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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mentirinhas Inocentes



"Quando você conta uma mentirinha do tipo, quando alguém atende o telefone e você diz: "fala que eu não estou", esta pessoa que foi cúmplice da mentirinha, em seu inconsciente, em muitos casos passará a pensar duas vezes antes de acreditar em você novamente.

Mentir é um péssimo hábito que além de desnecessário, é um flagrante de fraqueza moral, seja por preguiça, covardia ou um suposto benefício próprio, de quem, a cada mentirinha destrói a sua própria credibilidade.


Quer ser respeitado, liderar pessoas e crescer como ser humano? Pense sobre isso. Tem muita coisa por aí que é muito comum, mas não é normal."
Flávio Augusto da Silva - página do facebook Geração Valor


Fatos Reais

Quando eu trabalhava em uma grande empresa, fui transferida para um outro setor que implantariam. Eu e mais uma funcionária. Acompanhamos todo o processo de instalação de máquinas, no caso computadores,  ajudamos a desenvolver programas, relatórios, enfim, iniciamos um novo setor.

Uma empresa foi contratada para fazer um certo trabalho e num belo dia, a caneta do representante daquela empresa simplesmente sumiu. Estranho porque era uma sala pequena onde só nós duas trabalhávamos e no momento do sumiço só nós três estávamos lá. Ele procurou em todos os lugares, não encontrou e foi embora.

Num outro dia, ele retornando, estávamos conversando sobre os computadores e ele pediu uma informação para a outra moça que trabalhava comigo. Ela pegou sua bolsa, tirou sua carteira, abriu e... lá estava a caneta do rapaz! Ela não sabia onde colocar a cara, e ele, ironicamente, apontou para a caneta e riu. Silêncio total. Mesmo assim, a moça não devolveu a caneta, ele foi embora, e ela ficou a tarde toda se desculpando pelo motivo que a fez pegar a caneta alheia: "ah, é só uma caneta, não vai fazer falta; ele não tinha nada que me pedir nada, para ver a caneta aqui comigo; ele que compre outra!". E eu, nada comentei, mas a partir daí fiquei com receio de deixar minhas coisas ao alcance dela.

Por melhor que eu a achava, sempre que me lembro dela, me lembro desse episódio da caneta. Furto é furto!

Naquela mesma empresa, certo dia uma funcionária veio reclamar comigo que algumas folhas de cheques haviam sumido de seu talão, cuja bolsa estava no banheiro feminino. Até então, muitas funcionárias deixavam as bolsas lá e nunca havia acontecido nada. Passou o tempo e os cheques dela começaram a cair em sua conta bancária. Ela pegou a cópia dos cheques e viu a letra. E reconheceu como sendo de uma outra funcionária, novata na época e que naquela situação já havia pedido demissão. Bem, ela nada falou, não denunciou nem nada, mas todos ficaram sabendo que a moça roubava cheques. 

Eu já a conhecia antes de trabalhar naquela empresa. Até então era uma boa pessoa, mas a partir desse episódio, agora também é lembrada por esse episódio, do roubo dos cheques. E olha que nem tem desculpas porque ela não precisava disso de jeito nenhum. 

Coincidentemente, quando entrei para a faculdade, ela estava na mesma turma que eu. Num dia, eu, muito topetuda, lhe disse que sabia daquele ocorrido dos cheques. Na hora ela ficou vermelha, roxa, azul e não sabia onde colocar a cara. O que ela respondeu: "Quem andou ela deixar a bolsa no banheiro? É bom para ela aprender a cuidar melhor das coisas dela!". Dizer mais o quê depois de uma mente cretina dessa?

Nenhuma das duas precisavam disso. Mas por comodidade furtaram algo e acharam que era por pura "inocência". Ou então acharam que nunca ninguém ia descobrir nada. Uma mentirinha tão ingênua que não afetaria nada e nem ninguém.

Então, furto é furto e de certo modo influencia na vida sim, de quem o pratica. Seja no momento ou no futuro, e o pior, não é nada de inocente se apoderar de um bem que o lhe pertence, e ainda fica carimbado em sua testa que tal data, em tal local, praticou o crime.

Vale a pena?

P.S. Não estou falando desses roubos ou furtos enormes, de gente sem escrúpulos, que sabem que nada vai lhes acontecer, mas falo de gente como a gente, que trabalha, que tem família, e que nem sempre zelam pelo nome.


Um ótimo fim de semana para todos!




quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Réveillon Frustrado

Eliana Teixeira e seus deliciosos contos... deliciosos como esta torta de limão. Que gosto será que tem?
 
       Nunca fui das netas prediletas de Pai Chico. Chamava-me às vezes de negrinha quando ia ralhar comigo. Êta alemão racista, meu Deus! Servia bem para trazer-lhe café e água e pelava de medo com essa incumbência, como, de resto, todos os netos pequenos. Era um porta-copos de prata, dois copos de cristal levemente rosado que mais parecia pele de ovo. Deus me livre de quebrar aqueles copos! Antes a danação eterna que levar uma surra de piraí... Tanto cuidado tomamos que nunca nenhum neto quebrou os malditos copos. Estão por aí.

       Eu nunca era a escolhida para os passeios de caminhonete com ele, por isso foi um espanto geral quando avisou que me levaria à festa de Ano-Novo na Fazenda da Mata. A Fazenda da Mata era de seu primo Dr. Cristiano. Era uma trinca de valor:- Cristiano, Bernardo e Chiquitão. Os Alves Costa. Pai Chico não herdara o Costa e ficara Teixeira: Francisco Alves Teixeira. Mãe Bertina é que era França. Papai era um puro Francinha, assim como o é minha filha Marcela.

