amazon

amazon
amazon - clique na imagem

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Insônia


Já fiquei dias e dias acordada, rolando na cama de olhos fechados, mas acordada. E via o relógio funcionar segundo a segundo até amanhecer. Um horror!

Ainda hoje guardo os resquícios de depressão e a insônia me faz lembrar de vez em quando que a noite é longa, muito longa.

Tenho meu ritual: um banho morno, cama confortável, música, e uma fresta de luz no quarto. Fecho os olhos e fico quieta, sem pensar em nada. Às vezes funciona, às vezes não.

Tem dias que não consigo não pensar em nada. Se me deito pensando em algo é quase certeza de que terei poucas horas de sono. Me rendo às músicas calmas, tranquilas, como gosto, e me esqueço do que aconteceu ou do que provavelmente acontecerá. Deito de lado, abraço meu travesseiro e relaxo... A partir deste momento não me levanto por nada durante a noite toda. Caso eu acorde e me levante, não durmo mais. Sem falar que odeio me levantar durante a noite.

Cheguei à conclusão de que preciso de cinco ou seis horas de sono para acordar bem. Nada mais que isso. E nem consigo dormir mais que isso.

Em noites de insonia meu corpo dói... De ficar rolando de um lado para o outro, de ficar abraçando o travesseiro, de ficar de bruços, de ficar pensando, pensando, pensando... E o pouco que durmo acordo com o corpo mais dolorido ainda.

Nossa mente acaba sendo um complô e nem sempre conseguimos dominá-la.

Quando tenho a sorte de dormir na primeira fechada de olhos e quando é dia de insônia acordo sempre por volta das três da madrugada. Na rádio que deixo ligada a noite toda ouço a Voz do Brasil. Alguém se lembra? Alguém em sã consciência já ouviu esse programa obrigatório na rádio? Então, eu já.

Há uns tempos eu tinha TV no quarto, mas não tenho mais. Só o rádio me basta e tem que ficar ligado a noite toda. Acho que é por isso que não consigo ficar sem música. O cérebro já se acostumou com ela.

Sem falar que silêncio absoluto e escuridão me travam. Me lembro de uma infeliz noite em que acabou a energia e eu acordei. Escuro total e silêncio... Já "ouviram" o silêncio? Medonho! Não consigo achar outra palavra, é medonho! Travei de uma maneira que não conseguia me mexer e mal respirava. Suei frio, olhos arregalados tentando achar um fiapo de luz em algum lugar, taquicardia, pavor... Pavor! Deve ter passado várias noites até ter coragem de, finalmente, me levantar e ir até o banheiro onde o vitrô com certeza me daria alguma visão de luz vinda da Lua ou das estrelas. Quando abri a porta do banheiro a luz voltou... Respirei aliviada, corri na cozinha e peguei vela, fósforo e uma xícara pequena para servir de apoio para a vela. Desde então esse é meu arsenal de sobrevivência noturna, caso a luz fuja de meu controle. Só abrir a gaveta do criado-mudo e pegar meu kit de luz. E tem também meu celular, aliás dois celulares e um ipod que ficam do meu lado. Só pressionar um botãozinho e a luz aparece. Então não será por falta de luz que vou ter aquele pavor novamente.

Parece brincadeira, palhaçada ou coisa de gente medrosa. Pode ser que sim, mas ainda não consegui dominar esse pavor. Quem sabe com o tempo eu consiga encarar a escuridão apagando e acendendo a luz e tendo a certeza de que tudo está devidamente no seu lugar e que ninguém estranho invadiu meu quarto para respirar perto de mim. Um horror!

Um dia de cada vez, com pensamentos bons, orações de agradecimento, kit de sobrevivência, música, fresta de luz, aliás duas frestas de luz para garantir uma visão perfeita de tudo que há no meu quarto e uma esperança de uma longa noite tranquila. Depois acordar, me olhar no espelho e agradecer mais uma vez pela tranquilidade da noite, pelos bons sonhos... Ah, sim, sem falar dos pesadelos que tenho... Mas vamos deixar isso para lá. Focar no bom, no tranquilo... Sempre! Até a noite seguinte, como agora que estou acabando de escrever e já vou me recolher.

Boa noite então, bom dia para quem vai ler de dia, bom fim de semana e bons pensamentos sempre!


5 comentários:

  1. Clara,deve ser terrivel essa sensação no escuro! Eu não sofro de insonia, mas ás vezes acontece de passar a noite sem dormir e é horrível. Eu sou uma pessoa diurna e não dormir á noite estraga uns dois dias até colocar tudo no ciclo outra vez. Excelente seu texto e hoje tem um dos seus em meu blog se quiser ver:

    http://recantodosautores.blogspot.com.br/2014/06/entendendo-o-homem.html

    bjs,

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Felizmente não fico tão arrasada por não dormir, mas sinto que meu raciocínio fica mais lento... a idade, já viu, né?
      Mas as noites de insônia têm sido cada vez mais raras, graças a Deus.
      Vou lá no recanto... beijos, querida por compartilhar!

      Excluir
  2. Oi Clara,
    lendo seu relato, lembrei da minha irmã e minha mãe.
    Elas sempre me contam que a noite pra quem tem insônia, é longa, muito longa...
    Ficar sem dormir à noite, é uma coisa que eu desconheço, pois mesmo
    minha mente estando agitada, eu deito e durmo, e a noite é sempre curta pra mim.
    Desejo um bom fim de semana, e que vc durma bem!
    Bjs!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dormi bem, graças a Deus, Clau.
      A noite é longa e cheia de ruídos... um horror! Por isso tenho que deixar um barulho pra eu ouvir durante a noite. O silêncio me apavora!
      Uma linda semana pra vc também!

      Excluir
  3. Clara querida, eu tb durmo com o rádio ligado, não porque dependo da música mas para ficar informado, ligado no AM. Como não lembro da Voz do Brasil, lembro sim e ouço todos os dias rss Sabe que tenho assistido televisão muito pouco? E os celulares... Hoje cada vez mais minúsculos ou maiúsculos, mas que são verdadeiros computadores manuais, possuo quatro e de quebra um rádio scanner kkk mas consigo dormi bem. Preciso de um lugar ventilado ou climatizado para dormir, total escuro e um bom edredom. Pronto, só no outro dia...
    Parabéns pelos escritos, vc está cada vez melhor.

    Abraços

    ResponderExcluir

Olá, seja bem vindo e deixe seu comentário!

Eu os responderei por aqui mesmo ou por email, se achar necessário.

São muito bem-vindos, sempre!