sábado, 12 de junho de 2021

O Momento Certo é Agora!


 

Boa noite, pessoal, bom fim de semana!

— Boa noite, Francisca, vai namorar hoje, né, com essa cara alegre e afoita, só pode! — concluiu Edgar, o engraçadinho da turma da empesa onde trabalhavam.

— Que nada! Nem me lembro mais o que é isso de namorar... Mas tá valendo.

Francisca saiu quase que apressada, no toc-toc do salto fino sobre o piso frio laminado. 

— Boa noite, seu José, bom fim de semana pro senhor! — concluiu sua semana de trabalho com o porteiro do prédio.

Francisca andava apressada, por nenhum motivo, desviando dos buracos na calçada que detonavam os saltos de seus sapatos. Já estava acostumada e reclamar não fazia mais parte de sua rotina. 

Parando numa esquina com o sinal fechado para pedestres, distraída com o comentário de Edgar e sorrindo disfarçadamente, ouviu um "oi". Olhou para o lado e, antes de responder, gelou.

— Nossa, oi, como vai? Há quanto tempo...

— Então, faz anos já... Tudo bem, Francisca?

— Tudo e você?

Silêncio absoluto, apenas os olhos de um trocando mensagens para os olhos do outro. Na verdade o tempo passado foi de quase trinta anos. E a sensação da presença entre eles era como se o tempo não tivesse passado, como se os olhos tivessem se visto a um dia atrás... 

Essa era a sensação de Mônica, que sua maturidade e bom senso pensava ser somente dela. Ela não tinha ideia do susto que o reencontro tenha deixado Pedro completamente fora do prumo, sem saber o que falar... Ele pensava apenas em respirar e olhar nos olhos de Francisca...

Passados alguns segundos, Francisca lembrou-se de cumprimentar Pedro com um beijo no rosto... Ah, o beijo no rosto pra seu descontrole... Tocar naquela barba totalmente branca... Segurou o suspiro pra não demonstrar a ansiedade. Rapidamente olhou para as mãos dele procurando algum vestígio de compromisso. Não encontrou. Sorriu mostrando os dentes e demonstrando satisfação ao vê-lo depois de tantos anos.

Pedro retribuiu o sorriso, olhou Francisca de cima a baixo e continuou sorrindo. Francisca ficou envergonhada e abaixou a cabeça, como se olhasse pra si mesmo conferindo seus trajes. 

— Você mora por aqui, Francisca?

— Não, eu trabalho logo ali na avenida, estou indo pra casa. E você, o que faz por aqui?

— Fui atender um cliente, na avenida também, e estou indo pra casa também. Não na sua, na minha. — Francisca percebeu que o bom humor ainda permanecia nele. Advogado, bem-humorado, amor de sua juventude, e pelo jeito, de sua vida toda.

— Ah, claro... — respondeu, sorrindo pra ele.

— Você tem algum compromisso agora?

— Não.

— Então vamos tomar um café ali na Rua do Comércio, uma cafeteria nova, de um cliente meu. — Ela percebeu que ele não a convidou, mas a intimou a ir.

— Vamos sim.

A atitude, agora com mais maturidade, o bom humor entre os dois continuava o mesmo. A cumplicidade de sempre, as conversas calibradas numa seriedade superficial quando na verdade cada um queria ouvir o que o outro teria a oferecer naquele curto espaço de tempo. O encantamento continuava o mesmo e em certo momento questionaram o motivo do afastamento quando eram jovens. Não sabiam o motivo, ou não se lembravam, ou não queriam admitir que não estavam a fim de compromisso na época da juventude.

Um primeiro beijo aconteceu. O mesmo gosto, a mesma sensação de unidade do casal. Talvez agora seria o momento certo pro relacionamento acontecer.

Para Francisca, o momento estava sendo agora, e a todo instante seria agora, amanhã seria agora e assim por todo o futuro.

Encontros e reencontros, sempre acontecem no momento presente. E assim está feito!