       A lesta era lendária. Outros netos já tinham sido agraciados com a honraria de acompanhar Pai Chico. Diziam que na sala, logo na entrada, havia um armário com portas de vidro cheio de tortas maravilhosas, cada uma de um sabor, tortas de cima embaixo. Eu pensava sim na importância de ir com Pai Chico a uma grande festa, de ser admirada como a neta de Chiquitão. Mas pensava principalmente nas tortas. Eu acho que nunca tinha comido tortas, apenas as sonhava. Via fotografias, não, desenhos de tortas maravilhosas nas Seleções do Reader’s Digest da mamãe... Aquelas donas de casas felizes, com a cinturinha de pilão, e segurando tortas de morango, de limão e gelatinas de framboesa em frente a suas novas geladeiras de último tipo...
 
      Mamãe arrumou-me tão bonita quanto possível e fomos para a festa de ano-novo. Eu pensava na minha importância por um dia e nas tortas...
 
      Chegamos e Pai Chico estranhou. Não havia carros, a casa estava silenciosa. Será que ainda era cedo? Entramos. Não havia vivalma. Meus olhinhos buscavam ávidos pelo armário. As tortas, as tortas! Cadê as tortas? Cadê o chantilly cujo sabor era apenas sonhado? Suspiro, será que sabe a suspiro? De repente, o armário. Não havia de ser outro. Majestoso, dominava a sala. Perfeito para exposição de tortas. Meu Deus, o armário está vazio... Comeram todas, a festa já acabou? 
      Uma dor no coração, sensação de culpa, sou eu, sou eu, fiquei querendo demais, Deus me castigou.
 
      Veio alguém. Pai Chico cumprimentou: Comadre, boa tarde. A festa de ano-novo, comadre... Foi ontem, Chiquitão. Dia 31, no Réveillon. Desculpe, deveria ter avisado com mais detalhes. Problema não, comadre, eu sabia; me esqueci. Volto outra hora. Um café, Chiquitão, um minutinho só, dois dedinhos de prosa.
 
      Pai Chico tomou seu café, conversou com os compadres e eu fiquei passeando no entorno da piscina, olhando a beleza do lugar e imaginando a festa feérica que devia ter sido o Réveillon da Fazenda da Mata. Aprendi; Réveillon, essa palavrinha quer dizer festa de ano-novo, mas não é de ano-novo, é o enterro do ano velho. Como será o gosto de uma torta de limão?
 
 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Violência Contra a Mulher


É crime, é grave e tem que ser denunciado!

"Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". Esse ditado muitas vezes tem que ser quebrado, porque o lado fisicamente mais fraco, que é a mulher, não tem condição de fazer a denúncia sozinha. Talvez nem saiba que é crime e dependendo de seu histórico familiar, até ache comum ou culpa a bebida pelo "nervosismo" do companheiro e chega até a defendê-lo, dizendo que quando está sóbrio, é um ótimo marido e pai.

Mas quem agride o próximo, seja do jeito que for, não é ótimo em lugar nenhum. Passou da hora de parar com essa palhaçada e fazer valer a lei que pune o agressor.

Qualquer tipo de agressão à mulher a deixa marcada pelo resto da vida. Traumas, fraturas, hematomas, depressão, síndrome do pânico... todos sintomas de agressões.

Então, mesmo que o medo predomine, peça ajuda, por favor! Confie em alguém para contar o que acontece. É difícil, dá pavor, corre-se o risco de morte, mas deixando como está, você acaba morrendo dia a dia, com humilhações, pancadas, maus tratos.


O telefone para denúncia é 180 em todo o Brasil.



sábado, 24 de novembro de 2012

Esmalte Coral


O tema hoje é a cor coral...
Bem, não tenho um esmalte dessa cor, mas esse Rosa Chiclete que já postei se aproxima mais. Então vai foto antiga com post novo. Tudo bem, né?

O que eu poderia dizer da cor coral? Não sei...

Mas, lendo o primeiro post da Fernanda Reali sobre esmalte cor coral, uma frase no final do post, de uma blogueira dizendo que ficou um tempo sem se importar em arrumar as unhas, que com essa Blogagem Coletiva, deu uma sacudida na vida dela e foi muito bom (bem, não posso copiar a frase aqui, mas cliquem no link e leiam).

Eu digo o mesmo. Antes eu só usava clarinhos, base, cintilante e só, e tinha semana que não me importava, apenas cortava as unhas, lixava e só! Sem nada! Mas fui vendo os posts da BC e confesso que no começo achei um pouco fútil. Continuei lendo e vi que fútil é coisa da nossa cabeça, que o que importava era a "confraternização" de posts, era comentar sobre um tema, ou conhecer melhor outras blogueiras. E o mais importante: SE CUIDAR MAIS! Isso realmente é muito importante mesmo! Depois da BC, hoje me cuido mais, passo um batom, um perfume, presto mais atenção na roupa que vou usar... enfim, uma bela duma sacudida!

Num dos posts que fiz, Entendendo o Homem, citei um amigo que disse que observa a mulher pelos pés: se estão arrumados, limpos, bonitos. E outros tantos disseram que observam as unhas em geral, se estão bem arrumadas, esmaltadas... então... a gente pensa que ninguém vê. Mas somos vistas sim, dos pés à cabeça.

O mais importante é nos arrumarmos para nós mesmas, para sentirmos bem, bonitas... e com isso um pouco de felicidade aparece sim.

Bem, já falei demais, então vamos lá dar uma olhada nos esmaltes corais das meninas? Clique AQUI!



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Devassa - Um Conto Sensual

 
Roberta, louca para chegar em casa, encara um engarrafamento quilométrico num fim de tarde, começo da noite, buzinas, poluição, gritos, motos barulhentas e calor, muito calor.

Liga o rádio e ouve Dire Straits com aquele som de guitarra inconfundível. Começa a cantar tentando relaxar e esperar que a fila de carros ande de uma vez por todas.


Olha para o lado e o vidro do carro do lado abaixa. Um homem começa a olhá-la primeiro com óculos escuros, depois por cima dos óculos. Olhos negros penetrantes... Logo em seguida um sorriso, lindo!


