terça-feira, 5 de julho de 2011

Não me arrependo

Depois de 22 anos que me formei em Educação Física ao qual eu tinha inúmeros projetos e eu sei que iria alcançar todos, até hoje me perguntam por que não segui carreira.
Já decorei a resposta:
- Eu não tinha onde deixar meus filhos e combinei com meu marido na época de ficar somente tomando conta deles.
Quem pergunta não se conforma pois me esforcei tanto, lutei tanto, por que abri mão e agora trabalho em casa já que as crianças estão crescidas.
É difícil responder como as pessoas querem ouvir. Essa resposta eu não tenho.
Naquela época, eu praticamente me sustentava (estudos, condução, roupas, etc) apesar de morar com meus pais. Tive a sorte de sempre ter bons empregos e ótimos salários. Eu queria abraçar o mundo e naquela época não deu pra fazer tudo o que eu queria. Falta de tempo, de oportunidades e de grana.
Passei no vestibular, ia e voltava todos os dias, pois a Faculdade ficava em uma cidade vizinha distante 60km.
Eu sempre digo que tive muita sorte, sempre fiz tudo que quis, sempre fui atrás de meus sonhos e de meus objetivos e sempre alcancei todos.
Terminado o curso, me casei de livre e espontânea vontade...
Sempre fui da paz, evitava ao máximo as brigas e as discussões. Com isso fui abrindo mão de tudo. Quando percebi estava sozinha em meu mundo, afastada de meus amigos e até de minha família.
Voltando um pouco a fita, em minha infância, sempre fui sozinha, brincava sozinha, ia à escola sozinha... Apesar de morar com a família com mais 4 pessoas. Cada um pro seu lado.
Mas era feliz, ou não tinha noção ainda da vida... Tudo normal pra mim.
Esse modo como fui criada me fez uma pessoa independente desde muito pequena... Nunca gostei muito de ficar pedindo coisas, sempre me virei,  dava um jeito. Se não tinha eu ia atrás e acabava conseguindo sem ficar pedindo pra quem quer que fosse. Isso foi bom. Mas eu confesso que me prejudicou e muito. Todos estavam  lá, eu os via, conversava, tinha aniversário, natal... e só. Fica um vazio na gente que não tem como explicar.
Mas depois do casamento a responsabilidade aumenta... Não que eu esperasse um conto de fadas. Mas eu queria meu canto, minha vida, minha família com filhos e tudo que eu nunca tive. Afeto.
A intenção era essa mesmo: família com afeto, um lar doce lar de verdade.
Talvez por esse meu jeito totalmente independente carente não soube lidar com situações... Talvez nunca soube compartilhar nada, principalmente amor. Sempre fui muito "fechada" e tímida e com isso criei uma redoma em minha volta que não deixava entrar o que eu mais precisava.
E com essa minha fraqueza pessoas completamente sem caráter se apoderaram de minha boa vontade e fizeram o queriam comigo, já que eu não conseguia dizer não. Queria agradar os outros pra ser aceita.
Na minha infância eu só era percebida quando fazia alguma coisa que alguém de fora me elogiava, aí os que estavam por perto percebiam e até esboçavam um agrado.
Hoje não culpo ninguém, não tenho mágoa e nem raiva, acho que eles fizeram o melhor que podiam. Se me tratavam assim é porque talvez não sabiam transmitir mais nada além de presença.
Bem, voltando aos meus filhos... Depois que me casei, tinha um excelente emprego e um ótimo salário, e pra começar eu precisaria deixar o conforto pra poder dar aulas. Fui adiando, adiando e fiquei grávida.
Meus sonhos ainda continuavam em mim.
Nasceu minha filha... E quem é mãe sabe o amor que sentimos... incondicional.
Quando vi aquela carinha redondinha com bochechas rosadas e olhos azuis, não aguentei. Não desgrudava nenhum minuto. Não conseguia deixá-la com ninguém sem ficar apavorada de acontecer alguma coisa.
Então, combinei com o marido de ficar em casa até ficarem mais grandinhos e aí sim eu trabalhar em minha profissão... a que eu escolhi.
Nesse percurso muita coisa mudou, o casamento acabou e foi um inferno, um bombardeio de todos os lados. Já tinha nascido meu segundo filho. Foi a pior fase de minha vida.
Eu olhava pra eles e não me passava outra coisa na cabeça... Como é que eu vou deixar meus bebês com pessoas que não conheço? Eu preciso, necessito de amá-los, de estar perto pra qualquer coisa.
E o tempo foi passando, passando e hoje estou aqui achando uma explicação pra todas aquelas perguntas que me fazem. Hoje sei que fiz tudo isso inconscientemente... Por consequência de minha infância e não queria correr o risco. Acho que é coisa de mãe mesmo.
Eu respondo:
- Eu abri mão de minha vida por amor aos meus filhos porque sei o quanto é difícil estar no meio da multidão e não ser notada e muito menos amada.
É isso. Esse risco meus filhos não correm. Estou por perto pro que der e vier. Meu amor é imenso e é todo deles.
Se estou certa ou errada? Não sei, eu fiz o que meu coração ordenou. E não me arrependo.
Mas lá no fundo, bem no fundo de minha alma... Eu não parei de ter sonhos... Eu vou voltar a estudar... Vou aprender línguas como eu sempre quis e vou ser feliz porque Deus não me colocou nesse mundo à toa pra ser só mais uma. Ele sempre teve muitos planos pra mim e vou atrás de todos... Vou resgatar todos e... Me aguardem...

16 comentários:

  1. Bom dia Amiga!

    É um ato muito corajoso de se mostrar e se auto analisar deste modo, isto já é um grande passo...

