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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sorria, alguém te observa

Um conto sensual...


     

      Cristina chegou em seu apartamento, tirou os sapatos na sala mesmo, caminhou até a enorme janela de vidro que pegava toda a parede, abriu as cortinas, destravou o fecho, deslizou e deixou que a brisa invadisse toda a sala. Debruçou no parapeito e ficou admirando o por do sol ao longe, na grande metrópole que já brilhava com os faróis dos carros e com as luzes das ruas ainda tímidas, que lutavam para iluminar depois do sol.

      O calor sufocante fez com que Cristina permanecesse assim, com o rosto virado para o horizonte, mas de olhos fechados, apenas sentindo a brisa do entardecer. Não se refrescou no dia quente que marcou 37º.

      Puxou uma poltrona que ficava perto da janela, de forma que quando se sentasse nela, poderia ver o céu mudando o tom de azul e, enfim, as estrelas mostrassem sua beleza. Mas o calor era sufocante, apesar da brisa que entrava no décimo segundo andar daquele edifício antigo, mas luxuoso.

      Tirou a blusa que colava ao seu corpo, devido ao suor e a jogou no chão, do lado. Abriu o botão da calça jeans e se sentou relaxada na poltrona... Apesar de estar um pouco acima do peso e de não se considerar uma mulher bonita e sexy, gostava de seu corpo como era: tipo comum que não chamava a atenção dos homens quando andava pelas ruas, mas quem a conhecia intimamente, se apaixonava com facilidade. "Pelo conjunto da obra", ela dizia, para explicar o interesse que alguns tinham com ela e não com tantas outras mulheres lindas e de corpos perfeitos que tinham em todos os lugares.

      Foi até a cozinha e voltou com um copo de água gelada com alguns cubos de gelo. Bebeu um gole. Outro gole... Pegou uma pedra e começou a passar no seu rosto... Com o calor do corpo as gotinhas escorriam pelo seu colo, molhando o sutiã e escorregava para o lado, pingando na poltrona. Lentamente foi descendo com a pedra pelo pescoço, pelo colo, e com a outra mão desabotoou o sutiã que tinha o fecho frontal. Não o tirou do corpo; apenas deixou que ficasse do lado dos seios... Passou o gelo em volta de cada um, sentindo o arrepio... gemia baixinho, mas gostava da sensação do gelo derretendo em seu corpo quente.... Desceu pela barriga e uma poça se formou em seu umbigo....

      Cristina olhou pela janela e viu que alguém do apartamento de frente a observava. Ficou uns instantes olhando para ver se o indivíduo desconfiasse e disfarçasse, saindo da janela. Mas não! Ele continuou olhando e debruçou no parapeito como se quisesse se aproximar mais daquela visão. Cristina ficou incomodada com a atitude do homem, mas não se deu conta de que estava com os seios à mostra. Quando percebeu, cobriu com o braço, se levantou e fechou as cortinas. Se sentou de novo e ficou com raiva daquele homem abusado, indignada pela falta de respeito com ela, que estava dentro de seu apartamento e por isso, teria liberdade para fazer o que quisesse.

      Deu um sorriso, e fez um gesto de não com a cabeça e começou a falar sozinha:

      - Mas como eu vou exigir respeito de um senhor que não conheço, eu estando semi nua? Mas que sem noção eu sou!

      Voltou para a janela, já com o sutiã e agora também com a blusa, abriu as cortinas e olhou para aquele homem, agora prestando atenção em sua aparência. Ele, de sua janela, acenou para Cristina. Ela, sem jeito, retribuiu o aceno, mas fechou novamente as cortinas e foi tomar seu banho. Mas o homem não saía de sua cabeça. Era simpático, calvo, parecia ter estatura alta. Sim, simpático!

      A noite tomou conta da cidade e Cristina não parava de pensar naquela situação em que viveu. Quem sabe um dia possa conhecer aquele homem ousado, que a admirava enquanto se refrescava com o gelo, distraidamente com os seios à mostra, mas que se deu o direito de ter liberdade em sua casa, mesmo correndo o risco de ser observada por ele, e por tantos outros que não sabia que também poderiam estar olhando.

      Bem, amanhã é outro dia.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Acabou "sabosta"!


Até que enfim acabou! Agora mais dois anos de sossego, de não ouvir nada sobre esse assunto, de críticas, de endeusamentos, de brigas, de roubos, de roubos, de roubos... bem, esses continuam.

É tanto dinheiro financiando os candidatos, que se usassem para o bem comum, com reformas, projetos, faria uma diferença enorme.

