segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Roda D'Água


Sempre fui curiosa e destemida. Bem, curiosidade e medo são antípodas mesmo; mutuamente excludentes. Pois testei meus limites naquela tarde estival, em que fazia artes, sozinha. Conto já a história.
 
Estava no curral a catar lírios-do-brejo para pôr na jarra. Trabalho inútil, eu sabia. Os lírios são lindos e perfumados no pé; na jarra murcham logo, fenecem. Gostava do aroma, mas tinha cisma. Maria de Paula, nossa empregada da cidade, tinha me dito que o perfume dos lírios dava-lhe dor de cabeça; tinham enfeitado o caixãozinho branco de seu irmão que morrera pequenino. Êta Maria danada! Estragando o perfume dos meus lírios com suas histórias tristes.
 
Os lírios cresciam em volta de todos os cursos d’água que alimentavam a hidrelétrica que Pai Chico construíra pra resolver o problema de energia da Lagoa Grande. Naquele tempo vivíamos à luz de lampiões. Fui seguindo os cursos d’água – eram todos construídos por Pai Chico – e cheguei à parte mais bonita: o tobogã de cimento que levava o último e violento jorro à roda d’água. O tobogã era lindo, verdinho com seu tapete de lodo, folhagens caindo sobre a água, e a roda, ai meu Deus, a roda girando tão depressa que parecia uma roda branca flutuando no ar. Pisei no tobogã desavisadamente pra colher os lírios e escorreguei no lodo. Tudo aconteceu num átimo de segundo. Tentava me segurar metendo os calcanhares no lodo, mas não tinha onde firmar, e eu descia, descia com as mãos cheias de ramas de São Caetano, onde tentara me agarrar, desesperada. Ai, eu vou virar picadinho de Eliana, vou virar fubá, e eu descia, cada vez mais veloz, a bundinha verde, os cotovelos ralados e verdes, e eu chegava perigosamente perto da roda assassina. Foi quando, por instinto, me agarrei a costelas de Adão, veneno puro, dizia mamãe, melhor morrer lentamente que assim sozinha na roda d’água. Eu ia desaparecer e nunca ninguém daria notícia de mim. Gritar? O barulho da água era ensurdecedor, não tinha serventia gritar, ou me salvava ou seria picada na roda e moída na mó. As costelas de Adão eram fortes, foram o freio salva-vidas na undécima hora. Saí verde e com os joelhos trêmulos, jurei nunca mais chegar perto da roda d’água e cumpri. Bem, chegar perto eu cheguei, só nunca mais tornei a por o pé no lodo.
 Mais uma crônica de Eliana Teixeira
Bem se vê que a danadinha aprontava das suas, na fazenda Lagoa Grande. Ai, ai, ai, menina! 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Esmalte e Blogagem Coletiva


Já contei várias vezes na blogagem coletiva, o que aconteceu comigo depois que comecei a participar da BC de esmaltes.

E conto de novo...

Passei por vários problemas e tive depressão e síndrome do pânico por anos. Praticamente fiquei enclausurada todo esse tempo e por conta disso nem sabia mais o que era autoestima e vaidade. Fui deixando passar o tempo, trabalhando em casa como autônoma (não conseguia sair de casa por causa de síndrome do pânico), sendo dona de casa e mãe. Minha vida era essa.

Os filhos cresceram, e ganharam um computador. Fiquei com medo dessa tal de internet, porque geralmente nós sempre damos mais enfoque ao que é ruim. Então fiz inúmeras recomendações.

Mas.... um dia fui mexer... ahhhh, que maravilha! Conheci o mundo sem sair de casa. Youtube, Sites, Blogs.... Um amigo me disse para fazer um blog. Fiz. Conheci pessoas, e entre elas estava a dona Fernanda Reali e sua BC de Esmaltes. Que coisa estranha... esmaltes? Que assunto mais oco. Era o que eu pensava. Mas todo santo sábado estava eu lendo a BC da dona Fernanda. Quer saber? Vou participar!

Até então não usava esmaltes por ter alergia... só um clarinho que eu tinha... acabava, comprava outro etc.

Um dia ousei: vermelho! Ui... amei!


