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domingo, 11 de janeiro de 2015

Bom Dia, Amor - Conto Sensual


      O relógio despertou e imediatamente foi interrompido por João. Se esquecera de desligá-lo na noite anterior. Sábado, com permissão para ficar na cama até mais tarde, curtir preguiça e admirar sua linda Stephany dormindo.

      Morena, cabelos anelados, corpo macio, nem magra, nem gorda, mas com curvas tentadoras e provocantes. Tímida e bem-humorada, tranquila e bem resolvida na vida. Não desperdiçava tempo com futilidades ou frescuras. Não tinha medo de se entregar à paixão ou a qualquer prazer que aparecesse a sua frente. Voz macia, sensual e um olhar tão penetrante que João tinha medo, às vezes, de pensar algo indecente e Stephany ler sua mente. Tinha a impressão que ela assim o fazia, quando ele, vez ou outra, desviava seus olhos e seus pensamentos a uma outra mulher. Um doce de pessoa, desde que não invadisse sua liberdade de ser quem era e nem querer interromper algo que começara, sem tempo para terminar. Uma bruxa maléfica nos tempos em que os hormônios se exaltavam, mas mesmo assim sua beleza transbordava qualquer ensaio impertinente de um mal-estar temporário, deixando-a insuportavelmente chata. Ficava pelos cantos olhando para baixo e balbuciando palavras indecifráveis aos objetos que, mesmo estando no mesmo lugar, atrapalhavam sua passagem pelo caminho. Salvo esses dias, a mulher mais extraordinária que João já conhecera. Tinha perfeita consciência de que o amor era cego. Só o amor, pois ele via tudo, detalhe por detalhe daquele corpo moreno.

      Pelas frestas da janela, os raios invadiam o quarto quebrando a escuridão e delineando o corpo que se escondia numa camisola minúscula de seda preta. Não gostava de dormir o tempo todo grudada a João. Se espalhava pela cama, de bruços, colocando o travesseiro entre as pernas roliças. Tudo feito depois de adormecer, sem perceber. Só quando o pescoço começasse a doer que ela pegava o travesseiro e colocava sob a cabeça. Puxava o cobertor e se enrolava nele como uma lagarta, deixando João ao relento. E continuava a dormir depois de um longo suspiro.

      Os cabelos se ajeitavam em cachos bagunçados, que invadiam o lado de João e lhe incomodavam, mas que delicadamente eram retirados para continuar ornando a moldura que se formava com o rosto de Stephany. Como era lindo vê-la dormir, pensava João, com um sorriso nos lábios. Os olhos, mesmo fechados, mexiam incontroláveis... Os lábios entreabriam, como se esperassem um beijo... A vontade era de atirar naqueles lábios bem desenhados, mas o êxtase de vê-los entreabertos era maior.

      João observava a mulher, em cada pedaço, suspirava e sorria, e de leve passava o dorso dos dedos em seu rosto, pensando em seu imenso amor e ternura. Não queria perder o espetáculo de vê-la abrir os olhos e piscar calmamente, olhar para o nada, e só depois abrir um sorriso ao vê-lo. Bom dia, amor, com voz rouca... Fechava os olhos se permitindo mais cinco minutos de sono e só depois se jogava em seus braços, aconchegando sua cabeça em seu peito, sua perna sobre as suas e a mão em sua orelha, apertando o lóbulo, de leve, depois beijava seu peito, seu pescoço e encostava os lábios em seu queixo, esperando um selinho. E assim permanecia, até que João apertava-a em seus braços e amava-a com carinho, com vontade de entrar em seu corpo e não sair nunca mais. Mais uma manhã perdida de amor...

      Amor que não se mede...

      Fim.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Atração Avassaladora - Conto Sensual


      Local de trabalho, uma sala, muitas mesas, muitos trabalhando e Miguel não conseguia se concentrar. A sua frente estava sentada, toda concentrada, quer dizer, tentando se concentrar, Rafaela. Faz um bom tempo que trabalham juntos, mas uma atração avassaladora os pegou de jeito e nem conseguiam mais disfarçar.

      Rafaela levantou-se e foi até a cozinha tomar um café. Miguel chegou logo em seguida e puxou-a num canto, assustando-a. Imobilizou-a e quase beijou sua boca desenhada com batom vermelho. Ela provocava com esse batom. Vaidosa ao extremo, tinha o corpo delineado com exercícios físicos, coxas roliças e essa boca carnuda, provocante, irresistível para Miguel. Os dois se olharam, ouviram alguém se aproximando e se largaram. Tomaram o café e voltaram para suas mesas.

      No decorrer do dia não pararam de se olhar, trocaram sorrisos, piscadinhas e Miguel, discretamente, colocou um bilhete em sua mesa. Ela leu e sorriu. Acenou que sim com a cabeça e continuou trabalhando.

      Marcaram de se encontrar bem tarde da noite. Rafaela, para não incomodar os pais que sempre dormiam cedo, não fez barulho no portão. Preferiu pular o muro. E na esquina já avistou o carro de Miguel piscando os faróis. O coração disparou, o estômago gelou, as pernas tremeram, mas ela conseguiu caminhar, apesar de seu salto alto, até o carro.

      Mal Rafaela entrou e Miguel já puxou-a para si e beijou-a, longamente, intensamente, desfrutando daqueles lábios provocantes, carnudos e vermelhos... O gosto daquela boca lhe invadiu e quase não acreditou que estava com Rafaela em seus braços. Um perfume sensual, amadeirado, um vestido de tecido sedoso que fazia com que escorregasse suas mãos descobrindo as formas escondidas e perfeitas de Rafaela. Sim, ela sabia provocar quando queria, e sempre queria. Isso deixava Miguel louco, excitado, incontrolável, como um animal quando encontra sua fêmea no cio, que caminha como uma loba ao seu redor, oferecendo seu odor e dificultando o abate.

      Rafaela sequer conseguia respirar de tanto que Miguel apertava-a. Conseguiu desgrudar sua boca da dele, jogou a cabeça para trás e respirou ofegante. Miguel abocanhou seu pescoço, mordiscou sua orelha e colocou seu queixo em sua boca, se deliciando de cada milímetro de seu rosto. As mãos nas costas subiam e desciam até alcançarem a calcinha minúscula, que sentia com o toque suave no vestido. Começou a gemer em seu ouvido apertando-a mais e mais. Rafaela, quase sufocada, sussurrou que poderiam ir a algum lugar mais confortável. Miguel, relaxando os braços, respirou fundo, fechou os olhos e concordou. Segurou o rosto dela entre as mãos, beijou-a mais uma vez, colocou o cinto de segurança e pediu para que ela fizesse o mesmo. Foram para a casa dele. Mas antes perguntou se havia algum problema pois seu amigo dormia em sua casa, num outro quarto, mas que já sabia que ele a levaria para lá. Ela disse que tudo bem e se foram.

      Entraram, foram direto para o quarto e entre beijos, abraços, carícias tiraram as roupas. Isso demorou um bom tempo. Finalmente se deitaram na cama e o jogo de sensualidade não terminou.

      O fato do amigo estar dormindo no quarto ao lado os excitavam mais ainda... A sensação de perigo, de alguém espiando... Uma loucura deliciosa.

      Nenhuma palavra... Havia uma sintonia onde um sabia o que o outro gostava. Um fazia o que o outro queria... Beijos, bocas, apertos, momentos de explosão, carícias, carinhos, olhares, sussurros... E tudo recomeçava. A noite não teria fim se não fossem os primeiros raios de sol que espiavam pelas frestas da janela sussurrando que o dia acordava. Ainda entre beijos e carícias, Rafaela disse que teria que ir. Nunca havia passado a noite fora de casa e não havia dito aos pais que sairia. E também queria sair antes que o amigo de Miguel acordasse.

      Os corpos colados, bocas sedentas, abraços apertados, os dois lamentaram que o dia anunciava o fim de uma noite inesquecível, e avassaladora, intensa e apaixonante. Não combinaram nada, apenas se despediram dentro do carro com um beijo leve. Rafaela pulou o muro novamente e entrou em casa sem fazer barulho. Despencou em sua cama estampando um um sorriso besta nos lábios. Lábios carnudos, provocantes, vermelhos de beijos... Sim, Rafaela sabia provocar e Miguel adorava essa provocação.

      Um outro encontro? Quem sabe? Só o tempo diria. Ou a atração não suportar a distância e tudo se repetir na próxima noite.

      Fim.

      Texto publicado em 21 de agosto de 2013

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Puro-Sangue - Conto Sensual


Cavaleiro sem camisa pertence ao Blog Simples e Clara

      Olhando no horizonte, verdes de vários tons se contrastam com o azul claro do céu. Dias de verão, sol quente, uma leve brisa abafada que não é capaz de refrescar nem um corpo nu, Selena, sentada em uma poltrona de madeira, se abanava com um papel tentando ter um pouco mais de frescor naquela varanda do sítio de seu pai.

      O calor era tanto que, mesmo sem se movimentar, o suor lhe escorria pelo rosto pingando um a um em seu colo coberto por um vestido fresco, de alcinhas, acinturado e com saia rodada. Azul, para combinar com o par de brincos com pedras água-marinha que brilhavam como seus olhos acinzentados e pequenos.

      Num desses olhares perdidos algo lhe chamou a atenção. Um cavaleiro, bem ao longe, depois da cerca, cavalgava tranquilamente com seu cavalo que era tão brilhante e musculoso quanto os que corriam livres em sua propriedade.

      Apertou os olhos para ver melhor aquela figura masculina, tão másculo quanto o cavalo, sem camisa, pele brilhante pelo suor, enfrentando a quentura do sol da tarde.

      Uau, disse em voz baixa, que paisagem é essa que eu nunca havia visto? Se ajeitou na cadeira e parou de se abanar. O rapaz passou rente à cerca e foi-se, sem ao menos lhe dar a chance de ver seu rosto.

      De longe percebeu aqueles braços fortes, morenos, aquele peito inflado, as coxas roliças, mesmo sob o jeans surrado e desbotado.

