amazon

amazon
amazon - clique na imagem

segunda-feira, 31 de março de 2014

Autossabotagem

30 coisas que você deve parar de fazer a si mesmo


Por: Marc e Angel. Link do texto AQUI!


1) Pare de perder tempo com as pessoas erradas. – A vida é muito curta para perder tempo com pessoas que sugam a sua alegria para fora de você. Se alguém quer você em sua vida, eles vão criar espaço para você. Você não deveria ter que lutar por um lugar. Nunca, jamais insista em aparecer diante de alguém que subestima o seu valor. E lembre-se, seus verdadeiros amigos não são as pessoas que estão ao seu lado quando você está vivendo seus melhores dias, mas sim aqueles que permanecem mesmo nos piores momentos.

2) Pare de fugir dos seus problemas. – Encare-os de frente. Não, não vai ser fácil. Não há ninguém no mundo capaz de sair ileso de cada pancada que leve. Não é esperado que estejamos aptos a imediatamente resolver quaisquer problemas.  Simplesmente não somos feitos desta forma. Na verdade, somos feitos para nos irritarmos, nos entristecermos, nos machucarmos, tropeçarmos e cairmos. E é por isto ser a razão mesma de viver – encarar problemas, aprender, se adaptar, e resolvê-los ao longo do tempo. Isso é o que efetivamente nos molda na pessoa que nos tornamos.

3) Pare de mentir para si mesmo. – Você pode mentir para qualquer outra pessoa no mundo, mas você não consegue mentir para si mesmo. Nossas vidas melhoram apenas quando arriscamos encarar as oportunidades, e a primeira e mais difícil oportunidade que podemos encarar é sermos honestos conosco mesmos.

4) Pare de colocar as suas necessidades em segundo plano. – A coisa mais dolorosa é perder-se de si mesmo no processo de “amar” alguém demais, e esquecer de que você é especial, também. Sim, ajude aos outros; mas ajude-se também. Se existe um momento para correr atrás de sua paixão e fazer algo que realmente importa para você mesmo, este momento é agora.

5) Pare de tentar ser alguém que você não é.  – Um dos maiores desafios na vida é ser você mesmo em um mundo que tenta fazê-lo igual a todos os outros. Alguém sempre vai ser mais bonito, alguém sempre será mais esperto, alguém sempre será mais jovem, mas eles jamais serão você. Não mude para que os outros passem a gostar de você. Seja você mesmo e as pessoas certas vão amar quem você é de verdade.

6) Pare de se apegar ao passado. - Você não pode iniciar o próximo capítulo da sua vida se você continua relendo o anterior.

7) Pare de ter medo de cometer erros. – Fazer algo e falhar é ao menos dez vezes mais produtivo do que não fazer nada. Todo sucesso deixa uma trilha de falhas atrás de si, e cada falha é um passo rumo ao sucesso. Você acaba se arrependendo muito mais das coisas que NÃO fez, do que daquelas que fez.

8) Pare de se reprender por velhos tropeços. - Nós podemos amar a pessoa errada e chorar sobre as coisas erradas, mas não importa o quão erradas as coisas se tornem, uma coisa é certa, os enganos nos ajudam encontrar a pessoa e as coisas que são certas para nós. Todos cometemos enganos, temos tropeços e mesmo nos arrependemos das coisas em nosso passado. Mas você não é seus enganos, nem seus tropeços, e você está aqui AGORA com o poder de definir o seu dia e o seu futuro. Toda e cada coisa que aconteceu na sua vida está te preparando para um momento que ainda virá.

9) Pare de tentar comprar felicidade. - Muitas das coisas que desejamos são caras. Mas a verdade é que, as coisas que realmente nos satisfazem, são totalmente grátis – amor, risadas e trabalhar naquilo que nos apaixona.

10) Pare de procurar a felicidade exclusivamente nos outros. – Se você não está feliz com quem você é por dentro, você tampouco será feliz em um relacionamento de longo prazo com quem quer que seja. Você precisa criar estabilidade na própria vida em primeiro lugar, antes que possa compartilhá-la com mais alguém.

11) Pare de ficar ocioso. - Não pense demais ou você criará um problema que nem existia, para começar. Avalie as situações e tome ações decisivas. Você não pode mudar o que se recusa a encarar. Progredir envolve assumir riscos. Ponto! Você não pode andar até a segunda base e manter o seu pé ainda na primeira.

12) Pare de pensar que você não está pronto. - Ninguém realmente se sente 100% pronto quando uma oportunidade aparece. E isto acontece porque as mais grandiosas oportunidades na vida nos forçam a crescer além das nossas zonas de conforto, o que significa que não estaremos totalmente confortáveis, no início.

13) Pare de se envolver em relacionamentos pelas razões erradas. – Relacionamentos devem ser escolhidos com sabedoria. É melhor estar só do que em má companhia. Não há necessidade de pressa. Se alguma coisa deve ser, ela acontecerá – no seu tempo certo, com a pessoa certa e pela melhor das razões. Se apaixone quando estiver pronto, não quando estiver solitário.

14) Pare de rejeitar novas relações por que as antigas não funcionaram. – Na vida você perceberá que existe um propósito em conhecer cada pessoa que você conhece. Alguns testarão você, outros te usarão, e outros te ensinarão. Mas, o que é mais importante, alguns despertarão o que há de melhor em você.

15) Pare de tentar competir com todo mundo. - Não se preocupe com o que os outros fazem melhor do que você. Concentre-se em bater os seus próprios recordes todos os dias. O sucesso é uma batalha travada apenas entre VOCÊ e VOCÊ MESMO.

16) Pare de ter inveja dos outros. – A inveja é a arte de contar as bençãos alheias, ao invés das próprias. Se pergunte o seguinte: “O que é que eu tenho que todas as outras pessoas desejam?"

17) Pare de reclamar e sentir pena de si mesmo. – As “bolas com efeito” da vida são jogadas por um motivo – para mudar o seu caminho numa direção que se destina a você. Você pode não ver ou entender tudo no momento em que isto acontece, e pode ser difícil. Mas pense naquelas “bolas curvas” negativas que foram jogadas para você no passado. Você frequentemente perceberá que no final elas te levaram a melhores lugares, pessoas, estados de espírito, ou situações. Então sorria! Deixe todos saberem que hoje você é mais forte do que era ontem, e então você será.