Sábado, andando pelo centro da cidade, cada passo que eu dava encontrava um "poste humano" segurando uma bandeira do candidato. Imaginam quanto gastam com isso? Imaginam que quem tem mais voz, mais espaço, mais poder, mais financiadores, mais apoio é geralmente o que vence? E se um candidato bom, correto, digno não tiver apoio nenhum de ninguém, nem grana para financiar nada, ele ganharia, apenas por ser correto? Tenho minhas dúvidas.

Esse ano fiquei alheia a tudo! Não quis saber de nada mesmo por puro desânimo. Já fui mais ativa, mas esse ano cansei! Nos debates penso a mesma coisa: quem tem mais lábia, quem sabe mais se expressar com as palavras, quem tem mais carisma, simpatia, acaba levando vantagem. Talvez o mais preparado para enfrentar uma liderança, para administrar uma cidade, não seja tão bom com as palavras e nem saiba transmitir a quem o ouve, seus planos. E isso, com certeza, o deixa em desvantagem. Mais uma vez o foco errado de tudo.

Agora, num país democrático como o Brasil, passou da hora do voto deixar de ser obrigatório. Quantas e quantas vezes eu via pessoas pegarem do chão, ali, na porta do local de votação, um santinho para poder votar, mesmo sem saber de quem se trata... inúmeras vezes! Ou então quantos votam no que o marido vota, no que o vizinho indicou, no que está na frente das pesquisas.... ah, as pesquisas.... ultimamente não estão batendo os resultados, não é? Por que será? Alguém suspeita de alguma coisa?

Outra coisa que eu digo: muitas pessoas, e nem precisam ser ignorantes ou não terem cultura, mas que sentem falta de coisas, quem não tem o que comer, quem não consegue sustentar uma casa, fazer um puxadinho, colocar uma laje, com certeza é comprado por um voto sim! Já presenciei muitos, mas muitos mesmo! Olha, sem generalizar, ok? Estou falando o que eu já cansei de presenciar, mesmo sendo pessoas estudadas, formadas, inteligentes etc. Quanto a isso, melhor não continuar o assunto.

Mas, graças a Deus, "cabô sabosta!"

Então, vida que segue e tudo continua como antes. Será que essa ficha limpa vai funcionar? Não sou pessimista e ainda acredito num mundo melhor, com pessoas mais inteligentes, com maior capacidade de perceberem as coisas erradas, com o dom de fazerem escolhas para o bem comum e não para seu próprio bem... acredito sim! Quem sabe toda a impunidade que estava faltando começou com esse julgamento do mensalão? Mas, uma coisa é ser condenado, e outra bem diferente é cumprir a condenação.... tô azeda hoje? Não, tô cansada de tudo isso!

Uma ótima semana para todos!


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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Lendas Urbanas

A Loira do Banheiro


      Escola Coronel Francisco Martins, em Franca, interior de São Paulo, onde eu estudei da primeira série até a oitava série, hoje como sendo o ensino fundamental.

      Como vocês podem ver, a escola é velha, e se repararem bem, tem umas janelinhas embaixo, como sendo o porão, este que aterrorizava todos nós, que olhávamos mas não enxergávamos nada! Mas a imaginação corria solta, e inventávamos histórias com caveiras, gente morta, cabeças decepadas etc.

      Mas temido mesmo era o banheiro. Ah, mas ninguém se atrevia a ir ao banheiro daquela escola, sozinho. Sempre, sempre, ouvíamos a história do loira do banheiro.

      A que eu ouvia era assim: uma loira que estudava naquela escola, foi morta no banheiro e sua alma não conseguiu sair dali nunca mais. Era magra, cabelos compridos e bem amarelos, tinha algodão nas narinas e ficava flutuando pelo banheiro assustando todo mundo, ou quem sabe, arrancar os olhos da pessoa. Há quem dizia que já tinha visto a defunta, mas eu não ficava esperando e muito menos ficava olhando nos cantos ou no teto para ver se tinha alguém flutuando dentro daquele lugar. Os mais destemidos, vez ou outra, saíam correndo de lá, gritando, dizendo que tinham visto uma mulher loira, com algodão nas narinas, flutuando.... Era a morte! Vontade de fazer xixi? Ah, mas esperávamos até chegar em casa!

      Se era verdade ou não, ninguém sabe. Mas se existe a lenda, creio eu que algum fundamento tem. Era medonho ficar ouvindo os relatos imaginários dos alunos, principalmente quando ainda se é criança. Nunca fiquei sabendo o que realmente tinha naquele porão, e não me lembro em que idade deixei de ter medo daquele lugar, já que na sétima série eu comecei a estudar à noite, sem problemas. Coisas de crianças,  de imaginação que infelizmente acaba com o tempo, com o amadurecimento.

