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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Para os que ficam, bye, bye - Parte III

Continuação...

Leia a primeira parte
Leia a segunda parte
Leia a quarta parte
Leia a quinta parte



Quinze dias depois, a empresa foi vendida e seu Antero, feliz, chamou seus filhos em sua casa.
Eles, sem pronunciarem uma palavra, se sentaram no sofá e esperaram pelo pai, que estava no banho.
Quando seu Antero apareceu na sala, todos se levantaram e seu Antero disse com voz tranquila, que eles poderiam ficar sentados.
Pegou os três envelopes que estavam na mesa de centro e os deu a cada um.
- O que é isso, pai? - perguntou Antoine, com medo da resposta.
- Se fosse pra eu falar, não colocaria num envelope, né? - respondeu em tom de deboche.
Abriram ansiosos e viram um depósito milionário em cada conta. Ficaram olhando o papel, sem entender nada, mas felizes, aliás não se cabiam de tanta alegria. Marcos, o caçula, deu um pulo e um murro no ar:
- Valeu, paizão! - e abraçou o pai, que retribuiu.
- A partir de agora, é cada um por si; vocês já estão crescidinhos, já são donos dos narizinhos, são cultos, bem formados, portanto,  não contem com mais nenhum centavo meu. O de vocês está aí e o meu está comigo. Este é o meu testamento em vida. Boa sorte, seus moleques! - e deram um abraço coletivo, emocionados.
Seu Antero voltou ao quarto e terminou de arrumar as malas. As passagens já estavam compradas,  sem data para retorno. E foi o que fez! Primeira parada: México. Queria andar por onde andou Elvis Presley, em Acapulco, seu ídolo eterno.
Não se despediu de ninguém e partiu feliz!
Chegando em Acapulco, se instalou num hotel simples, sem estrelas, sem regalias, tudo muito simples, mas confortável.
Sempre muito gentil com todos, seu Antero era um homem extremamente simpático, com seus sessenta e cinco anos.
Conheceu Leonor, também brasileira, que morava há quinze anos em Acapulco. Vendia sanduíches naturais nas praias. Linda morena, de quarenta e oito anos, cabelos encaracolados, pernas perfeitas e bronzeadas e um sorriso encantador, assim como era de sua amada Dorotéia.
Papo vai, papo vem e começaram um namoro. Os dois se entendiam muito bem e riam o tempo todo. Sem falar no sexo que era perfeito, como se tivessem feitos um para o outro.
Seu Antero convidou Leonor a voltar ao Brasil e conhecer sua família. Ela aceitou, dizendo que tinha suas economias e que adoraria voltar à sua terra.
Voltaram, e quando Leonor conheceu sua casa, ficou de queixo caído. Não disse nada e ficou até sem jeito com tanto luxo.
- Não se incomode com isso, Leo, são só objetos e nada mais. - disse seu Antero segurando-a pelo braço e lhe mostrando toda a casa.
Apresentou-a a todos os funcionários da casa e organizou um jantar para apresentá-la à família, todo feliz!
À noite, todos chegaram e encontraram o pai Antero de bermuda, camiseta e chinelos. Na verdade o jantar era um churrasco com tudo o que tinha direito. E todos estavam muito bem arrumados, como sempre foram.
Seu Antero apresentou a namorada a todos, que não gostaram nada dessa história, mas aceitaram.
As noras, todas muito frescas e fúteis, ficaram dentro da casa, na sala, conversando e reclamando da fumaça que entrava pela janela:
- Guida! - gritou uma delas para a empregada - fecha a janela? Essa fumaça tá insuportável!
A empregada fechou e voltou para a cozinha.
Ficaram mais indignados ainda quando seu Antero resolveu colocar música sertaneja no aparelho de som, daquelas de raiz mesmo, para lembrar sua infância difícil. Gentilmente convidou Leonor para dançar. Os dois sozinhos dançando e se divertindo muito, para espanto de todos. Leonor sempre exuberante, jogava a cabeça para trás e balançava seus cabelos encaracolados, soltando uma risada contagiante, e rodopiava, segurando apenas uma das mão de seu Antero.
Ele, por sua vez, percebia os olhares maldosos dos filhos e os resmungos como se estivessem inconformados com a situação. Mesmo assim não se incomodava com esta situação, que para ele, era pura diversão.


Continua...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Para os que ficam, bye, bye - Parte II

Continuação...