 Roberta vê que ele aumenta o som de seu carro e que também ouve Dire Straits, uma outra canção. Ela desvia o olhar e se concentra em um ponto qualquer à sua frente. Mesmo assim é inevitável não sentir o olhar do homem lhe queimando o rosto. Não resiste e o olha de vez em quando... Ele sempre olhando e sorrindo, agora sem os óculos escuros.


Sua imaginação voa... E já se vê dentro daquele carro, do lado daquele homem desconhecido, com todo aquele calor lhe subindo pelo ventre. 


Roberta, para provocar, levanta o vestido até a altura das coxas e também uma perna, de propósito, só para que ele lhe veja. E ele vê! E faz um biquinho como se lhe mandasse um beijo e aperta um pouco os olhos, ficando com uma cara de safado.
 
Ainda se imaginando dentro daquele carro, ele então começa a correr sua mão em sua coxa... Se ajeita no banco, de forma que fique quase meio deitado, e de pernas entreabertas...


O trânsito anda uns 20 metros e Roberta aumenta o som do carro, agora uma outra música, e olha para o lado enquanto ele para no mesmo rumo do meu carro, de novo. Que bom!


Roberta fecha os olhos e sua imaginação continua, então ela se senta no colo daquele desconhecido, de frente, e começa a beijá-lo alucinadamente... Ele, com aquelas mãos enormes, abaixa seu vestido, acha seus seios e começa a beijá-los... Era como se ele voltasse à infância e estivesse faminto por alimento.


Beija-lhe a boca com paixão, desarruma seus cabelos, lhe pega pelo pescoço e percorre sua boca por todo o colo, os seios, volta para sua boca e lhe arranca o fôlego... Lhe aperta contra seu corpo deixando-a imóvel, puxa seus cabelos para trás e fixa os olhos nos dela... Olhos sedentos de desejo....


Alguém bate no vidro do carro. Roberta abre um pouco e vê um menino vendendo água. Água geladinha....


Olha para o lado e ele continua olhando-a, sorrindo e mexendo no volume do rádio.


Ela bebe a água e deixa escorrer um pouco sobre seu corpo. Ele vê isso e faz um gesto com a cabeça como se quisesse dizer: "não acredito!"


Ela fecha o vidro de novo e também os olhos e sonha acordada... Volta para o colo dele, que começa a gemer e a dizer coisas incompreensíveis;  lhe segura nos cabelos e beija seu pescoço, o suor escorrendo pelos seus seios... O mundo para! Só os dois ali, naquele sexo sem limites, naquela vontade de um entrar dentro do outro e nunca mais sair...

 
Uma buzinada atrás do carro de Roberta a faz ver que a fila andou mais uns metros. Ofegante. O desconhecido lhe olhando, lhe mostrando o celular, acenando e falando algo que ela não entendia. Apenas retribui com um sorriso. A fila anda mais um pouco e ele para bem à frente do carro dela. Roberta revira o porta-luvas e acha caneta e papel. Anota a placa. Ele fica olhando para trás procurando-a e acenando com a mão.


Roberta fecha os olhos e volta naquele lugar do pecado, dentro do carro daquele homem desconhecido, másculo e que a leva ao delírio... Continua o sexo, beija aquela boca, volta para seus seios, depois dá mordidinhas em sua orelha... E explode num urro de satisfação. Ela fica olhando aquele rosto tão próximo do dela, aquela boca quente, aquele hálito, aquele cheiro de sexo que se espalha; ela não resiste! Seu coração dispara... 


Ela dentro de seu carro e ele à frente lhe acenando e sorrindo, querendo dizer algo...A fila anda mais um pouco e ele some, entre os carros... Que pena!

Depois de um bom tempo, depois que todo aquele aglomerado de carros se acaba, ela o vê parado no acostamento, em pé fora do carro, lhe esperando passar. Acena com as mãos e ela não resiste e para mais à frente, sai do carro e vão de encontro um do outro. Eduardo, o nome do desconhecido.


No íntimo, Roberta sabia que suas fantasias não seriam só fantasias. Ela sabia que algo mais aconteceria. E aconteceu! Não dentro do carro, não naquela hora e nem naquele dia. Foram se conhecendo aos poucos, dia a dia até se entenderem e confirmarem uma fantasia que se viveu a dois, cada um com seus desejos e suas vontades. Duas fantasias que se uniram, agora olho no olho, pele na pele... Ui!


Queridos leitores, gostaria de informar que este texto está registrado na BN sob número 978-85-922781-0-6.
Por gentileza, não copiem sem minha autorização, certo?
Grata!

Este conto e mais alguns, todos sensuais, num livro.


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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Uma Ótima Semana!

Um texto de Dalai Lama só para começar bem a semana.

Dê mais às pessoas, mais do que elas esperam, e faça com alegria.

Decore seu poema favorito.

Não acredite em tudo que você ouve, gaste tudo o que você tem e durma tanto quanto você queira.

Quando disser “Eu te amo” olhe as pessoas nos olhos.

Fique noivo pelo menos seis meses antes de se casar.

Acredite em amor à primeira vista.

Nunca ria dos sonhos de outras pessoas.

Ame profundamente e com paixão.

Você pode se machucar, mas é a única forma de viver a vida completamente.

Em desentendimento, brigue de forma justa, não use palavrões.

Não julgue as pessoas pelos seus parentes.

Fale devagar mas pense com rapidez.

Quando alguém perguntar algo que você não quer responder, sorria e pergunte: “Porque você quer saber?”.

Lembre-se que grandes amores e grandes conquistas envolvem riscos.

Ligue para sua mãe.

Diga “saúde” quando alguém espirrar.

Quando você se deu conta que cometeu um erro, tome as atitudes necessárias.

Quando você perder, não perca a lição.

Lembre-se dos três rs: respeito por si próprio, respeito ao próximo e responsabilidade pelas ações.

Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.