      Tão rápido como veio foi-se. Selena levantou-se e ficou olhando até perdê-lo de vista. E lamentou por nunca ter aprendido a cavalgar, como seu pai tanto insistia. Adoraria ter aquele homem como professor...

      Selena tinha pavor de altura e talvez seria este o motivo de nunca querer subir num cavalo. Fechou os olhos e se imaginou naquele cavalo, tendo o professor em sua garupa, segurando suas mãos, respirando bem perto do seu pescoço em que ele mesmo colocou os cabelos castanhos e cacheados para o outro lado.

      Seus braços fortes enlaçavam sua cintura fazendo com que sentisse aquele corpo colado ao seu. Mesmo nas alturas não sentiu medo... Vez ou outra fechava os olhos e sentia a brisa a tocar-lhe o rosto e esvoaçar seus cachos, confundindo com a respiração quente a lhe fazer cócegas no ouvido. A respiração ficava cada vez mais ofegante quando o rapaz lhe dava instruções de como conduzir o animal. Falava sussurrando, quase lhe beijando... Ela apenas acenava com a cabeça e continuava a cavalgada, com calma.

      Olhava para o lado e sentia ainda mais de perto aquele rosto com a barba por fazer, quase lhe roçando a bochecha, aquela boca lhe chamando para um beijo, mas não se permitia ter a ousadia de ir além de seus bons modos de moça de família.

      Selena, ainda sonhando, voltou a se abanar com o papel; deu uma olhada em volta para ver se o rapaz estaria voltando e nada viu. Então fechou os olhos e continuou seu sonho.

      Ainda cavalgando, se distanciaram da casa e da visão de algum curioso. O rapaz tirou suas mãos das de Selena e começou a percorrê-las por aquele corpo quente, sobre o vestido fresco, levemente sobre o abdômen, abraçando-a com um pouco mais de força. Depois subiu até seus seios fazendo com que Selena jogasse a cabeça para trás apoiando-a em seu ombro. Sem pedir licença beijou-a, longamente, lábios quentes, apesar do hálito fresco, como se tivesse tomado água gelada naquele momento. A cada passada do animal seu corpo grudava mais no de Selena, que sentia toda a sua excitação. As mãos do homem, incontroláveis, percorriam os seios e o meio de suas pernas levando-a quase ao delírio, com gemidos baixos e respiração acelerada. O coração disparado, a pele arrepiada e sussurros no ouvido se confundiam com o barulho das araras que farreavam nas árvores dedurando a indecência da cena que estavam vendo. O cavalo, agora sem comando nenhum, cavalgava sem destino certo enquanto os dois se amassavam sobre ele...

      - Selena! - ouviu seu pai lhe chamar.

      - Oi - respondeu num impulso, se assustando e se ajeitando na cadeira.

      - Vou ali no sítio aqui do lado chamar Rogério para dar uma olhada no Poderoso. Hoje ele não tá bom! - disse-lhe o pai. - Quer vir comigo?

      - Não, papai, o sol está muito quente. Vou ficar por aqui mesmo. Quem é Rogério? - perguntou.

      - É o filho do Teobaldo, que se formou em Veterinária e está aqui esses dias. Não viu ele por aí galopando, filha?

      - Não sei, papai, não o conheço e acho que não prestei atenção - respondeu tentando disfarçar a respiração ofegante.

      Selena respirou fundo e ficou imaginando seu pai lendo seus pensamentos e dando-lhe uma bronca do tamanho de Poderoso. Respirou aliviada e continuou a se abanar com o papel.

      Depois de um tempo Selena viu seu pai e o suposto Rogério entrarem pela porteira. Quase teve uma síncope quando reconheceu o seu cavaleiro sedutor como sendo Rogério. Levantou-se rapidamente e correu para dentro de casa com medo e com vergonha de ter tido pensamentos pervertidos com aquele que agora cuidaria dos cavalos de seu pai. Rogério... E agora? Voltaria para a varanda ou ficaria espiando pela janela da cozinha?

      Depois de um tempo e quando Rogério já estava indo embora, Selena voltou à varanda, sorrindo e acenando para seu pai, que retribuiu. Este puxou Rogério até a varanda para apresentar-lhe sua filha que ficaria por ali por um mês, de férias da cidade grande.

      - Selena, esse é o Rogério que lhe falei.

      - Como vai, Rogério. - Selena cumprimentou-o com um sorriso aberto e, disfarçadamente, olhou-o de cima a baixo comprovando que sua imaginação era quase verdadeira. Ele era mais lindo do que imaginara.

      Depois se despediram e Rogério seguiu para seu sítio. Ela seguiu-o com os olhos e ele, quando chegou na porteira, olhou para trás e sorriu para ela.

      Selena respirou fundo e começou a se preparar para subir num puro-sangue orientada por um professor mais que especial. Mas essa é uma outra história.

      Fim.

      Texto publicado em 05 de janeiro de 2014.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Minha Mulher - Conto Sensual

      Um dos grandes prazeres de Maurício era ficar observando a mulher Kellen. Mesmo depois de anos de casados ela continua linda e sensual, com curvas mais generosas. Maurício não entende como ela pode se olhar no espelho e enxergar defeitos. Não tem! É perfeita!

      À noite ele sempre vai para o quarto primeiro, toma seu banho e se deita na cama, para ler. Na verdade ele não lê, fica disfarçando para admirar os movimentos de Kellen.

      O ato de tirar a roupa é mais que um streep tease particular. A delicadeza com que desabotoa a roupa e deixa-a escorregar pelo corpo é como uma cortina que cai anunciando o primeiro ato. A suavidade ao se abaixar para pegá-la no chão é só um prenúncio de um show delirante. A roupa íntima, como apoteose, é de enlouquecer... Ainda de costas para Maurício, Kellen olha para o lado como se quisesse ter certeza de que estava sendo observada, leva as duas mãos às costas e com habilidade feminina desabotoa o sutiã, abaixa as alças e tira-o de uma vez, mostrando o contorno lateral dos seios que continuam lindos. Com uma certa timidez abaixa a calcinha lentamente sem deixá-la enrolar, até um pouco abaixo dos joelhos para depois deixá-la escorregar até os pés e, apoiando-a em um deles, eleva-a até sua mão e resgata-a e colocando-a junto com as outras roupas.

     Como uma gueixa nua, caminha até o banheiro, abre a ducha e deixa escorrer a água. Ele imagina suas mãos macias percorrendo seu corpo, cobrindo-o com espumas de sabonete neutro. Cantarola uma música indecifrável. O banho é rápido e, ainda molhada, besunta o corpo com um óleo bifásico perfumado. A pele brilha, ele fecha os olhos e visualiza Kellen escorregando as mãos oleosas por todo o corpo... Ahhh, isso deixa-o ainda mais excitado. Poderia ir até o banheiro e agarrar Kellen de uma vez, mas prefere imaginar sua mulher se tocando e espera-a na cama.

      Enrolada na toalha, Kellen sai do banheiro e se prepara para vestir a camisola de seda azul, curtinha e fresca. Primeiro coloca a calcinha, que não é tão pequena como as que usava quando era mais jovem, Só depois é que deixa a toalha cair aos seus pés e veste a camisola, delicadamente. Maurício não consegue mais disfarçar, coloca o livro aberto sobre o peito, apoia a mão sob a cabeça e com um sorriso safado fica admirando Kellen.

      Finalmente ela solta os cabelos cacheados que deitam sobre seus ombros. Se olha no espelho, ajeita-os com as mãos, vira o rosto para um lado, para o outro, procurando algo novo velho que ainda não tinha visto, borrifa um perfume no pescoço e nos pulsos, cheira, se vira para o marido e sorri. É a visão do paraíso! Se aproxima da cama, apoia os joelhos e engatinha até se aninhar em seus braços querendo a costumeira proteção noturna, livrando-a de pesadelos e da escuridão medonha quando a luz é apagada.

      Maurício abraça-a com carinho, alisa seu braço e puxa uma perna dela sobre seu corpo. Beija-a carinhosamente, fecha os olhos e prefere ficar quieto, tranquilo, sentindo o corpo fresco e perfumado de Kellen, sua mulher amada e gostosa.

      Apaga as luzes e continua em estado de êxtase. Kellen lhe dá um beijo de boa noite e fecha os olhos. Maurício, como um macho que tem a fêmea em seus braços, deita sobre seu corpo, beija-a longamente, deslizando suas mãos pelo seu corpo macio, olha em seus olhos e diz que boa noite sim, mas que dormir ainda não. A noite está apenas começando para os dois.

      Mas essa é uma outra história...

      Fim.

      Texto publicado em 18 de novembro de 2013.

  

domingo, 7 de setembro de 2014

Me Abraça


      Depois de muitos anos nos reencontramos. Um encontro casual, surpreso, inesperado...
      Ficou me olhando de longe até que eu sentisse seu olhar me cutucando para virar a cabeça e perceber sua presença...
      Muito barulho, muitas pessoas em volta, muitas conversas...
      E meu olhar achou o seu... Sorriram...
      Ainda estávamos distantes, mas foi como se os olhos chegassem primeiro, depois o pensamento, as lembranças, a saudade...
      Sem desgrudar os olhos nos aproximamos, sorrisos tímidos e ousados nos pensamentos... Boas lembranças se arrastaram como um vendaval, do passado para o imediato, derrubando tudo que há pela frente.
      As pessoas se afastaram formando uma rua estreita para que pudéssemos nos aproximar sem chances de recuo. As pernas ficaram trêmulas, a respiração ofegante, coração querendo chegar antes do corpo...
      A timidez chegou perto e me fez abaixar o olhar... Ele continuou me cutucando mentalmente...
      Mais uns passos... Já sentia seu perfume, o mesmo de sempre, inesquecível...
      Já conseguia ouvir as batidas de seu coração... O meu acelerou e os sons se uniram em harmonia...
      Bem perto, rosto bem perto do dele, olhos nos olhos, suspiro disfarçado de respiração...
      Ele segurou minha cintura e me puxou para si... A outra mão segurou minha nuca... senti-me desfalecer aos poucos ao seu toque... O mesmo de antes...
      Me preparei para o beijo, mas ele percorreu meu rosto com seu nariz... Fechou os olhos e sentiu meu cheiro... depois beijou minha orelha e me apertou num abraço...
      Que saudade, sussurrou no meu ouvido... Seu corpo colado pulsando no meu, sua mão percorrendo minhas costas e me apertando carinhosamente, a outra acariciando meus cabelos com pegada firme e decidida...
      Continuei esperando pelo beijo...
      Mas o abraço foi tão terno, tão intenso, que o beijo seria só mais um detalhe...
      E assim ficamos um bom tempo, nos sentindo...
      O beijo? Depois eu conto.