      Pesquisando no "tio" Google, encontrei na Wiki essa definição AQUI.

      E dando mais uma fuçada, encontrei um blog que tem várias versões. É só clicar AQUI.

     Bem, estou participando da Blogagem Coletiva do blog Escritos Lisérgicos. Façam uma visitinha, para saberem mais sobre lendas urbanas.

      Não vão invocar a moça, heim? Deixa ela quietinha lá! É melhor, né?


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A casa desmoronada



      Durante praticamente toda a minha infância, morei numa casa bem simples, antiga, com um quintal enorme onde tinham várias plantas, árvores, tipo fazenda. Aquele quintal imenso era meu mundo. Pegava meus brinquedos, minhas panelinhas e brincava de fazer bolo de terra, colocando musgo por cima, como se fosse a cobertura. Uma espiga de milho, ainda verde, fazia as vezes da boneca, e era a aniversariante do dia. Geralmente brincava sozinha, conversava, corria, cantava, inventava...

      Mas nem sempre eu era essa doçura toda; digamos que meu lado perverso às vezes aparecia e uma maldadezinha se aflorava naquela menininha rechonchuda e bochechuda. Coitados dos bichinhos!

      Taturanas e mandruvás eram meus preferidos. O que eu fazia? Escondida de minha mãe, pegava o álcool, o fósforo, pegava a folha com esse bichinho curioso, colocava no chão, jogava um pouco de álcool e tirava este de perto para não fazer um estrago e levar bronca ou surra da mãe, e de longe, acendia o fósforo e.... jogava no bichinho inocente. Não sei que prazer eu tinha em ver aqueles verdinhos ou peludos, e alguns até zebrados, coloridos, com chifres, se contorcerem até ficarem inertes, mas eu prestava atenção e sentia aquele cheiro de queimado, de certa forma, admirada e curiosa.

      Olha, eu já pedi perdão e isso eu não faço mais, tá bom? Era uma criança e tinha minhas arteirices escondidas. Acho que minha mãe nunca ficou sabendo dessa minha proeza, ainda bem.

      Então, dias desses passei naquela rua e a casa não estava mais lá. Desmancharam aquela casa feia, velha, antiga onde passei minha infância. Senti um vazio, como se parte de minha vida tivesse sido apagada, mas sabendo que tudo está em minha memória. Muitas lembranças vieram na minha mente e não tive como não me lembrar desses inocentes bichinhos cruelmente mortos por mim. Aquele abacateiro enorme, que nunca consegui subir em seus galhos, por pavor de altura, também não estava mais lá. Não prestei atenção no que fizeram no local, acho que um espaço aberto para futuros eventos, não sei.

      Uma outra lembrança me veio... um dia, passando da sala para um dos quartos, uma cobra verde saiu da parede, de um pequeno buraco, e quase pega meu pé! Dei um salto para trás e minha mãe veio ver o que era; e a danadinha, acho que por medo dessa assassina de verdinhos, deu ré e voltou para o buraco. Minha mãe, com um pauzinho, ficou cutucando o buraco, na esperança de espetar a peçonhenta e acabar com sua vida. Mas nada aconteceu. Dali para frente, todas as noites, quando me deitava, ficava olhando as paredes, imaginando que aquela rastejante estivesse andando por dentro dela, na espreita, para um dia quem sabe, sair dali e me pegar, por vingança de tanta maldade que eu cometera com aqueles inocentes seres, também filhos de Deus.

      A casa não está mais lá, mas as histórias, as imaginações, o medo dos bichos, as brincadeiras, todas permanecem carimbadas na minha memória.

      Bons tempos, onde os gravetos, a terra, as plantas, os legumes, as flores, tudo se transformava em brinquedos, com histórias com começo, meio e fim.


Um ótimo fim de semana!!!




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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Vício e indignação



É sim, a gente vicia muito rápido. Essa vida de internauta é maravilhosa! Mas, ficar sem computador depois que garramos uma paixão avassaladora pelo bichinho, é de morrer!

Ainda estou com limitações para poder usar internet, ainda sem computador e ainda com uma agonia que não acaba. Mas, fazer o quê? Tem que esperar, esperar, esperar....

