quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Florbela Espanca


Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... Além...
Mais este e aquele, o outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... Pra me encontrar...
Florbela Espanca

Pensador

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Florbela Espanca

Sem remédio

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!

Sinto os passos de dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca


Uma querida blogueira, Jussara Neves Rezende, do Blog Minas de Mim, escreveu lindamente sobre Florbela Espanca. Cliquem no link e saibam tudo sobre essa poetiza. 
Conheçam o blog e se deliciem com a forma clara e sensacional que Jussara escreve. Vão adorar! Eu garanto!

E aqui, um link do amigo mais que querido Alexandre Mauj, declamando a primeira poesia. Lindo demais! 



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Primeiro e Último Amor


    Seis meses se passaram depois da morte de dona Isolina, esposa de seu Arnaldo. Casamento de cinquenta anos e três meses, até que ela morreu "de repente", como costumam dizer quem simplesmente morre, sem antes apresentar nenhum sintoma de nada. Foram felizes na medida do possível, com seus altos e baixos, com muitas cobranças por parte da família, que seu Arnaldo achou, num determinado período, que tudo se acabaria. Mas os anos foram passando e tudo foi se ajeitando como tinha que ser. Os seis filhos nasceram, cresceram e formaram família. Agora seu Arnaldo estava sozinho, mas não se sentia solitário e nem infeliz. Ainda tinha muito o que viver, apesar de seus setenta e dois anos, com uma saúde de dar inveja a qualquer jovem e ainda uma última atitude que ele pretendia ir atrás. Agora era a hora.

      Na sua juventude, seu Arnaldo foi um galanteador, um conquistador, que deixou muitas moçoilas apaixonadas e perdidas por ele. Mas uma única moça resistiu aos seus encantos: Beatriz! Linda morena, sensual, cativante e com um sorriso arrebatador. Ela não dava muita conversa para Arnaldo na época, pois já tinha compromisso sério com um outro rapaz, que fora arranjado pela família, como era o costume daquela época. Seu Arnaldo sempre procurava saber por onde andava Beatriz, e quando a encontrava casualmente pelas ruas ficava só de longe a admirar aquela que conquistou seu coração. Continuava bela como era na juventude, muito discreta e também viúva há alguns anos.

      Seu Arnaldo não pensou duas vezes, iria atrás daquela ingrata que nem ao menos lhe ofereceu os lábios carnudos para que sentisse o gosto de uma paixão platônica, por esses longos cinquenta e poucos anos. Agora estava livre para buscar aquele corpo que aos olhos, continuava perfeito; não um corpo sedutor ou jovial, mas um corpo feminino que sempre desejou. Poderia ele, agora, traçar planos, combinar passeios e, quem sabe, se casar de novo. Por que não?

      Só de imaginar esse encontro, ficava todo eufórico, o coração disparava, as borboletas lhe enchiam o estômago com aquele friozinho típico de apaixonado e o deixava mais jovial ainda. Um belo dia, decidido, tomou um bom banho, se perfumou, colocou a melhor roupa e foi à procura da amada, que durante esses anos todos, aguardava num cantinho todo especial nesse coração idoso, porém, ainda capaz de amar e ser amado. Estava se sentindo jovem, bonito, mas não queria ser aquele sedutor de outrora, agora era um simples cavalheiro que estava em busca de sua rainha adorada para lhe oferecer o braço quando saíssem para um passeio, e um lar, quando finalmente o casamento se concretizasse.

      Sabia onde dona Beatriz morava e com um belo buquê de rosas cor de rosa, bateu à sua porta. Ela atendeu e se assustou. É claro que se lembrava dele, apesar de nunca o cumprimentar nas ruas quando se cruzavam por acaso ou por uma premonição do destino que já traçava um final de vida juntos. Convidou-o a entrar e lhe preparou um café. Serviu uma mesa simples, mas muito bem arrumada, com um bolo de laranja que exalava um perfume delicioso por toda a casa. Conversaram a tarde toda, até que seu filho chegou, cumprimentou seu Arnaldo, conversou um pouco e logo saiu novamente. Ficaram os dois sozinhos e seu Arnaldo finalmente teve a coragem de se declarar. A voz embargada não impediu que ele pegasse suas mãos, que agora estavam suando frio e trêmulas, o coração disparado, as pernas inquietas e a respiração ofegante...

      Os olhos de Beatriz brilharam quando ouviu todas as declarações e, sem pensar muito, confessou que aquele sentimento era recíproco, apenas não deu confiança por ele ser muito galanteador com todas, e não queria ser apenas mais uma em sua vida. Pronto! Se abraçaram, se beijaram e começaram um romance.

      Mas seu Arnaldo não queria ficar no romance, queria se casar logo e viver o pouco que lhe restava ao lado de seu grande amor. Dona Beatriz aceitou e marcaram a data. Se casaram, viajaram para uma cidade próxima, pois não queriam perder tempo com lugares distantes. Tinham mais o que fazer do que conhecer lugares. Isso ficaria para uma outra ocasião. Queriam ficar a sós, em sua casa, que fora toda reformada, alguns móveis trocados e muito bem arejada.

      Seu Arnaldo e dona Beatriz nunca foram tão felizes como estavam sendo agora, e isso deixava bem visível para todos que os conheciam. Irradiavam juventude e demonstravam isso para todos que os viam. Que seja por um ano, ou por um mês, não importa! Tinham pressa de viver esse amor que fora guardado esses anos todos.

      Um dia, seu Arnaldo se levantou antes de sua amada, para lhe fazer uma surpresa, afinal já se passara um mês daquela união mais que esperada. Pegou uma bandeja e arrumou um lindo café da manhã, com um solitário com uma rosa cor de rosa, como ela gostava, e foi acordar sua rainha. Chegou ao quarto, colocou a bandeja numa mesinha que ficava num canto do quarto e foi encher de mimos a doce Beatriz. Estranhou ela não se mexer, nem acordar, pois sabia que tinha o sono leve. "Deve estar cansada demais" - pensou ele. Passou a mão pelo seu rosto e sentiu uma pele gelada. Começou a sacudir e nada! Pegou sua mão também gelada, já estava com as unhas escuras, começou a massagear os punhos, e nada! Começou a chorar desesperadamente. Beatriz estava morta!

      Morrera tranquila em sua cama, com um leve sorriso nos lábios e uma feição de total felicidade. "De repente", mais uma vez essa morte sem anúncio rondou a vida de seu Arnaldo. Se foi seu amor, lhe deixando apenas a saudade e o contentamento de ter vivido por um mês, a mais perfeita harmonia, o mais profundo amor, o mais ingênuo carinho, a ternura verdadeira. Um mês que valeu por toda uma vida...

      "Vai, meu amor, e me espere que logo lhe encontro, seja onde for... eu lhe procuro por toda a eternidade, mas lhe acho, e lhe pego de novo e não solto nunca mais".

      Foram essas as palavras de seu Arnaldo, quando o caixão de sua amada desceu ao túmulo.


      Fim.


      Texto publicado em 20 de junho de 2012



sábado, 31 de agosto de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 19ª Edição


Gente, que dia é hoje? Meu Deus! Esqueci completamente do concurso! Foi ontem! Ramiro dos meus pecados, a culpa foi sua, seu gostoso!

Participando da Blogagem Coletiva Escritos Lisérgicos. Vamos participar? Cliquem no link!


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

É Brega e Eu Gosto


Participando da Blogagem Coletiva da querida
Patrícia - Blog Café Entre Amigos. Quer participar?
Cliquem no link.

Aqui no interior de São Paulo, cidade média, progresso nem tão próspero, muita gente simples, muitas roças e fazendas ao redor, enfim, praticamente vida tranquila e vários objetos bregas, quer dizer, brega nada! Autênticos!

Acredito que o mais brega de tudo é julgar o gosto pessoal das pessoas. Além de ser péssimo, claro.

Olhando aqui em minha casa, algumas coisas que dizem ser brega, eu tenho!

Toalha de crochê. A imagem eu peguei do google, mas tenho uma igualzinho essa! Eu gosto! Hoje em dia nem se fala mais em brega, mas sim em vintage. Sei...

