quinta-feira, 21 de março de 2013
Muito Prazer, Papai
Participando do Projeto Bloínquês - 9ª Edição Visual
Manuela, apesar de não entender nada, esperava ansiosa pela voltado pai Tanaka. Não o conhecia pessoalmente. Quando ainda era bebê o pai resolveu voltar para o Japão e juntar dinheiro para que sua família tivesse um pouco mais de conforto. Sueli, sua esposa, não quis acompanhá-lo por Manuela ser bebê e por querer educá-la no Brasil.
Sete anos se passaram e hoje seria o dia de Manuela conhecê-lo. Sueli não se continha de emoção e de aflição, e isso fez com que elas chegassem com bastante antecedência ao aeroporto para esperar Tanaka.
As horas não passavam, Manuela não parava quieta e Sueli ficava impaciente de ver a filha pular em tudo, mexer onde não devia e sair correndo pelos corredores do aeroporto. Por alguns instantes Manuela se aquietou diante das enormes paredes de vidro que davam vista para a pista de pousos e decolagens. A cada avião que pousava olhava para trás e perguntava para a mãe se era esse o avião. Sueli diziam que ainda não e a menina continuava contando os aviões e conversando sozinha, como se tivesse alguém do outro lado da parede para ouví-la:
- Olha, é o papaaaaai! Meu papai que tava láááá no Japão e agora vai ficar na minha casa, na minha casinha, né mãe? - perguntava para a mãe. Esta apenas acenava com um sim com a cabeça.
Não foi fácil para Sueli cuidar da filha, sozinha, pois sua família toda morava em outra cidade, bem distante de sua casa e de seu trabalho. Tanaka era japonês e se encantou por Sueli desde a primeira vez que a viu. Não demorou e se casaram. Logo Sueli engravidou e como a situação dos dois não era tão boa como planejavam, Tanaka resolveu voltar para o Japão. Todos os meses mandava suas economias para Sueli e a filha, e agora era a hora exata de voltar e se juntar à família.
Sueli, aflita, não sabia qual seria a reação de Tanaka ao vê-la. Mas criou coragem e resolveu enfrentar de vez os olhos do marido. Sueli estava grávida!
Tanto tempo longe do marido, Sueli com toda a carência, se envolveu com um amigo de trabalho e engravidou. Como não tinha o costume de se cuidar, engravidou na primeira vez em que saíram. O rapaz não quis assumir e desapareceu no mundo. Sueli enfrentou tudo sozinha e agora enfrentaria Tanaka.
Para Manuela, Tanaka seria o papai de seu irmãozinho, que ainda estava na barriga da mãe. Ela era uma menina carinhosa, meiga, linda com seus olhos amendoados e seus cabelos negros, lisos. Seus traços eram mais orientais do que brasileiros. Era a cara do pai! E certamente teria um irmãozinho loiro e de olhos claros, se este puxasse o pai sumido. Como explicar isso para uma criança de sete anos?
O avião pousa, o coração de Sueli acelera, suas mãos suam frio, a voz fica embargada e depois de um tempo surge Tanaka, bem mais magro, cabelos longos, barbudo, óculos escuros e uma imensa tatuagem no braço esquerdo. A tatuagem era o rosto de Manuela. Sueli disfarçou seus sete meses gravidez colocando a bolsa na frente, tapando a barriga. Não correu para ir ao encontro do marido mas o mostrou para Manuela fazer isso. A menina correu e pulou em seus braços. Já se conheciam por vídeo, por fotos, por telefonemas, enfim, só faltava juntar coração com coração num forte abraço.
Depois de se conhecerem, Tanaka olhou para a mulher e ficou paralisado. Sabia que esse seria o primeiro e último dia em família. Tanaka era um rapaz correto em seus atos, respeitador, defensor dos bons costumes e da preservação da família. A última coisa que esperava era encontrar a mulher grávida. Seu mundo caiu ao fundo do poço. Sueli só chorava e nada conseguia falar. Falar o quê? Tudo já estava explicado. Tanaka chegou perto, olhou bem dentro de seus olhos e nada falou. Pegou na mão de Manuela e foi em direção à porta de saída. Sueli o acompanhou. Nada se falaram.
Tanaka começou a se lembrar do tanto que foi sofrido ficar longe da família, da filha pequena, de sua casa, da mulher que tanto amava. Não se conformava em ter que enfrentar mais uma situação dolorida. Às vezes passava fome no Japão só para mandar as economias para Sueli. Todo trabalho extra, todo dinheiro que ganhava mandava para o Brasil. E agora um furacão, pior do que aqueles que passam no Japão, estava pairando em sua cabeça. Não conseguia olhar para a mulher. Não conseguia falar nada e nem chorar. Apenas ficava segurando sua filha Manuela, mas mesmo assim, falando muito pouco com ela.
Tinha tantos planos, tanto o que contar, mostrar... Fez questão de voltar com uma camiseta de mangas curtas só para que Sueli visse sua tatuagem, como uma surpresa. Mas a surpresa ficou sendo só para a filha porque falar da tatuagem era o que ele menos queria. Também queria a opinião da mulher sobre seus cabelos longos, se ficou bom assim ou se deveria cortar. Tudo isso seria compartilhado por aquela mulher que um dia roubou-lhe o coração. Não suportaria ter que ficar perto de uma pessoa que idolatrava, mas que foi capaz de traí-lo. Não importa quem e nem por quanto tempo. Era traição e isso não cabia na vida de Tanaka. Traição não tem volta. Quando o cristal quebra, cola nenhuma o coloca em pé.
Chegaram em casa, Tanaka sentou em sua cama, aquela que talvez seria o antro de traição, e chorou, como uma criança quando perde um brinquedo muito raro. Sueli achou melhor levar Manuela para a casa da vizinha, para poder brincar com a sua filha. Conversaria com Tanaka, mas já sabendo que nada poderia ser feito, então conversariam sobre Manuela e mais uma vez, a mulher de Tanaka enfrentaria tudo sozinha, com um filho pequeno, agora sem pai, e um filha que acabara de conhecer seu herói que veio de longe para morar com ela. E agora? Como ficaria essa situação?
Ninguém sabia. Tanaka não conseguia ouvir Sueli. Não falava nada e não prestava atenção no que ela estava querendo explicar. Por fim, pegou suas malas e se foi. Mais uma vez Manuela perdeu o pai, não para outro país, mas para outra casa. Agora teria duas casas. Coisas da modernidade que ela, pela pouca idade, nem sentiria muito. Já sabia como era morar só com a mãe e essa rotina continuaria. Agora saberia como era ter um pai por perto, mesmo não sendo tão perto como imaginava. Mas criança não tem noção do que seja perto ou longe. Estando sempre presente, era o que importava.
Fim.
terça-feira, 19 de março de 2013
Os Dez Principais Pontos Turísticos de Minha Cidade
Blogagem Coletiva vinda lá do Nordeste, de Olinda, do blog de Ana Karla e seu Misturação.
Parabéns pelos quatro anos de blog!
Aí está minha cidade: Franca. Fica localizada no nordeste do estado de São Paulo, a 90 km de Ribeirão Preto e a 450 km de São Paulo
Com 322 mil habitantes e com uma altitude de 1.040 m, seu clima é tropical de altitude, com média anual de 18ºC. Franca é conhecida como a capital do calçado masculino (já ouviram falar da Francal? Começou aqui, e hoje é feita em São Paulo); e também como a capital do basquete.
Francal, conhecida mundialmente que hoje é realizada em São Paulo.
Shopping do Calçado de Franca, com lojas de fábrica.
A praça central, com a Matria Nossa Senhora Conceição ao fundo e a concha acústica à frente, onde aos domingos, bandas marciais, fanfarras tocam e eventos acontecem.
Relógio do Sol. Famoso na cidade e ponto de referência.
