Síndrome do pânico - condição mental que faz com que o indivíduo tenha ataques de pânico esporádicos, intensos e muitas vezes recorrentes.
Depressão - não é tristeza; é uma condição duradoura de tristeza; perda de prazer nas atividades diárias; apatia.
Durante alguns anos, após a separação, fiquei nesse estado: com pânico e depressão. Virei outra pessoa, com outras atitudes, esqueci de me cuidar, esqueci do que gostava, esqueci o que era lazer, esqueci o que era carinho e amor. Aliás, carinho e amor só com meus filhos.
Mais uma vez vi o quanto Deus é perfeito na nossa vida. Se não fossem meus filhos, acho que não estaria aqui escrevendo...
Por que eu fiquei mais de doze anos trancada em casa com essas doenças? Porque quem tem essas doenças não imagina que tem e muito menos tem a iniciativa de procurar ajuda. Enxergamos o mundo de uma outra forma, num tom cinza escuro... E o tempo vai passando, passando....
O pânico era tanto que eu não conseguia sair de casa, com medo de morrer pelas ruas e ninguém nunca mais me achar; ou então as pessoas me verem morta, caída no chão e me deixarem lá, até apodrecer. E com isso ninguém sentir minha falta. Então, ficando em casa estaria segura de que se morresse, alguém me acharia fácil. E junto com o pânico veio a fobia de lugares fechados, de multidão, de lugares pequenos... Até hoje ainda tenho um pouco de fobia, mas já melhorei muito; já não fico suando frio, e nem com desespero de sair correndo do lugar. Mas ainda fico olhando para todos os lados e, se eu estiver sozinha, ando de um lado para o outro, tentando sair da multidão o mais rápido possível.
Ainda tenho crises de depressão: ainda choro, talvez o dia todo, sem um motivo certo, me lembrando do passado. Mas essas crises são cada vez mais raras.
Voltando um pouco a história, quando me dei conta de que não estava bem, nas várias crises de pânico, eu temia ter um enfarte ou AVC, e marcava com o médico para ver se corria esse risco. Numa dessas consultas, o médico começou a fazer perguntas, e uma delas era se eu gostava de colo. Eu olhei para ele e comecei a chorar, porque me dei conta de que nunca tive colo. E contei do meu medo de morrer, onde ele diagnosticou como pânico e depressão. Me receitou gotinhas homeopáticas, que me ajudaram muito, e aos poucos fui voltando a ser o que era antes.
Por que eu disse tudo isso? Fiquei anos, mais de doze, com todos esses sintomas, com filhos pequenos para cuidar, e quem estava "supostamente" do meu lado, achava normal. Antes disso tudo, bem antes de me separar, eu era uma pessoa alegre, bem humorada, vaidosa, como estou sendo agora, e fui me acabando aos poucos, e quem precisava perceber que havia algo errado comigo, não percebeu, ou se fez de cego... não sei... já passou. Talvez depois de passar por tudo isso, reavaliei minha vida e excluí o que não me servia para nada. Sem medo ou remorso, apenas me afastei de todos. Já que eu era sozinha quando precisava das pessoas, agora que estou melhorando, não preciso dessas pessoas.
Mais uma vez entra a misericórdia de Deus, que nunca nos abandona e sempre dá um jeito de colocar em nosso caminho, pessoas de bem, sensíveis, amigas, que nos dá a mão, amor, carinho, enfim, tudo o que o ser humano precisa para ter uma vida normal.
Agora chego onde quero: me atrevi a fazer uma viagem longa, e sozinha! Fiquei me preparando durante uns dois meses, com um certo pânico, mas encarei numa boa porque me encontraria com pessoas que queria conhecer. Mas viajaria sozinha e sabe lá o que aconteceria durante o percurso... E se eu passasse mal, ou se entrasse um ladrão dentro do ônibus e roubasse minhas coisas, ou se numa das paradas o ônibus me esquecesse e eu ficasse sozinha num lugar desconhecido? E se acontecesse um acidente e ninguém conseguisse localizar alguém que me conhecesse? Bem, é assim mesmo que eu pensava.
Mas chegou o dia, passagens compradas, ida e volta, e lá fui eu embarcar num ônibus com rumo certo, mas com destino indeterminado segundo meus pensamentos. Não tinha como voltar atrás.
Fui para Belo Horizonte conhecer amigas do facebook, como viram no
post passado. Me informei de tudo, principalmente a duração da viagem: mais ou menos sete horas; mas demorou mais de nove horas. Para me distrair, fui fazendo crochê praticamente a viagem toda, e isso foi ótimo; e para voltar, vim dormindo, já que era noite. Cheguei à noite, num horário de pico, em plena sexta-feira, cidade grande, e ainda tive o topete de pegar táxi para ir à casa da amiga, que me esperava. Olhava para os lados, aquele movimento intenso e só pensava: "o que eu estou fazendo aqui, meu Deus?", mas não tinha volta; já que tinha chegado até ali, tinha que ir até o destino programado. E fui!
Antes de chegar à casa da amiga, tive uma crise de choro, ainda dentro do ônibus, só de pensar que tinha conseguido sair de casa, andar mais de quatrocentos quilômetros, sozinha.... e salva! E quando cheguei na casa de Cássia, também chorei ao vê-las todas me esperando de braços abertos, com aquele abraço apertado, aquele carinho todo, a atenção... gestos que eu não estava acostumada.
Enfim, me senti curada, ou quase curada. E isso me deixou orgulhosa de saber que apesar de não ter muito apoio de pessoas que deveriam perceber, de certa forma, eu percebi e aos poucos me curei.
Ainda falta muito para me sentir bem, para ultrapassar todas as barreiras, todos os medos, choros, mas a primeira batalha eu já ganhei: sair de casa, viajar para um lugar distante e desconhecido e me encontrar com pessoas que não conhecia pessoalmente.
É ou não é uma aventura? Eu fui! E não morri!
Um ótimo fim de semana para todos!