Sorria ao atender o telefone, a pessoa que estiver chamando ouvirá isso em sua voz.

Case com alguém que você goste de conversar. Ao envelhecerem suas aptidões de conversação serão tão importantes quanto qualquer outra.

Passe mais tempo sozinho.

Abra seus braços para as mudanças, mas não abra mão de seus valores.

Lembre-se de que o silêncio, às vezes, é a melhor resposta.

Leia mais livros e assista menos TV.

Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e olhar para trás, você poderá aproveitá-la mais uma vez.

Confie em Deus, mas tranque o carro.

Uma atmosfera de amor em sua casa é muito importante. Faça tudo que puder para criar um lar tranquilo e com harmonia.

Em desentendimento com entes queridos, enfoque a situação atual.

Não fale do passado.

Leia o que está nas entrelinhas.

Reparta o seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade.

Seja gentil com o planeta.

Reze. Há um poder incomensurável nisso.

Nunca interrompa enquanto estiver sendo elogiado.

Cuide da sua própria vida.

Não confie em alguém que não fecha os olhos enquanto beija.

Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes.

Se você ganhar muito dinheiro, coloque-o a serviço de ajudar os outros, enquanto você for vivo.

Esta é a maior satisfação de riqueza.

Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor de um pelo outro é maior do que a necessidade de um pelo outro.

Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para conseguir.

Lembre-se de que seu caráter é seu destino.

Usufrua o amor e a culinária com abandono total.“


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sábado, 17 de novembro de 2012

ESMALTE E FERIADÃO


Branco cremoso e Branco cintilante da Ludurana antialérgico. Sinceramente? Não gostei! Ficou só dois dias nas minhas unhas. Acho que marca muito, tem que ser perfeito, sem nenhum errinho e sem borrar nada. E não ficou bom não. Vejo nas unhas das meninas e acho tão lindo... mas não gostei nas minhas.

Então, feriado no país e eu como sempre fiquei em casa trabalhando. Isso já é rotina na minha vida que eu sei que é errado, que tenho que mudar, que tenho que sair, passear, blá, blá, blá... mas ainda não! Com o tempo vou me soltando mais e vou contando por aqui o que tenho feito.

Mas, se fosse para escolher o que fazer no feriadão, eu viajaria para um lugar tranquilo, praia, que gosto muito, um lugar sem tumulto de pessoas, sem muito congestionamento, sem estresse.

Não sei se é a idade, mas não tenho mais tolerância com tumultos. Em casa em fico tranquila, faço o que quero, como o que quero, durmo quando quero, assisto e ouço o que quero.... então me tornei uma pessoa caseira demais. Talvez uma fuga, não sei...

Feriadão para mim é isso: deitar no sofá, assistir filme, comer um bolo feito pela filha, comer algumas besteiras, tudo sem hora marcada. Que coisa sonsa, né?

Vou dar uma olhada na Blogagem Coletiva da Fernanda Reali e ver o que as meninas estão fazendo no feriadão... que deve ser bem melhor que o meu. Querem ver? Cliquem AQUI!




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A INVEJA MATA!

Hoje participo da Blogagem Coletiva da Alesca, do blog Diário de Bordo. É um tema polêmico que é sempre discutido e ainda se tem muito a discutir. Então, quem quiser participar, a BC vai até o fim do mês.


"A inveja pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual.". Vi essa frase na Wiki.

Vou falar um pouco sobre blogs. Quando eu abri o meu, confesso que fiquei com medo dos comentários que poderiam surgir, então na caixa de comentários coloquei aquela verificação de palavras, moderador e escrevi um recado de uma forma não muito chamativa. Depois com o tempo tive uma grata surpresa com toda a gentileza e delicadeza das pessoas. O carinho foi imenso, então tirei todas essas travas e tem dado certo. Perguntei para um amigo como ele lidava com os comentários. Ele me disse que nem os extremamente bons ou os críticos devem interferir na minha essência. Filtrar e pegar somente o que me acrescenta. E ele está certo sobre isso.

Um dia um anônimo entrou e disse que meu blog era muito chato. Fiquei chocada na hora, mas depois pensei que nunca ninguém vai agradar o tempo todo. E esses dias, por conta de um post sobre essas correntes religiosas, sempre aparecia um anônimo para "completar" o post. Eu apagava, mas depois de tantos comentários, retirei do post a opção de comentar. Pronto!

Eu confesso que de vez em quando eu visito alguns blogs que não têm nada que justifique tantos seguidores ou comentários, e fico até com uma pulguinha atrás da orelha. Poxa vida, como é que essa pessoa consegue tantos acessos assim, se o que a gente mais vê por aqui são muitos seguidores e poucos comentários? É uma inveja isso, não é? Então, todos nós somos humanos recheados de sentimentos, uns bons, outros ruins, outros péssimos... A diferença é como controlá-los.

Aprendi desde sempre que se algo não me agrada, simplesmente viro a página. Para quê dar ênfase a algo que me incomoda? Isso é fortalecer o inimigo de alguma forma. E é tão mais fácil destruir o que está pronto do que construir, não é? Se pensarmos em destruir tudo o que nos ofusca, imagina que baderna viraria o mundo? Mas o que me agrada, pode não agradar o outro, e o que me incomoda, é muito valioso para um outro. Cada um com seu gosto.

Voltando ao blog com centenas de seguidores e nenhum conteúdo, eu percebi que não importava o post, e sim a gentileza do dono do blog. A atenção, o carinho, a troca, isso faz muita diferença. Uma coisa que não gosto e não faço é entrar num blog, deixar um comentário dizendo que gostei do blog e pedir para a pessoa me seguir. Muito chato isso! Quantidade de seguidores não significa nada de nada!

Muitos textos eu amaria ter escrito, muitas ideias úteis eu adoraria ter tido, mas fico feliz por quem o fez ter compartilhado com todos. Aprendi isso também que quando se compartilha, se triplica o que se tem. Não estou falando daqueles incompetentes que copiam e colam no seu blog sem dar créditos e assinando algo que não lhe pertence. Isso é crime.

