Mostrando postagens com marcador maldade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador maldade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de março de 2019

O Dia Em Que Eu Gostei De Lady Gaga


Shallon é uma música linda, letra e melodia, e é de Lady Gaga e Mark Ronson.
Faz um bom tempo que presto atenção em Lady Gaga, mas nem sempre foi assim.
O ápice de minha eventual "revolta" com ela foi quando apareceu vestida de carne.


Achei simplesmente ridículo, gente que só quer aparecer. Essa era minha opinião. Somente minha.
Nem prestava atenção em suas músicas, nem nada, o que valia era como ela aparecia na mídia. E eu não gostava e criticava. Pra quê? Porque eu era assim, talvez preconceituosa por nada, crítica sem noção, infeliz e completamente fora do quesito "o outro faz e é do jeito que quer e é".
Faz muitos anos que eu tive essa postura, realmente eu era infeliz, amargurada, depressiva, rancorosa, e Lady Gaga não tinha nada a ver com isso.
Como tudo no mundo muda, eu mudei também e comecei a ver o mundo de uma forma maravilhosa!
Meu Deus, como a Terra é linda e o ser humano fantástico!
Como eu pude ser tão medíocre com quem nem sabe de minha existência? O que importava minha opinião?
Bem, passou...
Não assisti ao filme Nasce Uma Estrela, mas a música é linda e ela interpretou-a lindamente no palco do Oscar, juntamente com Bradley Cooper.
Esses dias vi um vídeo em que ela interpreta Elton John. Amei!
E também tive a oportunidade em ler sobre sua biografia. É uma vencedora e merece todo o brilho que possui.
Ela e todos que vivem seus dons, suas vidas, e estão no mesmo barco nesse planeta maravilhoso.
O tempo que temos por aqui é curto e cada um faz sua parte, o que bem entende.
Não existe certo ou errado, existe a maneira como enxergamos algo. O que é bom pra mim não precisa ser pra você.
O que determina nosso mundo é o conjunto de vivências que temos e como lidamos com os acontecimentos, sentimentos e escolhas que fazemos.
A gente enxerga o mundo de acordo com o que está em nosso coração.
E assim o mundo continua com seus humanos a bordo, fazendo o que têm vontade, independente de mim ou de você.

É isso.

Clara Lúcia


domingo, 2 de dezembro de 2018

Tudo Começa e Termina em Você


"Você se torna responsável por aquilo que cativa", O Pequeno Príncipe. Quem já leu o livro conhece muito bem esse garoto fofo que espalha pureza e amor. Porém essa frase eu nunca concordei.
Há tempos eu me sentia com a consciência pesada por ter feito algo, que pra mim não foi nada demais, apenas uma consequência de algo que tinha acabado, mas pela reação da pessoa envolvida, me sentia culpada. Isso durou anos e anos.
Quem tem a consciência pesada sabe, ou imagina, que prejudicou alguém de alguma forma.
Depois de vários anos reencontrei a pessoa. Queria saber como estava, se havia "sobrevivido" bem ao acorrido e soube que estava tudo bem sim.
Mas a consciência pesada permaneceu até que eu, depois de muitos estudos, análises e conclusões, soube que não é bem por aí esse negócio de responsável pelos sentimentos do outro.
Me colocando no lugar do outro, se alguém fizesse o mesmo que eu fiz, e, claro que já fizeram, simplesmente seguiria minha vida normal. A chateação dura pouco tempo, mas é questão de cultivar o sentimento negativo ou não, de aceitar uma suposta derrota ou não. E nem é derrota, é coisa que acontece sempre, querendo ou não.
Se eu tivesse voltado atrás e seguido à risca a responsabilidade pelo sentimento do outro, certamente a situação teria piorado bastante. Seriam duas pessoas infelizes que seguiriam apenas o ego de crenças impostas, passando por cima do real significado da vida, que é o amor, o respeito a si e ao próximo.
A responsabilidade é individual, o sentimento também, portanto cada um que cuide de seu sentimento e sua responsabilidade por si mesmo. A não ser que sejam filhos, pais ou alguém dependente de nós. Mesmo assim há ressalvas quanto a isso.
Como podemos ser responsáveis por algo que o outro sente? Se é o outro que sente, partiu dele sentir e partirá dele permanecer sentindo ou não.
Tudo começa e termina em nós mesmos.
Desde sempre somos instruídos (educados) a seguir normas e aconselhados a obedecer sob pena de castigo dos céus, de Deus.
Como Deus pode castigar se Ele é puro amor?
Tudo depende de nossas escolhas, nosso livre-arbítrio. E acredite ou não, tudo retorna a nós, inclusive essa responsabilidade aparente em provocar no outro qualquer tipo de sentimento.
Se o outro se sente ofendido ou magoado, significa que a expectativa dele por mim foi errada. Aliás a pior atitude é esperar algo de alguém. Cada um tem uma vida, um ritmo, uma verdade e pronto.
Do mesmo jeito que eu errei em me sentir de consciência pesada. Eu cultivei esse sentimento pensando ter prejudicado uma pessoa e não foi bem assim.
Mesmo sabendo disso, precisei saber quais eram as atitudes da pessoa no dia a dia, como ela encara a vida e as pessoas e fui percebi que o vitimismo sempre esteve presente na vida dela. Sempre os outros são culpados, os outros fizeram, os outros saíram e os outros prejudicaram.
E com certeza todo aquele meu passado me veio à memória, anos com depressão e pânico, sempre culpando os outros pela minha infeliz vida.
Bastou me responsabilizar por todas minhas escolhas, todas minhas atitudes e mudar totalmente meu foco e meus pensamentos pra tudo encaminhar da melhor maneira possível.
Depois de anos com os fantasmas desse fato rondando minha mente, dei o caso por encerrado e me libertei da suposta culpa.
Hoje sei que essa suposta culpa me retornou através de outras pessoas, como se houvesse um aviso num canto da minha mente pra não repetir aquela atitude ou então seria mais uma vez culpada.  Eu atraí tudo isso. E como obedeci minha mente e minha culpa, sofri desnecessariamente.
Mais uma certeza do poder da mente, dos pensamentos, das atitudes, de nossas escolhas e as consequências delas.
Nós escolhemos, nós aceitamos ou não, nós decidimos, nós sentimos, nós agregamos ou soltamos, nós, e ninguém é responsável por isso a não ser nós mesmos.
Cada um tem uma vida, e toda escolha tem retorno certo. A vida cansa de nos mostrar isso e mesmo assim achamos que conosco é diferente... Vai ver a gente veio de outro planeta e o que acontece com a gente não acontece com mais ninguém.
O ego brigando com a realidade...

