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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Minha Mulher - Conto Sensual

      Um dos grandes prazeres de Maurício era ficar observando a mulher Kellen. Mesmo depois de anos de casados ela continua linda e sensual, com curvas mais generosas. Maurício não entende como ela pode se olhar no espelho e enxergar defeitos. Não tem! É perfeita!

      À noite ele sempre vai para o quarto primeiro, toma seu banho e se deita na cama, para ler. Na verdade ele não lê, fica disfarçando para admirar os movimentos de Kellen.

      O ato de tirar a roupa é mais que um streep tease particular. A delicadeza com que desabotoa a roupa e deixa-a escorregar pelo corpo é como uma cortina que cai anunciando o primeiro ato. A suavidade ao se abaixar para pegá-la no chão é só um prenúncio de um show delirante. A roupa íntima, como apoteose, é de enlouquecer... Ainda de costas para Maurício, Kellen olha para o lado como se quisesse ter certeza de que estava sendo observada, leva as duas mãos às costas e com habilidade feminina desabotoa o sutiã, abaixa as alças e tira-o de uma vez, mostrando o contorno lateral dos seios que continuam lindos. Com uma certa timidez abaixa a calcinha lentamente sem deixá-la enrolar, até um pouco abaixo dos joelhos para depois deixá-la escorregar até os pés e, apoiando-a em um deles, eleva-a até sua mão e resgata-a e colocando-a junto com as outras roupas.

     Como uma gueixa nua, caminha até o banheiro, abre a ducha e deixa escorrer a água. Ele imagina suas mãos macias percorrendo seu corpo, cobrindo-o com espumas de sabonete neutro. Cantarola uma música indecifrável. O banho é rápido e, ainda molhada, besunta o corpo com um óleo bifásico perfumado. A pele brilha, ele fecha os olhos e visualiza Kellen escorregando as mãos oleosas por todo o corpo... Ahhh, isso deixa-o ainda mais excitado. Poderia ir até o banheiro e agarrar Kellen de uma vez, mas prefere imaginar sua mulher se tocando e espera-a na cama.

      Enrolada na toalha, Kellen sai do banheiro e se prepara para vestir a camisola de seda azul, curtinha e fresca. Primeiro coloca a calcinha, que não é tão pequena como as que usava quando era mais jovem, Só depois é que deixa a toalha cair aos seus pés e veste a camisola, delicadamente. Maurício não consegue mais disfarçar, coloca o livro aberto sobre o peito, apoia a mão sob a cabeça e com um sorriso safado fica admirando Kellen.

      Finalmente ela solta os cabelos cacheados que deitam sobre seus ombros. Se olha no espelho, ajeita-os com as mãos, vira o rosto para um lado, para o outro, procurando algo novo velho que ainda não tinha visto, borrifa um perfume no pescoço e nos pulsos, cheira, se vira para o marido e sorri. É a visão do paraíso! Se aproxima da cama, apoia os joelhos e engatinha até se aninhar em seus braços querendo a costumeira proteção noturna, livrando-a de pesadelos e da escuridão medonha quando a luz é apagada.

      Maurício abraça-a com carinho, alisa seu braço e puxa uma perna dela sobre seu corpo. Beija-a carinhosamente, fecha os olhos e prefere ficar quieto, tranquilo, sentindo o corpo fresco e perfumado de Kellen, sua mulher amada e gostosa.

      Apaga as luzes e continua em estado de êxtase. Kellen lhe dá um beijo de boa noite e fecha os olhos. Maurício, como um macho que tem a fêmea em seus braços, deita sobre seu corpo, beija-a longamente, deslizando suas mãos pelo seu corpo macio, olha em seus olhos e diz que boa noite sim, mas que dormir ainda não. A noite está apenas começando para os dois.

      Mas essa é uma outra história...

      Fim.

      Texto publicado em 18 de novembro de 2013.

  

domingo, 28 de setembro de 2014

Boa semana


Últimos dias de setembro e por aqui já se encontra lojas com ornamentos de natal. Como passa rápido, é o que ouço todos os dias.

Então, que esse final de ano seja leve, e ouso dizer que seja comum, sem grandes mudanças. Grandes mudanças nem sempre são bem-vindas e geralmente até ignoramos e reclamamos demais. Então que haja mudanças em doses homeopáticas, bem de leve, pra que possamos assimilar e degustar, com calma.

Apesar de todas as injustiças que possamos enxergar o que é bom, belo e normal. E o que não for normal que possamos respeitar também. E, claro, que sejamos justos.

Que na hora da angústia, da dor, do desconforto, que olhemos com os olhos de uma criança, com toda a pureza e inocência, e, se possível, agradecer a Deus, mesmo assim.

O tempo passa rápido, então, que os bons momentos sejam infinitamente melhores que os ruins. E que saibamos reconhecer tudo isso. E agradecer, mais uma vez.

Uma semana com amor e compreensão pra todos!

E muita reflexão sobre qual atitude terão no domingo, dia cinco. Estão preparados?




quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Uma Doce Ex-Namorada


      Mesmo depois de anos e com uma vida amorosa totalmente estável, Matheus não se esqueceu de Marissol, sua ex-namorada, que lhe dava muitas alegrias. O amor acabou, mas as lembranças são permanentes em sua mente.