      Fim.

      Obs: apenas um conto sensual, que apesar de estar na primeira pessoa não diz respeito à autora.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Bom Dia - Conto Sensual



      O Sol acariciava o rosto de Cristine, cochichando-lhe para que despertasse, pois o dia começava. Sonolenta, esfregou os olhos e bocejou. Olhou para o lado e apenas uma rosa vermelha enfeitava sua cama. Sorriu, fechou os olhos e disse bom dia. Sem resposta. Abriu os olhos e percebeu que estava sozinha no quarto. Esfregou os olhos mais uma vez, levantou-se e vestiu uma camisa branca. Tinha o cheiro dele...

      Olhou para o chão e sorriu. Um rastro de pétalas vermelhas que ia até a porta atraia Cristine com pensamentos pervertidos. Sorriu, deitou-se e se lembrou da noite intensa e prazerosa que tiveram. Ainda sentia o gosto dos beijos, o toque na nuca, as mãos em suas entranhas, as carícias, os arrepios... Levantou-se novamente e seguiu as pétalas.

      Chegou à porta da cozinha e teve a visão mais maravilhosa para uma manhã romântica. Encostado na mesa estava aquele que levara-a ao delírio, Fabrício. Nu e segurando uma rosa que mal tapava-lhe o sexo, sorriso iluminado, cabelos desarrumados e atrevido no olhar. Despia-a com o pensamento mordendo o lábio inferior, olhando-a de cima a baixo. Cristine sorriu e olhou Fabrício também, da cabeça aos pés, jogou os longos cabelos para o lado e foi se aproximando, desabotoando a camisa. Fabrício abriu os braços e aconchegou-a, carinhosamente.

     Olhando sobre seus ombros, Cristine viu a mesa posta, com um simples café da manhã e também com uma cumbuca de morangos grandes e bem vermelhos. Fabrício beijou-a e ao mesmo tempo pegou um morango, olhou em seus olhos e lhe ofereceu o morando em sua boca. Cristine mordeu e encostou seus lábios nos dele. De olhos abertos e brilhantes degustaram o beijo com sabor de morango, até o fim.

      Fabrício puxou a cadeira e ajeitou Cristine, nua, para servir-lhe o desjejum. Conversavam bobeiras e se perdiam em olhares apaixonados. Por baixo da mesa Cristine acariciava Fabrício com os pés, deixando-o lindamente irresistível. Adorava fazer seu homem sentir prazer, e sabia muito bem como fazê-lo.

      Comeram pouco, pois a vontade de se grudarem novamente era maior do que a fome. Fabrício levantou-se, puxou a mão de Cristine que também se levantou, pegou-a no colo com ela entrelaçando suas pernas em seu quadril, beijaram-se longamente e voltaram para o quarto.

      O dia estava apenas começando e com certeza não teriam nenhuma pressa que acabasse. Tinham pressa de se terem, de se darem amor, prazer... O dia continuaria até à noite... E até a próxima manhã, quem sabe...

      Fim.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Doce - Conto Sensual


      Agora era fato. Definitivo. Resolvido e sacramentado. O passado não voltaria. Viveria o presente e planejaria o futuro. O passado nos braços de Antonieta foi maravilhoso. Mulher inesquecível, quente, sedutora... Linda! Mas o medo falava mais alto.

      Augusto estava tranquilo com sua vida sossegada, rotineira e pacata. E de um dia para o outro vinte anos voltaram no tempo e lhe entregou de bandeja a melhor fase já vivida. A juventude. Bastou olhar Antonieta e tremer nas bases, pulsar o coração, respirar com dificuldade... Balançar... Não era apenas uma mulher e sim a mulher que seria de seus sonhos, a mulher de sua vida.

      Se lembra perfeitamente daquela noite em que fugiram de uma festa na casa de um amigo e foram para seu apartamento. Antes mesmo de fecharem a porta já se jogaram nos braços um do outro. Paixão louca, tesão incontrolável, pele arrepiada, bocas grudadas e mãos descobrindo o corpo um do outro.

      Tateando as paredes chegaram até o quarto deixando algumas peças de roupas pelo caminho, como se quisessem deixar rastros para uma noite que seria inesquecível, como se alguém fosse chegar do nada e presenciar a mais profunda cena de amor jamais vista em filmes românticos.

      Augusto sentou Antonieta em sua cama e começou a tirar-lhe os sapatos. Um depois o outro. Beijou seus pés delicadamente, subindo até as coxas, passando a língua no interior daqueles músculos muito bem encaixados harmoniosamente, chegando até a virilha. Antonieta jogava a cabeça para trás e suspirava. Colocava o rosto de Augusto entre as mãos e encostava sua boca em seus lábios quentes, suavemente, passando a ponta da língua e depois dando mordidinhas... E se perdia num longo beijo apaixonado.

      Augusto, não satisfeito de ter parado no meio do caminho, voltou para a virilha de Antonieta e achou seu sexo... Se perdeu nele, carinhosamente. Ela se deitou e permitiu que aquele homem matasse sua vontade. Vez ou outra levantava a cabeça, mordia o lábio inferior e olhava para Augusto quase que implorando para que não parasse, ou que parasse imediatamente e se jogasse em seus braços para sentir todo o peso dele em seu corpo. E com as mãos guiasse para a loucura, o prazer pleno.

      Obedeceu! Era um escravo nas mãos de Antonieta. Bastava um olhar e já sabia o que aquela mulher pedia. E fazia muito mais só para impressioná-la e não mais permitir que sequer ousasse pensar em deixá-lo.

      Se amaram perdidamente durante a noite inteira. Vez ou outra paravam, ficavam abraçados, quietinhos, se olhando e acarinhando o rosto. Pareciam que decoravam cada poro do rosto, cada linha, cada cantinho... Depois se beijavam ternamente e recomeçavam. Uma noite sem fim, O silêncio era quebrado pelos gemidos e pelo ruído dos corpos se tocando... O ar invadido pela respiração ofegante, a umidade dos beijos ardentes, o tilintar dos dentes se tocando...

      Se perderam no tempo. O dia amanheceu e nem perceberam... Abraçados, Antonieta deitada sobre o peito de Augusto ensaiava um cochilo. Ainda era pouco para Augusto que puxava-a para si e lhe invadia para mais um tempo de prazer. Antonieta se rendia, se entregava e quase desfalecia nos braços daquele homem inquieto e intenso. Fechava os olhos e sentia... Só sentia e mais nada... Exausta e feliz, realizada...

      Augusto percebendo o cansaço de sua amada, se deitava ao seu lado e aconchegava seu corpo ao seu. O silêncio aos poucos era invadido pelo barulho de carros na rua. Passadas rápidas de gente apressada para enfrentar mais um dia de trabalho. No ar o cheiro de sexo, de satisfação, de doçura, de amor...

      Antonieta dormia, como uma rainha, protegida por um guardião atento a qualquer perturbação que pudesse prejudicar sua amada. Ficaria imóvel encostado naquele corpo quente durante o dia todo se precisasse. Guardaria o sono e os sonhos secretos de Antonieta, pelo tempo que fosse necessário.

     Mas a vida é real e o sonho sempre acaba. Antonieta despertou, vestiu-se e se foi. Se separaram e vidas distintas tiveram. Cada um com sua família e o tempo passou. O destino, como provocador querendo cutucar reaproximou Augusto e Antonieta. Mas eram outros tempos, outras vidas. Antonieta enfrentaria e ousaria voltar no tempo, mas Augusto não suportaria e não sustentaria conviver com um sonho do passado. Estava bem como estava e não mudaria. Era demais pensar em passar noites e mais noites perdido nos braços de Antonieta. Não arriscaria tanta felicidade e tanto prazer assim. Não. Estava decidido. Seguiria sua vida pacata, tranquila, como tem sido nos últimos vinte anos. Era muita mulher para um simples homem.

      Antonieta, cansada e determinada, arrumou as malas de seus sentimentos e partiu, mesmo permanecendo no mesmo lugar, para uma emoção que ainda estaria por vir. Afinal não tinha paciência para lidar com homem inseguro. Na verdade ficou com muita vontade de mandar Augusto para aquele lugar, por tê-la feito perder todo o encanto que sentia por ele, mas sua educação não permitia sequer desejar algum mal a alguém. Augusto não tinha o direito de lhe tirar esse encanto, esse passado doce de boas lembranças que até então estava presente. Vinte anos de lindas lembranças, de uma noite inesquecível jamais repetida, com um ponto final decisivo e sem volta. O destino tentou, cutucou, mas não convenceu. O homem que seria o homem de sua vida ficaria no passado. Existiu, mas não resistiu ao tempo presente.

       Fim.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Uma Doce Leoa

 
      Ela pegou a tesoura, ajuntou um tufo de cabelos entre os dedos e cortou. Sem dó e sem se olhar no espelho. Seus cabelos longos e brilhantes não fariam mais parte da imagem de seu espelho. Não queria mais se olhar daquele jeito, não naquele momento de raiva, da vingança aflorada em sua pele, daquela cara lavada e sem expressão nenhuma. Também mudaria a cor. Preto. Ou então loiro, bem amarelo.