18) Pare de guardar rancor. – Não viva a sua vida com ódio no coração. Você acabará machucando a si próprio muito mais do que as pessoas que você odeia. Perdoar não é dizer “o que você fez de errado comigo não tem importância”, é dizer “eu não vou permitir que o que você fez comigo seja a ruína eterna da minha felicidade”. Perdoar é a resposta… Desapegue, encontre paz e liberte-se! E lembre-se, o perdão não é apenas para as outras pessoas, é para si mesmo também. E você deve perdoar-se, seguir em frente e tentar fazer melhor na próxima vez.

19) Pare de deixar os outros te rebaixarem ao nível deles. – Recuse-se em baixar os seus padrões de qualidade para acomodar aqueles que se recusam a elevar os deles.

20) Pare de perder tempo se explicando aos outros. – De toda forma, seus amigos não precisam e seus inimigos não vão acreditar. Apenas faça o que seu coração aponta como o caminho certo.

21) Pare de fazer as mesmas coisas de novo e de novo sem uma pausa. - A hora certa de respirar profundamente é quando você não tem tempo pra isso. Se você continuar insistindo no que está fazendo, você vai continuar obtendo o mesmo resultado. Às vezes, você precisa se distanciar um pouco para ver as coisas mais claramente.

22) Pare de negligenciar a beleza dos pequenos momentos. – Aproveite  as pequenas coisas, pois um dia você pode olhar para trás e descobrir que elas eram as grandes coisas. A melhor porção da sua vida será composta dos pequenos e inomináveis momentos que você passa sorrindo junto de alguém importante pra você.

23) Pare de tentar alcançar a perfeição. – O mundo real não recompensa o perfeccionismo, ele recompensa as pessoas que conseguem fazer as coisas.

24) Pare de seguir o caminho do menor esforço. – A vida não é fácil, especialmente quando você planeja alcançar algo de valor. Não pegue o caminho mais fácil. Faça algo extraordinário.

25) Pare de agir como se tudo estivesse bem, quando não está. – É perfeitamente normal desmoronar por um breve período. Você nem sempre precisa fingir que é o mais forte, nem constantemente tentar provar que tudo está indo bem. Você tampouco deveria se preocupar com o que os outros pensam – chore se precisar – é saudável colocar suas lágrimas para fora. Quanto mais cedo você o fizer, mais cedo você estará apto a sorrir genuinamente de novo.

26) Pare de culpar os outros pelos seus próprios problemas. - A dimensão com que você conseguirá realizar seus sonhos depende da dimensão com que você assume responsabilidade pela própria vida. Quando você culpa os outros pelo que você está passando, você nega responsabilidade – você dá aos outros poder sobre aquela parte da sua vida.

27) Pare de tentar ser tudo para todos. – Alcançar isto é impossível, e tentar apenas te levará ao esgotamento. Mas fazer uma pessoa sorrir PODE mudar o mundo. Talvez não todo o mundo, mas o mundo dela. Então estreite o seu foco.

28) Pare de se preocupar demais. – A preocupação não removerá os obstáculos do amanhã, mas removerá as delícias do dia de hoje. Um modo de verificar se algo vale o esforço de super ponderar a respeito é se fazer a seguinte pergunta: “Isso importará daqui a um ano? Três anos? Cinco anos?”. Se não, então não é nada que valha o esforço de preocupar-se.

29) Pare de focar naquilo que você não quer que aconteça. – Foque naquilo que você quer que aconteça. Pensamento positivo está na dianteira de toda grande história de sucesso. Se você acordar toda manhã com o pensamento de que algo maravilhoso acontecerá na sua vida hoje, e você prestar muita atenção, você com frequência descobrirá que tem razão.

30) Pare de ser ingrato. – Não importa o quão bom ou o quão ruins as coisas estejam, acorde todo dia grato pela sua vida. Alguém em algum lugar está desesperadamente lutando pela própria vida. Ao invés de pensar naquilo que falta, tente pensar em tudo aquilo que você já tem e que quase todo mundo sente falta.


sexta-feira, 28 de março de 2014

Uma Imagem 140 Caracteres


Toque mais uma, James, repetia incansavelmente o bêbado olhando para o cartaz anunciando um concerto de piano.


Participando da Blogagem Coletiva do blog Meus Devaneios Escritos.
Uma imagem descrita com até 140 caracteres. Cada um enxerga a imagem de uma forma. Muito bom!


quinta-feira, 27 de março de 2014

Se Deixar Ela Volta


Participando da Blogagem Coletiva da M@myrene. Um pequeno desabafo. Vamos?


      Às vezes acordamos com total falta de esperanças, sem ânimo para se levantar da cama, sem vontade de conversar, sem vontade de pensar... Só a música, a única capaz de nos fazer sentir que ainda há vida, pelo tempo que não sabemos.

      Um turbilhão de pensamentos nos invade e tudo perde o sentido. Lutamos e não chegamos a lugar nenhum. É assim que enxergamos, indo a lugar nenhum. E ficamos estáticos, cultivando pensamentos depressivos, uma lágrima pronta pra saltar de dentro de nós e, quem sabe, nos aliviar de um conflito interno, uma dor que não sabemos de onde vem, um desânimo...

      Fechamos os olhos e nos entregamos ao som suave, sem entender a letra, mas já nos invade de tal forma que viajamos pelo tempo e nos lembramos do que tanto queríamos nos esquecer. Mais uma vez o passado nos bate à porta e espera um convite para entrar, puxar uma cadeira e aceitar um café e um dedo de prosa. Quem sabe um pedaço de bolo de fubá e alguns sequilos de coco também.

      O passado já teve seu presente, então que fique no passado sem nos torturar vez ou outra. Simples.

      Com uma lábia poderosa e já conhecedora do nosso íntimo, aquele que só Deus conhece e cuida, vai chegando bem perto, com toda sensualidade irresistível e se aloja de novo, dentro de nós.

