segunda-feira, 30 de julho de 2012

Amor psicopata

Este texto eu publiquei dia 24 de agosto de 2011.
Até hoje é muito acessado e comentado, por isso resolvi postá-lo novamente.



É encantador...

Chega como quem não quer nada, fala coisas bonitas, sabe as palavras certas nas horas certas...


Aparentemente é sensível e entende como ninguém a mulher... e a faz se sentir única no Universo.


Muito carinhoso, a eleva tão alto que a faz acreditar que é um anjo ou uma rainha, e que o mundo é cruel por não perceber isso.


Lhe elogia, lhe agrada, aflora seus desejos mais secretos, lhe faz pensar que nunca teve mulher que chegue aos seus pés.


Diz que vai cuidar de você como merece.


Lhe envolve de tal forma que fica difícil acreditar como conseguiu viver sem ouvir tudo aquilo e viver tudo o que sempre sonhou.


Começa a se desvalorizar e a dizer que você não merece um homem como ele. Se faz de sonso e de derrotado.


Lhe convence que terão uma vida juntos pra sempre e que ninguém vai impedir isso, mesmo se você for comprometida.


Ele largaria tudo por você e lhe convence do mesmo. É canalha, sedutor e carismático.


Lhe convence que "certos" amigos não são bons pra você e insinua que é melhor se afastar deles, pelo menos por enquanto... E você obedece.


Diz que pra confiar, um tem que falar tudo do passado pro outro. E você obedece.


Ele sempre se diz vítima e você acredita. É bondoso e você fica comovida.


Confia nele seus amores passados, detalhe por detalhe e ele lhe ouve atentamente.


Passado um tempo, lhe pergunta tudo de novo, e você repete tudo, só que agora ele lhe testa de uma forma que você não tem certeza se falou tudo ou não. A primeira briga.


Diz mais uma vez que pode confiar nele e que quer só cuidar de você. Obedece.


Pergunta mais uma vez sobre antigos relacionamentos com todos os detalhes, querendo comparações entre os antigos e ele e começa a não confiar tanto em você. Briga.


Tarde demais, você já está tão envolvida que sente nojo de seu passado. Se arrepende de tudo que fez e lhe  pede perdão.


Acha melhor você se afastar também de sua família, que deve estar conspirando contra vocês dois. Obedece.


Começa a implicar com suas roupas. Muda seu modo de vestir, de falar, de agir, muda sua vida. Obedece e nem percebe.


Depois de um bom tempo juntos, você não tem mais graça pra ele... Começa a implicar todos os dias, dizendo que você não é bem aquilo que ele imaginava, mas continua lhe proibindo de tudo. E continua obedecendo, pois acredita que ele é o homem de sua vida.


Aos poucos você vai definhando, não sai de casa, é humilhada todos os dias, às vezes apanha... Mas à noite na cama ele te leva às estrelas e a faz se sentir uma rainha... Mas só à noite. Repete todos os dias que você tem muita sorte de estar com ele, pois não presta e ninguém mais nesse mundo vai lhe querer.


Quando percebe, acabou sua vida, seus amigos lhe abandonaram, não tem mais contato com sua família, ou seja, vive a vida dele, enclausurada e sem chances de fugir, pois ele é o homem de sua vida, aquele que lhe trata tão bem à noite, na cama, no sexo, nas palavras carinhosas, com seus filhos... E só!


Isso sem falar que muitos "matam" suas companheiras por ciumes. Infelizmente isso é cada vez mais comum.


Como sair dessa? Como se livrar de um psicopata?


É difícil. Pra muitas é até impossível, pois abandonaram até o emprego.


Tenha sempre em mente... O amor não cobra nada, ele simplesmente existe junto com o respeito.


Por que você tem que mudar seu jeito de viver pra viver a vida de uma outra pessoa?


Será mesmo que existe uma pessoa na nossa vida? Amor eterno?


Eu não acredito!


O ser humano é dotado de amar muitas e muitas vezes. Alguns ficam na memória como eternos, outros não gostamos nem de lembrar, mas geralmente são amores diferentes, dependendo da afinidade. Não é fácil encontrar, os casamentos nem duram tanto assim, a sociedade cobra muito e a carência faz com que a mulher aceite o que está próximo. Claro que não vale a pena. Se ame primeiro e depois compartilhe isso com o outro.


É perigoso uma pessoa assim, pois age tão naturalmente, é tão amável com os outros que nem tem como reclamar, pois a pessoa é tão bondosa com os outros que faz a mulher se sentir a mentirosa, a exagerada da relação. Mas quem vive em quatro paredes? Então a decisão é sua.


Amores vêem e vão, acontecem ao longo de toda a vida e não são eternos (isso é uma opinião minha).


De olho... primeiro você, depois o outro. Compartilhar e não satisfazer. Amar e ser amado e não se entregar pra outra pessoa, como um pacote a ser vigiado.


Boa sorte, pra todas nós!

Existem também, é claro, mulheres psicopatas, que às vezes conseguem ser piores ainda.



Um link sobre o assunto. Muito interessante.... aqui


sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Cura

Síndrome do pânico - condição mental que faz com que o indivíduo tenha ataques de pânico esporádicos, intensos e muitas vezes recorrentes.


Depressão - não é tristeza; é uma condição duradoura de tristeza;  perda de prazer nas atividades diárias; apatia.

Durante alguns anos, após a separação, fiquei nesse estado: com pânico e depressão. Virei outra pessoa, com outras atitudes, esqueci de me cuidar, esqueci do que gostava, esqueci o que era lazer, esqueci o que era carinho e amor. Aliás, carinho e amor só com meus filhos.

Mais uma vez vi o quanto Deus é perfeito na nossa vida. Se não fossem meus filhos, acho que não estaria aqui escrevendo...