      O cabelo ficou todo despontado, mesmo que a intenção fosse desfiado. Como desfiar a parte de trás da cabeça? Que importância teria se os fios ficassem todos desorganizados se era justamente assim que Valerie se sentia? Tem gente que chega, devolve a vida e sem mais nem menos desestrutura, e some... "Mas se está pensando que vou ficar um doce de pessoa, está muito enganado, meu caro!" Falava para si, quase que sem abrir a boca, apertando os lábios enquanto provocava o voo de mais alguns fios ruivos.

      Pronto, outra mulher. Não mudaria a cor dos cabelos, mas ninguém a reconheceria , nem por fora e muito menos por dentro. Nunca mais seria aquele anjo de candura sempre pronta a ofertar o que lhe pedissem. Cabelo arrumadinho, perfume doce, salto médio, blusa abotoada, não mais! A leoa sairia de dentro de Valerie e ganharia o mundo. Pelo menos essa seria a intenção.

      A vingança de uma mulher iludida e abandonada não tem limite. E que bom que tudo acabou. Já estava cansada de ser o que era e queria mais era desfilar toda poderosa na frente daquele desinfeliz do Zuza. Daria a unha do mindinho para vê-lo de boca aberta vendo-a andar no meio da multidão onde todos virariam o rosto para admirá-la. Queria ter um olho na nuca para vê-lo se arrepender por tê-la deixado sem nenhuma explicação, depois ir correndo lhe implorar perdão e só encontrar o seu desprezo.

      Umas compras estranhas no shopping, roupas escuras e esquisitas que não tinham nada a ver com sua personalidade, sapatos pesados, coturnos e até uma boina militar ela foi capaz de comprar, mesmo sabendo que jamais usaria um treco daquele. Tudo questão de costume, pensava, não queria mesmo ser comum na multidão. Se era para causar, causaria susto em quem a visse. Nada de óbvio, comum ou correto. Queria ser a torta, a ousada, a sensual, a ovelha negra, a do contra.

      Suas lindas unhas de porcelana, perfeitamente pintadas com esmalte transparente, foram cortadas "no toco", como dizia sua avó, e pintadas de preto. Sem aquelas frescuras de florzinhas meigas e fofas.

      E toda montada foi desfilar nas ruas movimentadas de sua cidade, num dos lugares preferido do cascudo Zuza, ponto de encontro dos amigos e, claro, da mulherada dando sopa para quem quisesse. O ódio aumentava só em pensar nessas mulheres alisando seu Zuza. Não iria sozinha, Cíntia, a amiga cobaia, teria que participar do ato mutatório na vida de Valerie... Irreconhecível, era a palavra que a definia.

      Mal conseguia olhar para frente de tanto que a encaravam. Simplesmente se sentia como um ET fora de seu planeta. Agarrou o braço de Cíntia e começou a andar mais rápido, fugindo daquela situação constrangedora.

      "Cíntia, estou tão estranha assim?" Perguntou. "Sim, está parecendo uma lunática fora do eixo da Terra." Respondeu a amiga, sorrindo.

     "Val... Vaaaaal...", parou, levantou a cabeça e assustada olhou para trás. "Zuza..." ficou toda sem graça ao ver aqueles olhos azuis que mais pareciam um oceano misterioso, aquele sorriso que derrubava qualquer TPM de tão poderoso e aquela camisa com botões abertos exibindo um tórax ossudo e peludo se aproximar. Ficou aliviada por não estar usando salto agulha naquela calçada de pedras encaixadas uma a uma, com fendas entre elas, daquelas que descascam qualquer sapato que se encaixasse ali. Se lembrou de tantas e tantas vezes que Zuza carregava-a no colo só para não estragá-los, deixando-o praticamente sem fôlego andando somente meia quadra. Ela ria e beijava-o ternamente declarando todo seu amor. Ele respondia que teria troco e dos graúdos.

     Zuza, pela milésima vez, disse que sentiu e sentiria seu cheiro de longe, no ar, na outra rua, na outra cidade, no outro planeta, esse que ela acabara de sair toda modificada. "Te cataram para experiência, amor?" Perguntou, pegando em suas mãos, beijando-as e logo em seguida puxando-a para um abraço apertado. Encontraria Val mesmo ela estando disfarçada de mulher invisível ou de bruxa da Branca de Neve.

      Riram abraçados e Cíntia logo foi saindo de fininho. Não queria posar de vela para o retorno do casal maravilha.

      Zuza se afastou de Valerie, pegou suas mãos e fez com que rodopiasse para ver melhor a transformação da amada. "Mas ficou muito linda!" Exclamou, voltando a abraçá-la. "Mas é só a casca do ovo. Por dentro - colocando a mão em seu coração - continua a mesma doce leoa de sempre". E beijou a boca, as bochechas, a ponta do nariz, os olhos e mordeu de leve seu queixo. "Saudades da minha bravinha teimosa..." Pegou sua amada e se foi para um lugar mais discreto observar detalhadamente a nova mulher que tinha.

      E Valerie? Claro, se derreteu com o amor de sua vida. Fazer o quê se mulher tem essa fraqueza de cair na conversa um milhão de vezes? E ser amada um trilhão de vezes pelo mesmo homem? Mas se engana se alguém pensou que ela esqueceria de tudo. Claro que não! Tudo armazenado em ordem alfabética e por data, para, na primeira oportunidade, lembrar o canalha do Zuza, com quantas gotas de perfume se faz uma mulher irresistível.

      Fim.

   

quarta-feira, 5 de março de 2014

Meu Homem - Conto Sensual


      - Alô...

      - Dona Fabiana, aqui é da recepção. A senhora pediu que lhe acordássemos às 6:30h. Bom dia!

      - Ah, sim, bom dia... Obrigada!

      Fabiana, espalhada na enorme cama, continuou abraçada ao travesseiro e com o edredom entre as pernas. Custou a abrir os olhos e a enxergar nitidamente, mesmo com a luz do abajur acesa. Fecha os olhos e antes de cair no sono novamente leva um susto: o celular começa a tocar uma música que ela, propositalmente, não gosta muito. Sertaneja, das antigas... Tem que se levantar para travar aquele barulho quase insuportável que lhe atordoa todas as vezes que precisa madrugar. Bem, nem era madrugada, mas para ela qualquer horário antes do meio dia era madrugada. Era da noite, das estrelas, de ver o sol nascer, e acordar cedo era seu maior martírio.

      Com os olhos semicerrados caminha até a cômoda belíssima em mogno, envernizada, e pega o celular. Trava a música e vê uma mensagem de seu marido. Uma foto. Nada além de uma foto no espelho, sem camisa, exibindo o peitoral só para lhe atiçar... E um sorriso malicioso com segundas intenções fingindo serem as primeiras... Saudade demais.

      George sabia provocar... Bastava tirar a camisa e ficar olhando Fabiana de longe que o sangue já fervia. Como um felino ele se aproximava calmamente e lhe pegava a nuca, segurando firme em seus cabelos, puxando-a e olhando sua boca já entreaberta, depois colocava seu rosto entre as mãos, firme, direcionando os lábios para o canto de sua boca, roçando a barba cerrada, de leve, e umas mordidinhas no queixo. Ficava de olhos abertos só para vê-la fechar os olhos e se entregar num longo beijo.

      O local nem importava... Em pé, ou sentados, ou deitados no chão, no sofá, na cama, não importava. Não dava tempo para escolherem um lugar confortável. Qualquer lugar se tornava confortável...

      Olhando a foto pelo celular Fabiana se sentou na beirada da cama, suspirou mordendo o lábio inferior, fechou os olhos e suspirou. Tocou sua nuca imaginando ser George a lhe tocar, percorreu seu corpo com a outra mão e se deitou novamente. George a dominava mesmo estando longe... Entre suspiros e mãos deslizantes, o celular novamente toca a música imprópria para aquele momento. Fabiana suspira mais forte, abre os olhos e se levanta irritada.

      - Sete horas já? Seu bandido, se eu perder o voo a culpa é sua, seu safado...

      Fabiana tenta ser rápida no banho, mas a imagem de George no seu celular lhe invade a mente e seu corpo gruda no dele, escorrega as mãos com a espuma do sabonete e lhe tira o fôlego deixando a água escorrer pelo seu rosto. Não consegue pensar em mais nada que não seja George lhe devorando a boca e quase fazendo com que desfaleça em seus braços. As pernas ficam bambas, a respiração ofegante e o coração não se contenta em ficar quieto. Faz o que bem entende dentro de seu peito desrespeitando a sincronia com sua respiração. Ainda tem a lucidez de não se demorar e correr o risco de ter que esperar mais algumas horas para tê-lo.

      Terminado o banho, Fabiana se lambuza com um creme de canela deixando a pele macia, perfumada... E com a ponta do dedo médio molha no perfume amadeirado que pegou escondido dele, o que mais gostava, para não morrer de saudades enquanto estivesse fora. Uma gota atrás das orelhas, nos pulsos e na nuca. Uma ajeitada nos cabelos molhados, um batom nude e uma roupa confortável. Calça jeans, camiseta azul marinho e sapatilhas baixas. As malas já estavam prontas desde a noite passada pois sabia que seria difícil fazê-las quando acordasse. Foi até o restaurante do hotel, tomou um rápido café e voltou ao quarto. Verificou se não estava esquecendo de nada e pediu para que buscassem suas malas.

      Já dentro do avião, antes de desligar o celular, uma última olhada em George... "Meu George", com aquele peito nu que tanto lhe provocava. Sedutor, carinhoso, cheiroso e tímido. O sorriso malicioso devia ser por isso mesmo. Uma surpresa inusitada sempre que precisava ficar fora por conta do trabalho. Só não era tímido na hora do amor, a qualquer hora que desse vontade... Se soltava como um bicho sedento por fêmea, sem pudores, sem vergonha, se entregava de corpo e alma e depois puxava-a para deitar em seu peito, enquanto acariciava seus cabelos...

      Mais algumas horas e a saudade seria morta! Mais um pouco e sentiria de novo o cheiro de George, não aquele amadeirado, mas o cheiro da pele, o gosto da boca e o abraço envolvente e protetor... E também as roupas todas espalhadas em cima da cama, toalhas no chão e sapatos na sala, mas quem se importaria com a bagunça quando se tem um George para lhe tirar do prumo?