      Depressão. Esta sim sabe muito bem o caminho de volta. Era um lugar tão quentinho, aconchegante, com tanto carinho cultivada e idolatrada. Voltar é muito fácil, mas nem sempre esse convite deve ser feito. Só devemos convidar quem nos enche o coração de alegrias, de tranquilidade, de aconchego... Mas não aquele aconchego que reprime nossas vontades, mas o aconchego que nos enche de esperança de que tudo é bom quando focamos no que é bom para nós.

      Somos seres solitários em nosso mais íntimo viver. Tudo depende de nós. Um instante de vacilo e tudo vai por água abaixo. Não pode!

      Mais uma vez arregaçar as mangas e seguir em frente, distraindo a mente com alegrias vividas. Ou fúteis só para gargalharmos até doer a barriga. Uma boa gargalhada e um abraço são um dos melhores remédios para muitas curas.

      E quando somos carregados no colo então? Uma sensação de cuidado, de carinho, de atenção, de amor... Deus sempre faz isso. Nós é que não percebemos a simplicidade que a vida é e sempre exageramos nas tristezas mesmo com tantas vitórias todos os dias.

      Mas temos todo o direito de ficarmos tristes por um tempo... Mas só por um tempo, sem se alongar nas delongas e nas lamúrias enjoativas que usamos para chamar a atenção. Um, dois dias no máximo! Depois voltar à rotina com algumas melhoras e muito aprendizado como sempre tem que ser.

      E bom humor, sempre! Amor com bom humor!

      Um ótimo fim de semana para todos!

  

terça-feira, 25 de março de 2014

O Mistério da Casa na Ponte


Participando da 39ª Blogagem Coletiva do blog Café entre Amigos. Uma foto, muitas histórias. Garantia de boa leitura. Vamos participar?

      Rubens Matsouri não viu que a ponte terminava em uma casa. Ou a casa estava no lugar errado? Havia uma estrada após a casa? Indagava para sua mulher Stefânia. Estavam em lua de mel procurando um lugar para passarem a noite. A lua brilhava imponente, clareando as dunas de areia e as aves empoleiradas na única árvore existente no quintal daquela mansão. As luzes estavam acesas mas não havia nenhum sinal de alma viva. Poderiam ter seguido viagem na estrada principal, mas avistaram as luzes dessa casa e resolveram dobrar a esquina e verificar, pelo brilho das luzes, se seria alguma pousada.

      Ao passar a ponte e estacionar o carro sentiram um arrepio medonho. Como se alguma alma transpassasse seus corpos. O coração disparou e uma ventania esvoaçou seus cabelos. Stefânia não quis ficar sozinha no carro. Grudou no braço do marido e foram bater à porta. Ouviram um uivo vindo de dentro da casa. Se afastaram, mas a curiosidade era maior que o medo, então permaneceram imóveis com os olhos esbugalhados ao verem um cachorro da raça são bernardo abrir a porta. E ficou encarando os dois, como se esperasse dizer alguma coisa ou então entrar de vez.

      - Berti, quem é? - alguém se aproximava perguntando ao cachorro quem estava batendo na porta.

      Mustafá, um homem simples, baixo, magro, careca e que usava terno e pantufas.

      - Olá! O que desejam? - perguntou ao casal.

      Rubens e Stefânia, ainda boquiabertos, demoraram alguns segundos para responder ao senhor bizarro. Perguntaram se sabia de alguma pousada por ali. Mustafá disse que não, que não havia outra casa pelos arredores, mas se precisassem poderiam aceitar o convite e passarem a noite em sua casa. Rubens olhou para a mulher e entendeu que poderiam ficar aquela noite na casa misteriosa.

      Ao entrarem se espantaram ainda mais. O salão principal todo iluminado com refletores gigantes, uma mesa imensa ornada com hortênsias de todas as cores em seus vasos transparentes e gigantes, e em cada cadeira, uma mulher morena. No total oito mulheres morenas, todas iguais, como se fossem gêmeas. Precisavam da luz dos refletores para não perderem a cor da pele, explicou Mustafá.

      Rubens, mesmo com receio de perguntar o que significava aquela cena, cumprimentou-as, acenando com a cabeça. Elas não se moviam, nem piscavam. Inertes elas ficavam. Mustafá riu e explicou para o jovem casal que não se tratava de gente e sim de bonecos de cera. A imagem era a da sua bela Catarina que morrera fazia pouco tempo. Dez anos, mas parecia ontem, dizia, abaixando a cabeça e quase soltando uma lágrima. Se sentia tão solitário que resolveu aproveitar seu dom de esculpir e fez várias Catarinas para lhe fazer companhia.

      Chamou o casal e subiu a escadaria que levava aos quartos. Abriu porta por porta e em cada quarto uma Catarina dormia, exatamente como as do salão principal. E também os refletores para conservar a cor da pele. Oito quartos no total. Perguntou para Rubens se não se importariam de dormir na biblioteca, onde havia uns colchões e roupas de cama e banho. Não queria incomodar as Catarinas que repousavam tranquilas em seus quartos. Rubens concordou prontamente.

      Mustafá levou-os à biblioteca e qual não foi a surpresa quando viu que as paredes todas eram forradas com fotos de Catarina, exatamente como as bonecas de cera. A mesma posição, o mesmo olhar, tudo exatamente igual. Rubens olhou para a mulher e riu, olhando a sua volta um pouco assustado.

      - Esse cara é louco! Ou muito apaixonado...

      Stefânia não respondeu, mas disse que se programassem uma lua de mel bizarra não teriam conseguido. Achava tudo medonho, mas ficara encantada por aquela casa que, para começar, ficava logo após a ponte atrapalhando a passagem para a continuação da estrada. Depois, várias Catarinas espalhadas pela casa. Só faltava achar alguma passagem secreta e descobrir algum sarcófago da amada. Rubens olhou para a mulher e caiu na risada.

