sábado, 28 de setembro de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 22ª Edição



Mas que tapada essa mocinha desse livro! Vontade de dar uma voadora na cara dela pra ver se acorda pra vida. E o rapaz com cara de paisagem.

 Participando da Blogagem Coletiva Escritos Lisérgicos. Vamos participar? Cliquem no link.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vencendo o Medo


Participando da Blogagem Coletiva do Blog M@myrene. Vamos participar?

      Mais um fim de semana de tortura para Rafael, pois mais uma vez iriam para a casa nas montanhas. Não gostava de lá pois seu pai sempre insistia em levá-lo para a casa na árvore e a empurrá-lo naquele balanço medonho. Nunca havia sentado naquele balanço pois dava a impressão de que voaria e saltaria para o abismo, mesmo sabendo que não havia abismo nenhum. Era só ilusão de ótica de quem estava do lado da casa, mas indo até a beirada, uma descida os levavam até o riacho cristalino que ficava logo abaixo.

      Mas cabeça de adolescente viaja em mundos imaginários trazendo sensações nem tão boas a ponto de vencer fobias. Rafael tinha pavor de altura. Até uma simples escada de quatro degraus já deixava-o agoniado.

      O tempo estava bom, com ar fresco e pouco vento. Uma neblina cobria parte das montanhas dando a impressão de estar andando entre as nuvens. Rafael olhou para seu pai, adentrou a casa e jurou não sair dali até o momento de irem embora.

      Renato, o pai, ria do filho chamando-o de medroso. Rafael nem se importava e continuava assistindo a TV.

      Com todo o cuidado, Renato começou a conversar com o filho, dizendo que o medo é bom, que é o nosso moderador de atitudes e que devemos sempre respeitá-lo. Mas que a casa na árvore e o balanço não representavam perigo nenhum. Elogiou o filho várias vezes até convencê-lo a se sentar no balanço. O pai prometera não ir além do medo do rapaz.

      Rafael se sentou de costas para o abismo e o pai empurrava-o com moderação. Ele usava os pés para frear o impulso do pai, diminuindo a velocidade do pêndulo medonho. Depois de algumas empurradas o rapaz já não encostava mais os pés no chão. O vai e vem ficava cada vez mais longo e a sensação era de liberdade, mesmo ele permanecendo a maior parte das vezes de olhos fechados. Com coragem abriu os olhos e inclinou o corpo como se ajudasse a dar um impulso mais alto. O pai vibrava e aplaudia o jovem rapaz.

      Com mais outra conversa, Renato convenceu Rafael a se sentar frente ao abismo. Explicou que não havia abismo nenhum, que caso ele caísse, havia grama macia para protegê-lo, e se ele se segurasse com firmeza, não cairia jamais!

      Depois de olhar o buraco suspeito Rafael aceitou o desafio e começou tudo de novo, agora vendo as nuvens praticamente aos seus pés. Um impulso mais forte levou Rafael ao alto deixando-o de olhos arregalados e queixo caído.

      Não quis balançar por muito tempo pois a emoção do dia já tinha sido cumprida. Desceu do balanço, pernas bambas, foi até o pai e abraçou-o. Mesmo tendo somente quatorze anos não tinha vergonha de demonstrar emoções com os pais. Renato parabenizou-o e disse que o medo continuaria, mas agora saberia seu limite e até onde poderia ir.

      Fim.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Amor ou Desamor?


Essa semana na novela Amor à Vida, Rede Globo, 21 h, um triângulo amoroso, um jogo de posse, paixão sem limites e uma doença no meio.

Silvia, casada com o médico Michel, descobre um nódulo no seio e terá que fazer uma mastectomia.

Patrícia, amante de Michel não controla sua paixão pelo médico e se encontra com ele nos lugares mais inusitados, com o "consentimento" da mulher dele, Silvia.

Até aí tudo bem, como muito acontece por aí, mas Silvia apela para a emoção e compaixão de Patrícia pedindo para que ela deixe seu marido, pois não suportaria lutar contra essa doença sem a presença dele.

Como é novela,  Patrícia vai se comove e abre mão de seu amor por causa de uma doença grave.

É difícil saber onde existe amor nesse triângulo. Vendo uma mulher, mesmo culta, formada, bem-sucedida e linda se rebaixar a ponto de permitir que o marido tenha uma amante e depois usar uma doença para chantagear a amante pedindo para que ela o abandone, é muito desamor, autoestima baixa e carência. Longe desse gesto ser considerado amor.

Quando amamos queremos ver a pessoa bem, existe o respeito, a admiração e o sofrimento também. Mas mesmo a mulher sabendo que o marido não a ama ainda assim luta com todas as armas que tem para reconquistá-lo. Seria possível uma pessoa viver ao lado de outra mesmo sabendo que não existe mais o amor? Sim, claro que é possível. E como ficaria o marido quando descobrir, sim, porque mentira um dia se mostra, que a mulher chantageou a que ama só para reconquistá-lo?

Uma mentira leva a outra, depois a outra, depois a outra e de repente é tarde demais.

Existem pessoas manipuladoras que destroem a vida do outro. E isso não é porque a pessoa destruída permite, mas sim porque quem ama demais, ama mais o outro do que a si mesmo.

Ficar mendigando amor e atenção é muito constrangedor. Saber que uma pessoa está a seu lado por piedade, por comodismo ou por outro motivo que não seja amor, é viver numa dúvida eterna se o(a) parceiro tem outro(a) ou não por aí.

E a amante sabendo que o casamento dele já acabou e que começou seu relacionamento com ele quando já estava separado? Por que sempre a vida do outro tem mais importância do que a dela? Por que abrir mão de um amor por conta de uma chantagem? Será que é tanta bondade assim? De toda maneira a mulher terá que passar por cirurgia, sofrimento etc, e se acontecer o pior, a amante se sentiria culpada pelo resto da vida? E se a mulher conseguir se recuperar e por piedade o marido fique com ela para sempre?

Não sei qual o pior. Acho que vidas valem muito e não sei se vale a pena abrir mão ou chantagear só para benefício próprio. A vida dá muitas voltas e quem sabe logo mais adiante exista uma outra pessoa que irá amar a mulher que chantageou o marido, mas ela não saberá porque estará presa num amor só dela e não correspondido. E por outro lado talvez a amante não será feliz com mais ninguém, pois ficou um caso mal resolvido no passado.

E pensar que essa situação é mais comum do que imaginamos. Triste, lamentável, infeliz.

Olha, não estou defendendo nem a amante e nem a mulher doente. É só um pensamento indignado, ok?

O que acham?


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Saudade - Conto Sensual


      Ester, depois de um dia com muito trabalho e problemas resolvidos, voltava para casa caminhando, com a sensação de dever cumprido. Resolveu passar por outro caminho, por uma avenida movimentada que cortava a cidade. Queria sentir a brisa do fim de tarde, o barulho dos carros, o comércio fechando as portas e apesar do sapato não ser tão confortável para caminhar, resolveu arriscar umas prováveis bolhas que formariam. A tarde estava linda, fresca, e com o horário de verão ainda chegaria em casa com o sol quente.

      Na avenida pessoas caminhavam exercitando-se. Se lembrou que precisava urgente se matricular em uma academia. Ao atravessar uma rua um carro que aguardava o sinal verde buzinou insistentemente e Ester ouviu alguém chamá-la. Olhou e não reconheceu a pessoa. O rapaz chamou de novo, estacionou por ali mesmo e caminhou em sua direção com os braços abertos.
     
      - Jorge! - ela abriu um sorriso e quase desmoronou por ali mesmo.

      - Oi, sumida, por onde você anda que nunca mais te vi? - respondeu Jorge, chegando perto já com os braços abertos esperando um abraço apertado.

      Depois de falarem um do outro, chegaram à conclusão de que a última vez em que se encontraram foi há vinte anos. Como o tempo voa, disseram praticamente juntos.