      Fim.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sorria, Alguém te Observa - Conto Sensual


      Cristina chegou em seu apartamento, tirou os sapatos na sala e caminhou até a enorme janela de vidro que pegava toda a parede. Abriu as cortinas, destravou o fecho, deslizou e deixou que a brisa invadisse toda a sala. Debruçou no parapeito e ficou admirando o por do sol ao longe, na grande metrópole que já brilhava com os faróis dos carros e com as luzes das ruas ainda tímidas, que lutavam para iluminar ainda com o sol.

      O calor sufocante fez com que Cristina permanecesse com o rosto virado para o horizonte, mas de olhos fechados, apenas sentindo a brisa do entardecer. Não se refrescou no dia quente que marcou 37º.

      Puxou uma poltrona azul que ficava perto da janela de forma que quando se sentasse nela poderia ver o céu mudando o tom de azul e, enfim, as estrelas mostrassem sua beleza. Mas o calor era sufocante, apesar da brisa que entrava no décimo segundo andar daquele edifício antigo e luxuoso.

      Tirou a blusa que colava ao seu corpo devido ao suor e jogou-a ao chão. Abriu o botão da calça jeans e se sentou relaxada na poltrona... Apesar de estar um pouco acima do peso e de não se considerar uma mulher bonita e nem sexy, gostava de seu corpo como era: tipo comum que não chamava a atenção dos homens quando andava pelas ruas, mas quem a conhecia intimamente, se apaixonava com facilidade. "Pelo conjunto da obra", dizia, para explicar o interesse que alguns homens tinham por ela e não por tantas outras mulheres lindas e de corpos perfeitos que circulavam em todos os lugares.

      Foi até à cozinha e voltou com um copo de água gelada com alguns cubos de gelo. Bebeu um gole. Outro gole... Pegou uma pedra e começou a passar em seu rosto... Com o calor do corpo as gotinhas escorriam pelo seu colo, molhando o sutiã e algumas escorregavam para o lado, pingando na poltrona. Lentamente foi descendo com a pedra pelo pescoço, pelo colo, e com a outra mão desabotoou o sutiã que tinha o fecho frontal. Não o tirou do corpo; apenas deixou que ficasse do lado dos seios... Passou o gelo em volta de cada um, sentindo o arrepio... Gemia baixinho... Gostava da sensação do gelo derretendo em seu corpo quente, emoldurando os seios... Desceu pela barriga e uma poça se formou em seu umbigo....

      Cristina olhou pela janela e viu que alguém do apartamento de frente a observava. Ficou uns instantes olhando para ver se o indivíduo desconfiasse e disfarçasse, saindo da janela. Mas não! Ele continuou olhando e debruçou no parapeito como se quisesse se aproximar mais daquela visão. Cristina ficou incomodada com a atitude do homem, mas não se deu conta de que estava com os seios à mostra. Quando percebeu cobriu-os com o braço, se levantou e fechou as cortinas. Se sentou de novo e ficou com raiva daquele homem abusado, indignada pela falta de respeito com ela, que estava dentro de seu apartamento tendo a liberdade para fazer o que quisesse.

      Deu um sorriso fazendo um gesto de não com a cabeça e começou a falar sozinha:

      - Mas como eu vou exigir respeito de um senhor que não conheço, estando semi nua? Mas que sem noção que sou!

      Voltou para a janela, já com o sutiã abotoado e agora também com a blusa, abriu as cortinas e olhou para aquele homem, prestando atenção em sua aparência. Ele, de sua janela, acenou para Cristina. Ela, sem jeito, retribuiu o aceno, mas fechou novamente as cortinas e foi tomar seu banho. Mas o homem não saía de sua cabeça. Era simpático, calvo, parecia ter estatura alta. Sim, simpático!

      A noite tomou conta da cidade e Cristina não parava de pensar naquela situação em que viveu. Quem sabe um dia conheceria aquele homem ousado, que a admirava enquanto se refrescava com o gelo, distraidamente com os seios à mostra, que se deu o direito de ter liberdade em sua casa mesmo correndo o risco de ser observada por ele e por tantos outros que também poderiam estar olhando.

      Bem, amanhã é outro dia.

      Fim.

      Texto publicado em 31 de outubro de 2012.


sábado, 11 de janeiro de 2014

Poderoso - Conto Sensual - Continuação


      Selena, ainda extasiada pela presença de Rogério, o veterinário que veio dar uma olhada no cavalo de seu pai, Poderoso, continuou sentada na varanda se abanando mais intensamente, com mil pensamentos a lhe roubarem o sossego.

     Durante o jantar começou a perguntar sobre Rogério e sua família, quer dizer, sua família só para disfarçar o entusiasmo. O pai, mesmo estranhando, respondia as suas perguntas, desconfiado, esperando o momento em que o mistério fosse desvendado. E foi! Selena foi rodeando a conversa até sugerir que Rogério lhe ensinasse equitação. O pai, velho de guerra, percebeu na hora e não gostou nada. Gostava do rapaz e de sua família, mas daí a pensar em algum relacionamento amoroso já era demais para sua cabeça. Selena, como filha única e mimada, tanto fez que convenceu o velho pai a convidar Rogério para ser seu professor por uns dias. Ela deu um pulo da cadeira, abraçou seu pai enchendo-o de beijos e agradecendo por concordar. O pai, olhando para sua mulher que ria da situação coçou a cabeça e fez cara de "isso não vai prestá, bem".

      No outro dia Selena levantou-se de manhã cedo, aprontou-se e ficou esperando Rogério na varanda. Demorou um tempo até que ele aparecesse montado em seu cavalo. Não era bem isso que ela queria, mas já estava bom. Cada um em seu cavalo, então. Por enquanto.

      Se cumprimentaram e ele ajudou-a a subir em Poderoso. Como tinha medo de altura soltou vários gritinhos e ficou praticamente paralisada quando Poderoso começou a dar os primeiros passos. Rogério não conseguia se conter e ria da situação. E aproveitava para reparar na moça que conhecera no dia anterior, de vestido azul, cabelos ondulados e olhos pequenos. Tão linda e tão branquinha. Sua pele não combinava com o calor e nem com sol quente, contrastando com seu bronzeado adquirido pelos poucos dias em que estava por ali, cavalgando sem camisa.

      Depois de Selena já ter se acostumado com Poderoso, Rogério subiu em seu alazão e foi guiando-a, bem de perto. Paralisada, Selena só conseguia olhar para o chão e ficar com as mãos grudadas do arreio. Rogério pedia calma e mesmo assim Selena não relaxava. Estava apavorada de verdade.

      Depois de um bom caminho Selena desistiu de continuar e pediu para descer de Poderoso. Não aguentava mais ficar travada de medo. Subir nas alturas não era fácil para ela. Rogério, delicadamente, apoiou-a nos braços ajudando-a a descer. E foi abaixando-a devagar, de propósito, sentindo cada centímetro do corpo dela encostado no seu até ficar com os olhos bem perto dos dela, admirando ainda mais aquela branquinha, que apertava os olhos tentando enxergá-lo melhor, depois arregalava-os como se tivesse descoberto algum segredo. Sua boca entreaberta era um convite ao desfrute naquele lugar paradisíaco e isolado.

      Selena só não contava com a timidez e o respeito de Rogério. Ele foi se afastando aos poucos, segurando em suas mãos até soltá-las, deixando-a sem entender nada mesmo estando a poucos centímetros um do outro. Os olhares não se desviavam, a respiração ofegante, o mundo em silêncio ouvindo as batidas dos corações... Um, depois o outro, num compasso harmonioso, que aos poucos foi se acalmando até Rogério desviar seu olhar e pedir desculpas pela ousadia de tocar-lhe. Selena, gaguejando, disse que tudo bem. Respirou fundo e sugeriu que poderiam ir embora.

     Rogério, honesto em suas atitudes, disse que não precisava exagerar tanto. Poderiam continuar com as aulas. Ela, inconformada e mesmo assim esperançosa, perguntou-lhe se ele subiria em sua garupa para lhe dar maior segurança. Ele olhou o horizonte, mordeu o lábio inferior, pensou, e disse que não teria problemas, que poderia até ensinar melhor se essa fosse a segurança que ela tanto queria. Dispensariam Poderoso e seguiriam somente em Moreno, o puro-sangue manso de dar gosto quando a mulher era  medrosa.

      Primeiro Selena montou e travou, depois Rogério, rindo de seu jeito, montou em sua garupa. Os corpos se encostaram e ao mesmo tempo os dois suspiraram. Gentilmente ele pegou em suas mãos e foi conduzindo Moreno, bem devagar, até Selena se acostumar. Sussurrava em seu ouvido, contando os segredos de como conduzir um cavalo. Selena já não prestava mais atenção aos conselhos de Rogério, apenas acenava com a cabeça como se tivesse entendido tudo. Dependendo do movimento que Rogério fazia seus braços a enlaçavam, como se fosse um abraço. Selena suspirava fundo e continuava. Ele, conduzindo o cavalo, fez com que este quase galopasse. Selena, mesmo assustada, apenas agarrou ainda mais suas mãos e relaxou o corpo encostando-o no seu. Sentiu sua excitação... Seu coração estava tão acelerado que ficou com medo de Rogério ouvi-lo. A boca, sempre entreaberta como se esperasse um beijo a qualquer momento, estava seca, mas mesmo assim Selena engoliu seco e continuou.

      Rogério, achando que havia exagerado, diminuiu e sussurrando no ouvido de Selena que por hora já estaria bom, que aos poucos ela pegaria o jeito e cavalgaria sem problemas e sem medo.

      Ela apenas concordava com ele e não se conformava de estar ali tão grudada em seu corpo e ele querer tanto respeito. Não tomaria a iniciativa nunca, mas também não conteria seus desejos.