Outra coisa chatérrima que aconteceu: apareceram (porque não foram convidadas e nem dei autorização de nada) umas propagandas no meu blog. Uma chatice mesmo, que desconfigura,  ficam com umas palavras com link que só de passar o mouse, aparece algo que com certeza ninguém tem interesse. Não sei se só eu vejo ou se quem acessa também vê. Mas isso é muito chato mesmo e como não estou com meu computador, não tenho como vasculhar e ver o que aconteceu para poder dar um sumiço de vez nesse intruso cara-de-pau.

Então, meus queridos amigos, quando tudo estiver nos eixos, eu retribuo todas as visitas com comentários que vocês gentilmente sempre deixam por aqui.

Essa é a indignação de que citei no título. Como tem gente sem noção nesse mundo, não é?

Invadem sem o menor respeito o espaço do outro, tomam conta e roubam o que nós cuidamos com todo o carinho durante muito tempo. Não consigo entender o que ganham com isso ou que satisfação sentem em não ter um bom senso via rede mundial de computadores. Que saco!

Onde está o respeito? É claro que quem tem esse costume, não vai ler isso, mas eu falo como desabafo mesmo, porque já vi tantos blogs sendo "roubados" e perdidos, por culpa desses imbecis cretinos e ocos de raciocínio, que fico p***** de raiva com isso.

Se essas pessoas usassem essa "inteligência" para algo útil, quem sabe hoje não seriam mais um rico ou milionário no mundo virtual? Mas não! É tão mais fácil destruir o que já está pronto do que criar e divulgar algo que preste. O mesmo digo para quem tem o hábito de roubar o post alheio sem dar os devidos créditos.

Pronto, falei!

Semana que vem tudo volta ao normal com meu computador, se Deus quiser. Me desculpem pelo transtorno, sim?

Uma ótima semana para todos!

Gentcheeee.... esse link estava na lateral do blog, mas sumiu! Que coisa! 
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Caçando Lobisomem

Mais uma crônica de Eliana Teixeira, uma mineira pra lá de talentosa.


      Na última noite de lua cheia umas coisas esquisitas aconteceram no galinheiro. A noite estava bem clarinha, mas, de repente, nublou. Eu sei porque estava lá fora, por volta de meia-noite. Nublou e deu uma esfriada súbita, daquelas de arrepiar a espinha. Na manhã seguinte, tinha acontecido uma coisa esquisita: uns trinta pintinhos tinham tido a cabecinha decepada e todo o sanguinho chupado. Seria ataque de um bando de gambás e morcegos? Ou um mão-pelada pelo telhado? Ah, toda explicação tinha suas falhas. 

      
      Lembrei-me de uma história de minha infância. Tinha acontecido uma coisa parecida com a criação.

      Franguinhos, galinhas, mas depois a coisa ficou mais séria. Bezerros começaram a aparecer com o pescoço molinho e o sangue todo chupado. Depois foi uma vaca. Então, sob o comando de Pai Chico, os homens se armaram e foram em bando à caça do bicho, que devia ser coisa grande. Por várias noites ficaram de tocaia e nem sinal de bicho nenhum. Até que chegou a lua cheia. Todos pensaram: hoje não tem jeito, noite clara demais pra caçar, bicho nenhum desentoca. Mas foi justamente na lua cheia que o bicho apareceu. Não tinham se armado nem ficado em campana, mas ouviram ao longe uns guinchos estridentes tão logo a noite nublou e esfriou. Pai Chico entendeu a estratégia: - Ah, o bicho sai é na lua cheia! Deixa quieto! - A lua cheia seguinte deu num dia de finados. Chovia a cântaros. Ninguém nem se lembrava do bicho esquisito. Mas Pai Chico estava de olho fixo no horizonte acinzentado, mirando. De tardezinha o céu começou a limpar. Às seis da tarde o céu estava todo estrelado, clarinho, clarinho. Pegou o Winchester e duas balas de prata que tinha mandado fazer. Pelas sete da noite, mandou avisar à turma que aquela noite era de tocaia na pedra, perto da gameleira. A Lagoa Grande de minha infância era grande como uma sesmaria. Tinha cerrado, buritizais e várzeas. A turma fez pouco caso, mas obedeceu. Ninguém desdizia Chiquitão, mas em lua cheia num pegava bicho nenhum não. Às oito da noite todos se reuniram. Os homens pegaram em armas, mas Chiquitão deu outras ordens. Já estava pronto um chiqueiro-armadilha, com a porta suspensa, à moda de arapuca. Dentro, um bode estava aprisionado. O bicho seria atraído pelos berros do bode. Ao penetrar no chiqueiro, fazia disparar a armadilha; a porta caía, e ele ficava prisioneiro.