Outra coisa super chata no mundo dos blogs: falar mal, comentários arrogantes, desafios para testar sua inteligência, xingamentos, críticas sem nenhum fundamento; pura e simplesmente para tentar apagar o trabalho e pegar para si um pouco da luz alheia. Coisa muito feia isso.

Então é isso!

Inveja faz parte do ser humano, mas cada um sabe ou deve saber como domar esse sentimento que atrapalha somente quem o tem. Quem é invejado, criticado, xingado, com certeza tem algo de muito bom para incomodar quem não se acha capaz de conseguir seu espaço.




Um ótimo fim de semana para todos!


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

QUEM TEVE ESSA IDEIA?

Eliana Teixeira, com mais um de seus contos maravilhosos!



       Papai tivera um carro como coproprietário com tio Amynthas, quando impressionara mamãe como o mais elegante rapaz da cidade. Mas nunca soube dirigir. Dirigia tratores, cavalgava como Jerônimo, mas era apenas um garboso passageiro daquele primeiro automóvel da cidade que fizera suspirar tantas moças casadoiras.


       Um belo dia, papai disse a mamãe: - Maria, estamos mais folgados de dinheiro. Acho que podemos nos permitir alguns luxos...


       Mamãe pôs-se a sonhar. Imaginou a cozinha enegrecida pelo fogão de lenha ostentando um fogão a gás novo, com um bom forno para assar seus bolos; uma geladeira nova que coubesse belas fôrmas de gelatina para encantar os filhos; colchões novos para as crianças, roupas, ah, teriam que ganhar na loteria para colocar em ordem todas as necessidades da casa e das crianças...


       De repente, mamãe pôs-se a pensar de onde surgira tão generosa lembrança de papai. Sempre tão desleixado, papai não era de se impor
tar com nossas precisões. Para ele estava sempre tudo tão bom! Mas papai já tinha saído enquanto mamãe sonhava. Mamãe fez um muxoxo e voltou ao trabalho. Descascava legumes para o almoço. Na copa, eu cortava papel Kraft para encapar cadernos, minha especialidade. Essa tarefa era sempre minha e a executava à perfeição. Todo início de ano letivo pilhas de cadernos e livros de todos os irmãos passavam por minhas mãos para as capas bem cuidadas, milimetricamente medidas e cortadas. Ainda cuidava de etiquetar, escrevendo nome, matéria, série, tudo o que importava saber para identificar o dono do caderno. Adorava meu ofício, mas estava atenta na conversa de papai e mamãe.


       Papai voltou mais tarde e encontrou mamãe com o almoço pronto e com a pulga atrás da orelha. - Netto - perguntou ela - quando disse que estava folgado e que podíamos comprar alguns luxos, você pensou em alguma coisa? - Era a deixa que papai esperava. - Pois é, Maria - disse ele - Pensei que já está na hora de comprarmos um carro - sem se lembrar do fato de que nunca aprendera a dirigir. Mamãe matou a charada na hora: - Ah, Netto, garanto que isso é ideia de Eliana! Pois se eu já custo a segurá-la a pé, como é que vai ser se essa menina estiver motorizada? Deus me livre! Pode esquecer! - E papai sorriu, fez aquela carinha de biscoito e nunca mais tocou no assunto...
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Começa amanhã e vai até o fim do mês.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Última Infelicidade


Que triste chegar nos últimos tempos da vida, quando se tem mais a certeza de que a morte pode aparecer a qualquer hora, a pessoa vive infeliz, rancorosa, chata, rabugenta. Dá até para pensar que a vida inteira foi péssima e que agora não resta mais nada a fazer do que respirar e reclamar.

Uma vizinha minha é assim. Aparentemente é uma pessoa calma, que tem uns oitenta anos mais ou menos, mas quando eu parei para conversar com ela fiquei chateada. Eu até estranhei porque ela foi até minha casa oferecer umas bananas que uma das filhas trouxe de um sítio deles. Achei muito amável da parte dela, então comecei a conversar, agradecer e a primeira coisa que ela falou, num tom de descontentamento,  é que não gostava de jeito nenhum desse bairro e que por isso ela não gostava nem de atender a porta quando alguém tocava lá. Depois foi falando das filhas, do marido, do cachorro... Aí fui entendendo quando meus filhos ainda eram pequenos e brincavam no meu quintal e ela ficava gritando de lá da casa dela. Eles não podiam rir, nem jogar bola, nem nada! Ela encostava no muro e começava a xingar falando que eles estavam fazendo muito barulho e que se a bola caísse de lá, ela furaria e jogaria fora.

Hoje, meu filho que já é um moço e que não joga mais bola no quintal, me contou que um dia a bola dele caiu de lá e ela furou e jogou fora. Achei um absurdo, porque eles estavam no quintal da casa deles e a bola caiu não propositalmente. Tá certo que ela não tem obrigação nenhuma de devolver, mas por que tanto ódio assim?

Ela tem netos e quando eram pequenos e a visitavam, gritavam tanto que incomodava todo mundo. Sem falar que choravam demais e isso levava a gente à loucura. E ela quietinha sem reclamar de nada. Nunca fui lá reclamar do neto dela e todas as bolas que ele jogava no meu quintal (sem falar das latinhas, tampinhas, potes de plástico, pedras e o que tivesse por lá), eu devolvia numa boa.

Eu fico com pena de gente assim. Se foi e é tão infeliz, por que não mexe um grão de areia para mudar tudo? É a tal da acomodação. Aí alguém vem e me diz: "naquele tempo, já que ela é idosa, tudo era difícil mesmo". Concordo. Mas precisa despejar em todo mundo essa infelicidade? O que meus filhos têm a ver com isso?