Por que eu fiquei mais de doze anos trancada em casa com essas doenças? Porque quem tem essas doenças não imagina que tem e muito menos tem a iniciativa de procurar ajuda. Enxergamos o mundo de uma outra forma, num tom cinza escuro... E o tempo vai passando, passando....

O pânico era tanto que eu não conseguia sair de casa, com medo de morrer pelas ruas e ninguém nunca mais me achar; ou então as pessoas me verem morta, caída no chão e me deixarem lá, até apodrecer. E com isso ninguém sentir minha falta. Então, ficando em casa estaria segura de que se morresse, alguém me acharia fácil. E junto com o pânico veio a fobia de lugares fechados, de multidão, de lugares pequenos... Até hoje ainda tenho um pouco de fobia, mas já melhorei muito; já não fico suando frio, e nem com desespero de sair correndo do lugar. Mas ainda fico olhando para todos os lados e, se eu estiver sozinha, ando de um lado para o outro, tentando sair da multidão o mais rápido possível.

Ainda tenho crises de depressão: ainda choro, talvez o dia todo, sem um motivo certo,  me lembrando do passado. Mas essas crises são cada vez mais raras.

Voltando um pouco a história, quando me dei conta de que não estava bem, nas várias crises de pânico, eu temia ter um enfarte ou AVC, e marcava com o médico para ver se corria esse risco. Numa dessas consultas, o médico começou a fazer perguntas, e uma delas era se eu gostava de colo. Eu olhei para ele e comecei a chorar, porque me dei conta de que nunca tive colo. E contei do meu medo de morrer, onde ele diagnosticou como pânico e depressão. Me receitou gotinhas homeopáticas, que me ajudaram muito, e aos poucos fui voltando a ser o que era antes.

Por que eu disse tudo isso? Fiquei anos, mais de doze, com todos esses sintomas, com filhos pequenos para cuidar, e quem estava "supostamente" do meu lado, achava normal. Antes disso tudo, bem antes de me separar, eu era uma pessoa alegre, bem humorada, vaidosa, como estou sendo agora, e fui me acabando aos poucos, e quem precisava perceber que havia algo errado comigo, não percebeu, ou se fez de cego... não sei... já passou. Talvez depois de passar por tudo isso, reavaliei minha vida e excluí o que não me servia para nada. Sem medo ou remorso, apenas me afastei de todos. Já que eu era sozinha quando precisava das pessoas, agora que estou melhorando, não preciso dessas pessoas.

Mais uma vez entra a misericórdia de Deus, que nunca nos abandona e sempre dá um jeito de colocar em nosso caminho, pessoas de bem, sensíveis, amigas, que nos dá a mão, amor, carinho, enfim, tudo o que o ser humano precisa para ter uma vida normal.

Agora chego onde quero: me atrevi a fazer uma viagem longa, e sozinha! Fiquei me preparando durante uns dois meses, com um certo pânico, mas encarei numa boa porque me encontraria com pessoas que queria conhecer. Mas viajaria sozinha e sabe lá o que aconteceria durante o percurso... E se eu passasse mal, ou se entrasse um ladrão dentro do ônibus e roubasse minhas coisas, ou se numa das paradas o ônibus me esquecesse e eu ficasse sozinha num lugar desconhecido? E se acontecesse um acidente e ninguém conseguisse localizar alguém que me conhecesse? Bem, é assim mesmo que eu pensava.

Mas chegou o dia, passagens compradas, ida e volta, e lá fui eu embarcar num ônibus com rumo certo, mas com destino indeterminado segundo meus pensamentos. Não tinha como voltar atrás.

Fui para Belo Horizonte conhecer amigas do facebook, como viram no post passado. Me informei de tudo, principalmente a duração da viagem: mais ou menos sete horas; mas demorou mais de nove horas. Para me distrair, fui fazendo crochê praticamente a viagem toda, e isso foi ótimo; e para voltar, vim dormindo, já que era noite. Cheguei à noite, num horário de pico, em plena sexta-feira, cidade grande, e ainda tive o topete de pegar táxi para ir à casa da amiga, que me esperava. Olhava para os lados, aquele movimento intenso e só pensava: "o que eu estou fazendo aqui, meu Deus?", mas não tinha volta; já que tinha chegado até ali, tinha que ir até o destino programado. E fui!

Antes de chegar à casa da amiga, tive uma crise de choro, ainda dentro do ônibus, só de pensar que tinha conseguido sair de casa, andar mais de quatrocentos quilômetros, sozinha.... e salva! E quando cheguei na casa de Cássia, também chorei ao vê-las todas me esperando de braços abertos, com aquele abraço apertado, aquele carinho todo, a atenção... gestos que eu não estava acostumada.

Enfim, me senti curada, ou quase curada. E isso me deixou orgulhosa de saber que apesar de não ter muito apoio de pessoas que deveriam perceber, de certa forma, eu percebi e aos poucos me curei.

Ainda falta muito para me sentir bem, para ultrapassar todas as barreiras, todos os medos, choros, mas a primeira batalha eu já ganhei: sair de casa, viajar para um lugar distante e desconhecido e me encontrar com pessoas que não conhecia pessoalmente.

É ou não é uma aventura? Eu fui! E não morri!

Um ótimo fim de semana para todos!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ex virtuais

Contrariando meus medos e meus traumas, me aventurei numa longa viagem neste fim de semana: fui para Belo Horizonte conhecer amigas do facebook.


Essa é Cássia, que está me dando um beijo na bochecha, a amiga querida que nos acolheu em sua casa.

Uma irmã que escolhi, uma empatia imensa, um enorme bom humor, carismática, talentosa, uma pessoa excepcional.

É uma das melhores maquiadoras de Belo Horizonte, que transforma mulheres em divas, que depois que passamos por suas mãos e nos olhamos no espelho, não nos reconhecemos de tão perfeito que é seu trabalho. Para quem é de Belo Horizonte e se interessar, tem uma propaganda aqui, do lado direito. Eu recomendo e assino embaixo.