Leia a primeira parte


Antes que a secretária Adriana voltasse com todos os papéis, seu Antero, pensativo, se lembrava de sua infância difícil com trabalho na roça colhendo batatas numa fazenda onde seu pai era caseiro. Vida difícil, a escola mais próxima ficava a 20 km de distância e a maioria dos alunos iam de ônibus, antes de amanhecer o dia. Escola precária, onde muitos não concluíram o curso até o final. Seu Antero foi um deles, o que não o impediu de prosperar, com uma inteligência aguçada para os negócios; começou do zero e fez fortuna.
Seus filhos nasceram praticamente em berço de ouro, nunca souberam o que é comer feijão com farinha durante dias, e às vezes uma só vez ao dia. Não queria que passassem por isso, o que fez com que trabalhasse sempre o dia todo e até à noite, bem tarde, todos os dias, inclusive aos sábados.
A decepção com os filhos e a falta de sua amada Dorotéia  fez com que tomasse uma decisão que sabia que não voltaria atrás por nada neste mundo. Isso chocaria todos os funcionários e principalmente seus filhos, que para ele, não passavam de oportunistas e folgados.
Seu Antero era durão quanto a isso. Não tinha pena e nem se importava se os filhos iriam sofrer ou não. Faria o que tinha em mente e pronto.
Entra Adriana em sua sala com todos os papéis separados em pastas cinzas padronizadas, com o slogan verde na capa.
- Aqui está, seu Antero, mais alguma coisa? - perguntou, colocando as pastas sobre a mesa.
- Obrigado, Adriana, gostaria de um café, por favor! - pediu, gentilmente com um leve sorriso, e olhando a secretária.
- Claro, com licença. - saiu, como se caminhasse nas nuvens, sem fazer barulhos.
Antes de abrir as pastas, seu Antero levantou, caminhou até a imensa janela de vidros, colocando os braços para trás, segurando as mãos, olhou, olhou, olhou, fez um movimento afirmativo com a cabeça e murmurou:
- É isso, nada é eterno... tudo um dia acaba. Foi ótimo enquanto durou. - voltou, se sentou e começou a folhear as pastas, uma a uma,  separando cada um para um lado, com um bilhete dentro de cada.
Depois que tomou o café que já estava em sua mesa, chamou novamente a secretária pelo interfone:
- Adriana, convoque uma reunião com todos os gerentes e acionistas. Para hoje ainda, se possível. - disse, com uma voz límpida, mas o coração embargando um choro.
Vinte minutos depois, entra pela sala, Antoine, e vai logo perguntando:
- O que houve, pai? O que o senhor quer com todos? - perguntou em tom um pouco instigante.
- Na reunião você e os demais ficarão sabendo. - disse, num tom seco e sem olhar nos olhos de Antoine.
Logo em seguida, entra Luiz, o filho do meio e Marcos, o caçula.
- Pai, tudo bem aí? O que está acontecendo? - perguntou Marcos, num tom de deboche.
- Podem sair todos, por favor? Eu quero trabalhar, se não for pedir demais para os moços. - olhou um a um,  fuzilando os filhos com os olhos.
Saíram resmungando e rindo, como se quisesse dizer que o pai estaria louco e que não fosse mais capaz de gerenciar sua própria empresa.
Seu Antero, afastou a cadeira para o lado e acessou o computador num site de jogos e ficou a tarde toda jogando, com quem estivesse online, rindo muito, se divertindo.
A reunião seria no começo da noite, então, seu Antero foi o primeiro a chegar na sala com aquela mesa imensa e muitas cadeiras que nunca eram completamente ocupadas.
Um a um foram chegando os gerentes e os acionistas, e seus filhos também, já que eram acionistas.
Adriana, sempre se sentava ao seu lado, com um bloco e uma caneta, anotando tudo que fosse necessário.
- Bem, boa noite a todos! Como estão? Tudo bem? - perguntou, com um sorriso e olhando um por um, cumprimentando com a cabeça.
Todos responderam afirmativamente que tudo bem.
- Vou ser rápido, porque já é noite e todos nós estamos loucos para cair na noite ou cair na cama. - e deu uma risada, sempre soltando seu bom humor. - O motivo da reunião é para avisar a todos que estou colocando a empresa à venda. - calou e só ficou prestando atenção no burburinho dos comentários.
Antoine, não se conteve:
- Pai, o senhor tá louco? Perguntou em tom mais alto que o normal.
- Cala a boca, Antoine, hoje só eu falo! - e voltando para todos sentados, continuou - Já tenho propostas quase irrecusáveis há algum tempo e hoje tomei esta decisão. Em questão de dias, não me verão mais aqui; portanto, desejo a todos, uma boa sorte e um bom entendimento com o novo administrador. É só isso por enquanto; qualquer notícia, dona Adriana encaminhará à vocês! - mais uma vez, olhou um a um sorrindo carinhosamente.
Todos, sem  mais o que fazer, se levantaram e o cumprimentaram, agradecendo por tudo que havia acontecido até aquela data.
Seu Antero voltou para sua sala, pegou suas coisas e se foi.


Continua...


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Para os que ficam, bye, bye - Parte I


Antero Ferreira da Silva, sessenta e cinco anos, empresário bem sucedido, casado, quer dizer, acabara de ficar viúvo.
E isto mudou completamente o rumo de sua linda trajetória de homem feliz e bem sucedido.
Ainda no enterro da amada Dorotéia, que o acompanhou durante os quarenta anos em que estiveram casados, os filhos, todos sofrendo, mas já brigando por aquilo que já achavam de direito: repartir os bens, mesmo o pai ainda estando vivo.
Os três filhos ficavam num canto, durante o velório, discutindo o que seria de quem, tanto os bens imóveis quanto as ações de sua mãe, que estava ali, no caixão. Todos ouviam e ficavam horrorizados com a cena.
Isto magoou profundamente seu Antero, que, a partir daí,  ficou acamado com depressão. Não tinha quem o levantasse, quem o animasse. Nem mesmo os netos que tanto amava.
Moravam numa casa confortável, com cinco quartos/suíte, tecnologia mais avançada em todos os cômodos, segurança vinte e quatro horas, e cachorros bravos. Além disso, dois carros importados, com chofer e tudo, tudo do bom e melhor que o dinheiro podia comprar.
Tudo perdeu o sentido, não tinha mais aquele apoio, aquele pé quentinho na noite, aquele abraço acolhedor, sorriso estonteante desde sempre. Acabou!
Nessas primeiras semanas, os filhos, três ao todo, todos homens bem formados, casados e que trabalhavam junto com o pai, o visitavam, tentando preencher a lacuna deixada por dona Dorotéia. Mas seu Antero percebia que essa atitude era só compromisso, como fazer uma obrigação. Nenhum carinho demonstrado. Isso fez com que seu Antero, apesar da dor do luto, relembrasse desde que seus filhos nasceram e como foram criados: bons estudos, abundância em tudo, mas sempre com limites, regras, condições e muitos "nãos". E também muito carinho por parte dele e de sua esposa. Será que não foi o suficiente para ter uma consideração com ele agora, que tanto sofria?
Seu Antero aos poucos foi deixando de administrar a empresa, deixando tudo por conta deles.
Um belo dia, se levantou da cama, abriu as cortinas do seu imenso quarto, viu o sol brilhar e resolveu sair do luto. Se preparou e chamou o chofer:
- Ruan, prepara o carro que vou trabalhar - falou secamente e de cabeça baixa.
- Sim, senhor - respondeu Ruan, fazendo um gesto afirmativo com a cabeça.
Chegando à empresa, se surpreendeu quando entrou em sua sala e encontrou um de seus filhos sentado à sua  mesa:
- O que foi, Antoine? O que faz aqui? - perguntou ao filho, que era o mais velho, com um certo estranhamento.
- Pai, que bom que voltou! - se levantou eufórico, e foi abraçar o pai.
- Por que? Achou que eu não voltaria? - abraçou Antoine com indiferença e sentou-se em sua cadeira.
- Claro que não, pai, é que... - nem deu tempo de terminar a frase.
- Me deixe sozinho e peça a Adriana para vir aqui agora, por favor! - e foi abrindo as gavetas, revirando os papéis.
Por um momento, ficou pensando nesse tempo em que estivera sofrendo, chorando e que seus filhos, noras, netos, mal iam visitá-lo. E quando iam, era para perguntar sobre algum bem a eles de direito. E nunca, em nenhum momento, o levaram ao médico, o levaram para passear, o convidaram para um almoço... nada!
Isso foi o motivo ao qual seu Antero se levantou e, sozinho, decidiu voltar.
Antes de sair de casa, se ajoelhou no pequeno oratório que tinha em um canto especial, orou, pediu forças para  a amada Dorotéia, que onde quer que ela estivesse, que o apoiasse, e que o perdoasse para o que estivesse por vir a partir daquele dia. Chorou, chorou, chorou, se levantou e foi.
Adriana, a secretária, estava parada ali na sua frente, e seu Antero, longe em seus pensamentos, nem havia percebido.
- Seu Antero, posso lhe ajudar? - perguntou, curvando o corpo para frente, para assim seu Antero perceber sua presença.
- Adriana, traga para mim, por gentileza, todos os relatórios da empresa: balanço, finanças, almoxarife, tudo! - ordenou, com o cotovelo apoiado na mesa e a mão no queixo.
- Sim, senhor, é para já! Com licença. - saiu, discretamente, sem fazer barulho, apesar do salto fino que usava.
Seu Antero, recostou-se na cadeira, cruzou as mãos sobre o abdome e ficou pensativo. Já havia calculado tudo o que faria à partir de então.
Começou a conversar sozinho, com dona Dorotéia, certo de que ela estava ali, ouvindo-o.