Aí me olhei no espelho... mas como vou andar com essas roupas e com essa cara, com unhas arrumadas... vermelhas?

Passei um batom, penteei o cabelo, coloquei um roupa melhor.... passei um perfume... pronto! Outro mundo!

Sabe, gente, não sei, mas antes eu não gostava nem de olhar fotos minhas, nem gostava de tirar fotos (ainda não gosto), mas hoje, olhando minhas fotos, inclusive as antigas, me vejo de forma diferente, pareço outra pessoa. Não mudei nada por fora, continuo com a mesma cara, com o mesmo cabelo, a mesma pele, o mesmo corpo, agora um pouco mais envelhecido, mas o que mudou foi meu interior; e aquele amor que eu sentia pelas pessoas, passou a ser divido comigo mesma. Me amei mais, me admirei mais, me gostei mais. E o mais importante: aprendi a rir de mim mesma, a levar a vida com mais leveza, mais humor, menos crítica, menos exigente, a aceitar mais as coisas e as pessoas como elas são...

A Blogagem Coletiva de esmaltes me devolveu a autoestima, a vaidade, e conhecer pessoas comuns, como eu, com problemas, com medos, com coragem, mas com unhas lindas.... por que não?

Autoestima! A gente perde, a gente acha, a gente conserva para sempre!


Esmalte Ludurana antialérgico Violet-Lumi. Liiiiiiiiiiiiiiindo!!!

Como diz um amigo de faculdade que hoje é professor da minha filha Amanda, na faculdade, o Júlio:

- Menina, coloca um pouco de cor na sua vida!

Obs: Ele é negão! Posso chamá-lo de negão porque ele não tem essas frescuras de ter que chamá-lo de afro-descendente.

Mais esmaltes, mais depoimentos, no blog da Fernanda Reali. Clica aí, vamos!


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Um Amor Livre

Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama o máximo.
E quem ama o máximo, sente-se livre.
Por causa disso, apesar de tudo que posso viver, fazer, descobrir, nada tem sentido. Espero que este tempo passe rápido, para que eu possa voltar à busca de mim mesma - encontrando um homem que me entenda, que não me faça sofrer.
Mas que bobagem é essa que estou dizendo? No amor, ninguém pode machucar ninguém; cada um de nós é responsável por aquilo que sente, e não podemos culpar o outro por isso.
Já me senti ferida quando perdi os homens pelos quais me apaixonei. Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.
Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem possuí-la.
Trecho do livro Onze minutos de Paulo Coelho 
Paulo Coelho, idolatrado por uns e odiado por outros. Normal! Geralmente quem não tem medo de expor o que pensa, que fala o que bem entende, mesmo que seja contra tudo e todos, causa esse impacto. "Ou me ame, ou me odeie, mas não me ignore." Eu vejo ele bem assim mesmo. Quanto ao texto, discordo em algumas coisas. As pessoas nos machucam sim, nos fazem sofrer sim, nos magoam, nos traem, nos prejudicam... E nós também fazemos tudo isso com alguém. Isso faz parte do ser humano que é um poço de emoções. A diferença de uns para outros é: por quanto tempo se aguenta tudo isso? Não é tão simples assim, principalmente quando se quer preservar a relação, contornar a situação, tentar de novo, relevar...  Talvez depositamos muitas expectativas na pessoa e nem sempre somos correspondidos. O que fazer então? Separar só por causa de alguns conflitos? Bom seria se nós conhecêssemos a pessoa e respeitássemos seu modo de ser, seus costumes, suas manias, sem querer modificá-la. Para isso existe o tempo de conhecimento, o namoro, as conversas, as experiências de vida a dois, para depois, se for de comum acordo, concretizarem essa união. Sorte de quem encontra um amor livre, que soma, que compartilha, que confia, que admira, que não tem medo de abrir mão de algo que julga importante para apoiar uma outra ideia que seja melhor para os dois. Um amor livre, que não cobra, que não julga, que não ameaça, que não possui, que não manipula, que não trava, que não mente, que não trai... Simplesmente um amor... de alma e corpo...  Um ótimo fim de semana para todos! 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

ESCOLHAS DE UMA VIDA


Um texto de Pedro Bial.