      Uma mulher feliz, falante, avoada e sem noção de tudo. Falava pelos cotovelos e não tinha a menor vergonha de perguntar indiscretamente o que não sabia. E essa era sua graça, de ser autêntica com uma certa ingenuidade.

      Nunca mais a viu. Mudou-se de cidade e perderam contato. Mas sempre que se lembrava de Marissol um sorriso carimbava-lhe o rosto permanecendo por alguns minutos e, olhando para o nada, ficava com cara de apaixonado pelos bons momentos em que passaram juntos.

      Certa vez Matheus chegou em sua casa - Marissol morava sozinha num quarto e sala alugados - e viu um bilhete dizendo para que entrasse sem bater. Estranhou, mas obedeceu.

      Assim que abriu a porta uma música começou a tocar, romântica e melosa, voz de mulher tendo um orgasmo ou uma síncope. Ele riu, entrou e fechou a porta. A luz estava apagada. Apenas um abajur aceso e com um tecido vermelho cobrindo-o, dando uma sensação de aconchego. Parou, sorriu, cruzou os braços e, antes de continuar a decifrar os avisos pregados propositalmente em lugares inusitados, ficou imaginando o que estaria por vir. Marissol gostava de surpresas que, para ela, eram surpresas, mas eram sempre as mesmas surpresas, os mesmos bilhetes, a mesma luz vermelha, a mesma música, enfim, uma surpresa rotineira. Ele gostava e se divertia.

      Continuando, vários outros bilhetes dizendo do amor que Marissol sentia por ele, com desenhos grotescos de coração e beijos com batom vermelho. Também alguns pingos oleosos nos papéis, que certamente era do óleo corporal que ele adorava. Matheus abriu um sorriso mais largo, mexeu com a cabeça de um lado para o outro e continuou.

      Na porta do quarto um bilhete grande com letras desenhadas com glitter e vários beijos de batom espalhados por todo o papel: "Vem, meu amor, estou te esperando...". Matheus não aguentou e já soltou a primeira risada.

      Abriu a porta devagar e viu a cama vazia. É claro, tinha que achar o amor se quisesse o amor. Sempre era assim e sempre seria. Apesar do quarto minúsculo, Marissol sempre dava um jeito de se esconder cada vez em um lugar diferente.

      Matheus entrou e começou a olhar debaixo da cama. Levantou-se e sentiu os braços delicados de Marissol entrelaçar sua cintura. Fechou os olhos por um momento, acariciando os braços lisos e macios e depois virou-se. Olhou-a de cima a baixo e não aguentou. Caiu na gargalhada!

      -Ah, amor, o que foi? Olha que eu te sento o cacetete, heim? - disse Marissol, com expressão de decepção por não ter sido convincente o quanto queria.

      Estava vestida de policial sexy, com um top que mal lhe cobria os seios, uma minúscula saia preta com imitação de couro, que mais parecia um cinto largo, uma boina e um cacetete enfiado sob a saia fazendo volume em seu baixo ventre. Estava maquiada exageradamente com batom vermelho-cereja, olhos destacados de preto e cabelos presos num rabo-de-cavalo. Linda!

      Matheus, de tanto gargalhar, caiu deitado na cama e se contorceu, com cólicas abdominais. Lágrimas escorriam pelo rosto e cada vez que olhava a carinha de Marissol com aquela roupa mais ele ria.

      Numa respirada pediu desculpas, mas não aguentou e voltou a gargalhar. Marissol, realmente decepcionada, sentou-se na beira da cama, emburrada, braços cruzados e de cabeça baixa. Matheus, vendo que a amada estava ao seu lado, puxou-a para si e encheu-a de beijos e abraços. Ela, por sua vez, não resistiu as suas investidas e rendeu-se ao namorado. Marissol não era sensual. Tinha um jeito de moleca, de bagunceira, de quem preferia ralar os joelhos no asfalto do que trocar roupas nas bonecas.

      Depois de um bom tempo e já recomposto, Matheus fez Marissol desfilar e se fingir de policial, como ela desejava desde o início. Ela obedecia com gosto, se insinuando para ele de todas as formas. Só depois que ele percebeu que a cama estava toda coberta com pétalas de rosas vermelhas e no criado-mudo estavam vários incensos queimando, fazendo aquela fumaça com cheiro forte. Mas que importância tinha a fumaça quando se tinha um fogo inteiro de nome Marissol?

      Essa era Marissol, alegre e sem medo de ser feliz. Esse era Matheus, um eterno enamorado de sua ex-namorada doce e linda.

      Lembranças que seguiriam com ele por toda a vida. Ele de um lado e ela de outro, perdida por aí, sabe-se lá onde. Será que um dia poderiam se reencontrar? Quem sabe?

      Fim.

domingo, 21 de setembro de 2014

Voto Consciente - Eleições


A cada ano que há votação mais indignados ficamos. Vontade de não votar em ninguém, de não se importar quem é quem, quem é candidato, quem está na frente nas pesquisas, em quem o vizinho irá votar, quem é bandido, quem é honesto, quem fala a verdade, quem manipula quem... Ufa!

Não temos como saber realmente. Cada um é cada um e fala o que lhe convier.

Não sou de assistir debates ou horário político. Não tenho paciência. O que não significa que não procuro me informar, ler, pesquisar.

