou não. - era o que respondia.
Aprovaram a lei do aborto para bebês anencéfalos. O que isso muda? Que a mãe não precisa ficar esperando toda a gestação, sabendo que seu filho vai morrer um dia. Todo o sofrimento da mãe, os longos nove meses, podem ser agora interrompidos.
Isso para mim não muda nada; não vou mais engravidar, e mesmo se tivesse condições de ter outro filho, jamais faria um aborto, mesmo se eu corresse risco de vida. Eu me sentiria péssima com isso. Para mim isso não condiz com o que eu acho.
Mas cada um pensa de uma maneira e o que estou expondo aqui é somente minha opinião, certo? Não quero criticar ninguém, nem apontar dedos e nem dar lição de moral, pois cada uma sabe de sua vida.
Apesar de ser católica, acredito que existe muito mais numa vida do que um cérebro. Quanto tempo o bebê poderia viver? Já vi casos de bebês viverem por dois anos, mesmo sendo anencéfalos. Como se explica isso? A ciência diz que é devido ao tronco encefálico, mas eu acredito mesmo que nós, quando somos concebidos, já viemos programados para viver um determinado tempo.
Ninguém sabe quanto tempo ficaremos vivos e nem como vamos morrer. E se o tempo programado para nosso bebê anencéfalo for somente durante a gestação mais dez minutos de vida? E se for por dois anos? Será mesmo que temos o direito de interromper um milagre de Deus?
Li muitos comentários de mulheres que passaram por esta situação dizendo que sofreram muito com a notícia de uma gravidez com bebês anencéfalos, que esse sofrimento poderia ser evitado se a gravidez fosse interrompida. Será mesmo? Perder um filho deve ser uma dor imensa, que nem consigo imaginar, mas será que interrompendo no meio do caminho esse sofrimento seria menor? Não seria egoísmo de mãe, querendo somente evitar a dor, sem pensar numa vida indefesa que carrega? Será mesmo que o cérebro é que comanda nossos sentimentos? E a alma? Como eu disse: cada um sabe de sua vida.
Sou completamente a favor da vida. E ninguém tem o direito de tirar a vida de outro ser. Filhos nos são emprestados, então se tivermos filhos especiais ou com "defeitos", isso significa que somos mães especiais. Se assim nos foi concedido é porque com certeza, teríamos todas as forças do mundo para sustentar a dor.
Me desculpe quem defende essa lei, mas é a mesma coisa dizer para Deus:
- Olha, meu Pai, eu quero um filho, mas se for pro Senhor me mandar um com defeito de fábrica, eu não aceito e devolvo!
Pronto, resolvido o assunto.
Isso é o que eu penso, isso é o que eu falo. E se tiver opinião contrária à minha, é muito bem vinda aqui, pois como ninguém tem nada a ver com minhas decisões, também não me cabe julgar ninguém.
- Que você tenha uma boa hora e que o bebê venha com saúde!
- Não! Que eu tenha uma boa hora e que o bebê venha! Não importa se é com saúde ou não. - era o que respondia.
Aprovaram a lei do aborto para bebês anencéfalos. O que isso muda? Que a mãe não precisa ficar esperando toda a gestação, sabendo que seu filho vai morrer um dia. Todo o sofrimento da mãe, os longos nove meses, podem ser agora interrompidos.
Isso para mim não muda nada; não vou mais engravidar, e mesmo se tivesse condições de ter outro filho, jamais faria um aborto, mesmo se eu corresse risco de vida. Eu me sentiria péssima com isso. Para mim isso não condiz com o que eu acho.
Mas cada um pensa de uma maneira e o que estou expondo aqui é somente minha opinião, certo? Não quero criticar ninguém, nem apontar dedos e nem dar lição de moral, pois cada uma sabe de sua vida.
Apesar de ser católica, acredito que existe muito mais numa vida do que um cérebro. Quanto tempo o bebê poderia viver? Já vi casos de bebês viverem por dois anos, mesmo sendo anencéfalos. Como se explica isso? A ciência diz que é devido ao tronco encefálico, mas eu acredito mesmo que nós, quando somos concebidos, já viemos programados para viver um determinado tempo.
Ninguém sabe quanto tempo ficaremos vivos e nem como vamos morrer. E se o tempo programado para nosso bebê anencéfalo for somente durante a gestação mais dez minutos de vida? E se for por dois anos? Será mesmo que temos o direito de interromper um milagre de Deus?
Li muitos comentários de mulheres que passaram por esta situação dizendo que sofreram muito com a notícia de uma gravidez com bebês anencéfalos, que esse sofrimento poderia ser evitado se a gravidez fosse interrompida. Será mesmo? Perder um filho deve ser uma dor imensa, que nem consigo imaginar, mas será que interrompendo no meio do caminho esse sofrimento seria menor? Não seria egoísmo de mãe, querendo somente evitar a dor, sem pensar numa vida indefesa que carrega? Será mesmo que o cérebro é que comanda nossos sentimentos? E a alma? Como eu disse: cada um sabe de sua vida.
Sou completamente a favor da vida. E ninguém tem o direito de tirar a vida de outro ser. Filhos nos são emprestados, então se tivermos filhos especiais ou com "defeitos", isso significa que somos mães especiais. Se assim nos foi concedido é porque com certeza, teríamos todas as forças do mundo para sustentar a dor.
Me desculpe quem defende essa lei, mas é a mesma coisa dizer para Deus:
- Olha, meu Pai, eu quero um filho, mas se for pro Senhor me mandar um com defeito de fábrica, eu não aceito e devolvo!
Pronto, resolvido o assunto.
Isso é o que eu penso, isso é o que eu falo. E se tiver opinião contrária à minha, é muito bem vinda aqui, pois como ninguém tem nada a ver com minhas decisões, também não me cabe julgar ninguém.
