quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Devassa - Um Conto Sensual

 
Roberta, louca para chegar em casa, encara um engarrafamento quilométrico num fim de tarde, começo da noite, buzinas, poluição, gritos, motos barulhentas e calor, muito calor.

Liga o rádio e ouve Dire Straits com aquele som de guitarra inconfundível. Começa a cantar tentando relaxar e esperar que a fila de carros ande de uma vez por todas.


Olha para o lado e o vidro do carro do lado abaixa. Um homem começa a olhá-la primeiro com óculos escuros, depois por cima dos óculos. Olhos negros penetrantes... Logo em seguida um sorriso, lindo!


 Roberta vê que ele aumenta o som de seu carro e que também ouve Dire Straits, uma outra canção. Ela desvia o olhar e se concentra em um ponto qualquer à sua frente. Mesmo assim é inevitável não sentir o olhar do homem lhe queimando o rosto. Não resiste e o olha de vez em quando... Ele sempre olhando e sorrindo, agora sem os óculos escuros.


Sua imaginação voa... E já se vê dentro daquele carro, do lado daquele homem desconhecido, com todo aquele calor lhe subindo pelo ventre. 


Roberta, para provocar, levanta o vestido até a altura das coxas e também uma perna, de propósito, só para que ele lhe veja. E ele vê! E faz um biquinho como se lhe mandasse um beijo e aperta um pouco os olhos, ficando com uma cara de safado.
 
Ainda se imaginando dentro daquele carro, ele então começa a correr sua mão em sua coxa... Se ajeita no banco, de forma que fique quase meio deitado, e de pernas entreabertas...


O trânsito anda uns 20 metros e Roberta aumenta o som do carro, agora uma outra música, e olha para o lado enquanto ele para no mesmo rumo do meu carro, de novo. Que bom!


Roberta fecha os olhos e sua imaginação continua, então ela se senta no colo daquele desconhecido, de frente, e começa a beijá-lo alucinadamente... Ele, com aquelas mãos enormes, abaixa seu vestido, acha seus seios e começa a beijá-los... Era como se ele voltasse à infância e estivesse faminto por alimento.


Beija-lhe a boca com paixão, desarruma seus cabelos, lhe pega pelo pescoço e percorre sua boca por todo o colo, os seios, volta para sua boca e lhe arranca o fôlego... Lhe aperta contra seu corpo deixando-a imóvel, puxa seus cabelos para trás e fixa os olhos nos dela... Olhos sedentos de desejo....


Alguém bate no vidro do carro. Roberta abre um pouco e vê um menino vendendo água. Água geladinha....


Olha para o lado e ele continua olhando-a, sorrindo e mexendo no volume do rádio.


Ela bebe a água e deixa escorrer um pouco sobre seu corpo. Ele vê isso e faz um gesto com a cabeça como se quisesse dizer: "não acredito!"


Ela fecha o vidro de novo e também os olhos e sonha acordada... Volta para o colo dele, que começa a gemer e a dizer coisas incompreensíveis;  lhe segura nos cabelos e beija seu pescoço, o suor escorrendo pelos seus seios... O mundo para! Só os dois ali, naquele sexo sem limites, naquela vontade de um entrar dentro do outro e nunca mais sair...

 
Uma buzinada atrás do carro de Roberta a faz ver que a fila andou mais uns metros. Ofegante. O desconhecido lhe olhando, lhe mostrando o celular, acenando e falando algo que ela não entendia. Apenas retribui com um sorriso. A fila anda mais um pouco e ele para bem à frente do carro dela. Roberta revira o porta-luvas e acha caneta e papel. Anota a placa. Ele fica olhando para trás procurando-a e acenando com a mão.


Roberta fecha os olhos e volta naquele lugar do pecado, dentro do carro daquele homem desconhecido, másculo e que a leva ao delírio... Continua o sexo, beija aquela boca, volta para seus seios, depois dá mordidinhas em sua orelha... E explode num urro de satisfação. Ela fica olhando aquele rosto tão próximo do dela, aquela boca quente, aquele hálito, aquele cheiro de sexo que se espalha; ela não resiste! Seu coração dispara... 


Ela dentro de seu carro e ele à frente lhe acenando e sorrindo, querendo dizer algo...A fila anda mais um pouco e ele some, entre os carros... Que pena!

Depois de um bom tempo, depois que todo aquele aglomerado de carros se acaba, ela o vê parado no acostamento, em pé fora do carro, lhe esperando passar. Acena com as mãos e ela não resiste e para mais à frente, sai do carro e vão de encontro um do outro. Eduardo, o nome do desconhecido.


No íntimo, Roberta sabia que suas fantasias não seriam só fantasias. Ela sabia que algo mais aconteceria. E aconteceu! Não dentro do carro, não naquela hora e nem naquele dia. Foram se conhecendo aos poucos, dia a dia até se entenderem e confirmarem uma fantasia que se viveu a dois, cada um com seus desejos e suas vontades. Duas fantasias que se uniram, agora olho no olho, pele na pele... Ui!


Queridos leitores, gostaria de informar que este texto está registrado na BN sob número 978-85-922781-0-6.
Por gentileza, não copiem sem minha autorização, certo?
Grata!

Este conto e mais alguns, todos sensuais, num livro.


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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Uma Ótima Semana!

Um texto de Dalai Lama só para começar bem a semana.

Dê mais às pessoas, mais do que elas esperam, e faça com alegria.

Decore seu poema favorito.

Não acredite em tudo que você ouve, gaste tudo o que você tem e durma tanto quanto você queira.

Quando disser “Eu te amo” olhe as pessoas nos olhos.

Fique noivo pelo menos seis meses antes de se casar.

Acredite em amor à primeira vista.

Nunca ria dos sonhos de outras pessoas.

Ame profundamente e com paixão.

Você pode se machucar, mas é a única forma de viver a vida completamente.

Em desentendimento, brigue de forma justa, não use palavrões.

Não julgue as pessoas pelos seus parentes.

Fale devagar mas pense com rapidez.

Quando alguém perguntar algo que você não quer responder, sorria e pergunte: “Porque você quer saber?”.

Lembre-se que grandes amores e grandes conquistas envolvem riscos.

Ligue para sua mãe.

Diga “saúde” quando alguém espirrar.

Quando você se deu conta que cometeu um erro, tome as atitudes necessárias.

Quando você perder, não perca a lição.

Lembre-se dos três rs: respeito por si próprio, respeito ao próximo e responsabilidade pelas ações.

Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.

Sorria ao atender o telefone, a pessoa que estiver chamando ouvirá isso em sua voz.

Case com alguém que você goste de conversar. Ao envelhecerem suas aptidões de conversação serão tão importantes quanto qualquer outra.

Passe mais tempo sozinho.

Abra seus braços para as mudanças, mas não abra mão de seus valores.

Lembre-se de que o silêncio, às vezes, é a melhor resposta.

Leia mais livros e assista menos TV.

Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e olhar para trás, você poderá aproveitá-la mais uma vez.

Confie em Deus, mas tranque o carro.

Uma atmosfera de amor em sua casa é muito importante. Faça tudo que puder para criar um lar tranquilo e com harmonia.

Em desentendimento com entes queridos, enfoque a situação atual.

Não fale do passado.

Leia o que está nas entrelinhas.

Reparta o seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade.

Seja gentil com o planeta.

Reze. Há um poder incomensurável nisso.

Nunca interrompa enquanto estiver sendo elogiado.

Cuide da sua própria vida.

Não confie em alguém que não fecha os olhos enquanto beija.

Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes.

Se você ganhar muito dinheiro, coloque-o a serviço de ajudar os outros, enquanto você for vivo.

Esta é a maior satisfação de riqueza.

Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor de um pelo outro é maior do que a necessidade de um pelo outro.

Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para conseguir.

Lembre-se de que seu caráter é seu destino.

Usufrua o amor e a culinária com abandono total.“


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sábado, 17 de novembro de 2012

ESMALTE E FERIADÃO


Branco cremoso e Branco cintilante da Ludurana antialérgico. Sinceramente? Não gostei! Ficou só dois dias nas minhas unhas. Acho que marca muito, tem que ser perfeito, sem nenhum errinho e sem borrar nada. E não ficou bom não. Vejo nas unhas das meninas e acho tão lindo... mas não gostei nas minhas.

Então, feriado no país e eu como sempre fiquei em casa trabalhando. Isso já é rotina na minha vida que eu sei que é errado, que tenho que mudar, que tenho que sair, passear, blá, blá, blá... mas ainda não! Com o tempo vou me soltando mais e vou contando por aqui o que tenho feito.

Mas, se fosse para escolher o que fazer no feriadão, eu viajaria para um lugar tranquilo, praia, que gosto muito, um lugar sem tumulto de pessoas, sem muito congestionamento, sem estresse.

Não sei se é a idade, mas não tenho mais tolerância com tumultos. Em casa em fico tranquila, faço o que quero, como o que quero, durmo quando quero, assisto e ouço o que quero.... então me tornei uma pessoa caseira demais. Talvez uma fuga, não sei...

Feriadão para mim é isso: deitar no sofá, assistir filme, comer um bolo feito pela filha, comer algumas besteiras, tudo sem hora marcada. Que coisa sonsa, né?

Vou dar uma olhada na Blogagem Coletiva da Fernanda Reali e ver o que as meninas estão fazendo no feriadão... que deve ser bem melhor que o meu. Querem ver? Cliquem AQUI!




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A INVEJA MATA!

Hoje participo da Blogagem Coletiva da Alesca, do blog Diário de Bordo. É um tema polêmico que é sempre discutido e ainda se tem muito a discutir. Então, quem quiser participar, a BC vai até o fim do mês.


"A inveja pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual.". Vi essa frase na Wiki.

Vou falar um pouco sobre blogs. Quando eu abri o meu, confesso que fiquei com medo dos comentários que poderiam surgir, então na caixa de comentários coloquei aquela verificação de palavras, moderador e escrevi um recado de uma forma não muito chamativa. Depois com o tempo tive uma grata surpresa com toda a gentileza e delicadeza das pessoas. O carinho foi imenso, então tirei todas essas travas e tem dado certo. Perguntei para um amigo como ele lidava com os comentários. Ele me disse que nem os extremamente bons ou os críticos devem interferir na minha essência. Filtrar e pegar somente o que me acrescenta. E ele está certo sobre isso.

Um dia um anônimo entrou e disse que meu blog era muito chato. Fiquei chocada na hora, mas depois pensei que nunca ninguém vai agradar o tempo todo. E esses dias, por conta de um post sobre essas correntes religiosas, sempre aparecia um anônimo para "completar" o post. Eu apagava, mas depois de tantos comentários, retirei do post a opção de comentar. Pronto!

Eu confesso que de vez em quando eu visito alguns blogs que não têm nada que justifique tantos seguidores ou comentários, e fico até com uma pulguinha atrás da orelha. Poxa vida, como é que essa pessoa consegue tantos acessos assim, se o que a gente mais vê por aqui são muitos seguidores e poucos comentários? É uma inveja isso, não é? Então, todos nós somos humanos recheados de sentimentos, uns bons, outros ruins, outros péssimos... A diferença é como controlá-los.

Aprendi desde sempre que se algo não me agrada, simplesmente viro a página. Para quê dar ênfase a algo que me incomoda? Isso é fortalecer o inimigo de alguma forma. E é tão mais fácil destruir o que está pronto do que construir, não é? Se pensarmos em destruir tudo o que nos ofusca, imagina que baderna viraria o mundo? Mas o que me agrada, pode não agradar o outro, e o que me incomoda, é muito valioso para um outro. Cada um com seu gosto.

Voltando ao blog com centenas de seguidores e nenhum conteúdo, eu percebi que não importava o post, e sim a gentileza do dono do blog. A atenção, o carinho, a troca, isso faz muita diferença. Uma coisa que não gosto e não faço é entrar num blog, deixar um comentário dizendo que gostei do blog e pedir para a pessoa me seguir. Muito chato isso! Quantidade de seguidores não significa nada de nada!

Muitos textos eu amaria ter escrito, muitas ideias úteis eu adoraria ter tido, mas fico feliz por quem o fez ter compartilhado com todos. Aprendi isso também que quando se compartilha, se triplica o que se tem. Não estou falando daqueles incompetentes que copiam e colam no seu blog sem dar créditos e assinando algo que não lhe pertence. Isso é crime.

Outra coisa super chata no mundo dos blogs: falar mal, comentários arrogantes, desafios para testar sua inteligência, xingamentos, críticas sem nenhum fundamento; pura e simplesmente para tentar apagar o trabalho e pegar para si um pouco da luz alheia. Coisa muito feia isso.

Então é isso!

Inveja faz parte do ser humano, mas cada um sabe ou deve saber como domar esse sentimento que atrapalha somente quem o tem. Quem é invejado, criticado, xingado, com certeza tem algo de muito bom para incomodar quem não se acha capaz de conseguir seu espaço.




Um ótimo fim de semana para todos!


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

QUEM TEVE ESSA IDEIA?

Eliana Teixeira, com mais um de seus contos maravilhosos!



       Papai tivera um carro como coproprietário com tio Amynthas, quando impressionara mamãe como o mais elegante rapaz da cidade. Mas nunca soube dirigir. Dirigia tratores, cavalgava como Jerônimo, mas era apenas um garboso passageiro daquele primeiro automóvel da cidade que fizera suspirar tantas moças casadoiras.


       Um belo dia, papai disse a mamãe: - Maria, estamos mais folgados de dinheiro. Acho que podemos nos permitir alguns luxos...