Essa é Luciana, a filha linda de Cássia, que também nos permitiu invadir o espaço de sua casa. Fofa!


Essa é a turma, praticamente uma formação de quadrilha, todas do facebook, que por afinidades promovemos esse encontro que foi mais do que especial.

A Cássia, do lado esquerdo, que vocês já viram na foto anterior, depois eu, logo abaixo tem Denise, a nossa boneca de porcelana, que é de Campinas, depois Meri, de cabelos cacheados, que é do Rio Grande do Sul, com aquele sotaque delicioso e que todas nós ficamos apaixonadas por ela.

Foi um encontro inesquecível!!!


Nós todas reunidas no Shopping para um almoço de despedida, junto com Adriana, a morena do lado esquerdo e Mariana, a primeira do lado direito. Todas amigas do facebook.

Amigas virtuais que agora são reais, e que na próxima oportunidade vamos nos encontrar de novo, em algum lugar desse Brasil.

Meninas, amei conhecê-las!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

E tudo mudou...


O rouge virou blush 

O pó-de-arroz virou pó-compacto 
O brilho virou gloss 

O rímel virou máscara incolor 
A Lycra virou stretch 
Anabela virou plataforma 
O corpete virou porta-seios 
Que virou sutiã 
Que virou lib 
Que virou silicone 

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento 
A escova virou chapinha 
"Problemas de moça" viraram TPM 
Confete virou MM 

A crise de nervos virou estresse 
A chita virou viscose. 
A purpurina virou gliter 
A brilhantina virou mousse 

Os halteres viraram bomba 
A ergométrica virou spinning 
A tanga virou fio dental 
E o fio dental virou anti-séptico bucal 

Ninguém mais vê... 

Ping-Pong virou Babaloo 
O a-la-carte virou self-service 

A tristeza, depressão 
O espaguete virou Miojo pronto 
A paquera virou pegação 
A gafieira virou dança de salão 

O que era praça virou shopping 
A areia virou ringue 
A caneta virou teclado 
O long play virou CD 

A fita de vídeo é DVD 
O CD já é MP3 
É um filho onde éramos seis 
O álbum de fotos agora é mostrado por email 

O namoro agora é virtual 
A cantada virou torpedo 
E do "não" não se tem medo 
O break virou street 

O samba, pagode 
O carnaval de rua virou Sapucaí 
O folclore brasileiro, halloween 
O piano agora é teclado, também 

O forró de sanfona ficou eletrônico 
Fortificante não é mais Biotônico 
Bicicleta virou Bis 
Polícia e ladrão virou counter strike 

Folhetins são novelas de TV 
Fauna e flora a desaparecer 
Lobato virou Paulo Coelho 
Caetano virou um chato 

Chico sumiu da FM e TV 
Baby se converteu 
RPM desapareceu 
Elis ressuscitou em Maria Rita? 
Gal virou fênix 
Raul e Renato, 
Cássia e Cazuza, 
Lennon e Elvis, 
Todos anjos 
Agora só tocam lira... 

A AIDS virou gripe 
A bala antes encontrada agora é perdida 
A violência está coisa maldita! 

A maconha é calmante 
O professor é agora o facilitador 
As lições já não importam mais 
A guerra superou a paz 
E a sociedade ficou incapaz... 

... De tudo. 

Inclusive de notar essas diferenças





Luis Fernando Veríssimo   


  


Uma ótima semana para todos!!!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Uma dor que não é nossa, mas é nossa!

imagem Google

Para mim, não há paz maior do que ver meus filhos dormindo. Me dá uma sensação de dever cumprido, que mais um dia se foi e que eles estão bem e dormem tranquilos.

Como toda mãe, fico agoniada quando sei que estão com problemas e tenho que deixar que eles tomem a decisão sozinhos. Não posso ficar interferindo, por isso, converso e ouço muito. Posso até dar minha opinião, mas prefiro fazer perguntas, para que eles pensem na resposta e cheguem a alguma conclusão. Cabe a nós mostrarmos os caminhos e as opções, deixando o resto por conta deles.

Educar um filho é difícil demais, porque o mundo está todo aí, de braços abertos para eles desbravarem, e se não tomamos conta, o mundo toma!

Mas também uma dor imensa que sentimos é quando vemos nossos filhos sofrendo, chorando... e realmente não podemos fazer nada.

imagem Google

Adolescentes então, parece que tudo é imenso, vida ou morte, para sempre, sim ou não, tudo grandioso e dramático.

Época de namoros, paixões, posses, namoro chiclete, grudento. E às vezes o namoro termina... e lá vem choro, choro, choro e choro....

Sabemos que é passageiro, porque já passamos por isso, mas dói ver um filho chorar por nada... ou por tudo... E mais uma vez, a paciência de ouvir os lamentos, as ladainhas e procurar dar os melhores conselhos, sem interferir na decisão deles. Que difícil isso! Mas o sentimento é deles e quem tem que decidir  são eles.

Faz parte do amadurecimento.

Filhos sofrem, mães sofrem junto...



Um ótimo fim de semana para todos!!!
Volto só semana que vem!!!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Eu, escritora!


É isso mesmo? Alguém aí pode me beliscar porque a ficha ainda não caiu?

Então, quem me visita sempre, sabe que escrevo contos, alguns longos, em capítulos, outros curtos... Adoro escrever!

Então, num dos blogs que sigo, o Um pouco de mim, da querida Elaine Gaspareto, junto com a Editora Digitexto, promoveram um concurso de contos onde selecionariam vinte e cinco, para lançarem um livro.

E euzinha aqui, escrevi dois contos, como permitia a regra. Na verdade, apesar de ficar ansiosa, não fiquei com tantas esperanças assim, pois sei de tantos escritores anônimos com ótimos contos, que não fiquei aguardando com o coração na mão. Apenas aguardei o dia em que seria revelado os selecionados. Já estava preparada para dar os parabéns para todos quando fiquei sabendo que fui uma das selecionadas....

