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segunda-feira, 30 de março de 2015

Mãe de Menino

foto pertencente ao blog Simples e Clara

Mãe de menino que faz o Tiro de Guerra junto com o filho.

Ontem era um bebê e hoje um homem fardado. Leo, meu caçula, começando uma nova etapa na vida, que, creio eu, será produtiva e geradora de muitas amizades.

Não vai ser fácil, mas as alegrias serão maiores do que as dificuldades.

O sistema rígido não é confortável, mas é necessário neste caso. E como ele já é bem comportado, não vai ter dificuldades. Ah, vai ser ótimo, tenho certeza!

Resultado: acordar às quatro e meia da madrugada, e ir se juntar a mais noventa e nove aspirantes a Atirador, num treinamento intensivo com duração de quase um ano.

Não sei se é necessário, antes eu não achava, mas toda aprendizagem é bem-vinda.

E eu faço junto com ele, como citei acima. Também acordo de madrugada pra não deixar Leo dormir de novo, verifico se está tudo em ordem, roupa limpa, passada, tudo certo, como manda a regra.

Me lembro quando era mais nova e assistia à parada de 7 de Setembro e todos ficávamos ansiosos pela passagem do TG. Muito lindo, todos marchando em sincronia... De arrepiar! Vou chorar, eu sei, vendo meu menino no meio desses rapazes marchando, todo imponente e lindo!

Um orgulho ver filho crescer e seguir etapas. Sensação de dever cumprido. Amém!

E eu que pensava que comemorações do Dia das Mães já haviam terminado, olha eu de novo indo receber homenagem dos Atiradores! Eba!

Ótima semana a todos!

quinta-feira, 26 de março de 2015

Fazer o Bem

Zilda Arns, com um dos seus cuidados

Dia desses, encontrei uma vizinha no ponto de ônibus. Ela estava sozinha, o que pra mim era novidade, pois sempre a vi com alguma criança.

Perguntei sobre as crianças e ela disse que estavam com seu marido e que iria pagar umas contas e voltaria logo. As crianças ao qual eu queria saber não eram os seus filhos, que estão adultos e casados, mas outros, que ela cria, com amor, carinho, atenção, alimento etc.

Perguntei sobre um menino que ela ajudou a criar, de uma conhecida, que na época era vizinha da comunidade católica em que ela faz parte. "Ele está um moço lindo, e sempre fica lá em casa". E perguntei pela mãe do menino.

A mãe do menino: uma jovem, com nove filhos, divididos entre três pais. É o tipo de mulher sem estrutura nenhuma, ignorante de não saber, que tem problemas cardíacos e por esse motivo não podia tomar anticoncepcional para evitar filhos. E vivia como Deus queria, me contava essa minha vizinha na época. É difícil "mudar" as atitudes de uma pessoa, uma mulher, nesse caso, que nunca teve nenhuma instrução e não tem nenhuma ideia de que ela poderia trabalhar e não ficar tão dependente das pessoas. Talvez nunca tenha sonhado com uma vida diferente. Famílias desestruturadas que não conseguem enxergar uma luz no fim do túnel e nem na própria capacidade de se autossustentar.

Pegou um dos filhos dela, ainda bebê, para criar, mas não com a intenção de adotá-lo ou coisa parecida. Apenas alimentar, cuidar de sua higiene, dar carinho etc. A mãe poderia pegá-lo quando bem entendesse. Aliás essa minha vizinha ajudava muito essa mulher, com mantimentos, medicamentos e algo mais que precisasse. A comunidade em que faz parte oferece essa ajuda a quem precisa, todos os meses.

Perguntei a ela se já havia recebido alguma crítica por isso. "Sempre, o tempo todo, todo mundo me chamando de doida, que eu não deveria fazer isso, porque incentivava a mulher a ter um filho atrás do outro. cada hora com um pai diferente... Mas como eu posso julgar a mulher? Não posso é ficar vendo criança passar fome e se ela está perto, eu ajudo mesmo!".

Depois desse menino que ela ajudou a criar, ainda ajudou mais dois, todos dessa mesma mulher.

