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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Momentos de Inspiração - 2ª Edição


Participando da Blogagem Coletiva do Blog M@amyrene

      Eduarda chegou ao local marcado meia hora antes. Estava aflita e não sabia qual seria a reação de Jorge. Estavam juntos há pouco mais de três meses e num desses descuidos em que os jovens pensam que nada pode acontecer com eles, aconteceu. Estava grávida.

      Jorge não era flor que se cheire. Muito estúpido com coisas que fugiam ao seu controle, agressivo e vingativo. Eduarda não o amava, mas gostava do bom humor que ele tinha. Estavam juntos mas não haviam assumido um compromisso. Estavam juntos por livre e espontânea vontade e se encontravam de vez em quando. Eduarda era meiga, calma, gentil e até ingênua, como vivia repetindo sua mãe. Caía fácil na conversa das pessoas, na ilusão de serem todos bons, sem defeitos.

      Numa noite em que saíram de uma balada com vários amigos, Eduarda que não tinha o costume de beber, com o incentivo de Jorge e dos amigos, bebeu além da conta e terminou a noite num motel. Fizeram as contas da tabelinha e calcularam que nada aconteceria de ruim. De ruim não aconteceu, mas um bebê já estava a caminho.

      Eduarda ainda não contara nada a Jorge porque uma notícia dessa não se conta por mensagem e nem por telefone. Queria olhar em seus olhos e ver sua reação. Seria a pior reação de todas, pelo pouco que Eduarda conhecia de seu ficante. Mas se recusasse a assumir a criança, ela o faria sozinha com todas as consequências possíveis. Eduarda, além de tudo, era amorosa e ajuizada. Quando recebeu a notícia da gravidez, ela entrou em choque, mas com o tempo, começou a acariciar sua barriga e a imaginar a carinha do bebê. O instinto materno foi forte e mesmo em tão pouco tempo já conseguia pensar em sua vida dali para frente. Um sorriso tímido tomou conta de seu rosto e só voltou a ficar agoniada quando começou a pensar em como reagiria Jorge com a notícia.

      Ao longe avistou Jorge com todo aquele jeito de rebelde sem causa, caminhando ao seu encontro, sem rir, e com o nariz empinado. Segurou seu rosto e deu-lhe um beijo na boca. Depois chamou-o para sentar em uma sorveteria para que conversassem. Queria um lugar movimentado pois tinha medo de alguma reação mais agressiva do que de costume.

      Havia só uma mesa disponível e antes mesmo que a funcionária a limpasse, abelhas voavam à procura de alguma gota doce de sorvete derretido. Eduarda ficava se esquivando do voo descontrolado das abelhas e se levantou e esperou que a funcionária limpasse a mesa. Feito isso, pegou o resultado do exame de sangue e o entregou a Jorge.

     - O que é isso? Cartinha pra mim, meu anjo? - perguntou, com um sorriso torto no rosto.

      Leu, releu, fechou os olhos, deu um tapa na mesa e olhou nos olhos de Eduarda.

      - Como é que isso foi acontecer? Não podia! Não agora, entende? - resmungou em voz um pouco mais alta e fez com que as pessoas escutassem e se virassem para ele, assustadas.

      Ela não sabia o que responder e começou a chorar, discretamente. Depois de um tempo ele pegou em sua mão, beijou e disse que o que estava feito, estava feito e que assumiria a criança. Só não se casaria com ela porque ainda não se conheciam bem para assumirem nada, mas que ela poderia ficar despreocupada que ele não era nenhum moleque de deixá-la sozinha numa hora dessa.

      Eduarda enxugou as lágrimas, passou a mão em seu rosto e agradeceu. Ele fez o mesmo com Eduarda e lhe deu um beijo na testa.

      - Oi, mamãe... Meu anjo esperando outro anjo... - disse, olhando os olhos molhados da mãe de seu filho.

      O mais difícil agora seria encarar os pais que tantos planos fizeram para a única filha. Estavam em processo de mandá-la ao Canadá para aperfeiçoar o inglês e agora teriam que cancelar, ou adiar a vontade deles. Agora a vontade seria dela e do bebê, pelo menos por enquanto. Mas sabia que não enfrentaria nada sozinha. Jorge, apesar do jeito grosseiro e tosco, não fugia de suas obrigações.

      Fim.


11 comentários:

  1. Nossa gostei demais ficou bem diferente parabéns!!!!

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  2. Linda sua participação e inspiração! Certos acontecimentos chegam sempre para ajudar. Quem sabe não foi para ajudar o rapaz que precisa de docilidade, de um puco de ternura para seu jeito rebelde, mais maturidade! Penso sempre no melhor! Grande abraço!

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  3. Clara, que bom que Jorge é uma rapaz decente. O mínimo seria mesmo assumir.
    Também gostei muito.
    Xeros

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  4. Oi Clara! Essa é a primeira vez que te visito por aqui 9sorry pela demora). Muito bom seu conto. Eu gosto de escrever, mas acho que não conseguiria escrever um conto curtinho assim. Sou meio compulsiva com as palavras. Ahahah!
    Olha, eu voltei ao mundinho bloguístico. Se quiser me visitar e seguir, será uma honra. http://osonhodethalia.blogspot.com.br

    Tô te seguindo.

    Bjks

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  5. Amei... tem homens que parecem verdadeiras rochas, mas no fundo são seres maravilhosos.
    Amei a historia, muito lindo, fiquei com gostinho de quero mais... Bjks

    http://www.artesdosanjos.com.br/

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  6. Parabéns,linda inspiração e participação! bjs praianos,chica

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  7. Você sempre escrevendo de uma forma fácil e atraente de se ler...
    Agora é só esperar o bebê de Eduarda nascer.
    Beijos.

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  8. Clara!
    Os pais sempre sofrem com situações do tipo, né? Conto realístico e preciso, parabéns!

    Vim desejar um Feliz dia do amigo e retribuir seu carinho, muuuuuuito obrigada!!


    "Amigo é coisa para se guardar, do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam: não, mesmo esquecendo a canção. O que importa é ouvir a voz que vem do coração." (Milton Nascimento)


    Desejo um ótimo final de semana!!
    Blogueiras Unidas 1275!
    Paz, amor e muita luz!
    cheirinhos
    Rudy
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  9. Levei um susto com esse tapa na mesa do Jorge, mas depois de tanta tensão tudo acabou bem! Adoro um finbal feliz!

    Obrigado por estar sempre presente com esse dom que nos encanta.

    Beijos

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  10. Cheguei aqui através da comunidade Escritores Criativos e gostei muito do que encontrei...já virei fã, um abraço!

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  11. Oi Clara, sua maneira de escrever é bem envolvente. E que bacana que o rapaz do texto assumiu sua parte de responsabilidade.
    Abraços e boa semana.

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