A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o autoconhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho. Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as consequências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!


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Eu concordo em partes com ele. Acho que temos o livre arbítrio sim, mas também acredito que algumas coisas estão determinadas em nossa vida. Senão, qual seria o sentido de alguns sofrerem tanto e outros não? Quem escolhe sofrer? Também acredito que viemos aqui na Terra para alguma missão. Mesmo que seja algo simples, mas que precisa ser feito, ou então corremos o risco de voltarmos numa próxima reencarnação para fazer o que ficou para trás. É o que eu acredito.
Clara  

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A DOR DE QUEM FICA


Mesmo que essa seja a única certeza, mesmo que nos preparemos (na verdade nunca estamos preparados), mesmo que relutemos, mesmo que não acreditemos que um dia isso irá acontecer com nossa família, não tem jeito; ela vem, toda imponente, forte, altiva, poderosa... e leva alguém... e nos mata junto. A morte...

Um dia tudo bem, outro dia, nem tanto, e no outro, fim! Parece tão simples... e é.

Parece até egoísmo de nossa parte não querer acreditar, de querer ter a pessoa sempre, eternamente do nosso lado... que não queremos sofrer, mesmo sabendo, ou imaginando, que foi necessário a morte, que faz parte da vida, que aqui é só uma passagem... blá, blá, blá.... Se formos analisar, nós, família e amigos, estamos todos aqui, agora unidos nessa dor, mas ele está sozinho, ou com pessoas que não via há anos... talvez nos vendo de longe e sofrendo com nosso sofrimento. Muita agonia.... Só o tempo...

O ser humano é puro sentimento, emoção... e a dor da alma não dá para explicar. Apenas sentir e nos calar num canto, pensando em nada e em tudo, orando, ou não, lembrando ou não... inconformando sempre.

O que acontece depois da morte? Há os que creem (eu creio) que a vida continua num outro plano e que tudo se ajeita com o tempo. Mas quem voltou de lá pra nos contar?

Semana passada, perdemos meu irmão. 38 anos, com toda vitalidade de uma juventude madura, muitos sonhos, muitos planos, uma esposa, uma filha pequena, pai, mãe, irmãs.... e simplesmente ele se foi. Talvez uma crueldade do Universo, mas uma alívio para ele que ficaria sofrendo, caso ficasse entre nós. Ele se foi e levou consigo um pedaço de cada um. Ver meu pai arrasado, ajudando a levar o caixão para enterrar o filho; ver minha mãe, tão frágil, tendo que aguentar firme; e tendo que me fingir de forte para acudir todas as dores, todos os choros... de onde arrancar forças, meu Deus?

Descansou! Não gosto muito deste termo, porque acho que nunca descansamos pois nossa alma é energia, e energia não para.

Que meu irmão esteja num plano bom, que ele tenha partido sem mágoa, sem rancor, sem ódio, sem deixar sentimentos ruins para trás. Que ele siga o caminho que lhe for determinado, ao lado de Jesus e com a proteção de Nossa Senhora. Que ele sinta todo o nosso amor e nossa imensa saudade daqui para frente.

Fique em paz, meu irmão! Um dia nos encontraremos, com certeza!




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Desejo



Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ". 


Uma ótima semana para todos!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Esmalte e Sex Simbol




Esmalte Ludurana antialérgico Paixão. Liiiiiindo! Fotos de celular = não ficam boas.
Mais Sex Simbol lá na Fernanda Reali.... querem ver? Cliquem AQUI!

Sem comentários.... só babem...

Al Pacino
Andy Garcia
Jeff Goldblum
José Mayer
Richard Gere
Tom Cruise
Alain Delon - alguém se lembra?
Alexandre Nero
Antônio Banderas
Brad Pitt
Domingos Montagnier
Elvis Presley
Hugh Jackman
George Clooney
Reinaldo Gianecchini
Johnny Depp
Larry Mullen Jr - baterista U2
Rodrigo Lombardi... Raj
Diogo Nogueira
Thiago Lacerda
Taylor Lautner
Ashton Kutcher
Bruno Gabliasso
Murilo Benício
Nicolas Cage
Gerard Butler
Clint Eastwood
Fábio Assunção
Sean Connery
Denzel Washington
Cauã Reymond


Será que falta alguém? Alguma sugestão pra eu colocar aqui? Bem, como libriana eu tenho uma dificuldade enorme em escolher, então resolvi o problema colocando todos aqui. Pronto!