Acho que é bem por aí mesmo. Se cada um enxergasse os seus próximos, bem próximos, e os ajudasse, caso precisasse, muito sofrimento seria evitado. Não precisa andar muito pra encontrar quem precise de alguma ajuda. E nem precisa ser uma ajuda gigantesca... O que mais as pessoas precisam é de atenção, de quem as ouça sem julgar, enfim, muitas se acham invisíveis, é isso.

Nesse final de quaresma, tempo de reflexão, de jejum, é bom lembrar que o amor é pra ser amado, não importa a quem.

segunda-feira, 23 de março de 2015

A Delícia de Ser Mãe


Minha filha Amanda está no quarto ano de Fisioterapia e fazendo estágio. E todos os dias ela conta um causo.

No começo ela ficava receosa por ter que lidar com pessoas tão frágeis, medo de errar, de machucar, mas tranquilizei-a, dizendo que estaria em estágio e sendo assistida por profissionais competentes. E que seria agindo que aprenderia o ofício da profissão.

Os alunos foram divididos em turmas e revezavam no atendimento.

Já ficou agoniada na primeira semana ao estagiar para idosos. "Parecia que iam se quebrar", dizia ela, mas no final tudo deu certo. "Pelo menos os idosos são obedientes", continuava, e entre eles havia uma senhora, que segundo os coordenadores, tinha alzheimer.

"Que dó, mãe, ela não se lembra nem do dia que tem que ir na fisio!", lamentava ela. Essa senhora era sozinha e não tinha ninguém que cuidasse dela. Isso deixava minha filha mais agoniada ainda. "Mãe, eu fico com dó porque sei que não tem cura, e cada dia ela vai piorar até não se lembrar de mais nada!".

Eu entendo a agonia dela, pois a degeneração humana mexe muito com a gente. "Filha, ela não está sofrendo, pois não se lembra de anda!" Não sei se ajudou, mas ela ficou pensando no assunto.

Este mês ela está atendendo as crianças. Várias com várias deficiências e todas sendo crianças, com teimosias, birras, dores, enfim.

E entre elas um garotinho que todos diziam ser impossível de lidar. Teimoso, chato, com paralisia cerebral. E ela justamente foi cuidar dele. E não é que ela conseguiu conquistar o garoto que até lhe deu um beijo, se despedindo?

É bom ver filhos crescidos, com saúde, capazes e seguindo rumo aos desafios do mundo. Ter contato com as diferenças às vezes nos choca, mas nos coloca com os pés no chão e nos faz pensar duas vezes antes de ficar reclamando sem necessidade.

Não digo que tem que sofrer ou passar necessidades para dar valor, mas conviver e aceitar o ser humano como ele é, com todos os sofrimentos, nos engrandece muito.

Eu sempre digo que não deve ser fácil ter limitações ou ser dependente das pessoas para fazer necessidades básicas de sobrevivência, mas quem já nasceu com algum tipo de deficiência não sabe e nunca soube ser de outra maneira. Aprendeu a viver com limitações, assim como nós aprendemos a andar. É claro e justo que eles devem ter uma facilidade de ir e vir, de viver e se socializar com o mundo de uma maneira mais simples possível.

Uma gentileza, uma atenção, um cuidado, todos podemos ofertar a quem precisa, independente se tem deficiência ou não. Um ajudando o outro e todos vivendo da melhor maneira possível.

Ano que vem já terei uma filha formada, uma fisioterapeuta. Gente, como o mundo voa!


quarta-feira, 18 de março de 2015

Trauma de Infância


Coisas que os pais fazem e que nos marcam pra sempre. Talvez pela inocência deles em pensar que somos pequenos demais e nos esquecemos fácil, mas não, um simples gesto que nos constranja nos marca eternamente.

Quando era criança, acho que uns cinco anos, no meu aniversário, a família toda, primos pequenos, amiguinhos vizinhos, enfim, não podia dar nada errado.

E a hora que todos esperam é a hora dos parabéns.

Sou tímida e quando criança era mais ainda, pois muitas vezes era repreendida por nada. Então era mais calada que falante. Aliás nunca fui falante.