Clara Lúcia


segunda-feira, 7 de junho de 2021

Julie e John


 No começo foi difícil a adaptação, o primeiro ano de casamento é complicado, cada um com seus defeitos, manias e querendo que prevaleça o seu modo, arrependimento e vontade de cair fora. Ela também já me confessou essa vontade.

Agora, olhando a cama ocupada por Julie, que ainda dorme profundamente e de vez em quando solta um ronco mais forte, sinto que ter me casado com ela foi a melhor, ou uma das melhores atitudes que tive na vida!

Hoje completamos cinco anos de casados, defeitos totalmente encaixados um no outro, companheirismo alinhado e ela cada vez mais linda e suave... Nem tanto. 

Que delicadeza em forma de fêmea!

Incrível como ela me surpreende onde nem posso imaginar! 

Seja com algum comentário, ou alguma roupa que ela coloca, ou algum gesto, mas o mais incrível nesses cinco anos é assistir Julie acordar... Cara...

Ela solta um suspiro bem profundo, abre os olhos lentamente, pisca várias vezes, depois fecha eles, fica imóvel e de repente abre os dois duma vez, como se estivesse atrasada pra algum compromisso... Olha pro meu lado da cama pra conferir se estou dormindo e num ritmo orquestrado, alonga todo o corpo por alguns segundos...

Novamente procura meus olhos e sorri lindamente,,,

Como não amar?

TPM, tristeza, ansiedade, nada disso é obstáculo entre nós. Sei que também tenho meus momentos de vazio, e tá tudo bem, aliás eu confesso que sou bem chato às vezes.

Cinco anos de casamento, resort maravilhoso, chuvinha no verão, comida típica de praianos, e Julie, acordando e dormindo ao meu lado...

Então, aproveitando todo esse clima romântico, que daqui a pouco a fera (sim, essa parte a gente não conta) desperta e salve-me quem puder!

"John"



quarta-feira, 19 de maio de 2021

Um dia comum...


 
Um dia comum...

Suzana acordou atrasada mais uma vez, e em sua tranquilidade costumeira, só reclamou com o celular por não ter despertado. Calmamente alisou os cabelos curtos, colocou os chinelos, olhou para o lado e viu a cama vazia. Miguel já havia se levantado.

Levantou-se também e foi para o banheiro para uma higiene bem rápida, pois sabia que Miguel deveria estar bufando pela falta de café. E estava mesmo, e sem paciência já havia colocado a água para ferver.

— Bom dia! — ela disse a ele, friamente, evitando o contato dos olhos.

— Bom dia. — Miguel respondeu de forma ríspida.

Mesmo ele acordando de mau humor, esse zedume passaria rápido e tudo voltaria ao normal em questão de minutos.

Suzana colocou pão, manteiga e leite sobre a mesa e, logo após, Miguel colocou a garrafa de café.

Ele não sentou à mesa como de costume. Bebeu o café quente sem açúcar, despediu dela e seguiu para o trabalho.

Suzana, como se não se importasse com nada, tomou seu café tranquilamente. Sua aparência era cansada e com os lábios arqueados para baixo, como se simulasse um choro. Havia tempos que queria chorar e talvez essa seria a hora certa.

Olhou as horas no relógio que enfeitava parede e desistiu de seu momento melancólico. Logo Bia, a secretária da casa, chegaria para os afazeres domésticos.

Suzana então levantou e se jogou no sofá. Ergueu os braços sobre a cabeça tapando os olhos. Não queria ver nem o teto nem nada.

Há duas semanas ela havia tomado a decisão mais imbecil de sua vida, que foi resgatar seu casamento. E culpava a família inteira, tanto dela quanto dele, de tê-la convencido de que seria melhor para todos que não houvesse a separação.

"Melhor pra quem?", ela questionava. "Só se for pra eles mesmos. Por que não ficam cuidando da vida deles em vez de se intrometerem na minha? Que ódio!"

Uma lágrima escorreu ao mesmo tempo em que Bia abriu a porta.

— Bom dia, dona Suzana, tudo bem com a senhora?

— Bom dia, sim, tudo bem, e com você?