O basquete de Franca é conhecido no país devido ser o clube que mais ganhou títulos. Entre tantos jogadores, alguns "famosos" que já passaram por aqui: Hélio Rubens Garcia (já foi jogador, técnico da seleção brasileira, e até ano passado, técnico do Franca Basquete), Anderson Varejão, Chuí, Guerrinha, Murilo, Demétrius, Márcio Dorneles, Helinho, Rogério... e nós, os torcedores, somos considerados o sexto jogador. Em épocas de campeonato, os jogos ficam uma loucura! Só vindo aqui assistir para entender a nossa torcida. Olhem na foto como fica o ginásio Pedrocão em dias de jogos. O nosso atual técnico é Lula Ferreira.
Franca Shopping, um lugar privilegiado, estacionamento, vários espaços para alimentação, enfim, um ponto de encontro da população.
Na verdade não é um ponto turístico, mas um prato típico da cidade: Filé a JK. JK de Juscelino Kubitschek, quando esse veio a Franca há muito tempo atrás. O prato: um filé grande, empanado, recheado com presunto e queijo, acompanha arroz com açafrão e ervilhas, fritas, palmito e é coberto com muita mussarela. Vários restaurantes tem Filé a JK no cardápio.
Jardim Zoobotânico, espaço que oferece serviço de produção e distribuição de mudas, projetos de arborização da zona urbana e recuperação da mata nativa na zona rural, desenvolvimento de cursos na área de jardinagem, plantas medicinais, programas de educação ambiental, além de muitos outros serviços.
Museu de Franca. Simples, pequeno... medonho por dentro, com assoalho de madeira, que range quando caminhamos. Um silêncio ensurdecedor e uma viagem ao passado que nos dá a impressão de que as pessoas que usaram aqueles objetos estão por lá nos observando.
Parque Fernando Costa, local rural, onde são realizadas as feiras de animais, shows e competições hípicas. Um lugar de lazer para a família.
Franca não é uma cidade turística. Com excessão do Shopping do Calçado, devido ser a cidade do calçado masculino, é uma cidade industrial, boa para os negócios. Os pontos turísticos deixam muito a desejar, infelizmente, mas o povo francano é muito acolhedor, com certeza.
Bem-vindos!
segunda-feira, 18 de março de 2013
Manias
Tenho muitas!
Acho que a mais predominante é a mania de organização, de ver cada coisa em seu lugar, mesmo que o lugar não seja apropriado, é o lugar designado para aquilo.
Posso dizer que nunca arrumei uma gaveta... Estranho? Não! Nunca arrumei porque nunca baguncei gaveta nenhuma. Nunca arrumei armários, nem guarda-roupas, nem nada. Apenas limpo, mas ter que tirar tudo para organizar, não.
Já fui bem pior. Não conseguiria viver no meio de bagunças, mas me adaptei um pouco depois que tive filhos. Não dá para ser cem por cento organizada tendo filhos. E agora então, com cachorros correndo pela casa, praticamente impossível.
Aqui no interior geralmente quando vamos à casa de alguém, quando entramos ouvimos "não repara na bagunça". Essa frase eu nunca disse para ninguém. Hmmmmm... sou chata, né?
Uma mania que tenho é de não gostar de ir em loja onde o vendedor fica grudado em mim o tempo todo, ou então que ele tenha que ir nos fundos da loja buscar trocentas caixas, para eu escolher, ou então que tenha que tirar toda a prateleira e colocar no balcão, para eu escolher. Bem, como libriana sou um pouco indecisa (mentira, sou muito indecisa para certas coisas, para escolhas), então, ver aquela montanha de coisas na minha frente, me dá agonia e me tira o foco do que eu realmente quero. Parece que fico na obrigação de ter que escolher algo só para não ficar feio... E mesmo depois de escolher, tenho a mania de ficar arrumando as roupas, dobrando, colocando os sapatos nas caixas... me dá aflição alguém ter que bagunçar o local só para euzinha escolher.
Não sei deixar bagunça por onde ando. É quase um TOC.
Se alguém quer me deixar completamente desnorteada é só colocar roupas em cima da minha cama e deixá-las lá. Ou então no sofá ou em cima da mesa... Me dá uma angústia sem fim!
Acho que sou metódica demais. Não sou de ficar mudando móveis de lugar e nem mudando de lugar o que já está arrumado. Tudo eu sei onde está e estará lá sempre!
Meu filho é organizado como eu, guarda tudo e é um sacrifício ele se desfazer de algo que não usa mais. Já achei até aquele papel de sorteio de amigo invisível no meio de suas coisas....
Minha filha é bagunceira, não organizada e.... bem, deixa para lá. Quando ela era pequena, tinha a mania de pegar uns fiozinhos de meus cabelos e ficar enrolando enquanto mamava, ou quando a pegava no colo para dormir. Eram pouquinhos fios que acabam fazendo um nó com perda total. Tinha que cortar. Hoje ela tem mania de ficar enrolando o próprio cabelo, quando está deitada. Mas não a ponto de fazer nó.
Apesar de ser metódica demais, já me disseram que sou hiperativa. Não sei se é verdade, mas não gosto muito de ficar parada. Gosto de mexer em tudo, e quando estou fazendo algo, minha mente trabalha a todo vapor.
Essa é outra mania que tenho, de fazer várias coisas ao mesmo tempo e terminar tudo na mesma hora. Só não vale cozinhar e fazer uma outra coisa, porque com certeza, algo queimará. Acho que é coisa da idade, não sei...
Outras manias simples que alguns acham estranho: ler revista do final para frente, ler livro no começo, depois ir para o final para saber como termina e só depois continuar (a angústia é bem menor assim). Não me importo de saber o final da história, o que importa é como ela será contada. Também tenho mania de comer a sobremesa antes das refeições e adoro comer doce antes do café da manhã. Também tenho mania, mas acho que é hábito, de andar rápido. Não sei como é passear devagar, como diz minha filha. Quero logo chegar no destino mesmo quando não tenho pressa.
Bem, cada um com suas manias. O importante é que respeitem isso da gente do mesmo modo como respeitamos as manias dos outros.
E vocês, que manias têm?
sexta-feira, 15 de março de 2013
Lembranças
Participando do Projeto Bloínquês
8ª Edição Visual - Tema: Lembranças
Depois da morte de Judith, Antônia, sua única filha, mexendo numa caixa de fotos, viaja nos pensamentos com tantas lembranças de sua infância. Se alegra quando pega fotos de quando era pequena e com a família unida, os primos, tios, avós, todos juntos numa foto única. Ainda tem a cicatriz no joelho esquerdo, quando caiu de um balanço que ficava num abacateiro enorme e que sempre era empurrada pelo primo Sérgio. Dessa vez ele exagerou e a derrubou, fazendo-a cair e sangrar o joelho. Já o tinha perdoado, mas na época foi até motivo de discussão na família, pois Sérgio era bem mais velho que ela e não soube cuidar de Antônia, como deveria.
Uma outra foto lhe chamou a atenção: uma de seu pai indo para a guerra. Se lembra perfeitamente daquele dia em que todos pensavam que, por ela ser bem pequena, não entendia o que se passava. Mas de tanto ouvir a mãe Judith reclamar para Theodoro Kurten que não queria que ele fosse para a guerra, que essas palavras ficaram marcadas em sua memória. Judith chorava muito e Antônia ficava brincando e prestando atenção em tudo. Não entendia porque a mãe chorava, mas sabia que algo de ruim aconteceria. Disfarçava a angústia cantando e conversando sozinha, com suas bonecas, num canto, sempre perto da mãe.
Nesse dia Theo acordou muito cedo, as malas já estavam arrumadas, o uniforme bem passado, botas engraxadas e uma lágrima sempre no olho esquerdo. Antônia não sabia porque o pai só chorava no olho esquerdo, mas se conformava que nem todos eram assim quando via sua mãe chorar nos dois olhos.
Antônia ainda estava dormindo quando o pai foi até seu quarto se despedir. Antônia sabia que ele iria para longe e que não tinha data para voltar. Não tinha noção de tempo, então não importava se era muito ou pouco tempo. Sabia que demoraria. Theo pegou-a no colo, encheu-a de beijos e abraços apertados e disse que logo voltaria. Sua mãe soluçava e com isso a pequena desabou num choro sem fim não conseguindo falar nada para o pai. Apenas o agarrava pelo pescoço e chorava com a boca bem aberta, sem soluços, apenas um grito de choro, depois outro, depois outro.