Cantaram os parabéns (nunca sabemos o que fazer na hora dos parabéns, se cantamos junto, se abaixamos a cabeça ou se olhamos na cara de todos), e quando soprei a velinha (outro parêntese, naquela época, aquela velinha teimosa que a gente assopra e ela volta a acender era novidade) ela acendeu de novo. Soprei de novo e tudo se repetiu. Olha, não sei o que aconteceu, mas algo me deixou muito, mas muito envergonhada mesmo. E meu pai, lá do outro lado, começou a zoar comigo. Imagina eu, morrendo de vergonha e ainda ter que ouvir o pai me zoando?

Chorei compulsivamente. Aí que ele zoou mesmo. Naquele tempo não existia essa palavra "zoar", digamos que foi um deboche.

Sai dali, fui pro meu quarto e, claro, todos foram atrás me pegar no colo, me abraçar, enfim, a festa ficou muito sem graça. Por bem, não sei se hoje ainda é assim, quando se cantava os parabéns, logo em seguida todos foram embora.

Esse dia nunca mais na minha vida vou me esquecer.

E dia desses eu vi esse vídeo e fiquei até revoltada. Por que fazer isso? Há crianças que aceitam, que riem junto e até provocam uma situação constrangedora, mas, gente, não façam isso, por favor!


Um dos maiores traumas de infância de quem é tímido é o constrangimento em público. Um horror!

É isso.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Sem Tempo Certo


Num dia de céu nublado, você apareceu... Sorriu, eu sorri de volta...
Aos poucos se achegou e me fez enxergar as estrelas que haviam sobre as nuvens... 
Não estava preparada pra tanto brilho e tanta luz...
Mesmo assim continuou, me seduzindo... Me tendo...
Outras estradas eu deveria seguir, outros olhares me olhando, outros trabalhos, outros pensamentos, outras vidas...
O brilho das estrelas não suportaram e se foram... E com elas meu sorriso saltou de meu rosto e foi habitar quem as enxergasse com beleza e pureza... Com paixão... 
Um grito no silêncio e eu já estava preparada. Mas você outros rumos encontrou... Outros olhares, outras bocas, outros amores...
Como ironia, como uma brincadeira do destino, as estrelas brilhantes me levaram até você. Não me enxergou...
Estacionei-me na beira da calçada e esperei... Esperei... Não estava preparado, não suportou o brilho dos meus olhos, não ouviu meus lábios a chamar-lhe...
Cansada de ficar sentada, fui-me...
Com a presença da chuva disfarcei minhas lágrimas... Mundo ingrato! 
Outros caminhos encontrei, outras bocas, outros amores... As mesmas estrelas.
Que ora brilham, ora se escondem, ora me ofuscam a vista, ora iluminam meu caminho...
Quantos caminhos ainda terei? Por quanto tempo estarei preparada? 
Até o infinito... 
Esperando-lhe?
Não!
Apenas visitando boas lembranças, que, estas sim, serão infinitas.

Clara Lúcia

quarta-feira, 11 de março de 2015

Um Branco Básico


Um dia a gente se senta em frente ao computador e fica olhando, olhando... Começo com um rascunho, depois outro, outro... Fecho tudo e vou comer uma maçã. Volto e a página em branco ainda continua lá, imponente e poderosa.

Tantos assuntos pra se comentar, tantos contos esfumaçando minha mente, tantas músicas, poesias, contos de outros autores, enfim, um mundo fervilhando e nadica de nada de sair algo que preste por aqui.

Então me rendo e humildemente digo a vocês, meus queridos leitores: hoje eu não venho! Talvez nem sexta feira também, vamos ver...

Acho que quando minha mente fervilha demais, não consigo focar em nada, não consigo me concentrar em um só assunto. Melhor não torturá-los com textos mequetrefes. E sem condições também de postar textos antigos... Não consigo nem procurar um...

Ficamos assim então, um ótimo meio de semana, um maravilhoso fim de semana e até!


domingo, 8 de março de 2015

Mulher




Pra esse dia especial, parabéns às mulheres!

Que antes de todas as regras e leis pra nos proteger, que saibamos nos valorizar mais...

Que antes que nos amem, que amemos mais...

Que antes de escolhermos, que saibamos escolher melhor...

Que antes que decidam por nós, que saibamos decidir o melhor pra nós...

Que antes que nos descartem, que saibamos qual é o nosso lugar... Onde é esse lugar? Onde nós quisermos!

Que antes que nos julguem, que tenhamos a certeza que as opiniões dos outros são só opiniões, e não nossa vida...