       Mamãe pôs-se a sonhar. Imaginou a cozinha enegrecida pelo fogão de lenha ostentando um fogão a gás novo, com um bom forno para assar seus bolos; uma geladeira nova que coubesse belas fôrmas de gelatina para encantar os filhos; colchões novos para as crianças, roupas, ah, teriam que ganhar na loteria para colocar em ordem todas as necessidades da casa e das crianças...


       De repente, mamãe pôs-se a pensar de onde surgira tão generosa lembrança de papai. Sempre tão desleixado, papai não era de se impor
tar com nossas precisões. Para ele estava sempre tudo tão bom! Mas papai já tinha saído enquanto mamãe sonhava. Mamãe fez um muxoxo e voltou ao trabalho. Descascava legumes para o almoço. Na copa, eu cortava papel Kraft para encapar cadernos, minha especialidade. Essa tarefa era sempre minha e a executava à perfeição. Todo início de ano letivo pilhas de cadernos e livros de todos os irmãos passavam por minhas mãos para as capas bem cuidadas, milimetricamente medidas e cortadas. Ainda cuidava de etiquetar, escrevendo nome, matéria, série, tudo o que importava saber para identificar o dono do caderno. Adorava meu ofício, mas estava atenta na conversa de papai e mamãe.


       Papai voltou mais tarde e encontrou mamãe com o almoço pronto e com a pulga atrás da orelha. - Netto - perguntou ela - quando disse que estava folgado e que podíamos comprar alguns luxos, você pensou em alguma coisa? - Era a deixa que papai esperava. - Pois é, Maria - disse ele - Pensei que já está na hora de comprarmos um carro - sem se lembrar do fato de que nunca aprendera a dirigir. Mamãe matou a charada na hora: - Ah, Netto, garanto que isso é ideia de Eliana! Pois se eu já custo a segurá-la a pé, como é que vai ser se essa menina estiver motorizada? Deus me livre! Pode esquecer! - E papai sorriu, fez aquela carinha de biscoito e nunca mais tocou no assunto...
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Começa amanhã e vai até o fim do mês.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Última Infelicidade


Que triste chegar nos últimos tempos da vida, quando se tem mais a certeza de que a morte pode aparecer a qualquer hora, a pessoa vive infeliz, rancorosa, chata, rabugenta. Dá até para pensar que a vida inteira foi péssima e que agora não resta mais nada a fazer do que respirar e reclamar.

Uma vizinha minha é assim. Aparentemente é uma pessoa calma, que tem uns oitenta anos mais ou menos, mas quando eu parei para conversar com ela fiquei chateada. Eu até estranhei porque ela foi até minha casa oferecer umas bananas que uma das filhas trouxe de um sítio deles. Achei muito amável da parte dela, então comecei a conversar, agradecer e a primeira coisa que ela falou, num tom de descontentamento,  é que não gostava de jeito nenhum desse bairro e que por isso ela não gostava nem de atender a porta quando alguém tocava lá. Depois foi falando das filhas, do marido, do cachorro... Aí fui entendendo quando meus filhos ainda eram pequenos e brincavam no meu quintal e ela ficava gritando de lá da casa dela. Eles não podiam rir, nem jogar bola, nem nada! Ela encostava no muro e começava a xingar falando que eles estavam fazendo muito barulho e que se a bola caísse de lá, ela furaria e jogaria fora.

Hoje, meu filho que já é um moço e que não joga mais bola no quintal, me contou que um dia a bola dele caiu de lá e ela furou e jogou fora. Achei um absurdo, porque eles estavam no quintal da casa deles e a bola caiu não propositalmente. Tá certo que ela não tem obrigação nenhuma de devolver, mas por que tanto ódio assim?

Ela tem netos e quando eram pequenos e a visitavam, gritavam tanto que incomodava todo mundo. Sem falar que choravam demais e isso levava a gente à loucura. E ela quietinha sem reclamar de nada. Nunca fui lá reclamar do neto dela e todas as bolas que ele jogava no meu quintal (sem falar das latinhas, tampinhas, potes de plástico, pedras e o que tivesse por lá), eu devolvia numa boa.

Eu fico com pena de gente assim. Se foi e é tão infeliz, por que não mexe um grão de areia para mudar tudo? É a tal da acomodação. Aí alguém vem e me diz: "naquele tempo, já que ela é idosa, tudo era difícil mesmo". Concordo. Mas precisa despejar em todo mundo essa infelicidade? O que meus filhos têm a ver com isso?

Fim da vida, sem mais nada para fazer e ainda num azedume que ninguém aguenta. Ninguém merece!
Que triste fim, minha senhora... sinto muito mesmo.

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sábado, 10 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Final

Continuação...


      Augusto continuava insistindo com os pais para que fossem para o Brasil a passeio. Leonora já estava a ponto de ficar maluca de tanto pensar. Andava de um lado para o outro, sem rumo e não tinha mais paz com esses pensamentos e essa pressão toda. Leonardo não ajudava em nada! Parecia até que tinha lavado as mãos e deixado para a mulher tomar essa decisão. Muita coisa para uma pessoa pensar sozinha, reclamava ela com o marido; mas tudo em vão. Ele também ficava perdido em seus pensamentos, andava de uma lado para outro, mexendo aqui e ali, olhando a casa, a grama verde, o lugar calmo em que moravam e não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Leonora pensava em Antônio, na neta que nunca mais viu e na dor de deixar Vicente com a família para trás.

      Depois de dois meses, Leonora finalmente concordou em viajar a passeio para o Brasil, com o coração em pedaços e na certeza de que voltaria para sua casa nos Estados Unidos.

      Viagem longa, cansativa, mas os ares brasileiros fizeram muito bem ao casal deixando Augusto muito feliz. Se hospedaram num hotel para não ter que incomodar ninguém e descansaram o resto do dia. Augusto combinou de se encontrar com a namorada logo pela manhã para apresentar aos pais. Eles gostaram muito da moça e ela se encantou por eles. Augusto ficou aliviado. Depois todos foram para a casa de uma das irmãs de Leonora que já estava esperando, junto com o restante da família. Quando chegaram, a festa foi tanta que deixou o casal emocionado. Há tempos não viam os parentes e a saudade era tanta que não se deram conta de que faziam falta dessa maneira. Foi difícil dividir a atenção com todos os outros irmãos, primos, primas, sobrinhos, afilhados, enfim, uma família bem grande e acolhedora.

      Leonora havia se esquecido do tanto que era bom conviver com seus parentes. Tinham desavenças, mas nada de muito grave que separasse um do outro. Voltou a se sentir em casa. Vez ou outra se lembrava de como era sua vida naquela pequena cidade do interior dos Estados Unidos: acordava tarde, ligava a TV e assistia praticamente o dia todo e também à noite, o canal de TV a cabo onde passava toda a programação brasileira. Era assim que ficava sabendo sobre tudo o que acontecia no Brasil. Quando saía, tinha que ser acompanhada ou do marido ou de algum filho e só! Essa era a vida que levava.

      Mas no Brasil era muito diferente e Leonora ficava emocionada praticamente o tempo todo, com tantas novidades, o calor humano de todos, as gargalhadas, os causos contados, o ar diferente, tudo isso mexeu muito com ela.