      É claro que não conseguiram pregar os olhos durante a noite com tantas Catarinas encarando-os. Mas já teriam uma história fabulosa para contar para os sobrinhos, filhos, netos, bisnetos e quem sabe um escrito em capa dura, com letras góticas desenhadas com pena e nanquim, guardado a sete chaves, numa passagem secreta jamais descoberta enquanto estivessem vivos. Talvez enterrassem o livro capa dura na parede e deixariam escondido no sótão o mapa para achar o tesouro. Quando tudo isso acontecesse já estariam mortos, talvez junto de Catarina...

      Fim.

   

segunda-feira, 24 de março de 2014

Inútil


      Antes de voltar para casa, Agnaldo parou na orla da praia e se sentou para apreciar a calmaria do mar. A partir de então essa seria sua vida, uma calmaria. Até semana passada era ativo, mas agora mudara na classificação das estatísticas, de empregado para aposentado. Bem, aposentado já era fazia dois anos, mas aposentado desempregado era a sensação de alívio mais medonha que havia sentido em sua vida.

      E agora?

      Ir para casa e esperar por alguma coisa. Será que se procurasse um novo trabalho conseguiria? Tinha boa saúde, sanidade perfeita, disposição e capacidade. Disso não tinha a menor dúvida, de ser capaz de cumprir oito horas de trabalho e dar conta do recado, como sempre deu. Era inteligente e sabia o defeito das grandes máquinas só de ouvi-las em funcionamento.

      Mas existem os engenheiros... Esses que recém-formados invadiram o mercado de trabalho e mudaram toda a rotina da maioria das empresas. Eles tinham o diploma e a teoria, mas Agnaldo tinha o conhecimento de mais de quarenta anos. Como é que podem dispensar um profissional tão qualificado e que nunca dera motivo para reclamação? E não era só com as máquinas grandes não. O que precisassem era só chamar o Agnaldo para dar um jeito. Mesmo que tivesse que estender seu horário de almoço ou de seu expediente, fazia com prazer. As máquinas eram sua rotina, sua vida, sua mente trabalhando a todo vapor para que nada desse errado durante seu funcionamento. Era respeitado e querido por todos.

      Mas chegou a hora de não ter mais preocupações, de não ter que seguir horários rígidos e nem de queimar neurônios com preocupações que não fariam mais parte de sua rotina. Um vazio imenso invadiu seu peito, acelerando seu coração. Estava aliviado de ter cumprido seu dever, de ter sido reconhecido como um operário padrão, de ter feito muitos amigos e ter batizado vários filhos de funcionários. Só não acompanhava mais a turma para uma caipirinha ou cerveja. Sua mulher não gostava e com o tempo achou melhor não brigar com a patroa por pequenas coisas. Beberia em casa, sozinho.

      Andando nas areias avistou um rapaz que carregava uma criança nos ombros. Em pleno dia útil tem gente que não faz nada, não produz, pensava Agnaldo. Mas o que teria ele a ver com a vida do cidadão e seu pequeno filho? Talvez estivesse de férias, ou então desempregado, como ele, pensava. Uma lágrima rolou pelo rosto e caiu em seu peito, marcando a camisa. Uma bolinha molhada para carimbar que ainda tinha sentimentos e nesse momento não sabia o que fazer. E agora, perguntava em voz alta?

      Como chegaria em casa e avisaria a mulher, companheira de uma vida, que teriam que reduzir os gastos, pois somente a aposentadoria seria seu meio de sobrevivência. No acerto de contas recebeu uma bonificação que certamente iria para a poupança, mas sabia que não duraria por muito tempo.

      Olhou a sua volta e viu dois senhores sentados num outro banco, conversando. Mais velhos que ele, vestiam shorts e camiseta cavada. Tênis e um boné para esconder a calvície, adivinhava ele, que também era calvo. Sol forte na careca arde! E riu dos senhores e de si mesmo. Quem sabe semana que vem não se juntaria a eles para uma caminhada no calçadão? Agora poderia escolher o que fazer para matar o tempo. O ócio assustava-o profundamente.

      Amanhã não precisaria mais acordar antes do despertador para desligá-lo e não acordar a mulher, não precisaria coar o café e se trocar em silêncio, e nem esperar pela condução lotada. Que alívio, suspirou... Andaria de ônibus só quando não fosse horário de pico. Não precisaria limpar as mãos sujas de graxa com querosene e nem levar o jaleco encardido para sua mulher ferver e tentar tirar o máximo da sujeira enraizada por anos e anos de trabalho. Olhou suas mãos e gostou de saber que ficariam mais lisas e suas unhas voltariam a ficar limpas. Os calos permaneceriam, pois sabia que não seria possível removê-los. Seriam o troféu, uma doce lembrança de uma fase que terminara. Tão rápido! Ainda ontem se lembrava do dia em que começara na empresa. Moleque ainda e fazia os pequenos serviços. E desde aquela época já era um curioso, um autodidata das engrenagens das máquinas. Olhava, olhava, fuçava, perguntava, até que um dia conseguiu consertar uma máquina que já tinham dado por inutilizada. Foi promovido e seu salário aumentado. Dali em diante tudo melhorou e Agnaldo se descobriu um apaixonado pelas máquinas.

      Quem será que o substituirá? Será que tinham alguém escondido só esperando que ele pegasse suas coisas e saísse? Seria um jovem como ele fora quando começara a trabalhar lá?

      Um casal de idosos caminhava tranquilamente na beira da praia molhando os pés. Ela, bem encurvada devido a algum problema na coluna, segurava a mão do marido, que carinhosamente a apoiava. Agnaldo se imaginou naquela situação, com sua velha companheira de uma vida inteira. Antes se ouvisse a expressão "daqui a dez anos" achava tão longe, mas hoje olhando para trás e vendo que dez anos passou tão rápido e que os próximos dez anos passariam mais rápido ainda. Como tudo passa rápido quando se está trabalhando no que se gosta! E como o tempo para quando estamos em total ócio! Pensava, olhando o casal de idosos sumirem no meio da pequena multidão que estava logo à frente.

