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domingo, 17 de agosto de 2014

Até Que a Morte nos Separe


      - Mor, eu te juro que não vai ter nada demais... É só uma reuniãozinha com a turma, beber um pouco, me despedir deles e só!

      - Dré, isso não funciona! Despedida de homem sempre tem mulher no meio...

      - Tem nada! Na minha despedida não vai ter não! Eu gravo tudo e depois te mostro... Não se preocupe, te amo!

      - Tô com medo, Dré... Não deixa aqueles marmanjos te machucarem...

      - Beijo, te amo, futura esposa!

      - Beijo, marido!

      André chegou na casa do amigo Tadeu por volta das 23:00h, onde seria sua despedida de solteiro. Esperou pelos demais amigos e, para sua surpresa, não ficaram por ali. Seguiram para uma chácara, que ficava no final da cidade e que não era longe.

      Eram seus amigos de infância, por isso nem se importou com a surpresa. Queria se divertir com os malucos e beber além da conta, até cair e acordar só no outro dia.

      Chegando na chácara, mais alguns amigos dos amigos e, claro, algumas garotas "um tanto duvidosas". André se lembrou de sua noiva; mas já que ali estava, aceitou tudo sem problemas. Sabia de seus limites e tinha muito juízo.

      Era um local afastado, perto de um rio que cortava a pequena cidade. O céu estava estrelado e a Lua iluminava o matagal e refletia nas águas sua imponência noturna, dando a impressão de uma noite medonha, silenciosa e solitária. Era inverno e vez ou outra ouvia-se o uivo da ventania, que passava e voltava, como se vigiasse quem se atrevia a atrapalhar sua melodia.

      Entre bebedeiras, risadas descontroladas, amassos nas "moças" e cantorias gritadas, os amigos fizeram com que André dançasse sobre uma mesa, somente de cueca, depois colocaram uma moça e dançaram os dois num ritmo sensual. Mas André, ainda lúcido, evitava ao máximo se encostar na garota; olhava com ar de reprovação ao grande amigo de infância, e este ria como uma criança. Desviava o olhar da moça, evitava seu corpo, seu toque, mesmo quando ela insinuava a tocar-lhe onde não deveria, esquivava e continuava, afinal era sua despedida de solteiro. Como estavam todos bêbados nem percebiam que André se afastava da moça quando ela rebolava na sua frente, praticamente grudada nele.

      Depois fizeram com que bebesse um copo com várias misturas de bebidas. Virou de uma vez e quase desmaiou, de tão forte. Mesmo zonzo e falando mole disse que não beberia mais nada, e, apesar da reprovação de todos, sua vontade foi atendida, mas pagaria um castigo por isso.

      Levaram André até o quintal e o amarraram numa árvore, de forma que jamais se soltaria. Estava só de cueca, muito bêbado e o tempo gelado.

      Antes dos rapazes voltarem para casa, enfiaram-lhe goela abaixo, na marra, um copo com aquela mistura forte de várias bebidas. Nessa altura, André já nem enxergava mais e desmaiou.

      A bagunça continuou em todos os lugares da casa e as garotas, todas nuas servindo seus corpos, como assim desejassem cada homem. Se esqueceram de André.

      A madrugada foi gelada e todos acordaram quando já se passava do meio dia.

      - Gente!  O André! - alguém se lembrou da noite anterior.

      - O quê?

      - O André ficou só de cueca lá fora... No frio!

      - Deus do céu!

      - Ele tá dormindo ainda? André... André.... Andrééééééé... - Correram para ir até a árvore onde amarraram André.

      - Me ajuda aqui, gente, acorda ele!

      André estava morto. Hipotermia, segundo o laudo médico.

      A cidade era pequena e a notícia se espalhou rapidamente. Houve comoção geral e alguns se programaram para invadir as casas dos envolvidos para um linchamento. A polícia local foi solicitada para conter a fúria da população. André era querido por todos, boa pessoa, honesto e gentil.

      Sua noiva entrou em desespero, e, mesmo depois de quase 15 anos do ocorrido, nunca se recuperou do trauma. Nunca se casou e sua vida segue entre internações em clínicas devido à depressão e vida de andarilha por toda a cidade, praticamente maltrapilha.