Clara Lúcia

sábado, 22 de julho de 2017

Depressão Não Tem Cura

Foto pertence ao blog Simples e Clara


Uma fase, acho que a mais difícil da minha vida, quando me separei, me vi sozinha com duas crianças pequenas. Hoje sei que não estava sozinha, mas na época era o que sentia, solidão. Perdi o chão. A responsabilidade de ter filhos pequenos, sem trabalho fixo, extremamente magoada, decepcionada... "E agora, o que eu faço?" — pensava.

Um dia acordei e chorei. Muito! O dia todo. E no outro dia também. Disfarçava quando meus meninos estavam perto, depois me recolhia em algum canto e continuava a chorar. Não me lembro o que se passava em minha cabeça, acho que tudo, desde o começo, não só do casamento, mas o começo da vida. E dúvidas, dúvidas, dúvidas.

No outro dia continuei chorando... Minha mãe me telefonou e eu não consegui disfarçar e nem responder nada do que ela perguntava. Só me lembro de ouvir dela "Arruma suas coisas que vou aí te buscar".

Obedeci. Tranquei a casa e fui. Continuei chorando. Voltei pro meu quarto de solteira, agora com meus filhos. Que tristeza... Não pelo fim do casamento (todo fim é sofrido), mas por tudo, por onde eu tinha errado, porque estava acontecendo tudo aquilo, enfim, mais perguntas sem respostas.

Daí em diante me tranquei. Trabalhava como autônoma e com isso conseguia me manter, e, claro, com a ajuda do ex e de meus pais também. Não saía de casa mais pra nada, a não ser levar os filhos à escola! Era casa, filhos, casa, filhos. Só isso. Engordei muito. 

Passado mais um tempo não me importava com mais nada, além de meus filhos. Digo que fiquei uma pessoa idosa e sem alegria nenhuma.

Quando me deitava pra dormir, conversava com Deus. Perguntava a Ele até quando eu viveria? Queria uma resposta, saber quando seria meu último dia. Comecei a ter insônia. Passava noites em claro, me alimentava mal, mas meus filhos ficaram inume a tudo isso. Graças a Deus! Quando acordava na manhã seguinte, ao abrir os olhos, questionava Deus por eu ainda estar viva. Queria nunca mais acordar, queria sumir dali, desaparecer e contava com a ajuda d'Ele. Ficava até brava em ter acordado. Nas noites de insônia eu planejava minha morte. Como seria eu morrer? Como eu morreria sem causar sofrimentos às pessoas? Mais uma vez pedia ajuda a Deus, pois não tinha coragem de acabar comigo. 

Ele nunca atendeu meus pedidos...

Depois de um bom tempo, talvez anos, comecei a ter taquicardia. Do nada meu coração acelerava. Ficava com medo de entrar nos lugares e morrer sufocada. Filas, bancos, supermercados? Tinha pavor! Sentia calafrios e taquicardia. Sensação de morte...

Numa de minhas idas ao minimercado, perto de casa (já havia voltado pra minha casa), na fila do caixa, comecei a sentir tonturas. Deixei tudo lá e disse pra moça do caixa que não estava me sentindo bem. Ela, gentilmente me ajudou a atravessar a rua. Eram duas quadras de minha casa... Custei a chegar... Liguei pro meu pai e pedi que me levasse ao Pronto-Socorro. 

Cheguei lá o médico fez os exames de praxe e pediu pra que eu me levantasse. Eu respondi que não aguentaria, que iria desmaiar, ou então morreria ali mesmo. Ele insistiu e eu obedeci. Fiquei encostava na mesa, com tonturas. Ele pediu pra eu me sentar e disse que eu não tinha nada. Eu fiquei nervosa e perguntei a ele se ele não via que eu estava morrendo. Ele disse pra eu me acalmar, receitou um floral e disse pra quando eu chegasse em casa, deitasse e não pensasse me nada, apenas respirasse e só isso. Diagnóstico: Síndrome do Pânico, e provavelmente também estava com Depressão.

Acho que depois de ouvir isso de um estranho me dei conta do que eu estava fazendo com minha vida. Hoje eu sei que provoquei, que talvez tenha sido fraca, que não soube lidar com a situação, que, de certa maneira, me tornei vítima da vida e de todos.

Muitas coisas aconteceram durante esse relato, mas o que eu queria colocar era isso: Depressão, mais a Síndrome do Pânico, matam! Perdemos a noção da vida, das coisas, dos valores, das pessoas... Perdemos tudo! A dor é tão intensa e inexplicável, que queremos acabar com ela a qualquer custo. Qualquer lugar seria melhor do que a vida vivida. É a dor da alma... É uma tristeza constante, um desânimo, que pode muito bem ser disfarçado. Mas lá no íntimo é morte em vida, é o desassossego de respirar, de enxergar, de comer, de beber, de fazer coisas, de ter coisas, de ser coisas... É o "tanto faz" estar aqui ou lá, respirar ou não, viver ou morrer... Tanto faz.

Ainda demorou alguns anos pra eu me sentir "curada", mas sei que Depressão não tem cura. Apenas não permitimos mais que tudo isso se aproxime. 

Cada pessoa lida de um jeito. Eu, por exemplo, desviei o foco, mudei de direção, deixei pra trás o passado, voltei a enxergar cores, voltei a me enxergar no espelho... Vocês sabiam que quem tem depressão não se enxerga no espelho? Não se identifica com a imagem refletida?