Olha, nada se compara a flor natural bem cuidada, mas cadê dinheiro e tempo pra isso? Não tenho! Fico com a de plástico mesmo!


Gente, olha só esse vídeo! Adoro!

Cantores dos anos 80. José Augusto, Wando, Fábio Junior, Sidney Magal, Richie, Patrícia Marx, Rosana, Kátia, Nico Rezende, Peninha, enfim... Não ouço, mas gosto quando toca na rádio. Aliás a rádio que ouço é de flash back, tanto nacional quanto internacional. Gosto!

Pinguim de louça, de geladeira. Acho fofo! Mas não tenho! Mas gosto!

Fico imaginando... Quem fica selecionando o que é brega e o que é chique?

Na minha humilde opinião, brega eu já disse acima, agora chique mesmo é ser autêntico, viver feliz sem se importar com os rótulos costumeiros de pessoas sem tolerância e até sem respeito ao próximo.

Cada um é cada um e gosta do que lhe faz feliz! Pronto!


Segredos Revelados


Participando da Blogagem Coletiva - 8ª Edição - Blog M@amyrene

      Alícia não acreditava no tesouro que acabara de encontrar: um diário de sua avó! Praticamente um livro manuscrito, letras desenhadas como se as linhas do caderno fossem de caligrafia. As folhas amareladas e com alguns furinhos de cupins davam uma certa nostalgia. O cheiro de papel velho a incomodava mas não conseguia esperar até amanhecer para ler os segredos da avó que falecera há vinte anos.

      Uma curiosidade dela junto com a irmã Aline, que já estava dormindo, a fez encontrar dentro do baú, além das roupas do século passado, vários livros antigos, romances raros, alguns livros pornográficos da década de trinta e esse diário.

      Na primeira página, letras desenhavam o nome da avó Querina dos Anjos Aguiar, o ano, a cidade, estado e país. Como se fosse para esse segredo correr mundo afora, denunciando exatamente de onde partiu. Alícia riu do capricho da avó enquanto passava o dorso da mão para limpar as bolinhas deixadas pelos cupins.

      Alícia, continuando a ler, cuidadosamente passava a página e cada vez mais se encantava com o jeito poético da escrita daquela época. Sua avó ainda jovem se declarando para um rapaz, bem apessoado, como ela escrevera, que lhe admirava de longe, e ela, a avó, não podia lhe fitar os olhos, pois era moça de família e temia ficar mal falada na cidade.

      Continuando a ler descobriu que o rapaz de quem sua avó citava era seu avô Jeremias. Sim, naquele tempo as moças ainda adolescentes se encantavam com os rapazes e estes as cortejavam e casavam, sem demora. Que lindo, pensava Alícia, bem diferente de hoje em dia.

      E chegou na página onde a avó descreveu, discretamente, sobre a primeira noite de casada. Ela fizera uma camisola de algodão, branca, que lhe cobria os joelhos e com bordados na gola e nos bolsos. Pena a avó não mencionar detalhes, mas disse que não foi boa não, que era de bom senso a moça não demonstrar emoção nenhuma para não correr o risco de ser devolvida para o pai. Que coisa grotesca, pensava Alícia. Mas continuando a ler, a avó acabou confessando que com o passar dos dias esse momento de intimidade era gostoso e ela podia até sorrir, escondida do marido.

      Alícia, em estado de graça, fechou o diário, encostou-o ao peito com as duas mãos e ficou imaginando sua avó e seu avô se conhecendo aos poucos, e vivendo juntos até os últimos dias. Raridade nos dias de hoje.

      Não queria ler o restante do caderno. Queria saboreá-lo aos poucos, dia a dia, desvendando os mistérios daquele tempo machista, castrador, difícil, mas muito sincero, inocente e que uma união era para sempre, querendo ou não. As palavras do padre "até que a morte os separe", eram uma ordem e não apenas uns escritos sacramentais. Puro romance, pura nostalgia.

      Alícia não sabia se contaria para a mãe. Capaz dela lhe arrancar o diário e guardá-lo num outro esconderijo onde nunca mais mãos humanas tocariam aquela relíquia de família. Leria tudo e só depois revelaria o achado.

      Guardou os livros e o vestido no baú e escondeu os escritos da avó, debaixo do colchão, em homenagem a ela, que fazia desse lugar um esconderijo sagrado, como contava sua mãe. Dormiu com um sorriso nos lábios imaginando aquela senhorinha carinhosa, meiga, doce... Vó Querina!

      Fim.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Nome das Coisas


Um texto de Mário Prata

Outro dia fui compra um abajur. A mocinha me olhou e perguntou: luminária?
Eu olhei em volta, tinha uma porção de abajur.
- Não, abajur mesmo. - eu disse.
- De teto?
Fiquei olhando meio pasmo para o teto, para a vendedora, para a rua.
Ou eu estava muito velho ou ela estava muito nova.
- No meu tempo - e isso faz pouco tempo - o abajur a gente punha no criado-mudo, na mesinha da sala.
E lá em cima era lustre.
- Lustre?
Descobri que agora é tudo luminária.
Pra mim isso é pior que bandeirinha virar auxiliar de arbitragem, e passe (no futebol) chamar-se agora assistência.
Quem são os idiotas que ficam o dia inteiro pensando nessas coisas?
Mudar o nome das coisas?
Por que eles não mudam o próprio nome?
A mocinha-da-luminária, por exemplo, se chamava Mariclaire.
Desconfio até que já tenha mudado de nome.
Pra que mudar o nome das coisas?
Eu moro numa rua que se chama Tertuliano de Brito Xavier.
Sabe como se chamava antes?
Caminho do Rei. Pode?
Pode!
Coisa de vereador com minhoca na cabeça e tio pra homenagear.
Mas lustres e abajur, gente, é demais.
Programação de televisão virou grade.
Deve ser para prender o telespectador mais desavisado.
Entrega em domicílio virou delivery.
Agenda de correio, mailing.
São os publicitários, os agentes de "marquetingui"?
Quer coisa mais bonita do que criado-mudo?
Existe nome melhor para aquilo?
Pois agora as lojas vendem mesa de apoio.
Considerando-se a estratégica posição ao lado da cama, posso até imaginar para que tipo de apoio serve.
Antigamente virava-se santo, agora vira-se beato, como se já não bastassem todas as carolas beatas que temos por aí.
Mudar o nome de deputado para putado ninguém tem coragem, né?
Nem de senador para sonhador.
Sonhadores da República, não soa bem?
E uma bancada de putados?
A turma dos dez por cento agora se chama lobista.
E a palavra não vem de lobo, mas parece.
E por que é que agora as aeromoças não querem mais ser chamadas assim?
Agora são comissárias.
Não entendo: a palavra comissária vem de comissão, não é?
Aeromoça é tão bom e terno como criado-mudo.
Pior se as aeromoças virassem moças-de-apoio, taí uma ideia.
E tem umas palavras que surgem de repente do nada.
Luau - isso é novo.
Quando eu era jovem, se alguém falasse essa palavra ou fosse participar de um luau, era olhando meio de lado.
Era pior que tomar vinho rosê.
Mas a vantagem de ser um pouco mais velho é saber que o computador, que hoje todo mundo tem em casa e que na intimidade é chamado de micro, nasceu com o nome de cérebro-eletrônico.
Sabia dessa?
E sabia que o primeiro computador, perdão, cérebro-eletrônico, pesava 14 toneladas?
E que, na inauguração do primeiro, os gênios da época diziam que, até o final do século, se poderiam fazer computadores de apenas uma tonelada?
Outra palavrinha nova é stress.
Pode ter certeza, minha jovem, que, antes de inventarem a palavra, quase ninguém tinha stress.
Mais ou menos como a TPM.
Se a palavra está aí a gente tem que sofrer com ela, não é mesmo?
No meu tempo o máximo que a gente ficava era de saco cheio.
Estressado, só a turma do luau.
E agora me diga: por que é que em algumas casas existe jardim de inverno e não jardim de verão?
E se você quiser mudar o nome dessa crônica para linguiça, pode.


sábado, 24 de agosto de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 18ª Edição


Depois a mulher é que demora. Amor, vem, já estou entrando em hipotermia! Paciência, esse não é meu nome!

Participando da Blogagem Coletiva Escritos Lisérgicos. Cliquem aqui, participem!


