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segunda-feira, 23 de março de 2015

A Delícia de Ser Mãe


Minha filha Amanda está no quarto ano de Fisioterapia e fazendo estágio. E todos os dias ela conta um causo.

No começo ela ficava receosa por ter que lidar com pessoas tão frágeis, medo de errar, de machucar, mas tranquilizei-a, dizendo que estaria em estágio e sendo assistida por profissionais competentes. E que seria agindo que aprenderia o ofício da profissão.

Os alunos foram divididos em turmas e revezavam no atendimento.

Já ficou agoniada na primeira semana ao estagiar para idosos. "Parecia que iam se quebrar", dizia ela, mas no final tudo deu certo. "Pelo menos os idosos são obedientes", continuava, e entre eles havia uma senhora, que segundo os coordenadores, tinha alzheimer.

"Que dó, mãe, ela não se lembra nem do dia que tem que ir na fisio!", lamentava ela. Essa senhora era sozinha e não tinha ninguém que cuidasse dela. Isso deixava minha filha mais agoniada ainda. "Mãe, eu fico com dó porque sei que não tem cura, e cada dia ela vai piorar até não se lembrar de mais nada!".

Eu entendo a agonia dela, pois a degeneração humana mexe muito com a gente. "Filha, ela não está sofrendo, pois não se lembra de anda!" Não sei se ajudou, mas ela ficou pensando no assunto.

Este mês ela está atendendo as crianças. Várias com várias deficiências e todas sendo crianças, com teimosias, birras, dores, enfim.

E entre elas um garotinho que todos diziam ser impossível de lidar. Teimoso, chato, com paralisia cerebral. E ela justamente foi cuidar dele. E não é que ela conseguiu conquistar o garoto que até lhe deu um beijo, se despedindo?

É bom ver filhos crescidos, com saúde, capazes e seguindo rumo aos desafios do mundo. Ter contato com as diferenças às vezes nos choca, mas nos coloca com os pés no chão e nos faz pensar duas vezes antes de ficar reclamando sem necessidade.

Não digo que tem que sofrer ou passar necessidades para dar valor, mas conviver e aceitar o ser humano como ele é, com todos os sofrimentos, nos engrandece muito.

Eu sempre digo que não deve ser fácil ter limitações ou ser dependente das pessoas para fazer necessidades básicas de sobrevivência, mas quem já nasceu com algum tipo de deficiência não sabe e nunca soube ser de outra maneira. Aprendeu a viver com limitações, assim como nós aprendemos a andar. É claro e justo que eles devem ter uma facilidade de ir e vir, de viver e se socializar com o mundo de uma maneira mais simples possível.

Uma gentileza, uma atenção, um cuidado, todos podemos ofertar a quem precisa, independente se tem deficiência ou não. Um ajudando o outro e todos vivendo da melhor maneira possível.

Ano que vem já terei uma filha formada, uma fisioterapeuta. Gente, como o mundo voa!


5 comentários:

  1. Que lindo e como é bom ver nossos filhos assim,né? Valeu! beijos e bom estágio pra Amanda! chica

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  2. É muito bom vermos nossos filhos se realizando na vida , podendo ajudar àqueles que precisam.
    Beijos.

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  3. Clara, acho que toda profissão que lida com a vida, seja em que etapa for, deve ser um "sacerdócio". Uma vocação mesmo, pq os caminhos nem sempre são fácies. Agora, lidando com as limitações da minha mãe, e vendo os profissionais atuarem, noto o carinho, a dedicação, o amor mesmo que eles têm pelas carreiras. Fisio, fono, enfermagem, médicos, todos lidando com o impossível, o improvável, mas com a dedicação de quem verá uma manifestação boa, a qualquer momento. Que a Amanda seja muito feliz e gratificada em sua profissão.
    Beijo.

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  4. Parabéns para a filhota!!!
    Um beijinho para vocês duas.
    Com carinho de
    Verena e Bichinhos

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  5. Já parabenizo a filhota por ter este coração que se emociona diante de um idoso, de uma criança em tratamento de saude.
    Que ela possa formar e ajudar muitas pessoas a ensaiarem novos passos.
    Isto da realização é muito lindo Clara e o tempo não voa ele anda de supersônico.
    Um abração amiga.
    Beijos

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