Continua...


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sábado, 25 de fevereiro de 2012

A fruta do pecado

Esmalte Argento antialérgico, cor Labro

BLOGAGEM COLETIVA - ESMALTE E FRUTAS

Clica aqui para vocês verem as belezuras "dazunhas" no blog da Fernanda

Cá estou  participando de mais uma blogagem da Fernanda Reali.
Eu que sempre fui de usar cores clarinhas, transparentes, agora ousei no vermelho. À primeira vista é estranho, mas gostei!
Acho que foi de tanto minha filha, que tem "azunhas" lindas, me chamar de "larga de ser velha, mãe!", e da sugestão de Adriana Balreira, que disse que isso é coisa da cabeça da gente, então tá! Vermelho, e com um cristalzinho no dedo anular, que não é Swarovski 
Gostei mesmo!!!
Escolhi a maçã porque, desde sempre, de certa forma, ela esteve presente em minha vida.
Antes, na infância, pela sua falta, quando eu ia à feira-livre com minha mãe e a via lá, toda vermelhinha, cheirosa, mas nunca minha mãe comprou para mim.
Depois, quando tive condições, ela nunca mais saiu da minha vida. Praticamente todos os dias eu como uma maçã. Adoro!
Olha só os benefícios da vermelhinha:
- Contém vitaminas B1, B2, Niacina, Fósforo e Ferro;
- Previne e mantém a taxa de colesterol em níveis aceitáveis;
- Auxilia no processo de emagrecimento;
- Previne arteriosclerose, melhorando a circulação sanguínea;
- Evita a prisão de ventre;
- Combate os radicais livres, portanto, retarda o envelhecimento;
- A casca seca é empregada como chá para purificar o sangue e como diurético;
- Só as sementes é que são um pouco venenosas, mas ninguém come sementes de maçã.

Tá bom, né?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Onde está o romantismo?


Depois que passou o carnaval, olhando tudo pela TV, as agressões daquele que rasgou as notas dos jurados em São Paulo,  e também o carnaval na Bahia, que deve ser ótimo para quem gosta, confesso que senti um vazio.
Acabei dando uma olhada no carnaval de Veneza, com aquelas belas máscaras, e junto com elas, a cortesia dos cavalheiros e as damas todas discretas. Tá certo que isso foi há anos!
Mas hoje está muito ruim tudo isso. Li em algum lugar que os jovens ficaram felizes porque beijaram umas vinte, umas trinta.... Que nojo! Nem sabem por onde andaran aquelas bocas e já vão beijando? Bem, isso não me diz respeito, claro, só faz quem quer.
E fico pensando e perguntando: onde está o romantismo?
Sei que ele não está tão longe assim. Mas onde encontrá-lo? Hoje em dia, tudo é pagar mico! Realmente sou muito feliz por não ser dessa geração.
Fico me lembrando da juventude, onde fazíamos os bailinhos na garagem, com músicas românticas e ficávamos esperando os homens nos tirarem para dançar, de rostinho colado... Que saudades que eu tenho!
Mas são outros tempos, e os homens românticos ficaram para trás. Acho que estão acostumados a conseguir tudo sem muito esforço, sem muitas palavras ao pé do ouvido da moça, sem aquele encanto da conquista e quem sabe, de um futuro namoro. Que pena!
Por conta da tecnologia não tão avançada daquela época, não tínhamos celular e muito menos MSN, redes sociais, webcam. Era tudo por telefone fixo, orelhão, bilhetinhos, cartinhas, recadinhos, uma flor e um bilhete no portão e as serenatas... Ahhh, quem se lembra das serenatas? Quem já ganhou uma?
Eu já! E foi uma das sensações mais maravilhosas que eu tive. Um monte de garotos cantando não sei o quê, debaixo de minha janela, e a rua inteira ouvindo!
E os namoros no carro, numa rua escura? Hoje em dia, nem pensar nisso!
E aqueles mais românticos ainda, que mandavam bilhetinhos com poesias, declarações de "você é o amor de minha vida", "vou morrer sem você", "seu sorriso é o ar que eu respiro"... Tá certo que isso é bem meloso...
Hoje em dia, para essas moçadas, deve ser bom do jeito deles, mas naquele tempo, o romantismo era tudo o que uma garota queria. Éramos sonhadoras, ingênuas e sofríamos muito. Esse era o lado ruim da época.
Uma vez, com meu ex-marido, bem no começo do namoro, fomos jantar - ele sempre me levava para jantar - fomos jantar, e o garçom colocou uma vela acesa e umas flores na nossa mesa, e depois o conjunto que estava cantando, veio até à nossa mesa, cantar. Se fosse hoje, isso seria um mico. Então, pedimos a entrada (provolone à milanesa que eu adoro, e Martini que também adoro), e logo fui ao toilete, e quando voltei, tinha  dentro do prato uma caixinha de jóia. Eu fiquei de boca aberta e não tive nem coragem de pegar a caixinha, só depois de algum tempo, a peguei e tinha um colar de ouro com um pingente coração. Aliás, a data era o meu aniversário, acho que dezenove ou vinte anos, não me lembro.
Mas foi tudo tão romântico, tão bem planejado, tão lindo, que coisas assim não esqueço nunca!
O casamento acabou, mas essas lembranças de namoro, de romantismo, de conquista... isso não dá para esquecer.
Eu gosto quando conheço algum homem que sinto que é sensível, que gosta de música "lenta", daquelas que dançávamos, que gosta de poesia, que aprecia um jantar, mesmo que seja uma pizza, mas que seja num clima romântico. E que saiba cuidar de quem convive com ele. Que tenha a delicadeza de abrir, não precisa ser sempre, a porta do carro, puxar uma cadeira, trazer uma flor, um único botão simples, que não faça barulho quando acorda, só para não acordar a companheira, que serve uma bebida quando estão em companhia de outras pessoas, e uma coisa que meu coração bate mais forte: quando o homem, ao me conhecer ou se encontrar comigo, pega minha mão e a beija; isso eu não resisto! Todos esses gestos carinhosos eu gosto muito e já é meio caminho andado para eu poder me apaixonar.
Defeitos todos nós temos, erros, todos nós cometemos, mas para se viver a dois, não custa nada essas delicadezas. E se eu tenho tudo isso, é claro que a retribuição vem do mesmo tamanho ou até maior.
Que toalha molhada na cama que nada! Que sapato espalhado que nada! Que assistir futebol com os amigos que nada! Para mim, isso não é problema de convivência, isso é só a natureza do homem.
Eu tenho a minha e ele tem a dele.
E por falar nisso, onde estão os românticos de hoje? Será que os antigos de minha geração ainda o são?
Eu poderia falar do romantismo das mulheres também, mas mulheres já são românticas por natureza. Ou não?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quaresma