Que antes de envelhecermos, tenhamos a certeza de que a velhice é só um estado do corpo...

Que antes que nos magoem, que saibamos que a mágoa entra em nós se nós a permitirmos...

Que antes que nos respeitem, que saibamos nos respeitar mais...

Que o tempo seja sempre a nosso favor...

Que o amor seja constante... A alegria também... O prazer idem......

Que nossos erros sejam sempre pro nosso crescimento e aprendizagem...

Que nossos sofrimentos não sejam tão intensos com o que não podemos modificar...

Que os homens esqueçam a opção de nos entender... Besteira! Nos amem, apenas!

Que tenhamos a doçura de um anjo e a força de um tsunami...

Que sejamos livres, mesmo bem-acompanhadas...

Somos muito mais fortes do que podemos imaginar...

Que Deus nos proteja, nos abençoe e nos guarde...

Que todos os dias sejam nossos dias!

FELIZ DIA DAS MULHERES!


quarta-feira, 4 de março de 2015

Para as Mulheres


Queria ter uma frase só para dizer às mulheres que não conseguem se enquadrar nesse padrão de beleza atual, para que não se sentissem diminuídas por isso. 
Que respeitar a própria natureza também tem seus méritos e não as tornam menos interessantes do que as que correspondem ao que é ditado pelas Redes Sociais, Revistas ou TV. 
Que busquem sim, serem saudáveis e estar de bem consigo mesmas acima de tudo. Mas que não se cobrem tanto. 
Mais importante do que ter "um corpo perfeito" é estar com a cabeça boa. Sem culpas, distorções, paranoias, angústias ou ansiedades por conta de um modelo que não serve para todas.
Não digo isso como o homem que analisa um corpo… Como se fosse um material para consumo próprio. Me refiro muito mais ao fato de que o que estão vendendo por ai como referência é mais exceção do que regra.
E sendo assim, será que vale a pena deixar de colocar uma roupa que gosta? Deixar de ir a lugares públicos onde o corpo fica mais exposto? Enfiar o dedo na goela para colocar para fora o que comeu, num dia de pequenos exageros, por conta da aprovação alheia ou mesmo de uma autocobrança por algo que notavelmente talvez possa trazer mais problemas do que efetivamente soluções?
Todo excesso causa danos, mais cedo ou mais tarde. Isso serve a vaidade também.
Descobrir a própria beleza pode ajudar muito na autoestima, pois é mais sustentável a longo prazo.
Cada mulher tem sua beleza única.
A mercantilização do corpo não vem de hoje, mas com o desenvolvimento das tecnologias parece que a pressão é bem maior, as cobranças também e a necessidade de ser aceita idem.
Cada qual é livre para fazer o que quiser e bem entender, até para extrapolar, mas talvez não precise tanto para se sentir bonita.
A beleza está muito mais em ser bem resolvida do que na escravidão do olhar alheio.
Antes de ficar bela para um homem ou para outras mulheres é preciso estar bem internaMENTE e naturalmente a beleza se refletirá aos olhos de quem for sensível…
E quem não for sensível a isso, por que deveria te importar?


Tico Santa Cruz
Link do facebook

Um texto de Tico Santa Cruz sobre as mulheres. Pra quem não sabe, ele escreve livros, além de ser vocalista dos Detonautas, banda de rock.



segunda-feira, 2 de março de 2015

O Baile


      Já estava decidido: não iria de jeito nenhum! Quem a obrigaria entrar naquele salão onde teria um baile seguido de um pedido de casamento completamente sem propósito algum?

      Beatrice ouviu sem querer que seu pai havia escolhido um pretendente para sua princesinha. E justamente escolhera a pessoa mais abominável de toda a cidade. Um perfeito canalha, mulherengo, beberrão e otário. Pensava que poderia conseguir o que quisesse sendo gentil com seu pai; e conseguiu, mas ninguém, nem mesmo seu pai a obrigaria a fazer o que não queria. Já sabia que não contaria com sua mãe, pois dona Amália apenas obedecia o todo poderoso Cleomar. Dr Cleomar, como gostava de ser chamado.