Fim da vida, sem mais nada para fazer e ainda num azedume que ninguém aguenta. Ninguém merece!
Que triste fim, minha senhora... sinto muito mesmo.

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sábado, 10 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Final

Continuação...


      Augusto continuava insistindo com os pais para que fossem para o Brasil a passeio. Leonora já estava a ponto de ficar maluca de tanto pensar. Andava de um lado para o outro, sem rumo e não tinha mais paz com esses pensamentos e essa pressão toda. Leonardo não ajudava em nada! Parecia até que tinha lavado as mãos e deixado para a mulher tomar essa decisão. Muita coisa para uma pessoa pensar sozinha, reclamava ela com o marido; mas tudo em vão. Ele também ficava perdido em seus pensamentos, andava de uma lado para outro, mexendo aqui e ali, olhando a casa, a grama verde, o lugar calmo em que moravam e não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Leonora pensava em Antônio, na neta que nunca mais viu e na dor de deixar Vicente com a família para trás.

      Depois de dois meses, Leonora finalmente concordou em viajar a passeio para o Brasil, com o coração em pedaços e na certeza de que voltaria para sua casa nos Estados Unidos.

      Viagem longa, cansativa, mas os ares brasileiros fizeram muito bem ao casal deixando Augusto muito feliz. Se hospedaram num hotel para não ter que incomodar ninguém e descansaram o resto do dia. Augusto combinou de se encontrar com a namorada logo pela manhã para apresentar aos pais. Eles gostaram muito da moça e ela se encantou por eles. Augusto ficou aliviado. Depois todos foram para a casa de uma das irmãs de Leonora que já estava esperando, junto com o restante da família. Quando chegaram, a festa foi tanta que deixou o casal emocionado. Há tempos não viam os parentes e a saudade era tanta que não se deram conta de que faziam falta dessa maneira. Foi difícil dividir a atenção com todos os outros irmãos, primos, primas, sobrinhos, afilhados, enfim, uma família bem grande e acolhedora.

      Leonora havia se esquecido do tanto que era bom conviver com seus parentes. Tinham desavenças, mas nada de muito grave que separasse um do outro. Voltou a se sentir em casa. Vez ou outra se lembrava de como era sua vida naquela pequena cidade do interior dos Estados Unidos: acordava tarde, ligava a TV e assistia praticamente o dia todo e também à noite, o canal de TV a cabo onde passava toda a programação brasileira. Era assim que ficava sabendo sobre tudo o que acontecia no Brasil. Quando saía, tinha que ser acompanhada ou do marido ou de algum filho e só! Essa era a vida que levava.

      Mas no Brasil era muito diferente e Leonora ficava emocionada praticamente o tempo todo, com tantas novidades, o calor humano de todos, as gargalhadas, os causos contados, o ar diferente, tudo isso mexeu muito com ela.

      Depois de três dias, seu filho que ficou nos Estados Unidos ligou para saber se estavam bem e Leonora falou um bom tempo com ele, o que não fazia quando estava por perto, e falou também com os netos, um a um, que também era muito raro encontrá-los. Tanto tempo morando perto e agora que estava longe, tiveram uma conversa acolhedora. Leonora chegou à conclusão que não bastava estar por perto para viver junto, que o que importa era o coração estar perto e a saudade doer. E quando reencontrou todos aqueles parentes, se deu conta de como doeu se afastar de todos eles e viver praticamente enclausurada numa bela casa, mas sozinha a maior parte do dia.

      Augusto não cabia em si de tanta felicidade, agora praticamente com um compromisso certo, com vários planos e tudo encaminhando como ele imaginava.

      A passagem de volta estava marcado para o próximo mês, mas Leonora chamou Augusto num canto e disse que gostaria de ficar mais uns tempos. Augusto abraçou a mãe e disse que não teria problemas com isso. Na verdade, estando longe de Vicente e dos netos, estava mais perto, pois se falavam praticamente todos os dias. Augusto então sugeriu que os pais ficassem no Brasil o tempo que quisessem, e quando tivessem vontade, voltariam para os Estados Unidos. Os dois concordaram. A casa ficaria fechada enquanto eles estivessem no Brasil. Logo Augusto alugou uma casa, perto da casa de uma das irmãs de sua mãe, para que ficassem mais à vontade. Estavam realmente muito felizes em retornar.

      E assim continuaram vivendo, agora mais felizes, com os parentes e os amigos. Augusto se casou e junto com sua mulher adotaram duas meninas lindas.

      Leonora ainda pensava em seu caçula que nunca mais deu notícias, mas rezava todos os dias para que Deus tomasse conta dele e da família e se um dia ele retornasse, seria bem vindo! Vicente e a família sempre viajavam para o Brasil, para visitar os pais e matar saudades. Nisso Leonora chegou à conclusão de que era mais fácil eles virem até ela do que ela e o marido ficarem atrás de todos. Afinal eles ainda eram a base de tudo, então eles que tinham que ficar quietinhos e só irem até os filhos para passear. E mais uma vez agradeceu a Deus por tudo!

FIM

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Parte V

Continuação...


      Alguns anos se passaram e Leonora ainda não aceitara que o filho mais novo sumira no mundo; um mundo desconhecido que mais parecia um sonho em que não se acordava nunca. Não conseguira aprender a língua, mas entendia algumas coisas. Não saía sozinha nem para ir ao mercado. As letras lhe embaralhavam a visão e ela ficava toda atrapalhada. Leonardo fazia as vezes de companheiro e a levava onde queria. Ele também sofria com o sumiço do filho e mais ainda da neta que nunca mais teve notícias. Também não aprendeu o inglês e sempre que saía carregava consigo um dicionário tradutor. Se virava como podia e os filhos sempre estavam por perto.