Tremi tanto que mal conseguia digitar o link para ler a lista.... E para quem não sabe, tenho uma mania meio estranha de começar a ler coisas pelo fim (maluca mesmo). Então fui no final da lista e vi meu nome lá!!!

Conseguem imaginar como fiquei? Não conseguia ler direito, chorava, ria, gritava.... tudo ao mesmo tempo.

Depois, com mais calma, voltei no link para ter certeza se era meu nome mesmo, o meu conto, meu blog, ou se estaria vendo coisas onde não deveria. Só que agora, comecei a ler pelo começo.... e não é que meu nome também estava no começo?

Na hora não prestei muita atenção, continuei rindo, chorando, falando sozinha....

E pela terceira vez, reli...

E comecei pelo começo, com calma, para ver quem mais tinha sido selecionado e se conhecia...

E li meu nome no começo.... continuei.... e li no final também!!!

Aí surtei de vez! Como assim, gente? Meus dois contos foram selecionados?

É isso mesmo, meus dois contos vão estar no livro da Digitexto....

Gente, muito feliz, muito realizada, completamente em estado de graça!!!

Consegui!!!!

Quem quiser conferir a lista dos próximos autores que estarão no livro, clique aqui.

domingo, 15 de julho de 2012

Amor aos Pedaços - Reintegração


A última fase da Blogagem Coletiva - Amor aos Pedaços - Reintegração.

Quero agradecer à Rosélia, Luma Rosa e Rute, pelo carinho e por compartilhar fases, que na verdade são pedaços de nós, vivências, alegrias, sofrimentos, e também reintegração.

Fiquei muito tempo pensando no que escrever, pois ao longo de minha vida, não houve reintegração de nada. Somente perdas e ganhos. Coisas que acontecem, decisões que tomamos, que no momento da vida, foram as melhores que encontramos. Arrependendo ou não, sofrendo ou não, é vivência, é experiência.... E cada um tem a sua.

Amar é preciso, sofrer faz parte, desistir é necessário, mas reintegrar, só com um bom senso e uma experiência ou visão de futuro que realmente valha a pena. Não é para qualquer um, principalmente nos dias de hoje onde tudo se tornou descartável.

Aquelas uniões estáveis, para a vida toda, são uma raridade, mas ainda existem. Mas será que estão realmente felizes com essa união? Será que o amor ou a tolerância realmente valeram a pena? Não sou a pessoa ideal para falar sobre isso, pois minha união nunca foi estável.

Aquelas frases: "Felizes para sempre"; "E juntos se tornaram um só corpo"; "O que Deus uniu, o homem não separa"; até pouco tempo atrás não acreditava muito.. Não conseguia entender porque o ser humano seria capaz de amar uma única vez. Para mim o homem é muito mais que um só amor... o homem é todo amor, bastando apenas exercer amar, perdoar, começar de novo... Acho que isso que no momento, para mim, seja reintegrar.

Na vida tomei decisões que me machucaram muito, mas hoje percebi que foram necessárias, pois se tivesse a reintegração, não seria das duas partes. Aliás, tentei por muito tempo essa reintegração, mas só eu mudei, só eu lutei, só eu quis, e por fim, só eu sofri.

Mas uma união estável, onde ainda se tem o respeito e principalmente o amor, aí sim, vale a pena tentar e conseguir. Uma boa iniciativa é o diálogo sempre, mas sem cobranças, sem acusações, sem julgamentos. Os dois se reintegram, já que quando se casaram se tornaram uma só carne, como diz a frase da Bíblia.

Na minha vida isso não foi possível, mas ainda assim, acredito em casamento, em amor, em respeito, em união de dois que se tornam um.  Vale a pena lutar sim.

Rosélia, Luma Rosa e Rute: muito obrigada pela oportunidade de participar da Blogagem Coletiva. Adorei!
Que Deus as protejam e lhes defendam de todo o mal. Amém!


sábado, 14 de julho de 2012

Esmalte e Paris

Esmalte Ludurana antialérgico Lilás, chique, como Paris.

É um sonho de consumo...

Sonhe, não desista, que um dia o sonho vira realidade...

Quantas vezes repeti essa frase, pra mim, pros outros... Mas não me dava conta de que era verdade mesmo... Nunca tinha sentido na pele a realização de um sonho... Eles existem... E viram reais...

Paris... Um dia eu vou... Ah, se vou! E acompanhada.... E muito bem acompanhada...




Eu digo que tenho a alma francesa (tá bom, sou metida mesmo!), mas o que custa sonhar, sonhar, sonhar.... Nada!!!

Música francesa, uma paixão... Mesmo sem entender nada, me emociono... Depois vendo a tradução, tenho a certeza de que não foi por acaso que me emocionei...


Pena que não encontrei a tradução dessa música... é linda!!!

Atualizando.... aí está a letra. Linda!!!


Não, Eu Não Me Arrependo de Nada

Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal - isso tudo tanto faz!

Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado!

Com minhas lembranças
Acendi o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus temores
Varridos para sempre
Recomeço do zero.

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo tanto faz!

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!



Paris... Eu vou!!!

Mais Paris, mais esmaltes chiques, mais sonhos realizados ou ainda a serem realizados, lá na Fernanda Reali.

Um ótimo fim de semana pra todos!!!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Estou aqui! - Parte V - Final

Continuação...

     No outro dia, Sônia chegando ao centro espírita, presenciou uma sessão que já havia começado. Sentou no fundo da sala e viu quando um senhor, na mesa, conversava com um suposto espírito que por ali estava. Antes ela tinha dúvidas se a vida após a morte existia, mas depois do que viu em sua casa, com seu caçula, não tinha mais do que duvidar. Sônia não queria conversar com o filho em uma mesa branca, queria apenas informações e uma ajuda do que poderia estar acontecendo em sua casa. Esperou que terminasse a sessão para depois ir conversar com alguém que pudesse lhe responder as inúmeras perguntas.