Deus não ouviu minhas preces... Obrigada, Deus! Obrigada por ter me confiado filhos maravilhosos! Eles me seguraram por aqui... 

Tem um texto meu, de 2014, que é um dos mais lidos: O Dia Em Que Eu Venci A Depressão. 

Portanto, não subestime quem tem sintomas de Depressão. Não é frescura, nem falta do que fazer, nem falta de umas chineladas e muito menos falta de um pinto. Quem tem Depressão precisa de ajuda sim! Tenha paciência e nunca, em nenhuma hipótese, julgue o outro. Ninguém sabe o que se passa e as consequências em ouvir o que não se deve, o desnecessário. Se não tem palavras de conforto pra transmitir, fique calado. 

Clara Lúcia

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Barulhinho


      - Me diga, Dra Camila, não existe um aparelho sem esse barulhinho medonho não?

      - Existe, só que é três vezes mais caro, e ainda não tenho previsão pra comprá-lo.

      Tá bom então. Mais uma vez me deito na poltrona, mais parecida como uma cadeira erótica daqueles vídeos... Bem, isso não importa. Respiro fundo e cruzo os braços. Dra Camila se prepara, como se fosse a um desfile da paz, toda de branco, com luvas, máscara e óculos. Num piscar de olhos já está sobre mim com aquele espelhinho que não sei qual o mistério que há nele que não embaça de jeito nenhum. Se embaça, creio eu que ela enxerga muito bem. Logo depois vem os palitinhos a cutucar meu dente. Dessa vez foi o lá de trás. Ainda se sentindo desconfortável ao me manipular, aperta um botão, depois outro e outro e estou praticamente de cabeça pra baixo na cadeira. Sinto meu estômago empurrar meus pulmões, mas vamos em frente.

      Mais um suspiro e Dra Camila se distrai com a secretária que lhe conta algo que não entendo. Piadas internas de consultório. Elas riem e imediatamente a doutora se concentra em minha boca aberta.

      A secretária Valéria, também com a máscara, liga o sugador e coloca no canto de minha boca. Sinto que minha bochecha, pelo lado de dentro, é sugada até fazer um côncavo do lado de fora. Imediatamente ela ajeita e o aparelho volta a chiar normalmente. Fecho os olhos e clamo por Jesus, pra que não me abandone nessa hora de angústia. Sei que Ele está por perto segurando minhas mãos, que nesse momento estão grudadas nos meus antebraços, como se eu estivesse pendurada num penhasco e eu mesma me segurando pelo braço pra não despencar. Aperto tanto as mãos que parecem estar hermeticamente presas aos meus braços.

      Dra Camila liga o tal aparelho barulhento e começa a tortura. Ah, mas antes ela enfiou uma agulha com anestesia na raiz do dente danificado. Vontade de morder a bochecha e não sentir nada, mas como a boca está aberta, isso nunca é possível fazer. Ela me pergunta se está tudo bem, eu afirmo que sim, mas é só um gesto involuntário da cabeça, por dentro estou numa angústia sem fim. Então, com o aparelho ligado começa a cutucar meu dente. Gente, pra quê ter dente se com o tempo temos que passar por tortura? Por que o dente não é como uma unha, que estraga, cai e nasce outro, infinitamente, até a morte? Mas, quem sou eu pra questionar a obra de arte do Altíssimo, né? Continuando com aquele barulhinho, fecho os olhos de novo e tento não pensar onde estou. Penso em quem numa hora dessa? Vou pensar em comida, que é um grande prazer que eu tenho. Não dá! Penso... Melhor continuar respirando e contar os minutos pra tudo acabar bem.

      Nossa Senhora, onde está a Senhora que não vem cuidar dessa sua filha que só tem tamanho? É claro que ela está por perto, caso aconteça a passagem já estará ali me esperando de braços abertos. Não, melhor pensar em trabalho, em planos, em contas...

      Fico de olhos fechados na esperança de tirar um cochilo e acordar quando tudo estiver acabado, mas que nada! O aparelho britadeira continua a percorrer o assoalho do meu dente, cavucando até chegar na China do meu queixo. Bendita anestesia que me dá tranquilidade de não sentir dor nenhuma, mas o que incomoda é o barulho, esse sim, não é de Deus. Nem dá pra dar uma olhada nas horas pra saber se já passou muito tempo ou se ainda falta muito tempo pra acabar...

      Num minuto relaxo e a imagem daquele homem lindo, amigo querido, tudo de bom aparece na minha mente... Ele me olha e sorri, consigo relaxar as bochechas parece que as duas mãos de Dra Camila estão dentro de minha boca. Volto pro rapaz que continua sorrindo pra mim, olhos brilhando... Aquele sorriso lindo... E me animo a continuar o tratamento sem reclamar pra poder beijar aquela boca carnuda e deliciosa... opa, isso é história pra um outro texto.

      Percebo que Dra Camila começa a encher minha bochecha de algodão. Sinal que o aparelhinho terminou seu serviço. Um jato de ar, uma cutucada aqui, outra li, uma mini pá pra misturar o reboco e pronto, tudo colocado dentro do buraco do dente. Respiro quase aliviada. Depois ela coloca um aparelho roxo em cima de mim, liga uma luz intensa, soa três sinais e pronto. Retira os algodões, enche minha boca de água e o sugador é percorrido por todo o lado. Não fica nenhuma gota. Vez ou outra é encostado na garganta. Fico com medo da secretária querer enfiá-lo guela abaixo, só pra ter certeza que não ficou nenhuma gotinha de água por lá. Pior, e se me der ânsia nessa hora? Enfim, nada aconteceu.

      O sugador é desligado. Sinal que a tortura acabou. Abro os olhos e Dra Camila diz que está prontinho, que acabou, que talvez o dente doa no outro dia, mas que tudo ficou perfeito. Que bom! Imagina ter que cutucar ele de novo, noutro dia? Imagina ter que arrancá-lo e ficar com aquele espaço vazio? Nem poderia sorrir mais! Tento desgrudar minhas mãos dos antebraços e imagino que tenha até feito aquele barulho de destampar algo com sucção. A cadeira volta ao seu lugar normal, a luminária é apagada e tenho certeza que irei embora.

