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quinta-feira, 26 de março de 2015

Fazer o Bem

Zilda Arns, com um dos seus cuidados

Dia desses, encontrei uma vizinha no ponto de ônibus. Ela estava sozinha, o que pra mim era novidade, pois sempre a vi com alguma criança.

Perguntei sobre as crianças e ela disse que estavam com seu marido e que iria pagar umas contas e voltaria logo. As crianças ao qual eu queria saber não eram os seus filhos, que estão adultos e casados, mas outros, que ela cria, com amor, carinho, atenção, alimento etc.

Perguntei sobre um menino que ela ajudou a criar, de uma conhecida, que na época era vizinha da comunidade católica em que ela faz parte. "Ele está um moço lindo, e sempre fica lá em casa". E perguntei pela mãe do menino.

A mãe do menino: uma jovem, com nove filhos, divididos entre três pais. É o tipo de mulher sem estrutura nenhuma, ignorante de não saber, que tem problemas cardíacos e por esse motivo não podia tomar anticoncepcional para evitar filhos. E vivia como Deus queria, me contava essa minha vizinha na época. É difícil "mudar" as atitudes de uma pessoa, uma mulher, nesse caso, que nunca teve nenhuma instrução e não tem nenhuma ideia de que ela poderia trabalhar e não ficar tão dependente das pessoas. Talvez nunca tenha sonhado com uma vida diferente. Famílias desestruturadas que não conseguem enxergar uma luz no fim do túnel e nem na própria capacidade de se autossustentar.

Pegou um dos filhos dela, ainda bebê, para criar, mas não com a intenção de adotá-lo ou coisa parecida. Apenas alimentar, cuidar de sua higiene, dar carinho etc. A mãe poderia pegá-lo quando bem entendesse. Aliás essa minha vizinha ajudava muito essa mulher, com mantimentos, medicamentos e algo mais que precisasse. A comunidade em que faz parte oferece essa ajuda a quem precisa, todos os meses.

Perguntei a ela se já havia recebido alguma crítica por isso. "Sempre, o tempo todo, todo mundo me chamando de doida, que eu não deveria fazer isso, porque incentivava a mulher a ter um filho atrás do outro. cada hora com um pai diferente... Mas como eu posso julgar a mulher? Não posso é ficar vendo criança passar fome e se ela está perto, eu ajudo mesmo!".

Depois desse menino que ela ajudou a criar, ainda ajudou mais dois, todos dessa mesma mulher.

Acho que é bem por aí mesmo. Se cada um enxergasse os seus próximos, bem próximos, e os ajudasse, caso precisasse, muito sofrimento seria evitado. Não precisa andar muito pra encontrar quem precise de alguma ajuda. E nem precisa ser uma ajuda gigantesca... O que mais as pessoas precisam é de atenção, de quem as ouça sem julgar, enfim, muitas se acham invisíveis, é isso.

Nesse final de quaresma, tempo de reflexão, de jejum, é bom lembrar que o amor é pra ser amado, não importa a quem.

8 comentários:

  1. Oi Clara acho que o mundo precisa de mais amor. Nos tornamos seres muito egoísta, e fazer o bem, só faz bem. Gosto de doar roupas, brinquedos e sapatos dos meus filhos. E ensino a eles que é bom separar um brinquedo parar dar uma criança que o pai dela não pode comprar. Acho que é como você falou se cada um de nós fizermos um pouco a gente pode melhorar o mundo.
    www.cantinhodali.com

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  2. Boa noite Clara!

    Excelente postagem!
    A gente vê tantas famílias assim, e o pior são as crianças que sofrem.
    Eu acho que se cada um fizesse um pouco, não haveria tantas crianças abandonada por ai.
    Parabéns para tua vizinha, é uma mulher que ajuda sem olhar a quem. Isso faz a diferença.
    Um beijo Clara!

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  3. Esta senhora está de parabéns, Clara
    Hoje em dia um comportamento assim é mesmo uma raridade.
    Te desejo um ótimo final de semana.
    Mil beijinhos para tí de
    Verena e Bichinhos

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  4. Como cantava nosso grande poeta Renato Russo:

    "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..."

    Clara Lúcia, que relato surpreendente este seu!
    Sim, surpreendente porque não vejo isso no cotidiano. Aliás, creio que poucos têm o teu privilégio de ter por perto uma Dona Zilda para presenciar pessoalmente essa experiência aqui contada.
    As pessoas são demoradas a ajudar e rápidas a julgar e criticar. Infelizmente é assim que funciona.
    Muitas pessoas usam a frase clichê do "ensinar a pescar", mas nem todos estão aptos a aprender e quando digo de aptidão, é no sentido literal, como bem descreveu essa senhora. É toda uma desestrutura.
    Parabéns pelo post! Foi o melhor post que li hoje!
    Beijos e bom fim de semana para ti. ;)))))

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  5. Existir pessoas que ajudam as outras, sem nenhuma intenção
    de recompensa, não é tão raro como se pode pensar.
    O que é incrível, mas tem "às mancheias", ou "às pampas", ou
    "de montão" (como é que diz hoje mesmo?), por aí, é gente pra
    criticar essas pessoas.
    Não enfiam um prego numa barra de sabão, mas criticar quem
    ajuda, é com eles mesmo!
    Falam desde "consciência pesada" até "lavagem de dinheiro'.
    Eita povinho ignorante!
    Beijos.

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  6. Boa tarde Clara.
    Meus parabéns a sua vizinha, ela tem tanto amor que se sente feliz por distribuir e encontrou uma grande forma de faze-lo, fazendo o bem as essas crianças e recebendo uma gratificação que só quem faz sabe como é maravilhoso. Muitas vezes da é melhor que receber. Acabo de entrar aqui no seu blog tudo muito lindo. Uma feliz semana. Beijos.

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  7. Eu acredito que existam mais pessoas do bem do que do mal, graças a Deus.
    Pena não serem tão noticiadas como deveriam ser.
    Mas o fato de tornarem o mundo melhor pra muita gente já nos deixa feliz.
    Muito obrigada pelos comentários, boa semana, beijos!

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  8. Clara querida a humanidade não está perdida amiga.
    Sempre haverá uma Zilda com este coração largo.
    Lembramos que Cristo foi criticado com sua arte do bem sem olhar a quem, porque Dona Zilda seria diferente?
    Um belo relato de vida.

    Uma semana de paz e reflexões Clara e que lhe seja proveitosa.
    Carinhoso abraço
    Bjs

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