Ficaram alguns minutos assim e depois Theo Kurten colocou a pequena na cama, que continuou chorando, e se foi.
Essa é a última lembrança que tem do pai. Ele morrera na guerra.
Antônia, agora uma jovem senhora, pegou a foto e a colocou no peito, apertando-a. Queria aquele momento só para ela. Não se lembrava dessa foto que fora tirada por sua doce mãe, como recordação de um momento triste e esperançoso de uma breve volta que não teve. Hoje, quem sabe, Judith não esteja com seu pai, cuidando da filha amada, de onde estão, protegendo-a e amando-a, como sempre fizeram.
Ela guardaria essa foto até seus últimos dias, mas antes contaria para seus filhos sobre essa data triste que levou seu pai para sempre.
Fim.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Mulher
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| Eu |
Participando do Projeto Bloínquês
9ª Edição Solte o Verbo. Tema: Mulher
O despertador toca as seis horas em ponto mas já estou acordada há cinco minutos. Não abro os olhos... Ainda sinto necessidade de dormir mais umas duas horas. Dois minutos depois o despertador me chama de novo, continuo imóvel, ignorando-o e tentando fazê-lo desistir de me perturbar. A noite foi difícil, acordei várias vezes e tive pesadelos. Mais uma vez o ingrato grita nos meus ouvidos. Não tem jeito, tenho que me levantar.
Ainda sonolenta, vou ao quarto de meu filho acordá-lo. Ele mal consegue abrir os olhos. Será que também não dormiu bem? Não. Adolescente é sempre assim. Enquanto me ajeito e depois arrumo a cama volto ao quarto do meu filho e ele nem se mexeu. Acordo-o novamente e espero que abra os olhos e se levante. Coisa chata ter que ficar chamando filho mais de uma vez para se levantar.
Vou para a cozinha preparar o café, colocar comida para os cachorros, dar uma limpada rápida na sala, lavar alguma louça que ficou suja na noite anterior, enfim, o dia começa com tudo.
Ligo o rádio e ouço as músicas de flash back que tanto gosto. Uma atrás da outra. Recordações me vêm à memória e paro o que estou fazendo e fico pensando como o tempo passa rápido demais. Ainda ontem eu trabalhava numa grande empresa, andava bem mais arrumada, salto alto, batom, cabelos impecáveis... E hoje, por trabalhar em casa como autônoma, não vejo motivos para me arrumar. Quer motivo maior que eu? Penso. Vou ao meu quarto e me olho no espelho. Não me reconheço, não gosto de me olhar, mas mesmo assim pego o batom vermelho e passo. Ficou bom. Completo com lápis e máscara nos olhos. A roupa não combina. Vou ao guarda roupas e escolho uma mais nova. Pronto! Perfeito! Salto alto... Ah, os saltos altos de minha juventude... sabia muito bem como usá-los. E tinha aos montes, de todas as cores e de todas as alturas. Coloco um que não me machuque enquanto trabalho. Ótimo!
Volto para o trabalho e começo a cantar um embromation inglês fajuto de uma música que toca na rádio.
Anos oitenta. Como era bom aquele tempo! Bailinhos, paqueras, dançar com rosto colado, namorar... Tudo sem quebrar nenhuma sequência. Primeiro tinha que conhecer o moço muito bem para só depois dar as mãos e quem sabe beijar na boca. Fiz uma conta rápida e percebi que faz tempo que não namoro. Anos! Como é que eu deixei passar tudo isso? Filhos pequenos para cuidar? Casa para organizar? Contas para pagar? Falta de dinheiro para passear? Depressão, mágoa, pânico... Solidão? Tudo junto!
Acho que não sei mais como é sair e conhecer homens, namorar... Será que ainda encontro algum romântico de minha época, que siga todas as etapas? Será? Morro de vergonha! Tudo passou muito rápido e me esqueci que ainda tenho uma vida. Será que é feio recomeçar agora, na idade em que estou? Vão me achar ridícula?
Meus filhos já estão crescidos, já se viram sozinhos, não são tão dependentes da mãe, então... Eu vou!
Sim, estou viva! Ainda tenho muito que viver, sentir, amar, sorrir... ser feliz. Agora é a hora! Mas, por onde começo?
quarta-feira, 13 de março de 2013
Mulheres que Admiro
Participando da Blogagem Coletiva de Patrícia Galis. Cliquem AQUI!
Nem precisa falar muito. Só pela foto já dá para saber porque são admiráveis.
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| Madre Teresa de Calcutá |
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| Maria da Penha Fernandes - Lei Maria da Penha |
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| Mara Gabrilli - Deputada Federal |
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| Chiquinha Gonzaga |
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| Fernanda Montenegro |
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| Lidiane - Mulher de Toni Ramos |
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| Zilda Arns |
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| Mãe adotiva Flor de Lis com seus vários filhos adotados |
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| Ingrid Bettancourt |
- Mães que criam seus filhos sozinhas, com jornada tripla de trabalho e mesmo assim dão conta. Mesmo discriminadas por uma sociedade machista, vão à luta, batalham pela sobrevivência e educação dos filhos. Não desistem, mesmo quando tudo dá errado, sabem contornar a situação e recomeçar quantas vezes for preciso. Amam e nem sempre são amadas como gostariam e mereciam e mesmo assim, continuam com a força de uma leoa e a doçura de um anjo. Mesmo com a pele marcada com machas de sol, rugas precoces, lábios ressecados, conseguem ser felizes e sabem que a vida, apesar de tudo, vale a pena.
- Minha avó materna Cecília, Vó Dida, que me ensinou, me amou e foi muito amada. Uma doçura em forma de pessoa, um anjo que agora está no céu.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Olhos nos Olhos
Quando você me deixou, meu bem,
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci.
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci.
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem porquê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.
Me pego cantando, sem mais, nem porquê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.
Quando talvez precisar de mim,
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.
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Música linda de Chico Buarque com um assunto polêmico: amor e ódio, amor e vingança. A música é praticamente um desaforo de uma pessoa que foi abandonada e passa a arquitetar uma vingança para quando quem a abandonou, de repente, vê-la.
Amor e ódio caminham tão próximos que alguns não conseguem distinguir um do outro. O ódio não é o contrário do amor. A indiferença sim, é o contrário.
Para algumas pessoas é tão difícil entender que o sentimento "amor" acabou, que continuam amando, odiando, por anos e anos, e resumem sua vida assim, como na música, se melhorando, se cuidando, vivendo a vida só para mostrar para o outro que ele não faz falta.
Tão mais simples esquecer tudo e fazer a fila andar...
"Eu não te amo mais", frase difícil de assimilar.
Muitos inconformados ainda pensam que podem reverter a situação e voltar ao que era antes, mas quando o cristal quebra, nunca mais será como antes.
E tem aquelas pessoas que acham que têm o domínio completo do outro, como se fosse um objeto, que podem desprezar e depois resgatar passando uma borracha no passado e continuar o inferno de sempre.
Quando ainda se sente amor, tudo vale a pena, mas quando uma das partes não sente mais nada, o melhor é não ficar cultivando esse sofrimento, essa tristeza de ter perdido, de ter acabado. Acabou. Simples.
O ser humano é capaz de amar muitas vezes e quem sabe a pessoa que está por vir não será aquela em que o amor fluirá tranquilo, gostoso, como você sempre quis?
Não insista!
Viva para você, se cuide para você, não espere o "dia" para provar para o outro que, com certeza, nem sabe mais de sua existência, que o término de da relação só fez melhorar sua vida. Melhore sua vida para você e não para provar isso para outras pessoas.
Como diz madre Tereza de Calcutá: "A vida é entre você e Deus. Nunca foi entre você e os outros".
Um mundo enorme, com bilhões de pessoas, e algumas ainda insistem em algo que já acabou. Acabou!
sexta-feira, 1 de março de 2013
E Então Acordei Assustada
Participando do Projeto Bloínquês - Contos.