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mentirinhas Inocentes



"Quando você conta uma mentirinha do tipo, quando alguém atende o telefone e você diz: "fala que eu não estou", esta pessoa que foi cúmplice da mentirinha, em seu inconsciente, em muitos casos passará a pensar duas vezes antes de acreditar em você novamente.

Mentir é um péssimo hábito que além de desnecessário, é um flagrante de fraqueza moral, seja por preguiça, covardia ou um suposto benefício próprio, de quem, a cada mentirinha destrói a sua própria credibilidade.


Quer ser respeitado, liderar pessoas e crescer como ser humano? Pense sobre isso. Tem muita coisa por aí que é muito comum, mas não é normal."
Flávio Augusto da Silva - página do facebook Geração Valor


Fatos Reais

Quando eu trabalhava em uma grande empresa, fui transferida para um outro setor que implantariam. Eu e mais uma funcionária. Acompanhamos todo o processo de instalação de máquinas, no caso computadores,  ajudamos a desenvolver programas, relatórios, enfim, iniciamos um novo setor.

Uma empresa foi contratada para fazer um certo trabalho e num belo dia, a caneta do representante daquela empresa simplesmente sumiu. Estranho porque era uma sala pequena onde só nós duas trabalhávamos e no momento do sumiço só nós três estávamos lá. Ele procurou em todos os lugares, não encontrou e foi embora.

Num outro dia, ele retornando, estávamos conversando sobre os computadores e ele pediu uma informação para a outra moça que trabalhava comigo. Ela pegou sua bolsa, tirou sua carteira, abriu e... lá estava a caneta do rapaz! Ela não sabia onde colocar a cara, e ele, ironicamente, apontou para a caneta e riu. Silêncio total. Mesmo assim, a moça não devolveu a caneta, ele foi embora, e ela ficou a tarde toda se desculpando pelo motivo que a fez pegar a caneta alheia: "ah, é só uma caneta, não vai fazer falta; ele não tinha nada que me pedir nada, para ver a caneta aqui comigo; ele que compre outra!". E eu, nada comentei, mas a partir daí fiquei com receio de deixar minhas coisas ao alcance dela.

Por melhor que eu a achava, sempre que me lembro dela, me lembro desse episódio da caneta. Furto é furto!

Naquela mesma empresa, certo dia uma funcionária veio reclamar comigo que algumas folhas de cheques haviam sumido de seu talão, cuja bolsa estava no banheiro feminino. Até então, muitas funcionárias deixavam as bolsas lá e nunca havia acontecido nada. Passou o tempo e os cheques dela começaram a cair em sua conta bancária. Ela pegou a cópia dos cheques e viu a letra. E reconheceu como sendo de uma outra funcionária, novata na época e que naquela situação já havia pedido demissão. Bem, ela nada falou, não denunciou nem nada, mas todos ficaram sabendo que a moça roubava cheques. 

Eu já a conhecia antes de trabalhar naquela empresa. Até então era uma boa pessoa, mas a partir desse episódio, agora também é lembrada por esse episódio, do roubo dos cheques. E olha que nem tem desculpas porque ela não precisava disso de jeito nenhum. 

Coincidentemente, quando entrei para a faculdade, ela estava na mesma turma que eu. Num dia, eu, muito topetuda, lhe disse que sabia daquele ocorrido dos cheques. Na hora ela ficou vermelha, roxa, azul e não sabia onde colocar a cara. O que ela respondeu: "Quem andou ela deixar a bolsa no banheiro? É bom para ela aprender a cuidar melhor das coisas dela!". Dizer mais o quê depois de uma mente cretina dessa?

Nenhuma das duas precisavam disso. Mas por comodidade furtaram algo e acharam que era por pura "inocência". Ou então acharam que nunca ninguém ia descobrir nada. Uma mentirinha tão ingênua que não afetaria nada e nem ninguém.