O que tem acontecido, como em todos os anos, é que são sempre os mesmos se candidatando. Pelo menos é essa a impressão que tenho. Se tornam tão fortalecidos que é difícil largarem o osso. Cargo político virou questão de honra pra alguns veteranos. O que não quer dizer que são ruins. Alguns são ótimos e estão na política por merecimento e competência. Outros, bem, vai saber? E muitos outros desconhecidos, mas que ficamos com um certo receio em votar neles por não conhecê-los. Se pensarmos que os que estão no poder há anos e não fizeram nem metade do prometido ou que são suspeitos de fraude, de roubo, por que mantê-los no poder?

Muitos outros estão despontando agora que estão na luta, na batalha pra se engajarem num projeto decente e torná-lo real. Pena que nem sempre têm a dimensão que alguns poderosos têm.

Nunca se teve notícias de tanto desvio, roubo e fraude num governo como se está tendo agora. Descaradamente e sem um mínimo de vergonha na cara dizem que não sabem de nada. Basta fazer uma pesquisa e constatar o quanto enriqueceram. E vamos continuar com eles lá? São nossos funcionários, que pegam nosso dinheiro e embolsam sem o menor constrangimento e culpa. Estamos assistindo o Brasil sendo tomado por gente que deveria estar na cadeia, mas ainda estão lá, gastando mais e mais, fazendo a tal propaganda política e abraçando o povo.

Toda forma de informação é válida, mas não siga a maioria, por favor! Tenha sua opinião, seus ideais, sua forma de defender o melhor pra a população, enfim.

Um dos muitos ditados existentes e que eu não concordo: a voz do povo é a voz de Deus. Não é! Tenha sua voz e defenda-a!

Sempre quando tem debate há a pergunta: quem ganhou o debate? Quem falou melhor, quem se defendeu, quem acusou melhor, quem colocou o podre no ventilador, quem apresentou propostas coerentes com nossa realidade ou quem falou, falou, falou e não disse nada?

Muitos com uma ótima lábia e um péssimo caráter. Quem ganha debate nem sempre é o melhor administrador de uma nação.

Penso eu que pra ter competência pra administrar um cargo público teria que, no mínimo, ter curso superior e experiência em administração. E estar isento de qualquer processo criminatório, ou seja, ter a ficha limpa. Quem você contrataria pra administrar sua empresa? Um profissional ou um cidadão que nunca teve uma experiência de liderança?

Cargo público é isso, liderança. E não têm plenos poderes como muitos imaginam. Existe todo um processo de votação pra que seja efetuado um projeto ou não. Por isso defendem com garras os cargos de deputados e senadores, pra não terem dificuldade e nem sejam impedidos de realizar algo que, muitas vezes, não é de interesse pra a grande maioria.

Eu disse que não tenho o hábito de assistir horário político, mas é bom assistir às vezes, pra saber quem está se candidatando e quais são os projetos que irá defender.

Tá difícil. Mas não temos outra escolha a não ser pesquisar, se informar, perguntar, e votar no menos pior. E cobrar depois. Quem cobra depois?

Repetindo: tem muita gente boa, competente, e muita gente ainda que irá se destacar e que fará toda a diferença nesse nosso país maravilhoso e mal-governado.

Não queria chegar no local de votação e ver gente pegando santinho do chão e votar no sortudo escolhido. E são muitos que fazem isso.

E não queria tomar conhecimento de pessoas que votaram nesse ou naquele porque o ajudou de alguma forma. Olha, é comum também, mas quem vive próximo de pessoas carentes, de cidade pequena e pobre, sabe a dificuldade de vida dessas pessoas. Não julgo, não culpo. Mas se essas pessoas tiverem mais informação e a consciência de que o voto é muito valioso talvez essas atitudes desapareçam com o tempo.

Mesmo que seu candidato esteja em último nas pesquisas, vote nele! Não confie em pesquisas. Hoje em dia não dá pra confiar em pesquisas. Mesmo que seu candidato perca as eleições você não perdeu seu voto. Votou em quem achou por merecer e não porque a grande maioria escolheu. O voto é secreto e faça uso desse segredo.

É a sua contribuição através dos impostos que são pagos os salários dos governantes. Vai desperdiçar a chance de votar em quem acha o mais adequado?

Se você está lendo este texto também poderá pesquisar se há alguma restrição com o candidato que você escolheu. Google. Ou então escreva o nome do candidato+processos+condenação. E faça sua avaliação.

Existe a Lei da Ficha Limpa, que não sei pra que serve, pois vejo candidato descaradamente corrupto e bandido se candidatando novamente. É como se você entregasse seu salário pra um desses fazer o que bem entender. Mas, no Brasil, quem tem dinheiro tem uma ótima defesa. Isso já sabemos.

Você só perderá seu voto se não for votar ou se votar por influência de terceiros sem que esteja convencido de que é o candidato que mais conveniente às suas escolhas.

Também não dá pra confiar nas urnas eletrônicas. Mas este assunto a gente deixa pra uma outra ocasião.

Vamos votar consciente, votar com fé, escolher gente decente e capaz pra direcionar os benefícios a quem realmente precisa. O povo!

E, por gentileza, não idolatrem um candidato. É um trabalhador público, que pega nosso dinheiro e emprega onde for necessário, para o bem da população. Respeitem, como todos devem ser respeitados, mas sem santificar ou idolatrar.