      Mas tinha mais. Pai Chico armou um Winchester 44 na vereda por onde o bicho passaria caso escapasse da armadilha. Com duas balas de prata. Se o bicho escapasse do chiqueiro, na saída tropeçaria no cordel, puxando o gatilho da arma. Todo mundo ficou se entreolhando assustado. Afinal, que bicho estavam caçando?


      Perto da meia-noite, o tempo mudou. A noite escureceu de repente e um frio de gelar a alma assobiou na gameleira. Ouviram um barulho esquisito. Era um guincho estridente, depois parecia um choro de criança, um lamento de morte... Um bater de asas, um vôo rasante assustou o bando; parecia um morcego, mas era grande demais, do tamanho de uma anta... Outro vôo rasante... Todo mundo começou a rezar e no meio das avemarias o bode começou a berrar. O bicho voou baixo, entrou na armadilha, arrancou a cabeça do bode e saiu tão depressa que, quando a porta do chiqueiro fechou, o bicho já tinha ido embora. Quando abriu o peito pra alçar vôo, recebeu o tiro certeiro do Winchester; a bala de prata. O bicho caiu mole no chão. A noite estrelou de novo. Dizem até hoje que, quando os homens abriram o bicho, não tinha osso nem vísceras. Só uma baba cinzenta fedendo a enxofre que eles queimaram fazendo o sinal da cruz. E do bicho, pra provar que existiu, ficou o couro. Está por aí até hoje, pra quem quiser ver.
 — em Fazenda Lagoa Grande









Meus amigos, ainda estou com problemas no computador. Assim que possível retribuirei todas as visitas de vocês. Beijos


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Uns dias off

Então, meus queridos amigos...
Meu computador resolveu subir no telhado e morreu!
Vou ficar uns dias fora do ar até resolver o problema.

Beijos pra todos!!!




segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Fujona!



      Minha mãe conta que quando eu era pequenininha e tinha que sair e me levar, era um Deus nos acuda! Eu sempre dava um jeito de me soltar da mão dela e sair correndo. E ela chamava, chamava e eu continuava correndo.

      Num desses dias, após virar a esquina de uma rua com uma descida enorme, larguei sua mão e saí em disparada! Ela correu atrás e não me alcançou. E logo mais adiante, tinha uma rua, que com certeza eu atravessaria correndo. Diz ela que ficou apavorada, mas parece que uma luz tocou-lhe: ela me chamou e gritou bem alto: - Tchau, vou embora! - e por um milagre, parei de correr, olhei para trás e a vi indo embora. Na mesma hora, voltei, chorando, desesperada por ficar sem minha mãe.

      Foi um alívio para ela! Mas se enganou quando pensou que eu tinha aprendido a lição.

      Sempre, sempre, ainda criança, bastava eu tomar banho e colocar uma saia azul marinho rodada, com bordados de fita na barra, que foi feita pela minha madrinha e que eu adorava, pronto! Lá ia eu fugir para a casa de minha avó que ficava no outro quarteirão. Quando mamãe se dava conta, já estava bem perto da casa.

      E mesmo depois de mais crescidinha, eu sempre sumia do nada! Ia brincar na casa de uma tia, que ficava na mesma quadra, com minhas primas. Lá era uma paraíso para mim! Pés de frutas diversas como jabuticaba, jambo, banana, goiaba, tamarindo e uma outra, de casca dura e por dentro o fruto verde, que parecia um veludo... como é mesmo o nome, gente? Ah, me lembrei: jatobá. Sem falar nas coisas gostosas que minha tia fazia, coisas simples, como o "fingido", que nada mais era a massa de pastel frita, mas sem recheio, que tomávamos com café.

      Mas isso é assunto para um outro post, porque que infância boa que eu tive!

Uma ótima semana para todos!!!



sábado, 6 de outubro de 2012

Esmalte e brincadeiras



Essa foto eu já postei, o esmalte Ludurana antialérgico Rosa Rei, que gosto muito. 

Os brinquedos... bem, meus filhos já estão grandes e brincaram muito enquanto podiam. E tinham abundância de brinquedos, de todos os tipos, de todos os preços, mas tiveram a liberdade de brincar do jeito que queriam, mesmo que estragasse. Eram cuidadosos porque ensinei como brincar e não estragar, mas gostavam de ser livres para fazer o que bem entendiam. Isso foi bom!

Então, os brinquedos que vou mostrar aqui são os que eu brincava, lá nos anos 70. Longe, né? Então, lembranças de uma pré-idosa são assim mesmo... affff....