      Se aproximou daquele senhor e lhe perguntou se poderia lhe dar algumas informações. Ele olhou no relógio, sorriu para ela e lhe convidou a sentar ao seu lado. Muito gentil, seu Vicente ouviu tudo o que Sônia relatou, com uma mão apoiando o queixo, e olhando fixo em seus olhos. Este gesto deixou Sônia incomodada, pois teve a sensação de que seu Vicente estava enxergando sua alma. De certo modo isto era até bom, pois se não conseguisse passar com palavras toda a sua agonia, ele entenderia.

      Seu Vicente explicou que o que o filho caçula estava vivendo naquele momento era muito comum, pois algumas crianças até os sete anos, são sensíveis e enxergam ou sentem tudo com mais clareza que os adultos, e que com o tempo, se caso não fosse uma criança mediúnica, tudo sumiria após completasse os sete anos. E completou dizendo que se o filho disse coisas tão evidentes e verdadeiras que antes ele jamais poderia saber, como o nome da bisavó, era provável sim, que o irmão mais velho e a bisavó estivessem lá. Continuou, dizendo que para chamar uma criança em espírito até uma mesa branca, como ela acabara de presenciar uma sessão, ainda não era tempo, pois o espírito tem suas fases de evolução e nem sempre lhes é permitido o contato com a terra.

      Sônia, ouviu tudo atentamente, agradeceu e voltou para casa. No caminho ela não teve dúvidas de que era sim seu filho com a bisavó, e isso ela resolvera não comentar com mais ninguém, por ser um assunto que geraria muitos comentários e não teria como provar nada. Não queria provar nada, só queria saber se o filho estava bem, e principalmente o porquê ele os deixou tão cedo. Sônia estava com o coração despedaçado pela falta, por toda aquela tragédia e o que ela menos queria era conversas de pessoas que não sabiam o que se passava em seu coração e sua alma. A dor de perder um filho, é a dor mais profunda que uma pessoa pode sentir, e só quem passa por essa infeliz situação é que sabe que conversas e conselhos nem sempre valem a pena ficar escutando.

      Chegou em casa e como sempre seu marido dormia no sofá, com a TV ligada, e André brincava no quarto. Se aproximou, deu-lhe um beijo na cabeça,  sentou ao seu lado e ficou observando suas brincadeiras. Ele arrastava um carrinho para lá, para cá, dava uma cambalhota nele, voltava ao chão, fazendo barulho com a boca. E vez ou outra, olhava para o nada, dizia o nome do irmão e ria. Sônia perguntou ao pequeno se Tiago estava brincando com ele, que respondeu que sim com a cabeça. Depois perguntou se ele estava rindo e ele respondeu do mesmo jeito. Depois André parou com a brincadeira, foi até a cama, pegou um papel escrito e entregou à mãe. Dizia o seguinte, em letra maiúscula e de forma:

      - MAMÃE, MEU TEMPO NA TERRA ACABOU. JÁ ESTAVA ESCRITO QUE MINHA MORTE SERIA COMO FOI. ESTOU BEM E COM A BISA SOFIA, POR FAVOR NÃO CHORE MAIS. DAQUI UNS DIAS VOU EMBORA COM A BISA E O MANO NÃO VAI MAIS ME VER.
      TE AMO. TIAGO.

      Sônia não sabia se lia ou se chorava, pois a letrinha era do caçula, que não tem idade suficiente para elaborar uma frase desta. Mas o modo como foi elaborada, tinha certeza de que era de seu filho Tiago. Na mesma hora se lembrou do que o médium lhe disse que a criança quando completa sete anos, a tendência era não mais ver espíritos. Ela deitou no chão de bruços, com a carta no peito e chorou. André foi até a mãe e lhe deu um beijo na bochecha e disse que foi o irmão que pediu para lhe dar esse beijo. Chorou mais ainda, mas se levantou, pegou o caçula nos braços, abraçou e beijou muito e disse para ele dizer para o irmão que esse abraço e esses beijos eram para ele. André riu, colocou um dedinho na boca e apontou para o chão, como se mostrasse o irmão. E riu, olhando para o chão e depois olhando para a mãe.

      Sônia, a partir daquele dia, começou a se preparar para dar toda a atenção ao caçula, quando este completasse sete anos e não mais teria o irmão para brincar. E seu coração ficou mais aliviado, apesar da dor da perda e a dor da saudade só aumentarem com o tempo. Mas o que tinha presenciado, isso ninguém lhe tiraria jamais.

      FIM.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Estou aqui! - Parte IV

Continuação...

      Sônia, chegando em casa, encontrou o marido deitado no sofá, assistindo TV, mas com o olhar perdido e se lhe perguntasse o que estava passando, com certeza não saberia dizer. André brincava no quarto.

      Sentou na beirada do sofá e começou a contar como foi a consulta com a psicóloga, mas Mateus permaneceu como estava: imóvel, e apenas acenava com a cabeça. Ela lhe deu um beijo na testa e foi ver André.

      Andou pé ante pé para que o filho não percebesse sua presença, e mais uma vez o pegou falando com o amigo imaginário, mas chamando-o por Tiago. Não se assustou e continuou quieta, atrás da porta e ouviu do filho:

      - Cadê aquelas figurinhas que você tem? - e ficou em silêncio.

      - Mãe, mãe.... - se levantou, assustando a mãe, que disfarçou para que o pequeno não desconfiasse que ela estava atrás da porta.

      - Pega aquela caixa amarela, que tá em cima do guarda-roupa? - perguntou o pequeno.

      - O que tem lá, filho? - perguntou, só para ver onde essa conversa iria.

      - Tem as figurinhas do Tiago! Pega pra mim? - falou afobado para a mãe, apontando para a caixa amarela.