Boa sorte e que Deus nos ampare e nos proteja. Amém!

Independente de sua religião, assista o vídeo, não de um padre, mas de um cidadão indignado com tanta corrupção e tanto mau caráter se fazendo de inocente. Assistam!



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Morte Matada


Como já viram por aí, além da reforma ortográfica que causou um reboliço, agora estão querendo modificar novamente nossa amada e idolatrada Língua Portuguesa.

Me lembro de meu tempo de colégio, quando éramos obrigados a ler um livro por bimestre, Machado de Assis, José de Alencar, e outros tantos, e íamos muito bem, obrigada. Fazíamos resumo, interpretação de texto e tínhamos apenas onze anos. E nos saíamos muito bem. Afinal era matéria de prova e tinha que ser feito. Não havia escolha. Tínhamos que cumprir as tarefas e ponto final.

Me lembro de minha professora de Literatura, Dona Delze, uma senhora já na época e que não deve mais estar por aqui, altiva, voz firme, elegante e brava, muito brava. Hoje sei que não era brava, era enérgica. E, claro, ninguém gostava dela. Tínhamos medo. Olhava fundo nos nossos olhinhos e arrancava de nós poesias decoradas "Ora direis, ouvir estrelas...", "A última flor do lácio..." ambas de Olavo Bilac, e até parte da poesia Navio Negreiro, de Castro Alves. Tudo pesquisado em Biblioteca, copiado à mão e decorado linha por linha. Um show!

Dona Delze era uma dama. Hoje entendo-a perfeitamente e admiro-a mais ainda. Se falasse o que nos falou, na década de setenta, seria crucificada e quiçá apedrejada virtualmente. Dizia ela, sempre e sempre, que mulher foi feita pra enfeitar o mundo, e que os homens deveriam tratá-la com cuidado, carinho, proteção, amor, respeito... Os meninos riam e nós, as meninas, adorávamos. Claro que não tínhamos noção do que significavam suas palavras, mas era bom de se ouvir. E dizendo essas palavras não permitia que as meninas sequer apagassem a lousa, desejo de todos, e somente os meninos fariam esse trabalho em suas aulas. Que também incluía pegar algum lixo no chão, abrir janela, fechar cortina, abrir porta, enfim, todo o serviço era dos meninos.

Me lembro perfeitamente de tudo e amaria saber de algum aluno, homem, que seguiu seus conselhos tornando-se um gentleman, um respeitador, um educado e gentil com todos e não só com as mulheres.

Nesse mundo tão midiático, tão rápido e intenso de internet, os "sem rosto" esbravejam aos quatro cantos da tela soltando suas iras e dizendo o que não diriam, com certeza, se estivessem cara a cara. O anonimato se tornou uma arma poderosíssima e rápida. Isso me assusta muito. Mas, graças aos meus queridos mestres, como Dona Delze, que aprendi a ter bom senso nas minhas atitudes. Internet é ótimo, usada com moderação, claro. É no mundo virtual que vemos os absurdos que escrevem, tanto como opinião quanto a erros de português. Erros grotescos e totalmente descabidos. Erros amadores e primários, mesmo saindo de mãos de adultos. Ninguém é obrigado a saber de nada, mas falar e escrever corretamente a língua de seu país é uma obrigação, principalmente quando o ensino está tão fácil e tão acessível a todos.

Há uma inversão de valores onde as dificuldades são tratadas como empecilhos para uma boa educação e acham que é muito mais fácil simplificar tudo do que incentivar as pessoas a pensarem, raciocinarem, entenderem e dar sua opinião, segura, própria, sem se deixar influenciar por uma grande massa ou mesmo pelo governo. O governo, ah, esse nosso governo... Pra que iriam querer cidadãos pensantes? Heim?

Sinto pena das gerações futuras, que talvez não saibam nunca a beleza de uma língua, difícil e cheia de regras, harmoniosa e instigante. Pra poucos, garanto, um aprendizado eterno.

Não vou colocar link das mudanças que poderão vir, pois não aceito e não vou espalhar o que não concordo de jeito nenhum.

Tenham todos um ótimo fim de semana.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

E Por Falar em Saudade


Onde anda você?
Até que ponto aguentamos uma saudade? A vida toda, se preciso for.
Me lembro quando era criança e ouvia meus pais relembrando o passado e achava chato. Nessa época eu não tinha passado, mas o passado que tenho hoje morro de saudades.
Tempo em que enxergava só o lado bom das pessoas, da inocência e até da ingenuidade.
Tempo em que não sabia ler nas entrelinhas e nem decifrar olhares.
Tempo do gosto doce da fruta da época... Um ano para saboreá-la novamente... E um ano demorava a passar...
Tempo do pé no chão, do cheiro de terra molhada e bolinho de chuva... Canela...
Tempo do chá de cheiro de minha avó, de sua voz doce e meiga, do pão caseiro e da salada de repolho brilhante regada com óleo.
Tempo da pamonha premiada sem queijo, propositalmente, e eu sempre pegava essa.
Tempo de Sessão da Tarde com Jerry Lewis e Lessie.
Tempo ganhado e nunca perdido, saboreado gota a gota, em doses homeopáticas e doces.
E por falar nisso onde anda você que nunca mais vi?
Carinha de anjo, olhos de demônio, alma indefinida, corpo do pecado e beijo apimentado.
Onde anda você?
Uma vida já se passou, ou duas vidas?
Que importa se estamos condenados a nos encontrar em todas elas?
E aquele seu sorriso meia-boca, continua a carimbar seu rosto?
Fecho os olhos e vejo... E sinto... E morro de saudades, completamente viva!

domingo, 14 de setembro de 2014

Desejo de Vingança


Em tempos de vinganças virtuais que atingem o real, Mário Sergio Cortella e suas palavras necessárias.