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Cinturinha de Pilão


Participando da Blogagem Coletiva Momentos de Inspiração - 7ª Edição, do blog M@myrene.

      Patrícia, concentrada nas suas pesquisas, encontra algo curioso: os espartilhos da década de 1940. Parou um instante, olhou para a janela com vidraças enormes que a separavam da mata nativa, e se lembrou do filme E O Vento Levou.

      - Como Scarlett conseguia usar um espartilho tão apertado? Aquela cena da mucama lhe apertando o espartilho e ela quase sem respirar é nostálgica. - disse, em voz baixa, olhando uma revoada de periquitos barulhentos que passavam bem perto de sua janela.

      E hoje é fetiche usar uma peça assim, toda trabalhada, uma verdadeira arte de engenharia. E ainda toda à mostra, sem tabus, pensava Patrícia enquanto continuava sua leitura.

      Teria pouco tempo para preparar uma coleção completa para uma rede de lojas de departamentos, sua mais nova ousadia como microempresária. Não faria as peças em seu atelier, apenas algumas peças básicas para serem enviadas para todo o país, onde a rede de lojas fabricaria. Estava tão contente que queria pesquisar o máximo de informações possíveis. E se basearia no passado, quando as peças eram escondidas, mas com a ousadia de agora. Os tecidos já haviam sido escolhidos a dedo, todos exclusivos e com detalhes inovadores, uma outra ousadia da mais nova estilista que logo teria seu nome carimbado no mundo da moda.

      Sua inspiração, é claro, seria Scarlett O'Hara, a eterna apaixonada equivocada e lutadora. Como toda mulher deve ser, feminina e forte, lutadora, sem medo de ser vaidosa e sem deixar dúvidas de sua eficiência. Mas nunca equivocada. Este seria o foco da coleção. Apaixonada sim, sem equívocos.

      Depois de perder seu olhar em mais uma revoada, agora de pássaros, na privilegiada paisagem que, por coincidência, era os fundos de sua casa, Patrícia voltou às suas pesquisas. Um turbilhão de pensamentos e ideias para colocar no papel e depois transformar em roupa íntima. Será um sucesso, com certeza.

      Fim.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Respeito Que Nos Falta


Assistindo ao Fantástico, o quadro "Vai fazer o quê?", uma pipoqueira nordestina é humilhada por uma freguesa. Muitos a defendem, indignados com a freguesa. Na verdade é um quadro gravado, com atores, para saber a reação das pessoas.

Olha, eu chorei. Mesmo sabendo que se tratava de atores, chorei.

Aquele outro em que a mãe humilhava a menina num shopping, fiquei arrasada!

Alguém já presenciou alguma cena de ofensas, na rua, com alguma pessoa? É horrível!

Um dia, numa fila de caixa de uma loja, um senhor, digo senhor pelos cabelos brancos, começou a criticar a fila especial para idosos, gestantes e portadores de deficiências. Apontava o dedo e criticava, indignado, pelo privilégio que alguns têm. Eu estava atrás dele e não falei nada porque ele estava visivelmente alterado, acho que estava bêbado e então preferi ficar quieta já que a fila dos especiais estava longe e nenhum deles ouviu o que o senhor falou. Mas fiquei indignada e nunca me esqueci dessa história.

O que algumas pessoas acham que são perante outras? Já chega esse maldito racismo que não deveria existir de jeito nenhum, a ofensa é ato comum na vida de certas pessoas. O que faz uma pessoa melhor que outra? A cor da pele, o trabalho, o local de nascimento? Quem tem uma atitude dessa deve pensar ser imortal. Nunca deve ter entrado num cemitério ou ido num velório.

O que, meu Deus do céu, levamos dessa vida? Por que alguns seres se sentem potentes ofendendo os outros? Será falta de educação de berço? Olha, nem sempre. Ainda acredito que a falta de educação é só uma parte da índole da pessoa, mas acredito também que ela já venha com essa índole, já nasça desse jeito e com o tempo desenvolva atitudes fora do padrão de convivência da sociedade.

Tem um post que sempre aparece nas redes sociais "Pra conhecer o caráter da pessoa, observe como ele trata as pessoas que não possam beneficiá-la em nada". Isso é certo e existem aos montes!

Já convivi com pessoas assim e digo que não é fácil. É um inferno! Pessoas que culpam o mundo por tudo, que culpam o outro, que culpam a situação pessoal, a falta de sorte, que culpam... E sempre são vítimas da vida. Reclamando de tudo como se a palavra final, por lei, fosse a sua. São infelizes por culpa própria mas é bem mais fácil culpar o outro por não ter tudo o que quer.

O respeito está escasso, os bons modos não são vistos por aí de jeito nenhum, as ofensas são gratuitas e nada se faz.

Esse quadro do Fantástico nos faz pensar sobre o que estamos cansados de saber. Infelizmente quem precisa ver, ouvir e aprender está longe de ficar assistindo o Fantástico ou então pensa que não se enquadra no perfil do sem educação. Tão acostumado a culpar, julgar, condenar o outro que o status de vítima lhe cega.

Que bom saber que existem muito mais pessoas do bem do que do mal. Apenas não aparecem sempre na mídia porque não geram lucro, não dão audiência, não aumentam o ibope. Mas nós sabemos que pessoas decentes estão espalhadas por aí sim, graças a Deus!

Uma ótima semana para todos!


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Momentos de Inspiração - 6ª Edição


Participando da Blogagem Coletiva da M@myrene. Gosta de escrever? Participe também!

      Márcia, que sempre passava por aquele caminho, nunca havia parado para observar a paisagem deslumbrante do pôr do sol. Apesar da fobia de altura, se arriscou a chegar perto da mureta de madeira que protegia a rua do precipício. Ainda sobre a bicicleta espichou o pescoço para poder ver as formiguinhas humanas que transitavam no buraco medonho.

      - Pra quê fazer uma estrada aqui em cima? E por que eu tenho que passar por aqui todas as vezes, meu Deus? - balbuciava indignada por sua atitude corajosa.

      Respirou fundo e começou a observar o horizonte.

      - Que lindo! Se eu olhar só o horizonte eu não fico tonta... E se fechar os olhos dá pra sentir a brisa que traz o perfume das matas da montanha. Hmmmm... Como é que eu nunca tive coragem pra prestar atenção nessa maravilha?

      E continuou a observar a linda paisagem, ao longe as montanhas com vários tons de verde e cinza e umas nuvens que cortavam-lhe o topo, e abaixo, um córrego que cortava a avenida principal da cidade, com duas ruas paralelas, com tráfego contrário uma da outra. As pessoas andavam nas calçadas e se deixavam ver vez ou outra, por conta de árvores frondosas que ofertavam sombra para proteger do Sol quente de verão. Apesar do Sol estar se pondo, alguns raios batiam nas nuvens e um pequeno arco-íris enfeitava a paisagem quebrando o verde das matas e o azul do céu. Alguns raios ainda batiam nas águas correntes do córrego, formando brilhos de luz que ofuscavam a visão de Márcia que nesse instante estava boquiaberta. Como era linda a cidade vista do alto! Num impulso, Márcia encostou a bicicleta na mureta, subiu um degrau desta, abriu os braços e soltou um grito. Depois se deu conta de que não estava sozinha, olhou para os lados e se sentiu aliviada por não ter ninguém por perto.

      Olhou para baixo e uma vertigem a fez se segurar, descer e se afastar da mureta. A sensação era tão inebriante que ficou com medo de se jogar no precipício. Respirou fundo, pegou a bicicleta e segurando no guidão seguiu com passos rápidos para o outro lado da rua, até finalmente sair daquele lugar enlouquecedor de tão lindo, tentador que a puxava para baixo, até chegar num lugar seguro, sem a visão do horizonte. Parou numa pracinha, sentou em um banco de madeira e, ainda tremendo, ficou imaginando a queda de um corpo daquela altura até embaixo quando encontrasse o chão. Não sobraria nem o pó para o velório.

      Não, melhor não passar mais por ali sozinha. Chamaria Arthur, o namorado, para acompanhá-la e protegê-la de qualquer loucura que ela, por ventura, sentisse vontade de cometer.