      Estava decidido, pegaria sua velha e passearia com ela, em todos os lugares que tivessem vontade. Usaria o dinheiro da bonificação para passeios e futilidades. Comeriam em restaurante e viajariam em excursões. Conheceriam Ouro Preto e Caldas Novas e depois Gramado e Canela, no inverno. Queria ver a neve antes de morrer. São Joaquim era a cidade do sul que costumava nevar. Mas antes trocaria o sofá e a geladeira. Compraria uma churrasqueira e faria um almoço especial para comemorar uma etapa que terminava. Com sucesso, com louvor, com orgulho de ter aprendido tudo sozinho e com competência para ter trabalhado numa única empresa desde quando era moleque. Apenas um registro na carteira de trabalho, várias promoções, vários aumentos de salário... Compraria presentes para os netos e brincaria com eles. Agora sim, tinham um vovô em tempo integral, um marido mais companheiro que nunca e um pai que ainda dava conselhos e puxava as orelhas caso soubesse de algo errado. Pronto, acabou!

      Chegando em casa, abriu a porta e Imaculada, sua companheira amada, lhe esperava com o costumeiro sorriso. Não suportou e abraçou-a... E chorou... Soluçou... Longamente, demoradamente...

      A partir daquele dia seria um dia a menos de vida e uma certeza a mais de que a qualquer momento não mais estaria abraçando sua velha, sua amada... A qualquer momento largaria tudo e iria viver em um outro plano, não conhecido, e seria somente uma foto antiga na parede da sala que lembraria que naquela casa morou um homem batalhador, inteligente, honesto, que aprendeu a desvendar os segredos das engrenagens das máquinas, mas que o tempo não perdoou e colocou fim a sua existência.

      Fim.

      E olha só a surpresa que temos, uma intromissão maravilhosa para seu Agnaldo, que vem lá da Chica, com toda a sabedoria que ela tem, pra acudir um senhor, assim como tantos outros, que num momento se sentiu perdido, jogado de lado, depois de anos e anos servindo da melhor forma possível.
      Aí está, sr. Agnaldo, leia, se emocione e viva! Ainda existe muito o que fazer por aqui!

      Chica, obrigada, querida! Se intrometa sempre que quiser!


sábado, 22 de março de 2014

Uma Imagem 140 Caracteres


Daleatudoo cuerpo prpoer allll  lalegrialdlll llcll lç~kjfjllaçlajdjjklkç~çdj jdk sabuena 

Eeeeee, Macarena! ♪♫♫♫♪

Participando da Blogagem Coletiva do blog Meus Devaneios Escritos, cantando um embromation Macarena. Vamos participar?

sexta-feira, 21 de março de 2014

Poema em Linha Reta



Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
%%%%%%%%%%%%%
Lendo este poema fiquei pensando... Quantas vezes achamos a vida do outro tão melhor que a nossa? Pessoas com mais sucesso, menos sofrimento, mais fartura, menos doenças, enfim, somos todos iguais, sem saber que somos.
Clara Lúcia

quarta-feira, 19 de março de 2014

Uma Doce Leoa

 
      Ela pegou a tesoura, ajuntou um tufo de cabelos entre os dedos e cortou. Sem dó e sem se olhar no espelho. Seus cabelos longos e brilhantes não fariam mais parte da imagem de seu espelho. Não queria mais se olhar daquele jeito, não naquele momento de raiva, da vingança aflorada em sua pele, daquela cara lavada e sem expressão nenhuma. Também mudaria a cor. Preto. Ou então loiro, bem amarelo.

      O cabelo ficou todo despontado, mesmo que a intenção fosse desfiado. Como desfiar a parte de trás da cabeça? Que importância teria se os fios ficassem todos desorganizados se era justamente assim que Valerie se sentia? Tem gente que chega, devolve a vida e sem mais nem menos desestrutura, e some... "Mas se está pensando que vou ficar um doce de pessoa, está muito enganado, meu caro!" Falava para si, quase que sem abrir a boca, apertando os lábios enquanto provocava o voo de mais alguns fios ruivos.

      Pronto, outra mulher. Não mudaria a cor dos cabelos, mas ninguém a reconheceria , nem por fora e muito menos por dentro. Nunca mais seria aquele anjo de candura sempre pronta a ofertar o que lhe pedissem. Cabelo arrumadinho, perfume doce, salto médio, blusa abotoada, não mais! A leoa sairia de dentro de Valerie e ganharia o mundo. Pelo menos essa seria a intenção.

      A vingança de uma mulher iludida e abandonada não tem limite. E que bom que tudo acabou. Já estava cansada de ser o que era e queria mais era desfilar toda poderosa na frente daquele desinfeliz do Zuza. Daria a unha do mindinho para vê-lo de boca aberta vendo-a andar no meio da multidão onde todos virariam o rosto para admirá-la. Queria ter um olho na nuca para vê-lo se arrepender por tê-la deixado sem nenhuma explicação, depois ir correndo lhe implorar perdão e só encontrar o seu desprezo.

      Umas compras estranhas no shopping, roupas escuras e esquisitas que não tinham nada a ver com sua personalidade, sapatos pesados, coturnos e até uma boina militar ela foi capaz de comprar, mesmo sabendo que jamais usaria um treco daquele. Tudo questão de costume, pensava, não queria mesmo ser comum na multidão. Se era para causar, causaria susto em quem a visse. Nada de óbvio, comum ou correto. Queria ser a torta, a ousada, a sensual, a ovelha negra, a do contra.

      Suas lindas unhas de porcelana, perfeitamente pintadas com esmalte transparente, foram cortadas "no toco", como dizia sua avó, e pintadas de preto. Sem aquelas frescuras de florzinhas meigas e fofas.

      E toda montada foi desfilar nas ruas movimentadas de sua cidade, num dos lugares preferido do cascudo Zuza, ponto de encontro dos amigos e, claro, da mulherada dando sopa para quem quisesse. O ódio aumentava só em pensar nessas mulheres alisando seu Zuza. Não iria sozinha, Cíntia, a amiga cobaia, teria que participar do ato mutatório na vida de Valerie... Irreconhecível, era a palavra que a definia.

      Mal conseguia olhar para frente de tanto que a encaravam. Simplesmente se sentia como um ET fora de seu planeta. Agarrou o braço de Cíntia e começou a andar mais rápido, fugindo daquela situação constrangedora.