      Depois de três dias, seu filho que ficou nos Estados Unidos ligou para saber se estavam bem e Leonora falou um bom tempo com ele, o que não fazia quando estava por perto, e falou também com os netos, um a um, que também era muito raro encontrá-los. Tanto tempo morando perto e agora que estava longe, tiveram uma conversa acolhedora. Leonora chegou à conclusão que não bastava estar por perto para viver junto, que o que importa era o coração estar perto e a saudade doer. E quando reencontrou todos aqueles parentes, se deu conta de como doeu se afastar de todos eles e viver praticamente enclausurada numa bela casa, mas sozinha a maior parte do dia.

      Augusto não cabia em si de tanta felicidade, agora praticamente com um compromisso certo, com vários planos e tudo encaminhando como ele imaginava.

      A passagem de volta estava marcado para o próximo mês, mas Leonora chamou Augusto num canto e disse que gostaria de ficar mais uns tempos. Augusto abraçou a mãe e disse que não teria problemas com isso. Na verdade, estando longe de Vicente e dos netos, estava mais perto, pois se falavam praticamente todos os dias. Augusto então sugeriu que os pais ficassem no Brasil o tempo que quisessem, e quando tivessem vontade, voltariam para os Estados Unidos. Os dois concordaram. A casa ficaria fechada enquanto eles estivessem no Brasil. Logo Augusto alugou uma casa, perto da casa de uma das irmãs de sua mãe, para que ficassem mais à vontade. Estavam realmente muito felizes em retornar.

      E assim continuaram vivendo, agora mais felizes, com os parentes e os amigos. Augusto se casou e junto com sua mulher adotaram duas meninas lindas.

      Leonora ainda pensava em seu caçula que nunca mais deu notícias, mas rezava todos os dias para que Deus tomasse conta dele e da família e se um dia ele retornasse, seria bem vindo! Vicente e a família sempre viajavam para o Brasil, para visitar os pais e matar saudades. Nisso Leonora chegou à conclusão de que era mais fácil eles virem até ela do que ela e o marido ficarem atrás de todos. Afinal eles ainda eram a base de tudo, então eles que tinham que ficar quietinhos e só irem até os filhos para passear. E mais uma vez agradeceu a Deus por tudo!

FIM

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Parte V

Continuação...


      Alguns anos se passaram e Leonora ainda não aceitara que o filho mais novo sumira no mundo; um mundo desconhecido que mais parecia um sonho em que não se acordava nunca. Não conseguira aprender a língua, mas entendia algumas coisas. Não saía sozinha nem para ir ao mercado. As letras lhe embaralhavam a visão e ela ficava toda atrapalhada. Leonardo fazia as vezes de companheiro e a levava onde queria. Ele também sofria com o sumiço do filho e mais ainda da neta que nunca mais teve notícias. Também não aprendeu o inglês e sempre que saía carregava consigo um dicionário tradutor. Se virava como podia e os filhos sempre estavam por perto.

      Augusto teve uma reviravolta na vida, se separou da mulher e por uns tempos estava morando com os pais. Não era uma situação confortável já que os costumes nos Estados Unidos eram bem diferentes, onde os filhos com dezesseis ou dezoito anos já saíam da casa dos pais para morarem sozinhos. Mas Augusto, com tanta tristeza, preferiu ficar perto deles, ajudar no que podia com os afazeres de casa e assim não ficaria tão sozinho.

      Vicente e a família moravam por perto, estavam bem e os negócios prosperavam sem problemas.

      A tristeza de Augusto não durou muito e, um dia, conversando com os pais, comentou de sua vontade de voltar para o Brasil, não a passeio, mas definitivamente. Havia conhecido uma brasileira e se encantara por ela e queria ter a oportunidade de recomeçar a vida no Brasil. Queria voltar às origens, ter mais contato com tios, primos e todos os amigos de infância. Tinha tomado essa decisão bem antes, enquanto ainda era casado, mas foi adiando e agora sabia que era a hora da mudança. Leonora quase teve uma síncope quando ouviu tudo isso. Mais uma vez se sentou no sofá e ficou olhando para o nada, por horas, só a pensar no que estava acontecendo novamente. Perderia mais um filho de vista? Não suportaria de jeito nenhum! Era compreensiva e não se intrometia na vida deles, mas sabia que sofreria demais caso isso acontecesse.

      Augusto, vendo que os pais ficariam muito tempo sozinhos e não desejava isso, convidou-os a voltar também. Pronto! Novo desespero para Leonora e Leonardo. Este ficava mais quieto, mas Leonora começou a colocar mil empecilhos: a viagem era muito longa, teriam que se desfazer da casa, dos móveis, dos objetos todos e recomeçar tudo de novo. Não! Leonora não tinha mais vontade disso! E também pensava muito no filho mais novo: - E se Antônio voltar e não encontrar mais ninguém aqui, meu velho? - Conversava com o marido. E olhava para a casa, para os objetos muito bem cuidados, as louças, os cristais, a casa grande, o jardim muito bem cuidado, a grama verde, e os netos todos ali. Não! Não tinha mais vontade de fazer essa mudança. Mas como convencer Augusto de que agora não daria mais para refazer a vida no Brasil?

      Augusto entendia, mas ficava receoso dos pais ficarem sozinhos por muito tempo e precisarem de algo e não haver ninguém para acudí-los. E pensava no irmão Vicente com a cunhada, e ficava aliviado, mas nem tanto. Augusto era um homem cuidadoso, atencioso, de um coração enorme, que queria cuidar dos pais enquanto eles estiverem vivos. Mas gostaria também de refazer sua vida com a namorada brasileira, no Brasil, e quem sabe, ter mais filhos, já que teve um único filho e que já é um jovem adulto.

      Leonora se torturava só de pensar em entrar naquele avião com a mudança, chegar no Brasil, sem casa para morar, ter que se adaptar de novo num lugar que tinha ótimas lembranças, mas a decisão de mudar de país foi desgastante demais para ela repetir essa proeza. Colocava defeitos e empecilhos em toda a opinião de Augusto, que sempre tinha uma solução. Mas não tinha jeito: realmente ela não queria mais ter esse sacrifício de se mudar. Uma coisa é fazer um passeio, outra é se mudar. E isso estava fora de cogitação para ela e o marido. No fundo ainda tinha esperanças de juntar os filhos e netos de novo, numa família feliz e sem discórdias.

      Augusto já havia tomado a decisão e não voltaria atrás, mas mesmo assim fez um último convite aos pais, de irem com ele ao Brasil, a passeio, e ficar uns tempos de férias. Depois voltariam para a casa. Leonora disse que iria pensar.

Continua...

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Parte IV

Continuação...