Então, furto é furto e de certo modo influencia na vida sim, de quem o pratica. Seja no momento ou no futuro, e o pior, não é nada de inocente se apoderar de um bem que o lhe pertence, e ainda fica carimbado em sua testa que tal data, em tal local, praticou o crime.

Vale a pena?

P.S. Não estou falando desses roubos ou furtos enormes, de gente sem escrúpulos, que sabem que nada vai lhes acontecer, mas falo de gente como a gente, que trabalha, que tem família, e que nem sempre zelam pelo nome.


Um ótimo fim de semana para todos!




quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Réveillon Frustrado

Eliana Teixeira e seus deliciosos contos... deliciosos como esta torta de limão. Que gosto será que tem?
 
       Nunca fui das netas prediletas de Pai Chico. Chamava-me às vezes de negrinha quando ia ralhar comigo. Êta alemão racista, meu Deus! Servia bem para trazer-lhe café e água e pelava de medo com essa incumbência, como, de resto, todos os netos pequenos. Era um porta-copos de prata, dois copos de cristal levemente rosado que mais parecia pele de ovo. Deus me livre de quebrar aqueles copos! Antes a danação eterna que levar uma surra de piraí... Tanto cuidado tomamos que nunca nenhum neto quebrou os malditos copos. Estão por aí.

       Eu nunca era a escolhida para os passeios de caminhonete com ele, por isso foi um espanto geral quando avisou que me levaria à festa de Ano-Novo na Fazenda da Mata. A Fazenda da Mata era de seu primo Dr. Cristiano. Era uma trinca de valor:- Cristiano, Bernardo e Chiquitão. Os Alves Costa. Pai Chico não herdara o Costa e ficara Teixeira: Francisco Alves Teixeira. Mãe Bertina é que era França. Papai era um puro Francinha, assim como o é minha filha Marcela.

       A lesta era lendária. Outros netos já tinham sido agraciados com a honraria de acompanhar Pai Chico. Diziam que na sala, logo na entrada, havia um armário com portas de vidro cheio de tortas maravilhosas, cada uma de um sabor, tortas de cima embaixo. Eu pensava sim na importância de ir com Pai Chico a uma grande festa, de ser admirada como a neta de Chiquitão. Mas pensava principalmente nas tortas. Eu acho que nunca tinha comido tortas, apenas as sonhava. Via fotografias, não, desenhos de tortas maravilhosas nas Seleções do Reader’s Digest da mamãe... Aquelas donas de casas felizes, com a cinturinha de pilão, e segurando tortas de morango, de limão e gelatinas de framboesa em frente a suas novas geladeiras de último tipo...
 
      Mamãe arrumou-me tão bonita quanto possível e fomos para a festa de ano-novo. Eu pensava na minha importância por um dia e nas tortas...
 
      Chegamos e Pai Chico estranhou. Não havia carros, a casa estava silenciosa. Será que ainda era cedo? Entramos. Não havia vivalma. Meus olhinhos buscavam ávidos pelo armário. As tortas, as tortas! Cadê as tortas? Cadê o chantilly cujo sabor era apenas sonhado? Suspiro, será que sabe a suspiro? De repente, o armário. Não havia de ser outro. Majestoso, dominava a sala. Perfeito para exposição de tortas. Meu Deus, o armário está vazio... Comeram todas, a festa já acabou? 
      Uma dor no coração, sensação de culpa, sou eu, sou eu, fiquei querendo demais, Deus me castigou.
 
      Veio alguém. Pai Chico cumprimentou: Comadre, boa tarde. A festa de ano-novo, comadre... Foi ontem, Chiquitão. Dia 31, no Réveillon. Desculpe, deveria ter avisado com mais detalhes. Problema não, comadre, eu sabia; me esqueci. Volto outra hora. Um café, Chiquitão, um minutinho só, dois dedinhos de prosa.
 
      Pai Chico tomou seu café, conversou com os compadres e eu fiquei passeando no entorno da piscina, olhando a beleza do lugar e imaginando a festa feérica que devia ter sido o Réveillon da Fazenda da Mata. Aprendi; Réveillon, essa palavrinha quer dizer festa de ano-novo, mas não é de ano-novo, é o enterro do ano velho. Como será o gosto de uma torta de limão?
 