Tema: E Então Acordei Assustada.
Cliquem e participem!
Não sei como esse homem me achou, só sei que corria muito dele por uma estrada comprida, levantando as saias de meu vestido, que vez ou outra me faziam cair naquela terra úmida, pós chuva, cobrindo meus joelhos com lama. Rapidamente me levantava e continuava correndo. Olhava para trás e ele continuava a me perseguir, quase me alcançando.
O vento frio de outono cortava meu rosto e jogava meus longos cabelos cacheados para trás, esvoaçantes e rebeldes, balançavam em harmonia e tapavam meu rosto quando virava para trás. Continuava a correr. Já estava escurecendo e não tinha para onde me esconder. De um lado da estrada um abismo com o mar azul escuro aumentando a maré e batendo nas pedras, espalhando espuma branca por toda a orla. Do outro lado uma floresta fechada, um labirinto que se alguém se arriscasse a entrar, com certeza não sairia nunca mais. O homem me perseguia, eu gritava mas a voz embargava. Comecei a ficar ofegante e meus passos diminuíram. O homem me alcançou, puxou-me pelos cabelos fazendo-me encurvar o corpo para trás. Olhou bem nos meus olhos e deu um sorriso sarcástico. Eu cuspi no seu rosto e ele me deu um beijo na boca. Nojo! Limpei meus lábios com o braço, esfregando várias vezes, tentando tirar o gosto de álcool, com hálito quente daquela boca carnuda.
Ele me puxava pelos cabelos, arrastando-me pela estrada até encontrar um caminho numa rua estreita que seguia direto para o farol, que ficava à beira do mar. Este estava bem agitado.
Naquela época, mais precisamente em 1832, as jovens eram sacrificadas quando não queriam se casar com os homens que as escolhiam. Se revoltavam, se rebelavam, mas de nada adiantava. Acabavam mortas, ou enforcadas, ou lançadas num penhasco que tinha o mar como chão.
Era para esse lugar que o homem forte, bonito, mas nojento, vestindo roupas mal cheirosas, cabelos pretos e longos, barbudo e um nariz comprido e pontiagudo que parecia o bico de um papagaio, me levava.
Me segurava pela cintura, me levantando e me mandava ficar quieta. Gritava, mas minha voz continuava embargada; então ele repetia várias vezes, mas sem precisar gritar, para eu ficar quieta. Eu me debatia, tentando me livrar de seus braços, mas a força do homem era infinitamente maior que a minha.
Ainda me segurando pela cintura apenas com um braço subimos a escada em forma de caracol e chegamos ao topo do farol. Grandes janelas nos mostravam o céu com algumas estrelas e o Sol se pondo do outro lado, da floresta. O mar batia nas pedras e fazia um barulho ensurdecedor; gaivotas voavam por ali tentando pegar algum peixe que estava mais na superfície. Um vento gelado uivava competindo com o barulho das ondas e do canto das gaivotas. Entrava pelas janelas e esvoaçava nossos cabelos, quase que entrelaçando-os, num balé de quase fim de ato.
O homem me levou até uma janela que ficava do lado mais fundo do mar, segurou meu rosto e me mostrou a linda paisagem. Cochichou alguma coisa no meu ouvido que não consegui entender, com sua enorme mão me segurando do queixo me virou bruscamente o rosto de frente para o seu e mais uma vez me beijou fortemente. Mordi seu lábio inferior que sangrou, então ele se afastou e me deu um tapa no rosto, ainda me segurando firme pela cintura, com seus longos braços entrelaçados. Continuava a me debater, mas estava praticamente imóvel e exausta. Ele começou a me xingar, mas não conseguia entender nada do que ele dizia. Sabia que estava xingando pela expressão de ódio em seu rosto. Mais uma vez ele moveu meu rosto, me mostrando a paisagem que seria a última visão que eu teria. Tentava gritar e não conseguia.
Num movimento rápido, ele me levantou e me sentou no parapeito da janela. Olhei para baixo e senti vertigem. Gritava, mas era inútil. Mais uma vez ele cochichou algo no meu ouvido e me empurrou para o abismo.
Neste momento, gritei tão alto que as gaivotas voaram assustadas todas para um mesmo rumo. Segundo a segundo eu via aquele homem se distanciar de meus olhos enquanto eu caía. Um frio tomou conta de meu corpo, meus cabelos longos taparam meu rosto antes mesmo de meu corpo tocar o mar agitado. Parecia que a queda não teria fim. Senti falta de ar, como se minhas narinas estivessem fechadas e meu grito abafado tivesse cortado minha garganta impedindo a saída do ar. Fui caindo e desfalecendo. O barulho do mar era cada vez mais forte, mas já não me importava de morrer. Queria me livrar daquela sensação de morte. Queria a morte de uma vez por todas. Praticamente já sentia as gotas do mar respingando meu corpo. Abri os braços e me entreguei!
E então acordei assustada, sentindo falta de ar, arrepiada e suando frio. Acendi a luz e fiquei olhando para o teto. Cobri meu corpo dos pés até o nariz, deixando somente os olhos de fora. Que homem era aquele? Não me lembrava de seu rosto, apesar de tê-lo visto nitidamente durante o sonho. Liguei a TV e o rádio. Aquele pesadelo não saía de minha cabeça e até olhei debaixo da cama para ver se o homem estava por lá. Tomei coragem, levantei-me e fui até a cozinha beber água. Estava tremendo. O silêncio da noite era medonho, então voltei para o quarto, me cobri de novo e assim fiquei tentando não dormir com medo de sonhar de novo com aquele homem estranho e asqueroso que queria me matar.
Será que foi algum resquício de uma vida passada? Comecei a ligar o sonho com o meu pavor de altura e de mar. Será que fui visitar e reviver uma encarnação passada? Que importa isso? Minha vida é agora!
Fim.
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Um ótimo fim de semana para todos!
Eu voltarei somente dia 11/03.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O Que Move Você?
Participando do Projeto Bloínquês
Solte o Verbo - Tema: O Que Move Você?
A emoção! Isso que me move ultimamente.
O amor! Isso que me alimenta a alma.
A gratidão! Isso que me fortalece.
Estes três itens que me movem neste momento da vida. Creio que estou na metade de minha trajetória terrena, caso eu viva, se Deus permitir, até os oitenta ou noventa anos. E hoje, mais do que nunca, eu quero amor, quero emoção ao fazer o que realmente acho importante e necessário e quero agradecer sempre por ter chegado até aqui com pessoas que ajudaram a me formar, sem deixar de lado minha essência.
Já na metade da vida não podemos sonhar muito longe, ou podemos, não sei, mas muitos sonhos já foram realizados e agora, neste instante, temos a sensação de que não podemos mais errar. É impossível, porque erramos muito e isso é bom, porque o erro nos induz ao aprendizado e nos impulsiona para tomarmos uma outra decisão e seguirmos um caminho diferente. Mais ousado? Quem sabe!
Eu penso que estou mais seletiva e nem tudo que há tempos passados me comovia, me emocionava, me sustentava, não causam o mesmo efeito. Amadurecimento!
Cada fase algo nos faz mover. Me lembro na adolescência, muito curiosa, querendo abraçar o mundo e ganhar a vida com meu esforço. Deu tudo certo! Consegui me formar, me casei, tive filhos... Mas como nem tudo é perfeito, o castelo desmoronou e voltei à estaca zero. Começar de novo! Mas com mais responsabilidades de educar filhos, sustentar um lar, trabalhar para viver, enfim, coisas do dia a dia.
Hoje, quando acordo e vejo o dia lindo, não importa se chove ou faz sol, agradeço! Isso me impulsiona. Saber que posso fazer diferente, melhor, começar a cada dia, isso é maravilhoso!
Ser otimista, ter bons pensamentos, não cultivar mágoas, raivas, vinganças... Faz toda a diferença na vida! Isso me impulsiona!
Este tema me fez pensar sobre o assunto: o que me impulsiona? Eu me impulsiono!