      Voando como uma borboleta sem plano de vôo: era assim que se sentia Leonora num país novo, com outra cultura, outros costumes, outra língua, outro clima. Era como nascer adulto num lugar diferente, com gente estranha; como um sonho em que saímos correndo, procurando desesperadamente a porta de saída de um lugar desconhecido. Mas pelo menos ela estava com sua família reunida novamente, agora também com os netos. O ruim mesmo foi perceber a distância do irmão mais novo, com toda sua rebeldia, dos mais velhos e, consequentemente, dela e do marido também. Mas o que tinha dado errado que esse filho saiu tão desgarrado de tudo e de todos? Nem bem "esquentaram a cadeira", e já presenciou brigas horríveis de Antônio e Augusto, chegando até a pegar no colarinho um do outro e encostar na parede. Leonora ficava desesperada e se enfiava no meio dos dois, mesmo com toda sua doçura; procurava aconselhar aqueles homens feitos, que irmão não pode brigar com irmão. De nada adiantava. As brigas eram constantes e cada vez mais violentas.

      Em sua casa, junto com o marido, conversavam a respeito de Antônio e no que poderia ter saído fora de controle para ele ter essas atitudes. Por outro lado ficavam se perguntando por que Augusto e Vicente não tinham tolerância com ele. Será que não entendiam que ele era diferente deles e que poderiam pelo menos deixá-lo ser como era, ao invés de ficarem brigando, insistindo para que Antônio mudasse seu comportamento? O que teria de tão errado em Antônio que incomodava tanto os outros dois irmãos? Leonora não entendia e sofria. Costumava ficar em seu canto, quieta, chorando escondida ou fazendo uma oração para que aparecesse uma luz e iluminasse o caminho dos três e finalmente eles se entendessem.

      Leonardo, apesar de aparentar ser mais calado e sério, também sofria com a atitude dos filhos. Na verdade ele se lembrava da educação que dera para cada um: muita rigidez com Augusto, que sempre tinha que dar o exemplo de tudo, sendo vigiado, castigado e tolhido de tudo o que queria fazer. Já Vicente não foi tanto assim, mas ainda o educou nos mesmos princípios que educou Augusto, que se acostumou a ver o irmão mais velho sempre levar a bronca e ser castigado, e que com o tempo foi pegando o jeito de escapar dos castigos do pai e acabava fazendo o que queria. Já Antônio foi criado solto, não obedecia muito e não fora castigado como Augusto. Tinha mais liberdade e sempre se achou o reizinho da família por ser o mais novo e por não ter a responsabilidade de ser exemplo para ninguém. Tudo isso Leonardo ficava se lembrando e sangrava por dentro, mas sem admitir que errara. Para ele, o que fez estava feito e ponto. Pai sabe das coisas e não deve ser contestado nunca! Era o que pensava, contrariando o que via com seus olhos de que alguma coisa estava errada com os filhos.

      Chegou um tempo em que a situação ficou tão insuportável que Antônio simplesmente pegou suas coisas e foi embora com sua família, para um lugar longe daqueles que não admitiam que ele era como era. Leonora, mais uma vez, via sua família se separar e sangrava mais ainda. As lembranças da mudança de país justamente para ficar perto dos filhos foi tão difícil, tão complicada, e agora tudo estava se desfazendo com Antônio não querendo mais viver perto deles. Leonardo nada falou, mas nos momentos de solidão, ficava olhando para o nada e não chegava a nenhuma conclusão sobre o assunto. Bem, já estava feito! Se Antônio preferiu assim, que siga em paz, seja para onde quer que vá!

      Antônio saiu, como se sai de um restaurante ou de um cinema. Simplesmente foi sem olhar para trás, sem dar endereço, telefone ou algum contato. Sumiu no mundo.

      Leonora pensou que não aguentaria passar por isso, mas arrancou forças não sabe de onde, se apegando às suas coisas, sua casa, seus novos objetos, e assim continuou vivendo, praticamente trancada em casa. Leonardo trabalhava com os filhos, na empresa da família, e não ficava comentando o ocorrido. Na verdade ninguém comentava nada a respeito. Leonardo e Leonora quando conversavam a sós, diziam da esperança do filho voltar e tudo ficar bem, como sempre desejavam. Nada tirava essa esperança de Leonora. E o tempo foi passando...

Continua...

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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Parte III

Continuação...


      No começo dos dias, depois que Augusto e a mulher se mudaram para os Estados Unidos, os dias de Leonora não foram fáceis. Os de Leonardo também não foram, mas ele era durão, não demonstrava fraqueza nem diante de uma dor muito forte, então era visto como sendo um homem frio. Leonora o conhecia muito bem e sabia que o marido sofria mais ainda por ficar calado, e nas horas em que estavam a sós, se abraçavam e lamentavam aquela situação.

      Os dias foram passando e o prazo de seis meses para terminar o estágio já estava terminando, para alegria dos pais de Augusto. Mas antes da data limite, este entrou em contato e disse que mudara de planos e que ficaria por lá por tempo indeterminado, já que tinha se dado muito bem e enxergava grandes chances de subir na vida. E assim foi feito. Leonora já esperava por isso, pois conhecia o filho mais velho que, apesar de ser educado com mais rigidez, não tinha medo de enfrentar novos desafios. Não sofreu tanto com essa notícia e desejou toda a sorte do mundo para o casal.

      Com o passar do tempo, Augusto mais estabilizado financeiramente, proporcionou a ida de seu irmão do meio, Vicente, para junto dele. Leonora já não sabia mais o que dizer, mas já tinha entregado tudo a Deus e se conformado com mais uma despedida. Dessa vez não teve tanta festa, nem muito choro, nem Leonora se enfiou no hospital para nada. Foi ao aeroporto se despedir do filho e da nora, mandando milhões de recomendações para todos.

      Com isso, sua casa de mãe ficou vazia, seu coração já não via muita graça em nada, nem os parentes mais próximos conseguiam animar aquele casal que antes era tão receptivo com todos. Leonora e Leonardo murcharam. Mas não sabiam que logo o filho mais novo também entraria em um avião para levá-lo para junto dos outros irmãos, e quem sabe, não voltariam mais. Esse dia chegou. Leonor praticamente não saía mais da cama e Leonardo não sabia mais o que fazer.

      A comunicação com os filhos, com o passar do tempo e devido à tecnologia que avançava, ficava mais fácil; então o casal matava as saudades dos filhos sempre que podia, quer dizer, praticamente dia sim, dia não. Uns vinte anos se passaram e os filhos somente voltavam para o Brasil a passeio, duas vezes ao ano.

      Um dia, Leonardo puxou pelo braço da mulher, olhou em seus olhos e sugeriu: - Vamos embora daqui! Vamos morar lá com os meninos! - Leonor não conseguia pronunciar nenhuma palavra. O choque de deixar sua terra, suas coisas, sua casa, seus parentes a deixaram tonta. Se sentou no sofá e por ali ficou a pensar durante horas. Leonardo somente chegava perto e lhe perguntava se estava tudo bem: - Sim, não se preocupe! - Era sempre essa a resposta.