 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Violência Contra a Mulher


É crime, é grave e tem que ser denunciado!

"Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". Esse ditado muitas vezes tem que ser quebrado, porque o lado fisicamente mais fraco, que é a mulher, não tem condição de fazer a denúncia sozinha. Talvez nem saiba que é crime e dependendo de seu histórico familiar, até ache comum ou culpa a bebida pelo "nervosismo" do companheiro e chega até a defendê-lo, dizendo que quando está sóbrio, é um ótimo marido e pai.

Mas quem agride o próximo, seja do jeito que for, não é ótimo em lugar nenhum. Passou da hora de parar com essa palhaçada e fazer valer a lei que pune o agressor.

Qualquer tipo de agressão à mulher a deixa marcada pelo resto da vida. Traumas, fraturas, hematomas, depressão, síndrome do pânico... todos sintomas de agressões.

Então, mesmo que o medo predomine, peça ajuda, por favor! Confie em alguém para contar o que acontece. É difícil, dá pavor, corre-se o risco de morte, mas deixando como está, você acaba morrendo dia a dia, com humilhações, pancadas, maus tratos.


O telefone para denúncia é 180 em todo o Brasil.



sábado, 24 de novembro de 2012

Esmalte Coral


O tema hoje é a cor coral...
Bem, não tenho um esmalte dessa cor, mas esse Rosa Chiclete que já postei se aproxima mais. Então vai foto antiga com post novo. Tudo bem, né?

O que eu poderia dizer da cor coral? Não sei...

Mas, lendo o primeiro post da Fernanda Reali sobre esmalte cor coral, uma frase no final do post, de uma blogueira dizendo que ficou um tempo sem se importar em arrumar as unhas, que com essa Blogagem Coletiva, deu uma sacudida na vida dela e foi muito bom (bem, não posso copiar a frase aqui, mas cliquem no link e leiam).

Eu digo o mesmo. Antes eu só usava clarinhos, base, cintilante e só, e tinha semana que não me importava, apenas cortava as unhas, lixava e só! Sem nada! Mas fui vendo os posts da BC e confesso que no começo achei um pouco fútil. Continuei lendo e vi que fútil é coisa da nossa cabeça, que o que importava era a "confraternização" de posts, era comentar sobre um tema, ou conhecer melhor outras blogueiras. E o mais importante: SE CUIDAR MAIS! Isso realmente é muito importante mesmo! Depois da BC, hoje me cuido mais, passo um batom, um perfume, presto mais atenção na roupa que vou usar... enfim, uma bela duma sacudida!

Num dos posts que fiz, Entendendo o Homem, citei um amigo que disse que observa a mulher pelos pés: se estão arrumados, limpos, bonitos. E outros tantos disseram que observam as unhas em geral, se estão bem arrumadas, esmaltadas... então... a gente pensa que ninguém vê. Mas somos vistas sim, dos pés à cabeça.

O mais importante é nos arrumarmos para nós mesmas, para sentirmos bem, bonitas... e com isso um pouco de felicidade aparece sim.

Bem, já falei demais, então vamos lá dar uma olhada nos esmaltes corais das meninas? Clique AQUI!



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Devassa - Um Conto Sensual

 
Roberta, louca para chegar em casa, encara um engarrafamento quilométrico num fim de tarde, começo da noite, buzinas, poluição, gritos, motos barulhentas e calor, muito calor.

Liga o rádio e ouve Dire Straits com aquele som de guitarra inconfundível. Começa a cantar tentando relaxar e esperar que a fila de carros ande de uma vez por todas.


Olha para o lado e o vidro do carro do lado abaixa. Um homem começa a olhá-la primeiro com óculos escuros, depois por cima dos óculos. Olhos negros penetrantes... Logo em seguida um sorriso, lindo!


 Roberta vê que ele aumenta o som de seu carro e que também ouve Dire Straits, uma outra canção. Ela desvia o olhar e se concentra em um ponto qualquer à sua frente. Mesmo assim é inevitável não sentir o olhar do homem lhe queimando o rosto. Não resiste e o olha de vez em quando... Ele sempre olhando e sorrindo, agora sem os óculos escuros.