      Fim.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Nível de Amor


Um texto de Paulo Roberto Gaefke - escritor

Você anda amando bem e sendo bem amado?
Será que você está vivendo todo o potencial do amor que você tem direito?
Será que está aproveitando cada segundo de vida para amar de verdade?
Será que você está pronto para receber muito amor?
Comecemos pelo começo, como será que anda seu pensamento em relação ao amor?
Será que você está preso a uma relação do passado, acreditando que seria feliz se fosse com aquela pessoa que há pouco tempo (uns dez anos) atrás lhe deixou de maneira esquisita?
Será que você continua amarrado a um sonho com medo de ser feliz agora?
Ou será que você já assumiu a carapuça do "eu não nasci para ser feliz no amor" e tá aceitando qualquer gorjeta da vida, ou seja, "qualquer traste serve" e vive se arrebentando em amores frustrados, vazios, onde só você enxerga "um grande amor..."?
Mais uma vez o medo de assumir as rédeas de sua vida e a criação de um mundo imaginário, e impedem de viver um grande amor.
Mas, pode ser que você esteja vivendo uma relação apagada, com alguém que você se acostumou, com alguém que você acredita ser totalmente dependente, seja financeira ou espiritualmente, sim, porque tem gente que acredita que está junto com outra só por causa do karma.
Karma, "carma" nada, eu tô nervoso com você! Risos.
Ah, mas tem você que tá aí quietinho só lendo e se escondendo... Você que acabou um relacionamento e acha que nunca mais vai ser feliz, sem "aquela pessoa" sua vida não tem graça, você não vive sem essa pessoa que lhe deixou na mão, e você nem sabe porque essa pessoa se foi, vocês se amavam tanto, não era?
Era nada, foi um fogo de palha que queimou o que tinha pra queimar, apagou e você esqueceu de tirar seus pezinhos de perto.
Não foge não, essa história de "nunca mais"... Pra boi dormir, "nunca mais"... Muito tempo pra qualquer pessoa.
Acorda hoje para a vida e cobre a sua parte de felicidade do Universo, você tem direito a ser feliz, tem direito a uma quota de amor maior que você imagina, mas... Preciso que você mude sua forma de pensar sobre suas qualidades, sobre você mesmo, como ser único, entende?
Acredite que você merece ser feliz e mude tudo!
Se tudo vem dando errado, muda tudo!
Pinta o cabelo de azul ou roxo, pinte as unhas, troque sua roupa, se você é conhecida como pessoa boazinha e santinha, vire um sexy-simbol, uma pessoa desejada...
Arrebenta tudo, muda de ponto, pegue ônibus errado, saia do chat e venha para o lado real da vida, parque, cinema, teatro etc.
Ame-se e dê uma chance para seu anjo lhe ajudar.
Hoje é o seu dia, não o desperdice com o que não importa, importa sim, ser feliz!

++++++++++++++++++++++++++

Já comentei outro dia sobre textos de autoajuda. Quem tá na tristeza nem vai se importar do que está escrito ou não. O sofrimento é mais forte e cada um acaba fazendo o que lhe der na cabeça. Conselhos, muitas vezes, não servem para nada. Acho que cada um tem o direito de errar, de seguir em frente ou mudar o rumo.Cada um é dono de sua história. Talvez a pessoa é péssima para um e ótima para outra, no amor. Não dá para comparar relacionamentos. Cada um sente o que sente, vive o que vive e escolhe o que quer.
Errando ou acertando, cada um tem sua vida, seus sentimentos, seus momentos, suas alegrias, suas tristezas...
Mas aí me perguntam por que publiquei este texto. Porque falar de amor, não importa como nem onde e nem quando, é sem bem-vindo!

Clara Lúcia




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Esperança


Se perguntarmos a Deus até quando temos que ter esperanças, a resposta seria: até o último suspiro.

E quando cansamos de ter esperanças na vida? Como resgatá-la? Meditando, responderia Deus, e observando tudo a sua volta, as coisas boas, a saúde, o alimento, as alegrias, e tudo o que nos faz bem.

E se mesmo assim ficamos insatisfeitos e cansamos de ficar só na esperança? Procure não pensar coisas negativas, responderia Deus, pense sempre positivo e lembre-se que nem tudo que Me pede, Eu lhe darei. Tem coisas que lhe serão prejudiciais, que lhe farão mal, que lhe farão sofrer lá na frente, mesmo estando entusiasmado hoje, mesmo que ame agora, desapegue, se assim achar melhor, sem medo e sem remorso. E colocando a mão em nossa cabeça nos abençoaria e seguiria Seu rumo.

E nós, simples mortais permaneceríamos imóveis, esperando a esperança, de braços cruzados, coração sofrendo e não sabendo como enxergar uma outra saída, uma outra luz, num outro lugar, estando no mesmo lugar.

O pensamento é fixo num só problema, numa só dor, e não enxergamos nada a nossa volta. Tudo dói, tudo nos faz chorar e acabamos nos condenando como vítimas da situação.

O corpo padece pois não temos ânimo para cuidá-lo. O alimento sagrado escolhido a dedo fica para depois, para um outro dia em que a vontade de fabricá-lo retorne e nosso organismo volte a funcionar como um relógio.

Deus já deu Seu recado e se foi, mas ainda precisamos tanto Dele por perto!

Nossos pensamentos nos atordoam, nos tiram o sono e a ânsia por doces é tanta que cometemos o pecado da gula em questão de segundos. Só para nos arrependermos depois, quando tudo estiver caminhando como esperávamos lá atrás, dias antes.

O que fazer, meu Deus? Qual caminho seguir? O do coração? Mas é traiçoeiro, enganoso, maquiavélico... E nos faz sofrer.

Então, meu filho, caminhe com o coração, mas deixe que a razão lhe guie. Não precisa ser somente em linha reta, há curvas com paisagens lindas, arvoredos e rochas virgens, nunca vistos por olhos humanos. Sinta, cheire, pense, repense, e siga sua intuição. Estarei sempre contigo, sempre que me chamar.

E assim vamos vivendo, sofrendo, caindo, desanimando, revivendo, levantando, acendendo a luz e começando tudo de novo... E de novo... E de novo... Até o último suspiro.

Que Deus nos proteja, sempre! Amém!




sábado, 10 de agosto de 2013

Esmalte e Dicas de Leitura

Esmalte vermelho antialérgico pertence ao Blog Simples e Clara

O último livro que li e adorei, A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak. Uma leitura deliciosa que conta a história de uma menina sonhadora, Liesel Meminger, no tempo do holocausto, numa família humilde e num lugar frio, com neve, esconderijos, amigos, segredos, enfim, vale muito a pena.


O jovem autor
O filme que ainda não foi lançado

Pra quem gosta de ler e não tem muitas condições de comprar livros (eu), tem sites com vários autores, blogs com pessoas talentosas, livros online, enfim, não há desculpa pra não ler.

Indico o site Recanto das Letras, que eu participo, assim como outras blogueiras. Um site pra quem gosta de escrever ou simplesmente ler. Pra todos os gostos. Através desse site que já já terei mais três contos lançados num livro. Uma editora leu meus contos, gostou e me convidou. Simples e maravilhoso!

esmalte vermelho antialérgico pertence ao blog Simples e Clara

Esmalte vermelho, lindo, antialérgico Priscila, cor Beijo.
Outros esmaltes, outras leituras, cliquem AQUI, no Blog da Fernanda Reali.

Um maravilhoso fim de semana pra todos!


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Momentos de Inspiração - 5ª Edição


Participando da Blogagem Coletiva de M@myrene. Vamos participar?

      Anabela acordou com o sol a lhe queimar o rosto e, sem conseguir abrir os olhos, espreguiçou e se cobriu com o lençol. Theo, sorrindo, ficou olhando a amada preguiçosa. Não aguentou e se jogou de novo na cama:

      - Bom dia, Anabela adormecida... - sussurrou em seu ouvido.

      - Bom dia, Theodoro, marido da mulher preguiçosa mais feliz do mundo! - respondeu Anabela ainda de olhos fechados..