      Não demorou muito, Leonardo ajeitou tudo, vendeu o que podia, desfez de outras tantas coisas, arrumou as malas e partiu com a mulher para viver com os filhos desgarrados. A emoção de Leonora era tanta que ela se esqueceu de despedir de muitos parentes. - Não tem importância. Quando chegarmos lá, eu telefono! - Estava tranquila e muito, mas muito ansiosa com tudo, com essa nova vida que passaria a ter, agora de novo, pela graça de Deus, do lado de seus filhos.

      Na chegada, os filhos fizeram a maior festa para os pais. Não sabiam por onde começar a mostrar o novo país que escolheram para viver e ganhar a vida. Tudo muito novo, muito mágico e uma língua estranha que não entendiam nada! Os filhos, aos poucos, tentaram introduzir o inglês, mas como eles mesmos diziam. "não entra mais nada na cabeça".

      Leonora, assim que começou a prestar mais atenção nos filhos, percebeu que o mais novo continuava rebelde e topetudo. Não tinha jeito! Ele se achava o dono da verdade e ninguém mudaria isso.

Continua...

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Parte II

Continuação...


      Depois do convite que Augusto recebeu para fazer um estágio nos Estados Unidos, a empolgação e o entusiasmo contagiaram toda a família. Leonardo e Leonora ficaram felizes, apesar de saberem que era hora de desgarrar de sua cria, para que ele criasse asas e ganhasse o mundo. Leonora demonstrou alegria, ficou orgulhosa, mas lá no fundo, um vazio tomou conta de seu peito. Não podia mais falar um não, assim como Leonardo, pois o filho já tinha constituído família. Leonora, a partir de então, rezava todos os dias aos santos e anjos e a Deus, que protegesse seu menino, que o guiasse sempre pelo bom caminho, que prosperasse e quando tivesse terminado o estágio, que voltasse para casa com toda a saúde que ele estava levando.

      Mas essa empolgação e essa falsa alegria durou muito pouco para Leonora. Não segurou o coração pensando que ficaria longe de sua criança crescida e resolveu não participar da festa de despedida dele e da nora. Simplesmente foi ao hospital fazer uns exames e de lá não saiu até que o avião decolasse do aeroporto. Tudo bem para Augusto, afinal ele conhecia a mãe muito bem. Agora seria a hora de colocar em prática tudo o que aprendera com ela, todas as dicas, todos os conselhos e sugestões. Algumas ordens ele recebeu de seu pai Leonardo, que com toda sua autoridade olhou bem em seus olhos e lhe desejou boa sorte, seguido de um forte abraço.

      No aeroporto a família e os amigos todos foram se despedir, afinal era um acontecimento na cidade, onde haviam até publicado num jornal, sobre o casal que passaria uma temporada nos Estados Unidos. Um orgulho para muitos e inveja para uns poucos. Mesmo assim todos estavam no aeroporto, aos prantos, se despedindo do casal.

      Leonora, sangrava por dentro e todos aqueles pensamentos medonhos que mães costumam ter, passava pela cabeça dessa mãe protetora e doce: "Será que o avião vai chegar direitinho lá? Eles mal falam aquela língua, como é que vão se virar? Que tipo de comida que servem lá? E se eles não gostarem de nada e emagrecerem tanto até ficarem em osso e pele? E se eles se machucarem, quem é que vai cuidar deles?". Esses e muitos outros pensamentos invadiam a mente de Leonora, que chorava calada, nos cantos, sem que ninguém visse. O avião decolou e agora mais nada poderia ser feito. Então não restou outra alternativa a não ser acender uma vela, se ajoelhar e implorar até as últimas forças, que todos os santos e anjos protegessem aqueles dois aventureiros, que por ela não tinham nada que sair dali onde estavam. - "Por que o patrão de meu filho foi fazer esse convite, meu Deus do céu?" - repetia inconformada, levantando a cabeça, na esperança de que tudo não passasse de um pesadelo e logo ela acordaria e seu filho e sua nora entrassem por aquela porta sorrindo, como sempre faziam. Eles foram!

      Depois de um tempo instalados, entraram em contato com os pais dizendo que tudo estava bem. A comunicação não era boa e não seria sempre que eles se falariam. Mas o tempo passa rápido e logo eles voltariam para o Brasil. O peito de Leonora ficava dia-a-dia mais apertado, com aquele pressentimento de que não seria bem assim.

Continua....

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Parte I



      Casados há cinquenta e três anos, Leonardo e Leonora, que eram os opostos em gênios e manias, viviam tranquilamente, com seus três filhos: Augusto, o mais velho, Vicente e Antônio, o caçula.

      Leonora, uma mãe carinhosa e muito sábia, se via com seus quatro homens e pensava que não seria como as outras mães que existem por aí. Não seria por seus filhos serem homens que teriam que viver às custas de mulheres para sobreviver onde quer que fosse. Desde pequenos, achando ruim ou não, os meninos aprendiam de tudo sobre trabalho doméstico, desde limpar casa, lavar louça, até pregar um botão ou fazer uma bainha de uma calça. E tinham que fazer tudo perfeitamente, sendo vigiados pelos olhos críticos da mãe, que era carinhosa sim, mas bastante enérgica com todo este aprendizado. Se não faziam direito, não podiam sair para brincar com os outros meninos da rua.

      Cresceram homens de bom caráter, assim como era toda a família; as brigas existiam entre irmãos, mas nada que não fizessem as pazes depois. A carga de dar o exemplo ficou por conta do mais velho, que era o mais exigido, o mais solicitado e o mais vigiado dos três. Com o do meio, nem era tanto assim. Mas com o mais novo, talvez por cansaço dos pais, já que o mais velho daria o exemplo sempre, tinha passe livre na vida. Então por esse motivo, as desavenças eram enormes entre eles. Leonardo, por sua vez, aconselhava como podia, como achava que era o correto e ponto final. Não se discutia uma decisão de pai.

      Apesar de toda rigidez numa educação corretíssima, os meninos sempre davam um jeito de aprontar, como era comum, mesmo quando já eram jovens: ora passavam o fim de semana sem darem notícias, ora chegavam bem tarde sem avisarem e ora faziam intrigas para culparem o outro. Bem, isso era por conta do mais novo, que não via limites em seus atos, então se achava livre para fazer o que bem entendia. Digamos que era o rebelde da família. Mas como colocaram o exemplo no mais velho que carregava nas costas todas as responsabilidades de mostrar aos irmãos mais novos como fazer tudo corretamente, todos tinham a esperança de que um dia Antônio aprendesse, com essa experiência, a viver corretamente, como vivia toda a família.

      Leonora fazia sua parte, com toda doçura de uma mãe cuidadora e rigidez de dar autonomia aos filhos, para que sempre saibam o que fazer quando estiverem ganhando o mundo, longe dela. Leonardo, um homem bem rígido, bravo, durão, forte, corretíssimo, que transmitiu aos filhos o que aprendeu, e como todo pai, achou que era assim mesmo. E fez o que pode para criá-los com uma educação baseada nos princípios da verdade, do bom caráter e bons modos, sempre, independente de onde estivessem. Era um pai que educava com o olhar matador, que não precisava de palavras para negar o que os filhos queriam, e estes, por sua vez, o respeitavam, mais pelo medo, mas mesmo assim era o herói como muitos pais são.