Marcela, um bebê anencéfalo que viveu por dois anos, sendo amada e cuidada por uma família repleta de amor.
Eu tive notícias de Marcela praticamente mês a mês, pois a família é de uma cidade pequena, vizinha da minha. É Deus mostrando seu milagre e colocando por terra toda a ciência. Simplesmente mostrou Sua face.
Eu tive notícias de Marcela praticamente mês a mês, pois a família é de uma cidade pequena, vizinha da minha. É Deus mostrando seu milagre e colocando por terra toda a ciência. Simplesmente mostrou Sua face.
Ótimo fim de semana!
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sexta-feira, 9 de março de 2012
Mãe de miss
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| Amanda no sofá e eu, a mãe. |
Todos nós sabemos como é uma mãe de miss: cuidadosa, atenciosa, melosa, grudenta, defensora, inconformada, chata, insuportável etc.
Então, desde que tive meus filhos, eu sempre quis que eles se virassem sozinhos, que eles fossem atrás do que queriam, que se defendessem se fosse o caso, enfim, que fossem independentes.
E nasceu Amanda, loirinha, olhos azuis, uma boneca. Isso há dezessete anos. E continua uma boneca... por fora.
Sabe, eu não tenho a mínima noção de quem essa lindinha puxou... Para começar, a voz dela é firme, alta, forte, decidida... E de meiga ela não tem nada. É o jeito dela.
E agora ela já está na Faculdade, no curso de Fisioterapia. E eu, como mãe de miss, estou muito orgulhosa, ainda mais quando a vejo sair toda de branquinho, com o jaleco e com a mochila. Uma fofa de linda!
Essa foi a segunda (SEGUNDA) semana de aulas e adivinhem? A menina já está inconformada com algumas atitudes de alguns professores. Ai, meu Deus!
Essa semana começou o estágio na clínica da Faculdade e, ela me contando, foram todos os alunos para a clínica, como tinham que ser: de roupa branca e só. Mas foram barradas na portaria por estarem com as bolsas e mochilas:
- Por que não podemos entrar com a mochila?
- Por que aqui não tem onde colocar. Vocês teriam que deixar em um outro lugar. A professora não avisou vocês? - disse a mocinha da portaria.
- Não, a professora nem apareceu para dar a aula. - respondeu a minha loirinha.
Depois de perguntas e respostas, chega a tal professora:
- Mas eu não falei para vocês que não é permitido trazer bolsas aqui? Não fui à classe de vocês? - perguntou toda arrogante, segundo minha boneca.
- Não, eu nunca te vi aqui! Nem te conheço! - adivinhe quem respondeu?
Então, resolveram onde guardar as "tralhas" e seguiram para a clínica. Tudo normal, sem falar que minha lindinha vasculhou tudo quanto é canto, - "só pra conhecer, mãe!". Hmmmmmmm, me lembrei de alguém (eu), que é exatamente assim.
No outro dia, a aula seria na classe com a tal professora de nariz empinado. Nisso, todos os alunos já "garravam birra" da pessoa. Aí não tem jeito, nunca mais terão simpatia por ela.
A aula acontecia normalmente quando uma aluna fez uma pergunta, mas com o português do interior, tipo assim: "a gente vai...."
- Como é que você vai conquistar um cliente falando errado desse jeito, menina? Parece até que veio da roça! - respondeu a "meiga" da professora.
Só que muitos alunos moram na roça. Aqui nas redondezas têm muitas fazendas, chácaras, sítios, e eles ficaram murchos ao escutarem isso.
- Vocês concordam comigo, não concordam? O mínimo que se espera de um profissional é falar corretamente. - retrucou a professora.
Todos ficaram calados, olhando entre si, e a mestra começou a apontar um por um para perguntar se concordavam. E é claro que concordavam com tudo, tendo um sargento daqueles apontando o dedo.
E eis que o sargento teve a infelicidade de apontar para quem? Sim, ela mesma: a loirinha meiga da mamãe...
- Não, eu não concordo com tudo não! Para começar, primeiro nós temos que ter educação quando formos lidar com as pessoas. Ou você acha que vamos tratar os outros como você está tratando a gente? Isso é jeito de tratar quem não se conhece? O primeiro exemplo vem dos professores, e o exemplo que você está dando aqui agora, é bem pior do que qualquer roceiro que possa existir por aí. E tem mais - continuou a filhinha da mamãe - aqui tem muitos roceiros sim, muitos aqui moram na roça e com muito orgulho e são bem mais educados que você que está aí na frente ensinando numa Faculdade. E agora, você vai enfiar sua cara aonde? Você nem veio na primeira aula, nem explicou como é o estágio e nós ficamos sem saber de nada, e agora fica aí falando com a gente desse jeito? Eu tenho certeza que todo mundo aqui não concordou com o que você perguntou, mas por educação, todos disseram que concordavam.
Genteeeeeeeeee, vocês podem imaginar a cara da professora? Eu imagino!
Só sei que depois, no final da aula, a professora a chamou e disse que gosta de pessoas que falam o que sentem, que discordam, que têm opinião própria, mas que aquele era o jeito dela.
Minha Amanda só disse que não gostaria de discutir com ela e nem ficar com raiva, e muito menos queria que ela implicasse com ela a partir daquele dia.
Bem, eu conheço a filha que tenho e foi isso que eu sempre ensinei: se você tem certeza de que está certa, se defenda, não tenha medo de expor sua opinião! A professora não está fazendo nenhum favor para ninguém, já que é contratada e recebe honorários para prestar os serviços.
Bem, a mãe de miss então continua de férias.... Lindinha da mamãe...
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