      Estavam em lua de mel e o presente fora dado de um padrinho, um amigo de infância de Theo.Se não fosse o amigo, estariam num hotel simples, na cidade mesmo. O casamento foi simples, poucos convidados e sem festa. Preferiram não gastar agora, já que Anabela estava grávida de oito meses e logo Manuela estaria dando despesas.

      Anabela ainda conservava a maquiagem de noiva, com olhos bem marcados, blush e rímel um pouco escorrido. Sua pele clara brilhava com sol que entrava pela janela de vidro transparente, seus cabelos curtos e negros davam a impressão de ser uma adolescente, apesar de seus vinte e oito anos. A gravidez não fora programada, mas foi muito bem-vinda. Theo, nos seus trinta e cinco anos, já era pai de um rapaz de doze. Era solteiro até conhecer Anabela, por quem se apaixonou desde que a conheceu como caixa de uma agência bancária. O modo jovial, moleca, olhos curiosos, baixinha e rechonchuda conquistou de vez o homem solto, livre, com muitas tatuagens pelo corpo e aventureiro. Jurara nunca se casar, mas Anabela o fez mudar de opinião.

      Anabela também não queria se casar. Relutou até o fim, mas Theo conseguiu convencê-la, não por Manuela, mas pelo amor e afinidade que tinham. Se não desse certo, separariam.

      Ainda ficaram um bom tempo deitados, com preguiça, se olhando, trocando carinhos e declarações. Não podiam demorar muito pois o horário para o café da manhã já estava no fim.

      Anabela se descobriu e se levantou num salto. Sentiu uma cólica e se deitou de novo. Uma contração muito forte a fez gemer alto, deixando Theo aflito e sem saber o que fazer. Depois um líquido inundou o colchão. A bolsa havia se rompido. Theo, desesperado, ligou para a portaria e pediu que chamassem uma ambulância, pois sua filha estava querendo conhecer essa luz maravilhosa do sol da manhã. Ligou para a mãe de Anabela e pediu para que pegasse a bolsa da bebê, que há dias estava arrumada, e que seguisse para o hospital para encontrá-los.

      Com todo o cuidado, Theo levou Anabela nos braços até a portaria e colocou-a sentada no sofá de tecido com estampas de flores roxas, já velho, mas limpo e cheirando a lavanda. Theo não parava quieto. Ora ficava do lado de Anabela, segurando sua mão e ora ia até a porta avistar se a ambulância já apontava na rua. Finalmente esta chegou e foram ao hospital. O hotel fazenda ficava fora da cidade, mas não muito longe. Uns quarenta minutos e já chegariam ao hospital da cidade.

      Depois de todos os aparatos, nervosismos, a mãe de Anabela que não chegava nunca e sem ninguém para conter Theo de devorar todas as unhas, nasceu Manuela. Prematura e com pouco peso, precisou ficar na incubadora. Linda, branquinha e de cabelos negros, com o nariz e boca do pai e com os olhos expressivos da mãe. Uma semana seria suficiente para que ganhasse peso e pudesse conhecer todos, desbravar um novo mundo, ganhar o colo da mãe e o mimo do pai.

      Tudo muito rápido, tudo urgente e a lua de mel veio com embrulho. Uma menina linda que com certeza alegraria a vida desse casal que, ainda meio perdido, não sabia nem como trocar uma fralda.

      Começo é assim mesmo, tudo novo, tudo diferente, tudo novidade e a intuição sempre falaria mais alto.

      Bem-vinda, Manuela!

      Fim. 

Uma Imagem 140 Caracteres - 17ª Edição


O mais difícil é ficar aqui, nessa altura, esperando o lindo só pra tomar café. O que um lindo não faz com a fobia da gente? Ai, ai...


Participando da Blogagem Coletiva do Christian, blog Escritos Lisérgicos. Vem, gente, participar!


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Neurolinguística - As Atitudes Mentais



A gente nem nota, mas é bem assim: passamos a vida inteira nos especializando em nossa profissão, estudando e trabalhando tipo bicho, e não nos preocupamos em saber como, exatamente, a gente "funciona". Às vezes parece que estamos ótimos de saúde etc, mas a gente sente que não está "funcionando" direito. E é aí que entram nossas atitudes mentais.

Nada a ver com o pensamento positivo, estou falando de outra coisa. Por isso, vou fazer um parêntese, para um breve esclarecimento: Programação Neurolinguística não é autoajuda. Aliás, detesto autoajuda, porque acho que isso não produz efeito nenhum. Para mim, ninguém consegue se sentir melhor apenas pensando positivo. Acho que tem de haver uma conquista real, seja profissional, ou pessoal. E por outro lado, a primeira coisa que fazem, as pessoas que procuram autoajuda é, de cara, rejeitarem toda e qualquer alegação positiva -- elas se enterram mesmo --. Sei lá, e pode ser até que acabem se sentindo piores do que estavam, porque simplesmente, não conseguem adotar o tal pensamento positivo. Fecho o parêntese.

Será que a gente sabe tomar uma atitude mental, ou melhor, será que sabemos o que é mesmo uma atitude mental? E que consequências as atitudes mentais trazem para o nosso estado geral (corpo e mente)?  Pois saiba que não estamos sozinhos com essas dúvidas, isso aliás, é uma preocupação mundial e diz diretamente com os objetivos da  Programação Neurolinguística.

E aí, você sabe o que é Programação Neurolinguística - PNL?

Preste atenção. PNL é uma área do conhecimento que estuda a estrutura da experiência subjetiva do ser humano. É uma ciência de caráter prático que objetiva o desenvolvimento pessoal, a otimização do desempenho e o preenchimento significativo da vida. Tem uma vantagem muito legal que é nos tornar conscientes e capazes de reprogramar nossa mente a fim de ultrapassar e ou lidar com as situações que se apresentam na nossa vida.

É  reconhecida em todo mundo como uma das mais eficazes ferramentas de mudança comportamental que existem. Não, não é conversa não, é pura verdade. Fundamenta-se na ideia de que corpo e mente formam um sistema integrado, ou seja, o que você pensa afeta o seu corpo, e o que você faz com o seu corpo afeta a sua mente. Calma, eu sei que isso não é novo, sei também que até nosso grande Guimarães Rosa, quando disse que "Toda a ação principia mesmo é por uma palavra pensada", já andou navegando por esses mares, mas até então ninguém, nem ele próprio havia parado para pensar nas entrelinhas de sua afirmativa. E as referidas entrelinhas apontam justamente para um conceito vivencial, muito bem delineado. Chuáá, eis o rio por onde correm as águas da PNL!

Você vai ver, é simplesmente revolucionário encarar a vida assim! (Dei uma olhada por aí e descobri que Guimarães Rosa trabalhou até como médico.) A PNL é um "Manual de Instruções" que nos possibilita (re)programar a mente, recuperando ou mantendo nossa autoestima e retirando as falhas de programação que foram geradas em nossa mente no passado, tal como as fobias. Serve inclusive como uma luz no túnel quando a gente quer mesmo emagrecer (ah, agora gostou né, rsrs).  É uma ciência muito interessante, pois ela lida diretamente com a inteligência intrapessoal. Veja a seguinte afirmação superdivulgada atualmente: "Se você acha que pode, ou se acha que não pode, você está certo nas duas situações." É por aí.

As técnicas da PNL foram desenvolvidas nos anos 70, por Richard Bandler e John Grinder, na Universidade da Califórnia. Eles observaram pessoas consideradas vencedoras e viram como elas agiam frente aos obstáculos que impediam seu sucesso. A partir dessa descoberta, eles decodificaram a estrutura processual do pensamento e das ações daquelas pessoas e formularam as técnicas de programação mental.

Mas o melhor disso tudo é que essas técnicas são copiáveis, ou seja, a gente pode copiar e praticar, o que nos leva a concluir que, em principio, qualquer um de nós pode alcançar a excelência em qualquer aspecto da vida.

Vou dar só uma palhinha pra vocês: como é que alguém sabe que é fofoqueiro? Certamente porque tem padrões de comportamento ligados a fofocas. Então: determino o que sou pelos meus comportamentos anteriores, ok? Ora se eu mudar meus comportamentos, com certeza serei diferente, concorda? Resultado: meus comportamentos passados determinam o que acredito que sou, e o que acredito que sou influencia meus comportamentos. É mais ou menos como os hábitos: "primeiro a gente faz o hábito, depois o hábito faz a gente". Como mudar então? Mu-dan-do, claro. Rsrs.