      Primeira coisa, morder a bochecha do lado onde foi anestesiado. Será que só eu faço isso? É claro que ela vai doer quando acabar a anestesia... Mas é a bochecha e não o dente.

      Como é que um aparelhinho tão pequenininho, tão indefeso pode mexer tanto com a gente? O problema não é o aparelho e sim o barulhinho medonho que ele faz. Às vezes tenho a impressão que a anestesia vai acabar assim, do nada, e ele, com vida própria, vai enfiar fundo no nervo do dente me levando ao desmaio ou coisa pior. Bem, pra isso Nossa Senhora fica ali de guarda. Imagine então que a Dra espirre e não dê tempo de desligar o aparelho e com isso ela perfure toda minha língua e estrague todos os dentes ao redor. Imagina?

      Pra quem acha que tudo isso é exagero, é sim, exagero. Pessoa ansiosa pensa exatamente assim, mesmo quando a gente tenta se controlar ao máximo. Eu nem sabia que era ansiosa até ler sobre o assunto. Esquisito, mas nossa mente não para nunca e uma coisa puxa a outra e no fim acontece só o primeiro ato, a primeira cena e acaba ali mesmo.

      Algum leitor é ansioso também?

      Me lembrando aqui que meu primeiro emprego foi como secretária de um dentista... tsc, tsc, tsc...


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Cristaleira



      Depois de passar o fim de semana na casa de uma irmã mais velha, em outra cidade, Nair voltou para sua casa, cansada, louca para deitar em sua cama e dormir um pouco. Depois dessa viagem, ela constatou que não tinha mais idade para tanta aventura, mesmo a cidade ficando a 3 horas de distância. Não tinha mais paciência em ficar sentada dentro de ônibus por tantas horas, com gente conversando o tempo todo, crianças gritando, chorando, comendo, enfim, Nair sabia que estava velha.

      Era a primeira vez que ela viajava sozinha depois de ficar viúva. Passados exatos dois anos, sua única filha a incentivou a respirar novos ares, a conversar com a irmã que não via há anos, a passear e distrair a cabeça com outra rotina que não fosse a sua. Por tanta insistência ela aceitou, mesmo a contragosto, só para agradar a filha. Nair era assim mesmo, não sabia falar não, mas não significava estar satisfeita com a situação. Não gostava de confusão, nem de discussão e nem de desagradar as pessoas. Era uma senhora tranquila que sofria por não se impor, acabando por fazer o que não queria. Nair sofria e chorava, escondida em seu canto, sua casa, seu quarto, sua cama e seu travesseiro que agora fazia as vezes de seu amado Odair. Que falta ele fazia em sua vida!

      Ainda não havia superado a perda dele, mesmo tendo o apoio de pessoas queridas que sempre estavam por perto para distraí-la, confortá-la e ajudar no que fosse preciso. Era a recompensa por ter sido uma mulher cuidadora. Às vezes se sentia constrangida, pois nunca soube o que seria ser cuidada. Tipo de mulher que nasceu para cuidar, e o fazia muito bem.

      Chegando em casa, Nair levou um susto! Sua louça e sua prataria não estavam no lugar de sempre, em sua cristaleira antiga e reformada. Ficou estática olhando e esperando alguma explicação da filha Roberta.

      — Mãe, amanhã chega a prataria novinha e a louça moderna para enfeitar essa cristaleira. Tudo estava tão velho que eu resolvi doar para umas pessoas carentes. A senhora vai ver como vai ficar lindo! — disse, com entusiasmo, para a mãe.

      Nair só deu um sorriso acanhado, entortando a boca para um lado, abaixou a cabeça e foi para seu quarto. Desabou na cama e chorou... — "Mas que petulância da Roberta que nem sabe nada da vida e vem pegar minhas coisas e dar pra quem eu nem conheço! Não basta ela ter suas coisas e agora vem intrometer nas minhas?" — Pensava, soluçando baixinho para que Roberta não a ouvisse.

      Se levantou, foi até o maleiro do guarda-roupas e tirou uma caixa onde guardava fotos antigas. Despejou em cima da cama e achou uma de seu casamento, época que tinha o costume de colocar os presentes sobre a cama. Lá estavam sua prataria e suas louças. Chorou e apertou a foto em seu peito, fechando os olhos e se lembrando daquele momento único.

      Nair lembrou de cada detalhe, de cada peça ganhada, todas inteiras e brilhantes. A prataria ganhou de uma das madrinhas que era mais bem de vida. Nunca foi usada, por dó e por medo de estragar. Não era uma prata de boa qualidade, mas brilhava como um espelho. A louça antiga, conjunto para seis pessoas, continha pratos rasos, pratos fundos, xícaras de chá e xícaras de café, além de uma sopeira que parecia ser trabalhada à mão de tão perfeita. Era branca com desenhos delicados de rosas cor-de-rosa e um filete dourado nas bordas. Pelo tempo e pelo uso haviam alguns trincados e uns lascados nas bordas. Nair ganhou da avó e eram o seu xodó, que agora habitavam outros lares. Seriam lares ou seriam apenas casas com pessoas desorganizadas e mal-cuidadosas? Talvez já estivessem até quebradas pelo mau uso. Nair chorou de soluçar só em imaginar a cena de um prato espatifado no chão.

      Nunca perdoaria a filha por essa atitude. Mas depois de pensar muito resolveu não tocar no assunto e continuaria vivendo até seus últimos dias com esse nó na garganta. — "Que os dias sejam breves e curtos" — pensava Nair. Por pirraça, ela resolveu doar também a cristaleira para uma parente distante, que sabia ser caprichosa em sua casa e que deixava tudo bem arrumado e conservado.