      Cavalgaram tranquilamente. Os corpos grudados e Rogério sentindo que não podia mais se controlar com aquela moça que exalava cheiro de fêmea misturado ao perfume amadeirado. Os cachos que estavam para o lado voavam para seu rosto, fazendo-lhe cócegas no nariz. Cachos perfumados e macios, ajeitados e convidativos para o toque. Rogério já não sabia mais o caminho da estrada. Fechava os olhos e apertava as mãos no arreio, tentando se controlar. Vez ou outra olhava para as coxas de Selena e imaginava a pele branca a cegar-lhe, os músculos firmes e os pelos arrepiados com o toque de sua boca que percorria cada pedaço em sua imaginação.

      Depois de ficarem em silêncio por alguns minutos, Selena sentiu seus braços lhe apertarem mais forte, suas mãos a lhe percorrerem o corpo, sua respiração quente em seu ouvido e um beijo bem de leve na sua nuca, roçando a barba por fazer e provocando um arrepio. Não aguentando mais jogou a cabeça para trás e se entregou. Rogério, com uma mão, virou seu rosto e lhe deu um beijo, longo, quente, melhor do que ela havia imaginado. As mãos ficaram incontroláveis percorrendo os corpos grudados. Selena soltou do arreio e alisava os braços de Rogério que lhe apertava contra seu corpo. Moreno cavalgava sem rumo e os dois se entregando num prazer, numa alucinação imaginada só por Selena, que agora se concretizava. Bocas unidas, molhadas, roçando uma na outra... Sussurros no ouvido, gemidos, arrepios... E o tempo passou.

      Só depois é que se deram pela falta de Poderoso. Selena ficou desesperada, apesar de ainda excitada, não se perdoaria se Poderoso sumisse. Era o preferido de seu pai e isso o deixaria arrasado. Rogério pediu para que ela confiasse nele, que se segurasse firme e sem medo. Ela disse que sim, depois de mais um longo beijo. Ele, então, colocou Moreno a galope de volta ao sítio. Ao longe avistaram Poderoso na porteira esperando o casal pervertido voltar. Simplesmente não queria ficar como testemunha, disse Selena rindo. Rogério também sorriu e vendo que não havia ninguém a lhes observar deu-lhe mais um beijo apaixonado.

      Marcaram outra aula para a próxima manhã, agora só com um cavalo. Somente Moreno participaria da indecência dos dois. Se fingiria de cego enquanto estivessem cavalgando, disse Selena, com bom humor. Rogério concordou e se foi, com o gosto daquela mulher atrevida, uma moça de família.

      Fim.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Vivendo o Momento - Um Conto Sensual

Participando da Blogagem Coletiva - 15ª Edição - Blog da M@myrene. Gosta de escrever? Venha participar!

      Mal começou a primavera e o calor já estava infernal. Ruth simplesmente detestava o calor... Se acostumou com o clima europeu, frio, e gostava de se vestir com casacos, botas, luvas, enfim, mesmo ainda sendo uma jovem mulher gostava de se vestir elegantemente.

      Eduardo aguardava-a na portaria do hotel em que se hospedara para o casamento de um primo de segundo grau, um dos poucos de sua família que ela mantinha contato. Depois que se casou com um milionário e se mudou de país se afastou de todos no Brasil. A intenção era não voltar mais, porém ficou viúva repentinamente e se sentiu muito sozinha por lá. Fez as malas e voltou.

      Morava num flat pois não queria ter preocupações com empregados e nem com chaves, que ela sempre perdia por onde andava. Dois anos já havia se passado e Ruth não tinha vontade de se relacionar com mais ninguém. Ainda sofria pela falta do marido e não tinha olhos para mais homem nenhum. Até que contratou Eduardo, o motorista particular.

      Algo nesse rapaz a encantara profundamente. Era educado, discreto, perfumado, tinha as mãos macias - assim ela imaginava quando ele a tocava para ajudá-la a sair do carro - um olhar penetrante e lindo, muito lindo. Sempre quando estavam indo a algum lugar, ele olhava-a discretamente pelo retrovisor. Isto fazia-a corar e de certa maneira despertara os mais bandidos pensamentos. No começo ficava sem graça, mas depois se perdia nas fantasias de se entregar para Eduardo, parando em qualquer rua deserta e convidando-o para se sentar ao seu lado, no banco traseiro do luxuoso carro.

      Para disfarçar seus pensamentos pervertidos, Ruth encostava a cabeça, fechava os olhos e imaginava aquele homem cheiroso acariciando seu rosto, beijando sua boca sedenta e molhada que implorava lhe arrancar o fôlego e depois ressuscitando-a, percorrer as mãos macias pelo seu corpo quente que tremia de desejo e paixão... Um corpo imaculado por dois anos, virgem temporariamente, e que implorava explodir debaixo daquele corpo másculo, pele branca e quente, que arrepiava com o toque de sua boca...

      O ar condicionado ligado não era suficiente para que se refrescasse de seus pensamentos secretos e seus desejos cada vez mais intensos... Gemia baixinho, passando os dedos em seus lábios, imaginando a boca de Eduardo tocando a sua... Gemia, suspirava e se assustava com a ousadia de seus gestos. Abria os olhos e olhava para Eduardo que tranquilamente continuava seu trajeto. Era bom motorista, cauteloso e delicado.

      Não satisfeita, Ruth mais uma vez se entregou aos pensamentos e trouxe Eduardo para cima de seu corpo. Deitou-a no banco macio, de couro preto, se encaixou entre suas pernas, segurando-as com as mãos, fazendo com que vibrasse e gemesse mais alto.

      Assustada mais uma vez, Ruth abriu os olhos e se viu quase deitada no banco, com as pernas abertas e suas mãos a lhe percorrer a intimidade. Eduardo, tranquilamente, continuava a dirigir. Sentiu-se corar, se ajeitou, respirou fundo e pediu para que ele andasse mais rápido, pois queria estar em casa antes de anoitecer.

      Eduardo, olhando-a pelo retrovisor, apertou os olhos, sorriu e acenou com a cabeça.

      Ruth pegou sua agenda e começou a verificar os compromissos da semana tentando se controlar e pensando nas tarefas que faria quando chegasse em casa. Mas antes sorriu, também discretamente, se sentindo viva e livre do luto de dois anos.

      Eduardo era um ótimo motorista e não queria estragar a relação de respeito que tinham. Pelo menos por enquanto...

      Fim.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Saudade - Conto Sensual


      Ester, depois de um dia com muito trabalho e problemas resolvidos, voltava para casa caminhando, com a sensação de dever cumprido. Resolveu passar por outro caminho, por uma avenida movimentada que cortava a cidade. Queria sentir a brisa do fim de tarde, o barulho dos carros, o comércio fechando as portas e apesar do sapato não ser tão confortável para caminhar, resolveu arriscar umas prováveis bolhas que formariam. A tarde estava linda, fresca, e com o horário de verão ainda chegaria em casa com o sol quente.

      Na avenida pessoas caminhavam exercitando-se. Se lembrou que precisava urgente se matricular em uma academia. Ao atravessar uma rua um carro que aguardava o sinal verde buzinou insistentemente e Ester ouviu alguém chamá-la. Olhou e não reconheceu a pessoa. O rapaz chamou de novo, estacionou por ali mesmo e caminhou em sua direção com os braços abertos.
     
      - Jorge! - ela abriu um sorriso e quase desmoronou por ali mesmo.

      - Oi, sumida, por onde você anda que nunca mais te vi? - respondeu Jorge, chegando perto já com os braços abertos esperando um abraço apertado.

      Depois de falarem um do outro, chegaram à conclusão de que a última vez em que se encontraram foi há vinte anos. Como o tempo voa, disseram praticamente juntos.

      Algumas rugas, uns cabelos brancos, uns quilos a mais, mas o brilho nos olhos era o mesmo. Bastou o toque na pele para aquele arrepio dar o ar da graça e o tempo voltar naquele dia em que se separaram. Cada um se casou e foi viver a vida. Agora ambos estavam separados e os olhos mais brilhantes do que nunca.

      Jorge ofereceu carona para Ester que aceitou prontamente. Entraram no carro, mas antes de dar a partida ele olhou-a fixamente, derrubando-a, como sempre fazia, deixando-a corada de vergonha. Nada havia mudado dentro deles, dentro dos corações, as emoções, a excitação, a vontade de tocar, de beijar, enfim, de grudarem um no outro.

      Jorge disse que não a levaria para casa naquele momento. Ester concordou e foram para um motel.

      Mal chegaram e Jorge já tomou-a nos braços, ainda dentro do carro, dando-lhe um beijo inesquecível, intenso, molhado, deixando Ester toda trêmula e não conseguindo controlar suas mãos. A excitação era tanta que Jorge a colocou em seu colo, de frente a ele. Ester se sentiu uma jovem, com todas aquelas emoções, sensações, e se entregou totalmente, sem medo, sem vergonha, sem pudores. Jorge adorava isso em Ester, pois apesar de tímida era a mulher dos sonhos, a mulher perfeita no sexo, que retribuía e aceitava todos os jogos e brincadeiras. Bastava uma troca de olhares e já sabiam o que queriam.

      Jorge se perdeu nos braços de Ester. Não sabia como aguentou ficar tanto tempo longe daquela boca quente, da pele macia, da respiração ofegante, do toque suave de suas mãos, dos cabelos sedosos e, mesmo depois de tanto tempo, continuava a mesma mulher sedutora de sempre, que o enlouquecia e tirava-lhe o prumo.

      Ester não queria mais perder um segundo de um tempo precioso e explorava o corpo de Jorge com as mãos e com a boca, com os lábios entreabertos, e também lamentava ter vivido tanto tempo sem aquele cheiro de homem, aquele gosto afrodisíaco de sua boca, os braços a lhe entrelaçar deixando-a imobilizada e quase sem fôlego... Morreria em seus braços naquele momento e levaria consigo os poucos instantes de entrega e roubo de emoções, de prazer, de ternura, de carinho... 

      O que Ester adorava em Jorge era justamente esse ímpeto de possuí-la sem ficar pedindo ou falando o que queria fazer. Simplesmente fazia. Simplesmente conhecia seu corpo, lia seu arrepio, sabia os locais do toque, do beijo, do sexo, e falava baixinho em seu ouvido tudo o que ela amava ouvir.