Sua imaginação voa... E já se vê dentro daquele carro, do lado daquele homem desconhecido, com todo aquele calor lhe subindo pelo ventre. 


Roberta, para provocar, levanta o vestido até a altura das coxas e também uma perna, de propósito, só para que ele lhe veja. E ele vê! E faz um biquinho como se lhe mandasse um beijo e aperta um pouco os olhos, ficando com uma cara de safado.
 
Ainda se imaginando dentro daquele carro, ele então começa a correr sua mão em sua coxa... Se ajeita no banco, de forma que fique quase meio deitado, e de pernas entreabertas...


O trânsito anda uns 20 metros e Roberta aumenta o som do carro, agora uma outra música, e olha para o lado enquanto ele para no mesmo rumo do meu carro, de novo. Que bom!


Roberta fecha os olhos e sua imaginação continua, então ela se senta no colo daquele desconhecido, de frente, e começa a beijá-lo alucinadamente... Ele, com aquelas mãos enormes, abaixa seu vestido, acha seus seios e começa a beijá-los... Era como se ele voltasse à infância e estivesse faminto por alimento.


Beija-lhe a boca com paixão, desarruma seus cabelos, lhe pega pelo pescoço e percorre sua boca por todo o colo, os seios, volta para sua boca e lhe arranca o fôlego... Lhe aperta contra seu corpo deixando-a imóvel, puxa seus cabelos para trás e fixa os olhos nos dela... Olhos sedentos de desejo....


Alguém bate no vidro do carro. Roberta abre um pouco e vê um menino vendendo água. Água geladinha....


Olha para o lado e ele continua olhando-a, sorrindo e mexendo no volume do rádio.


Ela bebe a água e deixa escorrer um pouco sobre seu corpo. Ele vê isso e faz um gesto com a cabeça como se quisesse dizer: "não acredito!"


Ela fecha o vidro de novo e também os olhos e sonha acordada... Volta para o colo dele, que começa a gemer e a dizer coisas incompreensíveis;  lhe segura nos cabelos e beija seu pescoço, o suor escorrendo pelos seus seios... O mundo para! Só os dois ali, naquele sexo sem limites, naquela vontade de um entrar dentro do outro e nunca mais sair...

 
Uma buzinada atrás do carro de Roberta a faz ver que a fila andou mais uns metros. Ofegante. O desconhecido lhe olhando, lhe mostrando o celular, acenando e falando algo que ela não entendia. Apenas retribui com um sorriso. A fila anda mais um pouco e ele para bem à frente do carro dela. Roberta revira o porta-luvas e acha caneta e papel. Anota a placa. Ele fica olhando para trás procurando-a e acenando com a mão.


Roberta fecha os olhos e volta naquele lugar do pecado, dentro do carro daquele homem desconhecido, másculo e que a leva ao delírio... Continua o sexo, beija aquela boca, volta para seus seios, depois dá mordidinhas em sua orelha... E explode num urro de satisfação. Ela fica olhando aquele rosto tão próximo do dela, aquela boca quente, aquele hálito, aquele cheiro de sexo que se espalha; ela não resiste! Seu coração dispara... 


Ela dentro de seu carro e ele à frente lhe acenando e sorrindo, querendo dizer algo...A fila anda mais um pouco e ele some, entre os carros... Que pena!

Depois de um bom tempo, depois que todo aquele aglomerado de carros se acaba, ela o vê parado no acostamento, em pé fora do carro, lhe esperando passar. Acena com as mãos e ela não resiste e para mais à frente, sai do carro e vão de encontro um do outro. Eduardo, o nome do desconhecido.


No íntimo, Roberta sabia que suas fantasias não seriam só fantasias. Ela sabia que algo mais aconteceria. E aconteceu! Não dentro do carro, não naquela hora e nem naquele dia. Foram se conhecendo aos poucos, dia a dia até se entenderem e confirmarem uma fantasia que se viveu a dois, cada um com seus desejos e suas vontades. Duas fantasias que se uniram, agora olho no olho, pele na pele... Ui!


Queridos leitores, gostaria de informar que este texto está registrado na BN sob número 978-85-922781-0-6.
Por gentileza, não copiem sem minha autorização, certo?
Grata!

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