      "Cíntia, estou tão estranha assim?" Perguntou. "Sim, está parecendo uma lunática fora do eixo da Terra." Respondeu a amiga, sorrindo.

     "Val... Vaaaaal...", parou, levantou a cabeça e assustada olhou para trás. "Zuza..." ficou toda sem graça ao ver aqueles olhos azuis que mais pareciam um oceano misterioso, aquele sorriso que derrubava qualquer TPM de tão poderoso e aquela camisa com botões abertos exibindo um tórax ossudo e peludo se aproximar. Ficou aliviada por não estar usando salto agulha naquela calçada de pedras encaixadas uma a uma, com fendas entre elas, daquelas que descascam qualquer sapato que se encaixasse ali. Se lembrou de tantas e tantas vezes que Zuza carregava-a no colo só para não estragá-los, deixando-o praticamente sem fôlego andando somente meia quadra. Ela ria e beijava-o ternamente declarando todo seu amor. Ele respondia que teria troco e dos graúdos.

     Zuza, pela milésima vez, disse que sentiu e sentiria seu cheiro de longe, no ar, na outra rua, na outra cidade, no outro planeta, esse que ela acabara de sair toda modificada. "Te cataram para experiência, amor?" Perguntou, pegando em suas mãos, beijando-as e logo em seguida puxando-a para um abraço apertado. Encontraria Val mesmo ela estando disfarçada de mulher invisível ou de bruxa da Branca de Neve.

      Riram abraçados e Cíntia logo foi saindo de fininho. Não queria posar de vela para o retorno do casal maravilha.

      Zuza se afastou de Valerie, pegou suas mãos e fez com que rodopiasse para ver melhor a transformação da amada. "Mas ficou muito linda!" Exclamou, voltando a abraçá-la. "Mas é só a casca do ovo. Por dentro - colocando a mão em seu coração - continua a mesma doce leoa de sempre". E beijou a boca, as bochechas, a ponta do nariz, os olhos e mordeu de leve seu queixo. "Saudades da minha bravinha teimosa..." Pegou sua amada e se foi para um lugar mais discreto observar detalhadamente a nova mulher que tinha.

      E Valerie? Claro, se derreteu com o amor de sua vida. Fazer o quê se mulher tem essa fraqueza de cair na conversa um milhão de vezes? E ser amada um trilhão de vezes pelo mesmo homem? Mas se engana se alguém pensou que ela esqueceria de tudo. Claro que não! Tudo armazenado em ordem alfabética e por data, para, na primeira oportunidade, lembrar o canalha do Zuza, com quantas gotas de perfume se faz uma mulher irresistível.

      Fim.

   

segunda-feira, 17 de março de 2014

Agora Vai


      Andando distraída pela praça central da pequena cidade onde morava, Manuela não ouviu que alguém gritava seu nome. Depois de várias insistências ouviu o grito e num impulso se virou para ver de onde vinha aquela voz estranha. Apertou os olhos tentando enxergar o vulto. Sem sucesso pois sua miopia não permitia tanta insistência. Continuou sem rumo certo.

      Os ventos de outono não permitiam que seus cabelos se aquietassem fazendo com que grudassem em sua boca besuntada de gloss transparente. Segurou-os num rabo improvisado com as mãos. Sentiu alguém tocar seu ombro. chamando-a pelo nome. Assustada dá um passo à frente e se surpreende. Marcelo...

      Há quanto tempo não tinha notícias do amigo de colégio! E como estava diferente, mais encorpado, cabelos ajeitados, sorriso lindo... Muito diferente daquele pirralho que vivia lhe mandando cartinhas, jurando amor eterno e uma vida de princesa. As poucas palavras eram encantadoras e não tinha como não se envaidecer. Um menino que sabia fazer poesias com palavras simples e rimas óbvias. Nunca dera esperança para ele. Manuela sempre foi a mais alta da turma, magra como um fiapo de manga, cabelos lisos que presilha nenhuma segurava-os. E Marcelo era quase a metade de sua altura. Tinha que olhar para os céus para alcançar seus olhos cor de mel. E sorria, mesmo tímido, quando lhe oferecia uma flor roubada do canteiro do pátio do colégio.

      Vendo o homem em que se transformou Manuela gelou. Ficou um bom tempo olhando seus olhos castanhos com cílios compridos que lhe davam a impressão de ter olhos de uma criança meiga crescida tardiamente. Ficou praticamente de queixo caído esperando que ele começasse uma conversa. E começou. "Oi, minha linda, se lembra de mim?" Perguntou, com aquele mesmo encanto de anos atrás. Gaguejando Manuela respondeu que sim, que quase não o reconhecera, mas que se lembrava dele. E completou dizendo que continuava o mesmo menino gentil de antes.

      Marcelo se aproximou e lhe deu um beijo na bochecha. O cheiro do perfume cítrico tomou conta do ar que Manuela respirava e que, disfarçadamente, inalou num suspiro longo, quase que fechando os olhos e esperando um possível beijo daquele homem lindo e adorável. Se recompôs logo em seguida e viu um sorriso largo naquele rosto de pele lisa. "Gente, eu beijei ele! Foi meu primeiro selinho!", pensou e sorriu. Não se atreveu a lembrá-lo desse dia e nem confessaria que ficou apaixonada por aquele beijo roubado. Ficou com vergonha de estar na sua frente depois de tantos nãos ditos naqueles bons tempos de inocência. Disfarçadamente olhou em suas mãos e não viu nenhuma aliança comprometedora. Que bom, pensou. Continuou olhando em seus olhos e vez ou outra escorregava para a boca, o queixo quadrado, o pescoço e o peito. Que falta fazia os óculos de sol, pensou, se sentindo envergonhada por ter pensamentos tão masculinos. Corou.

      Marcelo olhava-a fundo nos olhos, quase que lendo sua mente, e caminhava por todo seu rosto como se decorasse cada pontinho, cada marquinha, cada pintinha, deixando-a mais desconcertada do que o normal. Nunca fora tímida e agora se via nessa situação de puro acanhamento. Mal conseguia responder às perguntas do rapaz que, até pouco tempo, não passava de um pirralho.