Sabe, eu tinha um certo medo da quaresma; desde sempre, na minha infância, nada se podia fazer ou comer, mas nunca me explicavam o porquê. Acho que nem eles sabiam.
Meus avós costumavam contar umas histórias medonhas, acho que só para passar medo em nós, os netos.
Diziam eles que às 00:01h da quarta feira de cinzas, os portões do inferno se abriam e todos os demônios teriam o livre arbítrio para irem e fazerem o que quiserem.
Que nesta época, haviam mais acidentes, mais assassinatos, mais brigas...
Que não se podia comer carne por conta disso: para o demônio não ficar nos rondando e querendo nos pegar...
Que não se podia dançar nem cantar, porque o demônio adorava isso, então diziam que as pessoas cantavam e dançavam com um par de chifres e um rabo...
Que não se podia falar nenhum palavrão, nem xingar, nem brigar com o irmão nem com o amigo, porque o era o demônio que estava por aí, atiçando a pessoa...
Que não se podia beber álcool (eles diziam pinga), porque aí sim, o demônio tomava conta mesmo...
Agora pensando com toda a minha maturidade, quando não queremos algo, é só não ficar lembrando, é só esquecer, não ficar falando...
Então se a quaresma é tudo isso mesmo, é mais um motivo para nos lembrarmos de Deus, e não ficarmos lembrando que o demônio está solto por aí. Que mal ele poderia nos fazer? Entrar no nosso corpo? Falar por nós?
Quem sabe disso?
Eu prefiro me concentrar nas minhas orações, não como carne por uma questão de respeito e por penitência que faço a vida toda, mas agora eu sei o porquê da penitência.
E, claro, nos lembrarmos do sofrimento de Jesus, que veio como humano e que sofreu todas as dores de um humano e mais ainda, muito mais sofrimento que nós, que vivemos reclamando de pouca bobagem do dia-a-dia. Tempo de reflexões, de meditações, de orações e recolhimentos no nosso íntimo, e quem sabe, traçar metas para uma vida que pode se iniciar agora, amanhã ou depois de amanhã. Nós decidimos quando.
Eu clamo a Deus todos os dias e não me lembro que algum demônio possa estar por aqui me rondando. Mas se estiver, vai saber que eu tenho um protetor que me ama muito e que me protege. Deus!
Que Deus esteja sempre conosco, todos os dias, todas as horas, que não nos abandona nunca!
Amém!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Mais uma poesia

O carnaval continua...
E eu continuo com poesias, que são belas, que alimentam nossa alma, nos enche o coração de esperanças, nos faz ficar mais leves e com vontade de encontrar alguém assim, que nos encante de verdade...


Me encante

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar.
Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir, aquele sorriso malicioso e gostoso, inocente e carente.
Me encante com suas mãos, gesticule quando for preciso, me toque, quero correr esse risco.
Me acarinhe se quiser, vou fingir que não entendi, que nem queria esse momento.
Me encante com seus olhos, me olhe profundo, mas só por um segundo,
depois desvie o seu olhar, como se o meu olhar não tivesse conseguido te encantar.
E então, volte a me fitar, tão profundamente,
que eu fique perdido, sem saber o que falar...
Me encante com suas palavras, me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres,
me conte segredos, sem medos...
E depois me diga o quanto te encantei.
Me encante como serenidade, mas não esqueça,
também tem que ser com simplicidade, não pode haver maldade.
Me encante com uma certa calma, não tem pressa, tente entender a minha alma.
Me encante como você fez com a primeira namorada,
sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.
Me encante na calada da madrugada, na luz do sol ou embaixo da chuva.
Me encante sem dizer nada ou até dizendo tudo,
sorrindo ou chorando, triste ou alegre.
Mas me encante de verdade, com vontade...
Que depois, eu te confesso que me apaixonei
e prometo te encantar todos os dias do resto das nossas vidas!!!

Pablo Neruda

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Relação

Sexta-feira, carnaval... e tudo pode acontecer.
Relacionamentos que começam, que terminam, que dão um tempo...
Então, hoje vou postar uma crônica de Drauzio Varela, sobre relacionamentos.


Pra que serve uma relação?

Definição mais simples e exata sobre o sentido de mantermos uma relação?
"Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil."

Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido.
Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade; para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas; para evitar a solidão; por dinheiro ou por preguiça.
Todos fadados à frustração.
Uma armadilha.

Uma relação tem que servir para
você se sentir 100% à vontade com a outra pessoa;
à vontade para concordar e discordar dela;
para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para
você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas; 
para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete; 
para ter alguém com quem viajar para um país distante; 
para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para,
às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para
um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações;
para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para
cobrir as despesas um do outro num momento de aperto;
cobrir as dores um do outro num momento de melancolia;
e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para
um acompanhar o outro no médico;
para um perdoar as fraquezas do outro;
para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e os dois abrirem para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.

Drauzio Varela

BOM CARNAVAL À TODOS!!!