     Não se importavam se o carro era um lugar desconfortável, para eles qualquer lugar era lugar, qualquer canto era um mundo de dois que se transformava em um, que queriam entrar um dentro do outro para nunca mais sair.

      Foram para o quarto e se jogaram na cama. Perderam a noção do tempo. O que importaria o tempo num mundo onde não havia hora marcada? Não tinham que dar satisfações para ninguém, então o tempo que esperasse a vontade deles.

      Entre um carinho e outro, ficavam se olhando e lamentando o tempo perdido nesse espaço enquanto ficaram longe um do outro. Não sabiam explicar porque se separaram e nunca mais se viram. Não se conformaram de não estarem juntos desde sempre... A vida prega peças e desenha rumos diferentes, mas o destino entende quando há união de corpos e volta atrás redesenhando o caminho inverso, transformando os corpos em ímãs.

      O reencontro, o brilho nos olhos, o coração pulsando, os corpos colados, não sabiam até quando, mas enquanto estivessem juntos, o mundo e o tempo seriam deles.

      Fim.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Momento Roubado - Conto Sensual


      Sarah caminhava distraidamente pelas ruas da grande São Paulo, com fones de ouvido num som alto, neutralizando o barulho infernal dos carros. Estava num dia tranquilo pois não fora trabalhar devido a um compromisso particular e tirou o dia para caminhar um pouco. Gostava de andar ouvindo músicas e prestando atenção na selva de pedra, no topo dos edifícios, nos últimos andares e ficava imaginando quem estaria naqueles andares, o que faziam naquela hora e vez ou outra apertava os olhos, como se fosse míope, para tentar decifrar a imagem minúscula de alguém que aparecia por trás das janelas.

      Entrou numa ruela para cortar caminho para chegar até sua casa. Do outro lado avistou aquele homem que tanto lhe chamara a atenção em seu local de trabalho. Ele caminhava no sentido contrário ao seu, com as mãos no bolso e de cabeça baixa. Coincidência? Sarah não acreditava em coincidências. Quando ele atravessou a rua, que era transversal a que Sarah estava, olhou para a ruela e também avistou Sarah. Voltou e olhou de novo para confirmar se era ela mesmo. Ela gelou... Nem sabia seu nome. Era um prestador de serviços terceirizado que a empresa contratou por tempo determinado. Mas chamou tanto a sua atenção que agora vendo-o pelas ruas, mal conseguia respirar de ansiedade. Continuou andando, tentando ser normal, mas sabia que demonstrava um certo incômodo em cada passada. Abaixou a cabeça, começou a cantarolar em voz baixa e continuou. Ele a esperou no final da rua, parado com as pernas abertas e com os braços cruzados. E claro, com um sorriso matador.

      Sarah foi se aproximando, não conteve os lábios e devolveu o sorriso. "Oi", cumprimentou-a. "Oi", respondeu Sarah constrangida por não saber seu nome. "Me desculpe, como é mesmo seu nome?", quebrou o gelo, estendendo a mão para cumprimentá-lo. "Camilo", respondeu apertando a mão de Sarah. Ficaram se olhando sem largar as mãos; ele foi chegando perto, sorrindo, ela arregalou os olhos, assustada, mas ansiosa por imaginar o que viria dali para frente.

      Camilo segurou em sua nuca, passou o polegar pelo seu rosto e foi chegando perto de sua boca. Sarah ficou paralisada olhando aqueles olhos castanhos escuros, totalmente hipnotizada. Camilo deu-lhe um beijo na boca, intenso, molhado, longo, deixando-a bamba e sem conseguir sequer levantar os braços para abraçá-lo. Correspondeu ao beijo, assustada. Os lábios macios e grossos de Camilo envolviam toda sua boca, que ora pegava o lábio superior, ora voltava para o encaixe em sua boca e ora apenas passava os lábios delicadamente sobre os seus. Sarah se entregou totalmente nem se importando que estava numa rua pública, numa ruela com pouco movimento onde as poucas pessoas que passavam por eles, olhavam de lado, incomodadas com aquela cena explícita de um beijo apaixonado.

      Enquanto beijava Sarah, Camilo encostou-a na parede, segurou-a por trás e encostou seu corpo no dela. Desceu uma das mãos, até sua coxa, levantando-a. O beijo deixou sua boca e foi para o pescoço, fazendo com que Sarah arrepiasse e gemesse bem baixinho. Sarah ainda estava imóvel, sem entender aquela delícia e onde tudo isso iria parar. Que não pare nunca, pensava ela, com aquele corpo encostado no seu e aquela boca carnuda, macia e lhe devorar o rosto e o pescoço e a saborear sua boca, como um néctar dos deuses.

      Quando Camilo percebeu o estado em que ficou Sarah, foi se afastando aos poucos, deixando-a respirar, segurou seu rosto com as duas mãos, fixando seu olhar nos olhos dela que permaneciam fechados e a boca entreaberta ansiando por mais uma sessão de beijos. Beijou-a de leve, alisou seus cabelos e sorriu. Sarah abriu os olhos e corou de vergonha, por ter se entregado assim tão facilmente a um homem que vira poucas vezes, mas o desejo tomou conta de seu juízo, de seu bom senso, que deu prioridade aos anseios, esquecendo completamente os bons modos aprendidos desde sempre.

      Camilo lhe disse que desde a primeira vez que a vira, teve vontade de beijá-la. Ela sorriu, tímida. Mas que naquele momento precisava ir para terminar o que tinha começado na empresa em que ela trabalhava. Tirou um cartão do bolso e lhe entregou, dizendo que esperaria por um telefonema para se encontrarem à noite. Deu-lhe mais um beijo e se foi.

      Sarah, ainda hipnotizada, continuou encostada na parede. Respirou fundo, passou as mãos nos cabelos e só conseguia dizer "meu Deus, o que é isso?"

      Olhou para um lado, para o outro, olhou as horas, tirou os fones dos ouvidos e continuou a caminhada, ainda se apoiando na parede, com as pernas bambas e um sorriso besta na cara, que teimou em permanecer até à noite, quando ligou para Camilo, toda trêmula, ansiosa por aquela boca, aqueles braços, aquele corpo, o perfume, o olhar, enfim, por aquele homem que a deixou sem ar, que lhe roubou alguns minutos de sua tarde que parecia comum, mas que foi surpreendida por uma emoção que jamais imaginaria ter por um desconhecido. Saberia sobre ele logo mais, quando finalmente olharia em seus olhos e desvendaria todo aquele mistério.

      Mas esse assunto é para outro conto.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Irresistível - Um Conto Sensual


      Diana, depois de uma reunião interminável no trabalho, volta para casa quase cochilando ao volante. Bom que nessa hora o movimento não é intenso, mas essa calmaria a deixa bocejando e atenta para não cometer nenhuma infração. Liga o rádio e aumenta o volume. Começa a cantar e a dançar tentando se livrar do cansaço durante o caminho para casa. Finalmente chega.

      A rua está deserta, então, por segurança, ela passa devagar pela sua casa, verifica se está tudo bem e que não há ninguém suspeito por perto, vai até a esquina e volta. Abre o portão e escuta seu cachorro Theo latir insistentemente. Antes mesmo de sair do carro, arranca os sapatos de salto e vai caminhando sem fazer barulho. Por ser bem tarde tem quase certeza de que Fred já esteja dormindo ou lendo um livro.

      Depois de brincar um pouco com Theo, vai até o quarto, em silêncio, e vê Fred deitado e coberto apenas com um lençol. Ele sorri e diz um "boa noite" com voz de quem estava dormindo há algum tempo. Ela retribui, vai até o marido e deita ao seu lado, colocando uma perna sobre a sua e lhe beija carinhosamente a boca. Pede para ele esperar um pouco e vai até o banheiro. Toma uma ducha rápida e volta, vestindo somente uma calcinha minúscula branca. Fred acompanha a mulher com os olhos e morde o lábio inferior. Ela caminha como uma gueixa, bem delicada, olhando em seus olhos, com um sorriso tímido e um olhar penetrante e matador.

      Diana vai para seu lado da cama e calmamente se deita ao lado de Fred. Ele continua acompanhando com os olhos mas não aguenta e puxa Diana para si num abraço apertado, com beijos no pescoço e na orelha. Ela solta um gemido e se entrega num abraço. Seus longos cabelos cobrem-lhe o rosto, e ele calmamente com as mãos puxa-os para trás segurando-os num rabo de cavalo. Se beijam intensamente e sem que Fred perceba, ela enfia sua mão sob seu travesseiro e tira um par de algemas. Ele percebe e sorri. Diana pega suas mãos, coloca as algemas e prende na cabeceira da cama. Ele geme, olhando bem fundo em seus olhos. Mais uma vez Diana volta sua mão para debaixo do travesseiro e pega um lenço. Fred não sabia desse lenço e estranha, achando que a mulher vai amordaçá-lo. Ela sorri e venda seus olhos. Ele gosta.

      Com movimentos lentos, Diana vai beijando Fred, todo o rosto, pescoço e peito, passando seu corpo sobre o corpo de Fred, como se fosse uma massagem... Se levanta um momento e fica apreciando Fred, com aquele corpo perfeito, com músculos bem definidos, abdome liso, onde ela fica passando as pontas das unhas, fazendo com que Fred arrepie e solte gemidos.

      Continua beijando o corpo do marido e vai descendo até ficar sobre as pernas dele. Mais uma vez ela admira Fred. Depois se levanta, ficando em pé, com Fred entre suas pernas e toca um pé em seu peito, escorregando de cima a baixo. Fred, ansioso, gosta da brincadeira. Continua deslizando seu pé por todo o corpo do marido, inclusive no rosto e na boca. Se abaixa e destranca as algemas, dando liberdade às mãos do marido, que logo procuram seu corpo e num movimento rápido a coloca deitada de costas e começa a apertá-la, beijando-a inteira. Fred não se importa de estar vendado. Já conhecia aquele corpo, sabia de cada detalhe, cada curva, e era só se entregar num prazer infinito, com os minutos marcados.