      Sônia gelou, porque realmente as figurinhas e mais alguns brinquedos estavam na caixa amarela. Ela guardou em cima do guarda-roupas porque sabia que as figurinhas e aqueles brinquedos eram os preferidos do filho morto.

      - Quem te disse que as figurinhas estão lá dentro? - perguntou ao pequeno.

      - O Tiago, ué! Pega lá, mãe, ele falou pra você pegar! - falou muito aflito apontando mais uma vez para a caixa.

      Sônia pegou a caixa, se abaixou e antes de entregá-la ao filho, perguntou onde estava Tiago. André apontou o dedo e mostrou, logo ali à sua frente. Ela olhou e claro que nada viu, e perguntou como ele estava, e se ele estava vendo-a. Ele olhou para o rumo onde havia apontado o dedo e fez um sinal afirmativo para a mãe. Sônia pediu para que André perguntasse se ele estava bem e com quem estava. André olhou, flexionou a cabeça para o lado, como se estivesse prestando atenção na suposta resposta do irmão e disse que ele estava bem e que estava junto com a bisavó Sofia, que estava cuidando dele agora. Sônia arrepiou e caiu sentada, deixando a caixa cair, espalhando tudo o que estava dentro, no chão.

      André começou a rir do tombo da mãe e olhava para o lugar onde supostamente estava o irmão e até dobrava o corpo para gargalhar. Sônia, trêmula, não conseguia se levantar e nem chamar pelo marido. Então, respirou fundo, fechou os olhos, fez uma oração e ficou ali para ver o filho brincar.

      Aos poucos, ficou mais calma e até se divertia com as brincadeiras do filho. Depois de um tempo se levantou e mais uma vez foi falar com o esposo que ainda estava deitado no sofá. Contou tudo o que ouviu e  mesmo assim o esposo não lhe deu confiança na conversa, dizendo que tudo isso não passava de alucinação.

      Inconformada, Sônia foi procurar umas fotos antigas e viu uma com a família de sua avó que já era falecida há mais de trinta anos. Voltou para o quarto onde estava o filho, se sentou no chão e pediu para que André perguntasse ao irmão se ele sabia dizer qual era a bisavó que estava com ele. Alguns segundos depois, André colocou o dedinho em cima da figura da bisavó Sofia. Ela não se conteve, levou a mão à boca e uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Sim, era Tiago e sua avó, bisavó dos meninos que estava por ali. Um fio de esperança lhe invadiu a alma, pois sabia que apesar de toda aquela tragédia, seu filho estava bem e amparado pela bisavó.

      Mas ainda não era suficiente para lhe calar o coração; precisava de mais informação sobre aquela tragédia que fez com que toda a família também morresse junto com o filho Tiago. Não pensou duas vezes e foi pesquisar onde havia um centro espírita. Pela lista telefônica, anotou o endereço e se programou para ir no outro dia, no horário em que seu marido estivesse em casa para poder ficar com André. Não conseguiu dormir à noite, e algumas vezes se levantou e foi até a cama de Tiago, para cheirar e abraçar seu travesseiro.

Continua...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Estou aqui! - Parte III

Continuação...

      A psicóloga, uma moça simpática e meiga, aconselhou os pais a começarem uma terapia com o pequeno André, e foi atendida prontamente. Começaria na próxima semana.

      De volta para casa, mal entraram e André já correu para seu quarto para pegar os brinquedos e começar a algazarra de criança. Pegou um aviãozinho que era do irmão, e começou a correr elevando o braço e fazendo barulho com a boca; chamava pelo irmão Tiago, pedindo que o seguisse, e corria pela casa, todo alegre, olhando para trás como se procurasse realmente por Tiago. Sônia parou à sua frente e perguntou com quem estava brincando e ele confirmou ser Tiago. Ela arrepiou e saiu de perto.

      A partir desse dia, Sônia ficava de olho no filho brincando e como ele falava com o amigo imaginário. Era assim que definia a psicóloga Rosana: amigo imaginário. Talvez pelo trauma da perda do irmão, daquela confusão toda, o sofrimento dos pais e ele vendo o irmão caído no chão, todo sujo de sangue, tenha desencadeado um trauma psicológico. Sônia comentava com Mateus sobre as brincadeiras do filho e este simplesmente dizia que era besteira de criança. Então ela não tinha muita opção a não ser ficar de olho no que André dizia enquanto brincava, para poder informar a psicóloga.

      Num dia, quando André brincava sozinho no quarto, conversando e rindo, Sônia parou atrás da porta e escutou o diálogo:

      - Por que você não dorme na sua cama? - e passava um tempo e André fazia outra pergunta;

      - Você não come mais nada? Quer que eu busque uma bolacha pra você? A mamãe não vai brigar comigo não... eu falo que é pra você... - e continuava;

      - Como se chama o lugar que você está? Mas eu estou te vendo.... Por que a mamãe não fala mais com você? Ela vive chorando lá na sua cama.... - e Sônia não aguentou, saiu de perto e foi chorar no banheiro.

      À noite, quando o Mateus voltou para casa, Sônia contou tudo o que ouviu do filho e mais uma vez ele não deu atenção à mulher e disse que isso era besteira de criança, com o tal amigo imaginário que a psicóloga disse. Mas Sônia não se conformou e agora ficava prestando mais atenção no filho pequeno, quando ele começava a conversar sozinho.

      Alguns dias depois, Sônia chamou pelo filho e perguntou como queria seu aniversário, já que estava próximo. Ele deu de ombros e disse que qualquer coisa estava bom. Nunca tinha visto uma criança não se empolgar com o aniversário, já que sempre fazia tudo muito bem caprichado e colorido. André completaria sete anos, um menino muito esperto e inteligente e que já sabia escrever perfeitamente. Era um excelente aluno e só ficou abalado com a morte do irmão, durante pouco tempo, mas tudo voltou ao normal. Foi quando Sônia percebeu o amigo imaginário do filho; depois disso que André voltou a ser como era antes.