P.S. Queridos leitores que gostam de escrever contos, eu os convido a participar do blog de Camille - Camélia de Pedra e ter seu conto divulgado no blog.... O meu eu já mandei! 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Adolescência

Amanda

Ontem minha filha chegou do trabalho, me deu um beijo, olhou nos meus olhos e disse:
- Mãe, acho que vou terminar com ele (o namorado)...
E desabou num choro incontrolável...
Ah, mas coração de mãe não aguenta ver filho sofrer: a abracei e fiquei ali quietinha esperando ela dizer algo.
E disse! Contou tudo o que estava acontecendo e eu só ouvindo.
O que eu poderia falar numa hora dessa? E também ela não estava me pedindo conselhos, estava só desabafando... E chorou, chorou, chorou...
A única coisa que eu disse é que é difícil passarmos por situações, que às vezes ficamos machucadas, mas de um jeito ou de outro, isso vai se resolver. Disse para ela pensar, e depois tomar a decisão que ela achar melhor. Conversar com ele, falar tudo o que a incomodava e ver o resultado. Se há amor, vale a pena entrar num consenso, num acordo.
E foi o que ela fez; chorou muito, pensou e depois tudo voltou ao normal.
Não pude deixar de me lembrar quando tinha a idade dela. E eu sofria, sofria, calada, sem ninguém para desabafar, e resolvia tudo do meu jeito, errando ou acertando, mas as decisões sempre foram minhas.
Fiquei orgulhosa dela me procurar, como sempre faz, numa hora de sofrimento. Quisera eu ter tido esse privilégio quando era adolescente. Mas já passou.
E ela, apesar de ser somente uma adolescente, já é uma adulta, com suas próprias opiniões, seu gênio fortíssimo - como o meu, claro, e suas decisões, que eu dou meus palpites, mas a palavra final é dela sempre.
Que pena que um dia ela vai até rir de ter sofrido por uma coisa tão banal, tão sem importância, mas que na idade dela, é como se o mundo desabasse na cabeça. Adolescência...
Onde os dramas são imensamente maiores do que são, onde as consequências são tão nulas como eles pensam que são, onde as respostas estão tão ali perto, que eles não enxergam de jeito nenhum.
Cabe a nós, pais, dar o apoio necessário, o colo, os olhos, mostrar os caminhos... mas evitar que sofram, isso não é possível. Sei que me dói muito quando ela sofre, mas é tão necessário sofrer, que eu só peço a Deus que passe logo e que todo o sofrimento se transforme em sabedoria.
Ela, como eu, é uma inconformada com as injustiças que existem por aí. E com as injustiças em torno dela, então, é uma briga!
Menina brava! Mãe brava!
Mas tão doces no convívio com as pessoas, que muitos pensam que somos manipuláveis. E sempre se deparam com um muro de aço entre nós aceitarmos e nós querermos.
Já vi que Amanda será uma matriarca daquelas, quer dizer, como eu serei quando for avó, com o exemplo que dei desde sempre.
Será que isso é ruim? Acho que não!
Que Deus lhe proteja, minha linda!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tô famosa, que droga!



Mais uma super talentosa que nos deixa cedo demais.
Mais uma que não suportou a fama, o amor dos fãs, e talvez nem sabia do tamanho do talento que tinha.
Que pena, Whitney Houston! Mais uma para cantar no andar de cima.
Vá em paz! Cante para os anjos que tanto lutaram para lhe proteger, e não conseguiram, ou conseguiram mas as forças contrárias foram mais fortes. Vá em paz e continue a brilhar, pois estrela você sempre foi...

Quantos e quantos artistas famosos, começam, talvez nem tão cedo, e depois parecem que não suportam o peso da fama e se entregam às bebidas, às drogas, às orgias e a um final trágico.
Muitos condenam as drogas, eu também condeno, mas acredito que a porta de entrada desse inferno é o álcool.
Através dele é que aparecem todas as outras, uma atrás da outra, a invadir mais um corpo, a viciar mais um organismo, a destruir mais uma pessoa, a derrotar mais uma família...
Pelo que vemos por aí, os jovens cada vez mais jovens, que saem nas noitadas, que pensam que são imortais, bebem abundantemente, sem nenhum controle de ninguém. A família não tem controle, e jogam a responsabilidade para cima das autoridades, que não têm condições de controlar todos os jovens, aí criam leis, que fazem um barulho e depois voltam para a gaveta. Daí jogam tudo para cima do governo, que não dá emprego, não dá escola, não dá estrutura, não dá condição...
Mas espera aí! Cada um é responsável por si, se for maior. Se for menor, tem algum responsável. Cadê ele?
Vigiar, proibir, colocar de castigo não adianta, mas conversar, explicar, ensinar, dar exemplo, isso sim, é fundamental. E isso tem que ser desde que nascem, e falar, falar, falar sempre, todos os dias. E dar exemplos também. Não adianta falar e dar um exemplo negativo. Isso é a pior coisa de tudo.
Eu tenho filhos adolescentes e tenho pavor do álcool. Não os controlo, mas faço minha parte. Eles sabem do risco que correm, das responsabilidades que são deles, das consequências, e principalmente de que não sou do tipo de pessoa que passa a mão na cabeça por uma atitude errada, quando sabem que estão errados. Eles conhecem a mãe que têm.
É lamentável, é triste, e isso não vai acabar nunca!
Só eles, os famosos que se entregam às drogas, é que sabem o que passam nos bastidores do sucesso.
É uma carga muito pesada; e quem não tem uma base boa, uma boa formação - não digo formação cultural não - mas uma boa formação familiar, não conseguem conduzir. É muita gente tomando conta, é muita gente dependente, é muita gente que fica por perto por puro interesse financeiro, e muita solidão também.
Que pena! Que triste!
Vamos cuidar dos nossos filhos, dos nossos amados filhos! Eles merecem, e o mundo agradece!

Que tristeza...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Rainha - parte III - final

Continuação...