Gente, esse assunto é bastante extenso, e ainda tem muita água pra rolar, mas posso dizer que a PNL encarada com seriedade traz resultados positivos. Já vi acontecer. "E tudo que pedirdes,[...] crendo, o recebereis." Mt 21,22

Marli Soares Borges © 2010

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um Sonho (Im)Possível - Continuação


      Uma outra porta se abre e uma senhora de estatura baixa, cabelos brancos, óculos de graus tipo bifocal com armação preta, saia secretária e um blusa de tricô, de linha, bem fresca e solta, chama Lucimara para entrar, com um sorriso gentil no rosto. Ela agradece e se acomoda numa cadeira antiga, de madeira vermelha, combinando com a escrivaninha também da mesma madeira. Dá uma olhada discreta pela sala. Do lado direito uma estante enorme, de ferro cinza, acomodava vários livros, várias enciclopédias, inclusive a Barsa que era seu sonho de infância. Mas só os ricos a tinham. E do outro lado da sala, abaixo da enorme janela, um vaso com uma folhagem verde, brilhante, que mais parecia artificial de tão viva que estava. No teto, para quebrar toda aquela nostalgia, um ventilador com abas modernas, de um material acrílico e uma lâmpada bem grande. Estava desligado pois o clima estava fresco.

      Dona Damaris se sentou e já começou a ler o currículo de Lucimara.

      - Primeiro emprego, querida? - perguntou gentilmente, com voz doce.

      - Sim. Me formei há pouco. - respondeu.

      - Tão nova e já fez alguns cursos de especialização na área de Recreação?

      Lucimara sorriu e acenou com a cabeça. Estava nervosa e tinha medo de falar demais e se atrapalhar. Responderia somente o que lhe fosse perguntado.

      Dona Damaris, finalmente, perguntou-lhe quando poderia começar a lecionar, pois a substituta de uma sala de Educação Infantil já estava com o contrato vencido e precisava ocupar uma outra sala, com uma turma do Ensino Fundamental. Lucimara disse que estava livre e que poderia começar quando precisassem. Combinaram então para o dia seguinte, na parte da tarde.

      Lucimara se levantou, agradeceu Dona Damaris, apertando-lhe a mão e antes de sair lhe perguntou, com receio de levar uma bronca, sobre as aulas de piano. Dona Damaris sorriu e disse que, depois do prazo de experiência que teria que cumprir, poderia combinar com Débora, a professora, para ter aulas nos horários em que achasse melhor. E mais uma vez elogiou Lucimara pela iniciativa, pois música seria uma ótima forma de conduzir os pequenos, mesmo ela ainda não sabendo nada sobre, o clima musical é uma magia que encanta qualquer criança. Lucimara corou de vergonha e se emocionou com tanta gentileza. Se despediu e se foi.

      Passando pela enorme sala ao qual ficara esperando, se atreveu mais uma vez a espiar o majestoso piano preto, brilhante de tão limpo, ali, solitário, esperando algumas mãos que o dedilhassem e ecoasse a magia da música.

     Um sonho de infância que parecia perdido no tempo, esquecido num canto da memória, quase impossível de se tornar realidade, agora tão próximo, tão perto e tão real. É a vida que surpreende, que presenteia, que prova que nada é impossível, que sonhos não são apenas ilusões perdidas mas uma realização antecipada de um futuro que chega quando menos se espera.

      Fim.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Momentos de Inspiração - 4ª Ediçao


Participando da ótima Blogagem Coletiva da M@myrene. Vem ler, gente! Vem participar!

      Um Sonho Im(possível)

      Lucimara se arruma, coloca um salto médio, faz um rabo de cavalo, usa maquiagem discreta e vai para o ponto de ônibus. Era sua primeira entrevista de emprego, numa escola particular, onde pretendia o cargo de professora infantil. Amava crianças e sempre soube que sua profissão seria nessa área.

      A escola era longe, mas conseguir uma vaga numa tradicional escola de sua cidade contaria muito para seu currículo. Estava nervosa, pois era tímida e, além de enfrentar essa situação, ainda teriam as crianças, caso conseguisse o emprego, que muitas vezes são maldosas e não poupam comentários e apelidos inadequados. Mas estava feliz e confiante.

      Chegando lá foi encaminhada para uma sala num prédio onde ficava o oratório musical. Uma sala imensa, com algumas portas e com enormes janelas de madeira com vidros transparentes e borrados nos cantos com tinta branca. O assoalho de madeira, velho e encerado impecavelmente, chiava com seus passos, por causa do salto de seu sapato. Numa das paredes apenas um quadro pintado a óleo ornava a decoração. Uma bailarina nas pontas dos pés rodopiava com pinceladas perfeitas e quem prestasse atenção tinha a sensação que logo a seguir viria um salto. Pela situação da moldura de madeira já gasta nos cantos, o quadro era bem antigo. Ela caminhou até o sofá de couro, verde, que ficava em uma das paredes e logo foi pegando uma revista que ficava dentro de um suporte de ferro, pintado na cor ouro velho, bem do lado esquerdo deste. A revista era bem antiga e com algumas páginas arrancadas. Na verdade queria só se distrair com alguma coisa, para ver se relaxava enquanto esperava.

      Uma música suave começou a invadir a sala. Era piano. Alguém em outra sala tocava lindamente um piano.

      - Que lindo! - exclamou Lucimara.

      Não se conteve e foi até uma das portas, que estava fechada, e colou seu ouvido para ouvir se era daquela sala que vinha o som. Sim, era. Lucimara então fechou os olhos e começou a sentir a música. Não sabia qual o nome e não entendia nada de música clássica, mas esse momento a levou à infância, onde ficara encantada por uma amiga rica que tocava piano em sua casa. Algumas vezes ela ia à casa de Rosana para brincar e sempre a via tocar aquele imenso piano. Se apaixonou perdidamente pelo instrumento.

      Esse era um segredo só seu. Jamais diria a seus pais que gostaria de aprender a tocar piano. Eram pobres e não tinham condições de tal luxo. Apesar de pequena já sabia o valor dos objetos e o preço a pagar por algo que saísse da rotina. Guardou esse sonho num canto bem escondido da mente e agora tudo estava tão nítido de novo.

      Não percebeu que a música parara de tocar e a porta se abriu de uma vez fazendo com que se assustasse. A moça que tocava piano também se assustou com Lucimara e começaram as duas a rir da situação. Gentilmente Débora, que era professora de piano, perguntou se ela já havia sido atendida, e depois perguntou se ela tocava piano. Lucimara disse que não mas que amava o som da música clássica no piano.

      Depois de conversarem um pouco e Lucimara contar de seu sonho de infância, Débora disse que se ela fosse selecionada para lecionar na escola, teria direito a aprender a tocar o piano.

      Lucimara não se conteve e começou a chorar de emoção. Débora se despediu e Lucimara voltou a se sentar no sofá, ainda em êxtase por esse sonho estar tão perto de se tornar realidade.

      - Imagina eu, agora, conseguir o emprego e aprender a tocar piano? Que Deus me ajude! - e continuou ansiosa a esperar que a chamassem para sua primeira entrevista e para, quem sabe, realizarem seu sonho de infância.

      Fim.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Casais Preferidos da Ficção




Participando da 33ª Blogagem Coletiva da Patrícia, do Blog Café entre amigos.


 Raí e Babalu - Quatro por Quatro

 Jô Penteado e Fábio Coutinho - A Gata Comeu

 Otávio Cesar Jordão e Dinah Toledo Dias - A Viagem

 Set e Maggie - Cidade dos Anjos

Jhonny e Baby - Dirty Dancing

e
 Edward e Kim - Edward Mãos de Tesoura

Sam Wheat e Molly Jensen = Ghost

 Tobey Maguire e Mary Jane Watson - Homem Aranha

 Sherek e Fiona - Sherek
Gerry Kennedy e Holly Kennedy - PS - Eu Te Amo

Olavo Novaes e Bebel - Paraíso Tropical

Stênio e Helô - Salve Jorge

Faltaram muitos casais, todos maravilhosos e envolventes, que interpretaram lindamente os papéis. Difícil escolher entre tantos.

