Um pouco de romance...
Gentilmente Edu levantou-se, postou-se à frente de Vivi estendendo-lhe a mão, convidando-a a dançar. A música romântica era impossível de ser ignorada. Realmente difícil não ser contagiado pela melodia.
Vivi fechou os olhos e ficou alguns segundos sentindo a música, estendeu o braço apoiando sua mão na dele, abriu os olhos, sorriu, levantou-se, apoiou suas mãos nos ombros dele. Vivi sentiu sendo abraçada pela cintura e lentamente começaram a dançar no ritmo lento da música.
Ele olhava-a com amor, buscando cada centímetro do rosto dela, como se estivesse decorando pra nunca mais esquecer... Os olhos inquietos dele pareciam ler os pensamentos dela e ao mesmo tempo esboçava um leve sorriso por estar diante da mulher mais linda que seus olhos já puderam ver em toda a vida. Podemos dizer que o amor transbordava em cada centímetro deles.
Vivi sentia suas bochechas queimarem ao ser olhada de tão perto e tão profundamente. Edu tinha o corpo atlético, barbudo, nariz pontiagudo e com uma doçura e gentileza que só quem estivesse bem perto dele perceberia.
Ela disfarçava olhando para os lábios dele, para o rosto, que era escondido pela barba, os cabelos, sobrancelhas e depois ousava encará-lo. Seus pensamentos se perdiam nos olhos dele...
Aos poucos ela foi se acostumando com a sensação de ser observada de tão perto, tão profundamente, ao ponto de esquecer-se que estava em um lugar público. Sentia seus pés tão leves como se estivessem tocando a areia fofa da praia, e o toque das mãos de Edu em suas costas lhe conduziam a uma viagem de entrega, com a respiração bem lenta, como se quisesse congelar aquele momento.
Aos poucos foram se aproximando cada vez mais, a ponto de quase se beijarem... Vivi fechou os olhos e praticamente ofereceu seus lábios. Edu, como um bom cavalheiro, apenas chegou mais perto, porém sem encostar seus lábios nos dela. Vivi abriu os olhos, sorriu e entendeu o gesto e apenas encostou sua cabeça no peito largo dele. A vida dela caberia todinha naquele peito forte...
A medida em que dançavam, mais ela se encaixava nele...
Edu, com cuidado, tocou os cabelos longos dela, bem no rumo de sua nuca, fazendo com que ela soltasse um suspiro profundo...
E assim permaneceram até o final da música, encantados. Continuaram abraçados enquanto os outros casais tomavam seus lugares nas mesas.
Já era tarde e Vivi concluiu que aquela seria a última música do baile.
Por fim se afastaram, conversaram algumas palavras, voltaram para a mesa e logo foram embora, juntos.
Às vezes nos esquecemos de sentir os momentos especiais, não importando o local, nem se estamos sendo observados. A vida nos proporciona momentos indescritíveis, maravilhosos, que podem durar apenas alguns minutos, praticamente o mesmo tempo de uma música, e nem percebemos.
Clara Lúcia






