Leia a primeira parte
Leia a segunda parte




Depois de chorar muitos dias e sendo reprimida por seu pai que nada entendia de relacionamentos, Milene teve que contar a verdade à sua família.
A notícia de sua gravidez caiu como uma bomba naquela casa com regras rígidas e severas. Seu pai não aceitava de jeito nenhum uma filha mãe solteira, e Milene, com vergonha, não tinha coragem de contar quem era o pai. Apenas disse que o rapaz foi embora da cidade depois do rodeio e nunca mais voltou.
Como poderia uma simples caipira pobre, bater de frente com o rei da cidade? Melhor ficar calada e aguentar as consequências.
Depois de muitas brigas, agressões verbais, ameaças de morte, de afogar o seu filho quando nascesse, tanto do pai quando dos irmãos, resolveram por bem mandar Milene para longe daquela cidade, numa fazenda de uma tia-avó, que a receberia até nascer o bebê.
Milene arrumou a mala e seguiu sozinha de ônibus, apensar de seus quinze anos.
No local onde era para descer, não desceu. Resolveu seguir viagem para a cidade mais próxima e ali se arranjar como pudesse.
Ninguém saberia de seu paradeiro. Milene estava cansada de ser tratada como um traste, como um objeto e temia pela vida de seu filho, quando tivesse que voltar para a casa de seus pais.
Desceu na rodoviária de uma outra cidade pequena, comprou passagem para São Paulo e seguiu.
Sozinha, numa cidade grande, perdida, mas confiante de que, mesmo sem conhecer nada e nem ninguém, poderia começar uma vida longe de todos.
Tudo muito difícil, gente estranha, com pouco dinheiro, dormindo na rua, pedindo comida pelos bares, em troca de trabalho e...
Numa dessas noites, uma van daqueles projetos solidários da cidade, parou próximo a ela, que já estava com a barriga bem grande, de sete meses. Talvez seria a salvação de Milene e de seu filho. Chegou até eles que estavam distribuindo sopa e começou a perguntar por algum lugar em que ela pudesse ficar, em que pudesse trabalhar e depois ter seu filho.
Uma mulher, comovida com sua história, e pensando que ela fosse sozinha no mundo, a acolheu e a levou a um abrigo de adolescentes grávidas.
Lá ficou até que seu filho, ou seja, sua filha nascesse. Izabel nasceu saudável, mas bem abaixo do peso normal. Linda como o pai. Isso Milene teria que aguentar o resto da vida: ficar olhando a filha e se lembrando daquele pai que nem sequer quis saber se nasceria ou não.
Ficou no abrigo até acabar o resguardo e já foi encaminhada para uma outra fundação acolhedora, onde trabalharia e cuidaria de sua bebê, bem de perto.
Tempos difíceis para uma adolescente, mas Milene não sentia falta de sua família. Sempre a trataram como um objeto de decoração, sem um mínimo de afeto e atenção. Estava bem agora, ali com sua filha que crescia cada vez mais.
Enquanto isso, em sua cidade natal, sua mãe sofria pela falta da filha e seu pai agradecia por "aquela" ter sumido no mundo.
Milene agradecia a Deus todas as noites e pedia proteção por ela e pela filha, e que nada de básico lhe faltasse nunca. E sempre foi atendida em suas orações.
Com o passar do tempo e já com Izabel crescida, Milene arrumou um emprego em um restaurante num bairro simples. Sua filha ficava na creche e já tinha um lugar, um cômodo só seu para morar, mesmo sendo numa favela. Tinha alguns amigos que sempre a ajudavam e nunca mais teve notícias de sua família.
O dono do restaurante era um senhor, bem simpático, viúvo e que se encantara com a doçura de Milene.
Aos poucos, seu Alberto ficou sabendo de toda sua história e ficou cada vez mais encantado.
Num dia com pouco movimento, seu Alberto chamou Milene num canto e lhe fez a proposta:
- Você gostaria de se casar comigo? No cartório, tudo certinho? Eu cuido de você e de sua filha...
Milene caiu num choro e se lembrou daquele que a modificou a vida, daquele rei da cidade, daquele homem rico que a fez perder o juízo, e não conseguia responder.
- Olha, não precisa chorar, eu te dou o tempo que você quiser pra pensar... pense com carinho... eu sou sozinho também e te respeito muito. Podemos um cuidar do outro. Eu tenho condições financeiras pra te sustentar e dar estudos pra sua filha. Vai ser tudo no papel, você terá a garantia que quiser. Pense com calma e depois me responda....
Milene, assustada com tudo isso, pensou que nada poderia perder. Já que não acreditava no amor e nunca fora respeitada por ninguém, essa ideia a agradava muito.
Conversou com amigas, e também foi até aquele abrigo conversar com aquela mulher que a acolheu e que se tornara sua segunda mãe.
A mulher a apoiou e se ofereceu para ajudá-la no que fosse preciso.
- Eu aceito, seu Alberto!
Se casaram no civil, Milene foi morar na casa de seu Alberto, agora Beto para ela, e era tratada como uma rainha, assim como aquele rei da cidade era tratado. Só que agora com todo o respeito que sempre quis.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Rainha - parte II

Continuação..

Leia a primeira parte




Depois do beijo que Ademar roubou de Milene, a vida desta nunca mais foi a mesma. Mal sabia ele que aquele foi o primeiro beijo dela.
Já começou a sonhar mais alto,  a querer mais ainda sair daquela vida reprimida, de obediência e sofrimento que ela abominava.
Mas o que ela imaginava nunca mais se repetiu; Ademar nunca mais a beijou e mal falava com ela. Mesmo assim ela achava normal isso, pois na sua ingênua cabecinha, tudo isso era respeito da parte dele.
Ademar era um rapaz namorador, que cada dia saía com uma, de preferência, alguma filha de fazendeiro, rica, bonita, que ficava  desfilando de carro, se exibindo todo. Ele se achava o rei da cidade. E o pior disso tudo, é que o tratavam como tal, já que era um dos poucos que tinha um diploma de  faculdade.
Numa outra oportunidade, ficaram novamente os dois sozinhos no restaurante e Ademar repetiu aquele beijo roubado de Milene. Só que dessa vez, ela não ficou estática. Primeiro o empurrou e disse que não, que não era certo aquilo e perguntou o que ele queria com ela.
Muito sem-vergonha, ele apenas abriu aquele sorrisão e disse tudo o que ela queria ouvir:
- Eu quero você! Quero namorar você, casar com você!
- Então você vai ter que ir à minha casa pedir pro meu pai.
- Eu vou, mas não agora, espera mais um pouco. É que meu pai não gosta que eu misture trabalho com namoro, entende? Então temos que namorar escondido... Mas é só por enquanto, tá, linda?
- Tá bom, mas não demora a falar com o seu pai e depois com o meu.
E Milene relaxou no beijo e à partir de então, o encontro dos dois era escondido, nos cantos do restaurante, sem ninguém saber.
Ademar continuava então a namorar todas as outras moças da cidade, com o consentimento de Milene, já que tinha que provar para o pai dele que estava procurando uma boa moça para casar. Ela preferia não ficar sabendo, mas cidade pequena, qualquer notícia se espalha rapidamente.
Num de seus encontros escondida, no restaurante, Ademar foi além da conta e quis transar com a menina.
- Não!
- Como não? Não vamos nos casar? Então, qual o problema? Se você me ama, e eu te amo, qual o problema? Vamos, não vai doer nada e você não precisa contar nada pra ninguém...
Milene, cada vez mais apaixonada, não resistiu e se perdeu nos  braços de Ademar.
Foi a experiência mais maravilhosa de sua vida! Nunca sentira tanto carinho por parte de uma outra pessoa.
Tudo continuou normalmente; Ademar namorando todas as moças fazendeiras e Milene namorando escondida pelos cantos com o homem de sua vida.
Não deu outra! Estava grávida!
- Como assim? Você ficou louca? Não toma remédio não, garota? Qual é a sua, heim?
- Amor, como é que eu ia saber que eu poderia engravidar? Fiz as contas tão direitinho, não era época de engravidar, eu juro!
- Esse filho não é meu!
- O quê?
- É isso mesmo, eu não sou o pai desse daí! Deve ser de algum outro que você andou por aí...
- Seu cretino! Seu idiota! Agora você vai ter que se casar comigo, tá ouvindo?
- Ha, ha, ha... faz-me rir, sua caipira! Imagina que eu vou me casar ou vou ter um filho teu... Nem se eu morrer e nascer peão! Cai fora, sua folgada, golpista!
Milene, não sabendo o que fazer, pediu as contas ao seu patrão e se foi, para alívio de Ademar.
Chegando em casa, chorando, disse que não queria mais trabalhar naquele lugar, que não se sentia bem, que queria trabalhar em outra coisa.
Sua família não compreendeu nada, sua mãe a abraçou e seu pai a ameaçou com uma surra, achando que ela, certamente havia feito algo errado. Milene se trancou no quarto e ficou dias e dias chorando sozinha, escondida de todos.