Vamos participar? Conheçam o blog da Patrícia!


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Cirque Du Soleil

Recebi esse vídeo, por email, e achei o máximo! Esse Cirque Du Soleil revolucionou mesmo!

Cliquem AQUI para assisti-lo. Fantástico!


Fundado em Baie-Saint-Paul, no Quebec, em 1984, por dois artistas de rua, Guy Laliberté e Daniel Gauthier, para comemorar do 450º aniversário da descoberta do Canadá pelo explorador francês Jacquer Cartier.
Cada espetáculo do Cirque du Soleil é a síntese da inovação do circo, contando com enredo, cenário e vestuário próprios bem como música ao vivo durante as apresentações.


Maravilhoso! Caro, mas o espetáculo vale o preço.

Alguém já assistiu?


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Papa Francisco


Em pouco tempo ele já causou praticamente uma revolução na igreja. Ontem, na entrevista, disse que a igreja tem que ser viva, que tem que acompanhar as mudanças no mundo, que antes as regras impostas eram adequadas mas que agora o mundo é outro e é necessário rever conceitos.

Olha, eu confesso que antes, quando eu era pequena, tinha medo de padre, não digo medo, mas não entendia direito qual o significado da igreja. Só sei que quando ia às missas com meus pais não podia falar nada, nem olhar para os lados, não podia perguntar nada e não sabia a hora de sentar, levantar, sentar, levantar. Apenas tinha que ir, ficar sentada e calada. Cresci e não fui mais à missa nenhuma. Não entendia nada e não sentia necessidade de estar num lugar que, para mim, não fazia diferença nenhuma.

Mas mesmo assim, me casei na igreja católica. Mas ainda não me importava com os sacramentos e nem nada. Queria era entrar na igreja, vestida de noiva. Ainda não tinha feito a primeira comunhão. Naquela época, de minha infância, os pais batizavam e logo a seguir crismavam os filhos. E a primeira comunhão meus pais não me conduziram a fazer. E eu nem tinha ideia do que seria primeira comunhão. Só via fotos de meus tios, primos, com aquela roupa branca, uma vela nas mãos e me diziam que era a primeira comunhão. Mas como não podia perguntar nada para meus pais, ficava por isso mesmo.

Bem, me casei, separei e aí o sofrimento aumentou. Sem saída, sem ninguém para perguntar, para lamentar, para chorar junto comigo, procurei a igreja. Aliás, foi ouvindo Padre Marcelo e depois Padre Fábio de Melo que reencontrei a igreja católica. Me entreguei! Minha vida mudou num giro de 360º. Nunca mais fui a mesma pessoa. Estava me tornando até meio "carola" de tanto que sentia necessidade de estar na casa de Deus, orando, lamentando, buscando soluções e respostas.

Com o tempo fui percebendo que não adiantava estar somente na casa de Deus, tinha que ter Deus junto comigo sempre. Ele não estava só lá onde O procurávamos, Ele está em tudo o que fazemos, desde que O coloquemos em todos nossos atos. Fiz a primeira comunhão! E fui enxergando como era a vida de fiéis que comandavam a igreja, o que falavam, etc. Quer dizer, fui observando à minha volta o que acontecia. Sim, tinha o dízimo, mas não era obrigatório. Eu pagava sim, mas um valor tão mínimo que o retorno que tive por estar na casa de Deus, foi infinitamente maior do que o valor que eu pagava. E algumas frases que eu ouvia dos missionários, me deixavam intrigada.

Aqui perto de minha casa tem as comunidades, que fazem parte da Igreja que fica longe daqui. Então era numa dessas comunidades que eu frequentava. E sempre chamavam os fiéis para participarem da celebração. Eu sou tímida, tenho voz baixa, não gosto de andar no meio da multidão com todos me olhando. Não me sinto bem. Eu sou assim. E sempre me chamavam para participar da celebração e eu dizia que não, que preferia só assistir de onde estava. E sempre ouvia "você ainda não aceitou Jesus". E isso me deixava revoltada. Como assim não aceitei Jesus? Quer dizer que para aceitar Jesus eu tenho que fazer tudo o que me pedem? Bem...

Numa outra ocasião, a presidente (sim, tinha essa hierarquia também), começou a nos falar, antes da celebração, que o "povo" não participava de nada, não colaborava em nada, que ninguém fazia nada naquela comunidade. Achei isso um horror e vi muitos indignados pela forma com que nos tratavam, sem ao menos saber o que se passava com cada um.

Outra coisa que eu não gostava: tinha festa das crianças, então o dinheiro arrecadado, parte dele era usado para fazer festas comemorativas para a comunidade. Tinha bolo, balas, salgadinhos, tudo que criança gosta. E numa dessas festas, fui com meus filhos, que eram pequenos e que faziam o catecismo. Então, a pessoa que organizava tudo começava a servir (claro que todos ajudavam a servir, inclusive eu), cortava o bolo, um pedaço para cada um e depois ela escondia tudo dentro de um cômodo. Tinham crianças que não haviam ganhado nem bolo nem bala nem nada, então eu, inconformada, fui perguntar onde estava o bolo. A moça grosseiramente me disse que eles já estavam cheios que podiam ir embora e que a festa havia terminado. E lá dentro da mesa estava o bolo, com menos da metade cortado. Fui até  lá e cortei o bolo e entreguei para as crianças que ainda não haviam ganhado o bolo. Depois ajudei a limpar tudo e no final, vi cada missionário com um pacote com bolo, salgado, bala, refrigerante, levando embora para suas casas. Aí fiquei indignada de vez.

E assim fui abandonando a comunidade porque na casa de Deus é tudo compartilhado e acolhido. Se tem essa hierarquia e essa discriminação, eu não faço parte.

E agora ouvindo o Papa Francisco falando de humildade, acolhimento e compaixão, fiquei com esperanças de que a igreja mude de alguma forma e acolha melhor a quem procura uma palavra, um carinho, um abraço ou seja, que sinta Jesus dentro do coração, bem lá no íntimo, e O leve para todo lugar onde estiver.

Que Deus proteja nosso Papa, que Nossa Senhora o cubra com seu manto sagrado e lhe abençoe. Amém!

Para quem não viu a entrevista ontem, no Fantástico, clique AQUI!


sábado, 27 de julho de 2013

Esmalte e Textura

Esmalte antialérgico azul, Blog Simples e Clara

Esmalte antialergico azul
Jeans! Adoro azul, de todas as cores, todas as texturas!

Esmalte antialérgico azul, Blog Simples e Clara

Desde o final do século 19, as calças jeans, ou seja, rancheiras, já circulavam por aí. E aos poucos foram se aperfeiçoando e hoje dificilmente alguém nunca tenha usado um jeans.


A textura jeans, não tenho certeza, mas é a textura mais famosa em todo o mundo. Será?


Esmalte antialérgico azul, blog Simples e Clara
Esmalte antialérgico azul (liiiiiiiiiiiiiindo) MOHDA. Participando da Blogagem Coletiva da Fernanda Reali. Vamos, gente, participem!


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Momentos de Inspiração - 3ª Edição


Participando da Blogagem Coletiva da M@amyrene. Quem gosta de escrever? Cliquem no link, vamos participar!

      Nome Esquisito - Culpa da Mãe

      - Tina, como foi ontem com aquele gato que você ficou na balada?

      - Nossa, me acabei de dançar com ele, ainda mais na seleção de bailinho. Anos oitenta. Que época boa que devia ser!

      - Qual o nome dele?

      - Kadu, deve ser Carlos Eduardo... Não quis ficar perguntando pra não me comprometer. Imagina ele perguntando meu nome inteiro? Cavo um buraco no chão e me enfio!

     - Nem morta, né? Mas se vocês continuarem a se encontrar, não vai ter como sair dessa. Vai ter que contar!

      - Nem me fale! Primeiro ele tem que ficar interessado em mim de verdade. Primeiro a parte boa e depois os defeitos de pós fabricação.

      - Eu fico imaginando você nascendo e seu pai indo no cartório soletrar seu nome pra moça...

      - Então, minha vida é essa: soletrar meu nome pra sempre!

