segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Fabrício Carpinejar

Um texto que gostei muito, de Fabrício Carpinejar. Querem conhecer o blog dele? Cliquem AQUI.

Amor Amor ou Vinícius de Moraes

Há uma ideia do amor exclusivo. Como se houvesse uma única chance na vida de amar. Ou é o amor eterno, ou era mentiroso. Ou acontece pela vida inteira, ou não funcionou.
E, quando acertamos um casamento, as opções anteriores são consideradas falsas – necessitamos apagar o passado. E, quando erramos um casamento, as opções anteriores são vistas como legítimas – desperdiçamos romances melhores.
Trata-se de uma visão limitada, de contar apenas com um endereço para o nosso coração.
Mas amor é cigano, amor é mambembe, amor é viageiro.
Mas amor é tentativa, amor é insistência, amor é rascunho, amor é esboço, amor é esgotar as possibilidades e se recriar diante delas.
Só porque você amou antes, não significa que não pode amar de novo. Ou, só porque você amou antes, não significa que o próximo amor é falso e está fingindo.
Só porque você se declarou a alguém, isso não compromete as próximas declarações.
Só porque você disse que era para sempre e terminou, não quer dizer que é um fingido.
Todos os amores podem ser verdadeiros. Todos podem ser influentes.
Haverá um maior, sim, um amor decisivo, um amor transformador, um amor real, honesto e justo: o Amor Amor.
O Amor Amor não é egoísta, não vai isolá-lo da convivência. Você se duplicará para os próximos. Passará a amar os amigos como nunca. Passará a amar a família como nunca. É tanto amor, que sobrará para muitos.
O que deve prevalecer no temperamento é não desistir, não se entregar para o ressentimento, não defender os sentimentos parados condenando os outros que permanecem em movimento.
Eu acredito que quem casa ou namora várias vezes não é carente. Quem casa e namora várias vezes não é desesperado. Está se moldando à alegria, a superar as diferenças, a se separar, a recomeçar, a sangrar sozinho, a entender as dores e as imperfeições. Apresenta mais chance de ser feliz. Pois a felicidade é maleável, é macia, é elástica. A felicidade é feita para quem tem coragem de sofrer.
Desesperado e carente é aquele que não tenta e vive reclamando, praguejando, amaldiçoando os demais. Desesperado e carente é aquele que se esconde tão bem, que não se encontra e não se dá de verdade.
Desesperado e carente é aquele que não namora ou não casa para não ter que trabalhar emocionalmente e não se decepcionar. Alimenta-se de sombras, de sobras, de rancores.
Amor não é uma vez, são várias vezes até encontrar a pessoa predileta. A pessoa necessária. A pessoa fundamental. A pessoa que supera sua idealização, que lhe devolve a vontade de atravessar suas idades e tempos.
Daí, você descansa por estar andando, como diz minha mãe.
Amor é descansar em estar andando. E andar de mãos dadas jamais cansa.
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AQUI uma crônica de Frederico Matos, sobre solidão. Muito boa também.

14 comentários:

  1. O amor é realmente algo sublime... Parabéns pelo blog, está lindo! Já estou seguindo... Se desejar visite-me: http://aspoderosas1.blogspot.com.br/
    Beijos :)

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    1. Bem-vinda, Larissa, vou lá conhecer seu blog.
      Beijos

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  2. Eu adoro esse escritor tb! Tem gente que vive anos com uma pessoa,se separa e diz que não deu certo.Eu acho que se viveu tantos anos juntos já deu certo e o amor não acaba nunca,apenas se transforma. Adorei o texto! bjs,

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    1. Também penso assim, Anne, que sejam poucos meses, se foi tudo lindo e maravilhoso, deu certo por esse período. Pensar em eternamente é muito longe, muita coisa acontece, e o ser humano tem o dom de poder mudar de ideia, de sentimento, enfim, mudar.

      Beijos

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  3. Fabricio é maravilhoso e se tu o visses de pertinho, no seu dia a dia, irias te encantar mais ainda! beijos,chica

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    1. Eu já estou encantada pelo jeito dele, adoraria conhecê-lo pessoalmente, mas acho que ficaria muda calada... Não saberia conversar com ele... Sou tímida pra chegar a esse ponto, Chica. rsrsrs

      Beijos

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  4. Parece que é com afirmei no meu post ontem: "Nada deve ser objeto de apego excessivo, pois a multiplicidade de pessoas e situações com que devemos tomar contato, para uma correta evolução espiritual, é muito grande".
    E, completando: "Isso não nos autoriza a sermos fúteis e volúveis, mas comedidos".
    Lendo e prendendo.
    Beijos.

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    1. Exatamente! Essa busca tem que ter o bom senso, senão vira um oba-oba na vida que a pessoa se torna um tanto quanto duvidosa, sem crédito nenhum...

      Bem-vindo, Tesco!
      Beijos

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  5. Muito bacana, Clara. O Carpinejar não deixa por menos, ele bate um bolão na escrita. Mas tem certas coisas que só funcionam na literatura... na vida real... nem pensar! Bjs amiga.

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    1. Aí vai de cada um, Marli. Nem tudo que é bom pra um é bom pra todos... e o livre arbítrio também não é pra qualquer um não... Tem que ter uma dose de coragem.

      Beijos, querida!

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  6. Puxa, Clara, que lindo e verdadeiro seu texto. Não namorei muito mas já casei (e descasei) mais de uma vez. Creio que todas foram tentativas de ser feliz, em algumas vezes acertei bastante, mas há essa elasticidade dos sentimentos que nem sempre se acompanham, né?
    E quando um torna-se muito mais rígio ou muito mais maleável que o outro, talvez seja a hora de buscar um outro meio de retornar ao caminho da felicidade a dois.
    Chatinhos são os julgamentos e cobranças da sociedade.
    Frase fantástica: "A felicidade é feita para quem tem coragem de sofrer." Para os invejosos de plantão, que se incomodam com pessoas que brilham, é bom avisar que ser feliz não é fácil.
    Um abraço!

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  7. Difícil é ficar estático numa zona de conforto só pelo fato de não querer sofrer. Isso sim é triste. Outra coisa chata são os julgamentos alheios... não me importo com isso mas que é super chato, isso é!

    Beijos

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  8. Bom dia Clara, que texto maravilhoso, que pessoa sensível e verdadeira, amei o Fabrício, amei a sua escolha, parabéns, abraços carinhosos

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    1. Sim, ele tem uns textos ótimos! Gosto muito! Clica lá e conheça o blog dele, sei que vai gostar...
      Beijos

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