      O filho mais velho, Augusto, se casou e teve a oportunidade de trabalhar fora do Brasil, nos Estados Unidos. Não pensou duas vezes, fez as malas e se preparou para partir...

Continua...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

História do Lobisomem - O Começo de Tudo

Para quem leu esse post da querida Eliana Teixeira, aqui a continuação, ou o começo de tudo, como ela mesmo conta. Causos de fazenda...
 
      Quando Frei Leto apareceu para rezar a missa mensal na Fazenda Lagoa Grande estava todo mundo ansioso esperando sua chegada pra contar-lhe a história do Lobisomem, ou Curuzcredo, como muitos chamavam o bicho que Pai Chico matara na armadilha com as balas de prata no Winchester 44. Todos tinham ficado com medo e queriam que Frei Leto benzesse a fazenda e, especialmente, os lugares onde o bicho aparecera. Frei Leto, com paciência, sentou-se pra ouvir o caso. Ouviu a história aumentada muito mais vezes do que, de fato, acontecera – quem conta um conto aumenta um ponto. Dizia-se que o Frei tinha estudado o exorcismo e outros rituais envolvendo espíritos malignos em Roma. Falavam até que ele tinha um livro mágico, uma tal de “Chave de Salomão”. Mas o Frei nunca dissera nada disso. Era um homem bonachão e calado sobre si mesmo. O que dissera foi que o lobisomem é uma alma penada, alguém que tirou a própria vida. Por não ter sido enterrado o corpo em campo santo, a alma não fora encomendada a Deus e ficava a vagar pra pagar os seus pecados. Não vai pro inferno mas também não vai pro céu. Fica em sofrimento eterno, ou até que uma alma caridosa dê fim aos seus dias de penar através da bala de prata, e a criatura pode, finalmente, descansar.       
      Lembraram-se todos do vaqueiro Damião. Damião era uma criatura simples. Um dos melhores vaqueiros da fazenda, tinha sido criado dentro daquele território desde criança. Aprendera a lidar com os bichos ainda menino e parecia entendê-los mais que aos homens. Por não ter maldade no coração, Damião era sempre objeto de chacota da turma. Não sabia nada da vida e já adulto, enquanto os outros homens farreavam com bebida e mulher, Damião cuidava de plantas e bichos. Um dia Dalila, empregada da vizinhança, moça bonita que se deitava com todos os vaqueiros, se engraçou justo com Damião. Pensou, já que estava prenha e não sabia quem era o pai, daria o golpe no ingênuo do Damião. Damião também se envolveu com ela, como os outros vaqueiros. Mas vale sempre o ditado: galinha que acompanha pato morre afogada. Damião não tinha malícia pra entender as pretensões daquela mulher. Pois quando Damião caiu na rede, Dalila foi direto à patroa: - Tô prenha do Damião, sinhá! - Naquele tempo, os patrões tomavam decisões pra resolver também a vida pessoal de seus empregados. E a sinhá levou Dalila e Damião pra casar na delegacia. Damião ficou doido. Sabia que o filho não era seu e ainda virara motivo de escárnio de todos os vaqueiros das redondezas. Seus sonhos viraram pó. Damião foi se entristecendo, foi murchando, e quando todo mundo já tinha se esquecido da história, acharam Damião enforcado numa viga do paiol. 
      Damião teve que ser enterrado numa cova qualquer, sem os sacramentos, mas nunca ninguém pensou que dali ia sair um lobisomem. 
      Frei Leto disse que agora que sua alma estava descansando, já se podia rezar por ele. Fizeram uma cruz na beira de sua sepultura, o Frei rezou e encomendou sua alma. 
      Daquela noite em diante, todo mundo dormiu em paz. Mas que ficou todo mundo pensando, isso ficou:- É, mulher faz cada coisa com um homem. 
      Ah, e ainda querem saber de Dalila? Dalila foi-se embora. Dizem que virou mulher-dama lá pras bandas do Urucuia...
 
 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sorria, alguém te observa

Um conto sensual...


     

      Cristina chegou em seu apartamento, tirou os sapatos na sala mesmo, caminhou até a enorme janela de vidro que pegava toda a parede, abriu as cortinas, destravou o fecho, deslizou e deixou que a brisa invadisse toda a sala. Debruçou no parapeito e ficou admirando o por do sol ao longe, na grande metrópole que já brilhava com os faróis dos carros e com as luzes das ruas ainda tímidas, que lutavam para iluminar depois do sol.

      O calor sufocante fez com que Cristina permanecesse assim, com o rosto virado para o horizonte, mas de olhos fechados, apenas sentindo a brisa do entardecer. Não se refrescou no dia quente que marcou 37º.

      Puxou uma poltrona que ficava perto da janela, de forma que quando se sentasse nela, poderia ver o céu mudando o tom de azul e, enfim, as estrelas mostrassem sua beleza. Mas o calor era sufocante, apesar da brisa que entrava no décimo segundo andar daquele edifício antigo, mas luxuoso.

      Tirou a blusa que colava ao seu corpo, devido ao suor e a jogou no chão, do lado. Abriu o botão da calça jeans e se sentou relaxada na poltrona... Apesar de estar um pouco acima do peso e de não se considerar uma mulher bonita e sexy, gostava de seu corpo como era: tipo comum que não chamava a atenção dos homens quando andava pelas ruas, mas quem a conhecia intimamente, se apaixonava com facilidade. "Pelo conjunto da obra", ela dizia, para explicar o interesse que alguns tinham com ela e não com tantas outras mulheres lindas e de corpos perfeitos que tinham em todos os lugares.

      Foi até a cozinha e voltou com um copo de água gelada com alguns cubos de gelo. Bebeu um gole. Outro gole... Pegou uma pedra e começou a passar no seu rosto... Com o calor do corpo as gotinhas escorriam pelo seu colo, molhando o sutiã e escorregava para o lado, pingando na poltrona. Lentamente foi descendo com a pedra pelo pescoço, pelo colo, e com a outra mão desabotoou o sutiã que tinha o fecho frontal. Não o tirou do corpo; apenas deixou que ficasse do lado dos seios... Passou o gelo em volta de cada um, sentindo o arrepio... gemia baixinho, mas gostava da sensação do gelo derretendo em seu corpo quente.... Desceu pela barriga e uma poça se formou em seu umbigo....