      Resolvido o problema, Nair foi decaindo aos poucos, dia a dia, e sempre quando estava sozinha em seu quarto suas orações eram direcionadas ao amado Odair, para que viesse lhe tirar dessa vida e levá-la para junto dele. Não queria mais viver, não queria mais passar pela sala e ver aquele vazio onde ficava a cristaleira com sua prataria e suas louças. Como doía lembrar que Roberta lhe arrancou um sentimento! Que ousadia da filha mexer em seus objetos e decidir o que fazer! Por que não esperou que morresse? Poderia até jogar tudo fora de uma vez, mas esperasse pelo menos ser enterrada. Nair tinha pensamentos depressivos e a cada dia que passava andava com a cabeça mais baixa, passos lentos, sem se cuidar e sem se alimentar como deveria. Perdeu o encanto da vida...

      Nair, com sua paciência e bondade, nunca mais saiu de casa a passeio. Queria esperar a morte perto do pouco que lhe restava, que agora estava trancado em seu guarda-roupas, escondido. Poucas lembranças que ornavam alguns objetos carregados de valor sentimental. Valor da vida, de décadas vividas, de choros, risos, sofrimentos, alegrias, de dores, de cores, de cinza e de branco, como aquele vestido todo rendado, acinturado, com um véu de tule que lhe cobria toda a parte de trás e se arrastava pelo chão, recolhendo todo farelo e grãos de sujeira que estavam no caminho ao altar, onde viveu o momento mais feliz de sua vida. O dia decisivo para uma união duradoura, de amor, de respeito, de companheirismo, e que agora o "até que a morte os separe" se fez valer.

     

      Texto publicado em 29 de julho de 2014 - Editado

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Um Triste Fim


Dia desses, caminhando pelo centro de minha cidade, vi um aviso numa loja, acho que centenária: "Liquidação para fechamento da loja". Levei um choque!

Outros tantos estabelecimentos fecharam, tanto no centro, como nos bairros. Fábricas de pequeno e médio porte, indústrias de exportação, supermercados, enfim, é a crise atacando o interior do estado de São Paulo.

E olha que Franca foi considerada, segundo alguma pesquisa por aí, a cidade que mais abriu vagas de emprego. Triste.

Praticamente quem está tentando sobreviver nessa crise busca o cliente em casa, com call center, promoções, brindes e tudo que poderiam despertar um interesse em gastar o dinheiro em seus estabelecimentos.

Por outro lado a briga entre "torcidas" do Brasil direito e esquerdo continua. Parece que não prestam atenção que estamos no mesmo barco, que se continuar assim vai afundar e os governantes, todos, estão preocupados com delações, acusações, processos, julgamentos etc.

A mais nova, mas creio que é tão antiga quanto Adão, a corrupção na merenda escolar. Gente, será que conseguem realmente colocar a cabeça no travesseiro e dormir?

A gente chega num ponto que não dá pra defender nada além do pulso firme de colocar na cadeia e exonerar pra sempre o cargo público que ocupam.

Todos os jornais no mundo noticiando a vergonha da corrupção no Brasil!

Nunca se roubou tanto e nunca houve tantos caras-de-pau reunidos e se safando de acusações.

Não entendo muito bem como funciona, mas acho que vai demorar muito e talvez nem se ajeite como todos esperam. O que não dá é pra continuar como está, o estado sem governo, o Estado sem governante.

Lamento muito todos os milhares de desempregados que necessitam sustentar família e tudo o mais. Pensando assim, abre-se um buraco imenso, pois se o cidadão tem carteira assinada e foi demitido, receberá, ainda bem, o seguro desemprego por um tempo.

Enquanto isso os hospitais estão sem condições pra nada, escolas deixadas de lado, órgãos públicos sem um bom atendimento e os desvios de verbas mais descarados como nunca.

Triste.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Meu Mal-Querer


      Sentada num canto do quarto e ainda sem entender o que acontecera, Alexia se culpava o tempo todo. Tantos planos, tantas declarações de amor eterno, surpresas inesperadas, visitas em horários aleatórios, bilhetinhos, paixão avassaladora... Tudo lançado ao vento, ao tempo... Para que leve de uma vez e deixe-a somente com sua dor. Um luto desnecessário, porém não havia outra explicação. Ele tinha outra.

      Há algum tempo já havia percebido sua sutil indiferença. Reclamava de tudo, culpando-a por sua falta de interesse, sendo agressivo e mal-educado nos horários mais inoportunos. Alexia aguentava calada para não piorar mais a situação. Talvez seria somente uma má fase, algum problema profissional ou de família que ele não queria comentar.
   
      Foi se fechando em seu mundo, desenterrando diálogo por diálogo tentando descobrir em qual palavra, qual atitude não agradou seu amor. Reconhecia que era uma mulher de fases, com dias completamente insuportáveis de se conviver, mas ele sabia e se afastava, ou então ficava quieto esperando tudo passar. Era paciente.

      Um dia ele chegou e simplesmente falou tudo o que não precisava, acusou Alexia de atitudes que antes eram toleráveis, humilhando-a com palavras rudes e gritos, pegou o pouco que tinha em sua casa e se foi. Acabou mesmo.

      Decepcionada por não ter sido capaz de ter dado o que tanto seu amor lhe pedia, Alexia se sentiu incapaz e feia. Nunca mais se olhou no espelho, nem penteou os cabelos, nem usou perfume e nem batom coloriu sua boca carnuda. Tinha a certeza de que nunca mais ninguém a olharia como mulher, como fêmea. As palavras do amor de sua vida lhe martelavam a mente, fazendo com que acreditasse que ele realmente tivesse razão. Se sentiu horrível e desprezível. Como não percebera o quão ridícula era? Será que simplesmente a toleravam o tempo todo? O amor de sua vida abriu-lhe os olhos e destruiu até o último grão de autoestima e respeito. A partir de então saberia qual seria seu lugar e de lá não sairia até que alguém a convencesse de que nem era tão insuportável assim. Nem as lágrimas lhe obedeciam como antes. Estava seca por dentro. Exalava repúdio pelos poros que nenhum perfume por mais concentrado que fosse lhe arrancaria desse estado de consciência real, mesmo que tardia. Estava acabada sua vida amorosa.