      - Ainda bem que você é linda, porque se não fosse tão linda assim, cairiam de zoeira com você!

      - Tenho traumas horríveis com meu nome. E o primeiro dia de aula então? Eu faltava, chorava e minha mãe não entendia o porquê. Eu olhava com ódio pra ela, mas não podia fazer mais nada.

      - Acho que agora é permitido mudar o nome, se esse constranger a pessoa. Já foi atrás disso?

      - Sabe, Samanta, eu já pensei, mas esse nome é único, já tá enraizado, hoje eu ainda tenho um pouco de receio, mas consigo me divertir com ele agora. Passou a birra.

      - Imagina o seu Kadu perguntando qual o seu nome? Meu nome é Uitiney Keityellen Pereira. Qual será a reação dele?

      - Vou dizer a ele que tenho nome de princesa britânica. E ele vai se orgulhar de namorar alguém com um nome único no mundo. Daí eu mudo de assunto e ele esquece, já que ninguém guarda meu nome de imediato.

      - Acho que primeiro você tem que embebedar ele, encher ele de beijos, e falar bem sussurrado no ouvido dele... Tem que ser um momento todo especial, num lugar bem sedutor e você toda insinuante. Aí ele se esquece mesmo.

      - Besta! Só porque se chama Samanta de Alcântara Brandão e ter o brasão da família, fica fazendo bullying comigo. Isso é crime, tá?

      - Sua maluca! Vamos lá beber uma água de coco. Eu pago!

      Fim.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Doente Terminal


      Roberta, depois de mais uma sessão de quimioterapia, voltou para o quarto e dormiu. Sua mãe a acompanhava. Um ano lutando contra uma doença que ela já sabia, desde o início, que não teria cura. Sabia de sua morte premeditada e encarou todo o tratamento como uma guerreira, como sempre ouvia de todos. Nem se importava mais com os enjoos, as dores e os incômodos dos efeitos colaterais dos remédios. Apenas ouvia de todos, o tempo todo, a palavra esperança.

      Esperança de quê, pensava em seu silêncio, sabia que seus dias estavam terminando, que tivera a chance de repensar sua vida, seus erros e acertos e o melhor de tudo, se despedir das pessoas que tanto amava. Sentia nos olhos de cada um que a acompanhava, a dor e o sofrimento antecipado por uma partida dolorida e solitária. Ninguém sabia o que ela passava, o que pensava, o que queria, do que havia se arrependido, e o que ficaria para trás para sempre. Em seu silêncio apenas fechava os olhos e esperava pela hora marcada. Poderia ser hoje, amanhã ou daqui um tempo. Os médicos disseram que ela estava bem, que prolongara seu tempo, por milagre talvez. Mas Roberta sabia que não, que estava passando pelo que tinha que passar, que já estava escrito e que ela aguentava porque tinha que aguentar. Era forte e lúcida o suficiente para esperar a vontade de Deus em tirar-lhe daquele estado de tortura, tanto dela quanto das pessoas à sua volta.

      Dessa semana ela tinha certeza de que não passaria. Pelas visitas que andou recebendo, pelas pessoas que não via e nem tinha notícias há anos, apareceram para se despedir dela. Gente hipócrita! Muitos aqui me traíram, mentiram, riram nas minhas costas e agora vêm chorar lágrimas de colírio barato. Quando uma prima entrou em seu quarto, ela apenas olhou para sua mãe, indignada por permitir a entrada dessa pessoa que a odiava. Não se falavam há anos e agora ela vem, com um gesto de sinto muito e quem sabe, pedir perdão por qualquer coisa.

      - Oi, Roberta, como cê tá, querida? - perguntou a sonsa Neide.

      - Bem, e você? - respondeu, olhando bem no fundo dos olhos da traidora que havia jurado cuspir e pisar em seu túmulo. - É, prima, tá chegando a hora.

      - Fica assim não, vai dar tudo certo - emendou a prima.

      Roberta não suportando tamanha falsidade, virou para o outro lado e fechou os olhos. Pelo menos podia fingir não passar bem para não ter que suportar pessoas indesejáveis. E ficou ouvindo a conversa de Neide e sua mãe, na maior intimidade, como se sua vontade que Roberta se curasse fosse tão grande, que ela seria considerada a milagreira da família por querer tão bem uma pessoa que a qualquer momento se tornaria bondosa e santa. Roberta odiava e dizia para todos que quando morresse não queria o rótulo de santa e nem de boazinha. -"Inha" uma pinóia! - dizia, brava com todos que tentavam passar algum tipo de esperança.

      Neide ficou um bom tempo ao lado da cama, acariciando sua mão machucada por tantas agulhadas e isso irritava Roberta que tentava de toda maneira arrancar um pedaço da carne daquela mão traidora, com suas unhas, mas não conseguia devido à fraqueza do organismo. Neide ficava admirada pois sentia que Roberta apertava sua mão, pensando que fosse de gratidão. E chorava, emocionada.

      Depois que foi embora, Neide continuou sua vida fútil, como sempre teve e não voltou mais ao hospital. Fez sua boa ação do dia e fez questão de contar todos os detalhes para todos, da emoção em que Roberta ficou ao vê-la e o tanto que apertara sua mão. E tentava chorar mostrando realmente a emoção, mas as lágrimas não saíam.

      Roberta, mais uma noite sozinha, agora na UTI, entubada e aos cuidados de gentis enfermeiras, pensava na vida que teve. Aprontou muito, era danada desde sempre, inquieta, e se lembra de todas as vezes que sentira inveja das amigas lindas com cabelos longos. Ela era baixinha, rechonchuda e de cabelos ralos e curtos. Mas não era menos atraente do que as amigas lindas. Como ela mesmo dizia, se não nasceu linda, tinha que chamar a atenção de uma outra forma. E foi com liderança, ideias próprias e uma incontrolável coragem de enfrentar tudo e todos que conseguia conquistar alguns homens. E não era tão difícil se apaixonar por Roberta. Ela era do tipo mãezona, que defendia até os fios dos cabelos de quem ela achava que merecia defesa. Era justa até na alma e demonstrava isso para quem quisesse saber.

      Naquela cama de hospital, com os tubos a invadirem suas narinas e aquela agulha a lhe perfurar a veia, Roberta apertou os olhos, gemeu e chorou. Achava que seria a hora. Morreria sozinha, como tinha certeza que morreria. Na verdade ela sempre soube que todos eram solitários, mesmo acompanhados. Coisas que acontecem com cada um, são coisas solitárias, impossíveis de serem descritas ou imaginadas. Pensou em sua avó, sentiu saudades e alívio. Se encontraria com ela quando chegasse do outro lado. Será que há outro lado? Ela acreditava que sim. Pensou em sua mãe e no sofrimento que ela teria quando a filha partisse. Ninguém sofre mais do que mãe. E pediu proteção aos céus para que confortassem o coração de sua mãe guerreira. Esta sim era a verdadeira guerreira!

     Continuou de olhos fechados e começou a orar. Agradeceu a Deus pela vida, pelas oportunidades, pelos pais, pelos amigos sinceros, pela avó que foi antes dela para recebê-la quando chegasse lá, e agradeceu pela oportunidade que teve, mesmo que sofrida, por essa doença mortal. Teve tempo de rever pessoas, parentes, se despedir, desapegar, chorar... Só não suportava as pessoas sentirem pena dela por conta da doença. Todos morrerão um dia e nenhuma morte é melhor ou pior que a outra. Durante todo o tratamento ela não fez nada, além de repensar sobre sua vida. Não se preocupou com cabelos caídos, com olheiras e nem com picadas de agulha. Quem se preocupou mais foram os médicos que tentaram de todas as formas aliviar seu sofrimento. A dor é corporal, que logo se esquece, mas a dor da alma, de uma palavra indevida ouvida durante um momento em que está bem, uma traição, um descaso, um desprezo... Ahhhh, isso não tem cura. Dói pelo longo da vida. Roberta não era exceção de não passar por transtornos, era como qualquer pessoa que vive e que sofre. E em toda sua vida o que menos doeu foi essa doença que estava levando-a pouco a pouco, com dosagens homeopáticas, até o último suspiro.

      Roberta fechou os olhos e não mais acordou.

      Fim.