Continua...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Rainha - parte I


Cidade do interior, pouco mais de 20 mil habitantes, bucólica, uma praça central com uma igreja, um coreto, alguns bancos e árvores. Também uma sorveteria, pastelaria, botecos, pizzaria e apenas um bom restaurante. Era nesse restaurante que trabalha Milene.
Uma moça comum, de 15 anos, mas já precisando trabalhar, pois a família era bem simples. E além disso, estudava à noite e não tinha muitos sonhos. Vivia como a vida tocava. "Como Deus quer", repetia sempre, assim  como todos de sua família.
Cidade pequena é assim mesmo, a maioria entrega a vida a Deus e vive conforme tem em mãos. Os sonhos são poucos e as condições também são mínimas.
O que predominava na pequena cidade era o trabalho rural, e Milene agradecia por ter esse emprego. Se não fosse isso, seria doméstica em alguma casa de família. Esse era o destino de muitas mocinhas da cidade.
Por ela, já teria parado de estudar, mas por imposição dos pais, terminaria o ensino médio.
Ainda não tinha namorado ninguém; "só paqueras" quando saía à noite, dando voltas pela praça, depois de ir à missa, claro! Família extremamente católica, Milene era a caçula de sete irmãos, todos homens. Por isso, era o tempo todo vigiada, aconselhada e reprimida. E tinha medo de todos eles, principalmente do pai, que mal falava com ela;  apenas o básico. Milene o respeitava por medo e não por respeito. Sempre presenciava as agressões deste com sua mãe, que aguentava calada, pois tinha que cumprir seu papel de esposa.
Milene não concordava e ficava sempre trancada num minúsculo quartinho - o seu mundinho - e não tinha a intenção de se casar um dia. Queria mesmo era sumir dali. Não sabia o que era carinho. Pai arrogante, irmãos arrogantes também e mãe submissa: era tudo o que ela não queria.
Mas como sonhar com algo sem nenhuma condição de nada?
Desabafava com as amigas da mesma idade, riam sempre, planejavam fugir; coisas de adolescentes.
Aos sábados à tarde, Milene fazia um curso de informática, que amava. Aí sim podia viajar pelo mundo sem ter que sair do fim de mundo onde morava.
Algumas amizades, bate-papos, troca de informações, nada de mais. Tinha os pés no chão e já sabia do perigo de amizades virtuais. Milene era uma menina medrosa e arredia.
Em seu trabalho, ficava no caixa, trabalho de responsabilidade que a deixava orgulhosa. Em seis meses, nunca havia faltado um centavo sequer, e sempre era elogiada pelo dono do estabelecimento.
Chegaram as férias de julho e o trabalho aumentou muito, pois na cidade tinha um rodeio.
Mas, além disso, o filho do dono do restaurante estaria voltando, depois de cinco anos de estudos no Rio de Janeiro. Agora era Engenheiro Agrícola, com muito orgulho da família.
Milene estava ansiosa para conhecê-lo, já que os pais dele sempre falavam muito de seu rebento, como se fosse a oitava maravilha do mundo. Filho único!
O dia chegou, todos ansiosos, Milene se arrumou um pouco mais, passou maquiagem e um batom rosa bem clarinho, contrariando sua família que abominava mulher "pintada". Fez tudo isso escondida, no restaurante mesmo.
Quando Ademar chegou, Milene quase teve um ataque! Parecia um daqueles moços que via em fotos pela internet. Lindo! Sorriso largo, dentes perfeitos, corpo esculpido, bronzeado... De tirar o fôlego.
Foram apresentados e o assunto ficou só nisso. Mas Milene não conseguia tirar o moço da cabeça.
Ademar, Ademar, Ademar... Ficava repetindo, quando se deitava na cama para dormir.
Ao mesmo tempo, dava batidas na cabeça: "mas tu é burra mesmo, heim Milene! Imagina se um moço daquele vai olhar pra sua cara!". E continuava sonhando acordada assim mesmo.
Dois dias depois, sendo muito paparicado por todos, foi que Ademar parou para conversar com Milene. Perguntou sobre tudo e fixava seu olhar nos olhos dela que a coitadinha não sabia nem onde colocar a vergonha.
Com o tempo, já tinham até uma certa amizade, e Milene cada vez mais apaixonada, mesmo sabendo que isso seria impossível.
Um dia, o pai de Ademar o deixou responsável pelo restaurante para resolver coisas em uma fazenda próxima. De manhã, já com Milene trabalhando, chega Ademar, a puxa pelo braço, a encosta na parede e lhe "tasca" um beijaço de tirar o fôlego.
Milene não sabia o que fazer; perdeu totalmente os sentidos e ficou paralisada. Ademar só deu um sorriso, a soltou e foi cuidar do restaurante.