      A família de André aguardou um desfecho da justiça, e quem sabe, uma condenação de todos aqueles que se diziam amigos. Seu pai faleceu pouco tempo depois, de infarto, e sua mãe não saiu mais de casa, a não ser para ir ao cemitério chorar no túmulo do filho.

      Os amigos mudaram de cidade e seguiram suas vidas normalmente, casados e com filhos.
   
      Seu túmulo se tornou referência na cidade, pois a população acreditava que, devido à tragédia, sua alma fazia milagres, principalmente para os noivos.

      Fim.

      Texto publicado em 19 de dezembro de 2011 - Editado


12 comentários:

  1. Puxa!!

    Que história e essas brincadeirinhas por vezes acabam mal mesmo,não?

    beijos e desde já Vim deixar meu desejo de FELIZ NATAL e tuuuuuuudo de bom em 2012!beijos,chica

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  2. ai Clara, que coisa mais triste.
    fiquei até sem ar.
    antes ele tivesse ficado em casa.
    beijinho procê.

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  3. Nossa... Que loucura essa heim? Não podemos brincar com a vida do próximo. A noiva pressentiu, é uma pena que ele não a ouviu.
    Vim apreciar e também desejar que o seu Natal seja rico em amor e o novo ano seja marcado por muitas realizações!
    Um abraço carinhoso

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  4. Olá Clara!

    Seu blog está muito legal, parabéns a você pelo belo trabalho...

    Eu sei como é difícil manter um blog interessante!

    Abraços!

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  5. Olá, querida
    Um santo e abençoado Natal junto aos seus queridos!!!
    Que o Menino Deus esteja em seu coração plenificando-o de ternura!!!
    Bjm natalino

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  6. Clara,que conto inesperado!Esses trotes são mesmo inconsequentes!Tadinha da noiva!Um belo e comovente conto!Deixo meu desejo de um feliz Natal a vc e sua familia!bjs,

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  7. Ei minha Linda! HO, HO, HO!
    Feliz Natal querida, que seja uma noite feliz, de paz, tranquila e cheia de amor! ;) Muito obrigada pela linda cia durante o ano! :))
    Beijo, beijooooo!
    She

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  8. Nossa, Clarinha,
    um conto triste, mas vezes, é através de histórias tristes que aprendemos lições.
    E por incrível que pareça, ainda existem pessoas ingênuas a este ponto!
    E as romarias dos catadores de milagres, ai!

    Mas... eu vim aqui para te desejar uma noite de natal muito, muito aconchegante. Vamos ficar as duas , que não gostamos muito de Natal, quietinhas e felizes, combinado!? ;)))
    Ma Clarinha, este ano tive o prazer de te conhecer , esta pessoa linda e forte, inteligentíssima e com um humor incrível!
    E amiga,ah... uma doce amiga!

    Beijos querida,
    FELIZ NATAL
    FELIZ NOVO ANO
    E FELIZ VIDAAAAAAAA!
    QUE TUDO DÊ CERTO PRÁ TU, MENINA QUERIDA!

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  9. Foi bom reler e mais raiva ainda me deu desses "amigos" da onça!!! Credo! bjs, chica

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  10. Olá, querida Clara
    De amigos assim, to fora por inteiro...
    A maldade humana é capaz de tudo...
    Vc deu um desfecho incrível ao conto: bem real de acordo com tantos noticiários...
    Bjm fraterno de paz e bem

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  11. Não vejo maldade no caso, vejo a ação do álcool.
    E, como no jogo de xadrez, penso que a atitude de
    André se assemelha muito a um 'mate ajudado', em
    que o perdedor colabora inconscientemente para a
    própria derrota. Não vejo porque uma pessoa normal
    se submeter a excessos de bêbados, sem a isso ser
    constrangido, unicamente por exibirem um crachá de
    "amigo"!
    calouros em universidades são constrangidos, jovens
    em despedida de solteiro não o são.
    A narração, entretanto, está sem mácula.
    Parabéns!
    Beijos.

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