Acredito que temos um propósito na vida, uma missão, mesmo que seja simples. Não temos como saber, ou temos? Mistérios que Deus não nos permite saber. Com a maturidade, cheguei à conclusão de que sofrimentos todos nós passamos, problemas sempre vão aparecer; dores, lágrimas, doenças, tudo faz parte da vida. Agora, ficar cultivando uma dor, um problema, um sofrimento por muito tempo nos faz infeliz, nos faz regredir, nos impulsiona para baixo. É bom desabafar, chorar, gritar, inconformar, mas é muito melhor encarar os problemas de frente, resolvê-los da melhor forma possível e seguir adiante, que é o que realmente importa.
Numa época de muito sofrimento, quando estava no fundo do poço, que durou anos, cada vez mais eu me impulsionava para baixo olhando o escuro, pensando em morte, não querendo mais respirar e desejando sumir, desaparecer. Não conseguia me enxergar no espelho, não me arrumava, não me cuidava, não sorria, não tinha sonhos e nem esperanças. Vivia para o trabalho e para as lamentações de uma vida cruel, injusta e sofrida. Tudo isto eu fiquei alimentando, cultivando, até que enxerguei uma luz, uma saída, um mundo novo.
Esse dia muito importante na minha vida foi quando descobri que no fundo daquele poço havia uma escada, bem escondidinha, que eu só enxerguei quando vi a luz do Sol que me mostrou uma esperança, um recomeço, uma vida nova nessa minha velha vida. Comecei de novo! Excluí o que me perturbava, me afastei de pessoas, conheci outras maravilhosas, voltei a sonhar e espalhei amor por onde passei. O retorno disto tudo? A vida é um espelho que reflete exatamente o que você mostra a ele.
Eu me impulsiono, eu me movo!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Adoraria conhecer...
Pela primeira vez participando da Blogagem Coletiva do Blog Café entre amigos - Patrícia Galis.
Tantas pessoas....
Quando comecei a "fuçar" na internet, tive uma surpresa maravilhosa! Eu que tanto pregava pros meus filhos tomarem cuidado com quem conversavam, que acabei caindo na minha própria armadilha. Encontrei pessoas maravilhosas, amigas, comuns, como eu. Gostaria de conhecer todos meus amigos virtuais!
Pessoas que já se foram:
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| Elvis Presley - único, eterno! |
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| Mário Quintana |
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| Nelson Rodrigues |
Alguns famosos:
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| Miguel Falabella |
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| Giuseppe Oristanio |
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| Laura Cardoso |
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| Mário Sergio Cortella - Filósofo, teólogo, professor e escritor. |
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| Jô Soares |
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| Regis Rösing - jornalista |
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| Roberto Carlos |
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| Rosana Hermann - escritora, roteirista, apresentadora, blogueira e física. |
Família:
Adoraria ter conhecido meu bisavô materno. Meus bisavós eram italianos e vieram de navio para o Brasil. Quando minha bisavó faleceu eu tinha cinco anos. Mas me lembro perfeitamente dela, uma mulher que falava baixo, meiga, carinhosa e alta, muito alta. Queria saber como foi a aventura de ficar meses num navio, até chegar ao Brasil.
Pessoas importantes na nossa vida e outras nem tanto, mas conhecer é sempre um aprendizado. Sempre se ganha, ou se perde, aí vai depender se nós queremos continuar a conversa ou não. Tenho a impressão de que falta alguém nessa lista... mas quem?
Bem, é isso!
Até a próxima!
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Pessoa defeituosa
Quais são os seus defeitos? Consegue dizer parte deles? Você acha que são defeitos mesmo?
É engraçado acharmos defeitos nos outros, apontar o dedo, julgar e condenar...
Desde sempre ouvimos: "defeitos todo mundo tem". Então, se pensarmos assim, não são defeitos, são naturezas humanas; às vezes iguais, às vezes diferentes, às vezes mais acentuadas; mas cada um tem a sua.
Por que é tão difícil aceitar o outro como ele é, sem mudar nada, apenas conhecê-lo e respeitá-lo como é?
Mulher tem muito disso. Conhece o moço e já fica arquitetando como mudar o gênio dele. Homem também faz isso, mas é mais discreto.
Defeito é quando a pessoa prejudica outra de alguma forma, aí pode-se dizer que a pessoa tem desvio de caráter.
Segundo o dicionário Michaellis:
Defeito = imperfeição (física ou moral); mancha, vício, falta ou escassez de algo essencial à perfeição ou integridade de alguma coisa; deficiência.
Quando numeramos os defeitos de tal pessoa, nos colocamos como perfeitos, como se a pessoa que tem tal comportamento ou característica fosse anormal por ser assim ou assado.
Numa discussão sempre repetimos "você", e nos esquecemos do "eu". Sempre apontamos o dedo, sempre criticamos, mas é muito difícil quando temos a consciência de que não somos fáceis. Muito menos temos o bom senso de saber que a pessoa é de tal maneira e que devemos aceitá-la como é. Será que uma pessoa muda? Sim, claro, mas só se for de livre e espontânea vontade. Somos seres recicláveis, inteligentes e capazes de mudar se assim nos convém. Mas esperar que o outro mude só porque nos incomoda, difícil!
Não é reclamando, xingando, brigando, criticando, que a pessoa vá mudar. Ela pode amenizar por um tempo, até ter a primeira oportunidade de ser contrariada e pronto! Tudo volta como antes. Quem errou? Ambos e nenhum! Ambos porque esperaram do outro o que não se deve: uma mudança. E nenhum, porque cada um tem seu jeito e se o outro não entende, não é culpa de ninguém. Apenas não se dão bem, não combinam juntos.
Ser humano é complicado, e fascinante. Cada um de um jeito, com uma ideia, um pensamento, uma atitude, uma característica própria, único!
Numa discussão com uma pessoa que gosta muito, qual é sua atitude? Julgá-la ou se julgar?
O que você prefere? Ter razão ou ser feliz? Por que é tão importante ter razão em tudo?
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Amor Doentio
Num antigo post meu de 2011, Amor Psicopata, ainda recebo comentários, desabafos, sugestões e perguntas de leitores. E semana passada recebi este:
"NOSSA TO PASSANDO IGUAL E O PIOR É QUE ATE TIROS JA LEVEI E NÃO SEI COMO MI SAIR ELE NÃO PODE ME VER COM NIMGUEM QUE VAI PRA CIMA A ULTIMA VEZ METEU FOI TIROS MAS GOSTO DELE SO QUERIA QUE ELE MUDASSE."
Eu fico chocada com as atitudes dos homens, que pensam que seguram mulher na força física. Nisso eles são melhores que nós, o dito "sexo frágil". Frágil nesse sentido, de força muscular.
Fico triste com comentários desse tipo e fico imaginando como a pessoa ainda diz amar um ser tão deplorável. Mas ainda explico: a mulher perde a noção do que é bom ou ruim. Homens psicopatas seduzem de uma tal forma que a mulher perde a capacidade até de raciocinar. De enfrentar então, quase impossível, porque ela fica com medo de comentar com alguém e ser ridicularizada pelas pessoas ou ser chamada de fraca. Mas a mulher fica exatamente assim, fraca demais para tomar qualquer atitude.
Os homens psicopatas (no caso homem, mas existem mulheres também) dominam de uma tal maneira que as mulheres perdem completamente a autoestima, a vaidade, o orgulho e chegam a pensar que esse tipo de homem é o único na face da terra que as mereçam. São sedutores de uma tal maneira que as mulheres pensam ser amor, devido à intensa "preocupação" que demonstram, dizendo que é cuidado, ciúmes excessivo e que ninguém mais vai amá-las como eles.
Só quem passa por essa situação compreende porque mulheres dominadas por psicopatas não reagem. Quem está de fora enxerga muito bem a situação e talvez por isso eles proíbem a mulher de comentar o que for com outras pessoas. A ameaça é constante, a vida é um inferno, as torturas emocionais transformam a mulher em escrava e em sacos de pancadas. E ainda fazem pensar que a culpa é dela, por eles terem uma atitude dessa.
