quarta-feira, 5 de março de 2014

Meu Homem - Conto Sensual


      - Alô...

      - Dona Fabiana, aqui é da recepção. A senhora pediu que lhe acordássemos às 6:30h. Bom dia!

      - Ah, sim, bom dia... Obrigada!

      Fabiana, espalhada na enorme cama, continuou abraçada ao travesseiro e com o edredom entre as pernas. Custou a abrir os olhos e a enxergar nitidamente, mesmo com a luz do abajur acesa. Fecha os olhos e antes de cair no sono novamente leva um susto: o celular começa a tocar uma música que ela, propositalmente, não gosta muito. Sertaneja, das antigas... Tem que se levantar para travar aquele barulho quase insuportável que lhe atordoa todas as vezes que precisa madrugar. Bem, nem era madrugada, mas para ela qualquer horário antes do meio dia era madrugada. Era da noite, das estrelas, de ver o sol nascer, e acordar cedo era seu maior martírio.

      Com os olhos semicerrados caminha até a cômoda belíssima em mogno, envernizada, e pega o celular. Trava a música e vê uma mensagem de seu marido. Uma foto. Nada além de uma foto no espelho, sem camisa, exibindo o peitoral só para lhe atiçar... E um sorriso malicioso com segundas intenções fingindo serem as primeiras... Saudade demais.

      George sabia provocar... Bastava tirar a camisa e ficar olhando Fabiana de longe que o sangue já fervia. Como um felino ele se aproximava calmamente e lhe pegava a nuca, segurando firme em seus cabelos, puxando-a e olhando sua boca já entreaberta, depois colocava seu rosto entre as mãos, firme, direcionando os lábios para o canto de sua boca, roçando a barba cerrada, de leve, e umas mordidinhas no queixo. Ficava de olhos abertos só para vê-la fechar os olhos e se entregar num longo beijo.

      O local nem importava... Em pé, ou sentados, ou deitados no chão, no sofá, na cama, não importava. Não dava tempo para escolherem um lugar confortável. Qualquer lugar se tornava confortável...

      Olhando a foto pelo celular Fabiana se sentou na beirada da cama, suspirou mordendo o lábio inferior, fechou os olhos e suspirou. Tocou sua nuca imaginando ser George a lhe tocar, percorreu seu corpo com a outra mão e se deitou novamente. George a dominava mesmo estando longe... Entre suspiros e mãos deslizantes, o celular novamente toca a música imprópria para aquele momento. Fabiana suspira mais forte, abre os olhos e se levanta irritada.

      - Sete horas já? Seu bandido, se eu perder o voo a culpa é sua, seu safado...

      Fabiana tenta ser rápida no banho, mas a imagem de George no seu celular lhe invade a mente e seu corpo gruda no dele, escorrega as mãos com a espuma do sabonete e lhe tira o fôlego deixando a água escorrer pelo seu rosto. Não consegue pensar em mais nada que não seja George lhe devorando a boca e quase fazendo com que desfaleça em seus braços. As pernas ficam bambas, a respiração ofegante e o coração não se contenta em ficar quieto. Faz o que bem entende dentro de seu peito desrespeitando a sincronia com sua respiração. Ainda tem a lucidez de não se demorar e correr o risco de ter que esperar mais algumas horas para tê-lo.

      Terminado o banho, Fabiana se lambuza com um creme de canela deixando a pele macia, perfumada... E com a ponta do dedo médio molha no perfume amadeirado que pegou escondido dele, o que mais gostava, para não morrer de saudades enquanto estivesse fora. Uma gota atrás das orelhas, nos pulsos e na nuca. Uma ajeitada nos cabelos molhados, um batom nude e uma roupa confortável. Calça jeans, camiseta azul marinho e sapatilhas baixas. As malas já estavam prontas desde a noite passada pois sabia que seria difícil fazê-las quando acordasse. Foi até o restaurante do hotel, tomou um rápido café e voltou ao quarto. Verificou se não estava esquecendo de nada e pediu para que buscassem suas malas.

      Já dentro do avião, antes de desligar o celular, uma última olhada em George... "Meu George", com aquele peito nu que tanto lhe provocava. Sedutor, carinhoso, cheiroso e tímido. O sorriso malicioso devia ser por isso mesmo. Uma surpresa inusitada sempre que precisava ficar fora por conta do trabalho. Só não era tímido na hora do amor, a qualquer hora que desse vontade... Se soltava como um bicho sedento por fêmea, sem pudores, sem vergonha, se entregava de corpo e alma e depois puxava-a para deitar em seu peito, enquanto acariciava seus cabelos...

      Mais algumas horas e a saudade seria morta! Mais um pouco e sentiria de novo o cheiro de George, não aquele amadeirado, mas o cheiro da pele, o gosto da boca e o abraço envolvente e protetor... E também as roupas todas espalhadas em cima da cama, toalhas no chão e sapatos na sala, mas quem se importaria com a bagunça quando se tem um George para lhe tirar do prumo?

      Fim.

12 comentários:

  1. rs...Sempre maravilhosa e voando na imaginação...Se George era tão bom assim e legal, que mal fazia o resto,as bagunças, até toalhas molhadas, respingos de xixi fora do vaso,rs...beijos,chica

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    1. Então, e tem mulher que implica com bem menos, né? Depois reclama de não ter um George...

      Chica, beijos caipiras!

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  2. eita Clara! que tá beleza esse conto! adoro seus contos e crônicas.
    esse tá hot, tá sensual na medida certa. gostei!
    sua linda.

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    1. Sim, bem sensual... só com pitadinhas de imaginação pro leitor...
      Meu lindo amigo querido e amado... beijos

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  3. Nossa estes "Georges" são raros nos tempos de hoje...
    Fabiana tem sorte, hein?...rs
    Ótimo "inicio de Ano" para você também, Clara querida
    Beijinhos de
    Verena e Bichinhos

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    1. São raros sim que eu sei, mas existem! E também, vamos combinar? Depende muito da mulher ele ser assim ou não... eu acho!
      Beijos, menina!

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  4. Clarinha eu tbém quero um George assim
    pode ser um Zé um João mas se for apaixonada
    hummm........lindo conto bem sensual gostei
    parabéns viu minha linda

    Abraços de sempre

    ¸¸.•*•❥ ¸¸.•*•❥Rita!!

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    1. E quem não quer um George assim? rsrsrs

      Beijos, querida!

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  5. Lindo. Coisa boa ter um George para chamar de nosso...rsrs Tenho o meu e, ó, coisa boa a imaginação...
    Beijo, Clara.

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    1. Ai se não fosse nossa imaginação, né, Lúcia, podemos ir onde quisermos, com quem bem entendermos e a hora mais imprópria do mundo!
      Beijos, querida!

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  6. Clara querida, viajou hem?? Rsrs
    Bendita seja a união da Fabiana e do George.
    O bom mesmo é se apaixonar e quando se é retribuído aí é que é melhor
    mesmo. Minha querida amiga, muito obrigado pelo comentário que fez lá na
    entrevista com a Anne, como posso retribuir? Somente com a minha simples e
    humilde amizade.

    Abraços e continue viajando, faz bem.

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  7. Muito bom Clara criando o frisson do casal.
    Parabens por mais uma bela construção.

    Lindo fim de semana com meu terno abraço.
    Beijo de paz e luz amiga.

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