      Cristina olhou pela janela e viu que alguém do apartamento de frente a observava. Ficou uns instantes olhando para ver se o indivíduo desconfiasse e disfarçasse, saindo da janela. Mas não! Ele continuou olhando e debruçou no parapeito como se quisesse se aproximar mais daquela visão. Cristina ficou incomodada com a atitude do homem, mas não se deu conta de que estava com os seios à mostra. Quando percebeu, cobriu com o braço, se levantou e fechou as cortinas. Se sentou de novo e ficou com raiva daquele homem abusado, indignada pela falta de respeito com ela, que estava dentro de seu apartamento e por isso, teria liberdade para fazer o que quisesse.

      Deu um sorriso, e fez um gesto de não com a cabeça e começou a falar sozinha:

      - Mas como eu vou exigir respeito de um senhor que não conheço, eu estando semi nua? Mas que sem noção eu sou!

      Voltou para a janela, já com o sutiã e agora também com a blusa, abriu as cortinas e olhou para aquele homem, agora prestando atenção em sua aparência. Ele, de sua janela, acenou para Cristina. Ela, sem jeito, retribuiu o aceno, mas fechou novamente as cortinas e foi tomar seu banho. Mas o homem não saía de sua cabeça. Era simpático, calvo, parecia ter estatura alta. Sim, simpático!

      A noite tomou conta da cidade e Cristina não parava de pensar naquela situação em que viveu. Quem sabe um dia possa conhecer aquele homem ousado, que a admirava enquanto se refrescava com o gelo, distraidamente com os seios à mostra, mas que se deu o direito de ter liberdade em sua casa, mesmo correndo o risco de ser observada por ele, e por tantos outros que não sabia que também poderiam estar olhando.

      Bem, amanhã é outro dia.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Acabou "sabosta"!


Até que enfim acabou! Agora mais dois anos de sossego, de não ouvir nada sobre esse assunto, de críticas, de endeusamentos, de brigas, de roubos, de roubos, de roubos... bem, esses continuam.

É tanto dinheiro financiando os candidatos, que se usassem para o bem comum, com reformas, projetos, faria uma diferença enorme.

Sábado, andando pelo centro da cidade, cada passo que eu dava encontrava um "poste humano" segurando uma bandeira do candidato. Imaginam quanto gastam com isso? Imaginam que quem tem mais voz, mais espaço, mais poder, mais financiadores, mais apoio é geralmente o que vence? E se um candidato bom, correto, digno não tiver apoio nenhum de ninguém, nem grana para financiar nada, ele ganharia, apenas por ser correto? Tenho minhas dúvidas.

Esse ano fiquei alheia a tudo! Não quis saber de nada mesmo por puro desânimo. Já fui mais ativa, mas esse ano cansei! Nos debates penso a mesma coisa: quem tem mais lábia, quem sabe mais se expressar com as palavras, quem tem mais carisma, simpatia, acaba levando vantagem. Talvez o mais preparado para enfrentar uma liderança, para administrar uma cidade, não seja tão bom com as palavras e nem saiba transmitir a quem o ouve, seus planos. E isso, com certeza, o deixa em desvantagem. Mais uma vez o foco errado de tudo.

Agora, num país democrático como o Brasil, passou da hora do voto deixar de ser obrigatório. Quantas e quantas vezes eu via pessoas pegarem do chão, ali, na porta do local de votação, um santinho para poder votar, mesmo sem saber de quem se trata... inúmeras vezes! Ou então quantos votam no que o marido vota, no que o vizinho indicou, no que está na frente das pesquisas.... ah, as pesquisas.... ultimamente não estão batendo os resultados, não é? Por que será? Alguém suspeita de alguma coisa?

Outra coisa que eu digo: muitas pessoas, e nem precisam ser ignorantes ou não terem cultura, mas que sentem falta de coisas, quem não tem o que comer, quem não consegue sustentar uma casa, fazer um puxadinho, colocar uma laje, com certeza é comprado por um voto sim! Já presenciei muitos, mas muitos mesmo! Olha, sem generalizar, ok? Estou falando o que eu já cansei de presenciar, mesmo sendo pessoas estudadas, formadas, inteligentes etc. Quanto a isso, melhor não continuar o assunto.

Mas, graças a Deus, "cabô sabosta!"

Então, vida que segue e tudo continua como antes. Será que essa ficha limpa vai funcionar? Não sou pessimista e ainda acredito num mundo melhor, com pessoas mais inteligentes, com maior capacidade de perceberem as coisas erradas, com o dom de fazerem escolhas para o bem comum e não para seu próprio bem... acredito sim! Quem sabe toda a impunidade que estava faltando começou com esse julgamento do mensalão? Mas, uma coisa é ser condenado, e outra bem diferente é cumprir a condenação.... tô azeda hoje? Não, tô cansada de tudo isso!

Uma ótima semana para todos!


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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Lendas Urbanas

A Loira do Banheiro


      Escola Coronel Francisco Martins, em Franca, interior de São Paulo, onde eu estudei da primeira série até a oitava série, hoje como sendo o ensino fundamental.

      Como vocês podem ver, a escola é velha, e se repararem bem, tem umas janelinhas embaixo, como sendo o porão, este que aterrorizava todos nós, que olhávamos mas não enxergávamos nada! Mas a imaginação corria solta, e inventávamos histórias com caveiras, gente morta, cabeças decepadas etc.

      Mas temido mesmo era o banheiro. Ah, mas ninguém se atrevia a ir ao banheiro daquela escola, sozinho. Sempre, sempre, ouvíamos a história do loira do banheiro.

      A que eu ouvia era assim: uma loira que estudava naquela escola, foi morta no banheiro e sua alma não conseguiu sair dali nunca mais. Era magra, cabelos compridos e bem amarelos, tinha algodão nas narinas e ficava flutuando pelo banheiro assustando todo mundo, ou quem sabe, arrancar os olhos da pessoa. Há quem dizia que já tinha visto a defunta, mas eu não ficava esperando e muito menos ficava olhando nos cantos ou no teto para ver se tinha alguém flutuando dentro daquele lugar. Os mais destemidos, vez ou outra, saíam correndo de lá, gritando, dizendo que tinham visto uma mulher loira, com algodão nas narinas, flutuando.... Era a morte! Vontade de fazer xixi? Ah, mas esperávamos até chegar em casa!

      Se era verdade ou não, ninguém sabe. Mas se existe a lenda, creio eu que algum fundamento tem. Era medonho ficar ouvindo os relatos imaginários dos alunos, principalmente quando ainda se é criança. Nunca fiquei sabendo o que realmente tinha naquele porão, e não me lembro em que idade deixei de ter medo daquele lugar, já que na sétima série eu comecei a estudar à noite, sem problemas. Coisas de crianças,  de imaginação que infelizmente acaba com o tempo, com o amadurecimento.

      Pesquisando no "tio" Google, encontrei na Wiki essa definição AQUI.

      E dando mais uma fuçada, encontrei um blog que tem várias versões. É só clicar AQUI.

     Bem, estou participando da Blogagem Coletiva do blog Escritos Lisérgicos. Façam uma visitinha, para saberem mais sobre lendas urbanas.

      Não vão invocar a moça, heim? Deixa ela quietinha lá! É melhor, né?


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