      Tirou licença do trabalho e ficou em casa, sozinha no silêncio e inconformada por não ter percebido a realidade. Sim, ele tinha razão em tudo o que havia falado.

      Um bom tempo havia passado e Alexia ainda cultivava um luto vivo e eterno de palavras mal-ditas e assimiladas instantaneamente de uma boca que deveria apenas lhe oferecer um hálito fresco e doces palavras de amor. Se ele não a amasse tanto não teria lhe aberto os olhos. Via-o vez ou outra com uma linda mulher, bem parecida com Alexia, um pouco mais gorda e de cabelos curtos, desalinhados. Não usava batom e nem salto alto. Ele tinha o ar de contentamento e demonstrava estar feliz com seu novo amor. Alexia olhava, reparava e não via nada de mais naquela pessoa comum. Achava apenas que ela o satisfazia em todas suas vontades e fantasias. Que bom para ele, pensava. E suas palavras voltavam quase que imediatamente queimando-lhe a vontade de continuar vivendo. Viveria sim enquanto tivesse seu tempo, e se assim teria que ser, assim seria.

      Enquanto andava de cabeça baixa e sem prestar atenção a sua volta uma rosa vermelha apareceu na sua frente. Alexia parou, ainda de cabeça baixa, e seguiu o percurso da rosa, da mão que a segurava e do braço até chegar ao belo sorriso. Parou no sorriso e percebeu um furinho no queixo do rapaz. Seguiu para os olhos e eles também lhe sorriram. Quando percebeu também estava sorrindo para o rapaz. Ficou imóvel até que o jovem comentou que seu braço estava doendo por fica naquela posição e se ela não pegasse a rosa teria uma cãimbra. Foi o suficiente para que ela soltasse uma pequena gargalhada e pegasse a rosa e levasse ao nariz. Fechou os olhos e inspirou seu perfume doce... O rapaz ainda parado a sua frente só observava o encanto da cena. Cruzou os braços e olhou-a de cima a baixo, deixando-a corada de vergonha. Se olhou também de cima a baixo para ver se tinha alguma sujeira na roupa ou um zíper aberto. Não, apesar da roupa simples estava tudo em ordem. Voltou os olhos para ele e ouviu: "linda".

      Se apresentaram e Gilberto disse que sempre a via passar por ali, de cabeça baixa, pensando na vida, então resolveu alegrar seu dia com uma rosa. Ela agradeceu. Enfim, por alguns minutos o luto se fez luz e Alexia reaprendera a sorrir. Trocaram telefone, mas Alexia jogou-o fora. As palavras daquele outro homem, do amor de sua vida, voltaram como um relâmpago lembrando-a de que não seria mais admirada e nem desejada. Talvez esse lhe tivesse dado atenção por pena ou caridade. Ou então seria a boa ação do dia dando-lhe a rosa para ver sua reação. Não arriscaria e nem suportaria ouvir as humilhações de novo. Melhor assim, deixar como está. A vida já era tão complicada e uma pessoa para lhe causar problemas e constrangimentos era o que menos queria. Não sofreria de novo, já estava decidido. Nos outros dias mudara de caminho, mesmo ainda tendo a doce lembrança do rapaz, Gilberto, com o furinho no queixo a lhe sorrir e lhe presentar tão gentilmente.

      Fim.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Pavor Que Cega


Esta semana eu estava trabalhando e o telefone tocou. Era uma ligação a cobrar.

Era minha filha, aos prantos, mal conseguindo falar palavra por palavra. Só consegui ouvir que ela tinha sido roubada.

Gelei! Comecei a chamar o nome dela: "Amanda, onde você está? Roubaram o quê, o celular?"

Ela soluçava e só dizia que tinha sido roubada.

Ao fundo ouvi uma voz de homem que mandou ela colocar a cabeça pra fora, pegou e telefone e começou a conversar comigo: "Alô, a senhora é o quê dela?", perguntou o rapaz. "É a Amanda que está chorando?", perguntei, já tremendo e mal conseguindo falar. "É, sim senhora, ela foi vítima de um assalto e reagiu. Então coloquei ela dentro do meu carro. Ela me deu esse número e disse que a senhora não ia deixar nada de ruim acontecer com ela. Meu problema, minha senhora, é financeiro..."

Num impulso desliguei o telefone. Em seguida ele tocou de novo. Não atendi. Não conseguia nem respirar, tremia muito e tive que me sentar. Me levantei em seguida e comecei a andar de um lado para o outro. Não conseguia raciocinar. Tinha que ligar para alguém, tinha que ligar para o celular de minha filha, mas não me lembrava do número. Peguei a agenda e não conseguia folheá-la. Não me lembrava de nada e a única coisa que pensava era na minha menina chorando dentro do carro de um desconhecido.

Com muito custo consegui abrir na página com o telefone dela. Liguei e ela não atendeu. Menos mal, se tivessem roubado o celular, já o teriam desligado. Liguei de novo: "Oi, mãe".

Sentei, respirei fundo, engoli o choro e perguntei se ela estava bem e onde estava. Estava na faculdade, estudando, como faz todos os dias.

Ainda fiquei um bom tempo tremendo e com medo da minha impulsividade de ter desligado o telefone. E se realmente ela estivesse dentro do carro do cidadão? E eu desligando o telefone será que fariam algum mal a ela?

Não que eu seja antenada, ligada em tudo, principalmente nos perigos e nos trotes que acontecem, mas depois de um tempo percebi que a voz não era de minha filha, que o choro não era como o choro dela, enfim, no pavor, a gente não pensa, não raciocina e qualquer pessoa pode cair em armadilhas desses pilantras que só querem vida fácil.

Imagina uma pessoa idosa com problemas cardíacos, que tem o raciocínio lento, atendendo um telefonema desse?

Passou, graças ao bom Deus. O pavor é imenso e coração de mãe deveria ter vários corações espalhados pelo corpo, caso algum falhe, tem outro para substituir.

Um horror!