      Algumas rugas, uns cabelos brancos, uns quilos a mais, mas o brilho nos olhos era o mesmo. Bastou o toque na pele para aquele arrepio dar o ar da graça e o tempo voltar naquele dia em que se separaram. Cada um se casou e foi viver a vida. Agora ambos estavam separados e os olhos mais brilhantes do que nunca.

      Jorge ofereceu carona para Ester que aceitou prontamente. Entraram no carro, mas antes de dar a partida ele olhou-a fixamente, derrubando-a, como sempre fazia, deixando-a corada de vergonha. Nada havia mudado dentro deles, dentro dos corações, as emoções, a excitação, a vontade de tocar, de beijar, enfim, de grudarem um no outro.

      Jorge disse que não a levaria para casa naquele momento. Ester concordou e foram para um motel.

      Mal chegaram e Jorge já tomou-a nos braços, ainda dentro do carro, dando-lhe um beijo inesquecível, intenso, molhado, deixando Ester toda trêmula e não conseguindo controlar suas mãos. A excitação era tanta que Jorge a colocou em seu colo, de frente a ele. Ester se sentiu uma jovem, com todas aquelas emoções, sensações, e se entregou totalmente, sem medo, sem vergonha, sem pudores. Jorge adorava isso em Ester, pois apesar de tímida era a mulher dos sonhos, a mulher perfeita no sexo, que retribuía e aceitava todos os jogos e brincadeiras. Bastava uma troca de olhares e já sabiam o que queriam.

      Jorge se perdeu nos braços de Ester. Não sabia como aguentou ficar tanto tempo longe daquela boca quente, da pele macia, da respiração ofegante, do toque suave de suas mãos, dos cabelos sedosos e, mesmo depois de tanto tempo, continuava a mesma mulher sedutora de sempre, que o enlouquecia e tirava-lhe o prumo.

      Ester não queria mais perder um segundo de um tempo precioso e explorava o corpo de Jorge com as mãos e com a boca, com os lábios entreabertos, e também lamentava ter vivido tanto tempo sem aquele cheiro de homem, aquele gosto afrodisíaco de sua boca, os braços a lhe entrelaçar deixando-a imobilizada e quase sem fôlego... Morreria em seus braços naquele momento e levaria consigo os poucos instantes de entrega e roubo de emoções, de prazer, de ternura, de carinho... 

      O que Ester adorava em Jorge era justamente esse ímpeto de possuí-la sem ficar pedindo ou falando o que queria fazer. Simplesmente fazia. Simplesmente conhecia seu corpo, lia seu arrepio, sabia os locais do toque, do beijo, do sexo, e falava baixinho em seu ouvido tudo o que ela amava ouvir.

     Não se importavam se o carro era um lugar desconfortável, para eles qualquer lugar era lugar, qualquer canto era um mundo de dois que se transformava em um, que queriam entrar um dentro do outro para nunca mais sair.

      Foram para o quarto e se jogaram na cama. Perderam a noção do tempo. O que importaria o tempo num mundo onde não havia hora marcada? Não tinham que dar satisfações para ninguém, então o tempo que esperasse a vontade deles.

      Entre um carinho e outro, ficavam se olhando e lamentando o tempo perdido nesse espaço enquanto ficaram longe um do outro. Não sabiam explicar porque se separaram e nunca mais se viram. Não se conformaram de não estarem juntos desde sempre... A vida prega peças e desenha rumos diferentes, mas o destino entende quando há união de corpos e volta atrás redesenhando o caminho inverso, transformando os corpos em ímãs.

      O reencontro, o brilho nos olhos, o coração pulsando, os corpos colados, não sabiam até quando, mas enquanto estivessem juntos, o mundo e o tempo seriam deles.

      Fim.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Paciência


Participando da Blogagem Coletiva da M@amyrene. Contar histórias, poesias, contos, ou seja o que for, para quem gosta de viajar no imaginário, é perfeito!

      Pietra, inquieta, não sabia se bufava olhando para aquela maldita porta ou se ia para a rua esperar o digníssimo marido chegar. Já estavam atrasados para o casamento da sobrinha da vizinha e ela não suportava chegar atrasada em nenhum compromisso. Quer dizer, não é bem um compromisso, mas já que foram convidados por que não chegar na hora combinada?

      Raul não queria ir de jeito nenhum. Sábado à tarde era dia de futebol com os amigos, depois cerveja, papo, besteiras, enfim, dia de se desconectar do mundo adulto e relaxar. Apenas um dia e nada mais. Mesmo assim Pietra insistia em tirar-lhe esse único dia sagrado com os amigos.

      Para evitar brigas, discussões em público, discutir relação, Raul sempre concordava com Pietra, mas nem sempre cumpria com que ela impunha. Às vezes dava um perdido na mulher e inventava uma desculpa qualquer. Isso era a morte para Pietra, pois sabia que ele fazia de propósito só para deixá-la irritada.

      Mas no final das contas se entendiam muito bem, o amor predominava sempre e amanhã seria outro dia.

     Pietra estava toda arrumada, como se fosse a madrinha da noiva. Muito vaidosa gostava de estar sempre assim, bem arrumada, em qualquer lugar que ela fosse.

      Raul era mais largado, não se importava tanto com a aparência, para desespero da mulher que vivia corrigindo-o e arrumando-o. Ele tinha um ótimo bom humor e adorava esse jeito da mulher, de querer enfeitar tudo e todos. Não tinha dúvidas de que Pietra era a mulher de sua vida e repetia isso todos os dias, seguido de um beijo carinhoso e terno. Ela retribuía e se sentia a mulher mais feliz do mundo.

      Quase em cima da hora chega o marido desleixado fazendo com que Pietra praticamente o empurrasse para debaixo do chuveiro e ela mesma o ensaboasse, para agilizar e não chegarem tão atrasados no casamento. Raul, todo sossegado, cantarolava e ria para a mulher, que ficava reclamando e não olhava em seus olhos, pois se assim o fizesse, com certeza se atiraria em seus braços, debaixo do chuveiro.

      Finalmente o casal saía de casa, com atraso, claro. Chegaram na igreja, a noiva já no altar, e devido ao barulho do salto de Pietra tilintando no assoalho de madeira todos olharam para trás para ver quem eram os atrasados para a cerimônia. Cochichos, risadinhas, caras feias, nada disso tirava o humor de Raul, que foi andando tranquilamente e cumprimentando todos, mesmo não conhecendo ninguém.

      Se sentaram e logo se levantaram pois a cerimonia já estava no final. Ele olhou para a mulher e caiu na risada. Ela, sem jeito nenhum, não conseguiu segurar e também soltou uma risadinha discreta. Por educação, foram os últimos a saírem da igreja e resolveram não ir à festa. Raul fez um convite tentador para a mulher e esta apenas lhe respondeu discretamente no ouvido: sim!

      E assim, seguiram todos, a multidão para a festa e o casal para um lugar secreto, onde só os dois conheciam, ou só os dois faziam de conta que ninguém sabia de nada. Mas que importância teria isso numa tarde de sábado maravilhosa?

      Fim.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Que Situação!


Então, filhos crescem, ficam adolescentes, se apaixonam e arrumam namorado. Ainda bem! Menos mal! Que bom, filha! Quem é? Quantos anos? Estuda onde? Ele é bom com você? Mora onde? Enfim, um questionário básico com o genrinho.

Ser sogra de primeira viagem não é fácil e, claro, tinha que acontecer algum mico gigantesco.

Mas isso aconteceu há uns anos, com o primeiro namorado de minha filha.

Primeiro ela me apresentou o rapaz no portão de casa, sem que entrassem. Depois, com o passar dos dias e o namoro indo bem, resolveu então levá-lo para dentro de casa. Até aí tudo bem.

Ele chegou, entrou, nos cumprimentamos, eu sentada no sofá assistindo um filme num canal a cabo, que nem me lembro o nome nem quais atores, minha filha foi para o quarto pegar algo e ele ficou na sala, atrás de mim. Ele perguntou o nome do filme, eu disse, falou mais alguma coisa e... Começou a passar uma cena de sexo, tipo sexo selvagem.