— A senhora sabe que eu tenho uma vizinha fofoqueira, né, a Dirce. A senhora acredita que ontem à noite ela teve a capacidade de bater na minha porta pra reclamar que eu estava atrapalhando ela assistir novela por causa do som que eu estava ouvindo? Pode isso, dona Suzana?

Suzana destapou o rosto que estava coberto com seus braços, olhou Bia e sentiu inveja dela, de sua ousadia em ouvir o som na altura que ela quisesse.

— E você abaixou o som? — perguntou, curiosa.

— Eu não, estava na minha casa... Ela que aumentasse o volume da novela, né? Eu nem d...

Suzana olhou pra Bia e não prestou atenção no final de sua história. Apenas existia em corpo diante de Bia que era livre pra fazer o que bem entendesse.

Ela esboçou um sorriso, levantou-se e foi para seu quarto. Jogou-se na cama de bruços e ali permaneceu com seus pensamentos.

Suzana culpava-se o tempo todo por não ter voz altiva, firme, para ser capaz de defender suas vontades, de ser mais rígida com sua vida e de fazer o que tivesse vontade. O mundo era cruel e injusto com ela.

Suzana e Miguel casaram-se por conveniência familiar. Os pais de ambos haviam determinado o casamento desde que eram pequenos, somente para unirem patrimônio. Eram parentes e não admitiam deixar herança a quem não tivesse o mesmo sangue dos dois. 

Miguel aceitou sem questionar, Suzana, não se manifestou, apenas seguiu as regras impostas.

Era um bom casamento o deles. Ele era bem-humorado, demonstrava felicidade, respeitava a mulher e fazia de tudo para que ela tivesse uma boa vida.

Suzana apenas seguia as ordens. Tiveram um filho, que depois de ter completado quinze anos, mudou-se para o Canadá para estudar.

Exatamente há dois meses, durante uma crise de choro, Suzana declarou que não queria mais ficar casada. Não havia motivos, apenas não queria mais viver com Miguel.

Miguel, assustado, mas entendendo sua mulher, fez a vontade dela. Pegou suas roupas e mudou-se para um apart-hotel.

Quando a família de ambos ficou sabendo, Jesus, teria sido melhor ter acontecido um terremoto do que ter que ouvir o que Suzana ouviu. As palavras dos sogros e de seus pais, além de tios e tias e até de uma secretária que trabalhava há anos na família por parte da família de dela, estava presente nos palpites. As palavras ainda doíam em suas lembranças.

"Que vida idiota, meu Deus, pra quê isso? Por que esse casamento tem que ser do jeito deles? E eu, ninguém pensa em mim não?"

Suzana era infeliz, amargurada e estava a ponto de estourar de novo.

Ela respirou fundo, levantou-se, colocou uma roupa nova, sapatos sociais, maquiou-se, ajeitou os cabelos, passou perfume, desenhou os lábios com batom rosa-claro, pegou as chaves do carro e foi dar uma volta.

Pensou em ir até a casa de seus pais, mas imediatamente mudou de ideia. "Oras, eles que me colocaram nessa e eu ainda vou lá?". Pensava.

Andou de carro pela cidade toda, parou em uma sorveteria, pediu um milk-shake, e ficou horas mexendo com o canudo dentro do copo, olhando para o nada.

Por fim voltou para casa, tirou toda aquela roupa, colocou um camisolão xadrez, deitou na cama e ali ficou, até à tarde. Só ficou prestando atenção nas horas pra poder se arrumar antes de Miguel chegar. 

Seria mais um dia comum, e a noite seria comum também. Talvez faria sexo, se Miguel a procurasse, fingiria prazer pra tudo acabar bem depressa, tomaria banho, deitaria e fingiria dormir rapidamente, pra evitar mais algum contato com Miguel.

"Até quando, meu Deus?"

Perguntava pro nada.


Clara Lúcia

Um texto de ficção, não tem relação comigo. Coloquei a foto pra vocês me conhecerem.

terça-feira, 13 de abril de 2021

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