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Incesto

Mais uma polêmica de Walcyr Carrasco, Amor à Vida, Rede Globo, 21 h. 

Herbert é ou não é o pai de Gina?

Segundo Ordália, ele não é o pai de Gina, pois ele a teria abandonado, na juventude, e ela, descontrolada, começou a sair com vários homens sem ao menos saber quem eram. E eu pergunto: será que ela já não estaria grávida, sem saber, após ele a abandonar?

Veremos os próximos capítulos.

Mas fica aqui a polêmica. Por que tantos não conseguem sequer imaginar uma cena de incesto, ou de amor homossexual, ou de obesidade ou qualquer outra cena que foge dos padrões normais?

Vão dizer que novela influencia. Será mesmo? Será que uma pessoa muda assim, do dia para a noite, só porque assiste novela?

Quantas e quantas pessoas que sabem ou pensam que sabem suas origens quando na verdade não sabem? E se relacionam com alguém que poderia ser seu irmão, ou irmã, ou pai, como é o caso de Gina, existe o crime mesmo não sabendo?

Se procurarmos histórias em todos os cantos do planeta, certamente saberíamos de casos semelhantes. Pai com filha, irmão com irmã (isso já foi notícia), enfim, parentes próximos que se apaixonam sem saber suas origens.

E falar sobre esse assunto assusta sim, é polêmico, incomoda mas é a realidade, querendo ou não.

Não é comum, claro, mas existe incesto sim. E por que não falar publicamente sobre o assunto?

Pessoas nascem com a certeza de quem é a mãe, mas nem sempre com a mesma certeza de quem é o pai.

Um caso para se pensar na falta de responsabilidade de alguns em gerar um ser e sabe-se lá o que virá ou quem encontrará pela frente durante a vida. A vida dá voltas, nos surpreende, nos decepciona e o inesperado sempre acontece.

E fica a culpa. Que culpa se os envolvidos são inocentes?

É muito grave isso, não é?

Não condenem o autor, é corajoso o suficiente para debater esses assuntos que a sociedade abomina mas que é vítima tanto quanto.

É conversando que se chega a um denominador comum, é conversando e discutindo que leis são aprovadas, é se sentindo horrorizada que percebemos que o mundo é enorme, redondo, e tudo pode voltar a se encontrar nas situações mais inesperadas.

Conto uma história real: uma mãe sempre perguntava à filha com quem ela estava namorando ou se relacionando. Investigava tudo, nome e sobrenome, nome do pai, enfim, um segredo guardado a sete chaves. Para a menina era apenas uma preocupação e um interesse de mãe, mas para a mãe era uma bomba relógio que poderia explodir a qualquer momento, pois sabia que o pai que a filha acreditava ser seu não era o biológico. E aí? Será que a filha sempre falava a verdade para a mãe sobre seus relacionamentos?

É um horror, não é?


sexta-feira, 29 de março de 2013

Um Morto Que Não Morreu

 Lucimar reencontra Morena - novela Salve Jorge

Nós ficamos a imaginar como seria reencontrar uma pessoa que até então estaria morta, mas não está. Se fosse na hora do velório com todos vendo tudo, todos sairiam correndo com medo, mas quando não temos notícias e não sabemos como foi, não vemos o corpo e nem o túmulo com o epitáfio, tudo fica só na imaginação. Mas fica uma dúvida se isso realmente aconteceu. Como São Tomé que teve que ver para crer.

Vou contar uma história que me aconteceu e que até hoje não consigo entender o porquê a pessoa foi capaz de fazer uma maldade tão grande.

Na época de faculdade, nós todos jovens e com os hormônios todos gritando dentro de nossos corpos, é claro que sentimos atração por outras pessoas. No meu caso um grande amigo, que tínhamos muita afinidade, se tornou um namorado. Durou muito pouco, acho que uns dois meses. Bem, terminamos o curso e cada um foi cuidar da vida. Mas durante esses poucos dois meses, foi tudo muito intenso (aliás as coisas na minha vida costumam ser intensas), e por bem, não nos falamos mais desde o término do namoro relâmpago.

Nunca mais tive notícias, eu me casei e fiquei sabendo, aliás, deduzi que ele também havia se casado. Mas sabe aquela situação de que nunca nos esquecemos? Não era um amor intenso, mas acho que a forma como tudo aconteceu e terminou que marcou muito.

Anos se passaram, vida que seguiu seu rumo e um dia resolvi que ia procurá-lo para saber como estava. Comentei com uma pessoa e esta pessoa que não vou mencionar nem aqui e nem em lugar nenhum pois já está abolida de minha vida, me incentivou a fazer isso sim. Fiquei feliz, mas não fiz o que queria logo depois de tomar essa decisão. Achei melhor deixar passar um tempo e ver a melhor forma de procurá-lo.

Um tempo depois, essa pessoa me disse que ele havia morrido num acidente de carro e que o filho pequeno também havia morrido. Ela disse que assistiu pelo noticiário local e reconheceu a foto e o nome dele. Como eu confiava cegamente nessa pessoa, não confirmei nada, não procurei saber de nada e não pesquisei para saber como foi. Apenas chorei muito e sofri por uns dois anos.

A impressão que eu tive foi de remorso, por não tê-lo procurado antes e por não ter esclarecido enquanto estávamos por perto, ainda na faculdade. Sofri muito, durante dias, meses, chorava pelos cantos, escondida de meus filhos e a depressão que eu tinha tomou mais conta ainda de meu corpo e de minha alma. Como a vida era injusta!

Me lembro que um tempo depois eu convidei essa pessoa para ir até a cidade do rapaz e visitar seu túmulo. Ela disse que não, que seria sofrimento demais, que era para eu rezar de onde eu estava, que seria melhor. Continuei acreditando e "obedeci".

Depois de um tempo, comecei a navegar na internet e pesquisei o nome dele. Achei um perfil em uma rede social. Gelei. Deixei para lá, mas a imagem dele não saía de minha cabeça.

Um dia resolvi deixar uma mensagem, para talvez, o dono da página responder. Talvez a página seria de algum parente, não sei...

