segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Apressadinha



      Maria Alice, uma moça não tão nova e nem um pouco ingênua, mas metida a esperta, acabara de acordar e, olhando para o marido que roncava ao seu lado, ficou agoniada mais uma vez. Sinceramente não sabia o que ainda estava fazendo casada com esse homem que não a atraía nem um pouco mais. Amor, ela sabia que não existira nunca, mas agora não sabia o que fazer para sair dessa enrascada.

      Quando era mais nova e viu Romildo pela primeira vez, ficou extremamente apaixonada e jurou de pé junto que se casaria com ele de qualquer maneira. Ele não olhava para ela, pois já era comprometido; mas Maria Alice não queria nem saber, se fosse preciso passaria por cima de todos, como um trator, só para conseguir aquele homem lindo que mexeu com seu coração.

      Primeiro ela se aproximou de todos que o conheciam, depois começou uma investigação sobre sua vida e finalmente deu um jeito de alguém apresentá-la a ele. Ele simplesmente ignorou a nova amizade, ficando na dele. Isso irritou Maria Alice profundamente, pois era acostumada a ter tudo o que queria, inclusive os homens, e costumava tratá-los como marionetes. Mas logo se cansava deles e partia para outra conquista.

      Ela fez de tudo para chamar sua atenção e um dia conseguiu! Pronto, era tudo o que ela precisava apesar dele ainda ser comprometido e amar a namorada. Mas que importava isso para Maria Alice que não tinha limites de nada? Nada! Era realmente como um trator que acostumara desde sempre a passar e acabar com tudo o que lhe atrapalhasse o que queria. Filha única e mimada, era o que todos sabiam dela.

      Numa festa na casa de uma amiga em comum, Maria Alice se aproximou do rapaz enquanto sua namorada não estava por perto e sem ele perceber, colocou uma "coisinha" em sua bebida. Não demorou e ele, depois de beber todo o copo, começou a ficar estranho e, claro que Maria Alice o ajudou a ir para um lugar mais aconchegante levou-o para um dos quartos, tirou-lhe toda a roupa e a sua também, se deitou ao seu lado e fez tudo o que tinha que fazer: transaram! Como ele estava dopado, sua namorada ficou como louca à sua procura e o encontrou nu, com ela ao lado, dormindo como anjos. Foi o fim de um relacionamento de anos.

      Ela sabia que estava em seu período fértil e tinha certeza de que engravidaria dele. E dito e feito! A partir daquele dia, foi tão doce com ele, tão prestativa, que ele não teve escapatória e se casou com ela. Mas todos sabiam que era por causa do bebê que ela esperava. Mas isso não tinha a mínima importância para ela, que tinha certeza de que o conquistaria com o tempo, e não demoraria para ele comer em suas mãos.

      Tudo isso aconteceu: se casaram, o bebê nasceu, e ele sempre distante até que um dia ela se cansou desse brinquedinho. Não suportava mais ter que dividir uma casa e uma cama com ele. Cuidava do filho como boa mãe, mas não queria mais estar com o pai da criança por perto. Às vezes sentia nojo de vê-lo comer e odiava quando ele bebia demais e chegava embriagado. Pior ainda, quando ele deitava na cama naquele estado e acordava só no dia seguinte. Tudo isso ela aguentava, lamentava e reclamava aos céus perguntando o que ela tinha feito para merecer tudo aquilo. Não se conformava pela má sorte, já que havia escolhido o marido, então sua escolha tinha que ter sido perfeita. Não aceitava ele ser desse jeito que ela odiava, pois quando o conheceu era tão perfeito, tão lindo, com um sorriso tão cativante... E fez o que qualquer mulher faria para tê-lo. Bem, era isso que se passava em sua cabeça doente, acostumada a ter tudo o que quisesse. Romildo era só um brinquedinho em suas mãos, e nem sempre ela conseguia manipulá-lo do jeito que ela desejava. Se esquecera de que Romildo tinha vida própria e sabia se impor como homem, e isso fazia com que a irritasse muito.

      Já havia mencionado a separação, mas Romildo era do tipo religioso de uma família que não aceitava separação. E isso ela nem conseguia mais mencionar, pois ele nem a ouvia. Maria Alice não entendia essa sua fraqueza, essa sua submissão com um homem que antes era manipulável e agora ela não conseguia sequer encará-lo e se impor,  ficando paralisada quando ele se aproximava. Não entendia esse poder que ele tinha por ela, tão senhora de si, tão forte e tão arrogante.

      Anos e anos se passaram e Maria Alice continuava com aquela vida infeliz, com um homem de personalidade firme, que não a obedecia como ela queria, que por fim era dominada e às vezes até acuada, tendo que cumprir suas obrigações matrimoniais à força. Infeliz, por ter feito uma escolha que era só dela, que não respeitou a outra parte, que por ser mimada demais, pensava que o mundo girava em torno de seu umbigo.

      Agora aguenta, Maria Alice... seus caprichos lhe custaram uma vida!


9 comentários:

  1. Gostei muito!!

    Beijuxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx...

    KK

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  2. Nua e crua, assim se mostra a vida pra MªAlice, neste conto que é bem real em sua narrativa.Há muitas Mªs como esta que confunde os fatos com seus desejos.
    Excelente narrativa, Clara.
    Bjkas,
    Calu

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  3. De folhas de Outono se coroa uma tonta
    Lancei pedras sobre as ondas furiosas
    Teimosamente arde neste peito uma raiva
    E vi muito lixo num covil de raposas

    As coisas que um poeta vê
    As coisas que que invadem uma alma demente
    Num silencio contaminador, estonteante
    Ouvi palavras de amargo presente

    Cheguei finalmente a uma certa praia
    Fiquei encoberto por uma mancha de gaivotas
    Na impressionante fachada da minha alma
    Fecham-se com estrondo todas as portas


    Doce beijo

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  4. As inconsequências da mente imatura que conforme o tempo passa começa a cobrar as responsabilidades dos atos.
    Se eu fosse ela, fugia de casa!! :)
    Beijus,

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  5. oi, realmente as pulseiras não estão baratas,mas infelizmente por sererm pulseiras que estão no auge da moda e que nesse verão vai ser o must os fornecedores enfiam a faca no material, eu que acabo comprando quase tudo pela net ainda tenho que arcar com o frete então no final acaba encarecendo mesmo, não tenho como fazer mais barato, pois dedico tempo na escolha e criação das peças.
    Bjs

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  6. Agora resta aguentar...Pra pensar.Lindo!!beijos,chica

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  7. Oi Clara!
    Menina, que dureza heim? É, quando mão se mede as consequências o jeito é aguentar. Imagine ter que aprender na vida assim, pagou para ver.rsss
    Um conto muito bom e reflexivo.
    Beijinhos e uma linda semana!

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