Hoje em dia tudo é muito rápido e a maioria sabe que o melhor a fazer quando se sente raiva ou se é injustiçado é se afastar e refletir, até que a raiva passe. Mas todos, contaminados pela rapidez do imediato, fazem justiça com a boca e com as mãos. Pra que isso, meu Deus?

Mas, por outro lado, vemos uma justiça lenta, lerda e nada eficaz no Brasil. O que fazer então?

Eu sempre vou pelo bom senso, mesmo algumas vezes pecando e me sentindo feliz ao saber de um vingança que deu certo. Mas é só isso. Imediatamente depois não vejo benefício nenhum. Na maioria das vezes sinto compaixão por quem é atingido por justiça de quem não tem competência pra julgar.

Que Deus nos proteja de nós mesmos. Amém!

Uma ótima semana pra todos!


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Adamastor


Ousadia chamá-lo de Adamastor. Mestre Adamastor. Mestre da Escola de Samba X-9 Paulistana, e que tive o prazer de assistir a sua palestra. É assim, como na foto, que ele se apresenta. Com alguns integrantes da bateria acompanhando-o, também com mestre-sala, porta-bandeira e algumas passistas. Sabe aquelas passistas que a gente pensa que não existem, com aqueles corpos que a gente morre de inveja? Então, elas!

Olha, posso até estar fazendo propaganda dele, que vai lucrar até mais com isso, mas o que é bom a gente compartilha. Um show! Simples assim.

Tem gente que fala, fala, fala e não diz nada. Ele não fala nada e diz tudo! Essa é a diferença. Acredito que todos que estavam na palestra entenderam perfeitamente o recado.

Um humorista palestrante, stand up com assunto sério, um homem bem-humorado que sabe lidar com a vida, com as pessoas, com o dinheiro. Um líder, sem dúvidas.

Como eu disse, ele não falou sobre técnicas, sobre regras, sobre liderança nem nada. Chegou, deu voz de comando e todos obedeceram. Simples. Quando começou já não gostei. Gosto de ficar quieta prestando atenção e ele com a voz de comando pra gente fazer isso ou aquilo com os braços, gritar, falar e não sei mais o quê. Achei desnecessário e chato. Mas...

Na metade da palestra nos desafiou: vamos montar uma bateria de escola de samba, em dez minutos.

Oi? Isso não vai prestar. Olhei para minha amiga e disse: "Vamos embora? Não gosto de me socializar com multidão". Ela ria. Depois formou grupos e mandou cada um ensaiar sua apresentação.

"Gente, corram pras montanhas!", pensava eu, já ofegante e com começo de fobia social. "E se ele vir com aquele microfone enorme e colocar na minha boca? Desmaio na hora!". Enquanto seguíamos para a tal sala misteriosa puxei o braço de minha amiga e sugeri que procurássemos a saída e nos mandassem dali, sem deixar rastro. Ela ria.

Cada grupo tocaria um instrumento. Pensava eu com minha vasta imaginação e inocência que usaríamos a boca e o corpo para demonstrar a apresentação. Tipo jogo da mímica, que eu acho terrível! Gente tímida não se aventura a tanto. Então chegamos a tal sala e num canto estavam os instrumentos. O nosso grupo tocaria ganzá. "Acho que tocar isso eu tenho coordenação". Fiquei um pouco aliviada, mas de olho na porta de saída caso precisasse fugir pra bem longe.

Ganzá

O rapaz da bateria que toca o ganzá foi que organizou tudo. Ensinou o grito de guerra, a coreografia, o modo de tocar, o começo, meio e fim da apresentação. Tudo isso em dez minutos, gente!

E voltamos ao salão, onde as cadeiras já estavam todas encostadas nos cantos. Mestre Adamastor já estava nos esperando com o apito na boca.

Chamou grupo por grupo e cada um fez sua apresentação. Afinadíssimos! A essa hora já estava com aquele sorriso de contentamento na cara. Não vou dizer que sambei porque aí seria exagero e mentira, mas dei meus passinhos. Nem precisava, só ir no embalo que tudo contagiou.

Depois que todos se apresentaram foi a vez de todos tocarem juntos. Gente, vocês não têm noção do que fizemos. Tudo em dez DEZ minutos! Foi um show!

Depois entrou mestre-sala, porta-bandeira e por último as passistas. Simplesmente esfregaram na nossa cara aquela cor maravilhosa da pele seguido daquele corpo esculpido pela natureza. Inveja mata? Morri!

E nos últimos dez minutos que ele foi fazer a palestra. Poucas palavras e resumiu tudo, como se uma bateria fosse uma empresa, com toda a hierarquia necessária. E que funcionou com a colaboração, boa vontade e bom humor de todos. E alegria, não se esqueçam da alegria.

Um show!