      Numa breve divagação se lembrou daquele dia em que ficara sozinha com ele na sala de aula e que num gesto rápido Marcelo lhe roubou um beijo, saindo logo em seguida, com medo de levar uma bronca ou de ouvir um grito agudo. Mas mesmo querendo não fazer barulho saiu derrubando cadeiras, tropeçando e caindo. Uma servente que passava pelo corredor entrou na sala e perguntou se tinha se machucado. Mais que depressa Marcelo se levantou e saiu correndo dali, fugindo de um provável castigo pela ousadia do roubo.

      Quando Manuela voltou a si, Marcelo lhe perguntou se estava tudo bem, pois ficou com o olhar vidrado no rosto dele quase que sem respirar. Sentiu sua mão acariciando seu rosto e gelou mais uma vez. Estava fascinada com Marcelo e isso deixava-a constrangida. Combinaram de se encontrar outras vezes mas se esqueceram de marcar o dia, o local e de pegar telefone um do outro.

      Como encontraria Marcelo novamente? Já estava sofrendo por perdê-lo antes mesmo de saber se aquele amor jurado na infância seria mesmo verdadeiro. Hesitou, olhou para trás vendo Marcelo se afastar,  mas preferiu esperar pelo destino quem sabe uni-los mais uma vez e talvez um romance deslanchar. Deu dois passos e parou. Olhou de novo para Marcelo e viu que ele também havia parado e estava voltando ao seu encontro. Gelou. Pediu seu telefone, deu-lhe mais um beijo na bochecha e se foi. Este gesto foi mais que suficiente para desestruturar Manuela que ficou paralisada por um tempo, sem saber que rumo tomaria. Resolveu voltar para casa e ficar quieta se lembrando de uma infância que cresceu e se tornou bela e apaixonante. Será que Marcelo demoraria para ligar? Não demorou meia hora e o telefone tocou... Marcelo...

      Fim.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Uma Imagem 140 Caracteres


Esperar sentada, pois o atrasado já está enraizado naquele infeliz que diz que me ama, mas me deixa em exposição pros olhos de muitos.

Participando da Blogagem Coletiva, agora no Blog Meus Devaneios Escritos. Vamos participar?


E agora?


E agora, José? Como dizia Drummond, a festa acabou e a inspiração também. Fazer o quê?

Oras, basta olhar para os lados e se inspirar! Não é bem assim. Às vezes olhamos para os lados e enxergamos só o que está em nossa mente.

Então, dona Clara, veja fotos e faça contos com elas. Então, olhei várias imagens e não consegui enxergar nada de interessante que pudesse se tornar um conto. Escrever por escrever não gosto! O leitor merece ler um bom texto, com emoção. Se não tem emoção, não tem texto bom.

É isso, um branco total na massa cinzenta. Mas não se desesperem e nem cometam nenhuma loucura que eu volto!

Nessas horas é que vejo a importância e a necessidade de blogagens coletivas. Cadê as meninas das blogagens coletivas? Socorro, Patrícia, Irene!!!

Ah, sim, ainda hoje eu volto com a blogagem coletiva Uma Imagem 140 Caracteres. Adoro!

Um maravilhoso fim de semana pra todos!


sábado, 8 de março de 2014

Mulher


Antes de esperar o respeito das pessoas, se respeite primeiro...

Antes de entregar seu coração para outra pessoa cuidar, cuide dele primeiro...

Antes de fazer passeatas e reboliços por sua liberdade, liberte-se primeiro...

Antes de achar que a vida é injusta, faça justiça no seu lar, no meio onde vive, com os seus...

Antes de esperar que alguém lhe dê o valor merecido, se valorize primeiro...

Antes de esperar que alguém lhe dê felicidade, encontre-a dentro de você primeiro...

E lembre-se: as pessoas nos tratam como nós permitimos ser tratadas.



Feliz Dia da Mulher!!!


sexta-feira, 7 de março de 2014

Feia


Um texto que copiei do querido amigo que mora no Japão e que tem o blog Lost in Japan. Um encanto de pessoa, apaixonante, educado e lindo! Cliquem e conheçam um pedaço do Japão pelos olhos desse menino.

Para quem quiser comprar, tem esse link AQUI,

"Feia", de Constance Briscoe.
Biográfico. Triste, pesado, daqueles que arrepia e vc precisa ir tomar água para dar um respiro mental.. Quando seu maior inimigo é.... sua mãe.

Na autobiografia "Feia: A História Real de uma Infância sem Amor" (Bertrand Brasil, 2009), que chegou ao primeiro lugar nas principais listas britânicas de mais vendidos, a autora deixa o leitor atordoado com as descrições das surras e da total falta de amor de sua mãe. "Ela me dava tapas no rosto quando eu fazia bagunça e me beliscava no peito quando eu estava perto o bastante dela", diz um trecho do livro, que antecede um desabafo: "Eu nunca soube por que a minha mãe queria filhos. Nem uma só vez eu pensei que ela gostasse de mim ou dos meus irmãos e irmãs."

Essa violência física e emocional dentro de casa fez com que Constance desenvolvesse caroços nos seios --uma situação médica rara para uma criança-- e perdesse os cabelos. Aos 13 anos, foi abandonada em casa, sem gás, luz e comida, e chegou a trabalhar em três lugares diferentes para conseguir se manter viva (a mãe também cobrava "aluguel" pela permanência da filha no local).

Além de viver em meio a socos e gritos de "imbecil de merda" e "vagabunda safada", ela também cresceu ouvindo insultos em relação a sua aparência:

"- Jesus amado, eu que pus isso no mundo? - Ela olhava para a fotografia e para mim. - Deus meu, meu bom Deus, como é que ela pode ser tão feia? Feia. Feia. Se eu não tivesse posto ela no mundo, jurava que ela era de mentira. Jesus, amor e gratidão, por que me deste este leitão? Olha esse nariz. Onde que você arranjou esse nariz? De mim que não foi - disse a minha mãe, respondendo à sua própria pergunta. - Se eu tivesse um nariz assim, cortava metade fora e guardava o resto."