Silêncio total no recinto. Ele atrás de mim e eu sentada no sofá com o controle da TV na mão, praticamente morta, branca e quase embalsamada. Ele só disse "ui" e ficou ali até minha filha voltar.

A cena aconteceu em segundos, mas foram os segundos mais longos do mundo.

Minha filha voltou e logo os dois saíram. Aí sim, respirei e morri de rir. Gente, vocês têm ideia de como fiquei? O rapaz tinha dezesseis anos! Ainda bem que minha filha não viu nada.

O tempo passou, ele continuou a frequentar minha casa e ninguém nunca tocou no assunto. Depois terminaram, enfim.

E tempos atrás minha filha me lembrou desse episódio e disse que ele contou à ela. Pronto, morremos de rir de novo, de dar nó na barriga, de ficar sem ar.

Como a gente é besta, né?


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Engolir Sapos ou Soltar os Cachorros?


No meu tempo de menina, as crianças eram educadas a serem "educadas" com todos. Não podia isso porque não, não podia aquilo porque é falta de educação, não podia aquilo outro porque senão fica com fama ruim na cidade, não podia aquilo outro porque senão ia para o inferno... E as definições eram infinitas.

Mas não nos ensinavam como engolir sapos e ficar calada. E é claro que tinham os psicólogos, os formadores de opinião que incentivavam a ficar calada durante uma discussão. Eu ficava pensando, e os pais daquelas pessoas que tinham o hábito de agredir, não deram educação? Quem educou os mal educados?

Depois, em outra geração, a dos meus filhos, o que aprendi a engolir, "desensinei" a eles. Quer dizer, ensinei, é claro, a sempre ter educação, em qualquer lugar, mas também ensinei que se algo incomoda, se alguém ofende, maltrata, não é bom ficar calado. Não digo que tem que brigar, mas responder de uma forma em que a pessoa pelo menos saiba que não está falando com um idiota. Que se quer respeito, tem que primeiro respeitar.

E é assim que eu penso, depois de tantas cabeçadas, tantos sofrimentos por palavras que ficaram entalados em mim, me causando até traumas, hoje falo o que penso, respeito todos, mas gosto de ser respeitada também. Não incentivo uma discussão mas também não fico calada suportando o que não mereço.

Os psicólogos defendem essa atitude também, de não ficar calado, de não ter medo de expor seu modo de pensar e agir, enfim, de não guardar o que não lhe pertence.

Padre Fábio de Melo, em um de seus vídeos, fala exatamente isso: não colocar nas costas o que os outros dizem e que você sabe que não é, que não lhe pertence. Nesse caso melhor ficar calada porque discutir com quem não sabe ouvir, é perda de tempo.

Engolir sapo é horrível porque nunca mais nos esquecemos do agressor e de suas palavras afiadas. E digo que ficamos até arquitetando uma vingança caso a pessoa diga isso, responderemos aquilo, na lata! E a vida passa, os dias voam e quem agrediu nem se lembra mais da nossa existência. E quem engoliu o sapo, se lembra até da roupa que a pessoa usava quando agrediu.

Sou a favor, sempre, da gentileza, da educação, da tolerância, dos bons modos, mas tem atitudes que não dá só para aguentar. E tem gente que é assim mesmo, fala pelos cotovelos sem se importar se está humilhando ou agredindo e tem gente que não consegue ter uma atitude de responder a uma agressão e com isso guarda mágoa pelo resto da vida. Isso adoece a alma e o corpo.

Se existisse o respeito, a boa conversa e saber que cada um é de um jeito e pensa de uma forma, ficaria muito mais fácil. Mas o ser humano é assim mesmo, carregado de defeitos e uma explosão de emoções.

Difícil isso!

O que vocês acham? Calar ou responder?


sábado, 14 de setembro de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 21ª Edição


É hoje ou nunca! Ou essa neve cai logo ou não saio daqui nem desencarnada! Queria tanto ver a neve...

Participando da Blogagem Coletiva do Blog Escritos Lisérgicos. Vamos participar? Cliquem no link!


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Curtinho


Post curtinho hoje!

Acordei e me esqueci, que ontem estava sofrendo.

Como sempre acordei com música e ela me fez companhia todo o dia.

Cantei, cantei, cantei e não sofri.

Navegando por aí, sorri. E me lembrei de que me esqueci de que sofri.

No caminho de minha casa até a padaria, vi o que antes não me chamava a atenção.

Algo que sempre esteve ali, mas como sofria, não via então.

E isso me fez sorrir.

Percebi que o amor que está em mim é imensamente maior do que qualquer dor que vez ou outra tenta se infiltrar em mim.

Que besteira! Passa tão rápido como um suspiro, um piscar de olhos...

Aos olhos de Deus um segundo é uma eternidade... Podemos cultivar o amor ou o sofrimento eternamente. Eu prefiro o amor, sempre.

Qual foi a última vez que fizemos algo inusitado, novo, com vontade de fazer?

Um ótimo fim de semana!


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Um Protetor


Participando do Momentos de Inspiração - 9ª Edição, do blog da querida M@myrene. Vem, gente, participar também!

      Anícia, agora sozinha em casa, pegou Diamante Negro no colo e começou a andar pela casa. Não sabia se conseguiria dormir, mas tentaria pelo menos fechar os olhos. Deixaria a TV e o rádio ligados, pois não suportava o silêncio. Sempre achava o silêncio muito barulhento.

      Seus pais haviam viajado, passariam o fim de semana fora e Anícia insistiu em ficar sozinha, pela primeira vez. Então os pais confiaram nela para cuidar da casa e de Diamante Negro, o xodó da família. Era um gato preto arredio, não gostava de colo e muito menos de brincar com Anícia. Os dois não se davam muito bem pelo temperamento forte de ambos, que gostavam de comandar o lugar onde estavam. Anícia sempre o expulsava da poltrona verde, que ficava perto da janela, na sala de visitas. Gostava de se sentar nela para ler seus romances mamão com açúcar. Uma contradição para quem era agitada, como dizia sua mãe, ler romances sonsos e depois sair por aí toda estabanada, derrubando tudo. Mas eram justamente esses romances que acalmavam Anícia, que viajava nas histórias e sonhava com os lugares mágicos, e, claro, inexistentes.

      Anícia era mesmo uma contradição em pessoa. Não se interessava pelos moços que se aproximavam e nem pelas baladas que suas amigas insistiam em levá-la. Preferia ficar em casa lendo ou assistindo a algum filme de terror. Morria de medo do silêncio mas amava filmes de terror. Nasceu com a avó atrás do toco, como dizia sua madrinha de batismo. Mesmo assim era adorável, educada, bem humorada e linda.

      Já passava da meia noite e Anícia ainda caminhava pela casa verificando se estava tudo em ordem e deixando todas as luzes acesas. Diamante Negro dormia na poltrona verde. Anícia chegou devagar e pegou-o no colo. Ele miou mas ficou quieto, ainda sonolento. Foram para o quarto e Anícia aninhou o gato debaixo das cobertas, bem perto de seu corpo. Não estava frio e Diamante tentava vez ou outra sair daquele calor. Anícia segurava-o com ternura, impedindo que ele saísse de perto dela.

      Na TV um programa de auditório que envolveu Anícia fazendo-a se esquecer de que estava sozinha. Cochilou. Acordou assustada e começou a olhar em volta, puxando as cobertas até à altura do nariz, imóvel, só mexendo os olhos. Diamante dormia tranquilo, perto dela, mas longe das cobertas.

      Anícia olhava as paredes cor de rosa, com alguns quadros de bailarinas e pierrôs e via olhos entre os quadros,. encarando-a. Fechava os olhos e abria de novo e os olhos da parede apareciam novamente. Puxou Diamante para mais perto de si e começou a cantarolar uma música de ninar, que sua mãe sempre cantava quando ela era pequena. Tentava se fixar na TV, mas a parede puxava seu olhar. Arrepiou... Aumentou o som da TV e virou para o outro lado. Fechou os olhos e começou a imaginar aqueles lugares lindos dos romances que lera. Adormeceu.