      Em um outro dia, Sônia ficou escondida de novo, e ouviu de André o seguinte:

      - Você vai vir no meu aniversário? - e ficava calado, como se esperasse uma resposta;

      - Por que ninguém te vê? Eu tô te vendo aqui, ó....

      - Quando é que você vai voltar e ficar morando aqui de novo? - e percebia André olhando para o nada, esperando a provável resposta.

      Sônia arrepiou e saiu de perto, mas não foi chorar no banheiro, pegou o telefone e marcou um horário com a psicóloga para passar toda essa informação.

      No dia marcado, Sônia contou tudo à Rosana, que anotava num pequeno bloco, desses individuais, prestando muita atenção no que a mãe relatava. Algumas vezes franzia a testa com a expressão de dúvida e perguntava de novo, para ter certeza se era isso mesmo. Sônia repetia tudo exatamente igual, com lágrimas nos olhos e com um certo desespero. Na verdade queria ouvir da médica que seu filho morto estava por ali sim, que Tiago estava conversando com o irmão mais novo, ou então que isso não passava realmente de um pesadelo, que logo todos acordariam e ela e o marido poderiam finalmente abraçar o filho.

      Mas o que ouviu da médica a deixou frustrada, pois a ciência tem sempre uma explicação para tudo, uma conclusão científica que tinha como provar o porquê do menino estar tendo essas alucinações.

      Sônia ouvia tudo com pouca atenção, pois não acreditava nessa ciência em que a doutora falava; acreditava sim e estava certa de que seu filho realmente estava por perto, brincando com o irmão mais novo. Só não tinha como provar que isso era verdade, mas tudo o que ouvia o filho conversar, não tinha dúvidas de que não era alucinação e sim uma possível mediunidade. Sônia se despediu e voltou caminhando, de cabeça baixa e com passos lentos, até chegar em casa.

Continua...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Estou aqui! - Parte II

Continuação...

      Com muita dificuldade, conseguiram tirar André dos braços de Mateus. A avó materna dos meninos morava a poucos metros de sua casa e também não entendia como isso fora acontecer. Mas teve forças para tirar o neto dali e  leva-lo para sua casa. Mateus, ainda muito transtornado, caiu de joelhos e começou a se debater e a chorar compulsivamente, quando os funcionários da funerária levaram seu filho morto para autópsia. Não entendia como isso tinha acontecido, mas queria acordar daquele pesadelo.

      Os vizinhos, todos ali, se juntaram para ajudar Mateus, que depois de muito se debater, se acalmou  e pediu para ir onde sua esposa estava. Chegando ao hospital, não conseguiu entrar no quarto em que ela estava e voltou para casa, acompanhado por amigos que sempre estavam por perto para socorrê-lo.

      A imagem do filho morto não lhe saía da cabeça. Os dias foram passando e o resultado da autópsia saiu: Tiago se matou. Quer dizer, ele estava com a arma apontada para seu peito quando esta disparou.

      Mateus não entendia como isso foi acontecer, já que tinha certeza de que o acidente foi o contrário: André, o caçula, que estava com a arma na mão quando ele chegou. Resolvido no papel o ocorrido, mas não na memória daquele pai que nunca mais seria o mesmo. Nunca mais abraçaria aquele que há oito anos, foi tão esperado, tão aguardado para chegar à família. O tempo passou e a família morreu junto com Tiago.

      Não tinham mais o que fazer, a não ser continuar vivendo, ou quem sabe, vegetando, com o coração pulsando no peito, que havia se transformado em uma pedra de gelo. Acabou! Mas, e André, que ainda precisava de tantos cuidados? A mãe, já recuperada, fazia o que podia, mas passava parte do dia chorando pela falta do mais velho. André praticamente ficava sozinho pelos cantos, brincando com os brinquedos do irmão Tiago, conversando sozinho e às vezes rindo muito, olhando para o nada. E numa dessas conversas, pronunciava o nome de Tiago, o que deixava os pais intrigados. Como pode uma criança que presenciou toda aquela tragédia, agora brincar como se nada tivesse acontecido? Mateus queria voltar a ser criança e superar toda a dor, como seu caçula estava superando. Tempo de inocência, tempo em que mal imaginam o que viria pela frente, e como a vida às vezes é ingrata. Criança tem essa vantagem de apenas absorver o que lhe convém e o que lhe faz feliz no momento. Mas André chamando pelo irmão, até deixavam os pais mais confortados, pois podiam aos menos imaginar que tudo aquilo fora realmente um pesadelo, e que qualquer dia, eles veriam Tiago brincando com o irmão mais novo. E ficavam olhando o pequeno brincar, rir e conversar olhando para o nada, imaginado o outro filho ali, junto dele.

      As brincadeiras do pequeno André com o irmão Tiago, eram diárias e isso começou a incomodar os pais, pois achavam que havia acontecido algum distúrbio na mente do pequeno. Procuraram ajuda médica para tratá-lo.

Continua...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Estou aqui! - Parte I

      Sônia e Mateus estavam concentrados assistindo TV, onde passava uma filme de suspense, e por alguns minutos se esqueceram dos filhos: Tiago de oito anos e André de cinco anos. Acabara de conversar com o esposo que precisavam ficar de olho nos dois, pois estão numa fase de muita curiosidade e muitas perguntas. Tiago costumava mexer em gavetas e vasculhar, como se estivesse procurando algo, o que deixava a mãe irritada.

      O filme estava interessante, e o casal parecia ter se teletransportado para a história do filme. Ouviram um forte barulho, deram um pulo, mas pensaram que fosse do filme. Mas este continuou  normalmente, até que se deram conta da falta dos filhos. Sônia saiu correndo a vasculhar os cômodos e a chamá-los. Abriu a porta do seu quarto e quase caiu para trás quando viu seu caçula André com a arma do esposo na mão, e Tiago bem à sua frente, caído, todo ensanguentado.