Tinha que contar isso pra vocês.

Mas olha... Se tivesse mais dez minutos de palestra eu subiria no palco pra sambar, viu?

Fim.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

É Fácil


Esta semana assisti a uma palestra com Roberto Shinyashiki. Muito boa! O cara sabe o segredo dos campeões, das pessoas que do nada fazem fortuna e alcançam seus objetivos. Como ele diz, fortuna não é nada, o segredo é ficar atento às mudanças do mercado, mas convenhamos que ele sabe como ganhar dinheiro com esse "segredo" que é do conhecimento de muitos, mas não sabem como utilizar a seu favor.

Ele começou contando sobre sua infância, que foi pobre, mas que sua mãe era de uma sabedoria fantástica. Simples, humilde e nunca havia frequentado escola, mas que aos poucos, com determinação e simplicidade, alcançou grande parte dos sonhos da família. "É simples", era a frase que ela mais usava.

E estava certa o tempo todo. Já pararam para pensar como é que complicamos a vida de um modo geral? É muito mais fácil ficar reclamando do que mudar, de criticar do que fazer diferente, de sentar do que dar mais dois passos à frente.

O mau humor geralmente toma conta de quem não consegue enxergar uma saída, uma luz, uma solução para um simples problema.

Contou ele que quando entrou na Universidade de Medicina, comentou com sua mãe que tinha medo de não passar no vestibular. "É simples", disse ela, é só você estudar mais que os outros que consegue. Percebem a simplicidade? E foi o que ele fez.

Quantas e quantas vezes reclamamos do trabalho, dos amigos, das situações, da casa, dos filhos, e de muita coisa sem ao menos parar para pensar numa solução?

Tem quem já acorde cansado, reclamando de tudo, xingando, cara amarrada e quer ter um bom dia. Como? E reclama do trabalho mas não faz nada para facilitar e nem se especializar numa nova carreira, num outro emprego, melhor salário e tudo o mais.

Outra coisa que ele fez questão de falar e, claro, agir, é sempre ter um sorriso nos lábios. Ser legal. Não perca a chance de ser legal com todos. As pessoas não têm nada a ver com sua vida, seus problemas, suas tristezas, decepções, suas contas para pagar e nem com seu mau casamento. Que culpa tem os outros se tudo que você almeja não acontece como deveria? Quanto tempo se gasta reclamando? Nós colocamos barreiras, nós dificultamos e complicamos. - observações dele.

Há um travamento e manipulação da mente contra nós mesmos. Ele disse que não é bom ficar lendo notícias de tragédias, de catástrofes, de acidentes, de notícias que ainda vão acontecer, mas que jornalistas deduzem que sejam assim mesmo. O que mudaria na nossa vida assistindo a tudo isso?

Ele é um marketeiro de mão cheia. Sabe como ganhar dinheiro e sabe como cativar. Tem talento e carisma e isso conta muito.

Por que alguns conseguem ser campeões e outros não? Destino? Quem sabe a resposta?

Na minha simples vida aprendi que o bom humor é fundamental, que às vezes é necessário sermos idiotas e rirmos de nós mesmos, que é de bom tom não se importar tanto com o que os outros dizem ou comentam a nosso respeito, que nosso sonho é único e intransferível e nós somos muito mais capazes do que imaginamos. Nossa mente é uma caixinha aberta, mas que se fecha facilmente quando invadida por negativismo mundial. Trava e não consegue raciocinar como deveria.

Ainda falta muito o que aprender com tudo isso, mas vamos em frente que ainda existe vida. Se há vida há solução para qualquer problema. Mesmo que a solução seja deixar o problema descansando um pouco e retomá-lo no momento mais oportuno.

Uma dica? Leiam. Leiam. Leiam. Leiam... De tudo! Cada dia um pouco, sobre todos os assuntos. Verão como a mente se abre e tudo se torna mais nítido e executável.

Vamos?

Vou contar uma historinha.
Havia um vendedor de laranjas que vendia na rodovia, perto de sua casa. Os sacos com aquele amarelo vivo e brilhante chamavam a atenção de quem por ali passasse. Aos poucos fez uma placa grande e bem legível para que enxergassem de longe que ali havia laranja da melhor qualidade. Depois fez uma barraca maior, caprichada, em madeira simples, um toldo cor de laranja para proteger do sol e chuva e oferecia também suco fresco, espremido na hora, sem açúcar, para degustação. 
Digamos que o vendedor fez uma pequena fortuna. Quando não se tem muito o pouco que entra e é guardado se torna uma pequena fortuna.
Um amigo, um dia, percebendo o progresso do vendedor de laranjas, levou um jornal do dia dizendo que era para tomar muito cuidado, pois uma crise estava para acontecer e que o mercado iria decair em todos os cantos do país.
Como o vendedor não tinha leitura e nem escrita acreditou no amigo. Afinal amigo é para isso mesmo.
Na outra semana levou menos sacos de laranja e diminuiu o tamanho dos copinhos para degustação. Depois trocou a enorme placa e colocou uma menor, pois estava esperando a tal crise. 
Resultado: voltou a ser um mero vendedor de laranjas, sem ânimo nenhum e ainda agradeceu ao amigo por lhe avisar da tal crise que chegara em sua barraca.