É fácil julgar uma mulher que apanha do marido, que é maltratada, agredida, humilhada, é fácil dizer que ela não deveria estar com ele, que não deveria ter tido filhos, que não deveria ser tão dependente e ter abandonado uma profissão, amigos, família e tudo o mais. Muito fácil julgar para quem não está passando por essa situação.
A mulher sente vergonha, por isso se cala, se acha incapaz, por isso se vê sozinha. Isso não é vergonha de jeito nenhum! Vergonha é o homem maltratar sua companheira, mãe de seus filhos, vergonha é ele usar de uma força bruta para prender uma pessoa. Isso é crime! Pessoas psicopatas têm uma lábia convincente, sedutora, que dificilmente alguém duvide do que fala. Mas já pararam para pensar que as pessoas acreditam nessa pessoa porque quem é agredido simplesmente se cala? Por medo? Eu acredito que alguém ao redor, alguém que ama essa pessoa que passa por situação de sofrimento, quando toma conhecimento do que acontece, vai acreditar sim e vai ajudar de alguma forma. Não se calem, por favor! Não levem a primeira humilhação, o primeiro empurrão, o primeiro tapa... e o último tiro.
Se alguém ler este post aqui e souber de alguma mulher, mesmo ela sendo bonita, inteligente, rica, bem situada profissionalmente, e que aos poucos vai se abandonando depois de ter conhecido um homem, pelo amor de Deus, não julgue! Ela precisa de ajuda, de alguém que lhe estenda a mão, que a ouça, que a abrace, que chore com ela, que mostre uma solução, uma saída. Se souber de algum tipo de agressão, denuncie. O telefone é o 180. E se você mulher, passa por isso e não tem coragem de contar para ninguém, crie coragem e procure ajuda. Talvez as pessoas não saibam porque você nunca comentou por medo de represálias do marido, medo de apanhar, medo de prejudicar seus filhos, medo de não ter onde morar, MEDO! Existe a Delegacia da Mulher, existem psicólogos gratuitos no fórum de sua cidade, existem lares para abrigarem mulheres maltratadas, existe solução sim! Só não podem continuar numa vida de inferno, de maus tratos, de agressões e humilhações.
Procure ajuda! Ajude alguém que precise de ajuda! Não é simples e isso é muito grave! Amanhã essa mulher pode não estar mais entre nós. E o assassino ainda vai colocar a culpa nela, por ele tê-la assassinado. São doentes, são psicopatas e não vão se curar nunca!
Cena da novela Mulheres Apaixonadas em que Marcos espanca Raquel.
Um ótimo fim semana para todos!
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Viagem de Balão
Cíntia, mais que depressa, ainda eufórica por ter sido a ganhadora num sorteio pela primeira vez na vida, ligou para a amiga Camila e quase não conseguiu contar com detalhes que sorteio era esse que ela, por maldade segundo Camila, não avisou para participarem juntas. Cíntia não parava de rir e de pular com o telefone na mão, até que deixou-o cair e sem se despedir, colocou-no no gancho.
Mais que depressa foi tomar um banho rápido, colocou uma roupa nova, um sapato que não combinava com nada, mas que ela gostava muito, passou chapinha na franja, pegou bolsa, documentos, o capacete pois tinha uma moto, e foi buscar seu prêmio no supermercado que ficava no bairro vizinho ao que morava.
Para ganhar o sorteio, a pessoa teria que comprar seis potes de uma marca nova de iogurte, sabor melancia. Cíntia odiava melancia, mas como era para participar, comprou assim mesmo. Nem se deu ao trabalho de experimentar o iogurte, apenas guardou a nota fiscal que comprovasse a compra. E deu certo! Foi sorteada! O prêmio? Ela não se lembrava... Iria no supermercado pegá-lo.
Chegando lá, entrou com tudo no supermercado, sem tirar o capacete, Todos ficaram olhando, sem entender nada e alguns até se afastaram pensando ser algum assalto. O segurança do local foi atrás de Cíntia, segurou em seu braço e pediu para que tirasse o capacete. Ela se assustou, não entendendo nada, ficou olhando para o rapaz enorme, corpulento, de terno preto e com fone no ouvido. Aí se lembrou do capacete e tirou-o, rindo e pedindo desculpas. Contou sobre o sorteio e pediu informação de quem ela deveria procurar. Ele a encaminhou para uma sala. O gerente estava esperando-a.
- Parabéns, dona Cíntia! - cumprimentou-a, mas o que lhe chamou a atenção foi o sapato roxo com detalhes em amarelo, que ela insistia em usar, mesmo não combinando com nada. - Que dia vamos marcar o passeio?
- Passeio? Ganhei um passeio? Pra onde? - perguntou, com um sorriso estampado na cara.
- Pela região mesmo. O baloeiro vai lhe mostrar as regiões montanhosas por aqui perto. Podemos marcar para sábado? - respondeu o gerente.
- O quê? Passeio de balão? Que balão? Aqueles enormes, que tem fogo dentro? Ai, meu Deus! - Cíntia sentou na cadeira que ficava frente à mesa do gerente.
- Sim, não viu o cartaz com a promoção e o balão imenso?
- Ahãm... vi! Como é que eu vou subir num troço daquele? Não subo nem escada, nem salto alto eu uso, como é que vou andar de balão? - começou a se perguntar, em voz baixa, mesmo sabendo que o gerente ouviria tudo.
- Fique tranquila, tudo vai dar certo! E não precisa ficar com medo, é tudo muito seguro, eu te garanto! - respondeu o gerente, apertando a mão de Cíntia e mais uma vez conferindo seu sapato estranho.
No sábado, Cíntia acordou bem cedo, fez uma prece, ligou para a amiga Camila e disse que não iria porque aquilo não era para ela. Camila tranquilizou-a e disse que estaria rezando por ela, que o importante era estar sobre terra. Imagina se fosse sobre o mar? Riu de sua piada sem graça e desligou o telefone.
Cíntia colocou o capacete, pegou a bolsa, e foi! Com o mesmo sapato roxo com detalhes em amarelo. Chegando lá todos a receberam com entusiasmo e depois que entrou naquele quadrado do balão, não aguentou e se sentou. Estranhou todos ficarem olhando para ela e sorrindo, até que o piloto lhe sugeriu tirar o capacete, porque o passeio seria seguro e tranquilo. Ela, mais uma vez sorriu timidamente e tirou o capacete, entregando-o a um homem que estava ajudando na organização do passeio. O piloto ligou o fogaréu, desamarrou as cordas e partiram.
Cíntia não fazia outra coisa a não ser rezar, o tempo todo fazendo o sinal da cruz, segurando o rosário que era de sua mãe. Implorava para o passeio terminar rápido. O piloto ria de seu pavor, conversava com Cíntia e conseguiu, depois de alguns minutos, segurar em sua mão.
- Venha ver que lindo! Olha o sol que majestoso! Olha a brisa suave, olha os passarinhos nos acompanhando...
De tanto ele insistir e puxando-a pela mão, Cíntia conseguiu ficar agachada, de forma que só sua cabeça ficasse para fora, para ver a paisagem.
- Ahhhhh, que lindo! - admirou o que viu, mas continuou agachada.
Aos poucos, foi se levantando e, agarrada ao piloto, ficou de pé. Praticamente não respirava e apertava tanto o rapaz que ele só achava graça da medrosa. O passeio demorou meia hora, com um dia lindo, ensolarado e pouco vento.
Pronto! Terra firme! Cíntia saiu do balão e não conseguia andar. Caiu de joelhos no chão e ali ficou, não acreditando no que havia feito. Mas a paisagem era tão linda, que por fim ela relaxou e sorriu. Agradeceu a todos, colocou o capacete e se foi!
Chegou em casa e foi direto à geladeira. Pegou o iogurte, abriu e colocou uma colherada na boca. Fez cara de asco e jogou-o fora junto com os outros cinco. - Pelo menos esse horror asqueroso serviu para alguma coisa - pensou em voz alta, ainda em êxtase por tamanha aventura que jamais havia pensado que um dia iria realizar.