A dorminhoca (quem se lembra dela?), que ficava enfeitando a cama, deitadinha de bruços, com essa roupinha e gorro de pelúcia... não achava muita graça não.
Mas a Susi, que eu tive apenas uma, eu amava! E por fim o estado dela era esse mesmo: completamente acabada. E sabe o que eu fiz depois disso? Cortei os cabelos dela, só para ver se nasceriam de novo. Então...


Mas quando eu ficava entediada com a Susi e com as outras bonequinhas, eu ia no quintal, pegava uma "boneca de milho", dava um jeito de colocar roupinhas e me distraia o dia todo!



Engraçado que quando criança eu gostava das panelinhas e até ganhei essa batedeira, mas com o tempo tudo desandou e não deu! Não nasci para cozinhar.


Esse é Topo Gigio, que eu brincava na casa de minha avó.... esse foi bem do fundo do baú.


Aniversários.... ah, essas varetas! Ganhava aos montes! Mas gostava.


E fui crescendo e conhecendo os perigos da vida... braços roxos, dor, muita dor... e muita teimosia em querer ficar batendo essas bolinhas aí....


Mas meu sonho de verdade era ter uma bicicleta dessa! Ah, mas eu morria vendo as amigas andarem e eu nada! Mas aprendi a andar com a bicicleta de uma amiga, sozinha, caindo e machucando, mas aprendi!

Lá na Fernanda Reali, mais brinquedos e mais unhas lindas.... clica aí, vamos!

Mas hoje é um dia especial pra mim. Mais um ano em minha vida, mais um aniversário (47 aninhos) e estou muito, mais muito feliz mesmo, porque hoje está sendo lançado o livro Um Pouco de Nós, que a Elaine Gaspareto juntamente com a Digitexto, onde dois contos meus estão nele! É muita emoção mesmo!


Esse pedaço eu ofereço à vocês, leitores, que me visitam sempre! Muito obrigada!



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Essa Bete!


      No último feriado, Carla viajou até sua cidade natal para rever uns parentes que há anos não via. A cidadezinha era perto, mas mesmo assim, não gostava muito de ir lá; mas adorava o povo simples e super hospitaleiro. Chegou de manhã e iria embora no outro dia à tarde.

      Ficou hospedada na casa de uma tio muito querido, tio Quézim, que ficara viúvo há pouco tempo. Ainda tinha a responsabilidade de cuidar de duas filhas moças. Carla adorava a tia que falecera, e por isso fez questão de ficar lá com as primas Geovana e Geonalva.

      Carla foi recebida com uma mesa farta de café da manhã, com bolos, bolachinhas, biscoitos, café e leite fervido. Só de olhar, um desespero tomou conta sua cabeça magra; mas não resistiu e provou um pedaço de cada, ficando satisfeita.

      Todos sentados à mesa e a conversa se desenvolvia com um pouco de tristeza, mas com momentos de gargalhadas, pois tio Quézim era muito engraçado. Carla disfarçava para não rir o tempo todo daquele tio simples, que trabalhava na roça de um outro parente, e que tinha a vida tranquila e "farta" como ele mesmo dizia: "farta muita coisa aqui, fia!".

      Papo vai, papo vem e Carla quis saber um pouco mais da tia Rosinha, pois nunca teve notícias de que ela estava doente. Os olhos de tio Quézim se encheram de lágrimas, mas ele as engoliu e começou a falar:

      - Sabe, fia, ninguém sabia que a Rosinha tava doente não... uma muierona forte, robusta, trabaiadeira e boa... é, ela era a bondade em pessoa. Que Deus a tenha! - e fez o sinal da cruz quando falou isto.

      Carla, que queria entender como isso aconteceu, perguntou se era problemas no coração, mas tio Quézim negou:

      - Não, fia, ela tava com o "diabo da Bete". - Pronto! O que seria isso que Carla não sabia? Mas ficou sem jeito de perguntar, pois o tio estava muito emocionado.

      As primas abaixaram a cabeça e ficaram quietinhas ouvindo o relato do pai. Mas Carla ficou especulando para ver se conseguia mais dados para chegar a uma conclusão. Não conseguiu, pois o tio não parava de falar o quanto a mulher amada era boa pessoa, que não deveria ter morrido, que ele que deveria ter morrido no lugar dela, que ela vai fazer muita falta... e chorava e limpava as lágrimas na gola da camisa encardida de vermelho, devido a terra daquela cidade ser de cor avermelhada.