No outro dia veio a resposta DELE!

Vocês conseguem imaginar o que eu senti? Não, ninguém imagina a sensação de saber que uma pessoa dada como morta, estar viva.

Depois conversamos algumas vezes, falamos sobre família, filhos, trabalho e fiquei aliviada por saber que não ficou nenhuma mágoa desde aquele tempo. Depois nos afastamos de novo, por conta de ciúmes de sua mulher. Mas se ele está bem, está ótimo.

Não consigo entender porque tanta maldade no coração de algumas pessoas que provocam o sofrimento nos outros. Por que essa pessoa que eu confiava tanto foi capaz de me dar tanto desgosto e de me decepcionar tanto? Não podemos entender e nem saber o que se passa na mente de algumas pessoas, mas aprendi a não confiar em ninguém nunca mais. Eu não desconfio de ninguém mas também não confio em ninguém.

Mentes humanas que Deus, na sua perfeição, não nos permite invadir, para o nosso próprio bem.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Amor psicopata


É uma pessoa encantadora...
Chega como quem não quer nada, fala bonito, sabe as palavras certas nas horas certas...
Aparentemente é sensível, entende como ninguém a mulher e faz com que ela se sinta única no mundo.
Muito carinhoso, coloca a mulher no pedestal e acredita que ela seja um anjo ou uma rainha, e que o mundo é cruel por não perceber isso.
Enche ela de elogios, de agrados, fazendo aflorar seus desejos mais secretos dando-lhe a certeza de que nunca houve outra mulher que chegasse aos seus pés.
Diz que vai cuidar dela como merece ser cuidada.
É tão envolvente que fica difícil para ele acreditar como ela conseguiu viver sem ouvir tudo aquilo e nunca ter pensado em realizar todos seus sonhos.
Ele começa a se desvalorizar e a dizer que ela não merece um homem como ele. Se faz de sonso e de derrotado.
É convincente a ponto de afirmar que terão uma vida juntos para sempre e que ninguém vai impedir, mesmo se ela for comprometida.
Ele largaria tudo por ela e a convence do mesmo. É canalha, sedutor e carismático.
Faz com que ela concorde com ele de que "certos" amigos não são bons para ela e insinua que é melhor se afastar deles, pelo menos por enquanto...
E ela obedece.
Ele sempre diz ser vítima da sociedade e ela acredita. É bondoso, e ela fica comovida.
Diz que para confiar não poderá haver segredos do passado entre eles. E ela obedece.
Ela confia nele seus amores passados, detalhadamente, e ele ouve atentamente o que ela diz.
Depois de um tempo, ele pede para que ela repita tudo sobre os relacionamentos passados, pois ficou comovido com o relato e quer dar a ela um apoio mais apropriado. Ela repete tudo, como na primeira vez. Ele debocha e coloca em dúvidas alguns detalhes que não foram ditos como no primeiro relato. Ela, mesmo sabendo que não se esqueceu de nada, fica na dúvida. Surge a primeira briga.
Ele diz a ela mais uma vez que pode confiar nele e que só quer cuidar dela.
Ela obedece, aliviada.
Uma terceira vez ele pergunta sobre antigos relacionamentos com todos os detalhes querendo comparações entre os antigos e ele. Fica irritado e, mais uma vez, coloca dúvidas nos detalhes que ela conta, insinuando que muitas coisas ficaram distorcidas e que ela não está falando coisa com coisa...
Mais uma briga.
Tarde demais, ela já está tão envolvida que sente nojo de seu passado e se arrepende de tudo que fez. Angustiada, pede perdão a ele.
Depois de concluir seu raciocínio, ele prefere que ela se afaste também da família, que, provavelmente, deve estar conspirando contra o relacionamento deles. É claro que ela obedece e agradece a ele por lhe abrir os olhos.
Ele começa a implicar com as roupas dela e com tudo que ela faça, e, claro, ela muda seu modo de vestir, de falar, de agir e muda sua vida. Continua a obedecer e nem percebe.
Depois de um bom tempo juntos, ela não tem mais graça para ele, pois perdeu toda aquela essência que ela tinha quando se conheceram... Ele começa a implicar todos os dias dizendo que ela não é bem aquilo que ele imaginava, mas continua proibindo ela de tudo. E ela continua obedecendo, pois acredita que ele é o homem de sua vida.
Aos poucos ela vai definhando, perde o brilho, a vaidade, não sai mais de casa, é humilhada todos os dias, às vezes apanha... Mas à noite, na cama, ele é carinhoso e muito competente na arte da sedução e faz ela se sentir uma rainha... Mas só à noite. Repete todos os dias que ela tem muita sorte em estar com ele, pois ela não presta e ninguém mais nesse mundo vai querê-la.
Quando ela perceber, acabou a vida dela, os amigos a abandonaram (não consegue raciocinar que foi ela quem se afastou de todos), não tem mais contato com a família dela, ou seja, vive a vida dele, enclausurada e sem chances de fugir, pois ele é o homem da vida dela, aquele que a trata tão bem à noite, na cama, no sexo, nas palavras carinhosas, que trata os filhos dela como se fossem dele... E só!
Por fim ele tem a opção de acabar com a vida dela, pois mesmo não tendo mais nenhum interesse, não admite que ela siga a vida sem ele. Melhor acabar logo com ela e partir para outra.
Ele age sem remorso, sem sofrimento nem nada. Apenas mais uma etapa encerrada na vida dele.

*****************************

COPIAR SEM AUTORIZAÇÃO É CRIME
CADASTRO ISBN 978-85-922781-1-3

*****************************

Meus queridos leitores, caso queiram comentar, rolem a setinha até o final de todos os comentários, no último quadradinho onde vão escrever, certo? Senão os comentários de vocês ficam perdidos no meio e quando vocês voltarem para ler a resposta, não vão encontrar. Tem mais de 300 comentários, fica bem no final do blog, do post, certo?
Beijos!



*****************************






Amor Psicopata - Livro Físico e Digital
Compre AQUI!