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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Cora Coralina


Conclusões de Aninha
Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.
O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?
Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
“A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar.”
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.
 

Este poema me lembrou do Bolsa-família. Acho que a pior das angústias é passar fome. Não dá pra esperar até amanhã ou até a semana que vem. A fome é diária. 
Claro que tem abusa da ajuda do governo, mas muitos que não tinham o que comer hoje já podem se alimentar com gosto.
Uma situação pra se pensar quando for ajudar ou julgar alguém ou alguma família.

6 comentários:

  1. Oi, Clara!
    Existe duas visões sobre a Bolsa Familia e o próprio Lula se contradiz quando fala mal da cesta básica - veja https://www.youtube.com/watch?v=7zeQD0YxECI
    Cora Coralina tem um olhar social crítico e quando sugere qual forma seria melhor de ajudar um povo ou no caso uma pessoa, sugere que o que falta em uma sociedade é mais humanidade. Pois o que chama a atenção no poema acima é que as pessoas não estão preocupadas com o problema descrito, pois tanto o homem quanto a mulher, não estavam interessados em ajudar arregaçando as próprias mangas, mas apenas dando dinheiro ou sugestões.
    Beijus,

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    Respostas
    1. Ela sugere isso, mas na realidade, principalmente no interior de São Paulo onde moro, existe a humanidade sim. Há vários postos de ajuda humanitária, distribuição de alimentos, remédios, ajudas de todos os jeitos. Alguns é que abusam e se acomodam, como bem disse Lula, e é sim, moeda de troca com voto, infelizmente. Vejo muito isso por aqui... É lamentável, mas ainda é a realidade. Ainda sobre o poema, muitos ajudam sim, mas muitos não querem ser ajudados dessa forma. Infelizmente Cora soube se expressar muito bem, mas a realidade é bem outra. Talvez não como ela imaginasse, mas é bem outra sim.

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  2. Acho que, na prática, a ajuda mesmo é para colocar "a mão na massa". Nem um pouquinho de dinheiro resolve o problema, nem ajuda espiritual é necessária nessa hora. Mesmo crendo, há coisas que temos que fazer, independentemente de Deus e Nossa Senhora. rs
    Quanto à Bolsa Família, se melhor vistoriada, se melhor compreendida, cumpriria seu papel. É dever do Estado ajudar o cidadão, mas há que, junto se dar a linha, o anzol, a vara...Chega num ponto, que nem a isca deve ser dada...
    Beijo, Clara.

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    1. Tem gente folgada, Lúcia, que não merce essa ajuda. Deveria ser provisória até a família se ajeitar de uma outra forma. No Brasil tudo se dá um jeitinho e o povo já está acostumado a ter essa ajuda. E não dá valor.
      Mas passar fome e ver um filho com fome, gente, isso é a pior das situações.

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  3. Os dois lados do Bolsa-Família se chocam entre si: o auxílio e o vício, mas como equalizar a questão da fome urgente? Creio que num primeiro ato seria sim, esta a solução para depois, estender outras ações de fomentos realmente estruturais,tipo o ditado conhecido: "ensinar e favorecer a pesca."
    A Marli Borges, colocou no último post esta questão e elucidou umas dúvidas.
    A lírica Cora nos transporta, através da poesia, para o lá e o aqui.
    Bjkas, Clara.
    Calu

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  4. Oi, Clara. Interessante ponto de vista... Pensando no que escreveu talvez fosse o caso de readequar o programa em suas regras. Quem sabe determinar um prazo (dado ao próprio governo) para reintegrar a família ao trabalho (por exemplo, seis meses), deixando de tornar o Bolsa-família estigmatizado como estímulo ao ócio. Um abraço!

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