      Augusto teve uma reviravolta na vida, se separou da mulher e por uns tempos estava morando com os pais. Não era uma situação confortável já que os costumes nos Estados Unidos eram bem diferentes, onde os filhos com dezesseis ou dezoito anos já saíam da casa dos pais para morarem sozinhos. Mas Augusto, com tanta tristeza, preferiu ficar perto deles, ajudar no que podia com os afazeres de casa e assim não ficaria tão sozinho.

      Vicente e a família moravam por perto, estavam bem e os negócios prosperavam sem problemas.

      A tristeza de Augusto não durou muito e, um dia, conversando com os pais, comentou de sua vontade de voltar para o Brasil, não a passeio, mas definitivamente. Havia conhecido uma brasileira e se encantara por ela e queria ter a oportunidade de recomeçar a vida no Brasil. Queria voltar às origens, ter mais contato com tios, primos e todos os amigos de infância. Tinha tomado essa decisão bem antes, enquanto ainda era casado, mas foi adiando e agora sabia que era a hora da mudança. Leonora quase teve uma síncope quando ouviu tudo isso. Mais uma vez se sentou no sofá e ficou olhando para o nada, por horas, só a pensar no que estava acontecendo novamente. Perderia mais um filho de vista? Não suportaria de jeito nenhum! Era compreensiva e não se intrometia na vida deles, mas sabia que sofreria demais caso isso acontecesse.

      Augusto, vendo que os pais ficariam muito tempo sozinhos e não desejava isso, convidou-os a voltar também. Pronto! Novo desespero para Leonora e Leonardo. Este ficava mais quieto, mas Leonora começou a colocar mil empecilhos: a viagem era muito longa, teriam que se desfazer da casa, dos móveis, dos objetos todos e recomeçar tudo de novo. Não! Leonora não tinha mais vontade disso! E também pensava muito no filho mais novo: - E se Antônio voltar e não encontrar mais ninguém aqui, meu velho? - Conversava com o marido. E olhava para a casa, para os objetos muito bem cuidados, as louças, os cristais, a casa grande, o jardim muito bem cuidado, a grama verde, e os netos todos ali. Não! Não tinha mais vontade de fazer essa mudança. Mas como convencer Augusto de que agora não daria mais para refazer a vida no Brasil?

      Augusto entendia, mas ficava receoso dos pais ficarem sozinhos por muito tempo e precisarem de algo e não haver ninguém para acudí-los. E pensava no irmão Vicente com a cunhada, e ficava aliviado, mas nem tanto. Augusto era um homem cuidadoso, atencioso, de um coração enorme, que queria cuidar dos pais enquanto eles estiverem vivos. Mas gostaria também de refazer sua vida com a namorada brasileira, no Brasil, e quem sabe, ter mais filhos, já que teve um único filho e que já é um jovem adulto.

      Leonora se torturava só de pensar em entrar naquele avião com a mudança, chegar no Brasil, sem casa para morar, ter que se adaptar de novo num lugar que tinha ótimas lembranças, mas a decisão de mudar de país foi desgastante demais para ela repetir essa proeza. Colocava defeitos e empecilhos em toda a opinião de Augusto, que sempre tinha uma solução. Mas não tinha jeito: realmente ela não queria mais ter esse sacrifício de se mudar. Uma coisa é fazer um passeio, outra é se mudar. E isso estava fora de cogitação para ela e o marido. No fundo ainda tinha esperanças de juntar os filhos e netos de novo, numa família feliz e sem discórdias.

      Augusto já havia tomado a decisão e não voltaria atrás, mas mesmo assim fez um último convite aos pais, de irem com ele ao Brasil, a passeio, e ficar uns tempos de férias. Depois voltariam para a casa. Leonora disse que iria pensar.

Continua...

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Parte IV

Continuação...


      Voando como uma borboleta sem plano de vôo: era assim que se sentia Leonora num país novo, com outra cultura, outros costumes, outra língua, outro clima. Era como nascer adulto num lugar diferente, com gente estranha; como um sonho em que saímos correndo, procurando desesperadamente a porta de saída de um lugar desconhecido. Mas pelo menos ela estava com sua família reunida novamente, agora também com os netos. O ruim mesmo foi perceber a distância do irmão mais novo, com toda sua rebeldia, dos mais velhos e, consequentemente, dela e do marido também. Mas o que tinha dado errado que esse filho saiu tão desgarrado de tudo e de todos? Nem bem "esquentaram a cadeira", e já presenciou brigas horríveis de Antônio e Augusto, chegando até a pegar no colarinho um do outro e encostar na parede. Leonora ficava desesperada e se enfiava no meio dos dois, mesmo com toda sua doçura; procurava aconselhar aqueles homens feitos, que irmão não pode brigar com irmão. De nada adiantava. As brigas eram constantes e cada vez mais violentas.

      Em sua casa, junto com o marido, conversavam a respeito de Antônio e no que poderia ter saído fora de controle para ele ter essas atitudes. Por outro lado ficavam se perguntando por que Augusto e Vicente não tinham tolerância com ele. Será que não entendiam que ele era diferente deles e que poderiam pelo menos deixá-lo ser como era, ao invés de ficarem brigando, insistindo para que Antônio mudasse seu comportamento? O que teria de tão errado em Antônio que incomodava tanto os outros dois irmãos? Leonora não entendia e sofria. Costumava ficar em seu canto, quieta, chorando escondida ou fazendo uma oração para que aparecesse uma luz e iluminasse o caminho dos três e finalmente eles se entendessem.

      Leonardo, apesar de aparentar ser mais calado e sério, também sofria com a atitude dos filhos. Na verdade ele se lembrava da educação que dera para cada um: muita rigidez com Augusto, que sempre tinha que dar o exemplo de tudo, sendo vigiado, castigado e tolhido de tudo o que queria fazer. Já Vicente não foi tanto assim, mas ainda o educou nos mesmos princípios que educou Augusto, que se acostumou a ver o irmão mais velho sempre levar a bronca e ser castigado, e que com o tempo foi pegando o jeito de escapar dos castigos do pai e acabava fazendo o que queria. Já Antônio foi criado solto, não obedecia muito e não fora castigado como Augusto. Tinha mais liberdade e sempre se achou o reizinho da família por ser o mais novo e por não ter a responsabilidade de ser exemplo para ninguém. Tudo isso Leonardo ficava se lembrando e sangrava por dentro, mas sem admitir que errara. Para ele, o que fez estava feito e ponto. Pai sabe das coisas e não deve ser contestado nunca! Era o que pensava, contrariando o que via com seus olhos de que alguma coisa estava errada com os filhos.