Foi o assunto do mês para Cíntia, que tinha pavor de altura, mas que enfrentou o medo e seus olhos presenciaram as paisagens mais espetaculares que já havia visto.
Fim.
Participando do projeto Bloínquês - 5ª Edição Visual - Tema: Viagem de Balão.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
É Difícil Acreditar Mesmo Enxergando
- Dona Guilhermina, sente-se aqui e vamos conversar um pouco - disse a enfermeira que também era amiga de Adriana, que havia levado o marido Pedro ao hospital, depois que este passou mal e ficou imóvel na cama.
- O que foi? Como está Pedro? - Perguntou calmamente Guilhermina sobre seu filho.
A enfermeira pegou nas mãos enrugadas de Guilhermina, acariciando-as e começou a dizer que estava do lado dele esse tempo todo em que estavam no hospital e que os médicos fizeram de tudo, mas não teve jeito. Ela teria que ser forte naquele momento.
- Você já disse isso, filha, eu quero saber como está meu filho... como ele está? - continuou perguntando, mas ainda muito calma.
Mais uma vez a enfermeira repetiu tudo o que havia dito e completou dizendo que Pedro não havia resistido...
- Ele morreu? É isso? - perguntou dona Guilhermina.
A enfermeira apenas respondeu que sim com um movimento com a cabeça. Dona Guilhermina ficou paralisada, sem atitude nenhuma. Depois de um tempo, se levantou e foi até o portão, de onde se ouvia do lado de fora, conversas dos vizinhos. Uma das vizinhas, vendo-a, veio abraçá-la dizendo que sentia muito. Mesmo assim dona Guilhermina estava paralisada em seus pensamentos.
Pedro era um homem forte, nos seus quarenta anos, casado há pouco e com um filho pequeno para criar, mas que não se cuidava como deveria. Não era de bebedeiras, nem badalações, nem cigarro, mas se alimentava muito errado e tinha vida sedentária. AVC foi o que o levou ao hospital, imobilizado. Não resistiu e morreu.
Aos poucos os parentes foram chegando à casa de dona Guilhermina que, por estar em estado de choque, tomara um calmante dado pela enfermeira, pois não conseguia ter nenhum sentimento e nem se expressar de nenhuma forma com a notícia trágica da morte do filho. Dormiu até a hora do velório.
Mesmo assim, quando chegou ao local onde seria velado o corpo do filho, não havia soltado nenhuma lágrima e não conseguia dizer coisa com coisa. Apenas se sentou em um dos bancos e ficou em silêncio, aguardando. De repente se levantou e foi até a porta de vidro por onde todos entrariam, mas que estava fechada. No fundo da sala havia uma outra porta por onde entraria o caixão. Viu o carro chegar. Se afastou e ficou encostada na parede, em silêncio. O rapaz responsável pela funerária, depois de colocar o corpo no lugar devido, abriu a porta e se retirou. Ninguém se levantou para entrar. Dona Guilhermina então, lentamente caminhou até a porta e viu o caixão com o filho dentro. Soltou um grito de dor, mas ficou imóvel. Ninguém foi ampará-la. Lentamente ela caminhou até o caixão, aos soluços, com uma dor estampada na cara, que só mãe consegue ter. Tocou as mãos geladas do filho e balbuciou, entre um soluço e outro, que não estava acreditando no que estava acontecendo. Depois disso, as pessoas começaram a entrar e finalmente ampararam dona Guilhermina, sentando-a numa cadeira propositalmente posta do lado do caixão. Dali não saiu mais. Mesmo sentada, manteve seus braços abertos, em cruz, com uma mão nas mãos e outra na cabeça do filho. E chorava, lamentava, indignava e questionava Deus o porquê daquele castigo, o porquê de levar um homem forte, com tão pouca idade, tão cedo, antes dela. Que levasse ela no lugar dele!
As pessoas se aproximavam, confortando-a, mas ela não se importava e nem queria saber quem estava por ali. Queria ficar perto do filho até o último segundo. Mesmo seu marido, que foi atrás de toda a papelada para o enterro, não teve tanto tempo para velar o corpo do filho. E pedia para os parentes ficarem de olho na mulher, para não deixarem-na nenhum minuto sozinha. E assim foi feito.
Depois de uma noite longa, quente de verão, e com a sala cheia de amigos e parentes, ao amanhecer, fizeram uma oração; disseram umas palavras bonitas, e mesmo assim, dona Guilhermina não desgrudou suas mãos do filho. À essa hora ela já havia levantado o véu que lhe cobria, mexia em seus cabelos o tempo todo, querendo ajeitá-lo da melhor forma, encostava seu rosto no dele e teve um surto antes de fecharem o caixão. Começou a arrancar as flores que estavam à sua volta e a desabotoar sua camisa. - "Pra quê a senhora tá fazendo isso?" - perguntou uma irmã de dona Guilhermina. - "Ele não gosta de nada pegando no pescoço dele." - respondia, aos prantos e aflita em satisfazer as vontades do filho, se lembrando do que ele gostava ou não, quando era vivo. Por fim começou a puxar as mãos dele, como se quisesse que o filho separasse as mãos duras e geladas, para poder abraçá-la pela última vez. Foi preciso a intervenção de algumas pessoas, afastando-a e conversando com paciência, explicando que ela não poderia fazer aquilo, que ele tinha que ficar como estava e que já estava na hora de fechar o caixão. Ela parou, olhou para o filho, acariciou seu rosto, deu-lhe um beijo, recolocou as flores no lugar, ajeitou seus cabelos, arrumou o véu e se afastou. Séria, sem uma lágrima. E assim permaneceu até chegarem ao cemitério.
Lá dentro, o carro funerária esperou que todos chegassem para retirar o caixão e colocou-o no suporte de aço, com rodinhas, para poder levá-lo até o túmulo. Todos seguiram em silêncio. Mais uma vez abriram o caixão e dona Guilhermina preferiu não ficar perto da cova, e estando amparada o tempo todo pela irmã também idosa, não chorou. Ficou observando as pessoas que ali estavam e demorou um tempo olhando seu marido, que parecia ter envelhecido uns trinta anos, segurar um lado do caixão para posicioná-lo na cova. Sentiu o sofrimento dele, as lágrimas inundando seu rosto e percebeu o quanto ele era frágil, mesmo demonstrando esses anos todos, ser um homem forte, rígido, com um coração de pedra e uma saúde intocável. Viu seu marido definhar naquele momento, se curvar perante a força maior de Deus em lhe arrancar de forma estúpida, um filho que tinha muito o que viver ainda. "A vida não vale nada", pensou alto, ainda sem chorar. E continuou observando as pessoas e ficou admirada de ver tantos parentes, amigos, conhecidos, antigos vizinhos, amigos de infância, todos ali compartilhando uma dor, inconformados com a crueldade da morte precoce de um homem querido e amado.
Sentiu falta de sua nora Adriana, mulher de Pedro e perguntou onde ela estaria. "Está internada em estado de choque. Está sedada". Respondeu a irmã que lhe amparava o tempo todo. Esperou os coveiros jogarem até o último grão de terra sobre o caixão para só depois sair dali. Ainda sem chorar.
Depois de anos do ocorrido, o coração de dona Guilhermina se transformou num coração sem sentimentos, e a impressão que ela sempre tinha era que o filho Pedro entraria pela porta, com aquele sorriso largo, fazendo uma piada, como sempre fazia, e abrindo a geladeira para ver o que tinha de bom. "A vida não vale nada, e eu ainda estou aqui aguentando ela", sempre repetia em pensamentos, inconformada com essa perda. Deixou de viver a passou a sobreviver, sem sorrisos, sem emoções, sem lágrimas, sem sentimentos. Apenas vivendo até o último suspiro, a dor de uma eterna despedida.
Fim.
Com este conto também participo do projeto Bloínques - 6ª Edição - Solte o Verbo - A dor de uma eterna despedida (este link é para a página do facebook).
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
A Última Pedra
Texto de Roberto Shinyashiki
Gosto de uma música que Frank Sinatra costumava cantar, My way.
O curioso é que só fui prestar atenção na letra dessa canção quando escrevia este texto.