      Diana não se continha, jogava a cabeça para trás e gemia, apenas com os beijos e o carinho de Fred. Este a imobilizava e a possuía, ao mesmo tempo com força, mas com toda a delicadeza de um cavalheiro, tentando não se empolgar demais e acabar com o prazer antes da hora.

      Sentia o corpo de Diana vibrar, arrepiar, a respiração ofegante, os olhos fechados, fazendo parceria com o lenço que tapava seus olhos. Não precisavam se olhar, conheciam um ao outro e sabiam do que gostavam e queriam tudo aquilo. Sabiam a hora exata de doar um carinho, um beijo, uma mordida. Sabiam a hora que um gemeria e procurava a boca do outro para se entregarem num longo e molhado beijo. Sabiam a hora de parar uns minutos, para que o prazer durasse mais tempo, a noite toda se quisessem.

      Exaustos, se entregam num gemido, ao mesmo tempo, e permanecem quietinhos. Fred sobre Diana, saboreando cada respiração e cada suor de seu rosto, ainda sentindo o coração pulsar como louco, querendo sair e gritar ao mundo que não existia amor maior e que aos poucos se aquietava, e Fred, agora deitado ao lado de Diana, adormecia, e ela, presenciando tudo aquilo ficava admirando o marido e sentindo bem de perto sua respiração, até que não aguentando, adormecia também.

      Não demorou muito e o sol já entrava pelas frestas da cortina, e um raio intrometido queimava os olhos de Fred, que acordava e ficava olhando para sua amada, para sua mulher, para Diana, sua alma gêmea. Ainda tinha uns minutos antes de se levantar. Fred, delicadamente colocou a mão nos cabelos de Diana, com o cuidado para não acordá-la e simulou tocar seu rosto, os lábios entreabertos, os olhos fechados e desceu sua mão pelo corpo de Diana, mas sem tocá-la, apenas pairando a mão e tentando sentir seu calor. O despertador toca, Diana apenas se mexe e vira para o outro lado, Fred beija sua cabeça e se levanta para mais um dia de trabalho.

      Fim.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mulher de Amigo Meu


      Rangel, no caminho de volta para casa, depois de um dia tranquilo, quente, num verão carioca de 40º, para no semáforo e aumenta o som do rádio. Olha para o lado e vê num outro carro, uma mulher estonteante na direção, que lhe sorri mas disfarça quando os olhares se cruzam. Rangel gostou da situação e insistiu nos olhares. Ficou boquiaberto com a beleza da morena com olhos cor de mel que estava ao seu lado, e que se insinuava para ele. Isso não era comum, já que ele sempre estava nervoso, louco para chegar em casa e relaxar. Viu quando a mulher mexeu nos cabelos, mostrando o dourado da aliança na mão esquerda. Mesmo assim, Rangel não se intimidou, pois também tinha a sua dourada na mão esquerda. Abaixou o vidro e perguntou para ela se queria vender a argola dourada. Ela sorriu.

      Depois pararam em outro semáforo e começaram a conversar por gestos, sorrisos, piscadas, e as poucas palavras pronunciadas combinaram de parar em uma pizzaria próxima daquele local.

      Era uma mulher realmente muito linda e irresistível, como Rangel pensara que fosse. Não conseguia ficar quieto com as mãos e logo começaram a se beijar, em frente à pizzaria. Mônica era seu nome. Não entraram e combinaram de se encontrar em um local mais discreto. Um restaurante num bairro próximo, quase sem movimento, era o ideal para os dois.

      Beberam um chop gelado e lambiscaram um petisco. Não aguentando mais, saíram rumo a um motel que ficava na saída da cidade, um pouco longe dali.

      Enquanto Mônica tomava uma ducha, Rangel abriu o champagne e esperou ansioso por aquele monumento irresistível. Antes de se entregarem ao prazer carnal, conversaram um pouco e Rangel descobriu que Mônica era ex-mulher de um grande amigo seu, ao qual jogavam futebol aos finais de semana. Ele gelou. Pediu para que Mônica se vestisse e foram embora. Mônica estava separada há dez meses, mas Rangel não aceitava uma canalhice de se envolver com a mulher ou ex-mulher de um grande amigo.

      Durante dois meses, Rangel fugiu da morena de olhos cor de mel, mas era praticamente impossível, pois Mônica frequentava os mesmos lugares e até na praia fazia questão de ficar próximo dele.

      Num dia, quando o mar estava tranquilo, Rangel foi banhar-se. Mônica, olhando de longe o acompanhou e ficou do seu lado, conversando. Não demorou muito e já estavam se beijando. Mônica disse para Rangel para não se preocupar pois já havia comentado com o ex-marido sobre a situação e que ele não havia se importado. Realmente isso era verdade, pois Rangel, assim que soube quem ela era, conversou com o amigo e contou que havia conhecido Mônica. O amigo, que sabia como era a ex-mulher, tranquilizou-o, dizendo que se fosse da vontade dos dois, não teria problemas. Mas a consciência pesou e Rangel resolveu se afastar.

      Depois de muitos beijos, naquela água fresca, tranquila, a praia não muito cheia de pessoas, o sol quase se pondo, a brisa a envolvê-los, Rangel se entregou ao desejo, ao pecado carnal e teve Mônica nos braços, explodindo de paixão, sem se importar com sua argola dourada no dedo da mão esquerda. Cada vez que Rangel olhava para Mônica, ficava encantado com tanta beleza e tanta gostosura. Aquele corpo perfeito, os seios redondos e empinados, a barriga chapada, as pernas roliças e o bumbum empinado e firme. Corpo firme, mas não musculoso. Não tinha visto nada igual até então. E sabia que era uma mulher discreta, que não ficaria atrás dele para perturbar-lhe o sossego, e que não tinha o interesse de lhe prejudicar de alguma forma. A mulher perfeita! Se encantara de tal maneira, que tinha medo dessa paixão virar amor, por isso tomava todo o cuidado do mundo sobre seus sentimentos. Tinha certeza do domínio sobre si e assim o fez. Sabia que era somente paixão, pois não tinha planos, não sentia ciúmes e não se importava que Mônica tivesse outros homens além dele. Queria mesmo era extravasar sua vontade, seus desejos, realizar suas fantasias e passar momentos tranquilos com uma pessoa, que além de linda, era uma ótima amiga. Amava a esposa, mas esta não o satisfazia como assim o desejava. E procurava por aventuras pela cidade e teve a sorte de encontrar Mônica.

      Não se encontrou mais com o amigo, ex-marido de Mônica. Achou melhor não mais fazer parte do time de futebol, pois não conseguiria encará-lo tranquilamente. Sabia que não haviam mágoas, nem traições entre os dois, pois tudo foi colocado às claras, antes de acontecer qualquer coisa.

      Rangel e Mônica não se desgrudaram por quatro anos. Tudo tranquilo, discreto, mas com muita paixão, tesão, e com cuidado para que essa aventura, mais uma na sua vida, não caísse em olhos e ouvidos errados, capazes de atrapalhar sua tranquila vida de homem casado.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A Brisa como Testemunha - Conto Sensual


      O dia já clareando e o calor me fez levantar bem cedo da cama.
  
      Caminhei até o terraço de minha cobertura no Leblon e ao longe vi o sol nascer, todo majestoso; a brisa ainda fresca, e o sol que daqui a pouco queima minha pele.
  
      Fiquei olhando o horizonte, sentindo aquela brisa no rosto e o cheiro de café e pão, vindos das padarias lá de baixo, na avenida.
        
      Como é lindo o Rio de Janeiro!
  
      A brisa, ora forte, ora suave, balançava minha camisola branca de cetim, escondendo apenas as partes do tronco, e mostrando, às vezes, o fio dental de renda.

      Nessa hora viajei, imaginando voar por sobre o mar azul, ainda calmo, com apenas alguns surfistas que se atreviam a enfrentá-lo tão cedo.
  
      Nem reparei que você vinha ao meu encontro, sem fazer barulho, como um gato querendo sua presa, todo enrolado no lençol, com um sorriso nos lábios e aqueles olhos azuis que doem a alma de tão límpidos. É como ver o mar, como diz a canção; azuis que mudam de tom quando o tempo muda de cor. O corpo não muito musculoso, mas perfeito, as coxas um pouco grossas, moreno bronzeado e uma evidência que destacava com um branco da marca da sunga. Meu homem!
  
      Foi se aproximando, abriu os braços e vi que estava nu, sedento por me tocar.
  
      Me abraçou por trás de forma que também me cobriu com o lençol, me beijou o pescoço, a nuca, os ombros, me deixando toda arrepiada... me disse coisas carinhosas nos ouvidos: - linda, você é linda demais; te quero; te amo. Segurei o lençol que ainda nos cobria, de forma que suas mãos ficassem livres para percorrer o meu corpo quente.
  
      Começou a tocar meus seios, minha barriga e enfiou sua mão dentro de minha calcinha. Não me contive, joguei a cabeça para trás e me entreguei. Respiração ofegante; gemidos; sussurros... Você apenas afastou minha calcinha, levantou  minha perna, me abraçou forte e eu me entreguei... Como é bom isso!

      Neste momento me esqueci da bela paisagem, daquele horizonte que acordava, do barulho dos carros, do perfume dos pães e do café na padaria. Apenas nós dois naquele terraço, isolados do mundo, e mesmo o sol que já me cutucava com seus raios não me fez sair do transe do prazer, da loucura do desejo, do amor...

      Continuou me beijando a nuca, a orelha, a boca, até que não aguentamos mais; um gemido mais intenso e depois um relaxamento... ainda ficamos abraçados, nos beijando, nos declarando, nos decorando cada parte do rosto, cada detalhe, cada respiração ofegante que aos poucos voltava ao normal, o coração disparado, quase não cabendo dentro do peito... e nós dois ali, em pé, tendo como única testemunha aquela brisa suave, ainda fresca, de uma primavera quente, sedutora... avassaladora... como nosso prazer, como o nosso amor....