      Chegou um tempo em que a situação ficou tão insuportável que Antônio simplesmente pegou suas coisas e foi embora com sua família, para um lugar longe daqueles que não admitiam que ele era como era. Leonora, mais uma vez, via sua família se separar e sangrava mais ainda. As lembranças da mudança de país justamente para ficar perto dos filhos foi tão difícil, tão complicada, e agora tudo estava se desfazendo com Antônio não querendo mais viver perto deles. Leonardo nada falou, mas nos momentos de solidão, ficava olhando para o nada e não chegava a nenhuma conclusão sobre o assunto. Bem, já estava feito! Se Antônio preferiu assim, que siga em paz, seja para onde quer que vá!

      Antônio saiu, como se sai de um restaurante ou de um cinema. Simplesmente foi sem olhar para trás, sem dar endereço, telefone ou algum contato. Sumiu no mundo.

      Leonora pensou que não aguentaria passar por isso, mas arrancou forças não sabe de onde, se apegando às suas coisas, sua casa, seus novos objetos, e assim continuou vivendo, praticamente trancada em casa. Leonardo trabalhava com os filhos, na empresa da família, e não ficava comentando o ocorrido. Na verdade ninguém comentava nada a respeito. Leonardo e Leonora quando conversavam a sós, diziam da esperança do filho voltar e tudo ficar bem, como sempre desejavam. Nada tirava essa esperança de Leonora. E o tempo foi passando...

Continua...

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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

E agora, meu velho? - Parte III

Continuação...


      No começo dos dias, depois que Augusto e a mulher se mudaram para os Estados Unidos, os dias de Leonora não foram fáceis. Os de Leonardo também não foram, mas ele era durão, não demonstrava fraqueza nem diante de uma dor muito forte, então era visto como sendo um homem frio. Leonora o conhecia muito bem e sabia que o marido sofria mais ainda por ficar calado, e nas horas em que estavam a sós, se abraçavam e lamentavam aquela situação.

      Os dias foram passando e o prazo de seis meses para terminar o estágio já estava terminando, para alegria dos pais de Augusto. Mas antes da data limite, este entrou em contato e disse que mudara de planos e que ficaria por lá por tempo indeterminado, já que tinha se dado muito bem e enxergava grandes chances de subir na vida. E assim foi feito. Leonora já esperava por isso, pois conhecia o filho mais velho que, apesar de ser educado com mais rigidez, não tinha medo de enfrentar novos desafios. Não sofreu tanto com essa notícia e desejou toda a sorte do mundo para o casal.

      Com o passar do tempo, Augusto mais estabilizado financeiramente, proporcionou a ida de seu irmão do meio, Vicente, para junto dele. Leonora já não sabia mais o que dizer, mas já tinha entregado tudo a Deus e se conformado com mais uma despedida. Dessa vez não teve tanta festa, nem muito choro, nem Leonora se enfiou no hospital para nada. Foi ao aeroporto se despedir do filho e da nora, mandando milhões de recomendações para todos.

      Com isso, sua casa de mãe ficou vazia, seu coração já não via muita graça em nada, nem os parentes mais próximos conseguiam animar aquele casal que antes era tão receptivo com todos. Leonora e Leonardo murcharam. Mas não sabiam que logo o filho mais novo também entraria em um avião para levá-lo para junto dos outros irmãos, e quem sabe, não voltariam mais. Esse dia chegou. Leonor praticamente não saía mais da cama e Leonardo não sabia mais o que fazer.

      A comunicação com os filhos, com o passar do tempo e devido à tecnologia que avançava, ficava mais fácil; então o casal matava as saudades dos filhos sempre que podia, quer dizer, praticamente dia sim, dia não. Uns vinte anos se passaram e os filhos somente voltavam para o Brasil a passeio, duas vezes ao ano.

      Um dia, Leonardo puxou pelo braço da mulher, olhou em seus olhos e sugeriu: - Vamos embora daqui! Vamos morar lá com os meninos! - Leonor não conseguia pronunciar nenhuma palavra. O choque de deixar sua terra, suas coisas, sua casa, seus parentes a deixaram tonta. Se sentou no sofá e por ali ficou a pensar durante horas. Leonardo somente chegava perto e lhe perguntava se estava tudo bem: - Sim, não se preocupe! - Era sempre essa a resposta.

      Não demorou muito, Leonardo ajeitou tudo, vendeu o que podia, desfez de outras tantas coisas, arrumou as malas e partiu com a mulher para viver com os filhos desgarrados. A emoção de Leonora era tanta que ela se esqueceu de despedir de muitos parentes. - Não tem importância. Quando chegarmos lá, eu telefono! - Estava tranquila e muito, mas muito ansiosa com tudo, com essa nova vida que passaria a ter, agora de novo, pela graça de Deus, do lado de seus filhos.

      Na chegada, os filhos fizeram a maior festa para os pais. Não sabiam por onde começar a mostrar o novo país que escolheram para viver e ganhar a vida. Tudo muito novo, muito mágico e uma língua estranha que não entendiam nada! Os filhos, aos poucos, tentaram introduzir o inglês, mas como eles mesmos diziam. "não entra mais nada na cabeça".

      Leonora, assim que começou a prestar mais atenção nos filhos, percebeu que o mais novo continuava rebelde e topetudo. Não tinha jeito! Ele se achava o dono da verdade e ninguém mudaria isso.

Continua...

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