      Depois de um tempo, o tio precisou sair para voltar para a roça e deixou Carla com as primas para fazerem visitas aos outros parentes. Mas a curiosidade permanecia, porque não conseguiu descobrir o que seria esse "diabo da Bete".

      No outro dia, acordou tarde e as primas já estavam com o almoço adiantado; tomou só um café preto com um pedaço de bolo de fubá e foi arrumar sua mala para retornar para sua cidade logo mais às quinze horas. Depois ajudou as primas e lavou as louças depois do almoço. Pronto, hora de ir embora.

      Na despedida, tio Quézim abraçou forte a sobrinha e desejou lembranças para toda a família, dizendo o nome de quase todos; Carla abraçou as primas e se foi.

      No ônibus, se sentou com uma senhora muito simpática e começou um papo. Aí teve coragem de perguntar o que seria esse "diabo da Bete".

      - Uai, fia, é diabetes! Sabia não? - respondeu a senhora, estranhando a moça não saber uma coisa tão comum hoje em dia, como ela mesma definiu.

      Ah, tá! Carla não sabia se ria ou se ficava com vergonha de ter deixado para trás suas raízes, sua cidade  onde nasceu e cresceu, e aqueles parentes todos. A partir daí resolveu que não ficaria mais tanto tempo sem ter contato com todos eles. Durante a viagem, vez ou outra, dava uma gargalhada, tentando esconder, mas não conseguia... e o pessoal todo olhava para ela sem entender nada. Tudo bem, até uns minutos atrás quem não entendia nada era ela, uai!

Um ótimo fim de semana!


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Quem vai administrar sua cidade



Desde quando exerci minha cidadania nas urnas pela primeira vez sempre defendi o voto válido e passei isso para quem eu conhecia. Mas hoje isso é passado. Confesso que estou desanimada e já resolvi anular meu voto.

Isso mesmo: depois de anos e anos, não me importo com nada mais!

Muita sujeira, muitos crimes, muita falta de vergonha na cara e nada acontece com eles. Estamos na expectativa desse julgamento do mensalão, mas, sei não, viu? Só acontecendo para ver se é isso mesmo. Podem até serem condenados, mas, uma coisa é ser condenado e outra bem diferente é cumprir a condenação. Aí entram os advogados que acham brechas em todos os lugares, entram os médicos para assinarem laudos de depressão, problemas cardíacos e por aí vai.

Hoje ligaram aqui na minha casa para fazer propaganda política. Que vontade de xingar que me deu! Mas sou uma pessoa do bem e educada, graças a Deus. Então, gentilmente eu disse para a pessoa que não gostaria de ouvir. E ela, muito sem saber o que fazer, agradeceu e me desejou um bom dia. Pelo menos a educação ainda prevalece na maioria das pessoas.

Mas e essa sujeira de panfletos na garagem e caixa de correios da gente? Esses carros infernais com o som no último volume passando na rua, e essas propagandas políticas na TV, rádio e se bobear, até nos nossos CDs aparece algum pedindo voto. Que coisa mais insuportável!

Quantas e quantas vezes eu preguei que um voto decide a eleição, mas mudei de ideia. Meu voto e meu bom senso não resolvem nada de nada. E não venham me dizer que não posso ser assim porque posso sim!

Acredito que enquanto houver impunidade, essa bandalheira vai continuar. Pronto! Cargo público virou sinônimo de enriquecimento fácil, e é lamentável o povo endeusar o candidato. Gente, o que é isso, heim? Fábricas, escolas e o c***** a quatro são parados para receber um ser comum, como eu e você, pura e simplesmente para contribuirmos com seu enriquecimento fácil. É CLARO QUE EU SEI QUE EXISTEM EXCEÇÕES.

Pergunta: onde estão as exceções que não encontro em lugar nenhum?

Pronto, gente, me desculpem o desabafo, mas tá difícil aguentar essas porcalhadas todas.
E seja o que o dinheiro quiser... quem grita mais alto, quem tem mais santinhos, quem tem mais tempo na TV, quem... quem... quem..... tem mais chances de ganhar, né?

Alguém tem algo a dizer? Sou toda olhos para ler.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Apressadinha



      Maria Alice, uma moça não tão nova e nem um pouco ingênua, mas metida a esperta, acabara de acordar e, olhando para o marido que roncava ao seu lado, ficou agoniada mais uma vez. Sinceramente não sabia o que ainda estava fazendo casada com esse homem que não a atraía nem um pouco mais. Amor, ela sabia que não existira nunca, mas agora não sabia o que fazer para sair dessa enrascada.