E assim a mídia nos empurra informações que muitas vezes são deduzidas e não confirmadas. E caímos como patinhos, pois são pessoas estudadas e letradas.
E assim ouvimos conversas que não nos diz respeito, mas que nos atinge de tal forma que nossa vida fica complicada. Ficamos cegos e surdos para as soluções que muitas vezes estão bem debaixo do nosso nariz.

Fim.





domingo, 7 de setembro de 2014

Me Abraça


      Depois de muitos anos nos reencontramos. Um encontro casual, surpreso, inesperado...
      Ficou me olhando de longe até que eu sentisse seu olhar me cutucando para virar a cabeça e perceber sua presença...
      Muito barulho, muitas pessoas em volta, muitas conversas...
      E meu olhar achou o seu... Sorriram...
      Ainda estávamos distantes, mas foi como se os olhos chegassem primeiro, depois o pensamento, as lembranças, a saudade...
      Sem desgrudar os olhos nos aproximamos, sorrisos tímidos e ousados nos pensamentos... Boas lembranças se arrastaram como um vendaval, do passado para o imediato, derrubando tudo que há pela frente.
      As pessoas se afastaram formando uma rua estreita para que pudéssemos nos aproximar sem chances de recuo. As pernas ficaram trêmulas, a respiração ofegante, coração querendo chegar antes do corpo...
      A timidez chegou perto e me fez abaixar o olhar... Ele continuou me cutucando mentalmente...
      Mais uns passos... Já sentia seu perfume, o mesmo de sempre, inesquecível...
      Já conseguia ouvir as batidas de seu coração... O meu acelerou e os sons se uniram em harmonia...
      Bem perto, rosto bem perto do dele, olhos nos olhos, suspiro disfarçado de respiração...
      Ele segurou minha cintura e me puxou para si... A outra mão segurou minha nuca... senti-me desfalecer aos poucos ao seu toque... O mesmo de antes...
      Me preparei para o beijo, mas ele percorreu meu rosto com seu nariz... Fechou os olhos e sentiu meu cheiro... depois beijou minha orelha e me apertou num abraço...
      Que saudade, sussurrou no meu ouvido... Seu corpo colado pulsando no meu, sua mão percorrendo minhas costas e me apertando carinhosamente, a outra acariciando meus cabelos com pegada firme e decidida...
      Continuei esperando pelo beijo...
      Mas o abraço foi tão terno, tão intenso, que o beijo seria só mais um detalhe...
      E assim ficamos um bom tempo, nos sentindo...
      O beijo? Depois eu conto.

      Fim.

      Obs: apenas um conto sensual, que apesar de estar na primeira pessoa não diz respeito à autora.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Olhos de Gato


      - Com licença, o senhor está esperando alguém? Posso me sentar neste banco aqui? - perguntou Merrie ao homem que estava sozinho, no balcão da padaria onde costumava tomar seu café da manhã.

      - Sim, claro, por favor! - respondeu olhando para Merrie.

      Sentou-se e pediu o de sempre: pão com manteiga e café puro. Agradeceu ao rapaz e continuou sua rotina diária. Adorava entrar na padaria bem cedo, inspirar aquele aroma de café torrado e do pão trincando no forno. Sem falar do perfume dos doces e quitutes que ornavam o balcão de vidro. Uma tentação diária que Merrie resistia bravamente. Era do tipo grandona, forte, porém bem modelada devido aos exercícios diários de pilates. Deixava todas as guloseimas para o sábado, dia escolhido para saciar a vontade de comer sem culpa. Depois do impacto de sua entrada sentiu um olhar lhe incomodando. Não queria olhar, mas não resistiu e olhou para o homem que lhe cedeu o lugar vago. Ele sorriu e percorreu todo seu rosto com fuzilantes olhos azuis. Olhava de uma maneira que Merrie realmente se incomodou e perguntou porque ele a encarava tanto e se já se conheciam de algum lugar.

      - Creio que não, minha jovem, certamente que não. - estendeu a mão e se apresentou como Fábio.

      Merrie retribuiu o aperto de mão e continuou seu café. Percebia o homem lhe encarar às vezes, quer dizer, lhe despir com os olhos e depois lhe vestir, quando olhava para o outro lado. Olhou para si para ver se tinha algo errado, um botão desabotoado ou o zíper aberto, ou mesmo uma sujeira no canto da boca, um batom borrado, não sabia, mas se incomodou muito.

      Merrie era desatenta, se lembrou de uma vez ir ao banheiro do Shopping e sair de lá com a saia do vestido preso na calcinha, mostrando toda sua traseira. Percebeu isso bem depois, quando passou em frente ao espelho que ficava dentro de uma loja. Olhou para trás e as pessoas riam de sua distração. Sorriu para as pessoas e se ajeitou. Já estava tudo mostrado então de que adiantaria se envergonhar?

      Mas com o olhar penetrante de Fábio não estava sabendo como lidar. Ele insistia em olhar para seu rosto e somente para seu rosto e decorá-lo inteiro, cada canto, cada marquinha, cada pinta, cada poro... Abaixou a cabeça e continuou a devorar o pão. Será que tinha alguma migalha no canto da boca ou presa no dente da frente? Disfarçadamente abriu sua bolsa e pegou um pequeno espelho. Olhou cada canto de seu rosto e nada de anormal percebeu. Queria sair dali, ou então queria que Fábio puxasse um assunto para quebrar a situação constrangedora.