Mas, apesar de ser angustiante e perturbador, o relato comovente de Constance Briscoe serve para ressaltar, também, sua capacidade de superação. Mesmo com todas as dificuldades, que pareciam insuperáveis, ela seguiu seu sonho, sozinha, e passou na universidade. Atualmente, Constance trabalha como advogada e, em 1996, tornou-se juíza.


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
É claro que esse tipo de leitura choca um pouco. Não dá pra imaginar uma pessoa tão cruel assim, mesmo sabendo que existem muitas pessoas crueis. O que vale é o poder de superação que também não se explica. Alguns têm e outros não, assim como a bondade, uns têm mais e outros têm menos. 
Quantas histórias medonhas ouvimos praticamente todos os dias? Sensacionalismos, cárcere privado por anos e anos, maus-tratos, assassinatos, enfim, esse livro retrata o que o ser humano é capaz de fazer com quem deveria simplesmente amar.
Não o li ainda, mas já estou morrendo de dor no coração só de pensar em lê-lo.
Se a indicação é de Mauj Alexandre, pode confiar que é boa.

Um ótimo fim de semana pra todos!


quarta-feira, 5 de março de 2014

Meu Homem - Conto Sensual


      - Alô...

      - Dona Fabiana, aqui é da recepção. A senhora pediu que lhe acordássemos às 6:30h. Bom dia!

      - Ah, sim, bom dia... Obrigada!

      Fabiana, espalhada na enorme cama, continuou abraçada ao travesseiro e com o edredom entre as pernas. Custou a abrir os olhos e a enxergar nitidamente, mesmo com a luz do abajur acesa. Fecha os olhos e antes de cair no sono novamente leva um susto: o celular começa a tocar uma música que ela, propositalmente, não gosta muito. Sertaneja, das antigas... Tem que se levantar para travar aquele barulho quase insuportável que lhe atordoa todas as vezes que precisa madrugar. Bem, nem era madrugada, mas para ela qualquer horário antes do meio dia era madrugada. Era da noite, das estrelas, de ver o sol nascer, e acordar cedo era seu maior martírio.

      Com os olhos semicerrados caminha até a cômoda belíssima em mogno, envernizada, e pega o celular. Trava a música e vê uma mensagem de seu marido. Uma foto. Nada além de uma foto no espelho, sem camisa, exibindo o peitoral só para lhe atiçar... E um sorriso malicioso com segundas intenções fingindo serem as primeiras... Saudade demais.

      George sabia provocar... Bastava tirar a camisa e ficar olhando Fabiana de longe que o sangue já fervia. Como um felino ele se aproximava calmamente e lhe pegava a nuca, segurando firme em seus cabelos, puxando-a e olhando sua boca já entreaberta, depois colocava seu rosto entre as mãos, firme, direcionando os lábios para o canto de sua boca, roçando a barba cerrada, de leve, e umas mordidinhas no queixo. Ficava de olhos abertos só para vê-la fechar os olhos e se entregar num longo beijo.

      O local nem importava... Em pé, ou sentados, ou deitados no chão, no sofá, na cama, não importava. Não dava tempo para escolherem um lugar confortável. Qualquer lugar se tornava confortável...

      Olhando a foto pelo celular Fabiana se sentou na beirada da cama, suspirou mordendo o lábio inferior, fechou os olhos e suspirou. Tocou sua nuca imaginando ser George a lhe tocar, percorreu seu corpo com a outra mão e se deitou novamente. George a dominava mesmo estando longe... Entre suspiros e mãos deslizantes, o celular novamente toca a música imprópria para aquele momento. Fabiana suspira mais forte, abre os olhos e se levanta irritada.

      - Sete horas já? Seu bandido, se eu perder o voo a culpa é sua, seu safado...

      Fabiana tenta ser rápida no banho, mas a imagem de George no seu celular lhe invade a mente e seu corpo gruda no dele, escorrega as mãos com a espuma do sabonete e lhe tira o fôlego deixando a água escorrer pelo seu rosto. Não consegue pensar em mais nada que não seja George lhe devorando a boca e quase fazendo com que desfaleça em seus braços. As pernas ficam bambas, a respiração ofegante e o coração não se contenta em ficar quieto. Faz o que bem entende dentro de seu peito desrespeitando a sincronia com sua respiração. Ainda tem a lucidez de não se demorar e correr o risco de ter que esperar mais algumas horas para tê-lo.

      Terminado o banho, Fabiana se lambuza com um creme de canela deixando a pele macia, perfumada... E com a ponta do dedo médio molha no perfume amadeirado que pegou escondido dele, o que mais gostava, para não morrer de saudades enquanto estivesse fora. Uma gota atrás das orelhas, nos pulsos e na nuca. Uma ajeitada nos cabelos molhados, um batom nude e uma roupa confortável. Calça jeans, camiseta azul marinho e sapatilhas baixas. As malas já estavam prontas desde a noite passada pois sabia que seria difícil fazê-las quando acordasse. Foi até o restaurante do hotel, tomou um rápido café e voltou ao quarto. Verificou se não estava esquecendo de nada e pediu para que buscassem suas malas.

      Já dentro do avião, antes de desligar o celular, uma última olhada em George... "Meu George", com aquele peito nu que tanto lhe provocava. Sedutor, carinhoso, cheiroso e tímido. O sorriso malicioso devia ser por isso mesmo. Uma surpresa inusitada sempre que precisava ficar fora por conta do trabalho. Só não era tímido na hora do amor, a qualquer hora que desse vontade... Se soltava como um bicho sedento por fêmea, sem pudores, sem vergonha, se entregava de corpo e alma e depois puxava-a para deitar em seu peito, enquanto acariciava seus cabelos...

      Mais algumas horas e a saudade seria morta! Mais um pouco e sentiria de novo o cheiro de George, não aquele amadeirado, mas o cheiro da pele, o gosto da boca e o abraço envolvente e protetor... E também as roupas todas espalhadas em cima da cama, toalhas no chão e sapatos na sala, mas quem se importaria com a bagunça quando se tem um George para lhe tirar do prumo?

      Fim.