      Fugiria! Antes da música começar a tocar já estaria bem longe. Tudo combinado com Edward que a esperaria nos fundos da casa, com sua moto. Amava velocidade e Edward era mais que um irmão para Beatrice. Cresceram juntos e aprontaram muita arteirice juntos. Ela, filha do dono. Ele, filho do motorista.

      Beatrice nunca desconfiara, mas Edward era apaixonado por ela. Fazia todas as suas vontades e o que mais queria era fugir com ela na garupa de sua moto. Iria aos céus, ou quem sabe ao inferno, só para defendê-la. Quando pequena, Beatrice era chorona, enjoada e só Edward tinha a paciência de ficar ao seu lado, tentando consolá-la. Aparentemente Beatrice era frágil como uma folha seca que esfarelava com o vento, mas era forte como um bambu, impossível de se quebrar. Era mimada e não suportava que contrariassem suas vontades. Mandona e autoritária, sem perder a doçura e o encanto. Pequenininha, magrinha e branquinha, além das sardas no nariz, cabelos ruivos e olhos azuis que pareciam faróis que iluminavam quem ousasse encará-la. Não era fácil lidar com Beatrice. Tinha poucas amigas e não aceitava nada menos do que escolher o que fazer e onde ir. Se não fosse do seu jeito, não tinha passeio que a tirasse de casa. Edward era o único que a entendia e defendia. Nem precisava de defesa mas ele fazia questão de estar sempre por perto, caso Beatrice precisasse.

      Faltava pouco para a meia-noite. Beatrice, ansiosa, esperava ouvir o barulho da moto de Edward para poder pular a janela e sumir no mundo. Estava simplesmente linda num vestido longo, branco, com corpete bem acinturado que dava a impressão de espremê-la até cortar-lhe o ar. A saia bem rodada se arrastava no chão, dando a impressão de uma cascata delicada, formada por espumas de algodão. Escolhera sapatos confortáveis para facilitar a corrida até a moto que a aguardaria antes da palhaçada do baile começar.

      Começou o baile. Beatrice não ouviu Edward chegar. Seu pai, o todo poderoso Dr Cleomar, foi buscá-la em seu quarto. Por pouco Beatrice não fugiu pela janela, mesmo sem Edward aparecer para resgatá-la. O jeito foi acompanhar seu pai, de braço dado, até o grande salão.

      A primeira dança foi com Dr Cleomar e as próximas seriam com o desengonçado do Araújo, o prometido. Antes de chegar na segunda música Beatrice vê Edward na porta, com as mãos sujas de graxa, lhe acenando. Queria matá-lo, com um olhar fulminante. Conversaram praticamente em telepatia, ele explicando o furo no pneu e ela odiando e querendo enfiar a roda da moto na sua cabeça.

      Como não teria como escapar da tragédia que se anunciava Beatrice simulou um desmaio. Logo foi amparada e carregada por Araújo. Levou-a ao seu quarto e esperou, junto com sua mãe, que recobrasse os sentidos. Disfarçadamente ela abriu um olho e viu que Araújo estava do seu lado. Fechou-o rapidamente e virou-se para o outro lado. Depois simulou um choro, como uma sangria desatada e implorou para ficar sozinha no quarto. Não queria nem a mãe por perto. E assim atenderam a vontade da mimada Beatrice. Caso contrário seria capaz de quebrar todo o quarto.

      Quando todos saíram Beatrice olhou pela janela e lá estava Edward sobre sua moto, acelerando e rindo. Não pensou duas vezes e pulou sem medo de se machucar nas folhagens secas do final de outono. Sua saia ficou presa na janela e à medida que ia caindo, ia rasgando, deixando um rastro de um crime mal-sucedido. Ficou praticamente só com a parte de cima do vestido e um minúsculo pedaço de tule tapando-lhe as partes íntimas. Nem se importou. Edward, vendo aquela cena espetacular não teve outra reação a não ser ficar de queixo caído e com os olhos arregalados. Beatrice correu, sentou em sua garupa e mandou que ele acelerasse o mais rápido possível.

      E assim começou a feliz união de Beatrice e Edward. Contrariando toda a família, mas com seu gênio impossível de ser domado, não havia mais o que ser feito. Na verdade quem não sabia desse amor era Edward que jamais sonhara que o que Beatrice sentia era amor... Apenas amor!

      Fim.

      Texto publicado em 18 de abril de 2014