      Os raios do sol batiam em seu rosto através da janela de vidro, Diamante Negro miava e Anícia custou a despertar. Esfregou os olhos com as mãos, levantou a cabeça e olhou as horas. Já era tarde, mas não importava pois era sábado e não tinha horas para se levantar. Se lembrou dos olhos da parede, se assustou e se virou para olhá-la. Estava lá, cor de rosa, os quadros e sem nenhum olho a fitá-la. Suspirou aliviada, abriu um sorriso e deu um bom dia para o gatinho que ainda miava perto da porta, querendo sair; espreguiçou com vontade, se levantou e foi tomar seu leite com canela e açúcar como sempre fazia todas as manhãs.

      Foi até a janela onde estava a poltrona verde, puxou a cortina e deslumbrou o belo dia que fazia. Estava orgulhosa de ter passado a noite sozinha, tomando conta da casa e de Diamante Negro. Suspirou mais uma vez e pensou que nessa noite não dormiria em seu quarto. Iria para o quarto dos pais, junto com Diamante Negro. Se sentiria mais segura com o cheiro da mãe na cama fofa. Diamante só observava e parecia concordar com Anícia. O quarto era maior, mais arejado, com paredes brancas e uma TV maior. Não sentiria tanto calor debaixo daquelas cobertas em que Anícia insistia para que ele ficasse. Esperou Anícia sair de perto da poltrona e subiu, se aninhando num canto, com os raios de sol fazendo brilhar seus pelos negros, numa manhã ensolarada e preguiçosa.

      Fim.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A Lua e Vênus


Ontem procurei, mas da minha casa não deu para ver a Lua perto de Vênus. O céu estava lindo, limpo, cheio de estrelas e a Lua se escondeu de mim!

Depois entrei em casa e meus cachorros fizeram a maior festa, como se eu estivesse ficado fora um tempão. Quem resiste a uma recepção assim?

Por uns minutos me esqueci dos tormentos, das tristezas, das dores, dos sofrimentos e me deixei seduzir pelo simples, pelo afeto, pelo carinho e atenção, pela beleza do mundo que me encheu os olhos...

Por que não prestamos mais atenção a tudo isso ao invés de ficarmos cultivando o que nos machuca tanto?

Há um mundo imenso para ser descoberto e apreciado e o que nos toma a mente o tempo todo são alguns minutos ou até alguns dias de sofrimento e choro.

Limpar a mente, deixar de repetir os muitos atos negativos e pensar no positivo. Difícil e quase impossível, mas é uma questão de hábito.

Eu sou uma que aprendeu a chorar quando dói e a sorrir quando faz bem, então se há sofrimento, choro, mas não por muito tempo. E aprendi também a observar tudo à minha volta, mesmo estando em casa, entre quatro paredes. Um detalhe diferente que está ali há anos é capaz de nos tirar o foco de algo ruim que nos fez sofrer. E é válido se entregar aos detalhes da vida, observar as pessoas de uma forma diferente, com olhos de ver, como diz uma amiga blogueira que acho que todos conhecem, a Chica, uma querida do mundo virtual.

Olhos de ver, olhos de chorar, olhos de sorrir, olhos de dormir e sonhar... Mesmo alguns sonhos não passarem de simples ilusões. Sonhe, sonhe, sonhe... Acordado, dormindo... Queira rir, queira estar bem, queira superar, queira ousar, queira viver, de braços abertos para o novo, inusitado, impossível!

Que todos esses pensamentos bons, e todas as atitudes boas sejam imensamente superiores às tristezas, às dores e sofrimentos. Somando tudo teremos uma vida feliz!

Por que não? Nós podemos, nós merecemos!

E a Lua linda ainda é comentada por todos, mesmo os mais durões param por uns segundos para olhá-la e admirá-la secretamente. E quem sabe se lembrarem de algum momento num certo dia com uma certa pessoa ou mesmo sem uma certa pessoa, ter um instante de paz e harmonia com o Universo. Os brutos também amam! E Deus sabe o que faz, sempre! Nós é que não sabemos.

Uma linda semana para todos!


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 20ª Edição


Ir num aniversário de parente? E encontrar o ex com a prima falsa? E tremer tanto que o copo de vinho vai saltar de minha mão e cair aonde? 

Participando da Blogagem Coletiva do blog Escritos Lisérgicos. Cliquem no link e venham participar também!

A Saúde Pública


Pegando carona nessa polêmica dos médicos cubanos, precisei dos serviços do SUS. Mas não é dos médicos cubanos que quero falar, é do SUS.

Tive que consultar um especialista e o tempo que marquei até o dia da consulta demorou um pouco mais de um mês. É muito tempo sim, se fosse de urgência, mas dava para esperar.

A consulta seria as oito horas. Cheguei antes e mesmo assim tive que esperar três horas para ser atendida. Mas não reclamo. Fui muito bem atendida, médico atencioso e gentil.

Mas antes disso fiquei observando tudo, como sempre faço quando vou a lugares públicos. Por que quando é público o ambiente tem que ser feio? Por que vai muita gente? Não digo de sujeira pois estava limpo, mas de feio de mal feito. Piso feito no "tapa", como se não fizessem questão de capricho, paredes mal cuidadas que mesmo pintadas e não sujas, não melha a aparência. Por que a Prefeitura, Câmara e outros órgãos públicos o ambiente é bem diferente? Até ar condicionado tem! Plantas bem cuidadas, quadros, atendentes uniformizados e com crachá, tudo perfeito! Mas quando se trata de órgão público para a saúde, é um caos. Como é por aí, queridos leitores? Só eu tenho essa impressão? Isso é só um detalhe, eu sei, o que importa é o atendimento.

Aqui na minha cidade, pelo menos no dia em que fui, estava tudo organizado, tudo nos lugares, vária lixeiras espalhadas, placas indicativas padronizadas, cadeiras uniformes, enfim, um lugar arrumado.

Sempre nesses lugares o assunto em todos os cantos é sobre doenças. Eu passo mal de ouvir pessoas comentando sobre doenças, feridas, mortes... Não consigo ficar perto. Nesse dia em que fui comentavam sobre tudo e eu só observando. Sinceramente e não é chatice minha, não gosto de bater papo nesses lugares, nem em fila de nenhum lugar. Não tenho paciência. Gosto de ficar quieta no meu canto até ser atendida e ir embora. Não sei explicar, mas sempre fui assim.

E como o povo sofre, não é? Esse povo humilde que depende da saúde pública e de remédios gratuitos. Cada um com sua dor, sua receita na mão, esperançoso de aguentar mais um mês de vida ou até quando Deus quiser.

Gente muito simples, que no frio, vestem muitas blusas, uma calça de tecido fino e chinelo de dedo, mostrando aqueles pés calejados ou até com feridas, inchados, não importa como estão, estão lá porque precisam de ajuda.

Eu, graças a Deus, raramente fico doente e todas as vezes fui bem atendida quando precisei.

Estava sentada e um senhor cego foi chegando com sua bengalinha, não aquelas para deficientes, mas bengala comum, perguntando para quem quisesse responder se havia alguém à sua frente e continuava seu percurso. Nos braços uma sacola e um monte de panos de prato, que ele entrara ali para vender. Um real cada. Quem comprava dava a moeda, ele a colocava no bolso da camisa que ficava escondido debaixo de uma blusa de lã bem surrada e faltando botões. Ele pedia para a pessoa escolher o pano de prato e depois continuava seu percurso. Depois saiu agradecendo todo mundo, quem comprou e quem não comprou. É a vida de gente simples.