      Seria ele um vidente que lê pensamento? Se apavorou tanto que tratou de pensar só no café preto e no pão que ainda estava pela metade. - Imagina um homem que nunca vi ler meus pensamentos? Depois da noite de ontem? - Se apressou ainda mais para terminar logo e se mandar daquele lugar com aqueles olhos de gato a lhe vasculhar a mente devassa.

      Finalmente terminou, levantou-se e Fábio perguntou se ela havia gostado do café. Ela sorriu, disse que sim e colocou os óculos escuros para observá-lo por inteiro. Não conseguiria encarar aqueles faróis iluminando a mais profunda escuridão do seu olhar. Homem elegante, bem cuidado, com bom gosto para se vestir e perfumado. Sentia de longe a fragrância cítrica amadeirada. Sorriu e se despediu.

      - Pode me acompanhar até a porta, por gentileza? - perguntou-lhe Fábio.

      - Sim, claro! - respondeu com uma dúvida. O que aquele homem queria com ela até a porta?

      Fábio colocou seus óculos escuros e do bolso da calça tirou um bastão. Lançou-o ao ar e este esticou. Uma bengala para cegos. Merrie se espantou deixando o queixo cair e levantando os óculos para ter certeza de que era isso que estava vendo.

      Ele alcançou seu braço e se apoiou, preparando para sair sem ter que topar com todas as mesas pela frente.

      Merrie sorriu, ajudou Fábio até a porta e lhe perguntou se queria que o levasse a algum lugar. Ele agradeceu e disse que morava por ali e que nunca havia entrado naquela padaria. Inconformada ainda ficou um tempo conversando com ele. Era advogado e estava no seu dia de folga.

      Antes de se despedirem trocaram telefone e até sorriram com alguma piada que Merrie sempre soltava. Com certeza ela o procuraria outras vezes, para o mesmo café ou até para um jantar em sua casa. Eram vizinhos e nunca haviam se cruzado por ali.

      Uma empatia se formou e Merrie imediatamente instalou pensamentos pervertidos sobre aquele encantador homem com olhos de gato. Pelo menos ele não tinha o poder de saber por onde seus olhos percorriam enquanto conversavam. Nem os olhos dela e nem os olhos de mulher nenhuma. Menos mal, pensava ela...

      Fim.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Aprenda Uma Coisa...


Quem nunca passou por uma situação parecida e teve vontade de sair gritando pelos quatro cantos que a situação não era bem essa e que as aparências não eram a verdade?

Difícil lidar com situação constrangedora onde você é o foco de uma mentira ou intriga. Não dá pra se defender porque nem tudo tem defesa.

Realmente as pessoas, me incluo nessa, só enxergam o que querem enxergar. Na maioria das vezes há o pré-julgamento, a condenação e o castigo. Tudo um atrás do outro. E quem é o foco nem sempre fica sabendo.

O tempo passa...


E só ele é capaz de desmascarar uma injúria, uma fofoca, uma mentira... Nem que demore anos e anos. Será que sobreviveremos a tanto tempo? Tomara!

Ainda hoje me deparo com o passado, que não me foi tão favorável (parte da culpa é minha), mas que aos poucos as peças vão se encaixando e com isso a verdade, aquela que ficou oculta, se mostra plena e poderosa.

A língua é a arma mais afiada do Universo. Levanta ou destrói em questão de segundos. Mas só com a maturidade é que aprendemos que não precisamos acreditar em tudo o que dizem. E não devemos nos importar também, principalmente quando sabemos se tratar de uma calúnia ou de uma mentira. Não precisamos provar nada pra ninguém. Não precisamos carregar pesos extras nas costas e muito menos querer agradar quem quer que seja.

Como sabemos somos únicos no Universo, e nossa verdade não é a verdade de muitos. E daí? Que importância tem? Pra quem sabe lidar com o negativo não tem importância nenhuma.

É muito mais fácil destruir do que construir, derrubar do que levantar, afinal levantar alguém corre-se o risco de se cair aos pés do levantado. Besteira!

Cada um tem sua chance, sua vida, seus planos e principalmente os planos de Deus.

Engane a todos, mas não engane a Deus que sabe exatamente o que é melhor pra nós. Somos teimosos e queremos ganhar no grito uma vitória que nem era pra ser nossa. Tudo provisório!

Crer, uma palavra tão difícil de entender, mas quem realmente crê no criador sabe como funciona a crença verdadeira.

Sem mais delongas, não se apavore em provar nada pra ninguém. O que se ganha com isso? Você se conhece e isso basta! Os outros só lhe imaginam, e quase sempre imaginam errado. Isso é problemas deles, oras!

Se tantos outros têm tempo de sobra pra cuidar da vida alheia, que cuidem! E percam um tempo precioso apontando o dedo indicador e nem percebem que outros três dedos são apontados pra eles.

Uma mentira não dura uma eternidade. Ainda nessa vida tudo ficará às claras, tudo se mostrará límpido e transparente... Basta esperar...

Não é fácil lidar com o passado, que mesmo estando imóvel e inatingível a mudanças, nos acompanha até o último dia de vida.

Mesmo assim cultive o amor, espalhe-o, viva-o, sinta-o, tenha-o, oferte-o... Simples assim. E paciência.. muita paciência.