Ela diz mais ou menos assim:
“Se eu acertei ou se errei, fiz isso da minha maneira”.
Quando olho para trás, percebo que fiz muitas bobagens.
Acertei bastante, mas também errei bastante.
Quando olho para diante, tenho certeza de que vou acertar e errar bastante também.
É impossível acertar sempre.
Mas o importante é que não gastemos nosso tempo nem nossa energia nos torturando.
A autocrítica pelo que não deu certo, além de ser nociva para a saúde, faz com que a gente perca os
passarinhos que a vida nos oferece no presente.
Um dia destes, um dos meus filhos me perguntou por que eu tomei determinada decisão estúpida tempos atrás.
Respondi que me arrependia do que tinha feito, mas expliquei que, naquele momento, minha atitude me parecia lógica.
Se eu tivesse o conhecimento e a maturidade de hoje, certamente a decisão seria diferente.
Por isso é que lhe digo: não se torture por algo que não deu certo no passado.
Talvez você tenha escolhido a pessoa errada para casar.
Talvez tenha saído da melhor empresa onde poderia trabalhar.
Talvez tenha mandado uma filha grávida embora de casa.
Não importa o que você fez, não se torture.
Apenas perceba, o que é possível fazer para consertar essa situação e faça.
Se você sente culpa, perdoe-se.
E, principalmente, compreenda que agiu assim porque, na ocasião, era o que achava melhor fazer.
Há uma história de que gosto muito: um pescador chegou à praia de madrugada para o trabalho e encontrou um saquinho cheio de pedras.
Ainda no escuro começou a jogar as pedras no mar.
Enquanto fazia isso, o dia foi clareando até que, ao se preparar para jogar a última pedra, percebeu que era preciosa!
Ficou arrependido e comentou o incidente com um amigo que lhe disse:
– Realmente, seria melhor se você prestasse mais atenção no que faz, mas ainda bem que sobrou a última pedra!
Existem pessoas que não prestam atenção no que fazem e depois passam a vida inteira arrependidas pelo que não fizeram, mas poderiam ter feito, e se martirizam por seus erros.
Se você está agindo assim, deixo-lhe uma mensagem especial: não gaste seu tempo com remorsos nem
arrependimentos.
Reconheça o erro que cometeu, peça desculpas e continue sua vida.
Você ainda tem muitas pedras preciosas no coração: muitos momentos lindos para viver e muitos erros para cometer.
Aproveite as oportunidades e curta plenamente a vida.
Curta os passarinhos.
Eles são os presentes do universo para você!
Ele ouvia Frank Sinatra, mas eu gosto de Elvis Presley, o rei!
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
O Primeiro Carnaval
Foi nesse clube aí: Clube dos Bagres, que ficava perto de minha casa, quando ainda era uma menina. Era minha diversão diária. Foi lá que aprendi a nadar sozinha, que me torrava num sol escaldante, que não me importava com nada e que um dia, de tanto nadar, nadar e nadar, desmaiei! Tive começo de insolação porque não me preocupava em me alimentar e nem em beber água enquanto estava no clube. Coisas de infância.
Então, quando eu tinha uns oito anos, talvez dez, não me lembro, resolvemos ir na matinê no clube. Nunca tinha ido e nem imaginava como seria. Só sei que todos gostavam e era muito divertido. Isso no começo dos anos 80.
Coloquei um shortinho, uma blusinha, passei brilho nos olhos, um batom rosa e fui.... descalça! Não sei porque todos deixaram que eu fosse descalça. Completamente ingênua e sem noção de nada!
O clube estava lotado, muita serpentina, confete, muita gente (acho que a maior aglomeração que eu tinha visto na minha vida), e o som muito, muito alto. Eu ficava olhando aquele tumulto todo e não sabia como eu ia me divertir me juntando a eles. A quadra era dividida ao meio, com um cordão, onde de um lado estavam as crianças menores e do outro lado, os adultos. Ficavam "correndo" em círculos, como um redemoinho, e no centro ficavam apenas alguns. Achava estranho porque não via tanta graça assim em ficar "dando de roda" num tumulto.
Do lado das crianças era até bom, mas as crianças eram bem menores que eu e estavam acompanhadas pelos pais, que às vezes as colocavam nos ombros, para protegê-las. Do outro lado, dos adultos, era mais rápido e o círculo girava com mais intensidade. Eu tinha a impressão de que se alguém caísse, seria pisoteado. Mas mesmo assim me arrisquei algumas vezes. Um horror! Foi essa a impressão que tive no meio daquele tumulto. Todos os braços levantados, os moços no centro do círculo esperando alguma moça mais bonitinha passar para poderem segurar em seus ombros e continuar correndo no círculo. Eu que não ia deixar ninguém me agarrar ali não! Mas eu era uma menina, e quem ia agarrar uma menina ali, em plena matinê?
Isso sem falar que eu estava descalça, então podem imaginar como ficaram meus pés, meus dedos... ainda não entendo como é que me deixaram ir descalça.
Me lembro que não ficamos até o final. Sinceramente não achei muita graça não. Não via sentido em ficar num lugar com um barulho ensurdecedor, com gente suada me encostando, com todo mundo pisando nos meus pés, com aquela bagunça de serpentina e com os confetes grudados nos meus cabelos e entrando na minha boca.
Depois, quando já estava adolescente, com meus dezoito anos, aí sim, fui num clube noturno, a contragosto de meu pai, mas como era (sou!) muito topetuda, fui assim mesmo. E gostei. Não amei, mas gostei. Mas isso é uma outra história.
Acho estas máscaras lindas!!!!
Um ótimo carnaval para todos!!!
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Telemarketing
Atendente da Oi...
- Alô.
- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?
- Pois não, pode ser comigo mesmo.
- Quem fala, por favor?
- Edson.
- Sr. Edson, aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção OI linha adicional, onde o Sr. tem direito...
- Desculpe interromper, mas quem está falando?
- Aqui é Rosicleide Judite, da OI, e estamos ligando...
- Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- Bem, pode..
- De que telefone você fala? Meu bina não identificou.
- 10331.
- Você trabalha em que área, na OI?
- Telemarketing Pro Ativo.
- Você tem número de matrícula na OI?
- Senhor, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da OI. São normas de nossa casa.
- Mas posso garantir....
- Além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a OI.
- Ok.... Minha matrícula é 34591212.
- Só um momento enquanto verifico.
(Dois minutos depois)
- Só mais um momento.
(Cinco minutos depois)
- Senhor?
- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.
- Mas senhor...
- Pronto, Rosicleide, obrigado por ter aguardado. Qual o assunto?
- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde o Sr. tem direito a uma linha adicional. O senhor está interessado, Sr. Edson?
- Rosicleide, vou ter que transferir você para a minha esposa, porque é ela que decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones.
- Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.
(Coloco o telefone em frente ao aparelho de som, deixo a música Festa no Apê do Latino tocando no Repeat (quem disse que um dia essa droga não iria servir para alguma coisa?), depois de tocar a porcaria toda da música, minha mulher atende:
- Obrigado por ter aguardado.... pode me dizer seu telefone pois meu bina não identificou..
- 10331.
- Com quem estou falando, por favor.
- Rosicleide
- Rosicleide de que?
- Rosicleide Judite (já demonstrando certa irritação na voz).
- Qual sua identificação na empresa?
- 34591212 (mais irritada agora!).
- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajudá-la?
- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde a Sra tem direito a uma linha adicional. A senhora está interessada?
- Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer, pode anotar o protocolo por favor.....alô, alô!
TUTUTUTUTU...
- Desligou.... nossa que moça impaciente!
SE ESSA MODA PEGAR ... AGORA É A NOSSA VEZ GENTE!!!
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Infelizmente não sei a autoria dessa pérola!
É um caso para se pensar quando funcionários (sei que é o trabalho deles) de telemarketing ficarem enchendo a gente, tentando nos vender algo que não queremos de jeito nenhum.
Para se divertirem mais um pouco, um vídeo de Bemvindo, que é muito bom! Divirtam-se
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