E tantos idosos nessas filas que ficam perdidos não sabendo onde é a "moça" que irá resolver seus problemas! E nesse dia vi boa educação e boa vontade dos atendentes. E paciência para quem esperava. Lidar com idosos não é fácil, não é para qualquer um e eles têm dificuldades com tudo. Às vezes não basta uma explicação, às vezes alguém tem que levá-los até o local certo, às vezes não ouvem direito, às vezes não enxergam ou não sabem ler e por isso perguntam muitas vezes a mesma coisa, às vezes vão sozinhos para consultar, saem de lá com várias receitas e ficam em uma outra fila para pegar remédios gratuitos, às vezes ainda têm esperanças de viver mais um tiquinho e quem sabe a saúde melhorar e não precisar mais depender da boa vontade de todos. Difícil, não é?

Esse dia me fez refletir muito sobre tudo, sobre a vida, sobre a minha vida e sobre como será daqui para frente. Me cuidar, me cuidar, me cuidar... Sempre! Principalmente a mente, o bom humor, a leveza em conduzir a vida.

Um ótimo fim de semana para todos!




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Florbela Espanca


Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... Além...
Mais este e aquele, o outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... Pra me encontrar...
Florbela Espanca

Pensador

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Florbela Espanca

Sem remédio

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!

Sinto os passos de dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca


Uma querida blogueira, Jussara Neves Rezende, do Blog Minas de Mim, escreveu lindamente sobre Florbela Espanca. Cliquem no link e saibam tudo sobre essa poetiza. 
Conheçam o blog e se deliciem com a forma clara e sensacional que Jussara escreve. Vão adorar! Eu garanto!

E aqui, um link do amigo mais que querido Alexandre Mauj, declamando a primeira poesia. Lindo demais! 



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Primeiro e Último Amor


    Seis meses se passaram depois da morte de dona Isolina, esposa de seu Arnaldo. Casamento de cinquenta anos e três meses, até que ela morreu "de repente", como costumam dizer quem simplesmente morre, sem antes apresentar nenhum sintoma de nada. Foram felizes na medida do possível, com seus altos e baixos, com muitas cobranças por parte da família, que seu Arnaldo achou, num determinado período, que tudo se acabaria. Mas os anos foram passando e tudo foi se ajeitando como tinha que ser. Os seis filhos nasceram, cresceram e formaram família. Agora seu Arnaldo estava sozinho, mas não se sentia solitário e nem infeliz. Ainda tinha muito o que viver, apesar de seus setenta e dois anos, com uma saúde de dar inveja a qualquer jovem e ainda uma última atitude que ele pretendia ir atrás. Agora era a hora.

      Na sua juventude, seu Arnaldo foi um galanteador, um conquistador, que deixou muitas moçoilas apaixonadas e perdidas por ele. Mas uma única moça resistiu aos seus encantos: Beatriz! Linda morena, sensual, cativante e com um sorriso arrebatador. Ela não dava muita conversa para Arnaldo na época, pois já tinha compromisso sério com um outro rapaz, que fora arranjado pela família, como era o costume daquela época. Seu Arnaldo sempre procurava saber por onde andava Beatriz, e quando a encontrava casualmente pelas ruas ficava só de longe a admirar aquela que conquistou seu coração. Continuava bela como era na juventude, muito discreta e também viúva há alguns anos.

      Seu Arnaldo não pensou duas vezes, iria atrás daquela ingrata que nem ao menos lhe ofereceu os lábios carnudos para que sentisse o gosto de uma paixão platônica, por esses longos cinquenta e poucos anos. Agora estava livre para buscar aquele corpo que aos olhos, continuava perfeito; não um corpo sedutor ou jovial, mas um corpo feminino que sempre desejou. Poderia ele, agora, traçar planos, combinar passeios e, quem sabe, se casar de novo. Por que não?

      Só de imaginar esse encontro, ficava todo eufórico, o coração disparava, as borboletas lhe enchiam o estômago com aquele friozinho típico de apaixonado e o deixava mais jovial ainda. Um belo dia, decidido, tomou um bom banho, se perfumou, colocou a melhor roupa e foi à procura da amada, que durante esses anos todos, aguardava num cantinho todo especial nesse coração idoso, porém, ainda capaz de amar e ser amado. Estava se sentindo jovem, bonito, mas não queria ser aquele sedutor de outrora, agora era um simples cavalheiro que estava em busca de sua rainha adorada para lhe oferecer o braço quando saíssem para um passeio, e um lar, quando finalmente o casamento se concretizasse.

      Sabia onde dona Beatriz morava e com um belo buquê de rosas cor de rosa, bateu à sua porta. Ela atendeu e se assustou. É claro que se lembrava dele, apesar de nunca o cumprimentar nas ruas quando se cruzavam por acaso ou por uma premonição do destino que já traçava um final de vida juntos. Convidou-o a entrar e lhe preparou um café. Serviu uma mesa simples, mas muito bem arrumada, com um bolo de laranja que exalava um perfume delicioso por toda a casa. Conversaram a tarde toda, até que seu filho chegou, cumprimentou seu Arnaldo, conversou um pouco e logo saiu novamente. Ficaram os dois sozinhos e seu Arnaldo finalmente teve a coragem de se declarar. A voz embargada não impediu que ele pegasse suas mãos, que agora estavam suando frio e trêmulas, o coração disparado, as pernas inquietas e a respiração ofegante...

      Os olhos de Beatriz brilharam quando ouviu todas as declarações e, sem pensar muito, confessou que aquele sentimento era recíproco, apenas não deu confiança por ele ser muito galanteador com todas, e não queria ser apenas mais uma em sua vida. Pronto! Se abraçaram, se beijaram e começaram um romance.

      Mas seu Arnaldo não queria ficar no romance, queria se casar logo e viver o pouco que lhe restava ao lado de seu grande amor. Dona Beatriz aceitou e marcaram a data. Se casaram, viajaram para uma cidade próxima, pois não queriam perder tempo com lugares distantes. Tinham mais o que fazer do que conhecer lugares. Isso ficaria para uma outra ocasião. Queriam ficar a sós, em sua casa, que fora toda reformada, alguns móveis trocados e muito bem arejada.

      Seu Arnaldo e dona Beatriz nunca foram tão felizes como estavam sendo agora, e isso deixava bem visível para todos que os conheciam. Irradiavam juventude e demonstravam isso para todos que os viam. Que seja por um ano, ou por um mês, não importa! Tinham pressa de viver esse amor que fora guardado esses anos todos.

      Um dia, seu Arnaldo se levantou antes de sua amada, para lhe fazer uma surpresa, afinal já se passara um mês daquela união mais que esperada. Pegou uma bandeja e arrumou um lindo café da manhã, com um solitário com uma rosa cor de rosa, como ela gostava, e foi acordar sua rainha. Chegou ao quarto, colocou a bandeja numa mesinha que ficava num canto do quarto e foi encher de mimos a doce Beatriz. Estranhou ela não se mexer, nem acordar, pois sabia que tinha o sono leve. "Deve estar cansada demais" - pensou ele. Passou a mão pelo seu rosto e sentiu uma pele gelada. Começou a sacudir e nada! Pegou sua mão também gelada, já estava com as unhas escuras, começou a massagear os punhos, e nada! Começou a chorar desesperadamente. Beatriz estava morta!

      Morrera tranquila em sua cama, com um leve sorriso nos lábios e uma feição de total felicidade. "De repente", mais uma vez essa morte sem anúncio rondou a vida de seu Arnaldo. Se foi seu amor, lhe deixando apenas a saudade e o contentamento de ter vivido por um mês, a mais perfeita harmonia, o mais profundo amor, o mais ingênuo carinho, a ternura verdadeira. Um mês que valeu por toda uma vida...

      "Vai, meu amor, e me espere que logo lhe encontro, seja onde for... eu lhe procuro por toda a eternidade, mas lhe acho, e lhe pego de novo e não solto nunca mais".

      Foram essas as palavras de seu Arnaldo, quando o caixão de sua amada desceu ao túmulo.


      Fim.