      Quando era mais nova e viu Romildo pela primeira vez, ficou extremamente apaixonada e jurou de pé junto que se casaria com ele de qualquer maneira. Ele não olhava para ela, pois já era comprometido; mas Maria Alice não queria nem saber, se fosse preciso passaria por cima de todos, como um trator, só para conseguir aquele homem lindo que mexeu com seu coração.

      Primeiro ela se aproximou de todos que o conheciam, depois começou uma investigação sobre sua vida e finalmente deu um jeito de alguém apresentá-la a ele. Ele simplesmente ignorou a nova amizade, ficando na dele. Isso irritou Maria Alice profundamente, pois era acostumada a ter tudo o que queria, inclusive os homens, e costumava tratá-los como marionetes. Mas logo se cansava deles e partia para outra conquista.

      Ela fez de tudo para chamar sua atenção e um dia conseguiu! Pronto, era tudo o que ela precisava apesar dele ainda ser comprometido e amar a namorada. Mas que importava isso para Maria Alice que não tinha limites de nada? Nada! Era realmente como um trator que acostumara desde sempre a passar e acabar com tudo o que lhe atrapalhasse o que queria. Filha única e mimada, era o que todos sabiam dela.

      Numa festa na casa de uma amiga em comum, Maria Alice se aproximou do rapaz enquanto sua namorada não estava por perto e sem ele perceber, colocou uma "coisinha" em sua bebida. Não demorou e ele, depois de beber todo o copo, começou a ficar estranho e, claro que Maria Alice o ajudou a ir para um lugar mais aconchegante levou-o para um dos quartos, tirou-lhe toda a roupa e a sua também, se deitou ao seu lado e fez tudo o que tinha que fazer: transaram! Como ele estava dopado, sua namorada ficou como louca à sua procura e o encontrou nu, com ela ao lado, dormindo como anjos. Foi o fim de um relacionamento de anos.

      Ela sabia que estava em seu período fértil e tinha certeza de que engravidaria dele. E dito e feito! A partir daquele dia, foi tão doce com ele, tão prestativa, que ele não teve escapatória e se casou com ela. Mas todos sabiam que era por causa do bebê que ela esperava. Mas isso não tinha a mínima importância para ela, que tinha certeza de que o conquistaria com o tempo, e não demoraria para ele comer em suas mãos.

      Tudo isso aconteceu: se casaram, o bebê nasceu, e ele sempre distante até que um dia ela se cansou desse brinquedinho. Não suportava mais ter que dividir uma casa e uma cama com ele. Cuidava do filho como boa mãe, mas não queria mais estar com o pai da criança por perto. Às vezes sentia nojo de vê-lo comer e odiava quando ele bebia demais e chegava embriagado. Pior ainda, quando ele deitava na cama naquele estado e acordava só no dia seguinte. Tudo isso ela aguentava, lamentava e reclamava aos céus perguntando o que ela tinha feito para merecer tudo aquilo. Não se conformava pela má sorte, já que havia escolhido o marido, então sua escolha tinha que ter sido perfeita. Não aceitava ele ser desse jeito que ela odiava, pois quando o conheceu era tão perfeito, tão lindo, com um sorriso tão cativante... E fez o que qualquer mulher faria para tê-lo. Bem, era isso que se passava em sua cabeça doente, acostumada a ter tudo o que quisesse. Romildo era só um brinquedinho em suas mãos, e nem sempre ela conseguia manipulá-lo do jeito que ela desejava. Se esquecera de que Romildo tinha vida própria e sabia se impor como homem, e isso fazia com que a irritasse muito.

      Já havia mencionado a separação, mas Romildo era do tipo religioso de uma família que não aceitava separação. E isso ela nem conseguia mais mencionar, pois ele nem a ouvia. Maria Alice não entendia essa sua fraqueza, essa sua submissão com um homem que antes era manipulável e agora ela não conseguia sequer encará-lo e se impor,  ficando paralisada quando ele se aproximava. Não entendia esse poder que ele tinha por ela, tão senhora de si, tão forte e tão arrogante.

      Anos e anos se passaram e Maria Alice continuava com aquela vida infeliz, com um homem de personalidade firme, que não a obedecia como ela queria, que por fim era dominada e às vezes até acuada, tendo que cumprir suas obrigações matrimoniais à força. Infeliz, por ter feito uma escolha que era só dela, que não respeitou a outra parte, que por ser mimada demais, pensava que o mundo girava em torno de seu umbigo.

      Agora aguenta, Maria Alice... seus caprichos lhe custaram uma vida!