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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Penitência



Quando era pequena, ouvia muitas histórias sobre a quaresma. Todas medonhas. Acho que eu achava medonhas por ser ainda criança e não ter noção do que me contavam.

Meu pai sempre contava histórias sobre gente que desaparecia na sua frente, de lobisomem, de fantasmas que vagueavam durante a noite, de feiticeiros que faziam trabalhos nas matas, enfim...

Minha avó contava que não podia dançar, nem ficar rindo muito, nem fazer maldades, nem xingar, nem ficar olhando muito no espelho, e nem ficar pensando besteiras. Na minha pequena cabeça não tinha ideia do que seria ficar pensando besteiras. Mas obedecia, pois tinha medo de tudo, ainda mais quando ela segurava meus ombros, arregalava os olhos e começava: "fia, óia, num pode fazer isso não, na meia noite da quaresma os portão do inferno abre e os capeta tudo sai de lá e vem pra cá. Então se alguém fizer alguma malcriação, xingar, desobedecer, o capeta fica perto". Eu morria de medo!

Não era uma criança de dar trabalho, de ser desobediente, de xingar, de bagunças. Era comportadinha até. Gostava de brincar. Só isso!

Quando me tornei adulta é que fui seguir uma religião. No caso, a católica. Mas por fim também deixei de frequentar as missas. Gosto do silêncio da igreja vazia, gosto de pensar, orar, agradecer, fechar os olhos e sentir paz. Gosto de santos e tenho Nossa Senhora Aparecida como minha mãe desde que me entendo por gente, mesmo antes de saber que existia uma igreja. E também gosto de outras religiões. Se for bom pra mim eu gosto.

Há alguns anos fiz a penitência de doces. Gente, imagine uma pessoa agoniada e insuportável? Eu! E este ano estou fazendo novamente, e também de carne vermelha e refrigerante. Os doces vão me dar agonia, a carne e refrigerante não me fazem falta. Minha filha já me criticou, dizendo que não vai me suportar sem doces, pois sabe que eu me tornarei um purgante insuportável. Ah, que falta de humanidade com a mãe!

Acho que nesse período não importa a penitência que você faça, e sim o que seu coração carrega durante e após a quaresma. É um teste sobre sua força espiritual, seu domínio próprio e seu controle emocional. E não sofrer por fazer penitência. O mundo não acaba com nenhuma abstinência que você faça. E essa abstinência não chega nem do tamanho de um grão de mostarda ao sofrimento que Jesus passou. O mais importante é a reflexão sobre dores e sofrimentos. Será que todas as dores e sofrimentos que tivemos foram realmente na dimensão que imaginamos? Ou houve um exagero?

Cada um tem sua crença, sua forma de viver espiritualmente e tudo é válido, com respeito.

Então vamos ver no decorrer das semanas como vou estar, ou azeda ou doce como um mel. Vai ser tranquilo, eu sei que vai.

Bom fim de semana a todos!





7 comentários:

  1. Olá, querida Clara
    O jejum que precede o bem e incita à caridade é salutar demais...
    Bjm quaresmal

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    1. Sim, e este ano, me privando do que mais me provoca, vai ser mais tranquilo do que antes. Amadurecimento melhora muito a gente, Rosélia.
      Bjim quaresmal pra vc também!

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  2. Clara, fiquei rindo aqui com seu texto, hahaha, especialmente na parte que imita a fala da sua avó, kkk, quase pude vê-la falando e você encolhida de medo!
    Minha família sempre disse que se dançasse na quaresma nascia rabo. Eu falava isso para minha filha... com 4 anos ela estava sambando na quaresma, e lembrou-se do que eu dizia... ela parou, arregalou os olhos, colocou as mãozinhas no bumbum e saiu correndo para o quarto. Fui atrás e a peguei se olhando de costas no espelho. "Que foi, filha?" "Ai, mãe, acho que está nascendo um rabo", kkkkkkkk, até hoje lembro! Expliquei que não era bem assim, kkk, cada uma!
    Não faço abstinência, mas faço sim algumas reflexões no sentido de perceber onde estou errando e onde posso melhorar como ser humano.
    Seja forte sem os doces, busque estoque na doçura do coração.
    Um abraço!

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    1. Essa do rabo eu tbm ouvia, Bia, e tbm tinha medo. Meus avós contavam histórias tenebrosas que me faziam arregalar os olhos e nunca mais me esquecer.
      Saudades desse tempo de inocência e ingenuidade...
      Beijos, e uma linda semana pra vc!

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  3. Poie é, falei o que penso lá no Facebook, Clara.
    "Eu já fui a rainha das penitências e promessas. Até entender que Deus nunca pediu isso a ninguém. E que não adianta nada se privar de alguma coisa da qual se gosta muito por 40 dias e "deitar e rolar" o resto do ano. Eu me penitencio de muita coisa, por mim mesma, não por imposição."
    Esse é um dos muitos equívocos do catolicismo, ou do cristianismo. Imputar tudo a Jesus, a Deus, como se Eles fossem ditadores, prontos a nos punir.
    Sigo minha vida, vivendo todos os dias como uma boa cristã e a quaresma não me pede nada diferente em minha conduta. A não ser me recolher mais, para pensar em tudo que Ele passou por nós. Mas como estou com Ele todos os dias, gosto de pensar que está vivo, não me ligo em sua imagem na cruz. Sua principal mensagem é que Ele está vivo!
    Beijo.

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    1. Tbm penso assim, Lúcia, mas faço penitência porque acho necessário na quaresma. É um modo de introspecção e recolhimento.
      Tbm prefiro saber que Jesus está vivo e olhando por nós, nos cuidando e puxando nossas orelhas quando precisa.
      Beijos e boa semana!

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  4. Eu não faço, mas acho legal ver quem faça! Boa sorte e segue firme! Gosto de gente determinada! bsj chica

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