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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Namorado de Dona Evelina


Quem conhecia Dona Evelina, não dizia que ela tinha 72 anos. Cabelos grisalhos desde os 40 era conhecido como o seu charme, ela costumava dizer que Deus havia pintado o seu cabelo para sempre. Casara com Dagoberto muito cedo e apesar de terem a mesma idade, todos diziam que Dona Evelina parecia mais nova do que ele. Ele era dono de um famoso restaurante do Rio de Janeiro e ela apenas o ajudava na administração de tudo com o único filho do casal, Estevão. Quando completaram 51 anos de casados viajaram por todo o Brasil, conheceram Portugal e o Egito. No outro dia, quando chegaram de viagem, Dagoberto passou mal e faleceu. Engana-se quem pensa que Dona Evelina deixou-se abater. Acreditava em vida após a morte e sabia que o destino de Dagoberto seria bom, pela pessoa que foi em vida. Depois da missa do sétimo dia do marido, Dona Evelina desfez de tudo o que pertencia a ele. Trocou móveis do apartamento, derrubou e pintou paredes, mudou quadros e não queria nada que lembrasse o marido falecido. Decorou a casa com arranjos florais, passou a organizar jantares com amigas, entrou na academia e se matriculou em um curso de informática. O que Dona Evelina queria mesmo era viver a vida. Viúva e com um único filho já casado, nada faria com que ficasse em casa oprimida. Passou a ir com mais frequência à praia com as amigas, para o cinema, para a sorveteria e passou a amar navegar na internet. E foi pela internet que Dona Evelina conheceu Ugo, um rapaz de 34 anos, sobrinho de uma amiga. Descobriu que Ugo era solteiro e trabalhava como arquiteto. Marcaram de se encontrar e depois de um tempo em segredo perceberam que já estavam se gostando e namorando. 

- Amanhã, vou te apresentar ao meu filho Estevão. Ele vai te adorar. 

Ugo estava radiante, finalmente encontrara o amor da sua vida. Já havia namorado garotas da sua idade e a experiência não foi tão legal. Claro, ele estava preparado para enfrentar os preconceitos tanto da sociedade, quanto da família e amigos. No outro dia pela manhã Dona Evelina levou o namorado para apresentar ao seu filho Estevão, que não esperava aquela situação. Ficou assustado, levantou-se da cadeira e falou: 

- Namorado? Como assim, mamãe?

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Participando da Blogagem Coletiva do Blog Mesa de Conversa, onde Carlos inicia uma história e cada um decide um final.
Eis o meu desfecho:

- Calma, filho, que braveza é essa? Cumprimente Ugo, por favor!
Como tinha boa educação, Estevão estendeu a mão e cumprimentou o namorado da mãe. Estranhou, ficou olhando com cara de poucos amigos e não pronunciou nenhuma palavra. Nenhuma pergunta ou sugestão. Calou-se, até que Ugo resolveu se retirar. Estava um clima ruim e não queria atrapalhar a vida de Eve, assim como chamava-a.
Logo que fechou a porta Evelina sentou-se frente ao filho, pegou suas mãos e começou o monólogo.
- Meu querido, estou muito feliz, não se preocupe comigo, sim? Eu sei de minha saúde, sei de minha idade, sei de minha condição financeira, que logo será tudo seu e sei que ainda tenho lucidez suficiente pra não fazer nenhuma besteira. E, claro, não sou hipócrita em achar que um rapaz novo esteja apaixonado por mim. Nunca achei e nunca acharei. Ele me faz bem, me faz companhia, me dá atenção, me ouve, tem um beijo maravilhoso e me dá prazer como eu nunca tive. Só isso! Sei que você vai continuar cuidando de mim e é isso que eu espero de você, que cuide de mim. Tudo quanto aos negócios estarão nas suas mãos, certo? Me deixe viver como eu quero, por favor? - e beijou a testa de Estevão.
Sem ter o que responder e vendo na mãe uma base forte, um porto seguro como sempre foi, não lhe restou alternativa a não ser abraçá-la e desejar-lhe sorte.
E assim Evelina, Eve, viveu dias maravilhosos ao lado do jovem Ugo.
Fim.


5 comentários:

  1. Hummmm Que bom para ela, né? A vida devia mesmo ser assim. Acho até que há alguns casos que dão certo.
    Para mim, que existam muitas Evelinas felizes por esse mundão de Deus!
    Beijo, Clara.

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  2. Muito bom Clara.... Somos um povo preconceituoso com tudo. Não acredito que idade atrapalhe em nada. Relacionamento é troca de experiências e no caso deles, então... Por isso que abordei este tema. É polêmico, muitos até não quiseram continuar mas já abordei rss.

    Abraços

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  3. Final lindo, pacificador,rs Bem legal e sorte dela! bjs, chica

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  4. Que bom que você deu um final feliz...rs
    Eu fui muito má...rs
    Linda tarde e um beijão para você
    Verena e Bichinhos

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  5. Sei não, ainda bem que não tenho que opinar em casos assim.
    Mas se Evelina estivesse esbanjando uma suposta fortuna,
    dando presentes caros ao namorado, talvez fosse caso de polícia.
    Com os parâmetros apresentados, tudo em ordem. Eu mesmo
    não vou interferir. Risos.
    Beijos.

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