      Texto publicado em 20 de junho de 2012



sábado, 31 de agosto de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 19ª Edição


Gente, que dia é hoje? Meu Deus! Esqueci completamente do concurso! Foi ontem! Ramiro dos meus pecados, a culpa foi sua, seu gostoso!

Participando da Blogagem Coletiva Escritos Lisérgicos. Vamos participar? Cliquem no link!


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

É Brega e Eu Gosto


Participando da Blogagem Coletiva da querida
Patrícia - Blog Café Entre Amigos. Quer participar?
Cliquem no link.

Aqui no interior de São Paulo, cidade média, progresso nem tão próspero, muita gente simples, muitas roças e fazendas ao redor, enfim, praticamente vida tranquila e vários objetos bregas, quer dizer, brega nada! Autênticos!

Acredito que o mais brega de tudo é julgar o gosto pessoal das pessoas. Além de ser péssimo, claro.

Olhando aqui em minha casa, algumas coisas que dizem ser brega, eu tenho!

Toalha de crochê. A imagem eu peguei do google, mas tenho uma igualzinho essa! Eu gosto! Hoje em dia nem se fala mais em brega, mas sim em vintage. Sei...

Olha, nada se compara a flor natural bem cuidada, mas cadê dinheiro e tempo pra isso? Não tenho! Fico com a de plástico mesmo!


Gente, olha só esse vídeo! Adoro!

Cantores dos anos 80. José Augusto, Wando, Fábio Junior, Sidney Magal, Richie, Patrícia Marx, Rosana, Kátia, Nico Rezende, Peninha, enfim... Não ouço, mas gosto quando toca na rádio. Aliás a rádio que ouço é de flash back, tanto nacional quanto internacional. Gosto!

Pinguim de louça, de geladeira. Acho fofo! Mas não tenho! Mas gosto!

Fico imaginando... Quem fica selecionando o que é brega e o que é chique?

Na minha humilde opinião, brega eu já disse acima, agora chique mesmo é ser autêntico, viver feliz sem se importar com os rótulos costumeiros de pessoas sem tolerância e até sem respeito ao próximo.

Cada um é cada um e gosta do que lhe faz feliz! Pronto!


Segredos Revelados


Participando da Blogagem Coletiva - 8ª Edição - Blog M@amyrene

      Alícia não acreditava no tesouro que acabara de encontrar: um diário de sua avó! Praticamente um livro manuscrito, letras desenhadas como se as linhas do caderno fossem de caligrafia. As folhas amareladas e com alguns furinhos de cupins davam uma certa nostalgia. O cheiro de papel velho a incomodava mas não conseguia esperar até amanhecer para ler os segredos da avó que falecera há vinte anos.

      Uma curiosidade dela junto com a irmã Aline, que já estava dormindo, a fez encontrar dentro do baú, além das roupas do século passado, vários livros antigos, romances raros, alguns livros pornográficos da década de trinta e esse diário.

      Na primeira página, letras desenhavam o nome da avó Querina dos Anjos Aguiar, o ano, a cidade, estado e país. Como se fosse para esse segredo correr mundo afora, denunciando exatamente de onde partiu. Alícia riu do capricho da avó enquanto passava o dorso da mão para limpar as bolinhas deixadas pelos cupins.

      Alícia, continuando a ler, cuidadosamente passava a página e cada vez mais se encantava com o jeito poético da escrita daquela época. Sua avó ainda jovem se declarando para um rapaz, bem apessoado, como ela escrevera, que lhe admirava de longe, e ela, a avó, não podia lhe fitar os olhos, pois era moça de família e temia ficar mal falada na cidade.

      Continuando a ler descobriu que o rapaz de quem sua avó citava era seu avô Jeremias. Sim, naquele tempo as moças ainda adolescentes se encantavam com os rapazes e estes as cortejavam e casavam, sem demora. Que lindo, pensava Alícia, bem diferente de hoje em dia.

      E chegou na página onde a avó descreveu, discretamente, sobre a primeira noite de casada. Ela fizera uma camisola de algodão, branca, que lhe cobria os joelhos e com bordados na gola e nos bolsos. Pena a avó não mencionar detalhes, mas disse que não foi boa não, que era de bom senso a moça não demonstrar emoção nenhuma para não correr o risco de ser devolvida para o pai. Que coisa grotesca, pensava Alícia. Mas continuando a ler, a avó acabou confessando que com o passar dos dias esse momento de intimidade era gostoso e ela podia até sorrir, escondida do marido.

      Alícia, em estado de graça, fechou o diário, encostou-o ao peito com as duas mãos e ficou imaginando sua avó e seu avô se conhecendo aos poucos, e vivendo juntos até os últimos dias. Raridade nos dias de hoje.

      Não queria ler o restante do caderno. Queria saboreá-lo aos poucos, dia a dia, desvendando os mistérios daquele tempo machista, castrador, difícil, mas muito sincero, inocente e que uma união era para sempre, querendo ou não. As palavras do padre "até que a morte os separe", eram uma ordem e não apenas uns escritos sacramentais. Puro romance, pura nostalgia.

      Alícia não sabia se contaria para a mãe. Capaz dela lhe arrancar o diário e guardá-lo num outro esconderijo onde nunca mais mãos humanas tocariam aquela relíquia de família. Leria tudo e só depois revelaria o achado.

      Guardou os livros e o vestido no baú e escondeu os escritos da avó, debaixo do colchão, em homenagem a ela, que fazia desse lugar um esconderijo sagrado, como contava sua mãe. Dormiu com um sorriso nos lábios imaginando aquela senhorinha carinhosa, meiga, doce... Vó Querina!

      Fim.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Nome das Coisas


Um texto de Mário Prata

Outro dia fui compra um abajur. A mocinha me olhou e perguntou: luminária?
Eu olhei em volta, tinha uma porção de abajur.
- Não, abajur mesmo. - eu disse.
- De teto?
Fiquei olhando meio pasmo para o teto, para a vendedora, para a rua.
Ou eu estava muito velho ou ela estava muito nova.
- No meu tempo - e isso faz pouco tempo - o abajur a gente punha no criado-mudo, na mesinha da sala.
E lá em cima era lustre.
- Lustre?
Descobri que agora é tudo luminária.
Pra mim isso é pior que bandeirinha virar auxiliar de arbitragem, e passe (no futebol) chamar-se agora assistência.
Quem são os idiotas que ficam o dia inteiro pensando nessas coisas?
Mudar o nome das coisas?
Por que eles não mudam o próprio nome?
A mocinha-da-luminária, por exemplo, se chamava Mariclaire.
Desconfio até que já tenha mudado de nome.
Pra que mudar o nome das coisas?
Eu moro numa rua que se chama Tertuliano de Brito Xavier.
Sabe como se chamava antes?
Caminho do Rei. Pode?
Pode!
Coisa de vereador com minhoca na cabeça e tio pra homenagear.
Mas lustres e abajur, gente, é demais.
Programação de televisão virou grade.
Deve ser para prender o telespectador mais desavisado.
Entrega em domicílio virou delivery.
Agenda de correio, mailing.
São os publicitários, os agentes de "marquetingui"?
Quer coisa mais bonita do que criado-mudo?
Existe nome melhor para aquilo?
Pois agora as lojas vendem mesa de apoio.
Considerando-se a estratégica posição ao lado da cama, posso até imaginar para que tipo de apoio serve.
Antigamente virava-se santo, agora vira-se beato, como se já não bastassem todas as carolas beatas que temos por aí.
Mudar o nome de deputado para putado ninguém tem coragem, né?
Nem de senador para sonhador.
Sonhadores da República, não soa bem?
E uma bancada de putados?
A turma dos dez por cento agora se chama lobista.
E a palavra não vem de lobo, mas parece.
E por que é que agora as aeromoças não querem mais ser chamadas assim?
Agora são comissárias.
Não entendo: a palavra comissária vem de comissão, não é?
Aeromoça é tão bom e terno como criado-mudo.
Pior se as aeromoças virassem moças-de-apoio, taí uma ideia.
E tem umas palavras que surgem de repente do nada.
Luau - isso é novo.
Quando eu era jovem, se alguém falasse essa palavra ou fosse participar de um luau, era olhando meio de lado.
Era pior que tomar vinho rosê.
Mas a vantagem de ser um pouco mais velho é saber que o computador, que hoje todo mundo tem em casa e que na intimidade é chamado de micro, nasceu com o nome de cérebro-eletrônico.
Sabia dessa?
E sabia que o primeiro computador, perdão, cérebro-eletrônico, pesava 14 toneladas?
E que, na inauguração do primeiro, os gênios da época diziam que, até o final do século, se poderiam fazer computadores de apenas uma tonelada?
Outra palavrinha nova é stress.
Pode ter certeza, minha jovem, que, antes de inventarem a palavra, quase ninguém tinha stress.
Mais ou menos como a TPM.
Se a palavra está aí a gente tem que sofrer com ela, não é mesmo?
No meu tempo o máximo que a gente ficava era de saco cheio.
Estressado, só a turma do luau.
E agora me diga: por que é que em algumas casas existe jardim de inverno e não jardim de verão?
E se você quiser mudar o nome dessa crônica para linguiça, pode.