Continua...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mulher madura


Tudo começa com uma fio de cabelo branco, uma ruguinha minúscula em algum lugar e pronto! Estamos envelhecendo e isso é fato!
Pela minha idade, quarenta e seis, até que não tenho muitas rugas não. Hoje, todos os cremes que usei desde sempre estão mostrando a sua eficácia. Pele lisa, apenas algumas manchinhas tipo sardas no rosto e as rugas só aparecem quando rio. Que bom.
É difícil termos a certeza que a idade caminha sem trégua, sem férias, sem descanso nenhum; mas tem as suas vantagens.... Espera, que estou pensando nas vantagens....
Bem, vamos falar de outro fato então: os problemas dessa idade.
Todo o ser humano, mas nem todo mundo, tende a engordar um pouco. E eu não fugi à regra. Apesar de sempre ser adepta de exercícios, ainda tenho os músculos firmes, mas tenho aquela maldita célula gorda, que fica toda inchada só de cheirar os alimentos. Mas tudo bem.
E tem também as doenças que ficam todas à espera que você sopre as velinhas dos quarenta. Soprou, pronto! No outro dia, várias coisas aparecem: pressão alta, diabetes, colesterol alto, e tudo o mais que vem junto no pacote. Aí é só cuidar que fica tudo bem.
Para grande parte das mulheres, já começam os sintomas da menopausa, que é um horror; mas ainda não é o meu caso, por isso não posso falar nada sobre.
E, passado o susto de uma breve velhice, tudo fica mais nítido em nós.
Passamos a ver a vida, as pessoas, os problemas, os valores, de uma forma diferente, com mais leveza...
Os problemas que antes nos torturavam, nem fazem mais efeito no nosso humor.
As pessoas que nos magoavam, hoje são indiferentes e nem fazemos questão de saber notícias.
Os valores pessoais passam a ser o nosso bem-estar, a nossa saúde, a nossa sobrevivência. É uma época em que temos a certeza de que não precisamos provar nada para ninguém. Temos mais liberdade para fazer coisas que antes achávamos esquisito ou que não era bom, pois alguém poderia ficar falando. Que falem, oras!
Os filhos já estão grandes, se encaminhando para a vida e tudo volta a ser tranquilo como antes. Quer dizer: mãe nunca fica tranquila com filhos, mas tentamos não nos preocupar tanto. Para isso vale a boa base e o bom exemplo que sempre demos.
Hoje, nessa idade, eu dou muito valor ao riso, ao abraço, ao bom humor, ao prazer pessoal. Tudo que antes nós abríamos mão só para pensar no futuro. O futuro é agora!
Quantos anos mais terei daqui para frente? Olha eu querendo falar de morte de novo. Eu penso nela sim; e ficar olhando as coisas que construí, as conquistas, os objetos de valor sentimental e penso: tudo isso vai ficar para trás. Sabe Deus que fim levarão.
E outra coisa importante acontece também: nós passamos a enxergar as pessoas de uma outra forma. O que antes nos incomodava no outro, hoje aceitamos como sendo o jeito do outro. Não dá para mudar. Então, sem estresse, aceite e pronto!
E todas aquelas discussões bobas, sem fundamento? Não existem mais. Apenas conversas, de preferência, bem humoradas.
É, envelhecer até que não é tão ruim assim... Assusta um pouco, mas não tem regresso. Que bom se eu viver mais uns quarenta anos, bem de saúde, lúcida e charmosa....  Eu adoraria! Eu gosto de viver!
É isso então!!!!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E a sacolinha caiu na boca do povo...


O dilema agora: a proibição do uso da sacolinha nos supermercados.
Pergunta: só supermercados? E nos outros estabelecimentos?
Eu poderia ter pesquisado antes de fazer a pergunta, mas nem é tão importante essa informação.
A questão é mais embaixo...
É certo que o planeta precisa urgente de ser cuidado, bastando com isso, abrirmos mão de alguns privilégios. A sacolinha plástica é um deles. Mas não é só isso. Existem inúmeras coisas que precisam sumir do planeta para que ele tenha uns bilhões de anos a mais.
Acontece que alguns estabelecimentos estão confundindo as coisas: em alguns lugares a sacolinha não existe mais - aqui em minha cidade está assim - mas em alguns lugares ela continua, só que agora é cobrada do consumidor.
Se ela é proibida, é para ser eliminada do estabelecimento e não para dar algum tipo de lucro à este. Ou não?
Se for para vender, que vendam aquelas sacolas de material reciclado, maiores e que tenham uma maior duração e que não vão para o lixo.
Agora tudo é uma questão de costume do consumidor. Claro que muitos estão reclamando, eu também já reclamei, mas podemos pensar num todo e não só em nosso bem estar. Eu reclamei sim, quando fiquei sabendo que estão cobrando pela mesma sacolinha, e reclamei também que não abaixaram o preço de nada quando a eliminaram. Coisa difícil abaixar o preço para o consumidor, não é?
Agora, pensando mais adiante: e as outras embalagens de plástico? Como pacotes de arros, feijão, macarrão, shampoo, cremes,  e quase tudo que existe que vem em embalagem plástica? Vão continuar? Não seria uma hipocrisia isso? Alguém tem alguma informação?
Será que, daqui a algum tempo, vão acabar também com as embalagens PET? Não digo só refrigerante, mas todo o resto como óleo, desinfetante, detergente...
E pensar que tudo isso é por pura falta de educação da população que não tem bons modos na rua.
Eu me lembro que os sacos de supermercado eram de papel, o embrulho em que comprávamos o pão na padaria era papel, o embrulho do pacote do macarrão era aquele papel roxo, refrigerante era em embalagem de vidro - já está voltando essa embalagem retornável, a capa do caderno da escola era encapado com papel pardo, o óleo era em embalagem de lata - todos eram em lata, e muitos outros eram assim.
Será que vão voltar tudo? Seria uma solução.
E para as pessoas que reclamam onde vão colocar o lixo, uma sugestão: coloquem nas caixas que os supermercados oferecem de graça; geralmente elas já vêem com tampa, é só colocar e fechar a tampa. Só precisamos ficar de olho nesses trabalhadores com reciclagem para não pegarem a caixa e jogarem o lixo na nossa calçada. Pelo menos aqui na minha rua, eles rasgam a sacolinha que colocamos o lixo, pegam o que tem de reciclado e largam o lixo todo aberto. Eu separo o lixo reciclado sempre, mas costumam abrir o outro lixo só para ver o que tem dentro e largam lá, enchendo de moscas e caindo na calçada.
Apesar de tudo o que falam, de todo o medo que os cientistas e pesquisadores (o que mais tem nesse mundo é pesquisador), eu ainda acredito no ser humano, e sei que de alguma forma vamos reverter essa situação.
A Terra deve passar por mudanças, em alguns lugares, mas, acabar toda a água doce, destruir a Terra com o efeito estufa, eu não acredito nisso não.
Vamos fazer nossa parte, não custa nada!
E ficar de olho, porque mané querendo levar vantagem em toda mudança drástica, isso tem aos montes.


Ficar de olho, ficar de olho!!!!!