      Ela cambaleou e não teve forças para chamar Mateus, que alguns segundos depois, apareceu para ver o que estava acontecendo. Soltou um grito e foi pegar a arma das mãos de André, que assustado começou a chorar. Sônia, conseguiu se levantar e abaixou para ver Tiago, que já estava imóvel e sem sinais de vida.

      Mateus, trêmulo, pegou o telefone e ligou para a ambulância, que chegaram em questão de minutos. Confirmaram a morte do garoto e foram cuidar de Sônia que entrou em choque; a levaram e a internaram. Com todo esse movimento, logo os vizinhos começaram a chegar e alguns ainda presenciaram aquela cena chocante de Tiago caído, morto. Mateus ainda com André no colo não sabia o que fazer ou que providências tomar. Logo chegou a polícia para fazer a ocorrência.

      Mateus era policial, estava de férias nesse período. Um bom homem, responsável, amoroso, caseiro e que sempre tivera o maior cuidado com a arma, deixando-a em lugar seguro e descarregada. Não entendia como cometeu esse deslize, e também não entendia como seus filhos foram encontrá-la, já que estava em um lugar bem alto, dentro de um pequeno baú de madeira e trancado à chaves. Não conseguia chorar, devido ao choque de ver aquela cena do filho morto, pela arma que era seu objeto de trabalho, e que de certa forma lhe garantia o sustento. Estava pálido, trêmulo e não conseguia pronuncia palavra por palavra. Apenas ficava quieto, com o filho André, ainda chorando, em seu colo.

      As vizinhas tentaram de alguma forma acalmar aquele pai, lhe oferendo um copo com água e açucar, ou até mesmo um chá calmante, mas nada disso ele aceitava. Apenas ficava imóvel com o filho no colo, olhando todo aquele sangue, que era parte de seu sangue. Seu filho estava morto e o policial ainda não tinha se dado conta da gravidade.

      Começou a se lembrar da alegria que sentiu quando soube da gravidez de Sônia, de como eles queriam esse filho, pois Sônia, com um pequeno problema no útero, fizera um tratamento para poder gerar um filho em seu ventre. A família toda comemorou e logo Mateus comprou uma bola de futebol e um pequena chuteira, para aquele primogênito tão esperado. "Mas nem sabemos se será homem!", indagava a esposa; "Vai ser homem sim e vai se chamar Tiago", respondia todo orgulhoso o pai.

      A expectativa de seu nascimento fez com que Mateus tirasse licença de seu trabalho, pois a agonia de esperar pela hora certa o tirava de concentração, e como seu trabalho era de grande responsabilidade, fez o melhor naquele momento. Tiago cresceu num ambiente calmo, com muito amor e atenção, até que soube da gravidez da mãe. Era ainda pequeno, mas já sentia que teria que dividir a atenção e o carinho de todos com o novo irmão que chegaria. Mudou seu comportamento, ficou agressivo e estúpido, o que contrariou seu pai, que era tão calmo e amoroso, mas nessa fase ficou completamente transtornado com a atitude do filho. Era apenas uma criança, mas já era tratado como um homenzinho de responsabilidades, e Tiago perdeu todo aquele encanto de criança e passou a ser um menino sério, um quase adulto. Para o pai, isso era frescura de criança, que tinha que aprender na marra, a amar o irmão que nasceria. Tiago se trancou em seu mundo e nunca mais foi a mesma criança.

Continua....

sábado, 7 de julho de 2012

Esmalte e bonecas


Tive uma infância muito simples, com poucas oportunidades de ter brinquedos, mas bonecas eram minhas preferidas. Não tive muitas; aos cinco anos ganhei a Susi, que fiquei encantada. A história é até engraçada, porque, apesar da pouca idade, queria ficar acordada a noite toda só para confirmar se o Papai Noel existia mesmo. Mas não deu e dormi. No outro dia acordei e lá estava o pacote debaixo da árvore.

Essas três bonecas da foto foram as que resistiram ao tempo... e coloca tempo nisso! As do lado esquerdo da foto: a Beijoca, que ganhei quando tinha uns oito anos, e as duas outras pequenininhas que não me lembro quando vieram para os meus braços. Heroínas da resistência. A Beijoca, para quem não se lembra, quando unimos suas mãozinhas, ela faz um biquinho e solta um beijinho. Brinquei muito, conservei-as e quis guardar para minha filha, caso tivesse uma. E tive a Amanda! Que na primeira oportunidade sumiu com as roupinhas originais, com os sapatinhos e meias e ainda afundou um dos olhos da coitadinha. Ah, mas quando eu vi, tomei ela de volta e guardei de novo! Onde já se viu estragar uma boneca minha? Não que eu seja apegada a coisas materiais, mas elas me trazem boas recordações, talvez por terem sido minhas grandes companheiras de uma infância criativa, onde eu inventava histórias e tinha meu mundo solitário... com elas.

E a boneca do lado esquerdo, a Barbie, foi meu presente para Amanda, quando ela fez quinze anos, pois todas que ela havia ganhado, já estavam praticamente destruídas.

Sabe, não acho ruim que brinquedos estraguem, afinal são deles, e é bom que brinquem até o último minuto enquanto crianças. Mas essa Barbie, praticamente não saiu da caixa desde que dei para Amanda, e ela tem o maior ciumes da boneca.


Usei um esmalte clarinho, para combinar com as bonecas: Ludurana antialérgico Clarus e Cristal que é cintilante. Pena que minha fofa máquina pifou de novo. Mas acho que dá para ver a cor, bem mão de noiva mesmo.

É isso então, boas lembranças da infância, bonecas que ainda estão "inteiras" e muitas outras no Blog da Fernanda Reali. Vão lá dar uma olhada!