sábado, 24 de agosto de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 18ª Edição


Depois a mulher é que demora. Amor, vem, já estou entrando em hipotermia! Paciência, esse não é meu nome!

Participando da Blogagem Coletiva Escritos Lisérgicos. Cliquem aqui, participem!


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Cinturinha de Pilão


Participando da Blogagem Coletiva Momentos de Inspiração - 7ª Edição, do blog M@myrene.

      Patrícia, concentrada nas suas pesquisas, encontra algo curioso: os espartilhos da década de 1940. Parou um instante, olhou para a janela com vidraças enormes que a separavam da mata nativa, e se lembrou do filme E O Vento Levou.

      - Como Scarlett conseguia usar um espartilho tão apertado? Aquela cena da mucama lhe apertando o espartilho e ela quase sem respirar é nostálgica. - disse, em voz baixa, olhando uma revoada de periquitos barulhentos que passavam bem perto de sua janela.

      E hoje é fetiche usar uma peça assim, toda trabalhada, uma verdadeira arte de engenharia. E ainda toda à mostra, sem tabus, pensava Patrícia enquanto continuava sua leitura.

      Teria pouco tempo para preparar uma coleção completa para uma rede de lojas de departamentos, sua mais nova ousadia como microempresária. Não faria as peças em seu atelier, apenas algumas peças básicas para serem enviadas para todo o país, onde a rede de lojas fabricaria. Estava tão contente que queria pesquisar o máximo de informações possíveis. E se basearia no passado, quando as peças eram escondidas, mas com a ousadia de agora. Os tecidos já haviam sido escolhidos a dedo, todos exclusivos e com detalhes inovadores, uma outra ousadia da mais nova estilista que logo teria seu nome carimbado no mundo da moda.

      Sua inspiração, é claro, seria Scarlett O'Hara, a eterna apaixonada equivocada e lutadora. Como toda mulher deve ser, feminina e forte, lutadora, sem medo de ser vaidosa e sem deixar dúvidas de sua eficiência. Mas nunca equivocada. Este seria o foco da coleção. Apaixonada sim, sem equívocos.

      Depois de perder seu olhar em mais uma revoada, agora de pássaros, na privilegiada paisagem que, por coincidência, era os fundos de sua casa, Patrícia voltou às suas pesquisas. Um turbilhão de pensamentos e ideias para colocar no papel e depois transformar em roupa íntima. Será um sucesso, com certeza.

      Fim.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Respeito Que Nos Falta


Assistindo ao Fantástico, o quadro "Vai fazer o quê?", uma pipoqueira nordestina é humilhada por uma freguesa. Muitos a defendem, indignados com a freguesa. Na verdade é um quadro gravado, com atores, para saber a reação das pessoas.

Olha, eu chorei. Mesmo sabendo que se tratava de atores, chorei.

Aquele outro em que a mãe humilhava a menina num shopping, fiquei arrasada!

Alguém já presenciou alguma cena de ofensas, na rua, com alguma pessoa? É horrível!

Um dia, numa fila de caixa de uma loja, um senhor, digo senhor pelos cabelos brancos, começou a criticar a fila especial para idosos, gestantes e portadores de deficiências. Apontava o dedo e criticava, indignado, pelo privilégio que alguns têm. Eu estava atrás dele e não falei nada porque ele estava visivelmente alterado, acho que estava bêbado e então preferi ficar quieta já que a fila dos especiais estava longe e nenhum deles ouviu o que o senhor falou. Mas fiquei indignada e nunca me esqueci dessa história.

O que algumas pessoas acham que são perante outras? Já chega esse maldito racismo que não deveria existir de jeito nenhum, a ofensa é ato comum na vida de certas pessoas. O que faz uma pessoa melhor que outra? A cor da pele, o trabalho, o local de nascimento? Quem tem uma atitude dessa deve pensar ser imortal. Nunca deve ter entrado num cemitério ou ido num velório.

O que, meu Deus do céu, levamos dessa vida? Por que alguns seres se sentem potentes ofendendo os outros? Será falta de educação de berço? Olha, nem sempre. Ainda acredito que a falta de educação é só uma parte da índole da pessoa, mas acredito também que ela já venha com essa índole, já nasça desse jeito e com o tempo desenvolva atitudes fora do padrão de convivência da sociedade.

Tem um post que sempre aparece nas redes sociais "Pra conhecer o caráter da pessoa, observe como ele trata as pessoas que não possam beneficiá-la em nada". Isso é certo e existem aos montes!

Já convivi com pessoas assim e digo que não é fácil. É um inferno! Pessoas que culpam o mundo por tudo, que culpam o outro, que culpam a situação pessoal, a falta de sorte, que culpam... E sempre são vítimas da vida. Reclamando de tudo como se a palavra final, por lei, fosse a sua. São infelizes por culpa própria mas é bem mais fácil culpar o outro por não ter tudo o que quer.

O respeito está escasso, os bons modos não são vistos por aí de jeito nenhum, as ofensas são gratuitas e nada se faz.

Esse quadro do Fantástico nos faz pensar sobre o que estamos cansados de saber. Infelizmente quem precisa ver, ouvir e aprender está longe de ficar assistindo o Fantástico ou então pensa que não se enquadra no perfil do sem educação. Tão acostumado a culpar, julgar, condenar o outro que o status de vítima lhe cega.

Que bom saber que existem muito mais pessoas do bem do que do mal. Apenas não aparecem sempre na mídia porque não geram lucro, não dão audiência, não aumentam o ibope. Mas nós sabemos que pessoas decentes estão espalhadas por aí sim, graças a Deus!

Uma ótima semana para todos!


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Momentos de Inspiração - 6ª Edição


Participando da Blogagem Coletiva da M@myrene. Gosta de escrever? Participe também!

      Márcia, que sempre passava por aquele caminho, nunca havia parado para observar a paisagem deslumbrante do pôr do sol. Apesar da fobia de altura, se arriscou a chegar perto da mureta de madeira que protegia a rua do precipício. Ainda sobre a bicicleta espichou o pescoço para poder ver as formiguinhas humanas que transitavam no buraco medonho.

      - Pra quê fazer uma estrada aqui em cima? E por que eu tenho que passar por aqui todas as vezes, meu Deus? - balbuciava indignada por sua atitude corajosa.

      Respirou fundo e começou a observar o horizonte.

      - Que lindo! Se eu olhar só o horizonte eu não fico tonta... E se fechar os olhos dá pra sentir a brisa que traz o perfume das matas da montanha. Hmmmm... Como é que eu nunca tive coragem pra prestar atenção nessa maravilha?