    Não sou especialista nesta área do psique, mas vou dar os meu pitacos:

    - Vc é mortal, um dia vc não estará presente com este amor incondicional, e filho é um pássaro aprendendo a voar p/ ganhar a amplidão do céu... Ele vai para o mundo, e neste mundo não existe só amor incondicional...

    Dizem que o instinto é o primeiro pensamento que vem a mente, porém eu sigo um infalível - Ouça sempre o seu coração! O resto é consequência de atitudes de tudo que fizemos por amor, jamais se arrependa, agradeça! A vida é e sempre será uma grande aprendizagem.

    Se estivesse agora do seu lado te daria um grande abraço cheio de energia e diria - Siga em frente, vc é nova, e celebre que a vida é bela e vale ser vivida cada momento!

    Um dia iluminado p/ vc.

    Beijos e carinhossssssss

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  2. Linda Clara querida!

    Ontem li por aí que carinho, afeto, amor virtual não existe. Existe sim. Há pessoas na telinha que se algum dia me deixarem pra lá, vou chorar e sentir imensa saudade e falta. Uma delas é vc, Clara. Gosto do seu jeito espontâneo, do seu bom humor, da sua garra, do jeito de escrever com alma. Tenho um grande carinho por você.
    Vai mesmo em busca do que quer e você conseguirá... estou te aguardando sempre para aplaudi-la nas suas conquistas e vitórias.

    Girassóis nos seus dias.

    Beijo

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  3. Devemos sempre seguir o coração e na época foi o melhor pra ti ,não?

    Agora, se ele pede estudo, cursos, segue novamente,Mas lembra que já és importante, tiveste e cumpriste uma linda tarefa. beijos, tudo de bom,chica

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  4. Bia, minha querida amida, vc me fez chorar de emoção e eu te agradeço pelas palavras. Acho que durante a minha vida toda eu não tive (por culpa minha) o que eu estou tendo virtualmente. Vcs todos queridos tão longe e tão perto.
    Beijos.

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  5. Celina, eu já disse que te peguei pra mim, não disse? Então, vc já é minha e ninguém tasca.
    Tudo o que vc diz pra mim é muito importante e sempre leio com atenção. Me ajuda muito mais do que vc possa imaginar.
    Beijos pra vc, minha querida.
    E os "por aí" não sabem nada da vida.

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  6. Chica, eu sempre tive necessidade de estar em aprendizagem, nunca consegui ficar parada, inerte... Esse foi um tempo difícil, mas que como tudo não durou pra sempre.
    Vou começar de novo sim, vida que segue.
    Beijos.

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  7. Clara, você é maravilhosa! Projete seus planos para a ação, e então tudo acontece. capacitada e inteligente como é, você realizará tudo no ritmo certo.
    Eu confio em você! Besos

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  8. Olá,Clara!!

    Cada escolha tem um preço,por isso é sempre melhor escolher a que estamos disposta a pagar.Foi o que fizeste, por isso não se arrepende!E os outros...bem cada um pense o que quiser, tens que tomar as decisões que vão fazer bem ao seu coração!
    Beijos pra ti!
    E é isso aí!Sonhe, busque...sempre é tempo!

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  9. Diva, eu sempre vou atrás e as coisas que quero sempre veem ao meu encontro. Por isso digo que tenho sorte. Mas cada coisa a seu tempo. E o tempo a gente faz.
    Besos, querida amiga.

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  10. Vivian, que coisa mai fofa a sua filha. Crescem muito rápido.
    Eu sonho muito e às vezes eles acontecem. Ou talvez mudo os planos e sonho outras coisas. Tudo vai do momento.
    Beijos pra vc e pra bonequinha que gosta de Barbie. Linda.

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  11. Clara, que texto sincero (como sempre muito bem escrito)... a gente lê e parece que enxerga muito do que vc sentiu, viveu.

    sei q vc deve ter sido muito cobrada, por não ter seguido a carreira profissinal do jeito que acham que vc deveria ter seguido. E se tivesse, iam te cobrar por ter "largado" os filhos...

    eu sinceramente acredito mesmo que a gente sempre age certo, mesmo se errar. pq a gente sempre escolhe fazer o que julgamos ser o melhor. e como é vc que vive dentro de vc, então vc sabe que era o melhor caminho a ter seguido: cuidar de seus filhos.

    qualquer coisa no mundo acaba, do dia pra noite, a gente nunca sabe o que pode acontecer. Menos esse amor entre vc e seus filhos, que é inquebrável e indestrutível. então te dou os parabéns por ter feito a melhor escolha.

    bom dia!

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  12. Obrigada Alexandre... vc sempre tão delícia comigo. Muita gente vê o status, o dinheiro, a posição social, mas pra mim tudo isso é passageiro. Eu prefiro sempre ser do que ter. Filho é a melhor coisa que eu tenho e não abro mão. Tem que ser lapidado e muito bem cuidado senão vira monstro e foge de nosso controle. Eu fiz o que tinha que ser feito e tô feliz por todos os comentários. São muito importantes pra mim.
    Beijos, obrigada!!!

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  13. Oi Clara!

    Pelos filhos vale a pena tudo! Nunca tive, mas sei o que representa em nossa vida: o sentido da existência!

    Nunca desista de seus sonhos! Tudo há de ser feito a seu tempo!

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  14. Neo, tudo a seu tempo... eu concordo. Mas não desisto fácil não... eu tenho o péssimo hábito de se teimosa.
    Beijos.

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  15. Não tenho filhos ainda, mas já me incomoda pensar em tê-los e não poder ficar o tempo todo junto... eu teria feito o mesmo que você.

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  16. Camila, dói. Mas cada caso é um caso.
    Eu não suportaria ficar longe.
    Beijos.

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