      E continuou a observar a linda paisagem, ao longe as montanhas com vários tons de verde e cinza e umas nuvens que cortavam-lhe o topo, e abaixo, um córrego que cortava a avenida principal da cidade, com duas ruas paralelas, com tráfego contrário uma da outra. As pessoas andavam nas calçadas e se deixavam ver vez ou outra, por conta de árvores frondosas que ofertavam sombra para proteger do Sol quente de verão. Apesar do Sol estar se pondo, alguns raios batiam nas nuvens e um pequeno arco-íris enfeitava a paisagem quebrando o verde das matas e o azul do céu. Alguns raios ainda batiam nas águas correntes do córrego, formando brilhos de luz que ofuscavam a visão de Márcia que nesse instante estava boquiaberta. Como era linda a cidade vista do alto! Num impulso, Márcia encostou a bicicleta na mureta, subiu um degrau desta, abriu os braços e soltou um grito. Depois se deu conta de que não estava sozinha, olhou para os lados e se sentiu aliviada por não ter ninguém por perto.

      Olhou para baixo e uma vertigem a fez se segurar, descer e se afastar da mureta. A sensação era tão inebriante que ficou com medo de se jogar no precipício. Respirou fundo, pegou a bicicleta e segurando no guidão seguiu com passos rápidos para o outro lado da rua, até finalmente sair daquele lugar enlouquecedor de tão lindo, tentador que a puxava para baixo, até chegar num lugar seguro, sem a visão do horizonte. Parou numa pracinha, sentou em um banco de madeira e, ainda tremendo, ficou imaginando a queda de um corpo daquela altura até embaixo quando encontrasse o chão. Não sobraria nem o pó para o velório.

      Não, melhor não passar mais por ali sozinha. Chamaria Arthur, o namorado, para acompanhá-la e protegê-la de qualquer loucura que ela, por ventura, sentisse vontade de cometer.

      Fim.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Nível de Amor


Um texto de Paulo Roberto Gaefke - escritor

Você anda amando bem e sendo bem amado?
Será que você está vivendo todo o potencial do amor que você tem direito?
Será que está aproveitando cada segundo de vida para amar de verdade?
Será que você está pronto para receber muito amor?
Comecemos pelo começo, como será que anda seu pensamento em relação ao amor?
Será que você está preso a uma relação do passado, acreditando que seria feliz se fosse com aquela pessoa que há pouco tempo (uns dez anos) atrás lhe deixou de maneira esquisita?
Será que você continua amarrado a um sonho com medo de ser feliz agora?
Ou será que você já assumiu a carapuça do "eu não nasci para ser feliz no amor" e tá aceitando qualquer gorjeta da vida, ou seja, "qualquer traste serve" e vive se arrebentando em amores frustrados, vazios, onde só você enxerga "um grande amor..."?
Mais uma vez o medo de assumir as rédeas de sua vida e a criação de um mundo imaginário, e impedem de viver um grande amor.
Mas, pode ser que você esteja vivendo uma relação apagada, com alguém que você se acostumou, com alguém que você acredita ser totalmente dependente, seja financeira ou espiritualmente, sim, porque tem gente que acredita que está junto com outra só por causa do karma.
Karma, "carma" nada, eu tô nervoso com você! Risos.
Ah, mas tem você que tá aí quietinho só lendo e se escondendo... Você que acabou um relacionamento e acha que nunca mais vai ser feliz, sem "aquela pessoa" sua vida não tem graça, você não vive sem essa pessoa que lhe deixou na mão, e você nem sabe porque essa pessoa se foi, vocês se amavam tanto, não era?
Era nada, foi um fogo de palha que queimou o que tinha pra queimar, apagou e você esqueceu de tirar seus pezinhos de perto.
Não foge não, essa história de "nunca mais"... Pra boi dormir, "nunca mais"... Muito tempo pra qualquer pessoa.
Acorda hoje para a vida e cobre a sua parte de felicidade do Universo, você tem direito a ser feliz, tem direito a uma quota de amor maior que você imagina, mas... Preciso que você mude sua forma de pensar sobre suas qualidades, sobre você mesmo, como ser único, entende?
Acredite que você merece ser feliz e mude tudo!
Se tudo vem dando errado, muda tudo!
Pinta o cabelo de azul ou roxo, pinte as unhas, troque sua roupa, se você é conhecida como pessoa boazinha e santinha, vire um sexy-simbol, uma pessoa desejada...
Arrebenta tudo, muda de ponto, pegue ônibus errado, saia do chat e venha para o lado real da vida, parque, cinema, teatro etc.
Ame-se e dê uma chance para seu anjo lhe ajudar.
Hoje é o seu dia, não o desperdice com o que não importa, importa sim, ser feliz!

++++++++++++++++++++++++++

Já comentei outro dia sobre textos de autoajuda. Quem tá na tristeza nem vai se importar do que está escrito ou não. O sofrimento é mais forte e cada um acaba fazendo o que lhe der na cabeça. Conselhos, muitas vezes, não servem para nada. Acho que cada um tem o direito de errar, de seguir em frente ou mudar o rumo.Cada um é dono de sua história. Talvez a pessoa é péssima para um e ótima para outra, no amor. Não dá para comparar relacionamentos. Cada um sente o que sente, vive o que vive e escolhe o que quer.
Errando ou acertando, cada um tem sua vida, seus sentimentos, seus momentos, suas alegrias, suas tristezas...
Mas aí me perguntam por que publiquei este texto. Porque falar de amor, não importa como nem onde e nem quando, é sem bem-vindo!

Clara Lúcia




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Esperança


Se perguntarmos a Deus até quando temos que ter esperanças, a resposta seria: até o último suspiro.

E quando cansamos de ter esperanças na vida? Como resgatá-la? Meditando, responderia Deus, e observando tudo a sua volta, as coisas boas, a saúde, o alimento, as alegrias, e tudo o que nos faz bem.

E se mesmo assim ficamos insatisfeitos e cansamos de ficar só na esperança? Procure não pensar coisas negativas, responderia Deus, pense sempre positivo e lembre-se que nem tudo que Me pede, Eu lhe darei. Tem coisas que lhe serão prejudiciais, que lhe farão mal, que lhe farão sofrer lá na frente, mesmo estando entusiasmado hoje, mesmo que ame agora, desapegue, se assim achar melhor, sem medo e sem remorso. E colocando a mão em nossa cabeça nos abençoaria e seguiria Seu rumo.

E nós, simples mortais permaneceríamos imóveis, esperando a esperança, de braços cruzados, coração sofrendo e não sabendo como enxergar uma outra saída, uma outra luz, num outro lugar, estando no mesmo lugar.

O pensamento é fixo num só problema, numa só dor, e não enxergamos nada a nossa volta. Tudo dói, tudo nos faz chorar e acabamos nos condenando como vítimas da situação.

O corpo padece pois não temos ânimo para cuidá-lo. O alimento sagrado escolhido a dedo fica para depois, para um outro dia em que a vontade de fabricá-lo retorne e nosso organismo volte a funcionar como um relógio.

Deus já deu Seu recado e se foi, mas ainda precisamos tanto Dele por perto!

Nossos pensamentos nos atordoam, nos tiram o sono e a ânsia por doces é tanta que cometemos o pecado da gula em questão de segundos. Só para nos arrependermos depois, quando tudo estiver caminhando como esperávamos lá atrás, dias antes.

O que fazer, meu Deus? Qual caminho seguir? O do coração? Mas é traiçoeiro, enganoso, maquiavélico... E nos faz sofrer.

Então, meu filho, caminhe com o coração, mas deixe que a razão lhe guie. Não precisa ser somente em linha reta, há curvas com paisagens lindas, arvoredos e rochas virgens, nunca vistos por olhos humanos. Sinta, cheire, pense, repense, e siga sua intuição. Estarei sempre contigo, sempre que me chamar.

E assim vamos vivendo, sofrendo, caindo, desanimando, revivendo, levantando, acendendo a luz e começando tudo de novo... E de novo... E de novo... Até o último suspiro.

Que Deus nos proteja, sempre! Amém!